Se essa rua fosse minha…

14 Novembro 2009

Um dos exemplares expostos na I Bienal do Livro de Curitiba, que ocorreu durante o II Encontro de Bicicletadas do Brasil, era a coleção didática Se essa rua fosse minha (Editora Fama, Curitiba, 2008). Ela é constituída por vários livretos, sendo que na Bienal era possível encontrar o Livro do Aluno e o Livro para os Pais.

Se essa rua fosse minha

O primeiro é ricamente ilustrado com gravuras, num formato semelhante a uma história em quadrinhos. A temática da coleção é voltada a contribuir para a existência de um trânsito seguro. Se hoje temos um hiato nas escolas brasileiras quando nos referimos à educação voltada para a convivência pacífica em meio ao tráfego, “Se essa rua fosse minha” pode ser utilizada como um material didático com essa finalidade.

Diferentemente de outros livretos e cartilhas ditas educativas, não há um predomínio do antigo paradigma de que a rua é, por si só, perigosa e, portanto, apenas os pedestres devem tomar cuidado em seus deslocamentos.  Claro que regras defensivas que todos adotamos ao atravessar a rua estão lá, lembrando que o livro é voltado a crianças em formação, aconselhável a alunos cursando até o 5º ano do Ensino Fundamental (apesar de que serviria muito bem a vários motoristas que dirigem por aí). Mas essas regras estão junto a informações como as da página abaixo, que deixam clara a idéia de que a bicicleta é um veículo.

pag.43 revista[Atenção, não pedalem muito próximos ao meio-fio. Vejam por que aqui.]

Várias leis de trânsito estão lá e a leitura do Livro dos Pais é extremamente aconselhável. Aos estudantes, além das “histórias em quadrinhos”, há exercícios, sugestões de pesquisa, caça-palavras, quiz (com algumas poucas perguntas não muito bem elaboradas, mas que um bom professor consegue contornar), redação, espaço para anotações e desenhos. A toda hora os personagens do livro interagem com os estudantes, criando uma certa intimidade com eles, facilitando o incremento no conhecimento.

Há vídeos no site www.seessarua.com.br que mostram diversos assuntos relacionados ao trânsito tratados nos livretos, inclusive com o mesmo tipo de abordagem encontrada nestes últimos.

Para quem é educador em Santa Catarina, pode-se conseguir o material didático com o Detran/SC, que o utiliza nas campanhas de prevenção de acidentes e educação no trânsito.


Charge – Na Ressacada, só de bicicleta

2 Novembro 2009

charge - Zé Dassilva - DC 2009-11-02 - William de bicicleta

A charge acima foi publicada no Diário Catarinense, na edição de segunda-feira, 2 de novembro de 2009. A autoria dela é de Zé Dassilva. Ela pode ser vista também através deste link.

Com um golaço de bicicleta, o atacante William selou a permanência do Avaí na série A do campeonato brasileiro de futebol.

No dia seguinte, foi pedalar.

Ontem foi dia de descontração do herói William, que passeou de bicicleta para curtir um pouco mais seu gol não só cheio de estilo, mas decisivo para o Avaí. Foto: Diário Catarinense.

Ontem foi dia de descontração do herói William, que passeou de bicicleta para curtir um pouco mais seu gol não só cheio de estilo, mas decisivo para o Avaí. Foto: Diário Catarinense.

Como diriam os manézinhos, esse Avaí faz “côsa”. Para melhorar – e aumentar o misticismo que ronda a Ilha da Magia -, o golaço de bicicleta veio em boa hora a um dos poucos clubes cujo estádio tem bicicletário, inaugurado no começo deste Brasileirão.

Saiba mais:

Bicicletário do Avaí Inaugurado – Matéria do Avaí de Bike sobre a inauguração do bicicletário da Ressacada.
De bicicleta ao estádio? O goleiro do Avaí dá o exemplo! – Reportagem do Diário Catarinense sobre o goleiro Eduardo Martini, que volta e meia vai aos treinos pedalando. Há também uma reportagem semelhante no Infoesporte.

Veja também:

Charge – Não chegue antes na escola, filho!
Charge – Assim caminha o transporte em Florianópolis
Charge – A Ilha tá afundando


Pedalar para o trabalho fortalece o coração

27 Outubro 2009

O hábito de ir de bicicleta ao trabalho ajuda a previnir problemas cardiovasculares, apontou  o trabalho de conclusão de curso intitulado “Comparação da modulação autonômica cardíaca entre indivíduos sedentários e ciclistas”, de Henrique Machert Pereira Bruno e Hidalina Rodrigues de Macedo, do curso de Educação Física da Universidade São Judas Tadeu.

No estudo, foram avaliadas 8 pessoas sedentárias e 7 ciclistas que utilizam a bicicleta em seu cotidiano. Eles tiveram que ficar 24h sem realizar atividade física para a realização dos exames sangüíneos e de avaliação cardíaca.

Não houve diferença significativa entre sedentários e ciclistas quanto a colesterol, glicemia, triglicérides e pressão arterial, mas foi observada uma redução na freqüência dos batimentos cardíacos nos ciclistas, explicitada no aumento dos intervalos R-R (entre assístoles cardíacas) no eletrocardiograma, bem como um menor balanço simpato-vagal. Isto ocorreu devido ao aumento da ação do sistema nervoso parassimpático. A diminuição da freqüência cardíaca previne diversos problemas do coração, como infarto.

A prática regular de exercício físico tem se mostrado eficaz na proteção ao sistema cardiovascular. O sedentarismo é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A realização de atividades moderadas, como pedalar 30min por dia, diminui a incidência delas.

Ciclistas na Av. Paulista: pedalar ao trabalho, além de prazeroso, faz bem ao coração. Foto: Polly Rosa.

Ciclistas na Av. Paulista: pedalar ao trabalho, além de prazeroso, faz bem ao coração. Foto: Polly Rosa.


Lançamento de livro em São Paulo

25 Outubro 2009

Recebi já há alguns dias o convite para o lançamento do livro abaixo e julguei legal compartilhá-lo.

Lançamento de livro Ciclismo 2009-10-26

Pretendo aparecer lá na Bela Vista e, quiçá, adquirir um exemplar de “Ciclismo – Treinamento, Fisiologia e Biomecânica” (Phorte Editora, São Paulo, 2009, 336p.). Nem tanto pelo primeiro item, visto que as provas ciclísticas que mais me atraem são aquelas em que o espírito de união entre os participantes sobrepõem-se à competitividade. Aquelas em que o grande desafio está na autossuperação. Entretanto a fisiologia e a biomecânica do pedalar são de grande interesse a todos aqueles que se utilizam regularmente da bicicleta. Conhecer melhor a como ocorre o movimento permite-nos previnir lesões no joelho e na coluna, por exemplo. Saber como nosso organismo responde ao pedalar em marcha mais pesada ou girando mais influencia diretamente nos nossos objetivos ao praticar exercício físico, sejam eles perder peso, adquirir resistência, completar uma cicloviagem com disposição ou enfrentar a mais temida das subidas.

Em busca dessas respostas e em como melhorar minha postura e minha pedalada pretendo ir a esse lançamento. Minha espectativa quanto a este livro é alta – e espero daqui alguns meses fazer uma resenha sobre ele.


Manual do Ciclista de Brasília

5 Setembro 2009

O pessoal de Brasília responsável pelo Projeto Bicicleta Livre, que oferece oficinas de manutenção de bicicletas e bicicletas comunitárias aos freqüentadores da UnB, lançou essa “Cartilha do Ciclista” que você confere abaixo.

Nela, você encontra informações sobre saúde, manutenção, como portar-se sobre a bicicleta, dicas de segurança e de cicloturismo válidos para qualquer ciclista do Brasil. Quem mora no Distrito Federal encontra ainda uma relação de lojas e bicicletarias amigas do ciclista.

Cartilha do Ciclista - Projeto Bicicleta LivreCartilha do Ciclista – Projeto Bicicleta Livre

Saiba mais:

Conheça melhor o Projeto Bicicleta Livre nas matérias selecionadas nos links abaixo:

Eu, estudante
G1 & Bom Dia DF
O Eco
ONG Rodas da Paz
Transporte Ativo [1]
Transporte Ativo [2]
UnB Agência
+ Vá de bike! +

Veja também:

Manual do Ciclista de Florianópolis


Charge – Não chegue antes na escola, filho!

4 Setembro 2009

Não vais chegar antes na escola, filho! A mamãe te leva de carro, tá?

A charge acima foi publicada no Jornal de Santa Catarina, na edição de 24 de agosto de 2009. A autoria dela é de Cao.

Ela pode ser vista também através deste link.

Veja também:

Charge – Assim caminha o transporte em Florianópolis
Charge – A Ilha tá afundando

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Selva de aço – Crônica

25 Agosto 2009

Selvaço

Um dia prometeram mudar a forma de se ver o mundo. Uma gaiola protege contra o vento e a chuva, uma série de alavancas garante o controle, um motor ligado às rodas impulsionam o conjunto. Com um pouco de trabalho, qualquer que fosse, todos poderiam juntar dinheiro o suficiente para ter condições de comprar aquela carroça sem cavalos, de 100 cavalos. Poderia se ir mais longe, mais rápido, com mais conforto, com menos esforço. Era uma idéia tentadora, digna do desejo de trabalhadores que precisavam carregar quilos e quilos de materiais por longas distâncias todos os dias, cansando exaustivamente a si próprios e a seus animais. Digna também, porém, da futilidade do sedentarismo antinatural que tomou conta da civilização. Não se cansa mais, não se sua mais, não existe mais esforço senão aquele cujo único objetivo é justamente não mais se esforçar.

Era uma manhã como outra qualquer, acordei cedo. Peguei meu veículo e logo parei para abastecer numa padaria que serve um ótimo combustível. De tanque cheio, tomei meu rumo. Nessa hora, as ruas parecem currais de rinocerontes, búfalos, hipopótamos, elefantes e até dinossauros. São todos grandes, brutos, pesados, fedidos e esfomeados.  Comportam-se como seres irracionais que são, apesar de adestrados por seres teoricamente racionais. Ineficiência temperada a aço e óleo que um dia acabarão. Nas mais variadas formas e tamanhos, essas bestas preenchem cada centímetro dos vastos labirintos que uma vez foram criados para os animais humanos, estes que agora mais parecem presentes troianos. Nessa realidade animalesca, sinto-me um leopardo: leve, esguio, rápido, prático. Eficiência abastecida a arroz e feijão, renovados a cada estação. E um pouco mais racional.

Observava os outros animais de perto, não havia espaço para se ter uma visão de longe. Por entre um e outro, enquanto se moviam lentamente, quase parando, abria meu caminho. A fila de gigantes de aço aumentava, um atrás do outro, como se estivessem esperando a sua vez de poder exibir toda sua força, algo que nunca iria acontecer ou, se acontecesse, por alguns poucos segundos. Frustrados, quase castrados, encouraçam-se aos montes em meio a nuvens de fumaça e poças de sangue terrestre, dejetos do conforto. Imponentes com toda sua potência, impotentes diante de tanta imponência, é um desastre causado por si próprio. A propaganda dizia “Mais liberdade, mais mobilidade, mais velocidade, mais eficiência”. Mais liberdade, mais mobilidade, mais velocidade, mais eficiência. Mais liberdade, mais mobilidade, mais velocidade, mais eficiência. Mais… fila. Já não sei mais de quem estão falando. O ritmo das pedaladas funcionava como um mantra, até que algo interrompeu a concentração:

- Sai daí ô! Fica atrapalhando o trânsito! – disse-me um dos domadores de bestas. Parei, respirei fundo, respondi com calma.

- Quem atrapalha é você. Sua gaiola pesa uma tonelada, ocupa a rua toda e ainda fica parada a maior parte do tempo. Tá vendo eu trancar o caminho de alguém por acaso?

- O meu!

- Não. O seu caminho tá trancado pelo seu colega da frente. Eu vou passar pelo lado e continuar pedalando.

- Então eu vou passar por cima de você e desse seu brinquedo!

- Isso não vai arranhar a pintura e amassar a lataria?

- Ah! Seu %$@#%#…

- Boa sorte, tente me alcançar.

Um dia prometeram mudar a forma de se ver o mundo. Num passado pouco distante, viam-se paisagens, montanhas, árvores, nuvens. Hoje se vê o carro da frente, o carro de trás, o carro de um lado e o prédio do outro. Talvez o plano tenha dado certo demais. Segui meu caminho, vaiado por uma multidão de rosnados artificiais. Nem para reclamar esforça-se mais, está tudo ao alcance de um botão. Uma população inteira investe seu tempo para ter exclusividade, e não se dá conta de que tanta exclusividade só pode resultar numa coisa: exclusão. Exclusão da vida, exclusão da natureza, exclusão do corpo e da vontade que nos é própria, exclusão da sabedoria. Trabalhar para não ter trabalho, trabalhar para ostentar o luxo insustentável e autodestruidor, usar a vida para assegurar a morte – esta sim que deve ser tranqüila -, não me parece fazer sentido. Prefiro suar e não incomodar ninguém.

Por Vinícius Leyser da Rosa

Veja também:

Conto para o Dia dos Pais – leia aqui o conto “Não chore, papai”, de Sérgio Faraco.


Livro “Ciclismo: Um giro pela Europa”

24 Agosto 2009

“Ciclismo: um giro pela Europa” (2ª ed., Editora da UFSC, Florianópolis, 2006, 168p.) conta a história de seu autor, Paulo MS Coelho Santos, que, em 1986, junto com os amigos Hercílio da Costa Neto e Murilo Krüger, concretizou o projeto “Giro ciclístico visitando universidades européias”.

Em uma narrativa corrida e de fácil leitura e compreensão, o livro aborda desde a idéia original, surgida em meio a uma conversa ao acaso, as dificuldades dos então estudantes com apoios e patrocínios na preparação para a viagem até, claro, a conclusão da aventura após mais de 8000 km percorridos em pouco mais de 5 meses, em roteiro que incluiu Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Luxemburgo, Suíça, Itália, San Marino, Vaticano e Mônaco.

O texto relembra causos passados durante a empreitada e, através deles, mostra aspectos da cultura dos povos desses países, bem como a relação destes com os viajantes e com a bicicleta.

Ciclismo - Um giro pela Europa - capa


Conto para o Dia dos Pais

9 Agosto 2009

Dançar tango em Porto AlegreO conto abaixo é de autoria do escritor gaúcho Sérgio Faraco e pode ser encontrado no livro “Dançar tango em Porto Alegre e outros contos” (L&PM Pocket, 1998).

Dica da obtida no blogue da Ana Mariano.

Não chore, papai

Embora você proibisse, tínhamos combinado: depois da sesta iríamos ao rio e a bicicleta já estava no corredor que ia dar na rua. Era uma Birmingham que Tia Gioconda comprara em São Paulo e enlouquecia os piás da vizinhança, que a pediam para andar na praça e depois, agradecidos, me presenteavam com estampas do Sabonete Eucalol.

Na hora da sesta nossa rua era como as ruas de uma cidade morta. Os raros automóveis pareciam sestear também, à sombra dos cinamomos, e nenhum vivente se expunha ao fogo das calçadas. Às vezes passava chiando uma carroça e então alguém, querendo, podia pensar: como é triste a vida de cavalo.

Em casa a sesta era completa, o cachorro sesteava, o gato, sesteavam as galinhas nos cantos sombrios do galinheiro. Mariozinho e eu, você mandava, sesteávamos também, mas naquela tarde a obediência era fingida.

Longe, longíssimo era o rio, para alcançá-lo era preciso atravessar a cidade, o subúrbio e um descampado de perigosa solidão. Mas o que e a quem temeríamos, se tínhamos a Birmingham? Era a melhor bicicleta do mundo, macia de pedalar coxilha acima e como dava gosto de ouvir, nos lançantes, o delicado sussurro da catraca!

Tínhamos a Birmingham, mas era a primeira vez que, no rio, não tínhamos você, por isso redobrei os cuidados com o mano. Fiz com que sentasse na areia para juntar seixos e conchinhas e enquanto isso, eu, que era maior e tinha pernas compridas, entrava n’água até o peito e me segurava no pilar da ponte ferroviária.

Estava nu e ali mesmo me deixei ficar, a fruir cada minuto, cada segundo daquela mansa liberdade, vendo o rio como jamais o vira, tão amável e bonito como teriam sido, quem sabe, os rios do Paraíso. E era muito bom saber que ele ia dar num grande rio e este num maior ainda, e que as mesmas águas, dando no mar, iam banhar terras distantes, tão distantes que nem a Tia Gioconda conhecia.

Eu viajava nessas águas e cada porto era uma estampa do cheiroso sabonete.

Senhores passageiros, este é o Taj Mahal, na Índia, e vejam a Catedral de Notre Dame na capital da França, a Esfinge do Egito, o Partenon da Grécia e esta, senhores passageiros, é a Grande Muralha da China – isso sem falar nas antigas maravilhas, entre elas a que eu mais admirava, os Jardins Suspensos que Nabucodonosor mandara fazer para sua amada, a filha de Ciáxares, que desafeita ao pó da Babilônia vivia nostálgica das verduras da Média.

E me prometia viajar de verdade, um dia, quando crescesse, e levar meu irmãozinho para que não se tornasse, ai que pena, mais um cavalo nas ruas da cidade morta, e então vi no alto do barranco você e seu Austin.

Comecei a voltar e perdi o pé e nadei tão furiosamente que, adiante, já braceava no raso e não sabia. Levantei-me, exausto, você estava à minha frente, rubro e com as mãos crispadas.

Mariozinho foi com você no Austin, eu pedalando atrás e adivinhando o outro lado da ventura: aquele rio que parecia vir do Paraíso ia desembocar no Inferno.
Você estacionou o carro e mandou o mano entrar. Pôs-se a amaldiçoar Tia Gioconda e, agarrando a bicicleta, ergueu-a sobre a cabeça e a jogou no chão. Minha Birmingham, gritei. Corri para levantá-la, mas você se interpôs, desapertou o cinto e apontou para a garagem, medonho lugar dos meus corretivos.

Sentado no chão, entre cabeceiras de velhas camas e caixotes de ferragem caseira, esperei que você viesse. Esperei sem medo, nenhum castigo seria mais doloroso do que aquele que você já dera. Mas você não veio. Quem veio foi mamãe, com um copo de leite e um pires de bolachinha-maria. Pediu que comesse e fosse lhe pedir perdão. E passava a mão na minha cabeça, compassiva e triste.

Entrei no quarto. Você estava sentado na cama, com o rosto entre as mãos. “Papai”, e você me olhou como se não me conhecesse ou eu não estivesse ali. “Perdão”, pedi. Você fez que sim com a cabeça e no mesmo instante dei meia-volta, fui recolher minha pobre bicicleta, dizendo a mim mesmo, jurando até, que você podia perdoar quantas vezes quisesse, mas que eu jamais o perdoaria.

Mas não chore, papai.

Quem, em menino, desafeito ao pó de sua cidade, sonhou com os Jardins da Babilônia e outras estampas do Sabonete Eucalol não acha em seu coração lugar para o rancor. Eu jurei em falso. Eu perdoei você.


Charge – Assim caminha o transporte em Florianópolis

6 Julho 2009

Zé Dassilva - DC 2009-07-04

A charge acima foi publicada no Diário Catarinense, na edição de sábado, 4 de julho de 2009. A autoria dela é de Zé Dassilva.

Ela pode ser vista também através deste link.

Veja também:

Charge – A Ilha tá afundando