Joinville fechará avenida para atividades de lazer

7 Novembro 2009

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do jornal A Notícia em 06 de novembro de 2009 (pág. 12). Você pode ler a matérias no site do periódico aqui.

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Um pedaço de rua para o lazer

AN 2009-11-06 fig.1 - ccapa

LAZER

Um convite ao lazer

Avenida Hermann August Lepper será fechada todos os domingos e feriados para criar um espaço de esporte e lazer.

A avenida Hermann August Lepper, a beira-rio, no Centro de Joinville, vai virar um espaço de lazer e esportes a partir deste domingo. Um projeto que envolve desde secretarias municipais até associações e empresas esportivas quer levar adeptos de caminhadas e corridas, ciclistas, skatistas ou apenas joinvilenses dispostos a conviver e se divertir por um dia à sombra das figueiras, às margens do rio Cachoeira.

O projeto se chama “Joinville em Movimento” e está sendo divulgado em cartazes pendurados em postes da própria Hermann August Lepper. A primeira experiência, neste domingo, vai servir como piloto. O sonho, no futuro, é transformar a beira-rio numa espécie de Times Square – a rua mais famosa de Nova York – joinvilense.

Os idealizadores aproveitaram a Corrida Rústica de Joinville, que larga do mesmo local, no domingo, para dar início ao projeto. Nesta primeira edição do Joinville em Movimento, o trânsito será interditado num trecho de 1,5 km entre a ponte no cruzamento da Hermann August Lepper com a Dona Francisca até a ligação com a outra beira-rio, a José Vieira. Agentes da Conurb vão orientar os motoristas.

Avenida Hermann August Lepper será fechada todos os domingos e feriados para criar um espaço de esporte e lazer

Avenida Hermann August Lepper será fechada todos os domingos e feriados para criar um espaço de esporte e lazer.

Cerca de 60 funcionários da Fundação Municipal de Esportes, Lazer e Eventos (Felej) e pessoas da Associação de Corredores de Rua (Corville) darão dicas para quem quiser caminhar, andar de bicicleta ou praticar outros esportes no trecho.

O projeto irá ocorrer aos domingos e feriados, sempre das 7 às 13 horas, até o fim de semana antes do Natal. Por enquanto, não haverá infraestrutura montada no local. A rua será fechada apenas. Em janeiro, a proposta deve ser retomada. O horário foi escolhido por ter movimento reduzido de carros.

Futuramente, a ideia é levar outras iniciativas para a beira-rio como exposições artísticas, feiras de artesanato, de livros usados, espaços para relaxamento, dicas e atendimentos de saúde, brincadeiras, quadras para esportes de rua, obstáculos para esportes radicais (skates e bikes), por exemplo. Se a iniciativa ganhar adeptos, o objetivo é fechar os 5,3 km das duas beira-rios, desde a avenida Procópio Gomes até a rótula da José Vieira aos domingos e feriados.

A iniciativa atende a um dos itens do plano de governo atual, de fechar ruas para a prática de esportes e lazer. Além de Felej e Corville, o projeto envolve Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura, Secretaria Regional do Centro, 42K Assessoria Esportiva, Companhia da Corrida e outros parceiros. A falta de um parque para a cidade e de mais áreas para lazer e esportes está entre as razões da iniciativa, segundo os próprios idealizadores.

Rogério Kreidlow

AN 2009-11-06 - Projeto Joinville em Movimento(veja em .pdf)

Saiba mais:

Por mais áreas para o lazer, verde e vida – Opinião da jornalista Raquel Schiavini sobre o assunto.

Veja também:

Joinville, a cidade das bicicletas, está sem ciclovias – Outrora conhecida como “cidade das bicicletas”, o município catarinense ainda possui poucas infraestruturas adequadas aos ciclistas urbanos.


Joinville, a cidade das bicicletas, está sem ciclovias

6 Novembro 2009

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do jornal A Notícia em 05 de novembro de 2009 (pág. 10). Você pode ver as matérias no site do periódico nos links: {1} {2} {3} {4}.

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Pedaladas de alto risco

Foto: Rogerio Silva

CICLOVIAS

Projeto tem. Falta é dinheiro

Para quem usa a bicicleta como principal meio de transporte em Joinville, atravessar a cidade é um desafio. Não há ciclovias em ruas que ligam a zona Sul à zona Norte, como as avenidas Procópio Gomes, Santos Dumont e a rua Florianópolis, situação que obriga os ciclistas a disputar espaço com os automóveis.

Observando este problema, o leitor Alexandre de Oliveira questionou se existe previsão para a construção de ciclovias nessas ruas. “A Notícia” buscou respostas e constatou que, mesmo nos casos em que o projeto já foi elaborado pelo Instituto de Planejamento e Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (Ippuj), os recursos ainda não estão garantidos, não há previsão para o começo das obras e até a Copa e as Olimpíadas, que serão realizadas no Brasil, podem ser um empecilho.

O projeto do Eixo Norte-Sul, também conhecido como binário Procópio Gomes-Urussanga, já foi encaminhado para o Ministério das Cidades, que está reavaliando as propostas pois pretende priorizar as cidades que vão sediar os jogos da Copa do Mundo e das Olimpíadas. E ainda não há previsão para a avenida Procópio Gomes ganhar ciclofaixa e faixas exclusivas para ônibus, conforme prevê o projeto.

Para a avenida Santos Dumont, também há projeto para dar continuidade à ciclovia, que já existe no trecho do novo trevo de acesso às universidades. Porém, segundo o diretor executivo do Ippuj, Vladmir Constante, é necessário aguardar a liberação de recursos para a obra, que requer desapropriações.

Já a rua Florianópolis é a que está mais distante da sonhada ciclovia.

— Não há projeto, mas já existe uma diretriz que estipula que as próximas intervenções na via serão acompanhadas da construção de uma faixa para ciclistas e construção de calçadas seguras —, afirma Constante.

Está longe da meta de 180 km em 4 anos

A Cidade das Bicicletas ainda está longe de fazer jus ao título quando o assunto é infraestrutura. Estima-se que em Joinville exista uma bicicleta para cada dois dos 500 mil habitantes, por isso a intenção do Ippuj em 2010 é duplicar o número de ciclovias (vias exclusivas para bicicletas, separada da rua e da calçada) e ciclofaixas (faixa para bicicletas isolada apenas pela sinalização) em bom estado, que hoje foram uma rede com 71 km. Para isso, está prevista a construção e reforma de outros 70 km de faixas para os ciclistas, contempladas em grande projetos como o dos parques da cidade, a ser realizado com recursos do Fonplata.

— No total, está prevista a construção de 21 km de novas ciclovias e outros 12 km de ciclofaixas que já existem serão reformados —, explica o diretor executivo do Ippuj, Vladmir Constante.

O objetivo é interligar os parques da cidade com as faixas exclusivas para bicicletas, formando um circuito entre essas áreas de lazer.

Na avenida Santos Dumont, ciclistas dividem espaço com os veículos.

Na avenida Santos Dumont, ciclistas dividem espaço com os veículos.

As ruas Rui Barbosa, Piratuba, Marquês de Olinda e Tenente Antônio João estão entre as que ganharão mais ciclovias, completando os trechos que já possuem faixas para os ciclistas. Já Beira-rio, Baltazar Buschle e Helmuth Fallgater terão as ciclovias reformadas. E existe ainda um projeto de implantar uma ciclovia entre a Estação Ferrovária e a Arena Joinville, ao longo do ramal ferroviário que hoje corta a cidade e será desativado após a conclusão das obras do contorno ferroviário.

Além disso, também já existem projetos no Ippuj para a implantação de ciclovias e ciclofaixas nas ruas 15 de Novembro (em trecho da Blumenau ao terminal, no Centro, e também no Vila Nova), Almirante Jaceguay, rua dos Suíços, Miguel Castanheira, Tuiuti e Júpter, obras a serem realizadas com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES).

Se as obras em 2010 seguirem o ritmo deste ano, os projetos não sairão do papel e o prefeito Carlito Merss estará ainda mais distante da meta que traçou, de construir 180 km de faixas para as bicicletas em quatro anos. Isso porque de fevereiro para cá, foram construídos apenas 4 km de novas ciclovias e ciclofaixas. Outros 4 km de ciclovias e ciclofaixas na rua 15 de Outubro, no Rio Bonito, em Pirabeiraba, devem ser finalizados ainda em 2009.

— A secretaria regional já iniciou as obras no acostamento para a pavimentação e implantação de 2,5 km de ciclovias e outros 1,5 km de ciclofaixas —, informa Constante.

Do nada a lugar nenhum

OPINIÃO AMANDA MIRANDA, REPÓRTER DE GERAL

Eu queria ser mais ciclista do que efetivamente sou, mas mergulhar no trânsito caótico de Joinville é um risco que não pretendo assumir. Sem ciclovia, não há segurança. Mesmo os ciclistas mais responsáveis, equipados com capacete, lanterna e espelho, são peças frágeis no meio de tantos carros, ônibus e caminhões.

Quando fiz o teste do ciclista em Joinville, percebi na pele o quanto é urgente – e aparentemente simples – a resolução desse problema. Mas não adianta pensar de forma isolada: hoje, as ciclovias e ciclofaixas começam do nada e terminam em lugar algum.

É preciso que nossos urbanistas projetem malhas cicloviárias, para que os usuários da “zica” consigam fazer seu trajeto de forma 100% segura, sem quebras e sem riscos. Só depois disso poderemos usar com direito o slogan de cidade das bicicletas.

Veja também:

Mais ciclovias em Blumenau
Novas ciclovias em Florianópolis


Nova ponte em Rio do Sul terá ciclofaixa

12 Setembro 2009

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense em 13 de setembro de 2009 (pág. 36). Você pode ver as matérias no site do DC aqui.

Trânsito

Para acabar com os congestionamentos

Inauguração de elevado em Rio do Sul deverá desafogar o tráfego nas imediações do Centro da cidade

A Foram 16 meses de obras e trabalhos dificultados por conta de existir um rio a ser vencido de um lado a outro. Mas com a conclusão do Elevado Deputado José Thomé, a rotina do trânsito em Rio do Sul, no Alto Vale, deve mudar radicalmente. A partir de agora, a população espera que o tráfego na região Central possa fluir com segurança e sem congestionamentos.

A intenção da prefeitura, segundo o secretário de Planejamento, Urbanismo e Meio Ambiente, Frank Dieter Schulze, é resolver um problema de anos e tentar criar uma estabilidade no trânsito para as próximas duas décadas. Pela dimensão e custos do projeto, essa meta deve ser atingida (detalhes no box).

– Agora iremos monitorar constantemente e, se for necessário, faremos novas mudanças. Mas temos certeza de que, sem o elevado, o sistema entraria em colapso – afirmou o secretário, animado com a conclusão da sonhada obra.

Dentro do projeto de remodelação do sistema viário da área central do município, além do elevado, foram refeitos os trevos de acesso à nova estrutura e a reordenação do sentido do tráfego. Houve o prolongamento da Rua Dom Bosco até a Avenida 7 de Setembro.

As ruas também passaram por processos de drenagem, colocação de tubulação pluvial, terraplanagem, assentamento da base do asfalto e a finalização com a capa asfáltica.

A construção do elevado de 760 metros de extensão integra projeto de remodelação do sistema viário do município.

A construção do elevado de 760 metros de extensão integra projeto de remodelação do sistema viário do município.

Ciclovias fazem parte do projeto

Com a sinalização, as vias também ganharão ciclofaixas. O secretário Schulze destacou que a intenção é tentar humanizar o trânsito, incluindo formas alternativas de transporte. Dentro deste projeto, está a nova licitação do transporte urbano da cidade. No edital (sem data para o lançamento), as empresas interessadas deverão apresentar propostas de um modelo intermodal, combinando ônibus e bicicletas.

– Os motoristas têm de entender que quanto mais alternativas, mais espaço haverá nas vias. Se o ciclista tiver segurança, o motorista também terá. E esta é uma dica para todos os municípios do Alto Vale, pensar em soluções enquanto ainda é possível, enquanto o sistema viário está em formação – destacou Schulze.

Custos da obra

- O projeto de remodelação teve um custo de R$ 13 milhões, sendo gastos R$ 9,4 milhões somente no elevado, pagos pelo município.

- O planejamento e a planta foram feitos em parceria com a Associação de Engenheiros e Arquitetos do Vale do Itajaí.

- Embaixo da estrutura de 760 metros de extensão, na margem esquerda do Rio Itajaí, será entregue o Parque Municipal Harry Hobus.


Blumenau terá sistema de bicicletas públicas

8 Setembro 2009

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal de Santa Catarina, na edição de 29 de agosto de 2009. Você pode ver a matéria no site do periódico aqui.

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INFRAESTRUTURA URBANA

Bicicleta de aluguel

A partir do dia 22 de setembro, o blumenauense poderá pedalar pelo Centro através de um sistema de locação.

Os motivos para aderir ao Dia Mundial Sem Carro, em 22 de setembro, estão aumentando. Até a metade do próximo mês, novas ciclovias devem estar prontas e quem reclamava da falta de bicicleta vai poder alugar uma das 60 que ficarão disponíveis à comunidade.

O município terá seis estações para o aluguel de bicicletas. A iniciativa é uma proposta do Consórcio Siga para aproveitar a implantação das ciclovias na cidade. O projeto funcionará um ano em caráter de experiência. Se for bem aceito pela população, o número de estações e bicicletas à disposição aumentará. Quem afirma é o presidente do Serviço Autônomo Municipal de Trânsito e Transportes de Blumenau (Seterb), Rudolf Clebsch.

– Aproveitando o aumento da malha cicloviária, o Siga propôs um teste, utilizando sistemas parecidos com o de cidades como Rio de Janeiro e Paris – comenta Clebsch, que dia 22 de setembro irá de bicicleta ao trabalho.

Inicialmente, as estações vão contemplar a área central da cidade. Os pontos para o aluguel das bicicletas serão no Terminal da Proeb, Terminal da Fonte, Shopping Neumarkt, Ginásio do Galegão, prefeitura e Furb.

O sistema será todo informatizado e não haverá pessoas controlando a retirada das bicicletas.

– A bicicleta fica em segurança na estação e nós teremos todas as informações sobre saída e entrada dos veículos – explica o presidente do Seterb, que esteve recentemente no Rio de Janeiro para verificar como funciona o Samba, sistema de locação de bicicletas da capital fluminense.

Projeto quer testar a demanda de ciclistas. Mesmo sem as ciclovias totalmente prontas na região central, há quem já tenha optado pelo pedal como meio de transporte. Felipe Borsoi, 21 anos, usa a bicicleta para ganhar tempo e por ser uma escolha mais econômica. O irmão de Felipe, Raphael Borsoi, 24, só não pedala porque teve a bicicleta roubada há mais ou menos um ano. Ao ser informado da implantação do sistema de locação, Raphael se mostrou empolgado. – Ônibus demora e é caro. De bicicleta, em 30 minutos dá pra ir a vários lugares – argumenta o rapaz. Presidente do Seterb, Rudolf Clebsch explica que a ideia é testar a demanda de ciclistas da cidade. O presidente da Associação Blumenauense Pró-Ciclovias (ABC Ciclovias), Wilberto Boos, espera que a demanda cresça, mas explica que só o tempo vai mostrar como o povo de Blumenau receberá a iniciativa. Como vai funcionar. Haverá estações para aluguel das bicicletas no Terminal da Proeb, no Galegão, Furb, prefeitura, Shopping Neumarkt e Terminal da Fonte n Cada uma contará com 10 bicicletas. Quem quiser pedalar pelo Centro com uma bike alugada, terá que ter efetuado um cadastro prévio, através de um sistema a ser implantado pelo Siga n As estações serão integradas, o que permitirá que a bicicleta seja devolvida em qualquer uma delas. O usuário terá 30 minutos de uso gratuito. Ao passar desse limite, o pagamento será feito através do celular. A ideia é integrar também o cartão Siga, usado como vale-transporte, para fazer a cobrança n As taxas do serviço e outros detalhes, como possíveis restrições a usuários com menos de 18 anos, devem ser definidos até 15 de setembro n O sistema será todo informatizado e informará o número de bicicletas retiradas e espaços vagos em cada estação n Uma unidade móvel fará o controle para que haja a disponibilidade de bicicletas e vagas para devolução em todas as estações n As bicicletas terão acessórios de segurança e design diferenciado, o que facilitará a identificação(veja em .pdf)

Por Vinicius Batista

Saiba mais:

Bicicleta ganha espaço em Blumenau As ciclofaixas blumenauenses começam a sair do papel e formar uma estrutura interligada nas ruas da região central.
Bicicleta vence Desafio Intermodal em Blumenau – Num teste comparando bicicleta, automóvel e transporte público, o ciclista deu-se melhor em trecho de 3,5km pelas ruas de Blumenau.
Blumenau implanta mais ciclovias – Reportagem do Jornal de Santa Catarina mostra as novas obras cicloviárias de Blumenau.
Antes que o mundo pare – artigo de Fabrício Cardoso fala do excesso de automóveis em Blumenau e estimula o debate sobre as novas ciclofaixas da cidade.
A polêmica sobre as ciclofaixas de Blumenau – Artigo de Willian Cruz mostra sua opinião e relaciona os fatos que acontecem em Blumenau com o passado de San Francisco, EUA.
Blumenau: resposta do presidente da UCB – Carta de Antonio Carlos de Mattos Miranda, presidente da União de Ciclistas do Brasil, sobre a polêmica acerca das ciclofaixas em Blumenau.
Cartas-resposta em favor das ciclofaixas em Blumenau – Respostas de cicloativistas e sociedade civil a colunista que ironizou as novas ciclofaixas na cidade.
Comerciantes criticam áreas para ciclistas – Reportagem no Jornal de Santa Catarina faz o contraponto com as queixas dos comerciantes.
Motoristas, ciclistas e outros cidadãos – Artigo de Christian Krambeck fala sobre planejamento urbano, cidadania e qualidade de vida.


Bicicleta ganha espaço em Blumenau

3 Setembro 2009

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal de Santa Catarina, na edição de 20 de agosto de 2009. Você pode ver a matéria no site do periódico aqui e aqui.

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INFRAESTRUTURA URBANA

Sinal verde para as bicicletas

Poder público prevê ampliar malha cicloviária no Centro de Blumenau até dia 22 de Setembro.

BLUMENAU – Os adeptos do Dia Mundial Sem Carro, em 22 de setembro, terão um motivo a mais para deixar os veículos em casa em comemoração à data. Até lá, Secretaria de Planejamento Urbano e Secretaria de Serviços Urbanos pretendem expandir a malha cicloviária na região central da cidade. Na prática, o ciclista poderá sair da Rua Almirante Barroso, no Bairro Itoupava Seca, e chegar até a Alameda Rio Branco, no Centro, em vias exclusivas para bicicletas.

O circuito inclui ruas ainda carentes de ciclovias, como a Alberto Stein e a 7 de Setembro. Na Rua 7 de Setembro, parte da faixa restrita ao ciclista será implantada sobre a calçada, com a divisão do espaço hoje destinado unicamente aos pedestres.

– A proposta é ter um circuito fechado na área Central até o próximo mês, até para que o Dia Mundial Sem Carro tenha uma abrangência maior. Mas estamos tomando algumas decisões ainda, correndo contra o tempo – afirma a diretora de Planejamento Viário, Rita de Cássia Bruel Antonio.

Segundo o diretor de Serviços Urbanos, Valdecir Dutra, alguns trechos das ruas 7 de Setembro e Theodoro Holtrup precisarão ser recuperados para viabilizar a circulação das bicicletas. Na Rua Almirante Barroso, o ponto de ônibus próximo ao Hospital do Pulmão pode ser suprimido.

Ciclistas ganham espaço na Rua Paulo Zimmermann

A Rua Paulo Zimmermann, no Centro, foi a última a receber área exclusiva para ciclistas em Blumenau. A faixa, implantada no final de semana, foi toda pintada em vermelho – as demais recebem pintura apenas para delimitar o espaço. A intenção, segundo Dutra, foi destacar a área e chamar a atenção do motorista. Apesar de ser mais estreita que as outras, a ciclofaixa da Paulo Zimmermann é considerada segura pela Associação Blumenau Pró-Ciclovias (ABC Ciclovias).

– As ciclofaixas são muito seguras, desde que os motoristas as respeitem. Devido à condição do trânsito de Blumenau, preferíamos que fossem ciclovias, com muretas, mas não há espaço para isso em muitas ruas – opina o presidente da ABC Ciclovias, Wilberto Boos.

JSC 2009-08-20 - Ampliação das ciclovias em Blumenau

(veja em .pdf)

Para associação, demanda reprimida de ciclista é grande

A discussão sobre a implantação de ciclovias em Blumenau ganhou as páginas do Santa nas últimas semanas na Seção de Cartas. Em julho, o assunto foi o segundo mais comentado, com 19 cartas e artigos publicados. As opiniões se dividem: uns acreditam que não há ciclistas porque não há estrutura e outros porque não há demanda para as ciclovias.

A Associação Blumenauense Pró-Ciclovias (ABC Ciclovias) defende que há demanda para a expansão de espaços para ciclistas. Uma pesquisa feita ano passado na Escola Barão do Rio Branco é apontada como exemplo da necessidade das ciclovias. Segundo a associação, dos 600 estudantes consultados, 16 vão à escola de bicicleta e 290 gostariam de fazer o mesmo, se houvesse mais segurança nas ruas.

– A demanda reprimida de ciclistas é grande, mas como vamos querer que as pessoas andem de bicicleta se as ciclovias não estão interligadas? Se tivéssemos ruas com muitos buracos ou que não levassem a lugar nenhum, as pessoas também não andariam de carro. As pessoas que criticam a implantação das ciclovias tem uma visão míope, parcial, do que é a estrutura de uma cidade – argumenta o presidente da ABC Ciclovias, Wilberto Boos.

Por Rafael Waltrick

Saiba mais:

Bicicleta vence Desafio Intermodal em Blumenau – Num teste comparando bicicleta, automóvel e transporte público, o ciclista deu-se melhor em trecho de 3,5km pelas ruas de Blumenau.
Blumenau implanta mais ciclovias – reportagem do Jornal de Santa Catarina mostra as novas obras cicloviárias de Blumenau.
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Motoristas, ciclistas e outros cidadãos – artigo de Christian Krambeck fala sobre planejamento urbano, cidadania e qualidade de vida.


Bicicleta vence Desafio Intermodal em Blumenau

2 Setembro 2009

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal de Santa Catarina, na edição de 24 de agosto de 2009. Você pode ver a matéria no site do periódico aqui e aqui.

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MOBILIDADE URBANA

Ciclista vence o desafio

Santa comparou a agilidade de três meios de transporte no horário de pique na região central de Blumenau. Na disputa com carro e ônibus, a bicicleta levou a melhor.

Rubens Barrichello venceu ontem na Fórmula 1. Se a corrida fosse no Centro de Blumenau em horário de pique e o piloto brasileiro tivesse a mesma pretensão de chegar em primeiro, provavelmente trocaria a potência do carro de corrida pela simplicidade de uma bicicleta. Pelo menos é o que indica o teste que o Santa promoveu sexta-feira, às 17h50min, nos 3,5 quilômetros entre o Parque Vila Germânica, na Velha, e a Casa do Comércio, no Centro. O trecho, que será interligado por ciclovias até 22 de setembro, foi percorrido ao mesmo tempo pedalando, de ônibus e de carro. Com uma velocidade média de 32 km/h, o ciclista chegou antes.

Sete minutos após dar a primeira pedalada, o arquivista Giovani Nasatto, 30 anos, estacionou a bicicleta na Alameda Rio Branco, o ponto final do teste. Por três minutos ainda teve tempo de conferir o trânsito movimentado enquanto esperava chegar de carro o segundo colocado, o motorista Juliano Alessandro dos Santos, 37 anos. Os dois poderiam percorrer o trecho escolhido por pelo menos mais duas vezes antes que o passageiro do transporte coletivo, depois de algumas pernadas e o tempo dentro do ônibus, chegasse até o local combinado.

Na largada em frente ao Parque Vila Germânica, às 17h50min, logo a bicicleta de Giovani e o carro de Juliano sumiram de vista em direção à Rua 7 de Setembro. Ao chegar ao Terminal da Proeb, após sete minutos de caminhada, uma das cinco linhas disponíveis que passam pelo Centro demorou mais 10 minutos pra chegar. Giovani teve um percurso tranquilo ao longo da Rua Humberto de Campos. A via tem ciclofaixa, ainda que um pouco desgastada pelo tempo. Ao entrar na Rua 7, a atenção sobre duas rodas teve de ser redobrada. Enquanto Juliano, de carro, avançava com velocidade média de 22 km/h, o ciclista enfrentava obstáculos como carros estacionados, asfalto irregular próximo ao meio fio e ônibus na pista.

– É difícil manter os 1,5m recomendado de distância do carro para um ciclista. Quando a rua está cheia assim, fica tudo apertado – avaliou o motorista, que afirmou não se sentir seguro para trocar o automóvel pela bicicleta com a atual estrutura viária de Blumenau.

Enquanto Giovani e Juliano, em frente à Casa do Comércio, conversavam sobre o caminho percorrido, passageiros se equilibravam no ônibus, pela Rua 7, entre freadas e arrancadas. Além do congestionamento, as paradas em semáforos e pontos de ônibus atrasaram a viagem e contribuíram para que o percurso fosse feito a 7 km/h. O ponto final do trajeto foi em frente ao Colégio Sagrada Família, o que exigiu mais uma caminhada até a Alameda. Com o fôlego recuperado, Giovani comemorava a agilidade do meio de transporte que escolheu há sete anos e Juliano justificava a segunda posição reclamando do trânsito lento.

JSC 2009-08-24 - Desafio Intermodal Blumenau(veja em .pdf)

Aumento da ciclofaixa incentiva ciclistas

Dia 22 de setembro, o arquivista Giovani Nasatto poderá pedalar mais tranquilo pela Rua 7 de Setembro. Um projeto das secretarias de Planejamento Urbano e Serviços Urbanos pretende ampliar a malha cicloviária da cidade. Atualmente, Blumenau tem 45 quilômetros de faixas exclusivas para bicicletas. Com a expansão, a ideia é que o ciclista possa sair da Rua Almirante Barroso e chegar até a Alameda Rio Branco por ciclofaixas. A Rua Hermann Huscher, na sequência da Alameda, também possui a estrutura, o que tornaria o trajeto seguro para ciclistas até o Bairro Valparaíso.

A iniciativa pública pode incentivar motoristas a trocar o motor pelo pedal. O motorista Juliano dos Santos afirma que adotar a bicicleta para se locomover no Centro seria uma boa opção caso se sentisse mais seguro:

– Com ciclovias, além da economia de tempo, ajudaria na saúde.

A Associação Blumenauense Pró-Ciclovias (ABC Ciclovias) acredita que as ciclofaixas vão estimular ciclistas.

– Esperamos ansiosos pela ligação das faixas cicloviárias. A cidade precisa desta alternativa – opina o presidente da ABC Ciclovias, Eldon Jung.

Por Vinicius Batista

Saiba mais:

Blumenau implanta mais ciclovias – reportagem do Jornal de Santa Catarina mostra as novas obras cicloviárias de Blumenau.
Antes que o mundo pare – artigo de Fabrício Cardoso fala do excesso de automóveis em Blumenau e estimula o debate sobre as novas ciclofaixas da cidade.
A polêmica sobre as ciclofaixas de Blumenau – artigo de Willian Cruz mostra sua opinião e relaciona os fatos que acontecem em Blumenau com o passado de San Francisco, EUA.
Blumenau: resposta do presidente da UCB – carta de Antonio Carlos de Mattos Miranda, presidente da União de Ciclistas do Brasil, sobre a polêmica acerca das ciclofaixas em Blumenau.
Cartas-resposta em favor das ciclofaixas em Blumenau – respostas de cicloativistas e sociedade civil a colunista que ironizou as novas ciclofaixas na cidade.
Comerciantes criticam áreas para ciclistas – reportagem no Jornal de Santa Catarina faz o contraponto com as queixas dos comerciantes.
Motoristas, ciclistas e outros cidadãos – artigo de Christian Krambeck fala sobre planejamento urbano, cidadania e qualidade de vida.


Florianópolis implantará ciclovia na Lagoa

10 Agosto 2009

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense em 10 de agosto de 2009 (pág. 23). Você pode ver as matérias no site do DC aqui. O texto também se encontra nos sites da Prefeitura de Florianópolis, JusBrasil e Bicicletada Floripa. Um relato da reunião pode ser lido também no Movimento Ciclovia na Lagoa Já.

Urbanismo

Ciclovias e passeio para melhoria da segurança

Prefeitura da Capital deve investi R$ 1 milhão para revitalização da Osni Ortiga, na Lagoa da Conceição

A avenida Osni Ortiga, na Lagoa da Conceição, vai ganhar ciclovia e passeios para pedestres. As obras de revitalização devem custar cerca de R$ 1 milhão e o projeto final será apresentado para os moradores da Capital no início do mês que vem.

A ciclovia Rota 9 terá uma extensão de 3,2 quilômetros, sendo dois de vias exclusivas para bicicletas e 1,2 quilômetro de via compartilhada de baixa velocidade. A faixa vai ligar a Avenida das Rendeiras, principal acesso às praias do Leste de Florianópolis, ao Rio Tavares, na região Sul.

– Essa é uma reivindicação antiga dos moradores. Hoje muita gente passa por aqui pedalando, mas ainda é muito perigoso – afirmou a moradora do Porto do Rio Tavares, Léa Pires, de 38 anos.

Margeando a Lagoa da Conceição, via não oferece segurança para quem costuma usá-la para pedalar ou caminhadas.

Margeando a Lagoa da Conceição, via não oferece segurança para quem costuma usá-la para pedalar ou caminhadas.

O projeto foi assunto do último encontro do vice-prefeito e secretário de Transportes, Mobilidade e Terminais, João Batista Nunes, o secretário de Obras, José Nilton Alexandre, e representantes comunitários da região, no dia 5 de agosto.

Agora, os técnicos do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) e a Secretaria de Obras tem até o dia 5 de setembro para concluir o projeto final.

– As ciclovias da Osni Ortiga e a universitária, na bacia do Itacorubi, são prioritárias dentro das questões da mobilidade do município– afirmou o vice-prefeito.

Entre as possibilidade de recursos para a execução da obra, o IPUF destacou um pedido de verbas que já tramita no Ministério das Cidades. Além disso, uma participação público-privado, com compensação ambiental, também foi cogitado.

Projeto prevê instalação de lombadas eletrônicas

Outra preocupação tratada no encontro foi a segurança e a velocidade dos veículos na avenida. De forma emergencial, a Secretaria dos Transportes se comprometeu a viabilizar a colocação de placas de trânsito estabelecendo 60 Km/h como velocidade máxima.

O traçado do projeto

Saiba mais:

Entenda a problemática da Osni Ortiga nas matérias abaixo:

Bicicleta na Rua
Caminhos do Sertão
Jornal da Lagoa
Jornal Notícias do Dia
Movimento Ciclovia na Lagoa Já


Propaganda saudável

8 Agosto 2009

Essa veio da lista de e-mail do Duas Rodas.

Em Canasvieiras, no norte da Ilha de Santa Catarina, um comerciante trocou sua poluidora motocicleta e passou a fazer propaganda de seu estabelecimento  com uma espécie de “bike sonora”. Na caixa sobre o bagageiro, alto-falantes movidos a bateria para divulgar o empreendimento, que tem o sugestivo nome de Cia da Saúde.

Com a opção, ele passou a se exercitar e poupou o nosso ar, o meio ambiente e ainda economizou uma graninha. Na foto abaixo é o próprio comerciante que se encontra no selim.

Em Canasvieiras, comerciante trocou a moto pela bicicleta. Foto: Alexandre Francisco Souza.

Em Canasvieiras, comerciante trocou a moto pela bicicleta. Foto: Alexandre Francisco Souza.


Bicicleta é destaque no Diário Catarinense

2 Agosto 2009

A edição deste domingo, 02 de julho, do Diário Catarinense está imperdível para quem gosta de pedalar! São quatro páginas inteiras dedicadas à bicicleta no encarte Donna DC. A matéria, que você confere abaixo, encontra-se nos seguintes links: {1} {2} {3} {4} {5} {6} {7}. Você também pode ler o conteúdo em .pdf: {capa}, {págs. 8 e 9} e {pág. 10}.

DC 2009-08-02 fig.0 DC 2009-08-02 fig.0-1DC 2009-08-02 fig.0-2

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Diário Catarinense

Bom para a saúde, o trânsito e o ambiente. Pedalar é um hábito com cada vez mais adeptos, como Maurício Lima (à frente) e Elyandro Modro. Foto: Ricardo Duarte.

Bom para a saúde, o trânsito e o ambiente. Pedalar é um hábito com cada vez mais adeptos, como Maurício Lima (à frente) e Elyandro Modro. Foto: Ricardo Duarte.

Vá de MAGRELA

Dar boas pedaladas faz bem para a saúde, para o trânsito, para o meio ambiente e pode ser uma fonte de prazer e alívio ao estresse.

Numa tarde fria de domingo, com um vento daqueles de rachar os lábios, o empresário Fabrício Sousa Aragão, 32 anos, nem pensa em ficar em casa, na preguiça. Como todos os dias, faça chuva ou sol, ele veste luvas, equipamentos de segurança e roupa confortável para ter prazer. É esta a sensação provocada por umas boas pedaladas, que ele costuma praticar na parte continental da Capital e cidades próximas, como Antônio Carlos. Com a bicicleta, o empresário encara a friaca sem fazer cara feia.

– O problema é a sensação térmica. Com a velocidade, o vento se torna mais intenso. Mas eu nem sei dizer por que eu pedalo. É por prazer, alivia o estresse – afirma.

Mesmo que a bicicleta seja um veículo individual, um outro motivo que estimula Fabrício a pedalar são os amigos. O empresário participa do grupo Mountain Bike Floripa, ou MTB Floripa, onde divide com empresários, advogados, promotores e outros profissionais o hábito de treinar para competições amadoras.

– A gente não só pedala, mas sai para jantar depois. Fazemos amizades nos grupos – diz Fabrício.

Os grupos, aliás, aparecem como uma alternativa aos que não se sentem seguros para pedalar sozinhos, seja por conta da criminalidade ou devido ao trânsito intenso. Há turmas para quem está mais ou menos preparado, para casais e até um exclusivo para mulheres (veja box).

O programador Elyandro Modro, 36, e o amigo Maurício Lima participaram da fundação do Floripa Bikers, em fevereiro, grupo que reúne entre 15 a 40 ciclistas por saída.

– Em grupo é mais legal e mais seguro, tem aquele compromisso. Às vezes você não está a fim, mas sabe que um monte de gente estará esperando por você, então acaba indo. E em grupo o risco diminui. Pedalamos uniformizados, então, quando os carros veem as bicicletas, parece que nos respeitam mais, sentimos essa diferença – constata Elyandro.

Um vício positivo

No Floripa Bikers há turmas para iniciantes e casais que não têm ritmo de atleta. Uma das participantes é a mulher de Elyandro, a professora de dança Alessandra Lemos Modro, 34. Atividade física, lazer e a companhia do marido foram as razões que a levaram às pedaladas há um ano. A dona de casa Márcia Lemos, 32 anos, integra o grupo desde fevereiro e é viciada nos pedais.

– Não vejo a hora de chegar quarta-feira, dia em que a gente sai.

Na mesma tarde fria de domingo, o estudante Caio Sérgio dos Santos, 15 anos, não hesitou em praticar suas habilidades com a magrela, na pista de skate da Beira-Mar de São José. Saltando e pedalando até de costas, o menino usa o veículo de duas rodas para quase tudo: ir à escola, passear, praticar esportes.

Morador do Bairro Ipiranga, acha que não precisa de ciclovia e se sente seguro para pedalar. Sem professor nem técnico que o ensine as acrobacias, competiu uma única vez na categoria iniciante, num campeonato em Itajaí, no mês passado. Resultado: Caio não caiu da magrela nem por decreto e ganhou o primeiro lugar na competição.

Caio dos Santos, 15 anos, usa a bicicleta como meio de transporte, além de fazer acrobacias e competir. Foto: Daniel Conzi.

Caio dos Santos, 15 anos, usa a bicicleta como meio de transporte, além de fazer acrobacias e competir. Foto: Daniel Conzi.

Pedala, Floripa

O uso da bicicleta como meio de transporte está crescendo nos países desenvolvidos, como constata o diretor da ViaCiclo, André Geraldo Soares. Estimular esse tipo de uso no Brasil é o objetivo das associações de ciclousuários e, mais recentemente, do poder público.

O governo federal, por meio do Ministério das Cidades, lançou em 2004 o programa brasileiro de mobilidade por bicicleta – Bicicleta Brasil – que, entre outras atribuições, incentiva o uso da magrela como meio de transporte, integrando-a aos equipamentos públicos já existentes.

A exemplo do que acontece na Holanda, na França, no Canadá, na Espanha, na Alemanha, entre outros países desenvolvidos, Florianópolis terá este ano um sistema de bicicletas públicas, que serve para o deslocamento de uma estação à outra. Quem afirma é a arquiteta do Ipuf, Vera Lúcia Gonçalves da Silva:

– Será feita uma licitação este mês e, até o final do ano, as bicicletas estarão nas ruas. Num projeto preliminar, haverá 28 estações, a começar pelo Centro da cidade em pontos estratégicos, como a Avenida Hercílio Luz – garante.

Será criado o Portal da Bicicleta, um site no qual o interessado se cadastrará para optar por um dos planos, que pode ser de um dia, seis meses ou um ano. O sistema será automatizado e você poderá liberar o veículo pelo celular.

Mais 10 km até o fim do ano

No Rio de Janeiro, já existe o sistema desde o final do ano passado. Com o simpático nome de Samba – Solução Alternativa para Mobilidade por Bicicletas de Aluguel –, o sistema conta com cerca de 80 bicicletas, com previsão de chegar a 500 até o final do ano, e 19 estações. O cadastro do usuário pode ser feito pelo site www.mobilicidade.com.br. Há planos de R$ 10 para um dia de uso, R$ 30 para uma semana e outros para seis ou 12 meses.

A estrutura cicloviária na Capital conta com 24 quilômetros em ciclovias (separadas das vias) e ciclofaixas (pintadas no solo). Até o fim do ano serão 34 quilômetros, pelas contas da Secretaria de Obras. Mas somente a estrutura não basta para garantir a segurança do ciclista. Vera reconhece que a cultura automobilística diminui o cuidado com a parte mais frágil do trânsito, no caso, os ciclistas e pedestres. A prefeitura distribuiu em algumas escolas folderes explicativos sobre as regras de trânsito, mas a formação não pode parar por aí.

– É necessária uma educação contínua. Só a lei penalizando não adianta. Estamos construindo essa política, fazendo parcerias com outras secretarias e a sociedade civil, sem a qual não se implementa nada na cidade – afirma a arquiteta.

– A solução passa pela sinalização, uma interface entre campanha educativa e estrutura. O Conselho Nacional de Trânsito está preparando um manual de sinalização de ciclovias. E a educação tem que começar na escola. Na Holanda, as crianças fazem teste de habilitação, assim como tem para carros – compara Soares.

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Faça frio ou calor, Fabrício Sousa Aragão não dispensa as pedaladas diárias, uma fonte de prazer para o empresário. Foto: Daniel Conzi.

Falta um empurrãozinho

Pedaladas em busca de lazer e atividade física. Esse, em geral, é o rumo dos ciclistas que circulam pela Capital. Não há uma pesquisa abrangente com a população de Florianópolis sobre o perfil do ciclista e os motivos que levam ao uso da bicicleta. O que existe são estudos pontuais, como o que o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, o Ipuf, realizou no Bairro Ingleses em 2006, antes da instalação da ciclovia no local. Outros dados foram colhidos por organizações não-governamentais, como a Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis, a ViaCiclo, durante eventos na cidade.

É fácil perceber que a maioria dos ciclousuários da Capital usam a magrela para o lazer e atividade física. O uso como meio de transporte, geralmente nos balneários e bairros afastados, fica em terceiro lugar e as principais razões apontadas são: falta de estrutura para a bicicleta e de educação no trânsito.

– Às vezes vou ao trabalho de bike, mas não é seguro. A cidade não é preparada para a bicicleta – percebe a professora de dança Alessandra Lemos Modro.

– Quando eu morava em São José dos Campos (SP), usava, mas aqui não dá. As ruas são muito estreitas, o trânsito é perigoso – lamenta o empresário Fabrício Sousa Aragão.

Elyandro e Joaquim. Foto: Daniel Conzi.

Elyandro e Joaquim. Foto: Daniel Conzi.

Concorrência motorizada

O educador e diretor-administrativo da ViaCiclo, André Geraldo Soares, constata que há uma demanda reprimida, ou seja, muitas pessoas estariam dispostas a fazer uso da bicicleta ou aumentar sua frequência se houvesse condições propícias.

– Falta estímulo e, ao mesmo tempo, há o antiestímulo, que é a promoção da modalidade motorizada. Há uma cadeia produtiva, estrutura política e econômica no país que promove o carro como meio de transporte, associando-o a fatores culturais, como status, poder, diferenciação social – afirma, ao exemplificar a publicidade que vende carros e os incentivos como redução de impostos.

– As pessoas acham que não são benquistas se estão de bike. Na Europa é o contrário. É uma mobilidade moderna e sustentável, que desafoga o trânsito e preserva o meio ambiente – constata o educador.

Alessandra, Elyandro, Joaquim Esteves e Márcia são parceiros de pedalada. Foto: Daniel Conzi.

Alessandra, Elyandro, Joaquim Esteves e Márcia são parceiros de pedalada. Foto: Daniel Conzi.

Bom pra você

Melhora o condicionamento físico
Previne doenças
Aumenta a força e a resistência muscular dos membros inferiores
Melhora o humor e a disposição
Em grupo, favorece a sociabilização (importante para estimular o exercício, em grupo motiva muito mais)

Bom pra todos

Baixo custo financeiro para os cofres públicos
Diminuição das mortes e mutilações no trânsito
Melhora do estado físico e psíquico dos cidadãos
Representa economia doméstica para as famílias
Preserva a qualidade de vida da cidade
Deslocamento individual autônomo
Reduz a poluição sonora e do ar

Fontes: Udesc, ViaCiclo (2008) e Sandro Lemos, personal trainer

OS GRUPOS

Bicicletada – Versão de Floripa do movimento nacional. Ciclopasseatas pela cidade que reivindica melhores condições para as bicicletas no trânsito, toda última sexta-feira do mês (www.bicicletada.org)

Floripa Bikers – promove pedaladas semanais para níveis iniciante, médio e avançado (www.floripabikers.com.br)

Saia de Bike - passeio ciclístico para mulheres, promovido pelo Ipuf em parceria com a ViaCiclo (www.viaciclo.org.br)

Fonte: ViaCiclo

PARA LER

Bicycle Diaries - David Bicycle Diaries – O ex-líder da banda Talking Heads, David Byrne, inspirou-se na magrela para lançar seu mais novo livro, Bicycle Diaries. Byrne vive em Nova York e declara fazer uso da bicicleta como principal meio de transporte. O livro reúne as observações do músico sobre o ciclismo nas diversas cidades do mundo por que passou, abordando moda, política, planejamento urbano, arquitetura, entre ou-ros temas. A publicação sairá em agosto no Reino Unido e setembro nos Estados Unidos

PERFIS DE CICLISTAS

ViaCiclo – a maioria dos associados têm entre 20 e 35 anos, nível superior, pedalam em média 50 km por semana por razões diversas e têm foco na bicicleta como meio de transporte

Ipuf (pesquisa realizada no Bairro Ingleses, na Capital) – Boa parte (35%) trabalha em empresa privada, tem segundo grau completo (45%) e usa bike para lazer (67%), compras (65%) e ir ao trabalho (36%)

- A bicicleta é o segundo meio de transporte mais usado pela população (65%), atrás do transporte público (82%)

- Pesquisa feita com homens e mulheres de 14 a 65 anos entre 18 a 20 de março de 2006

CICLOVIAS

Total em Floripa: 24.073 metrosIlha de Santa Catarina

Avenida Beira-Mar Norte e Via Expressa Sul (Costeira): 15.906 metros
Canasvieiras (Avenida das Nações): 1.202 metros
Ingleses: 2.105 metros
Avenida Hercílio Luz: 1.439 metros
Agronômica (Rua Frei Caneca): 2.821 metros
Itacorubi (SC 404): 600 metros

Em execução: 10.400 metros
Campeche (Avenida Pequeno Príncipe): 2.600 metros – só falta sinalização
Rio Tavares (SC 405): 1,2 mil metros – previsão de um mês para conclusão
Ponta das Canas (Avenida Luiz Boiteux Piazza): 2 mil metros – previsão para dois meses
Ribeirão da Ilha (Rodovia Baldicero Filomeno): 4,6 mil – previsão para o final do ano

Fonte: Secretaria Municipal de Obras de Florianópolis

Curiosidades

Cycle ChiDC 2009-08-02 fig.8c (www.copenhagencyclechic.com) – um movimento iniciado em Copenhagen, na Dinamarca, pelo blogueiro Mikael Colville-Andersen. Cineasta, jornalista e fotógrafo, desde 2007 ele publica fotos de pessoas estilosas andando de bicicleta. Escreveu um manifesto defendendo que o ciclismo deve ser encarado como algo natural e prático. Com preceitos sérios, poéticos e divertidos, o manifesto prega a preferência ao estilo e não à velocidade.

Museu da Bicicleta (www.museudabicicleta.com.br) – conhecida como a Cidade das Bicicletas, Joinville conta com um museu DC 2009-08-02 fig.9exclusivamente dedicado à magrela. É considerado o único do gênero na América do Sul, tem mais de 16 mil peças no acervo, com destaque para a vitrine de faróis composta por peças a partir do século 19, uma bicicleta Peugeot 1952 com aros de madeira, uma Durkopp 1934 equipada com eixo cardan (sem corrente), um riquixá indiano todo pintado à mão e uma Rivera 1956, projeto nacional, com suspensão sobre molas nas rodas dianteira e traseira, uma inovação tecnológica espetacular para o período. O museu fica no Complexo Ferroviário de Joinville, Bairro Atiradores, junto à Praça Monte Castelo, zona Sul da Cidade. Contato pelo telefone (47) 3455-0372 ou e-mail: museudabicicleta@terra.com.br.

Por Alícia Alão

Saiba mais:

Uma aliada da boa saúde e do ambiente – reportagem do Diário Catarinense fala sobre bicicleta, saúde, mobilidade urbana, cultura, legislação e dá dicas a quem quer se iniciar no ciclismo urbano.
Manual do Ciclista de Florianópolis – baixe aqui o guia “Pedalando em Florianópolis – Manual do Ciclista”.
Florianópolis ganha novas ciclovias – conteúdo do jornal laboratório Zero fala sobre as mais recentes obras executadas ou em andamento para melhorar a infraestrutura ciclística na capital catarinense.

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Reunião pode definir o futuro de ciclovia no Itacorubi

23 Julho 2009

O gabinete do vereador Márcio de Souza (PT-SC), de Florianópolis, convida a população da Bacia do Itacorubi para uma reunião ampliada em que serão debatidas as compensações e benefícios para a região em virtude da nova subestação das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc).

A reunião está marcada para acontecer às 19h na Escola Básica Padre Anchieta, situada à R. Rui Barbosa nº 525, na Agronômica (veja o mapa).

Mas o que isso tem a ver com os ciclistas, afinal?

É simples. Para interligar o sistema de energia elétrica dessa nova subestação ao sistema de transmissão e distribuição de energia nacional, cabos de alta tensão passarão por baixo da ciclovia, que será diretamente afetada e precisará ser refeita.

Acontece que a reconstrução da ciclovia, que ia ficar a cargo da Celesc, passou a ser responsabilidade da prefeitura. Apesar de a Celesc precisar danificar a ciclovia e o calçadão da Av. Beira-Mar Norte, ela não desembolsará centavo sequer para a sua reconstrução.

Itacorubi

Como forma de compensação, a Celesc prometeu construir 1200m de ciclovias no Itacorubi, conectando o final da ciclovia da Av. da Saudade à sua subestação Trindade, no bairro do Córrego Grande, passando pela SC-404 (Rodovia Admar Gonzaga), pelas avenidas Itamarati e San Marino e pelas ruas Vera Linhares de Andrade e Maestro Aldo Krueger (Fig.1).

Fig.1 - A ciclovia seguiria o caminho dos cabos subterrâneos, ligando a ciclovia da Av. da Saudade à ciclovia existente em frente ao campus da UDESC e, de lá, seguindo até a subestação Trindade, no bairro Córrego Grande.

Apesar de ter divulgado a construção dessa ciclovia (veja o folder), a Celesc, entretanto, parece que não pretende concretizá-la. Ao final da ciclovia da Av. da Saudade o que se observa é que as calçadas (também inclusas na compensação) já começaram a ser refeitas, enquanto a construção da ciclovia ainda não apresenta sinais de que seguirá em frente.

A presença de ciclistas e cicloativistas nessa reunião pode ajudar a mudar esse quadro, contribuindo para que, no futuro, a almejada ciclovia realmente exista.