Pedalada Pelada mostra que Florianópolis ainda está longe de atender às demandas dos ciclistas

Florianopolis 2014-03-08 WNBR v0

A terceira edição florianópolitana do World Naked Bike Ride, ou Passeio Ciclístico Mundial Sem Roupa, conhecido no Brasil como Pedalada Pelada ou Peladada, deverá acontecer na tarde deste sábado, 8 de março. A concentração para pintura dos corpos começará às 15h, na pista de skate da Trindade, em frente ao Shopping Iguatemi, com saída para pedalar às 19h.

A capital catarinense não será a única cidade brasileira a ter a sua edição no WNBR. Ainda hoje, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre irão se juntar a outras 30 cidades do mundo nas comemorações e provocações da data do WNBR para o Hemisfério Sul. São Paulo deve realizar a sua sétima edição no sábado que vem, dia 15.

Muito distante de fazer uma apologia ao sexo, o lema da Pedalada Pelada é “as bare as you dare” ou “tão nu quanto você ousar”. A nudez é a representação da fragilidade do corpo humano e passa uma mensagem clara: o ciclista é um componente bastante frágil no trânsito. Desmunido de air bags ou uma carroça metálica ao seu redor, o pedalante conta com muito pouco para se defender num país no qual, anualmente, mais de 50.000 pessoas morrem devido a “acidentes” nas ruas e rodovias.

A repetição dos mesmos motes, ano trás ano, parece pouco ter mudado (ainda) na vida do ciclista cotidiano em Florianópolis, demonstrando a inação e omissão também do poder público. Isso é relevante quando se relembra que este evento tem a proposta difusa de conscientização dos demais componentes do trânsito.

Se o respeito por parte dos motoristas parece estar aumentando ao longo dos últimos anos, parece ter sido mais obra dos próprios ciclistas e suas ações de rua do que de uma campanha de conscientização propriamente feita pelos órgãos do poder executivo. São os ciclistas que estão à frente também das campanhas com motoristas das empresas de ônibus. Tomaram a frente num vácuo inaceitável deixado pelos gestores após uma morte de ciclista por um coletivo e o surgimento de diversos relatos correlatos.

Em pleno Dia Internacional da Mulher, o que os ciclistas querem é uma pauta comum com o movimento feminista: fugir da opressão e se mostrarem como iguais. Neste caso, mostrarem o tamanho da desigualdade que se apresenta nas ruas, mas também o tamanho da desigualdade na hora dos gestores priorizarem obras. Avenida das Rendeiras, SC-401, SC-403, SC-405, Av. Paulo Fontes, R. Padre Rohr, Elevado do Rio Tavares, Elevado de Capoeiras, Elevado do Rita Maria, Elevado do Trevo da Seta e até mesmo a ciclovia da R. Ver. Osni Ortiga: todas são obras, conclusas, em andamento ou em projeto, na qual o ciclista e o pedalar foram desconsiderados em seus deslocamentos. Isso inclui até mesmo esta última, ciclovia da Lagoa da Conceição, cujo material impossibilitará a circulação adequada de patins, skates e patinentes e ainda, segundo informações de arquitetos apresentadas durante o Fórum Mundial da Bicicleta, prejudicar o coração do ciclista que por ela trafegar! Até uma obra de beleza cênica e voltada para o ciclista não foi pensada para a circulação sobre bicicleta.

Assim, deverão existir muitas outras edições da Pedalada Pelada para que os ciclistas possam fazer no WNBR um evento mais festivo e menos reivindicativo.

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Perante mulher ciclista, duas vezes mais respeito

Uma mensagem já tão antiga, da primeira edição da Pedalada Pelada de Florianópolis, em 2012, mas ao mesmo tempo ainda tão atual.

“Mulher & Ciclista 2x + Respeito”. Estampada nas costas de uma garota, a mensagem parece não ter ainda surtido o efeito esperado no comportamento de certos motoristas.

A cena foi fotografada por Fabiano Faga Pacheco.

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Imagens da Pedalada Pelada de Florianópolis 2013

A segunda edição Pelada de Florianópolis ocorreu neste sábado, 09 de março. Ciclistas tiraram a roupa como forma de protesto pela violência no trânsito, demonstrando a fragilidade do corpo humano. A primeira Pedalada Pelada de Florianópolis ocorreu neste sábado, 10 de março. Ciclistas tiraram a roupa como forma de protesto pela violência no trânsito, demonstrando a fragilidade do corpo humano.

O evento World Naked Bike Ride acontece em dezenas de cidades do mundo inteiro. Em março de 2013, em cerca de 70 cidades, a maioria do Hemisfério Sul, a metáfora de como os ciclistas se sentem desprovidos de proteção tomou conta das ruas. No Brasil, participaram São Paulo, Florianópolis e Porto Alegre.

Seguem abaixo links para fotos.

Anderson Pinheiro / Futura Press/Terra (20 a 21)

Alvarélio Kurossu / Agencia RBS/Diário Catarinense

Caniggia / Bicicleta na Rua

Clarice Araujo Cheuiche / Floripa Quer Mais

Eduardo Valente / Futura Press/Terra

Fabiano Faga Pacheco / Bicicleta na Rua

Fabricio Escandiuzzi / Terra (27 a 30)

Felipe Zuri

Pedro Caetano / Coletivo Sem Fronteiras

Thiago Skárnio / SARCASTiCOcomBR

Milhares de pessoas apoiaram a passagem da Pedalada Pelada pelas ruas de Florianópolis

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Texto: Fabiano Faga Pacheco. Fotos: Caniggia.

A passagem dos ciclistas pelas ruas de Florianópolis rendeu grande apoio da população em geral, que acompanhou, das sacadas, janelas e mesas de bares, a passagem dos cerca de 100 ciclistas que participaram da segunda edição catarinense do World Naked Bike Ride ou “Passeio Ciclístico Sem Roupa”, também chamado de Pedalada Pelada ou Peladada.

Apesar das chuvas fortes que caíram ao longo de todo o dia, chegando, inclusive, a ser anunciado que o evento seria adiado, desde o começo da concentração, às 18h, os ciclistas compareceram ao ponto de encontro, na pista de skate da Trindade. Camisetas e bermudas eram logo retiradas para dar espaço a frases como:

Gaste calorias, não gasolina

Sinto-me assim todo dia

Respeito ao corpo e ao pedal

+ Amor – Pudor

Só assim você me vê!

Sua pressa vale 1 vida?

[Bicicleta] não polui

Às 20h, os ciclistas sairam e foram pela Av. Madre Benvenuta, passando pela bicicleta-fantasma em homenagem ao ciclista falecido José Lentz Neto. Na volta, passaram também pelo Shopping Iguatemi, onde fizeram uma série de protestos, aos gritos de “Ô Iguatemi, cadê a ciclovia?”, em referência à pista ciclável que deveria ter sido construída na Av. Madre Benvenuta há 6 anos.

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Durante todo o percurso, que passou pelos bairros Santa Mônica, Itacorubi, Trindade, Agronômica e Centro, a pedalada chamou a atenção. Sob olhares curiosos e aplausos, os ciclistas convidavam os moradores a participarem. “Você aí parado, vem pedalar pelado!”, entoavam em coro.

A nudez, presente em dezenas de corpos a girar os pedais, não continha nenhum apelo à sexualização presente na sociedade brasileira. Segundo os participantes, o estar pelado representava uma metáfora de como os ciclistas se sentiam cotidianamente no trânsito: frágeis, sem proteção, contando apenas com seus corpos na batalha desigual em que se transformou o trânsito nas cidades de grande e médio porte de Santa Catarina.

Tanto em áreas residenciais quanto comerciais, diversas câmeras e celulares eram vistos nas mãos. Meninas, mulheres, homens, jovens, pessoas mais velhas, foram comuns os manifestos de apoios, os braços erguidos, os olás nas faces ou nas pontas dos dedos.

As bicicletas erguidas em meio à R. Altamiro Guimarães, esquima do Beiramar Shopping, sob os olhares atentos dos bares do entorno, consistiram no momento apoteótico desta edição do World Naked Bike.

A Polícia Militar, que acompanhou de longo todo o evento, não encontrou problemas com a Pedalada Pelada. A utilização das ciclofaixas da Agronômica, Bocaiúva, Almirante Lamego e Duarte Schutel, estas duas últimas recém-construídas, merece destaque, bem como a passagem pela histórica Travessa Ratclif. O retorno até o local da concentração utilizou-se de uma faixa da marginal da Av. Beira-Mar Norte, chamando muita atenção dos motoristas, que buzinavam constantemente em demonstração de apoio.

Bicicletário do CIC

A passagem pelo Centro Integrado de Cultura (CIC) rendeu pedidos de “Bicicletário! Bicicletário!”. Os poucos paraciclos disponíves estão em um local considerado ruim e inseguro, além de ter um modelo inadequado “entorta-roda”.

TITRI

O ponto negativo da Pedalada Pelada ocorreu devido a um não-ciclista. Na saída do Terminal de Integração Trindade (TITRI), um dos vigias terceirizados agrediu uma moça que pedalava, antes de tacar o cassetete em outro participante e declamar palavras de baixo calão, agredindo verbalmente e fisicamente outros participantes. Nenhuma das palavras foi dirigida nem à bicicleta e tampouco à nudez, consistindo em ato impróprio num serviço público por motivo fútil. Quatro participantes devem registrar a ocorrência nesta terça-feira, além de comunicarem, na segunda-feira, a Secretaria Municipal de Transportes, Mobilidade e Terminais e a Companhia Operadora dos Terminais de Integração (COTISA). De acordo com o procedimento padrão, o funcionário, citado por moradores da Trindade como o mesmo que agride os mendigos da região, deve ser afastado do convívio público por dois meses, passar por curso de reciclagem e, em caso de nova infração, deixar de prestar o serviço nos terminais de transporte coletivo.

Percurso

Os ciclistas pegaram a Av. Madre Benvenuta (bairros Trindade, Santa Mônica, Itacorubi) e retornaram por ela até a R. Prof. Henrique da Silva Fontes, adentrando a R. Santa Mônica, R. Pedro Lessa (Santa Mônica), dando volta no Shopping Iguatemi, retornando à  Av. Madre Benvenuta e passando por R. Lauro Linhares (Trindade), R. Delminda Silveira, R. Rui Barbosa, R. Frei Caneca, R. Heitor Luz (Agronômica), R. Bocaiúva, R. Almirante Lamego, R. Duarte Schutel, R. Hoepcke, R. Conselheiro Mafra, R. Francisco Tolentino, R. Deodoro, R. felipe Schmidt, Praça XV de Novembro, R. João Pinto, Trav. Ratclif, R. Tiradentes, Praça XV de Novembro, R. dos Ilhéus, R. Visconde de Outro Preto, Praça Getúlio Vargas, Av. rio Branco, R. Almirante Alvim, R. Vitor Konder, R. Altamiro Guimarães, Av. Jornalista Rubens de Arruda Ramos, Av. Mauro Ramos, R. Germano Wendhausen, R. Altamiro Guimarães, com o levante de bicicletas, Av. Jornalista Rubens de Arruda Ramos (Centro), R. Comandante Constantino Nicolau Spyrides, R. Delminda Silveira, R. Antônio Carlos Ferreira, Av. Governador Irineu Bornhausen (Agronômica), Av. Prof. Henrique da Silva Fontes, TITRI, R. Iracema Nunes da Silva,  R. Prof. Milton Roque Ramos Krieger, R. Lauro Linhares e Av. Madre Benvenuta (Trindade), totalizando cerca de 25km.

Obstáculos ao pedal

Foi grande o número de pneus furados nesta edição da Pedalada Pelada. No total, foram cinco câmaras trocadas durante o evento, quase todas nos primeiros cinco quilômetros. Os participantes aguardaram até que todas estivessem trocadas para prosseguir. Ao chegar em casa, outras pessoas também relataram problemas com pneus vazios. A situação do espaço público após as chuvas e as garrafas jogadas às ruas são apontados como os principais fatores para tantos obstáculos ao pedalar.

Mandalas

Mania surgida em Curitiba e disseminada em São Paulo, as mandalas, quando ciclistas ficam girando em torno de uma rotatória, parece ter chegado em Florianópolis para ficar. Uma das cenas mais impactantes para quem acompanhava dos prédios foi a mandala feita no cruzamento da R. Lauro Linhares com a Av. Madre Benvenuta. A mandala durou cerca de 40s.

Saiba mais:

A Pedalada Pelada e a lei

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Confira como foi a primeira edição da Pedalada Pelada de Florianópolis:

Pedalada Pelada leva bom humor às ruas de Florianópolis na busca por respeito no trânsito
Fotos da Pedalada Pelada de Florianópolis
Charge – Pedalada Pelada
Divulgação da Pedalada Pelada no Jornal Notícias do Dia
Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (III)
Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (II)
Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (I)
Ciclistas realizam a primeira edição da Pedalada Pelada em Florianópolis

Veja também como foi a primeira Pedalada Pelada de Porto Alegre:

Ciclistas tiram a roupa em Porto Alegre em protesto contra a violência no trânsito

Pedalada Pelada permanece confirmada em Florianópolis

A segunda edição do World Naked Bike Ride, também chamado de Pedalada Pelada ou Peladada, permanece confirmado para este sábado, 09 de março, na capital catarinense.

Recentemente, a rede de notícias ClicRBS chegou a noticiar o adiamento da edição catarinense da pedalada em seu site:

Atenção: devido à chuva intensa que caiu em Florianópolis neste sábado, a Pedalada Pelada foi adiada. Ainda não há informações sobre novas datas para realização do evento.

Apesar disso, Florianópolis, bem como Porto Alegre e São Paulo, irão se juntar a dezenas de cidades do Hemisfério Sul para participar do World Naked Bike Ride.

O evento permanece confirmado no Facebook

Embora leve o nome de Pedalada Pelada, a nudez não é obrigatória. O lema é “as bare as you dare” ou “tão nu quanto você ousar”. A ausência de roupas serviria para escancarar a falta de segurança do ciclista no trânsito. Como não estão protegidos por armaduras, as carrocerias de metal dos automóveis, eles pedem urgência quanto ao respeito no trânsito, para que a convivência nas ruas seja pacífica e não resulta em acidentes que, invariavelmente, afetem aqueles que são menos protegidos: os ciclistas e pedestres, nus ou com uma fina camada de roupa.

Florianopolis 2013-03-09 WNBRArte: João Ricardo Lazaro

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A Pedalada Pelada e a lei

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Fotos da Pedalada Pelada de Florianópolis
Charge – Pedalada Pelada
Divulgação da Pedalada Pelada no Jornal Notícias do Dia
Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (III)
Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (II)
Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (I)
Ciclistas realizam a primeira edição da Pedalada Pelada em Florianópolis

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Ciclistas tiram a roupa em Porto Alegre em protesto contra a violência no trânsito

Divulgação da Pedalada Pelada no Jornal Notícias do Dia

A matéria abaixo foi originalmente publicada na edição on line do Jornal Notícias do Dia no dia 09 de março de 2012. Você também pode ler a matéria no site do ND aqui ou aqui.

Ciclistas tiram a roupa neste sábado (10) em busca de segurança no trânsito

A Peladada Floripa faz parte de um movimento mundial que busca mais segurança para quem prefere a bicicleta para se locomover na cidade

Ciclistas da Capital se mobilizam neste sábado (10) para a Peladada Floripa, versão local para o WNBR (World Naked Bike Ride). Os manifestantes devem tirar a roupa e pedalar pela Beira-mar Norte, a partir das 19h, com saída da pista de skate em frente ao shopping Iguatemi. O objetivo é buscar mais segurança no trânsito. O WNBR acontece em todo o mundo e no hemisfério Sul se realiza no dia 10 de março, em diversas capitais brasileiras.

“Nus é como nos sentimos, nesse trânsito violento, cheio de pessoas vestidas com armaduras de 1t de metal, com cintos e air-bags. Nós só temos o próprio corpo e uma frágil bicicleta, no máximo luvas e capacete, assim como seres vivos merecemos ser respeitados e cuidados pelos que estão mais protegidos”, dizem os adeptos do movimento por meio de evento público divulgado no Facebook.

Emanuelle Gomes

Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (III)

A edição impressa do Diário Catarinense também fez menção à Pedalada Pelada realizada em Florianópolis no último dia 10 de março, mas de maneira mais tímida do que na mídia digital.

A coluna Visor, de Rafael Martini, no dia 10 de março de 2012, dizia:

Pedalada Pelada!

Neste sábado será realizada a primeira edição do World Naked Bike, ou Pedalada Pelada, em Florianópolis.

A manifestação, que acontece no mundo inteiro, pede mais segurança no trânsito e mais espaço para os ciclistas no planejamento urbano das cidades. A concentração da Pedalada Pelada começa às 18h na pista de skate da Trindade, em frente ao shopping Iguatemi. Às 19h começa o passeio pelas ruas de Florianópolis.

Veja aqui no site do DC e aqui em PDF.

Na mesma edição, apareceu a charge do Armandinho, do cartunista Alexandre Beck, na pág. 6 do caderno Variedades (veja em PDF).

Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (II)

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição on line do periódico Diário Catarinense em 09 de março de 2012 (às 15h42). Você pode vê-la no site do DC aqui.

Protesto

Ciclistas realizam a primeira edição da Pedalada Pelada em Florianópolis neste sábado, a partir das 18 horas

Versão brasileira do World Naked Bike Ride (WNBR) pretende mostrar que nada protege os ciclistas. Foto: Reprodução/Facebook.

Veja o vídeo da última manifestação realizada na terça-feira, dia 6

Neste sábado será realizada a primeira edição do World Naked Bike ou Pedalada Pelada em Florianópolis. A manifestação que acontece no mundo inteiro pede mais segurança no trânsito e mais espaço para os ciclistas no planejamento urbano das cidades.

Na última terça-feira aconteceu uma Bicicletada Nacional, realizada em 38 cidades do Brasil, protestando contra a morte de cinco ciclistas na sexta-feira dia 2. Em Florianópolis cerca de 120 pessoas participaram sob a lua cheia do protesto que encheu as ruas da Trindade, Córrego Grande, Itacorubi e Santa Mônica de sininhos de bicicleta e gritos de “mais bicicleta e menos carro”.

Veja abaixo um vídeo da manifestação que dá uma ideia de como será o evento do sábado. A diferença, como o nome da manifestação já diz, é que no sábado os ciclistas estarão nus, com roupas de banho ou similares, simbolizando como o ciclista se sente nu no trânsito quando sem segurança.

A concentração da Pedalada Pelada começa às 18 horas na pista de skate da Trindade, em frente ao shopping Iguatemi. Às 19 horas começa o passeio pelas ruas de Florianópolis.

Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (I)

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição on line do periódico Diário Catarinense em 08 de março de 2012 (às 22h56). Você pode vê-la no site do DC aqui.

Peladada na Capital

Versão brasileira do World Naked Bike Ride (WNBR) pretende mostrar que nada protege os ciclistas. Foto: Reprodução/Facebook.

Ciclistas pelados devem fazer manifestação neste sábado em Florianópolis

Trajeto começa na pista de skate em frente ao shopping Iguatemi, na avenida Beira-Mar Norte

Depois de uma manifestação com bigodes e da bicicletada em luto pela morte de cinco ciclistas, a próxima pedalada contra a falta de segurança no trânsito será mais ousada: a Peladada. Neste sábado, a partir das 19h, os ciclistas devem protestar nus sobre duas rodas em Florianópolis. O trajeto começa na pista de skate em frente ao shopping Iguatemi, na avenida Beira-Mar Norte.

Na Capital, o movimento é incentivado pelo coletivo Bicicletada Floripa, que criou um evento público no Facebook para divulgar a ação e convocar novos adeptos. Até o momento, 168 confirmaram presença.

O objetivo da versão brasileira do World Naked Bike Ride (WNBR) pretende mostrar que nada protege os ciclistas “nesse trânsito violento cheio de pessoas vestidas com armaduras de uma tonelada de metal, com cintos e air-bags”, como esclarece um dos informativos na rede social. O evento deve acontecer no segundo sábado de março em várias cidades de todo o país.

Dicas para os pelados

Quem não se sente confortável nu também pode ir de roupa íntima, biquíni/sunga ou vestido. Em alguns locais, os participantes fazem pinturas corporais.

Outra alternativa é usar máscara para não identificar o rosto. Para aqueles que farão nu completo o ideal é levar uma toalhinha para limpar e forrar o selim. Os ciclistas também são orientados a se informar sobre seus direitos — legislação sobre ato obsceno em espaço público ou atentado violento ao pudor.

Diversos protestos que envolvem nudez viraram caso de polícia. O ato obsceno é tratado de forma bastanta subjetiva no Código Penal, dando brecha a interpretações. O artigo 233 diz que o crime de ato obsceno consiste em “praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público”.

Outras manifestações

Na última terça-feira, cerca de 120 ciclistas participaram do movimento Hoje tem Bicicletada Nacional,  na Capital. A manifestação ocorreu em 38 cidades do Brasil e quatro de Santa Catarina: Florianópolis, Itajaí, Balneário Camboriú, Timbó.

O ato foi organizado para protestar contra a morte de cinco ciclistas na última semana. Uma das vítimas foi Matheus Duarte Mueller, de nove anos, atropelado no SC-418, em Pomerode.

Com bigodes naturais, postiços ou pintados, um grupo com cerca de cem ciclistas saíram da Beira-Mar Norte e do Sul da Ilha em uma mobilização a favor da ciclovia na SC-405, em novembro do ano passado. Geralmente, o grupo se reúne na última sexta-feira do mês para divulgar a bicicleta como meio de transporte e buscar condições adequadas para o seu uso nas cidades.

Confira as fotos dos ciclistas de bigodes

Roberta Ávila

Charge – Pedalada Pelada

A charge acima foi publicada no Diário Catarinense em 12 de março de 2012 (pág. 3). A autoria dela é de Zé Dassilva.

Ela pode ser vista também através deste link.

[Nota do editor: "banco da bicicleta" = "selim"; infelizmente não há - ainda - instituição bancária criada por um objeto inanimado que não polui nem congestiona].

Saiba mais:

Fotos da Pedalada Pelada de Florianópolis

Pedalada Pelada leva bom humor às ruas de Florianópolis na busca por respeito no trânsito

Ciclistas realizam a primeira edição da Pedalada Pelada em Florianópolis

Veja também:

Charge – Pedalando com segurança na SC-401
Charge – Ponte Hercílio Luz: Um dia ela cansa de esperar

Charge – Ano novo, problema velho
Charge – Na inauguração da ciclofaixa de lazer…
Charge – Dia Mundial Sem Carro
Charge – Semana Mundial Sem Carros
Charge – Acessibilidade

Charge – Fins do mundo

(Charges) Atropelamento da Massa Crítica de Porto Alegre

(Charges) Ciclista Noel

Charge – A Faixa de Gaza é mais segura que a faixa de pedestres

Charge – É só não usar como um selvagem!

Charge – Na Ressacada, só de bicicleta

Charge – Não chegue antes na escola, filho!

Charge – Assim caminha o transporte em Florianópolis

Charge – A Ilha tá afundando

Fotos da Pedalada Pelada de Florianópolis

A primeira Pedalada Pelada de Florianópolis ocorreu neste sábado, 10 de março. Ciclistas tiraram a roupa como forma de protesto pela violência no trânsito, demonstrando a fragilidade do corpo humano. Seguem abaixo links para fotos.

Caniggia / Bicicleta na Rua

Carine Bergmann / Portal Sul Notícias (atualmente indisponível)

Charles Guerra / Agencia RBS/Diário Catarinense

Circuito Fora do Eixo

Eduarto Valente / Photo Press

Fabiano Faga Pacheco / Bicicleta na Rua

Fabrício Escandiuzzi / Terra

Marco Dutra / UOL

Merlim Miriane Malacoski / Cotidiano/UFSC

Roney G. Pereira

Viviane Lima Ferreira / Subversivos

Atualizado em 11 de março de 2013, às 3h13min.

Pedalada Pelada leva bom humor às ruas de Florianópolis na busca por respeito no trânsito

Mais de 150 ciclistas participaram na capital catarinense do World Naked Bike Ride.

Texto: Fabiano Faga Pacheco. Fotos: Caniggia.

A primeira edição da Pedalada Pelada ou Peladada, versão brasileira do World Naked Bike Ride (ou Passeio Ciclístico Mundial Sem Roupa, em tradução livre), que aconteceu em dezenas de cidades do mundo nesta quarta-feira, 10 de março, levou centenas de pessoas às ruas de Florianópolis. Entre as principais reivindicações dos ciclistas, estão o respeito pela bicicleta como componente do trânsito e a implantação de ciclovias seguras em Florianópolis.

A concentração começou por voltas das 18h, na pista de skate da Trindade. Aos poucos os ciclistas foram chegando. Até o horário da saída, muitos despiram suas vestes e ficaram em roupa de baixo. Rapazes sem camisa ou apenas de cueca ou sunga foi uma cena nem um pouco incomum na primeira edição da Pedalada Pelada de Florianópolis. Tintas foram disponibilizadas e os ciclistas pintaram em seus próprios corpos frases como:

Queime calorias, não gasolina

Só assim você me vê

Minha insegurança = minha nudez

Sou frágil. Respeite!

Emissão Zero

Assim você me mata [de carro]

Cerca de 300 pessoas, entre ciclistas, curiosos e jornalistas apareceram na concentração. Às 19h30, ao menos 165 ciclistas seguiram pelo trajeto, que incluiu bairros da Bacia do Itacorubi e Centro. Após percorrerem Santa Mônica, Itacorubi e Córrego Grande, os ciclistas foram recepcionados com entusiasmo na UFSC, onde ocorria o festival musical Grito Rock. No caminho pela Trindade, Agronômica e Centro, houve interação com os moradores, motoristas, frequentadores de bares e usuários que esperavam pelo transporte coletivo, que acenavam manifestando maciço apoio aos ciclistas.

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Frases como “Mais bicicletas, menos carros” e “Você aí parado, vem pedalar pelado!” deram o tom das cantorias. Mais de 95% dos ciclistas estava menos vestido do que quando chegou à concentração, vários com bundas e/ou seios de fora, sendo que uns 10% em algum momento ficaram completamente nus, simbolizando a fragilidade do ciclista, que conta apenas com o próprio corpo, desprovido de lataria e de air bags.

Henrique Aguiar levou o filho João Guilherme para a pedalada pelada. Para ele, o evento superou suas expectativas. Acha importante desde já mostrar ao filho que a bicicleta é um meio de transporte na cidade e que o ciclista merece ser respeitado.

O percurso teve cerca de 25km, percorridos em duas horas.

Trajeto

O trajeto cíclico passou por Av. Madre Benvenuta (Santa Mônica), Rod. Admar Gonzaga (Itacorubi), R. Vera Linhares de Andrade, R. João Pio Duarte Silva (Córrego Grande), R. Delfino Conti (UFSC), R. Lauro Linhares (Trindade), R. Delminda Silveira, R. Rui Barbosa, R. Frei Caneca (Agronômica), Av. Mauro Ramos, R. Germano Wendhausen, R. Altamiro Guimarães, R. Bocaiúva. Av. Prof. Othon Gama D’Eça, Av. Pref. Osmar Cunha, R. Jerônimo Coelho, R. Felipe Schmidt, R. Arcipreste Paiva, R. Conselheiro Mafra, R. dos Ilhéus, R. Anita Garibaldi, Av. Hercílio Luz, Av. Mauro Ramos. Av. Jornalista Rubens de Arruda Ramos/Beira-Mar Norte (Centro), R. Cmte. Constantino Nicolau Spyrides, R. Delminda Silveira (Agronômica), R. Lauro Linhares, Av. Madre Benvenuta e Av. Prof. Henrique da Silva Fontes (Trindade) e R. Pedro Lessa (Santa Mônica).

Obras não saem do papel

As promessas para os ciclistas acumulam-se, sem, entretanto, observar-se a sua execução. A ciclovia da Lagoa da Conceição, na R. Ver. Osni Ortiga, obteve, semana passada, a licença ambiental prévia para a sua execução, após quase 3 anos de espera. O dinheiro foi assegurado em dezembro de 2011 e virá do Ministério das Cidades.

Prometida na última campanha eleitoral, a ciclovia de Coqueiros, objeto, inclusive, de estudos internacionais, não tem previsão alguma de sair do papel. A mesma coisa se pode afirmar da outra promessa de campanha, a ciclovia circum-universitária, margeando a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dentro da UFSC, estudos estão sendo feitos pela AH8 Projetos Cicloviários para estruturas cicloviárias no próprio campus da universidade.

Encontra-se a 3 semanas parada na Diretoria de Licitações e Contratos da Secretaria Municipal de Administração e Previdência o edital de licitação das bicicletas públicas de Florianópolis.Após o descaso do superintendente do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), José Carlos Rauen (PMDB), que atrasou em 45 dias o processo licitatório, o Floribike sairá pela Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável.

As três passarelas para pedestres que não foram feitas quando do aterro das baías norte e sul também ficarão para depois. A prefeitura não obteve verbas totalizando R$6 milhões de reais por não possuir projetos técnicos dessas obras. O pior dos casos vem da passarela do Rita Maria. Com a inauguração do novo elevado no local, o Carl Hoepcke, cuja construção não incluiu acessos a pedestres e ciclistas, estes agoram correm muito mais perigo na travessia de pistas. No começo do mês, frequentadores de clubes de remo fizeram manifestos que não serão atendidos pelo governo municipal.

Ciclistas realizam a primeira edição da Pedalada Pelada em Florianópolis

Não precisa tirar a roupa para participar. Além da capital catarinense, São Paulo também vai participar da Peladada, junto com mais de 30 cidades do mundo.

Muitas vezes desapercebidos no trânsito caótico de Florianópolis, os ciclistas prometem chamar bastante atenção neste sábado. E de uma maneira ainda inédita na cidade: em vez das já tradicionais roupas esportivas dos grupos que toda noite pedalam pelas ruas, nada. Ou, se preferir, usando cuecas ou calcinhas e sutiãs. Ou ainda sungas e biquínis. Ou mesmo coberto dos pés à cabeça. Esse deve ser o tom a Pedalada Pelada ou Peladada que colocará Florianópolis entre as cidades participantes da manifestação mundial World Naked Bike Ride (Passeio Ciclístico Sem Roupa, em tradução livre).

A ideia é mostrar como os ciclistas são frágeis no trânsito, não possuindo armaduras, air bags ou lataria que os proteja, O lema “as bare as you dare” ou “tão nu quanto você ousar”, além de demonstrar que a nudez é opcional, incentiva as pessoas a se despirem tanto quanto se sentem inseguras nas ruas, Os participantes dizem: “Nus, é assim que nos sentimos no trânsito”. A exibição do corpo, muito antes de querer  sensualizar o protesto, mostra justamente como o ciclista se sente no dia a dia, sendo uma alusão à sua perenidade e fragilidade, além da liberdade, interação e convivência proporcionada por um modal que te permite ver o mundo de uma outra maneira, sentindo na pele as intempéries do tempo e a pressa e falta de cautela de maus motoristas.

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Tire suas dúvidas

A saída será da pista de skate da Trindade, em frente ao Shopping Iguatemi, por volta das 19h, em roteiro decidido na hora pelos participantes. O ritmo da pedalada será leve, para possibilitar o acompanhamento por qualquer pessoa. Às 18h, tem início a concentração, no qual, além de socializarem entre si, deverá haver pinturas de corpos, máscaras e faixas, tornando lúdico e interativo para quem acompanhar os ciclistas passando pelos bares, prédios e calçadas.

Legalidade

A exibição do corpo per se não se configura em crime ou infração, sendo, para efeitos da Pedalada Pelada, não consagrada como “atentado ao pudor”. O artigo abaixo foi escrito por um advogado. Ainda assim, na remotíssima hipótese de isso acontecer, há um tutorial jurídico disponível para quem quiser se inteirar mais sobre o assunto.

A Pedalada Pelada e a lei

No Brasil e no mundo

Os primeiros protestos ciclísticos sem roupa ocorreram em 2001 em Saragoça (Zaragoza), na Espanha, ocorrendo em anos subseqüentes de forma independente no Canadá e na Espanha. A partir de 2004, houve uma articulação internacional e já neste ano 19 cidades aderira ao protesto. Atualmente, há uma data sugerida para o WNBR nas cidades do Hemisfério Sul e outra para as do Hemisfério Norte, embora algumas localidades o realizem ainda em outro período.

Neste sábado, 33 cidades devem ter a sua Peladada. No Brasil, além de Florianópolis, está confirmada a participação de São Paulo pela quinta vez consecultiva. Lá, a concentração para a pintura de corpos começa às 18h, na Praça do Ciclista, esquina da Av. Paulista com a R. da Consolação, com saída prevista para as 20h. Não se tem notícia da terceira edição de Brasília.

As primeiras cidades do país a realizarem uma Pedalada Pelada foram São Paulo e Curitiba, no ano de 2008. Em 2009, além de São Paulo, houve participação brasileira em Aracaju e Brasília, sendo nesta última o feito repetido em 2010.

Neste ano ao todo mais de 170 cidades devem aderir ao World Naked Bike Ride,

Charge

A tira abaixo, criada pelo Alexandre Beck especialmente para a Pedalada Pelada de Florianópolis deste ano (e publicada no Diário Catarinense de 10 de março de 2012), mostra um ilustre participante (literalmente ilustrado) que deve pintar por lá: o Armandinho!

Boa ação

Além da primeira Pedalada Pelada de Florianópolis, sábado terá mais uma edição do Projeto Novos Horizontes, parceria entre ciclistas e a ACIC – Associação Catarinense para a Integração do Cego, que promove inserção social do deficiente visual através dessa atividade física. A pedalada sairá às 8h30 da Della Bikes, na R. Juvêncio Costa nº 269, na Trindade.

Saiba mais:

Ciclistas pelados devem fazer manifestação neste sábado em Florianópolis – Diário Catarinense

Veja também:

Ciclistas tiram a roupa em Porto Alegre em protesto contra a violência no trânsito

Ciclistas pelados pela vida

Ciclistas tiram a roupa em Porto Alegre em protesto contra a violência no trânsito

Manifestação marca um ano do atropelamento de 17 pessoas durante a Massa Crítica.

Centenas de ciclistas reuniram-se neste sábado, 25 de fevereiro, em Porto Alegre, para manifestarem seus sentimentos, desejos e expressões ocasionados pelo atropelamento de 17 ciclistas da Massa Crítica local, há exato um ano.

Os ciclistas sairam, em sua maioria, da Usina do Gasômetro, seguindo para o Largo Zumbi dos Palmares antes de chegarem ao local em que o motorista Ricardo Neis jogou o seu carro contra o grupo, que pedia menos violência no trânsito.

Neste local, à Rua José do Patrocínio, velas foram acesas e, mesmo sob forte chuva, os ciclistas ficaram reunidos para ouvir canções tais como “Bestafera“, “Moral” e “Invasão das bicicletas”, do músico de Curitiba Ademir Antunes, mais conhecido como Plá.

Num momento de comoção, várias pessoas foram ao microfone para falar de seus sentimentos acerca do ocorrido. Um dos jovens atingidos contou que até hoje tem que lidar com os efeitos psicológicos advindos do atropelamento. Reinou a indignação com a demora no andamento do processo. A prefeitura municipal de Porto Alegre também foi alvo de críticas por não ter realizado estudos para a implantação de um sistema cicloviário integrado na cidade. Apesar de largas avenidas, Porto Alegre possui hoje menos de 8km de faixas para os ciclistas.

Pelados na chuva

A chuva de hoje fez alguns se recordarem da chuva que caiu há um ano, lavando do asfalto o sangue derramado dos inocentes. A mesma chuva que lava a alma e permite que purificados sigamos em frente.

Depois de uma hora no local do incidente, 126 ciclistas fizeram a primeira Pedalada Pelada de Porto Alegre. De cueca, sutiã, bermuda de ciclismo ou mesmo vestidos, os lemas “as bare as you dare” (tão nu quanto você ousar) e “nus, é assim que nos sentimos no trânsito” ditaram o clima, com a expressão da insegurança estampada nos corpos de cerca de 80% dos ciclistas.

Entre gritos de “Você aí parado! Vem pedalar pelado!” e “Mais bicicletas, menos roupas”, os ciclistas ocuparam as ruas do centro, ocasionando perplexidade entre os motoristas, pedestres e usuários de ônibus, que viam a inusitada manifestação com ares de curiosidade e ludicidade.

Não houve escolta da Empresa Pública da Transporte e Circulação (EPTC) e, a duas quadras do final da pedalada, no Largo Zumbi dos Palmares, a Brigada Militar tomou conhecimento, mobilizando rapidamente outras 3 viaturas e algumas motos.

Não se teve registro de incidentes maiores.

Saiba mais:

De alma lavada

A Pedalada Pelada e a lei

O artigo abaixo tem caráter meramente opinativo.

Nem toda nudez será castigada

A PM impediu a Pedalada Pelada deste ano. A justificativa do major Senaubar é risível: “Aqui não é Sambódromo. Não estamos no carnaval. Se alguém mostrar o bumbum, pode ser detido”.

“Bumbum”… É sintomático que o major utilize termos infatilizantes. Apenas uma concepção autoritária e paternalista de Estado justificaria as dezenas de PMs reunidos para defender a população inocente dos cem ciclistas malvados que queriam subverter a ordem com suas pálidas bundas – ou devo dizer “popôs”?

Não por acaso a ameaça de prisão feita pelo membro da PM tem fundamento no crime de ato obsceno, previsto no código penal de 1940 do então ditador Getúlio Vargas. Diz o artigo 233 do código: “Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público: Pena – detenção, de três meses a um ano, ou multa”.

Mas o que é “ato obsceno”? A lei, como qualquer um pode perceber, é absurdamente vaga e serve de cheque em branco para os juízes de moralidade mais sensível. O crime deve ter seus contornos bem delineados a fim de que o cidadão saiba quais seus limites, e isso é tanto mais verdadeiro porque uma condenação pode afetar gravemente a vida do indivíduo.

O major deu voz ao senso comum quando disse que nudez tem lugar e hora marcada – ficar nu no metrô às 8 da manhã não é razoável. No entanto, faltou-lhe bom senso em imaginar que os ciclistas ferem o pudor da sociedade com sua bicicletada. Eles participaram de uma manifestação pacífica, como outros milhares de ciclistas no resto do mundo, e despem-se para chamar a atenção, como forma de estratégia política legítima. Qual o perigo que algumas genitálias balançando sobre bicicletas oferecem aos costumes e ao pudor do país que, algumas semanas antes, parara para assistir corpos nus desfilarem em sambódromos (espaços públicos, mantidos com dinheiro público), como bem lembrou o oficial da PM? Como se pode falar em ofensa à moralidade se jornais publicaram fotos dos ciclistas seminus?

Situação semelhante já passou pelo Supremo Tribunal Federal: o diretor de teatro Gerald Thomas fora acusado de cometer ato obsceno por ter mostrado a bunda e simulado masturbar-se após receber vaias. Os membros da mais alta corte brasileira – ainda que em decisão apertada – entenderam que o contexto do suposto ato obsceno não ensejava ofensa ao pudor público. Ora, o contexto da pedalada pelada tampouco permite presumir obscenidade!

Parece ser um caso clássico de sopesamento de valores constitucionais: há dano à moralidade pública ou à liberdade de expressão, de reunião e locomoção? Sendo evidente a resposta, não haveria crime, seja porque não há tipicidade material, seja porque se exerce regularmente o direito de reunião e manifestação.

Assim, qualquer associação de ciclistas, de proteção aos direitos civis ou a própria defensoria pública estadual poderia promover um hábeas corpus coletivo preventivo, antes da realização da próxima edição do evento em 2010, a fim de impedir que as autoridades públicas desperdicem dinheiro do contribuinte com o cerceamento de direitos constitucionais dos cidadãos-ciclistas. Em opção mais conservadora e menos heterodoxa, os manifestantes poderiam eles mesmos impetrar hábeas corpus, individualmente, já que o HC não exige advogado.

Mas e se não for concedida a ordem pelo judiciário? O corajoso ciclista terá pouco a temer: ainda que o flagrante autorize que PMs conduzam o ciclista coercitivamente a juizado ou delegacia, a prisão só ocorrerá se o ciclista recusar-se a comparecer, em um outro dia, perante o magistrado.

O texto da lei é bastante claro: “Ao autor do fato [o ciclista] que, após a lavratura do termo, for imediatamente encaminhado ao juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança” (JEC: 69, par. único), ou seja: os PMs podem levar os ciclistas para o juizado ou autoridade policial e relatar o ocorrido em um termo circunstanciado (relatório do PM sobre o flagrante), mas NÃO podem prender o ciclista se ele se comprometer, por escrito, a aparecer noutra oportunidade.

O pior já passou. Esse termo circunstanciado não “suja ficha” ou aparece em folha de antecedentes. Daqui em diante, caberá ao Ministério Público encaminhar o processo, podendo pedir sua suspensão se o ciclista nunca tiver sido condenado criminalmente nem tiver processo criminal correndo contra ele. Se ficar comprovado que o acusado não oferece risco algum à sociedade, nem outro processo criminal for instaurado contra o acusado nesse período, o processo termina sem complicações para o ciclista.

De qualquer forma, recebida a denúncia pelo juiz, o ciclista poderá a qualquer momento procurar seu advogado ou a defensoria pública estadual a fim de impetrar um hábeas corpus para impedir que o processo continue, demonstrando-se a falta de justa causa da ação com argumentos semelhantes aos já mencionados.

Na remotíssima hipótese de condenação, o ciclista poderá sofrer a pena de multa (cujo valor varia de acordo com a situação econômica do condenado) ou detenção por até um ano. “Detenção” significa que a pena deverá ser cumprida inicialmente em regime semi-aberto, ou seja, em colônia agrícola ou estabelecimento parecido. Como há pouquíssimos desses estabelecimentos, o condenado deverá cumprir a pena em regime domiciliar. Assim, para a tão temida prisão, o ciclista desnudo não poderá ir. Enfatizamos que a possibilidade de condenação à pena de detenção é ínfima.

Muitos devem ter receio quanto a perder a primariedade. Lembre-se que apenas no muito improvável caso de condenação à detenção – ou seja, apenas se o juiz entender, no final do processo, que o ciclista realmente cometeu o crime de ato obsceno e mandar o réu cumprir pena de detenção – o ciclista perderia sua primariedade e, mesmo assim, apenas por cinco anos após o cumprimento da pena.

Por fim, não custa repetir o óbvio: os PMs dificilmente se darão ao trabalho de prender uma centena de ciclistas pelados, ou seja, se todos tirarem a roupa, há muito mais chances de que ninguém sofra amolação. Os ciclistas não podem se acostumar com essa dupla falta de espaço público: as ruas lhes pertencem, seja para se manifestarem, seja para se locomoverem.

Por Felipe Oliva*

*Felipe Oliva é advogado.
 

Saiba mais:

Ciclistas pelados pela vida – matéria de divulgação do Bicicleta na Rua que antecipou a cena que seria encontrada pelos ciclistas na concentração da Pedalada Pelada.

World Naked Bike Ride São Paulo 2009 – confira os relatos, fotos, vídeos e reportagens sobre a Pedalada Pelada deste ano.

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