Florianópolis congestionada


A reportagem abaixo foi publicada no jornal universitário Zero em abril de 2009. Você pode conferir a matéria em .pdf aqui ou aqui (página 6). Veja também a chamada na capa aqui ou aqui.

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Tráfego excede capacidade das vias

Caso nenhuma alteração eficaz seja feita, outras 12 ruas da capital ultrapassarão seu limite em dois anos

Mais de 38 vias na capital trabalham com pontos de fluxo de veículos próximos ou acima da capacidade nas horas de pico. Muitas são essenciais como a avenida Professor Pedro Henrique de Silva Fontes, que recebe o fluxo dos campi da Universidade Federal e Estadual, a rodovia Ademar Gonzaga, que liga o centro à Lagoa da Conceição e o trevo da Seta, que dá acesso ao aeroporto e região do Campeche. Caso nenhuma alteração seja feita, mais 12 vias alcançarão o limite de sua capacidade em diversos pontos nos próximos dois anos. O estudo foi realizado a partir de um convênio firmado entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o Laboratório de Sistemas de Transportes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF).

Os dados foram coletados através da contagem de veículos que trafegam nas ruas e de simulações que estimaram os fluxos futuros. Nas simulações foram considerados o aumento populacional e locais onde há maior demanda, como shoppings e parques. “Mesmo incluindo todas as alterações estruturais sugeridas pelo IPUF, como a ampliação de avenidas ou construção de túneis, muitos pontos críticos não foram solucionados”, alerta a coordenadora da pesquisa Estudo dos impactos no sistema viário devido ao adensamento urbano da cidade de Florianópolis, Lenise Goldner. “A solução para este problema só pode ser alcançada por uma mudança no modelo do transporte urbano em Florianópolis”, complementa.

Dados do Departamento de Trânsito de Santa Catarina - DETRAN - indicam que Florianópolis possui cerca de 280 carros para cada ônibus em circulação

Segundo dados do Detran/SC, a frota da capital em 2005 era de 143 mil carros, 23 mil motos e 514 ônibus. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísitca (IBGE) Florianópolis possui 402 mil habitantes, o que gera uma relação de um carro para cada 2,8 pessoas. “O modelo do carro possibilitou uma grande expansão das cidades, num processo de pulverização, porém isso tem um limite, e estamos próximo dele aqui em Florianópolis”, alerta Arnoldo Debatin Neto, doutor em engenharia de produção e especialista em planejamento e projeto do espaço urbano.

Propostas

Uma das alternativas para que o transporte urbano em Florianópolis opere de forma eficiente é a substituição deste modelo. “O transporte deve ser pensado priorizando o trinômio pedestre, ciclista e, por fim, transporte público”, afirma Francisco Ferreira, professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC e coordenador do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Ecologia e Desenho Urbano. Esta mudança deve se refletir no espaço cedido a cada uma destas formas de transporte. “Reduzindo a largura da faixa destinada aos automóveis, pode-se criar espaço suficiente para a construção de uma ciclovia”, indica Ferreira. Para o professor, estas alterações não trazem prejuízo para o trânsito já que a maioria das ruas da capital pode ter suas pistas reduzidas.

Vantagens e desvantagens dos transportes públicos e privados.Fonte: Política de Planejamento de Transportes e Desenvolvimento Urbano: Arnoldo Debatin Neto.

Faixas exclusivas de ônibus estão sendo testadas pela prefeitura. Algumas já estão demarcadas permanentemente. “Conseguimos diminuir o tempo de viagem de algumas linhas de ônibus em até 30 minutos”, afirma Wálter Tamagusko, diretor de planejamento da secretaria de transportes de Florianópolis. Outras mudanças em estudo são a demarcação de faixas exclusivas na avenida Beiramar norte e sul, na Ivo Silveira e na rodovia SC-405, além da alteração das ruas de acesso à região da UFSC. “A administração pública deve ser pró-ativa e hoje é visível que ela está apenas atrás de uma demanda, tentando resolver os problemas pontualmente”, critica o professor Debatin. “Você tem que trabalhar uma visão para a cidade, compreendendo o modelo econômico que vigora e qual será a proporção de privilégio dado ao empreendedor e ao usuário. Hoje eu vejo um apoio exagerado aos empresários.”

Mesmos problemas

A Contrans, uma comissão com o objetivo de dar consultoria ao planejamento urbano composta por representantes do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Urbano, Secretaria de Transportes Urbanos, UFSC, associações empresariais e entidades comunitárias, apresentou sugestões para solucionar problemas do trânsito. “As medidas apresentadas são pequenas comparadas ao tamanho do problema, falta instrumentos técnicos e verbas para fazer um estudo mais aprofundado”, ressalta Werner Kraus Junior, membro da comissão e especialista em controle de transporte urbano.

A tarifa mais barata é indispensável para que o ônibus se torne uma opção atraente. Um estudo feito em 2007 por Edgar Conrado, bacharel em ciências econômicas pela UFSC, demonstra que o custo de um carro com dois ocupantes é vantajoso em diversos casos. No trajeto de 12,2 quilômetros, a economia chega a 47% .

Locais onde o trânsito ficará crítico

Projeção do sistema viário em Florianópolis em 2 anos, sem alterações na malha viária atual. Em destaque as ruas que atingirão de 80 a 100% de sua capacidade.Fonte: Estudo dos impactos no sistema viário devido ao adensamento urbano da cidade de Florianópolis. Arte: Gregório Lameira

Por Diego Kerber

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Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

10 Responses to Florianópolis congestionada

  1. Renato disse:

    Olá!
    Como é possível ter acesso ao estudo original? Será que está disponível na Internet?

    Obrigado!

  2. gilvas disse:

    a matéria poderia ser mais profunda, mas seu bom embasamento já serve como uma faísca para idéias mais adequadas ao novo mundo que devemos trabalhar. menos carros, por favor.

  3. Diego Kerber disse:

    Ola!
    Concordo contigo Gilvas, muita coisa teve que ser retirada, pois este assunto não pode pra ser tratado na totalidade com os 4500 caracteres que cabem em média em uma página de jornal.

    Quanto ao acesso a esta pesquisa, consegui diretamente com a professora Lenise, não existe nenhuma versão online, até onde eu saiba.

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