Soneto do culto aos carros
Um dia desses vi em fila estacionadas
De algum pedestre a ocupar o nobre espaço
Tão grandes caixas de borracha, vidro e aço
Em tom vermelhas, brancas, pretas, prateadas
E lá no fundo é grande o esforço que eu faço
De compreender como tais caixas são amadas
Mais que pessoas, que estão capacitadas
De dar um beijo, um olhar ou um abraço
E se uma delas precisar de área maior
Pode ocupar-se o local das bicicletas
Que são os donos de suas caixas cultuadores
Situação não poderia haver pior
Ter que abrir mão de poucos metros aos atletas
Pois suas caixas são de fato seus amores
Krishna Simpson
Retirado do Jornal Ponte Velha, de 09 de setembro de 2009.
Cena fotografada na ciclofaixa e calçada da Rua Bocaiúva, em Florianópolis, SC, em 29 de setembro de 2010, às 22h00.


