Dresden, uma cidade boa para se pedalar


O texto abaixo foi publicado nesta postagem do Cleber Gomes no blogue O Gregário em 22 de junho de 2009.

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O bom exemplo vem do Velho Continente

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Estive recentemente nas cidades de Dresden e Binsen no velho continente, mais especificamente na Alemanha, em viagem de negócios, mais uma vez voltei ao Brasil com a sensação de viver em um país realmente curioso.

Me encanta como alguns países da Europa tratam alguns assuntos de uma maneira inteligente, priorizando a qualidade de vida de sua população, mostrando ao mundo como existem maneiras de vivermos em harmonia, com esforço e força de vontade se consegue as coisa por lá.

Nasci, estudei e me formei em Joinville, e desde criança tive na bicicleta um instrumento de diversão, prática de exercício físico e prazer. Posteriormente competindo profissionalmente, inclusive defendendo as cores do Brasil em campeonatos mundiais, pan-americanos e várias competições nacionais e na América do Sul principalmente.

Sempre me perguntei porque uma cidade como Joinville, intitulada como a Cidade das Bicicletas, que foi colonizada principalmente por Europeus, e que utilizou por décadas a bicicleta como meio de transporte dos milhares de trabalhadores das grandes fábricas da cidade, não dava condições e estrutura aos cidadãos Joinvillenses de utilizarem suas bicicletas.

Ao desembarcar em Dresden percebi que aquela era realmente uma cidade modelo no que diz respeito ao transporte público e qualidade de vida. A cidade possui modernos trens urbanos de diferentes tamanhos e formatos, com ônibus modernos e de ultima geração, serviços excelentes de táxi e claro, não pude deixar de perceber a quantidade de bicicletas em quase todas as ruas, estacionadas nas calçadas, amarradas em locais específicos para as “magrelas”, e a quantidade de pessoas pedalando. A sinalização nas ruas (quase todas), me chamou a atenção logo de início, o que faz possível a utilização da bicicleta para quase todas as atividades diárias e quotidianas dos Alemães, foi pura nostalgia para quem é amante da bike.

Praticamente todas as ruas da cidade tem ciclovia, o que torna o acesso das bicicletas possível em todos os lugares da cidade, a sinalização está em 100% das ciclovias fazendo com que o sentido que se anda seja obedecido e fazendo com que o ciclista esteja seguro na sua via de rolagem, todos os cruzamentos onde existem semáforos tem um semáforo para as bicicletas e seus ciclistas, fazendo assim com que os mesmos saibam onde e quando devem parar para não causarem acidentes com os temidos inimigos dos grandes centros urbanos os famosos carros e motos.

Apesar de ver e de ter usado toda essa estrutura fantástica, que é excelente, que é inimaginável de se encontrar algum dia na nossa Joinville “Cidade das Bicicletas”, tenho que admitir que o povo Alemão que faz com que tudo isso dê certo, respeito, educação, bom senso e preocupação com a vida e o bem estar.

Tenho que admitir e contar um fato curioso, ao adquirir minha Pinarello, fui ansioso fazer um treino nas montanhas, passando por um vilarejo lindo, furei o sinal como seu eu estivesse aqui no Brasil, e tomei uma BRONCA dos carros, das pessoas na calçada e as que passaram por mim, fiquei me sentindo tão mal que não voltei à repetir tal atitude, ou seja, passei à fazer o básico que é respeitar os outros.

As crianças da Alemanha já aprendem desde cedo que a bicicleta é importante, faz bem para a saúde, é mais econômica como meio de transporte, não polui, evita várias doenças por ser se tratar de um exercício físico, diminui o tempo nos trajetos urbanos, é um meio de propaganda, enfim tudo isso e mais um pouco. Sei que não é fácil acreditar nesse mundo perfeito, mas basta dar uma olhada no dia a dia dos Alemães para testemunhar cenas das mais diversas, como bebês confortavelmente acomodados em carrinhos especiais sendo rebocados pelas bicicletas de seus pais , senhoras com seus maridos passeando nas diversas ciclovias com vista para o magníficos e límpidos rios e montanhas, locais de tirar o fôlego de tão bonitos, executivos em seus ternos pretos em cimas de suas bikes no centro da cidade indo para o trabalho, jovens e mais jovens indo de um lado para o outro, enfim é ver para crer.

A nossa Joinvile tinha tudo para ser um local ideal para as bikes, pois é uma cidade muito plana, tem bastante árvores para dar sombra nos caminho, o centro não fica muito longe dos bairros, enfim, seria sensacional.

Hoje vejo, (admito que fiquei surpreso), que Joinville está tentando estabelecer um processo inteligente de criação de ciclovias para os milhares de ciclistas da cidades, mas infelizmente a falta de visão dos nossos administradores, comerciantes e principalmente dos motoristas de carros jogam contra esta iniciativa tão importante para a cidade e para a população. Vejo Joinville um passo na frente no aspecto do transporte e qualidade de vida com esta iniciativa, podendo com este projeto ser uma referência nacional sobre o aspecto de desenvolvimento urbano.

Me indigna o pensamento onde o ser humano tem que adaptar suas vidas, cidades, vias urbanas e os centros por causa dos carros, onde o racional seria os carros se adaptarem à nós pessoas. Não podemos achar que os carros são a prioridade das cidades, tentem imaginar o que serão nossas cidades e vidas nas próxima décadas com o volume de carros que teremos a mais à cada ano, a prioridade são as pessoas.

Fazendo uma alusão à Europa vejo que o povo, a cultura e o bom senso regem a harmonia entre pessoas, ciclistas, motos, carros, onde todos tem seu espaço, seus direitos e principalmente o direito de ter a opção pelo transporte adequado e preferido de cada cidadão, ou seja, o povo é o responsável por fazer as coisas darem certo ou não

Boa pedalada…!!!

Anderson Zommer*

O Gregário - 2009-06-22 fig.1 - Foto: Anderson Zommer.

* Anderson Zomer começou a peladar em uma Bici-Cross nas ruas do bairro Glória, em Joinville. Mais tarde passou a se dedicar no ciclismo de estrada, onde conquistou vitórias, respeito e admiração. Atualmente compete pela equipe de Joinville, MALHAVIL/FELEJ.

Estive recentemente nas cidades de Dresden e Binsen no velho continente, mais especificamente na Alemanha, em viagem de negócios, mais uma vez voltei ao Brasil com a sensação de viver em um país realmente curioso.

Me encanta como alguns países da Europa tratam alguns assuntos de uma maneira inteligente, priorizando a qualidade de vida de sua população, mostrando ao mundo como existem maneiras de vivermos em harmonia, com esforço e força de vontade se consegue as coisa por lá.
Nasci, estudei e me formei em Joinville, e desde criança tive na bicicleta um instrumento de diversão, prática de exercício físico e prazer. Posteriormente competindo profissionalmente, inclusive defendendo as cores do Brasil em campeonatos mundiais, pan-americanos e várias competições nacionais e na América do Sul principalmente.
Sempre me perguntei porque uma cidade como Joinville, intitulada como a Cidade das Bicicletas, que foi colonizada principalmente por Europeus, e que utilizou por décadas a bicicleta como meio de transporte dos milhares de trabalhadores das grandes fábricas da cidade, não dava condições e estrutura aos cidadãos Joinvillenses de utilizarem suas bicicletas.
Ao desembarcar em Dresden percebi que aquela era realmente uma cidade modelo no que diz respeito ao transporte público e qualidade de vida. A cidade possui modernos trens urbanos de diferentes tamanhos e formatos, com ônibus modernos e de ultima geração, serviços excelentes de táxi e claro, não pude deixar de perceber a quantidade de bicicletas em quase todas as ruas, estacionadas nas calçadas, amarradas em locais específicos para as “magrelas”, e a quantidade de pessoas pedalando. A sinalização nas ruas (quase todas), me chamou a atenção logo de início, o que faz possível a utilização da bicicleta para quase todas as atividades diárias e quotidianas dos Alemães, foi pura nostalgia para quem é amante da bike.
Praticamente todas as ruas da cidade tem ciclovia, o que torna o acesso das bicicletas possível em todos os lugares da cidade, a sinalização está em 100% das ciclovias fazendo com que o sentido que se anda seja obedecido e fazendo com que o ciclista esteja seguro na sua via de rolagem, todos os cruzamentos onde existem semáforos tem um semáforo para as bicicletas e seus ciclistas, fazendo assim com que os mesmos saibam onde e quando devem parar para não causarem acidentes com os temidos inimigos dos grandes centros urbanos os famosos carros e motos.
Apesar de ver e de ter usado toda essa estrutura fantástica, que é excelente, que é inimaginável de se encontrar algum dia na nossa Joinville “Cidade das Bicicletas”, tenho que admitir que o povo Alemão que faz com que tudo isso dê certo, respeito, educação, bom senso e preocupação com a vida e o bem estar.
Tenho que admitir e contar um fato curioso, ao adquirir minha Pinarello, fui ansioso fazer um treino nas montanhas, passando por um vilarejo lindo, furei o sinal como seu eu estivesse aqui no Brasil, e tomei uma BRONCA dos carros, das pessoas na calçada e as que passaram por mim, fiquei me sentindo tão mal que não voltei à repetir tal atitude, ou seja, passei à fazer o básico que é respeitar os outros.
As crianças da Alemanha já aprendem desde cedo que a bicicleta é importante, faz bem para a saúde, é mais econômica como meio de transporte, não polui, evita várias doenças por ser se tratar de um exercício físico, diminui o tempo nos trajetos urbanos, é um meio de propaganda, enfim tudo isso e mais um pouco. Sei que não é fácil acreditar nesse mundo perfeito, mas basta dar uma olhada no dia a dia dos Alemães para testemunhar cenas das mais diversas, como bebês confortavelmente acomodados em carrinhos especiais sendo rebocados pelas bicicletas de seus pais , senhoras com seus maridos passeando nas diversas ciclovias com vista para o magníficos e límpidos rios e montanhas, locais de tirar o fôlego de tão bonitos, executivos em seus ternos pretos em cimas de suas bikes no centro da cidade indo para o trabalho, jovens e mais jovens indo de um lado para o outro, enfim é ver para crer.
A nossa Joinvile tinha tudo para ser um local ideal para as bikes, pois é uma cidade muito plana, tem bastante árvores para dar sombra nos caminho, o centro não fica muito longe dos bairros, enfim, seria sensacional.
Hoje vejo, (admito que fiquei surpreso), que Joinville está tentando estabelecer um processo inteligente de criação de ciclovias para os milhares de ciclistas da cidades, mas infelizmente a falta de visão dos nossos administradores, comerciantes e principalmente dos motoristas de carros jogam contra esta iniciativa tão importante para a cidade e para a população. Vejo Joinville um passo na frente no aspecto do transporte e qualidade de vida com esta iniciativa, podendo com este projeto ser uma referência nacional sobre o aspecto de desenvolvimento urbano.
Me indigna o pensamento onde o ser humano tem que adaptar suas vidas, cidades, vias urbanas e os centros por causa dos carros, onde o racional seria os carros se adaptarem à nós pessoas. Não podemos achar que os carros são a prioridade das cidades, tentem imaginar o que serão nossas cidades e vidas nas próxima décadas com o volume de carros que teremos a mais à cada ano, a prioridade são as pessoas.
Fazendo uma alusão à Europa vejo que o povo, a cultura e o bom senso regem a harmonia entre pessoas, ciclistas, motos, carros, onde todos tem seu espaço, seus direitos e principalmente o direito de ter a opção pelo transporte adequado e preferido de cada cidadão, ou seja, o povo é o responsável por fazer as coisas darem certo ou não.
Boa pedalada…!!!
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Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

2 Responses to Dresden, uma cidade boa para se pedalar

  1. Daniel Costa says:

    O fato curioso que menciona no texto, ‘quando furou’ o sinal e foi chamado a atenção pela população local, é uma questão de educação da sociedade. Sim, porque no dia em que a Sociedade Brasileira perceber que respeitar o próximo é ótimo para todos, estaremos caminhando e pedalando para uma sociedade justa!
    É bem dito, como está escrito o último páragrafo!
    Vamos pedalar.

  2. Pingback: Blumenau: resposta do presidente da UCB « Bicicleta na Rua

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