No dia 31 de janeiro de 2009, ocorreu, em São Paulo, um encontro pouco comum de ser visto pelas ruas do Brasil: um grupo de pessoas se reuniu para ir de bicicleta assistir a uma partida de futebol.
Habitantes de uma metrópole que concentra três das 10 maiores torcidas do país, para não haver discussões ou brigas que desmanchassem amizades, o clube de futebol escolhido foi aquele que é praticamente a segunda equipe do coração de quase todos os paulistanos: o Clube Atlético Juventus.
O grupo combinou de se reunir na Praça do Ciclista para seguir de bicicleta de lá até o bairro da Mooca, com forte influência da colonização italiana. Quando eu soube disso, resolvi assistir ao jogo também. A diferença é que, como rapaz criado na Mooca, eu seguiria direto ao Estádio Conde Rodolfo Crespi, na Rua Javari, para encontrar com eles um pouco antes de a partida começar.
Para mim, seria uma sensação nova. Diferente. Instigante. Até em certo ponto nostálgica, pois foi no mesmo lugar que fui em um estádio de futebol pela primeira vez na vida e foi numa escola situada ali ao lado onde, pela janela, volta e meia via os jogadores treinarem no gramado. Naquele mesmo estádio, inauguraria em minha vida uma era onde até para assistir às partidas de futebol eu iria de bicicleta.
Próximo à entrada do estádio, eu encontrei os três ciclistas que vieram de bike e mais um vizinho de bairro, o Toshio, que foi quem agitou toda essa pedalada e confraternização. Estavam em frente a um dos bares mais movimentados nos arredores do estádio, com uma mesa só para eles debaixo da sombra de uma árvore.

Ciclista juventino. Uniformizado com camiseta alusiva ao clube, foi assim que cheguei para assistir ao Moleque Travesso. Créditos da foto: Silas.
Quase às 16h, horário de começo do jogo, chegam as 2 últimas pessoas e quem ainda não havia entrado com a bicicleta passou pelos seguranças (após mostrar os ingressos, claro) e deixou as magrelas dentro da quadra da futsal do Moleque Travesso.
O detalhe é que mais um torcedor ciclista e se beneficou de nossa movimentação. Ele aproveitou e deixou a sua bike protegida dentro das dependências do clube, junto às nossas.
O jogo começou com baixo nível técnico. O América forçou mais e teve as melhores chances do primeiro tempo, que terminou em 0 a 0.
Aí veio o intervalo e, junto com ele, os tradicionais canoles e amendoins!
Juventus melhorou no segundo tempo e começou na frente no placar. Aos 15min, Jonatha abril o marcador após uma cabeceada e a torcida juventina toda se levantou eufórica (nós, inclusive!). Mas nossa alegria durou pouco, pois o América empatou dois minutos depois, após trocas de passes precisos e falhas da marcação do Juventus.
O jogo ficou em equilibrado e teve poucas jogadas de perigo durante os minutos que se seguiram. É aí que se pode notar os personagens que formam a torcida do Moleque Travesso.

Atrás da meta do goleiro adversário, a torcida do Juventus não pára nunca de incentivar a sua equipe. Foto: Fabiano Faga Pacheco
Uma boa parte dos torcedores deixou de prestar atenção no jogo para olhar com mais atenção à Aline, bandeirinha daquela partida. Mas, aos 36min, o gramado voltou a ser o centro das atenções. O Juventus tinha um pênalti a seu favor!
Quer saber o que aconteceu? Veja no vídeo abaixo!
O Erick acabou por perder mesmo o pênalti.
Nos minutos finais, ambas as torcidas estavam apreensivas.
No final, o jogo terminou 1 a 1 mesmo. Mas valeu muito a pena ver a alegria contagiante da torcida…
… e estreiar numa nova relação com a cidade, em que de bicicleta se vai até aos estádio de futebol!
Antes de terminar, apenas duas curiosidades.
A ficha técnica da partida:
Juventus 1 x 1 América
Local: Estádio Conde Rodolfo Crespi, Rua Javari, em São Paulo
Público pagante: 790 pessoas
Renda: R$ 5 185,00
Árbitro: Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza
Cartões amarelos: Ivan, Erick e Odirlei (Juventus) Rafinha, Bele, Fabricio, William e Thiago Floriano (América)
Gols: Jhonatas 15′/2T (Juventus); William 17′/2T (América)Juventus
Marcelo; Nem (Valdo), Daniel e Ivan; Erick, Levi, Fabinho (Silas) e Odirlei, Jhonatas; Tiago Chulapa e Deiwid (Vagner).
Técnico: Edu MarangonAmérica
Tutti; Juninho (Sandro), Mirita, Rafael Silva e Rafinha; Bele, Fabrício, Thiago Floriano e William; Catatau (Vander) e Canela (João Henrique).
Técnico: Carlos Rossi
Pouco antes do Campeonato Paulista começar, o cartunista Maurício Ricardo publicou esta charge. Vejam só a situação em que o Juventus foi representado.
E não é que o Juventus acabou por cair para a terceira divisão do futebol paulista?
Mesmo assim, creio que nenhum dos torcedores vai deixar de comparecer à Rua Javari para incentivar a equipe. E, provavelmente, cada vez mais deles irão de bicicleta.
Por Fabiano Faga Pacheco
Saiba mais:
Bicicletada Juventina – foi criado até um blogue para divulgar essas pedaladas para os jogos do Juventus. Nesta postagem, o Toshio conta como foi essa primeira experiência.
Fotos:
André Pasqualini
Fabiano Faga Pacheco
Veja também:
Futebol Interior – Juventus 1×1 América – Equilíbrio marca empate na Rua Javari
Juventus – Juventus fica no empate diante do América na Javari
Juventus – “Só garra não ganha jogo”, diz Edu Marangon
Federação Paulista de Futebol – Juventus empata em casa com o América por 1 a 1











28 Abril 2009 às 22:41
Hey! muito legal!
quem sabe eu também não participo dessas pedaladas???
4 Julho 2009 às 22:28
[...] que volta e meia vai aos treinos pedalando. Há também uma reportagem semelhante no Infoesporte. Quando futebol e bicicleta se misturam – Nunca foi de bicicleta ao estádio? Veja aqui, então, um relato de um grupo de ciclistas [...]