As mudanças climáticas e os ciclistas de Florianópolis

9 Dezembro 2009

As mudanças climáticas não são uma brincadeira ou uma falácia. São um fato real! Milhares de trabalhos científicos publicados em dezenas de revistas especializadas, onde os textos passam por revisão pela comunidade científica, comprovam a sua veracidade – a ainda mais: demonstram claramente que as atividades humanas é que estão causando este fenômeno.

Atualmente, o transporte é o setor que mais emite gases-estufa nas cidades. Supera até mesmo a indústria. Todos os dias, algumas toneladas de dióxido de carbono são lançadas nos céus de Florianópolis pelos escapamentos dos automóveis, a maioria dos quais circulando com uma só pessoa e agravando o problema dos congestionamentos que têm acometido a capital catarinense. Isso sem contar com a liberação de gases como óxidos de nitrogênio e monóxido de carbono, que têm ainda maior poder calorífico, contribuindo para agravar o aquecimento global.

O deslocamento por bicicleta, além de mais prazeroso, ágil, saudável e, em diversas ocasiões, mais veloz, não emite, por si só, gases-estufas. O investimento no transporte ativo, além de contribuir para melhorar a crise de mobilidade urbana, é uma forma de permitir o desenvolvimento saudável das gerações futuras. Gerações estas hoje em perigo de, por falta de um acordo decente na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em Copenhagen, não terem um planeta habitável para viver.

Por estas e por outras razões é que, uníssonos, diversos grupos de ciclistas de Florianópolis e São José irão às ruas pedalar, almejando que o amanhã nos reserva não seja tão desalentador.


Nascerá a Ciclocidade

24 Novembro 2009

Participe do Ato de Fundação da Ciclocidade

No próximo dia 25 de Novembro, você está convidado a fazer parte da fundação da Ciclocidade – Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo.

A Ciclocidade pretende ser a voz de quem utiliza ou gostaria de utilizar a bicicleta no cotidiano, atuando na defesa do interesse dos ciclistas e na promoção do uso deste veículo na região metropolitana.

Acreditamos que a bicicleta desempenha um papel ativo nas cidades e sociedades do século XXI, ajudando a construir comunidades vivas e solidárias no território urbano, economizando recursos naturais cada vez mais escassos e promovendo a saúde e o bem-estar da população.

A Ciclocidade é resultado da articulação de dezenas de ciclistas que já participam ativamente em diversos fóruns, grupos, discussões e ações em favor da bicicleta.

Sabemos que o desafio em São Paulo não é simples, por isso a sua presença é fundamental. Queremos uma associação forte, democrática e plural, que defenda o interesse do ciclista e colabore na construção de uma cidade mais justa, humana e sustentável.

Ato de Fundação da Ciclocidade – Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo

Local: Espaço Contraponto (rua Medeiros de Albuquerque, 55 / mapa)

Horário: 19h

** Para passar a receber informações sobre a Ciclocidade, visite este link e cadastre seu e-mail**

www.ciclocidade.org


Florianópolis: Plano Diretor NÃO Participativo

20 Novembro 2009

Dirigi-me nesta quinta-feira, 19 de novembro, ao prédio do antigo Cine Ritz, no Largo da Catedral, a fim de participar da audiência pública onde seria apresentada a proposta do Plano Diretor Participativo de Florianópolis. O PDP é o instrumento que norteará os rumos da cidade pelos próximos anos, incluindo aí a construção de novas pistas cicláveis,  trânsito compartilhado, zonas de acalmia de tráfego, redução de velocidade, municipalização de trechos urbanos de rodovias estaduais situadas exclusivamente dentro da capital catarinense, entre outras coisas. Claro que o PDP não trata apenas disso, mas também de educação, saúde, lazer, urbanização, habitação, meio ambiente e tudo aquilo que seja atribuição do município ou do interesse de seus habitantes.

Pois bem, lá fui! A poucos metros da entrada, havia um aglomerado de pessoas. Fiquei curioso, mas segui à audiência. Estava já com a caneta na mão para assinar a minha presença na sessão quando uma amiga me chamou a ouvir o que se discutia ali fora.

Cerca de 40 pessoas juntavam-se em uma manifestação contrária à forma pela qual o Plano Diretor estava sendo conduzido nos últimos meses. Estavam lá lideranças comunitárias, membros de movimentos sociais e também três políticos: o deputado estadual Vanio dos Santos (PT) e os vereadores Renato Geske (PR) e Ricardo Vieira (PCdoB).

Questionavam eles a validade da audiência pública. A começar pelo fato de que ela seria consultiva e não deliberativa. O que isso quer dizer? As pessoas que participassem apenas iriam ouvir as propostas feitas e opinar sobre estas, sem poder de decisão sobre nada, embora o Estatuto da Cidade estabeleça que a população deva ter esse poder durante todo o processo de formulação do PDP.

Questionavam-se os presentes se deveriam entrar ou não na audiência. A entrada poderia acarretar uma distorção da realidade, com a prefeitura afirmando que houve participação popular em uma sessão em que a população não poderia de fato se manifestar. Em compensação, ao entrar poder-se-ia tentar mudar alguma coisa, apesar do caráter não deliberativo.

Os que não queriam adentrar disseram justamente que não seriam ouvidos e ainda acabariam por confirmar a participação da população em um processo antidemocrático. Alegavam ainda que o processo da audiência pública não era legítimo e que a presença deles na sessão referendaria esse processo.

Em meados deste ano, a prefeitura encerrara as atividades dos núcleos distritais e contratara uma consultora externa, a Fundação CEPA, para finalizar o PDP, encerrando diálogos com as comunidades da capital e com o próprio núcleo gestor, composto por membros do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil, o qual deveria conduzir o processo do início ao fim.

Havia mais gente fora do que dentro da audiência. “Quem lota as audiências não é a prefeitura, mas as lideranças”, disse Gert Schinke, da comunidade do Pântano do Sul. Não era também sem razão. A audiência fora pouco divulgada e mesmo aos vereadores o convite oficial só chegara na véspera.

As pessoas acabaram não entrando. Alguns cidadãos que estavam na sala saíram furiosos. “Estou me retirando de lá de dentro porque eu não concordo com aquela esculhambação!”, afirmou Édio Fernandes, líder comunitário do continente.

O que, então, ficou decidido?

A população quer poder deliberar sobre o Plano Diretor antes que este seja enviado à Câmara de Vereadores para aprovação, em um processo realmente participativo.

Além disso, irá, nesta sexta-feira, no Plenarinho da Câmara, às 16h reunir-se para “apontar as fraudes do Plano Diretor”.

Interessante era notar que o que acontecia aos arredores da Praça XV assemelhava-se muito ao processo de elaboração do PDP. Enquanto uma viatura da Guarda Municipal e outra da Polícia Militar fazia-nos recordar da época de ausência de democracia, os jovens que passavam rumo a uma micareta faziam-nos imaginar: será que a Ilha da Magia vai acabar por se tornar Folianópolis?

Veja também:

Uma das várias funções das ciclovias

Atualização em 21 de novembro, às 15h27min.


UFSC terá palestra sobre bicicleta nesta quarta-feira

17 Novembro 2009

O GEABio/UFSC – Grupo de Educação e Estudos Ambientais do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina convidam a todos para assistirem à palestra “Bicicleta: Pedalando para um mundo melhor – O trato inteligente das nossas idéias diárias”, que ocorrerá nesta quarta-feira, 18 de novembro, às 19h, na sala CCB 509, ao lado do Centro Acadêmico da Biologia, no prédio antigo do CCB (Centro de Ciências Biológicas) da UFSC.

A palestra terá como convidado o sociólogo Luiz Carlos Pereira, da equipe da operadora de cicloturismo Caminhos do Sertão e estudioso dos temas gestão ambiental e sustentabilidade.


Se essa rua fosse minha…

14 Novembro 2009

Um dos exemplares expostos na I Bienal do Livro de Curitiba, que ocorreu durante o II Encontro de Bicicletadas do Brasil, era a coleção didática Se essa rua fosse minha (Editora Fama, Curitiba, 2008). Ela é constituída por vários livretos, sendo que na Bienal era possível encontrar o Livro do Aluno e o Livro para os Pais.

Se essa rua fosse minha

O primeiro é ricamente ilustrado com gravuras, num formato semelhante a uma história em quadrinhos. A temática da coleção é voltada a contribuir para a existência de um trânsito seguro. Se hoje temos um hiato nas escolas brasileiras quando nos referimos à educação voltada para a convivência pacífica em meio ao tráfego, “Se essa rua fosse minha” pode ser utilizada como um material didático com essa finalidade.

Diferentemente de outros livretos e cartilhas ditas educativas, não há um predomínio do antigo paradigma de que a rua é, por si só, perigosa e, portanto, apenas os pedestres devem tomar cuidado em seus deslocamentos.  Claro que regras defensivas que todos adotamos ao atravessar a rua estão lá, lembrando que o livro é voltado a crianças em formação, aconselhável a alunos cursando até o 5º ano do Ensino Fundamental (apesar de que serviria muito bem a vários motoristas que dirigem por aí). Mas essas regras estão junto a informações como as da página abaixo, que deixam clara a idéia de que a bicicleta é um veículo.

pag.43 revista[Atenção, não pedalem muito próximos ao meio-fio. Vejam por que aqui.]

Várias leis de trânsito estão lá e a leitura do Livro dos Pais é extremamente aconselhável. Aos estudantes, além das “histórias em quadrinhos”, há exercícios, sugestões de pesquisa, caça-palavras, quiz (com algumas poucas perguntas não muito bem elaboradas, mas que um bom professor consegue contornar), redação, espaço para anotações e desenhos. A toda hora os personagens do livro interagem com os estudantes, criando uma certa intimidade com eles, facilitando o incremento no conhecimento.

Há vídeos no site www.seessarua.com.br que mostram diversos assuntos relacionados ao trânsito tratados nos livretos, inclusive com o mesmo tipo de abordagem encontrada nestes últimos.

Para quem é educador em Santa Catarina, pode-se conseguir o material didático com o Detran/SC, que o utiliza nas campanhas de prevenção de acidentes e educação no trânsito.


Joinville fechará avenida para atividades de lazer

7 Novembro 2009

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do jornal A Notícia em 06 de novembro de 2009 (pág. 12). Você pode ler a matérias no site do periódico aqui.

logo - A Notícia

Um pedaço de rua para o lazer

AN 2009-11-06 fig.1 - ccapa

LAZER

Um convite ao lazer

Avenida Hermann August Lepper será fechada todos os domingos e feriados para criar um espaço de esporte e lazer.

A avenida Hermann August Lepper, a beira-rio, no Centro de Joinville, vai virar um espaço de lazer e esportes a partir deste domingo. Um projeto que envolve desde secretarias municipais até associações e empresas esportivas quer levar adeptos de caminhadas e corridas, ciclistas, skatistas ou apenas joinvilenses dispostos a conviver e se divertir por um dia à sombra das figueiras, às margens do rio Cachoeira.

O projeto se chama “Joinville em Movimento” e está sendo divulgado em cartazes pendurados em postes da própria Hermann August Lepper. A primeira experiência, neste domingo, vai servir como piloto. O sonho, no futuro, é transformar a beira-rio numa espécie de Times Square – a rua mais famosa de Nova York – joinvilense.

Os idealizadores aproveitaram a Corrida Rústica de Joinville, que larga do mesmo local, no domingo, para dar início ao projeto. Nesta primeira edição do Joinville em Movimento, o trânsito será interditado num trecho de 1,5 km entre a ponte no cruzamento da Hermann August Lepper com a Dona Francisca até a ligação com a outra beira-rio, a José Vieira. Agentes da Conurb vão orientar os motoristas.

Avenida Hermann August Lepper será fechada todos os domingos e feriados para criar um espaço de esporte e lazer

Avenida Hermann August Lepper será fechada todos os domingos e feriados para criar um espaço de esporte e lazer.

Cerca de 60 funcionários da Fundação Municipal de Esportes, Lazer e Eventos (Felej) e pessoas da Associação de Corredores de Rua (Corville) darão dicas para quem quiser caminhar, andar de bicicleta ou praticar outros esportes no trecho.

O projeto irá ocorrer aos domingos e feriados, sempre das 7 às 13 horas, até o fim de semana antes do Natal. Por enquanto, não haverá infraestrutura montada no local. A rua será fechada apenas. Em janeiro, a proposta deve ser retomada. O horário foi escolhido por ter movimento reduzido de carros.

Futuramente, a ideia é levar outras iniciativas para a beira-rio como exposições artísticas, feiras de artesanato, de livros usados, espaços para relaxamento, dicas e atendimentos de saúde, brincadeiras, quadras para esportes de rua, obstáculos para esportes radicais (skates e bikes), por exemplo. Se a iniciativa ganhar adeptos, o objetivo é fechar os 5,3 km das duas beira-rios, desde a avenida Procópio Gomes até a rótula da José Vieira aos domingos e feriados.

A iniciativa atende a um dos itens do plano de governo atual, de fechar ruas para a prática de esportes e lazer. Além de Felej e Corville, o projeto envolve Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura, Secretaria Regional do Centro, 42K Assessoria Esportiva, Companhia da Corrida e outros parceiros. A falta de um parque para a cidade e de mais áreas para lazer e esportes está entre as razões da iniciativa, segundo os próprios idealizadores.

Rogério Kreidlow

AN 2009-11-06 - Projeto Joinville em Movimento(veja em .pdf)

Saiba mais:

Por mais áreas para o lazer, verde e vida – Opinião da jornalista Raquel Schiavini sobre o assunto.

Veja também:

Joinville, a cidade das bicicletas, está sem ciclovias – Outrora conhecida como “cidade das bicicletas”, o município catarinense ainda possui poucas infraestruturas adequadas aos ciclistas urbanos.


Joinville, a cidade das bicicletas, está sem ciclovias

6 Novembro 2009

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do jornal A Notícia em 05 de novembro de 2009 (pág. 10). Você pode ver as matérias no site do periódico nos links: {1} {2} {3} {4}.

logo - A Notícia

Pedaladas de alto risco

Foto: Rogerio Silva

CICLOVIAS

Projeto tem. Falta é dinheiro

Para quem usa a bicicleta como principal meio de transporte em Joinville, atravessar a cidade é um desafio. Não há ciclovias em ruas que ligam a zona Sul à zona Norte, como as avenidas Procópio Gomes, Santos Dumont e a rua Florianópolis, situação que obriga os ciclistas a disputar espaço com os automóveis.

Observando este problema, o leitor Alexandre de Oliveira questionou se existe previsão para a construção de ciclovias nessas ruas. “A Notícia” buscou respostas e constatou que, mesmo nos casos em que o projeto já foi elaborado pelo Instituto de Planejamento e Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (Ippuj), os recursos ainda não estão garantidos, não há previsão para o começo das obras e até a Copa e as Olimpíadas, que serão realizadas no Brasil, podem ser um empecilho.

O projeto do Eixo Norte-Sul, também conhecido como binário Procópio Gomes-Urussanga, já foi encaminhado para o Ministério das Cidades, que está reavaliando as propostas pois pretende priorizar as cidades que vão sediar os jogos da Copa do Mundo e das Olimpíadas. E ainda não há previsão para a avenida Procópio Gomes ganhar ciclofaixa e faixas exclusivas para ônibus, conforme prevê o projeto.

Para a avenida Santos Dumont, também há projeto para dar continuidade à ciclovia, que já existe no trecho do novo trevo de acesso às universidades. Porém, segundo o diretor executivo do Ippuj, Vladmir Constante, é necessário aguardar a liberação de recursos para a obra, que requer desapropriações.

Já a rua Florianópolis é a que está mais distante da sonhada ciclovia.

— Não há projeto, mas já existe uma diretriz que estipula que as próximas intervenções na via serão acompanhadas da construção de uma faixa para ciclistas e construção de calçadas seguras —, afirma Constante.

Está longe da meta de 180 km em 4 anos

A Cidade das Bicicletas ainda está longe de fazer jus ao título quando o assunto é infraestrutura. Estima-se que em Joinville exista uma bicicleta para cada dois dos 500 mil habitantes, por isso a intenção do Ippuj em 2010 é duplicar o número de ciclovias (vias exclusivas para bicicletas, separada da rua e da calçada) e ciclofaixas (faixa para bicicletas isolada apenas pela sinalização) em bom estado, que hoje foram uma rede com 71 km. Para isso, está prevista a construção e reforma de outros 70 km de faixas para os ciclistas, contempladas em grande projetos como o dos parques da cidade, a ser realizado com recursos do Fonplata.

— No total, está prevista a construção de 21 km de novas ciclovias e outros 12 km de ciclofaixas que já existem serão reformados —, explica o diretor executivo do Ippuj, Vladmir Constante.

O objetivo é interligar os parques da cidade com as faixas exclusivas para bicicletas, formando um circuito entre essas áreas de lazer.

Na avenida Santos Dumont, ciclistas dividem espaço com os veículos.

Na avenida Santos Dumont, ciclistas dividem espaço com os veículos.

As ruas Rui Barbosa, Piratuba, Marquês de Olinda e Tenente Antônio João estão entre as que ganharão mais ciclovias, completando os trechos que já possuem faixas para os ciclistas. Já Beira-rio, Baltazar Buschle e Helmuth Fallgater terão as ciclovias reformadas. E existe ainda um projeto de implantar uma ciclovia entre a Estação Ferrovária e a Arena Joinville, ao longo do ramal ferroviário que hoje corta a cidade e será desativado após a conclusão das obras do contorno ferroviário.

Além disso, também já existem projetos no Ippuj para a implantação de ciclovias e ciclofaixas nas ruas 15 de Novembro (em trecho da Blumenau ao terminal, no Centro, e também no Vila Nova), Almirante Jaceguay, rua dos Suíços, Miguel Castanheira, Tuiuti e Júpter, obras a serem realizadas com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES).

Se as obras em 2010 seguirem o ritmo deste ano, os projetos não sairão do papel e o prefeito Carlito Merss estará ainda mais distante da meta que traçou, de construir 180 km de faixas para as bicicletas em quatro anos. Isso porque de fevereiro para cá, foram construídos apenas 4 km de novas ciclovias e ciclofaixas. Outros 4 km de ciclovias e ciclofaixas na rua 15 de Outubro, no Rio Bonito, em Pirabeiraba, devem ser finalizados ainda em 2009.

— A secretaria regional já iniciou as obras no acostamento para a pavimentação e implantação de 2,5 km de ciclovias e outros 1,5 km de ciclofaixas —, informa Constante.

Do nada a lugar nenhum

OPINIÃO AMANDA MIRANDA, REPÓRTER DE GERAL

Eu queria ser mais ciclista do que efetivamente sou, mas mergulhar no trânsito caótico de Joinville é um risco que não pretendo assumir. Sem ciclovia, não há segurança. Mesmo os ciclistas mais responsáveis, equipados com capacete, lanterna e espelho, são peças frágeis no meio de tantos carros, ônibus e caminhões.

Quando fiz o teste do ciclista em Joinville, percebi na pele o quanto é urgente – e aparentemente simples – a resolução desse problema. Mas não adianta pensar de forma isolada: hoje, as ciclovias e ciclofaixas começam do nada e terminam em lugar algum.

É preciso que nossos urbanistas projetem malhas cicloviárias, para que os usuários da “zica” consigam fazer seu trajeto de forma 100% segura, sem quebras e sem riscos. Só depois disso poderemos usar com direito o slogan de cidade das bicicletas.

Veja também:

Mais ciclovias em Blumenau
Novas ciclovias em Florianópolis


Entrevista com Roelof Wittink

23 Outubro 2009

Interview with Roelof Wittink

Conteúdo Especial - Bicicleta na Rua

The consultant Roelof Wittink works in the dutch NGO Interface for Cycling Expertise (I-ce). Recently, he was in Florianópolis, where he joined with municipal authorities and checked the new cycling strutures that have been implemented in the capital of Santa Catarina State. On Monday, September 28, he granted the interview published below.

O consultor Roelof Wittink trabalha na ONG holandesa Interface for Cycling Expertise (I-ce). Recentemente, ele esteve em Florianópolis, onde se reuniu com autoridades municipais e verificou as novas estruturas cicloviárias que têm sido implementadas na capital catarinense. Na segunda-feira, 28 de setembro, concedeu a entrevista publicada abaixo.

Could you tell us what do you do, what is your job in I-ce?
Você poderia nos dizer o que você faz, qual o seu trabalho na I-ce?

Roelof Wittink – I am the director of I-ce. We are building with the Third World policies. So, we support, as the possibilities, the policies in other countries, and the politics for promoting cycling.
Eu sou o diretor da I-ce. Nós estamos trabalhando com as políticas dos países do Terceiro Mundo. Então, nós fornecemos suporte, conforme as possibilidades, às políticas em outros países e aos políticos para promoverem o ciclismo.

In the last two days, you knew some places here in Florianópolis. What did you know? What places did you visit?
Nos últimos dois dias, você conheceu alguns locais aqui em Florianópolis. O que você conheceu? Quais lugares você visitou?

RW – I was in the city center. I was at the lake [Lagoa da Conceição] and Campeche. They were the several places I specially wanna know because the cycling facilities that have been implemented.
Eu estive no centro da cidade, na lagoa [Lagoa da Conceição] e no Campeche. Estes eram os principais lugares que eu especialmente gostaria de conhecer por causa das facilidades ciclísticas que têm sido implementadas.

How do you analyse the bike lanes and bike routes that you saw?
Como você analisa as ciclofaixas e ciclovias que você viu por aqui?

RW – Well, the facilities that you have in Florianópolis are better than nothing, but the major lanes are not continue. If I want to go from A to B, there will be a situation when I will be in the street, dividing the space with the cars. In this case, we can make the traffic very calm, with low speed. What I see is the very small start. The people are afraid to take any space from the cars. But what should you do is to have a better speed relative for cyclists, for pedestrians… So there is a long way to go.
Bem, as facilidades que vocês têm em Florianópolis são melhores que nada, mas a maioria das vias para os ciclistas não é contínua. Se eu quiser ir de A para B, haverá alguma situação em que eu estarei na rua, dividindo espaço com os carros. Neste caso, nós podemos criar áreas de traffic calm (acalmia de trânsito), com baixas velocidades. O que eu vejo é um começo muito tímido. As pessoas têm medo de tirar qualquer espaço dos automóveis. Mas o que se deveria fazer é proporcionar melhor velocidade relativa aos ciclistas, aos pedestres… Então, há um longo caminho pela frente.

Roelof Wittink

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“The facilities that you have in Florianópolis are better than nothing.”

“As facilidades que vocês têm em Florianópolis são melhores do que nada.”

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“The United States don’t still better than Brazil.”

“Os Estados Unidos não estão melhores do que o Brasil.”

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How you analyse the potencial for cycling in Florianópolis?
Como você analisa o potencial do ciclismo em Florianópolis?

RW – I think here we have a high potencial for cycling. And that’s a lot of reason. Florianópolis is a cycling city. We have some mountains, ok, this is an obstacle. But the distances for many trips are an opportunity to make them by bicycle. If you change traffic system, if you create the routes safety and direct rails for cyclists I could not understand why 20% or 30% of all trips by people will not become by bicycle.
Eu penso que aqui nós temos um alto potencial para o ciclismo. E há muitas razões para isso. Florianópolis é uma cidade ciclável. Nós temos algumas montanhas, tudo bem, isto é um obstáculo, mas as distâncias para muitas viagens são uma oportunidade para que estas sejam feitas de bicicleta. Se você modificar o sistema de tráfego, se você criar rotas seguras e pistas diretas para os ciclistas, eu não consigo entender porque 20% ou 30% de todas as viagens das pessoas não seja feita de bicicleta.

How do you compare the structures to Florianópolis bicyclists with the other cities that you know?
Como você compara as estruturas para os ciclousuários de Florianópolis com as de outras cidades que você conheceu?

RW – Of course you have a long way to go. If I compare with the other countries, there are some countries, like the Netherlands, Denmark and Germany, that have good facilities. But, well, the United States don’t still better than Brazil – and they are very rich! Comparing with another developing country, there are a lot of cities in India, for example, that you have still a lot of cyclists, but you don’t have any facility for cyclists. So, I’ve sensed you are doing better than a lot of cities around the world.
É claro que vocês têm um longo caminho a percorrer. Se eu comparar com outros países, há alguns, como os Países Baixos, a Dinamarca e a Alemanha, que têm grandes facilidades. Mas, bem, os Estados Unidos não estão melhores que o Brasil – e eles têm muito dinheiro! Comparando com outros países em desenvolvimento, há inúmeras cidades na Índia, por exemplo, em que você encontra muitos ciclistas, mas não há nenhuma facilidade para eles. Eu sinto que vocês estão indo melhor que um monte de cidades do mundo.

Roelof Wittink in a meeting with the former mayor of Florianópolis. Roelof Wittink numa reunião com o vice-prefeito de Florianópolis. Foto/Photo: André Geraldo Soares.

Roelof Wittink in a meeting with the former mayor of Florianópolis. / Roelof Wittink numa reunião com o vice-prefeito de Florianópolis. Photo/Foto: André Geraldo Soares.

What do you think we could make better?
O que você acha que nós poderíamos fazer melhor?

RW – Well… a lot! [guffaws] I think the most important challenge that you have now is the politicians and people from the municipality the happy idea: yes, we have to change, and we can change. But to change policies that are all completely in other direction is not easy. That’s the biggest challenge and all the time organizations like ViaCiclo need to convince them: they can do better, they need to do better – I like the politic way.
About the new structures, you need to ask for the cyclists, invite everyone to experience them. Then you analyse: is this safe or not, is this comfortable or not? This is missed, this is a mistake, this is good for cyclists, and you can do that.
That’s, you have fifteen or seventeen years to go. Then, you’ll say you have a good cycling-friendly situation. But still there, you have to work every day very hard to make it happen.
Bem… muita coisa! [gargalhadas] Eu penso que a mudança mais importante que vocês têm agora é terem políticos e pessoas da municipalidade com a feliz idéia: sim, nós temos que mudar, e podemos mudar. Mas para modificar políticas que estejam todas em uma direção completamente opostas não é fácil. Esta é a grande mudança e todo o tempo organizações como a ViaCiclo precisam convencê-los: vocês podem fazer melhor, vocês precisam fazer melhor – eu gosto do caminho político.
Sobre as novas estruturas, você precisa perguntas aos ciclistas, convidar todos a experimentá-las. Então você analisa: isto é seguro ou não, isto é confortável ou não? Isto não está certo, isto está errado, isto é bom para os ciclistas, você pode fazer aquilo.
Vocês terão quinze ou dezessete anos pela frente. Então, você poderá dizer terá uma boa situação de cidade amiga do ciclista. Mas, até lá, vocês têm que trabalhar duro todo dia para tornar isso uma realidade.

Fabiano Faga Pacheco e Juliana Diehl

Special acknowledgments for Giselle Noceti Ammon Xavier.
Agracimento especial a Giselle Noceti Ammon Xavier.

Saiba mais:

Consultor holandês discute ciclovias em Florianópolis
Roelof Wittink em Floripa


Cinema + Bike = CicloCine

24 Setembro 2009

Florianópolis inova com passeios ciclísticos junto a sessões de cinema

Nesta semana a capital catarinense contará com três CicloCines.

Desde 2007, cerca de meia dúzia de cidades brasileiras já tiveram edições de CicloCine, sessões de filmes, documentários e curtas sobre bicicleta. Este ano, de uma só vez, Florianópolis terá 3 sessões de CicloCine, as quais fazem parte  das atividades da Semana Nacional do Trânsito, da semana do Dia Mundial Sem Carros e da Semana da Bicicleta de Florianópolis. A novidade dos CicloCines catarinenses ficam por conta dos passeios ciclísticos que vão ocorrer em duas das sessões.

Nesta quinta-feira, 24 de setembro, serão exibidos na Escola da Fazenda, na R. Jaborandi 324, na Fazenda do Rio Tavares (veja mapa), às 20h, o documentário “Sociedade do Automóvel”, de Thiago Benicchio e Branca Nunes (Brasil, 2004), que aborda a relação autodestrutiva do paulistano com seu veículo automotor. Também será exibido o vídeo “Ciclovias para as cidades que queremos”, da ONG holandesa I-ce – Interface for Cycling Expertise).

Na sexta-feira, antes da exibição de “As Bicicletas de Belleville” (Les Triplettes de Belleville, França, 2003), no CineParedão, bosque do CFH/UFSC, às 22h (em caso de chuva, no auditório do CFH), ocorrerá a edição mensal da Bicicletada Floripa, um movimento que, entre outras coisas, visa a estimular o uso da bicicleta nos deslocamentos urbanos. A concentração da Bicicletada começará a partir das 18h, em frente à Concha Acústica da UFSC e o pedal lúdico-educativo terá início às 19h, em trajeto definido na hora e percorrido em ritmo leve.

Florianópolis 2009-09-25 v2

No sábado, será a vez de “Turista Aprendiz” (Brasil, 2000), do projeto A Barca,  que será exibido às 17h30 na Rádio Comunitária do Campeche, na Trav. Iracema das Chagas Pires 80 (veja mapa), pouco após o Passeio Ciclístico Primavera na Lagoa. Ao final da sessão, uma pedalada em ritmo leve pelas ruas do Sul da Ilha. Mais informações podem ser encontradas no blogue Pra Desterro Falar.

Florianópolis CicloCine 2009-09-26

Estão aí três ótimas pedidas para quem quer pedalar em grupo e ainda a filmes de graça.


Programe-se: Dia Mundial Sem Carros – Viva o Dia!

22 Setembro 2009

Nesta terça-feira, 22 de setembro, comemora-se o Dia Mundial Sem Carros. É um dia para, acima de tudo, refletir-se. Refletir não apenas sobre os problemas do trânsito, sobre o aumento dos congestionamentos. É, acima de tudo, um momento para refletirmos sobre o futuro das cidades que queremos. Queremos um lugar voltado às pessoas, onde possamos usufruir os bens públicos, caminhar pelas calçadas com segurança e atravessar nas faixas de pedestre sem corrermos riscos de atropelamento? Queremos poder andar de bicicleta pelas ruas e ciclovias sabendo que os motoristas nos respeitarão e não tirarão fina? Queremos passeios em que alguém com cadeira de rodas ou bengalas consiga se deslocar? Queremos investimentos que permitam a integração e a socialização entre as pessoas? Por incrível que pareça, tudo isto está interligado.

Nosso modelo de desenvolvimento adotou o rodoviarismo como prerrogativa. Sucateou-se a malha ferroviária brasileira, e espalharam-se as estradas e autopistas. Os automóveis passaram a ser produzidos no país; baratearem-se-nos. Cresceram, também, os acidentes (em números e proporções). Aumentaram-se os níveis de poluição sonora e do ar e o respeito entre as pessoas, ahn, bem, existe respeito no trânsito? Por vezes, fica difícil acreditar…

O desrespeito no trânsito estendeu-se à vida, que se banalizou. A violência até hoje ocupa espaço nobre nos jornais e noticiários. As pessoas passaram, então, a se aprisionarem em apartamentos e em automóveis, em ciclo vicioso.

Ajude a acabar com esse vício e, de quebra, a tornar a cidade mais humana. Neste dia 22 de setembro aproveite para interagir com a cidade numa nova perspectiva.

Se o seu destino ficar entre 2km e 6-8 km, vá de bicicleta. Se for mais longe, aproveite que serão disponibilizados mais ônibus e use o transporte coletivo. Bata papo com outros passageiros. Se estiver de bike, não se esqueça de me cumprimentar!

Em Florianópolis, terão diversas atividades:

  • Às 8h, no trevo do Campeche, sairá um passeio ciclístico com participação de crianças de duas escolas da região.
  • Na UFSC, a partir das 9h, terá Vaga Viva, a durar até depois das 14h. Em caso de chuva, será cancelada.
  • À noite, ocorrerá uma grande pedalada noturna. Às 20h, pontualmente, ciclistas de vários grupos estarão reunidos para um passeio ciclístico pela região central de Florianópolis.

panfleto_dia_sem_carros_2009_2

Precisa de mais motivos para deixar o carro em casa?