Ciclistas pelados pela vida


Ocorrerá neste sábado, 14 de março, com concentração a partir das 12h e  saída às 14h, a segunda versão do World Naked Bike Ride São Paulo, ou Pedalada Pelada, como ficou popularmente conhecida. O passeio dos ciclistas pelados é uma forma de eles expressarem como se sentem pedalando diariamente pelas ruas da cidade. Enquanto automóveis possuem cintos de segurança e air bags para protegerem seus ocupantes, os ciclistas possuem apenas o próprio corpo para se defenderem. É praticamente como se os ocupantes dos veículos (geralmente, constituído apenas pelo motorista) estivessem livres e à salvo, sem riscos de sofrerem intentos à própria vida, enquanto os ciclistas não teriam essa proteção e vissem-se apenas dependendo da vontade dos demais motoristas para sobreviverem. Afinal, é unânime entre os ciclousuários: a maioria não enxerga  o ciclista quando este está na rua. Parece que ele simplesmente não existe. Como não se consegue observar a vida ao seu redor, muitos são os motoristas que não a respeita. Os manifestantes esperam que, pelados, possam finalmente serem vistos como membros do trânsito e, assim, poderem pedalar pela cidade sendo respeitados pelos demais.

Cartaz de divulgação do WNBR São Paulo v1

Apesar de se sugerir, e até mesmo se incentivar, os ciclistas ali presentes a ficarem desnudos, não é obrigatório tirar a roupa. O lema do WNBR é “as bare as you dare”, ou seja, “tão nu quanto você ousar”. Ninguém vai te impedir de você manter-se com roupa.

Na última edição, o maior constrangimento para que as pessoas estivessem na Av. Paulista assim como vieram ao mundo veio por parte dos jornalistas. Muitas mulheres, em especial, não se sentiram seguras para ficarem completamente nuas devido ao assédio da mídia e a comentários machistas feitos por membros da imprensa. As mais sérias equipes de reportagem que farão a cobertura do evento aconselharam os seus jornalistas a não interferirem na evolução da Pedalada Pelada e a não assediarem os participantes. Os homens foram instruídos a não fazerem provocações machistas. Fiquem atentos às credenciais dos jornalistas que cometerem esses abusos. Se houver problemas ou sentir-se constrangido, denunciem-nos.

Cartaz do World Naked Bike Ride São Paulo, v2

Com que roupa eu vou?

Aqui está disponibilizado um texto ótimo sobre como tirar a roupa em público, além de dicas ótimas para quem ainda está em dúvida se vai pedalar pelado ou não.

Entre elas está uma das mais vistas: é legal pedalar nu? Segundo os participantes, dá uma sensação muito boa. Mas a lei garante-nos esse direito? Considerando que não estamos no Afeganistão nem no Iraque, e levando em conta o que assistimos durante o Carnaval, e lembrando que os ciclistas não irão lá para realizarem nenhum ato de cunho sensual, erótico ou pornográfico, sim, as leis brasileiras permitem que você possa pedalar pelado. Se você espera fotografar algo indecente, não adianta ir para o ponto de encontro. Mas se quiser ver imagens obscenas, clique aqui.

A polícia estará na Praça do Ciclista e recebeu ordens verbais de não cometer as gafes do ano passado. Figuras políticas como o prefeito paulistano Gilberto Kassab apoiam a realização do World Naked Bike Ride.

Não nos esqueçamos de que o WNBR ocorre em várias localidades do mundo. No dia 14, dezenas de cidades do hemisfério Sul terão ciclistas nus em suas ruas.

Então o que está esperando? Pegue a sua magrela e dirija-se à Praça do Ciclista para prestigiar São Paulo em uma brilhante edição de mais uma Pedalada Pelada.

Saiba mais:

Nus diante do tráfegoApocalipse Motorizado

Valeu a pena ser preso pelado? Valeu sim!!! – CicloBR (depoimento do único ciclista pelado que foi preso na primeira edição do WNBR São Paulo)

World Naked Bike Ride São Paulo 2008 – matérias, relatos, fotos e vídeos da primeira edição

OBS: as pessoas ligadas a este blogue até organizam alguns eventos, algumas até estarão lá, mas a Pedalada Pelada não tem líderes nem organizadores. E também não está diretamente relacionada à Bicicletada. Ela é melhor definida como uma manifestação rizomática.

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Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

3 Responses to Ciclistas pelados pela vida

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