O quê? Você ainda não sabe o que é a Bicicletada? Veja aqui o que é e fique sabendo quando vai ela acontecer na sua cidade. Se sua cidade não está listada aí, agite você mesmo uma Bicicletada!
Se você já participou de alguma Bicicletada e não conseguiu se segurar até a edição seguinte, você pode acalmar um pouco a ansiedade lendo mais sobre a bicicleta como meio de transporte, sobre o cicloativismo, vendo relatos de outras Bicicletadas pelo Brasil, vídeos, fotos, além de, claro, ficar sabendo de passeios ciclísticos e outros pedais urbanos e também de cicloviagens.
Por enquanto, o Planeta Bicicletada divulga mais postagens de blogues focados principalmente nos fatos de São Paulo e do Rio de Janeiro. Com o Bicicleta na Rua, você pode começar a saber, por lá, as novidades do que acontece também na Grande Florianópolis.
Esta segunda-feira tive um sonho estranho. Nele eu havia caído duas vezes da minha bicicleta em plena Avenida Paulista. Eu me dirigia do Paraíso à Bela Vista/Jardins. Curiosamente, em vez de pedalar minha companheira dos últimos quatro anos, eu estava sobre uma bicicleta branca. Mas não era qualquer bicicleta branca: era uma bicicleta igual àquela que simboliza a Márcia Prado. Era uma bicicleta-fantasma, uma ghost bike.
Eu seguia pela rua, pelo mesmo caminho que costumo fazer. Estava na “ciclofaixa” e, próximo ao Shopping Paulista, encontrei mais três ou quatro amigos meus, todos em suas bicicletas, e seguimos juntos em direção à Av. Consolação. Como é normal no trânsito paulistano, começamos a ir mais rápido que os carros e, aproveitando o fato de a bicicleta ser dos poucos veículos que podem transitar entre os carros – nem moto poderia, de acordo com o CTB – fomos ultrapassando os automóveis. Em determinado momento, com os carros atrás da gente parados num semáforo, meus amigos foram entre a primeira e a segunda faixas, passando os demais veículos. Eu, como me encontrava um pouco mais à esquerda na ciclofaixa, não conseguiria fazer a manobra e, para prosseguirm fui para a terceira pista, atrás de um caminhão.
Minha intenção era seguir para a quarta pista, que se encontrava livre. Já me dirigia a ela quando um outro caminhão surgiu repentinamente e, acelerando na quarta pista, passou por mim e pelo caminhão à minha frente. Eu, que ouvira o caminhão se aproximar, havia me mantido na terceira pista, rente à quarta. Para variar, os caminhões tiveram que reduzir a velocidade poucos metros à frente. Juntando a minha posição na via, o vácuo do caminhão que me passara à esquerda e a redução da velocidade daquele à minha frente, fui meio que puxado para entre os caminhões. Mas entre eles seria perigosa a minha passagem. Acabei por me agarrar em algum lugar do caminhão que estivera à minha frente. Assim, poderia, quiçá, ter maior segurança para seguir sem me esbarrar no caminhão da quarta pista. Segurei-me no caminhão, aproximando-me dele – e afastando-me do outro. Algum farol deve ter aberto mais à frente e o caminhão começou a ganhar velocidade. Eu, que parara de acelerar para não ficar em situação perigosa em meio aos bólidos, fui puxado à frente. Tentei voltar a pedalar, mas já não acompanhava o caminhão. Desvencilhei-me dele, mas sem ainda ter recuperado o controle sobre a minha bicicleta. Acabou que meu quadril posicionou-se atrás do selim. Minha mão que soltara o caminhão ainda não se fixara no guidão. Com a mudança do centro de massa e a ajuda da outra mão, a bicicleta empinou e eu caí de costas na terceira faixa da Avenida Paulista. O carros prosseguiram sem se dar conta do acontecido.
Numa dessas reviravoltas só possíveis no mundo dos sonhos e em seriados de televisão, na imagem seguinte da minha mente eu estava pedalando na quarta faixa da Av. Paulista logo atrás daquele segundo caminhão. Atrás de mim, um carro de coloração clara, quase alvo, sem insulfilme (com insulfilme você não consegue ver quem está dirigindo), foi para cima de mim e acertou minha roda traseira. Pronto, foi-se a bicicleta. Eu, que novamente estivera com o quadril para trás do selim, acabei caindo sentado sobre o capô do automóvel. Para quê? O motorista enfureceu-se e passou a ziguezaguear o carro para me tirar de lá. Eu me agarrei às janelas entreabertas do veículo. Em cenas só possíveis nos confins de nossa imaginação, ora segurava-me com o corpo tombado sobre o capô e o vidro do motorista, ora estava inteiramente apoiado na capota (“teto”) do veículo. As pessoas viam-me na rua e, entre a dúvida, o espanto e o pranto, desesperavam-se por mim mais do que eu mesmo.
Vi meus amigos olhando a cena enquanto o carro passava por eles. Gritei algumas vezes para eles pegarem a minha bicicleta. Pouco antes do prédio da Gazeta, não sei bem como, desci do carro. Eu devia ter me machucado: sentia dores nos joelhos e nas costas. No canteiro central e em parte da última faixa do outro lado da pista, uns ciclistas e curiosos traziam-me os restos da minha bicicleta, sob os olhares dos transeuntes, ainda incrédulos com as cenas que haviam acabado de se passar. O guidão e o garfo dianteiros haviam sido partidos, “dessoldados” do resto do quadro. Várias peças, entre porcas, parafusos e partes de plástico, ferro e alumínio estavam espalhadas pelo chão. Um pneu – curiosamente o dianteiro, encontrava-se murcho.
Atravessei a rua e fui às portas do colégio situado no prédio da Gazeta. No meu sonho, parte da escadaria havia dado lugar a belos canteiros de plantas. Encontrei lá – e juro não ter reconhecido de imediato – um antigo coordenador. Estava já saindo quando vi chegar, de bicicleta, o meu irmão. Ele a prendeu num paraciclo dentro do colégio, falou um pouco comigo e foi assistir às aulas. Eu peguei minha magrela em pedaços e entrei no metrô.
Acordei sobressaltado. Falei com meu avô, que me disse poder se tratar de uma premonição. Em dúvida, questionei-lhe se valia a pena avisar a alguns dos dezenas de ciclistas que conheço que pedalam todos os dias pela região da Av. Paulista. Seguro, meu avô falou-me que não era necessário avisá-los; se algo fosse acontecer, aconteceria comigo. Menos mal! Além de eu já não agüentar mais presenciar novas bicicletas-fantasmas, ao menos em meu sonho eu saíra bem vivo. Com dificuldade, voltei a dormir algumas horas após deitar.
Provavelmente, algumas passagens do sonho foram baseadas em acontecimentos reais da minha vida. O carro a ziguezaguear, bem como o caminhão a passar com tudo pelo meu lado, lembra muito esta história aqui da Bicicletada Interplanetária. A situação da minha bicicleta era parecida com a qual ela se encontrava após a aventura na Estrada da Xiboca, cuja foto é mostrada nesta outra postagem. Quanto a me segurar no caminhão, isto nunca me aconteceu com nenhum veículo, bem como nunca caí de bicicleta de nenhuma das maneiras sonhadas. Uma vez um carro atingiu minha roda traseira quando eu estava sobre uma motocicleta. O local dos fatos parece ser uma referência clara ao que aconteceu com a Márcia.
É meio estranho pegar-me num sonho assim. No dia em que a Márcia Regina de Andrade Prado foi morta, eu tinha ido de bicicleta assistir a uma peça de teatro. A bike descansou no bicicletário da Sé enquanto eu assistia a “O Cortiço”. Terminada a apresentação, os céus começaram a chorar a morte da Márcia.
Acabei pegando o metrô para voltar para casa, retirando a roda dianteira para poder entrar com a bicicleta no horário de pico. Cheguei em casa e chequei meus e-mails. Recebi a última mensagem que a Márcia enviara para a lista de discussão da Bicicletada São Paulo. Confesso que ainda não a li. Ao fazer uma revisão de e-mails sobre a Bicicletada Interplanetária, encontrei vários dela: a permissão de descida pela Imigrantes pela Artesp, a resposta do criminoso policial Caria, clippings, opiniões sobre reportagens. Mas mais triste que isso é constatar que não temos mais o prazer de ler seus novos comentários. Nas duas últimas semanas que se passaram, não tivemos o prazer de receber nenhuma mensagem dela. Ficou um vazio em meio à centena de e-mails diários.
Quanto a vê-la, eu a vejo várias vezes por semana. Não fisicamente, já que seu corpo ajudará a formar os futuros médicos deste país (e estes terão muito trabalho se prosseguirem os acidentes de trânsito e continuarem aumentando os índices de doenças cardiovasculares, respiratórias e de fertilidade devido ao uso indiscriminado do automóvel). Lembro-me dela – e de seu exemplo – toda vez que passo pela Paulista. Vejo que quase todos os ciclistas que passam pela bicicleta-fantasma pedem proteção a ela.
Para mim, é difícil aceitar que uma amiga cicloativista tenha morrido ao pedalar. Mais duro ainda é aceitar que isso pode acontecer com qualquer um de nós.
E chega a ser inacreditável que, há apenas uma quinzena atrás, ela estava com a gente, sinalizando a Manutenção, que deve virar roteiro (ainda mais) cicloturístico, pedalando pela Imigrantes fechada para automóveis para que as bicicletas pudessem descer.
Querida Márcia, saiba que seu legado não será esquecido. Foi muito bom ter compartilhado idéias e momentos contigo!
Márcia em sua primeira cicloviagem, em direção a Sorocaba. Foto: Mário Canna Pires.
A Bicicletada Floripa de janeiro vai ocorrer nesta sexta-feira, dia 30. A concentração começa a partir das 18h, na Concha Acústica da UFSC. A saída para pedalar deve acontecer pouco depois das 19h, em destino decidido na hora pelos participantes.
A temática da Bicicletada deste mês, como não poderia deixar de ser nesta cidade que é um dos maiores destinos turísticos do Brasil, é o verão, que, após meses de chuvas intensas, tem começado a se firmar nas terras manézinhas.
Então não deixe de comparecer. Traga a sua bicicleta e seus amigos e apareça para pedalar! O ritmo do pedal lúdico-educativo é tranqüilo e seu limite físico será sempre respeitado.
Quem quiser passar a pedalar em Florianópolis ganha, a partir de janeiro de 2008, mais um bom motivo para não deixar a bicicleta em casa.
O Floripa Bikers, segundo Mauricio Soares Lima, integrante do grupo, tem como objetivo preencher as lacunas existentes nos dias da semana em que grupos da região não costumam pedalar, como às segundas-feiras.
Em princípio, o grupo sairá da Av. Jorge Lacerda, na Costeira, próximo ao Posto Camarão, às segundas e às quartas-feiras. O pedal de segunda-feira terá ritmo moderado e um percurso de no máximo 45 km enquanto o pedal de quarta-feira terá ritmo leve e até de 25 km, sendo este último indicado para casaise iniciantes, inclusive como forma de preparação para o pedal de segunda, assim como para o pedal dos demais grupos.
A inauguração do grupo será no dia 26 de janeiro, segunda-feira, às 19h30, na Av. Jorge Lacerda nº1682, na Costeira. Haverá, na ocasião, uma mesa de frutas e a apresentação da camiseta do grupo, cujo desenho você confere abaixo. Você pode adquirir a sua camiseta por R$ 50,00 com o Mauricio.
Após a apresentação da camiseta, ocorrerá o pedal inaugural do grupo, com destino a ser definido na hora, com previsão de saída às 20h30 e retorno às 22h30 para o mesmo local de saída.
Obs: pede-se para confirmar presença para a inauguração, com o Mauricio ou com o Elyandro, nos números ( 48 ) 3226 1416 ou ( 48 ) 9901 2233.
Ao sair do shopping, dei uma passada na rodoviária para ver os horários dos ônibus. Saí de lá e já segui pela nova ciclovia na Via Marginal. Ela está muito bem construída, por sinal. Aliás, as ciclovias da Praia Grande, cuja extensão cresce exponencialmente desde que eu conheci a cidade (em 2000), estão muito bem localizadas. A ciclovia à beira-mar cobre toda a orla desde o Forte até o município de Mongaguá. Avenidas importantes, como a Via Marginal, a Av. Presidente Kennedy e a Av. Presidente Costa e Silva já têm ciclovias. Praia Grande, de certo, será tema de postagem posterior.
Cheguei na rodoviária Tude Bastos no horário de saída do ônibus. Na verdade, parecia que estavam apenas me esperando para sair. Coloquei a bicicleta, presa com os cadeados da bike e um cadarço, no bagageiro do ônibus da Expresso Brasileiro. Saímos pouco depois das 21h45.
Desembarquei na rodoviária do Jabaquara. Aproveitei o Projeto Ciclista Cidadão do metrô de São Paulo e entrei com a bike num dos vagões. Desci na estação Bresser-Mooca e depois fui pedalando para a residência de meus pais. Eram quase 24h quando cumprimentei minha mãe às portas de seu lar.
Uma das primeiras coisas que fiz na Praia Grande foi lavar minhas roupas. Eu usara três camisetas nas 36h anteriores. Nenhuma estava em condições de ser reutilizada. Entretanto, devido ao longo tempo em que não estivera na Praia Grande, já não havia mais nenhuma roupa minha por lá. Minhas vestes ficaram lavando enquanto eu tombava de sono na cama recém-arrumada.
Mas agora o fato que realmente interessa. Na noite do dia seguinte, próximo às 22h, dirigi-me ao Extra do Litoral Plaza Shopping. Qual não foi a minha surpresa quando soube que ele não possuía bicicletário. Fui informado que, enquanto os demais veículos podiam entrar tranqüilamente, as bicicletas eram barradas. Como essa situação não fazia o menor sentido, fui seguindo a pé com minha bike ao lado. Um segurança com motocicleta abordou-me querendo saber as minhas intenções com a bike. Conversamos enquanto eu prosseguia. Quase na porta de entrada, outro segurança parou-me e agrediu-me. Pedi de imediato seu nome. Visivelmente nervoso, recusou-se-me a fornecê-lo. Fui seguindo com a bike, mas ele segurou-a pela roda traseira. Convencido de que eu iria entrar no shopping com a bicicleta mesmo, pegou-a e, indelicadamente, jogou-a numa cerca próxima a nós. Falou que poderia deixar lá. Trancafiei-a. Entrei no Extra, trajado com capacete, camiseta de ciclista e colete refletor.
Ao sair, vi seis funcionários próximos à minha bicicleta (o segurança que me agredira já havia saído de lá). Conversamos um pouco. Um cliente que vira a minha entrada aproximou-se e cumprimentou-me.
Fiz a reclamação abaixo:
Transcrição:
“No dia 8 de dezembro, em frente à entrada principal às 22h22 ± 7min, fui agredido fisicamente por um segurança do shopping. Tal fato constitui-se crime segundo o Código Penal. Tal ato foi feito propositalmente por eu, como cliente do shopping, entrar aqui com meu veículo (Art. 96 CTB), pelo qual o shopping não se responsabiliza. Gostaria que os funcionários fossem melhor instruídos a como lidar com os clientes, bem como a instalação de bicicletário na área interior do shopping.”
A resposta, até agora, foi:
“Prezado cliente
Com relação à sua queixa de agressão por um segurança do nosso shopping, registrada no último dia 09 de dezembro, enviaremos uma cópia à Gerência de Segurança para que apure os fatos internamente.
Lamentamos o transtorno.
Atenciosamente
SAC – Serviço de Atendimento ao Cliente / Litoral Plaza Shopping”
Mas as coisas não acabaram por aí!
Voltei lá no dia seguinte no horário do expediente. Como queria falar com os responsáveis pelo shopping sobre a instalação de bicicletários, não quis ver uma confusão ser causada – até porque um dos funcionários, que depois me afirmou chamar Alex, não teria escrúpulos em cortar o cadeado de minha bicicleta e furtá-la (não há outra palavra para descrever tal ação ilegal). Deixei-a presa simplesmente no local mais perigoso da cidade, bem em frente onde o tal Alex ficaria.
Fui à administração. Falei dos incidentes com outro Alex, operador de segurança. Ele se esquivou de meus argumentos. Não falou sobre as ações dos funcionários e muito menos como eu poderia fazer, como cliente, para ir de bicicleta ao shopping e não voltar a pé. Ainda falou comigo o Cristiano, coordenador do shopping. Parece que ele me entendeu, mas mesmo assim pediu para fazer o pedido por escrito. Fi-lo, como você confere abaixo:
Transcrição:
“——————–Instalação de Bicicletário——————–
Local: região interna do Litoral Plaza Shopping, situado na av. Ayrton Senna da Silva 1511, Jd. Intermares, Praia Grande, SP.
Situação atual: o referido shopping conta com centenas de locais de estacionamento para automóveis e motocicletas. Ele conta com uma área aberta (=sem cobertura) onde funcionários guardam as suas bicicletas. Clientes não têm local para estacionarem suas bicicletas e a têm que deixar em área externa ao shopping, onde não há segurança e o shopping não se responsabiliza pelas veículos de seus clientes (Art. 96 do CTB: bicicleta é um veículo).
Praia Grande foi considerada, em 2003, o município paulista com mais de 100 000 habitantes com maior índice de violência. Furtos de bicicleta são comuns na cidade. A administração municipal, atenta aos problemas advindos do excesso de veículos, têm investido na construção de dezenas de quilômetros de ciclovias nos últimos anos e o número de ciclousuários cresceu enormemente.
Bicicletários em estabelecimentos: quase todos os estabelecimentos de grande porte contam, hoje, com bicicletários destinados aos clientes. Situação comum é, até, a ampliação do número de vagas em bicicletários devido à elevada demanda. Em um local destinado à ocupação de um automóvel cabem 6 bicicletas. Sendo sincero, nos últimos 2 anos não vi e nem tive conhecimento de um shopping que não dispusesse de bicicletário.
Bicicletário ideal ao Litoral Plaza Shopping: pelas características do município, das vias de acesso ao shopping, do número de bicicletas de clientes presas fora do shopping e pelo fluxo de gente do local, o ideal é a instalação, de preferência em parte coberta, de 25± 5 vagas em bicicletário para clientes (mais as vagas para funcionários). O bicicletário tem que ser de um dos 2 tipos descritos: (1) uma barra grande em forma de corrimão com suporte (guinchos) para que a bicicleta fique presa pelo guidão e roda dianteira. Altura sugerida da barra: 1,20m. Espaçamento entre os guinchos: 1,0m a 0,8m. (2) uma barra em forma de “U” invertido, com cerca de 1,0m de altura, onde a bicicleta seria presa pelo quadro e roda dianteira. Costuma ocupar menos espaço e parece mais apropriado à realidade de Praia Grande. Não é necessário que o shopping se responsabilize pelas bicicletas (apesar de eu, como ciclista, adorar caso se tome uma atitude dessas). Um shopping de Santos oferece senhas para moto e bicicleta e vive abarroto de ambos, mesmo não se responsabilizando por elas. Os clientes sentem-se seguros e compram aos montes indo para lá sobre duas rodas.
Dos clientes com bicicleta: o shopping, não tendo lugar adequado para o cliente estacionar bicicleta, não pode impedi-lo de entrar em suas dependências com ela (se ele dispuser de estacionamento para veículos motorizados não poderá impedir o ciclista de entrar com a bicicleta). Pela legislação, o ciclista desmontado equipara-se ao pedestre, podendo, portanto, entrar com a bicicleta no shopping. Os seguranças não podem encostar no ciclista (caso contrário, estará cometendo crime segundo o CP). Estes são bons motivos para a instalação de bicicletáriuos na parte interna do shopping.”
Recebi a seguinte resposta no dia 30 de dezembro:
“Prezado Cliente
Recebemos sua carta, datada do último dia 12 de dezembro, com sugestões para a instalação de um bicicletário aqui no Litoral Plaza Shopping.
Estamos estudando o assunto com muito carinho e, futuramente, poderemos ter novidades.
Aproveitamos para agradecer suas sugestões “técnicas”.
Atenciosamente
SAC – Serviço de Atendimento ao Cliente LITORAL PLAZA SHOPPING “
Após feito o requerimento, minha bicicleta ainda se encontrava presa, junto a outras 21 de clientes, e mais de 40 bikes podiam ser vistas no bicicletário improvisado para funcionários.
Fui seguindo as placas em direção a Santos. Vários trechos possuem acostamento, inclusive algumas pontes. Mas vários outros, incluindo outras pontes, não o apresentam. Cheguei a Santos.
Limites entre os municípios de Santos e Cubatão. Foto: Ciclista Fabiano.
Prossegui na rodovia e ela se transformou numa avenida. No meio do nada, no canteiro central, surge uma ciclovia (mas demorei a encontrar um acesso para ela). Vi vários ciclistas, inclusive em grupos, transitando por lá. Saí da ciclovia próximo à rodoviária. Em outra oportunidade, falarei melhor sobre essa ciclovia e também sobre a estrutura cicloviária de Santos (mas vale a pena conferir a opinião do Nicolas, em francês).
Ciclistas pedalam por uma ciclovia em Santos. Foto: Ciclista Fabiano.
No túnel próximo à rodoviária (que dá no Canal 2), onde o trânsito de bicicletas é proibido, pedalei pela passarela de pedestres. Indo em direção ao mar, encontrei o McDonald’s. Vegetariano, parei para tomar um sorvete.
Túnel de Santos proíbe a passagem de ciclistas. Foto: Ciclista Fabiano.
O McDonald’s tinha paraciclos ruins, de um modelo onde somente se prende a bicicleta pela roda dianteira. Mesmo assim, deixei a bike lá e arrumei uma mesa onde ficaria de olho nela.
Saí de lá e fui no sentido do Porto. Na Av. Ana Costa, parei para comprar um lanche no Extra. Lá, para a minha surpresa, encontrei este bicicletário.
Bicicletário do Extra, em Santos. Foto: Ciclista Fabiano.
Ele tem capacidade para cerca de 35 bicicletas. Um funcionário fornece-lhe uma senha, anota seu nome num caderno e fica a tomar conta do seu veículo.
Ao sair de lá, rumei para a praia. Peguei a ciclovia à beira-mar. Interessei-me em assistir a um dos filmes que iria passar num cinema pequeno que fica entre a ciclovia e a praia. Enquanto ele não começava, fui de bike procurar por algum lugar onde tivesse caldo de cana (só encontrei depois do Canal 4) e também uma hidratante água-de-coco. Assisti ao filme e segui para a Praia Grande.
Ciclovia à beira-mar em Santos. Foto: Ciclista Fabiano.
Ao cruzar a ponte pênsil de São Vicente, qual não foi a minha surpresa ao perceber que ela estava fechada para os automóveis no sentido Praia Grande! Como eu sou ciclista, passei tranqüilo e andei sozinho pela rua, vendo os carros que íam sentido Santos parados num congestionamento quilométrico. Nem me preocupei em pegar a ciclovia, que estava do outro lado dos carros – só fui nela próximo ao pórtico que me anunciava “Bem-vindo à Praia Grande!”.
Cheguei à Praia Grande. Foto: Ciclista Fabiano.
Às 19h, estava em frente ao meu prédio a telefonar aos meus pais para avisar que, enfim, já chegara.
No Rancho da Pamonha, exaustos, paramos. Tiramos ambas rodas da minha bicicleta. O pneu dianteiro, que até então estava bom, foi para o lugar do traseiro. O André procurou por mais furos na câmara do outro pneu. Foram-se os últimos remendos.
Remendos no Rancho da Pamonha. Foto: Ciclista Fabiano.
Esperávamos poder tomar café e descansar lá no rancho da Pamonha, mas ele só abriria às 10h30min. Limpamos um pouco nossas magrelas, sujas de terra, e apenas esperamos o policial rodoviário que fica na base da PMR improvisada em frente ao Rancho atender um viajante motorizado e seguimos para a Manutenção. Eram quase 7h.
Bicicleta enlameada. Foto: Ciclista Fabiano.
Pela contramão, seguimos no acostamento até o começo da Estrada de Manutenção, hoje sinalizada. Com facilidade e velocidade, seguimos por ela.
A Estrada de Manutenção, também conhecida pelas comunidades lindeiras como Estrada de Serviço, ou ainda como Estrada do Dersa, é percorrida todo final de semana por dezenas de cicloturistas. Um de seus começos situa-se a cerca de 2km do Rancho da Pamonha, na Imigrantes. Ela termina em uma das sedes do Parque Estadual da Serra do Mar (Núcleo Itutinga-Pilões).
O começo da Manutenção é ruim, com várias bifurcações, chão pedregoso e, até então, nenhuma sinalização. Depois vira uma estrada asfaltada, com pequenos trechos de paralelepípedos e com uma cobertura de limo em vários pontos.
Começo da Estrada de Manutenção. Foto: Ciclista Fabiano.
Pois bem, pouco antes de começar o asfalto liso, meu pneu furou mais uma vez. Era o mesmo pneu, agora na roda dianteira. Utilizamos uma câmara velha remendada que o André carregava consigo. Teria que torcer para mais nada acontecer.
Câmara furada bastante remendada. Foto: Ciclista Fabiano.
Mas realmente não era meu dia de sorte. Logo após a primeira descida vi que meus freios não estavam funcionando direito. O André deu uma ajeitada. Mais próximo do nível do mar, ficamos sabendo o que estava ocorrendo.
Acontece que meus freios estavam “nas últimas“. Dois deles já estavam mostrando seus suportes de ferro. Um desses ferros havia feito um corte na lateral do pneu. Por isso, a câmara furava com qualquer coisinha. O problema não era ela, era o pneu, que não estava utilizável devido às péssimas condições dos freios.
Esta era a situação em que se encontrava o melhor dos freios.
Diante dessas circunstâncias, o inevitável aconteceu. O pneu furou mais uma vez. Não me restavam mais câmaras ou remendos. Sorte foi que o André havia lido um livro sobre o que fazer nessas situações extremas. Retiramos a câmara. Pegamos folhas secas, abundantes às margens da Manutenção, e enchemos o pneu com elas. Deu certo. E pude, de fato, descer ao litoral.
Pneu Vegano. André insere folhas secas no pneu. Foto: Ciclista Fabiano.
A estrada tem apenas uma pista para subir e uma para descer, mas praticamente não circulam automóveis por ela (vimos apenas quatro). Sem contar que a velocidade máxima permitida chega a apenas 40km/h. Entretanto, o visual dela é incrível! As escarpas da Serra do Mar entrecortadas pelo concreto que sustenta as pontes da Anchieta e da Imigrantes. Ao longe, as povoações a habitar à beira do Atlântico.
Paisagem vista ao longo da Estrada de Manutenção. Foto: Ciclista Fabiano.
Estrada eleva-se por entre os morros da Serra do Mar. Foto: Ciclista Fabiano.
Volta e meia, você cruza, por baixo, as autopistas. Em um dos trechos você fica na mesma altura delas. Mas seja lá onde você estiver, a natureza estará te acompanhando.
Por sob as pontes, o verde impera. Foto: Ciclista Fabiano.
É muito mais belo pedalar-se pela Estrada de Manutenção. Foto: Ciclista Fabiano.
Do meu pneu, as folhas saíam aos poucos. Passamos a preenchê-lo com folhas verdes, em especial de helicônias e bananeiras, cujas folhas têm grande dimensão. Meu pneu esvaziava-se cada vez mais rápido. Eu já deixava até minhas espátulas nos bolsos de meu agasalho, tamanha era a freqüência com que as necessitava.
Folhas de bananeira salvaram o dia. Foto: André Pasqualini.
Há muitas fontes de água ao longo da Manutenção. Essas fontes, bicas e cachoeiras possuem água própria para o consumo. Elas abastecem os municípios da Baixada Santista. Uma das grandes fontes de contaminação dessas águas deriva dos rituais de macumbaria, cujos vestígios podem ainda ser vistos em vários pontos da estrada.
A melhor vista da fonte d'água. Ainda assim, notam-se requícios de macumbaria. Foto: Ciclista Fabiano.
Um dos pontos pelos quais se passa, que pode até ser visto pelos motoristas ao longe, é uma fantástica e refrescante cachoeira, onde é possível até banhar-se (apesar de não ser recomendado pelo autor deste blogue).
Cachoeira ao lado da Estrada de Manutenção. Foto: Ciclista Fabiano.
Cachoeira ao lado da Estrada de Manutenção. Foto: Ciclista Fabiano.
Faltando poucos quilômetros para a saída da Imigrantes, meu pneu estava bastante deformado. Uma meia-volta na roda e o pneu – e as folhas – saía para um lado. Mais meia-volta e o resto do pneu saía para o lado oposto. Tentei pôr mais folhas, mas não adiantou. Passei algumas centenas de metros a carregar a bicicleta apenas com sua roda traseira apoiada no asfalto, empinada, conduzida por mim a pé.
Não era possível nem completar uma volta na roda sem que o pneu saísse. Foto: Ciclista Fabiano.
O André estava na minha frente. Ele chegou na sede do Parque Estadual da Serra do Mar, onde foi proibido de passar (leia o relato dele) e retornou, terminando por me encontrar.
Ele colocou folhas de bananeira para preencher todo o pneu. Não deu certo. Enquanto colocávamos mais folhas, quem nós encontramos? O Nicolas! Francês residente em São Paulo, ele estivera na Interplanetária. Voltara com um grupo pela Imigrantes, mas não agüentou. Enfiou-se no mato, próximo à represa, jantou num tipo de Pesque & Pague e dormira lá perto (leia o relato dele, em francês). Junto dele estava um rapaz que viera de Araraquara para descer ao litoral. Ele estava num grupo de uns 40 ciclistas. Estes vieram de ônibus até o Rancho da Pamonha. De lá, foram pelo acostamento na contramão até a Manutenção. Ele quisera ir um pouco mais rápido que os demais.
A idéia que este ciclista de Araraquara teve foi improvisar um manchão com uma das câmaras usadas. Primeiro, retiramos todas as folhas do pneu. Depois, com um remendo que me foi cedido, arrumamos uma das câmaras furadas. Outra câmara foi cortada. Inflou-se um pouco a câmara recém-remendada e ajeitou-se no pneu. Nos pontos críticos, como onde o freio fizera um rasgo e onde havia calombos, envolveu-se a câmara com a outra que fora cortada, protegendo-a. Por fim, fechou-se o pneu e encheu-se-o. Deu certo!
André, Nicolas e o ciclista de Araraquara improvisando um manchão. Foto: Ciclista Fabiano.
Seguimos pedalando nós quatro. Era muito bom não sentir as ondulações do pneu e da disposição das folhas nele. Enfim, era bom não ficar balançando para cima e para baixo com a bicicleta com pneus veganos.
Uma pessoa que passara por mim quando eu estava a pé avisara-me em qual das inúmeras saídas da Manutenção teríamos que subir para as rodovias. Dito e feito. Saímos ao final do último túnel da Imigrantes nova.
Lá, os carros saíam a cerca de 80km/h. Tínhamos acostamento, mas este desapareceria pouco à frente. Depois, ainda havia uma trifurcação: à direita, iríamos para Praia Grande, Mongaguá ou Itanhaém. No centro, o rumo Cubatão, Guarujá e litoral norte. À esquerda, Santos, São Vicente ou Praia Grande (de novo).
Fomos pela esquerda e, logo após a trifurcação, meu pneu furou – só para variar… Perguntando para os moradores, soubemos que ali perto havia uma bicicletaria. Fui para lá sozinho enquanto o André e o Nicolas foram para Santos. Eram 11h30.
Dirigi-me à bicicletaria. Passei por ruelas de areia e terra batida em meio a uma população de baixa renda.
A bicicletaria, na verdade, era um dono de bar. Em princípio, ele queria apenas trocar a câmara. Eu, já ciente de meu problema, insisti num pneu novo (os freios troquei depois). Ele mandou uma pessoa ir buscar lá em outra loja um modelo parecido com o meu. Eu aproveitei a sombra do bar de Cubatão. Refresquei-me por lá e descansei (quase cochilei).
Gastei R$ 25,00 pelo pneu dianteiro e mais R$ 10,00 pela câmara. Vi depois que a câmara que me foi colocada não é a mais apropriada para o meu tipo de pneu (26×1.5), mas, mesmo após outras duas pedaladas até Santos, ela não me deu problemas.
Às 12h30, voltei à estrada. Iria para Santos antes de dormir na Praia Grande.
Retornei junto com os demais ciclistas, mas atento à qual das entradas poderia ser aquela da Estrada da Xiboca. Segundo os vigilantes do parque, ao retornar, eu veria a estrada de terra à minha esquerda. Ela costumava ser usada por jipeiros e, como não chovia havia mais de 2 dias, deveria estar não muito lamacenta, o suficiente para não precisarmos desmontar-nos de nossas bikes. Ela iria dar na Anchieta, após o pedágio.
Ao avistar o que me parecia ser a entrada da estrada, fui lá me aventurar. Já nela, o André Pasqualini (do CicloBR; leia o relato), após insistência do artista plástico e cicloativista Marcelo Siqueira, falou-me para esperá-lo que ele iria junto comigo. O André era outro que teria que ir para o litoral de qualquer jeito; a mulher e o filho estavam no Guarujá a esperá-lo.
A poucos metros da entrada, poças de lama fizeram-me descer da bike. Bem que tentei montá-la em outras oportunidades, mas não pedalaria muitos metros de cada vez. Sob o luar cada vez mais fraco e a luz da lanterna da minha bike, fomos clareando o caminho. Na terceira bifurcação (coisa que não deveria ter), o André consultou seu GPS e viu que nos encontrávamos num beco sem saída: qualquer dos caminhos que seguíssemos, mergulharíamos na represa de Guarapiranga! Era a nossa primeira roubada (veja mapa).
Enlameados, retornamos.
Estávamos voltando para Riacho Grande quando, em meio a casas bem iluminadas, a vimos: estava lá, bem explicitada por uma placa de madeira, a Estrada da Xiboca!
O André conferiu seu GPS e aquele caminho dava mesmo às autopistas da Ecovias. Adentramos.
O começo da estrada era razoavelmente bom até mesmo para a minha bicicleta, com seu pneu semi-slick (1.5), prosseguir. Era de uma terra batida aplainada.
Estrada da Xiboca. Foto: Ciclista Fabiano.
A iluminação acompanhou-nos até o trecho em que dois cachorros quase atacaram o André, que estava à minha frente. Quando passei por eles, surpreendentemente não me ocorreu nada.
Minutos depois estávamos num caminho todo cheio de poças de lama, ladeados por árvores e fauna da Mata Atlântica. Ficarmos ainda mais enlameados era apenas questão de tempo. E esse tempo não tardou a chegar. Durante poucos quilômetros, fomos empurrando nossas bikes, desviando-as das poças, tendo como praticamente única fonte de luz uma lanterninha de bicicleta. Era a nossa segunda roubada.
Aproximadamente às 4h, após subir um barraco de terra muito íngreme e irregular, observamos a Anchieta. Cruzamos uma ponte e, em breve, estávamos no acostamento. O maior susto nessa parte foi que um carro nos seguiu. Mas era apenas uma viajante perdida…
Na Anchieta, a idéia do André era descer a serra por ela mesma. Os problemas decorriam da falta de acostamento. Teríamos que manter uma velocidade próxima dos 80km/h nos trechos de descida.
A idéia foi abortada instantes depois. Meu pneu (o mesmo pneu, mas com câmara nova) furou duas vezes seguidas. E não dava a idéia de que pararia de furar… (e não parou mesmo, como se vê aqui).
Com três (de cinco) remendos a menos, a solução foi deixar o pneu semimurcho e ir reinflando-o conforme ele se esvaziava mais. Enchendo-o a cada 2 ou 3 km, comigo sentindo todas as imperfeições do asfalto do acostamento, pedalamos pela Interligação até a Imigrantes.
O maior cuidado que tivemos foi apagar nossos piscas, de forma a não sermos vistos ou percebidos pelas câmeras.
Cruzamos transversalmente a Imigrantes até a pista contrária e pedalamos no acostamento pela contramão até o Rancho da Pamonha. Estava começando a clarear o dia.
Estávamos em 17 ciclistas. Nossa idéia era descer ao litoral pela Estrada Velha de Santos. A nós, juntou-se o Silas, que não estivera na Interplanetária, mas já pedalara até Santos usando o caminho almejado.
Depois das 23h, saímos do restaurante, montamos em nossas bikes e voltamos à estrada. Começamos indo em pequenos grupos de 3 a 5 ciclistas. Faróis desligados, capacetes escondidos. Logo no começo, meu pneu furou. Seria o primeiro de muitos furos.
Chegamos a nos agrupar, mas desagrupamos quando observamos a polícia militar apartando uma briga numa festa à beira da estrada. Sabe como é, eles sabiam que não íamos desistir de ir ao litoral. Todas as câmeras da Ecovias estavam à busca de ciclistas. Se bobear, até o tenente Caria estaria fazendo hora extra só para garantir que mais ninguém desceria ao litoral.
Passada a viatura, seguimos em direção ao Pólo Ecoturístico Caminhos do Mar, por onde a estrada passa, e recolocamos nossos capacetes e nossos piscas. A estrada não era totalmente iluminada. Num certo trecho, olhei para trás e, maravilhado, observei uma fila de lanternas piscando na escuridão.
A iluminação urbana começou a escassear até tornar-se inexistente. Apesar das lanternas que brilhavam, elas não eram tão necessárias. O luar possibilitava-nos enxergar ao redor. Os ruídos da cidade não eram ouvidos ali. Na estrada, quase deserta, escutava-se a brisa leve, as folhas movendo-se, as cigarras cimbaleando, os sapos coaxando, as rodas girando.
Ciclistas trafegam na escuridão rumo ao Pólo Ecoturístico Caminhos do Mar. Foto: André Pasqualini.
Passamos pessoas a acampar e, pouco à frente, uma iluminação clareava uma curva à esquerda. Antes de chegar à fonte, tivemos que traspassar uma cerca de arame. Para nosso susto, piscou a luz de uma viatura. Estávamos bem diante da entrada do parque.
Diferentemente de anos atrás, agora o parque tem uma portaria. Notícia ótima para um biólogo, que passa a ter a reserva melhor fiscalizada e os excessos coibidos – parece que muita gente ia se embebedar por lá e que um dos patrimônios do parque, a Casa de Pedra, fora bastante deteriorado.
Vigilantes na portaria do Pólo Ecoturístico Caminhos do Mar. Foto: Ciclista Fabiano.
Até que tentamos fazer algum acordo. Poderíamos percorrer os 10km que nos separavam de Santos na boléia de uma das picapes da vigilância do parque, mas não deu. Ainda poderíamos tentar falar com os guias, que chegariam no parque às 6h. Durante um tempo, ficamos em frente à entrada de lá. A galera uniu-se para se esquentar. Eu queria mesmo era dar uma pedalada até a Estrada da Xiboca, que os seguranças afirmaram estar a 6km daquela portaria.
Às 2h30, os ciclistas estavam dispostos a retornarem, seja para suas casas, seja para um hotel em Riacho Grande, mas eu me mantive firme na idéia de adormecer apenas na Praia Grande.