Aprendi que rias
são braços de mar
que parecem rios.
Por um deles, em tempo
distante, seguiu o hispano
Cabeza de Vaca.
Depois adentrou a mata
em caminhos que os índios
diziam peabiru.
Se foi a ria do Itapocu
ou a ria, mais ao norte,
do Três Barras, pouco importa.
Importa que adiante foi,
descobrindo, passo a passo,
a terra com sua gente.
Por onde andou, até
o Paraguai e além,
buscou a paz
de índios e brancos.
Plantou e colheu.
Mas tal qual rias
não são rios, perdeu
no embate das forças
que, à revelia dos povos,
governam o mundo.
Deixou, no entanto,
a lição: há sempre caminhos
por onde se chega
à riqueza maior
de cada nação, seja ela
letrada ou não:
o respeito sem fronteiras;
a vida acima de tudo.
Retirado daqui.



excelente poesia.