(XIII) Interplanetária – A Estrada da Xiboca


Retornei junto com os demais ciclistas, mas atento à qual das entradas poderia ser aquela da Estrada da Xiboca. Segundo os vigilantes do parque, ao retornar, eu veria a estrada de terra à minha esquerda. Ela costumava ser usada por jipeiros e, como não chovia havia mais de 2 dias, deveria estar não muito lamacenta, o suficiente para não precisarmos desmontar-nos de nossas bikes. Ela iria dar na Anchieta, após o pedágio.

Ao avistar o que me parecia ser a entrada da estrada, fui lá me aventurar. Já nela, o André Pasqualini (do CicloBR; leia o relato), após insistência do artista plástico e cicloativista Marcelo Siqueira, falou-me para esperá-lo que ele iria junto comigo. O André era outro que teria que ir para o litoral de qualquer jeito; a mulher e o filho estavam no Guarujá a esperá-lo.

A poucos metros da entrada, poças de lama fizeram-me descer da bike. Bem que tentei montá-la em outras oportunidades, mas não pedalaria muitos metros de cada vez. Sob o luar cada vez mais fraco e a luz da lanterna da minha bike, fomos clareando o caminho. Na terceira bifurcação (coisa que não deveria ter), o André consultou seu GPS e viu que nos encontrávamos num beco sem saída: qualquer dos caminhos que seguíssemos, mergulharíamos na represa de Guarapiranga! Era a nossa primeira roubada (veja mapa).

Enlameados, retornamos.

Estávamos voltando para Riacho Grande quando, em meio a casas bem iluminadas, a vimos: estava lá, bem explicitada por uma placa de madeira, a Estrada da Xiboca!

O André conferiu seu GPS e aquele caminho dava mesmo às autopistas da Ecovias. Adentramos.

O começo da estrada era razoavelmente bom até mesmo para a minha bicicleta, com seu pneu semi-slick (1.5), prosseguir. Era de uma terra batida aplainada.

Ciclista Fabiano.

Estrada da Xiboca. Foto: Ciclista Fabiano.

A iluminação acompanhou-nos até o trecho em que dois cachorros quase atacaram o André, que estava à minha frente. Quando passei por eles, surpreendentemente não me ocorreu nada.

Minutos depois estávamos num caminho todo cheio de poças de lama, ladeados por árvores e fauna da Mata Atlântica. Ficarmos ainda mais enlameados era apenas questão de tempo. E esse tempo não tardou a chegar. Durante poucos quilômetros, fomos empurrando nossas bikes, desviando-as das poças, tendo como praticamente única fonte de luz uma lanterninha de bicicleta. Era a nossa segunda roubada.

Aproximadamente às 4h, após subir um barraco de terra muito íngreme e irregular, observamos a Anchieta. Cruzamos uma ponte e, em breve, estávamos no acostamento. O maior susto nessa parte foi que um carro nos seguiu. Mas era apenas uma viajante perdida…

Na Anchieta, a idéia do André era descer a serra por ela mesma. Os problemas decorriam da falta de acostamento. Teríamos que manter uma velocidade próxima dos 80km/h nos trechos de descida.

A idéia foi abortada instantes depois. Meu pneu (o mesmo pneu, mas com câmara nova) furou duas vezes seguidas. E não dava a idéia de que  pararia de furar… (e não parou mesmo, como se vê aqui).

Com três (de cinco) remendos a menos, a solução foi deixar o pneu semimurcho e ir reinflando-o conforme ele se esvaziava mais. Enchendo-o a cada 2 ou 3 km, comigo sentindo todas as imperfeições do asfalto do acostamento, pedalamos pela Interligação até a Imigrantes.

O maior cuidado que tivemos foi apagar nossos piscas, de forma a não sermos vistos ou percebidos pelas câmeras.

Cruzamos transversalmente a Imigrantes até a pista contrária e pedalamos no acostamento pela contramão até o Rancho da Pamonha. Estava começando a clarear o dia.

Saiba mais sobre a Bicicletada Interplanetária:

Cobertura completa do “Bicicleta na Rua”

(I) Interplanetária – O período precedente
(II) Interplanetária – Rodas a girar rumo ao litoral
(III) Interplanetária – As primeiras infrações da PMR e os bloqueios
(IV) Quantos ciclistas tinham, afinal?
(V) Interplanetária – Perseguição policial
(VI) Interplanetária – Ciclistas são impedidos de pedalarem até o litoral
(VII) Interplanetária – Policiais cumprem horas extras para bloquear descida de ciclistas ao litoral
(VIII) Interplanetária – Policiais ignoram leis
(IX) Interplanetária – Polícia Rodoviária gasta mais de R$16 500,00 impedindo ciclistas de irem ao litoral
(X) Interplanetária – Bares amigo e não amigo dos ciclistas
(XI) Interplanetária – Os primeiros a chegarem a Santos
(XII) Interplanetária – Bloqueio dos Caminhos do Mar
(XIII) Interplanetária – A Estrada da Xiboca
(XIV) Interplanetária – “Pequenos” problemas técnicos: o pneu vegano e a Estrada de Manutenção
(XV) Interplanetária – Santos, enfim!
(XVI) Interplanetária – Faltam bicicletários no Litoral Plaza Shopping
(XVII) Interplanetária – O retorno a São Paulo

Veja também

Bicicletada Interplanetária 2008

Relatos:

Aninha
CicloBR (chegou a Santos)
Ecologia Urbana
Eu vou voando…
MTV Pública
Nicolas Lechopier (em francês) (chegou a Santos)
Sampa Bike Tour {Parte 1} {Parte 2}
TAS Cidade
Vá de Bike!
XpK

Fotos:

Bruno Gola
Ciclista Fabiano (chegou a Santos)
CicloBR (chegou a Santos)
Ecologia Urbana
Limão
Macaco Véio (chegou a Santos)
Mila Molina
Rodrigo Navarro (chegou a Santos)
silviobikersp
XpK

Vídeos:

Brudut
ederson araujo
Ecologia Urbana {1} {2} [3} {4} {5} {6} {7}
Fabiano Faga Pacheco {1} {2} {3} {4} {5} {6} {7} {8} {9} {10} {11} {12} {13} {14} {15} {16} {17} {18} {19} {20} {21} {22} {23} {24} {25} {26} {27} {28} {29} {30} {31} {32} {33} {34} (chegou a Santos)
Guilherme Sanches
jlpinha {1} {2} {3} {4}
Limão
lucmut {1} {2}
Renata Falzoni – ESPN
Mathias (chegou a Santos)
TASCidade
Tinho {1} {2} {3} {4} {5} {6} {7} {8} {9} {10} {11} {12} {13} {14} {15} {16} {17} {18} {19} {20} {21} {22} {23} {24} {25}
TV Record

Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

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