Rio Tavares: obras começam sem ciclovia

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense em 31 de maio de 2011 (pág. 25). Você pode ler a matéria no site do DC aqui. Faz parte de uma série de matérias e conteúdos relativos ao descaso com os ciclistas que transitam pela região. Erratas e situações reversas serão bem vindas.

Dois fatos importantes aconteceram após a publicação dessa reportagem. O Tribunal de Justiça deu ganho de causa à ação movida pela ViaCiclo. O Deinfra recorreu e não há previsão de ciclovia. Segundo o projeto conceitual do IPUF, estava prevista a nova pista e o acostamento em apenas um dos lados, que é o que está efetivamente sendo feito. Além disso, ciclovia, arborização e passeios constavam nos planos no órgão municipal.

E DAÍ?

Começa a ampliação na SC-405

Projeto da terceira pista com 2,3 quilômetros, que vai ligar o Trevo da Seta e o Bairro Rio Tavares, não prevê uma ciclovia

Começaram ontem as obras para a ampliação da SC-405. O projeto, orçado em R$ 3 milhões, não prevê uma ciclovia. De acordo com a Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), a lei determina que toda obra de reforma ou expansão de rodovias tenha um espaço para a circulação de pedestres e ciclistas.

Por isso, a ViaCiclo entrou com ação civil pública pedindo ciclovias e ciclofaixas na SC-405. O Deinfra foi intimado a prestar esclarecimentos e, segundo informou, o órgão não é obrigado a fazer a ciclovia até a decisão final do Tribunal de Justiça.

O presidente do Departamento Estadual de Infraestrutura, Paulo Meller, diz que as obras da SC-405 só incluem acostamentos e bolsões para ônibus. Meller defende que a licitação, sem previsão de espaço para a circulação de bicicletas, foi feita há dois anos. Segundo ele, não se pode fugir “uma linha” do projeto. Mas ele destaca que as obras para a duplicação da Diomício de Freitas, que leva ao Aeroporto Internacional Hercílio Luz, incluirão ciclovias.

Segundo a Polícia Rodoviária, apesar da obra da SC-405 não exigir desvios no trânsito, ontem, o congestionamento no local chegou a 5 quilômetros por volta das 9h.

Obra, orçada em R$ 3 milhões, deve ficar pronta em dezembro.

Para o presidente do Deinfra, Paulo Meller, o fluxo de carros deve ficar mais complicado na região até o fim das obras, previsto para dezembro.

– Além dos carros, terão as máquinas trabalhando, o que dificulta ainda mais o trânsito. Mas será um transtorno momentâneo – afirma.

As obras envolvem a construção de uma terceira faixa em 2,3 quilômetros de extensão entre o Trevo da Seta e o Bairro Rio Tavares. Serão três faixas de 3,5 metros e dois acostamentos de 1,5 metros cada um. Ontem, iniciou-se a fase de limpeza da região e os muros no entorno começaram a ser demolidos para, depois, os postes de energia elétrica serem retirados. A sinalização do local está a cargo da empresa vencedora da licitação, a Sulcatarinense. A ordem de serviço para os trabalhos foi assinada com a empresa em fevereiro de 2009.

O atraso de quase dois anos, segundo Meller, deveu-se aos processos judiciais para a indenização das terras dos moradores da região. Das 93 desapropriações, cinco ainda estão da Justiça, mas não devem atrapalhar as obras. A PMRv recomenda cautela redobrada para os motoristas que trafegam na região e pede para que os curiosos não parem no local. Quando as obras estiverem prontas, duas pistas devem ficar no sentido bairro-Centro, enquanto uma faixa ficará no sentido Centro-bairro. A ampliação deve faciliar a circulação dos 33 mil carros que passam pela rodovia diariamente.

11 respostas para Rio Tavares: obras começam sem ciclovia

  1. Noe disse:

    1. A junção do acesso de quem vem da Diomício de Freitas com a SC 405 ficou extremamente perigosa para pedestres, pois não há calçadas e os motoristas precisam olhar no sentido do Trevo da Seta. Espera-se ardentemente que não aconteçam atropelamentos ali antes que eles se deem ao trabalho de adequar o traçado.

    2. É a lei que diz ser necessário incluir ciclovia: Lei Nº 10.720, de 31 de março de 1998, de Santa Catarina, e Lei Complementar Nº 078, de 12 de março de 2001, de Florianópolis. Por tais leis, o órgão responsável é sim obrigado a fazer a ciclovia em decorrência da intervenção na via. Chega a ser algo absurdo a necessidade de ação judicial para isso. Os administradores públicos tem a obrigação de seguir as leis!

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