Poesia – Peabiru

Aprendi que rias
são braços de mar
que parecem rios.

Por um deles, em tempo
distante, seguiu o hispano
Cabeza de Vaca.

Depois adentrou a mata
em caminhos que os índios
diziam peabiru.

Se foi a ria do Itapocu
ou a ria, mais ao norte,
do Três Barras, pouco importa.

Importa que adiante foi,
descobrindo, passo a passo,
a terra com sua gente.

Por onde andou, até
o Paraguai e além,
buscou a paz
de índios e brancos.

Plantou e colheu.
Mas tal qual rias
não são rios, perdeu
no embate das forças
que, à revelia dos povos,
governam o mundo.

Deixou, no entanto,
a lição: há sempre caminhos
por onde se chega
à riqueza maior
de cada nação, seja ela
letrada ou não:
o respeito sem fronteiras;
a vida acima de tudo.

Alcides Buss

Retirado daqui.

Cicloturismo em terras de imigração alemã

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, versão de Biguaçu, em 22 de janeiro de 2010 (pág. A3). A matéria pode ser vista em .png aqui (clique aqui para ver a chamada na capa).

Notícias do Dia - logo


Viagem em duas rodas pela história

Cicloturismo. Antônio Carlos recebe grupo no fim de semana

Aqueles que adoram ter contato com a natureza e observar cada detalhe do local por onde passam têm uma boa opção de lazer: o cicloturismo. As viagens em duas rodas vêm reunindo cada vez mais adeptos ao redor do estado e fazendo com que os roteiros turísticos exploem lugares ainda não visitados. Antônio Carlos será um dos caminhos por onde passará um grupo de visitantes que prefere se exercitar em cima de uma bicicleta a dirigir um carro.

Nos dias 27 e 28 de fevereiro, o grupo organizado pela empresa de cicloturismo Caminhos do Sertão sairá de Angelina, passará por São Pedro de Alcântara e chegará a Antônio Carlos. As localidades de Louro e Guiomar, cercadas por vegetação, cachoeiras e terrenos agrícolas serão os palcos principais dos ciclistas que pedalarão por cerca de 70 quilômetros nos dois dias.

Sem correr. Em média, os grupos compostos por até 20 ciclistas pedalam entre 30 e 40 quilômetros por dia.

“As coloridas plantações à beira do rio dão um ar muito gostoso ao ambiente e ao passeio”, relata o diretor da Caminhos do Sertão, Eduardo Green. Inspirada no roteiro Caminhos da Imigração Alemã, do governo do Estado, a empresa iniciou em 2004 o trabalho nas cidades que foram colonizadas por germânicos. O resultado deu certo e, pela décima vez, o município de Antônio Carlos é incluído no roteiro.

“As coloridas plantações dão um ar mais gostoso ao passeio.”

Eduardo Green, diretor da Caminhos do Sertão

De acordo com o diretor, os grupos são formados por 10 a 20 pessoas que estão em busca de descanso e contato com a natureza. O objetivo é fazer com que as pessoas pedalem, mas queremos que o pedalar não seja apenas pelo exercício de pedalar, mas que tenha uma contextualização, neste caso, a presença alemã que está hoje viva nessas comunidades”, explica. Para Eduardo, o uso da bicicleta, que se desloca a baixa velocidade, permite a apreciação dos locais, com os participantes tendo tempo para olhar para os lados, conversar e tirar fotos.

Estrutura de apoio aos participantes

Um micro-ônibus acompanha os ciclistas-turistas em todo o percurso. O veículo leva as bagagens e a alimentação necessárias para passar o dia. O diretor Eduardo comenta que o fato de as pessoas saberem que o transporte as acompanha traz segurança e as motiva a continuar pedalando. “Muitos dizem que não conseguem pedalar o trajeto todo, mas como sabem que o ônibus vai junto e há um local para descansar e se recuperar no caso de o cansaço bater, eles conseguem chegar até o fim”, afirma.

Cada grupo pedala, em média, de 30 a 40 quilômetros e as viagens podem durar de um a sete dias. Cada parada é motivo para tomar água e conversar com os colegas de grupo ou com os moradores das localidades visitadas. Segundo Eduardo, a maioria dos turistas tem entre 25 e 50 anos.

Ele garante que o interessado não precisa ser atleta para participar, já que  o percurso diário é dividido entre várias paradas e momentos para descanso. “vamos num ritmo tranquilo, o que não se torna cansativo. É um momento de socialização”, afirma. Roupas leves e o uso de capacete são obrigatórios para tornar o passeio mais agradável e seguro para todos.

Mariella Caldas

Sexta-feira, 26 de fevereiro é dia de… Bicicletada!!!

Acontecerá nesta sexta-feira, 26 de fevereiro, mais uma edição da Bicicletada Floripa. O grupo de ciclistas começará a se concentrar a partir das 18h em frente ao CCE/Básico e à Concha Acústica da Universidade Federal de Santa Catarina (veja mapa). A saída para o pedal lúdico será às 19h.

Nesse meio tempo, os ciclistas irão debater sobre mobilidade urbana, cicloturismo e, claro, sobre o pedalar na cidade. O destino também será definido durante a conversa e o caminho será percorrido em ritmo leve, respeitando os limites físicos de cada um.

Para participar, basta aparecer no local no horário combinado. Nem precisa usar uma bicicleta para participar: podem ir de patins, skate ou até mesmo patinete. Pode trazer seus amigos e família para curtir as agradáveis noites do verão catarinense de uma maneira diferente.

Obs.: em caso de chuva, a Bicicletada está automaticamente CONFIRMADA.

Relato do Pedal do Duas Rodas de 18/02

Eram vinte pedalantes. O clima era de que o ano iria começar de vez. Várias cabeças apareceram após os descansos de Natal, Ano Novo, Carnaval…. O objetivo da noite era “simples”: uma voltinha beirando nosso querido cartão-postal lagunar pelo Sul até chegar ao sopé do paredão que é o Morro da Lagoa. Um percurso escolhido a dedo para ganharmos condicionamento para o resto dos pedais do ano.

Os cavaleiros noturnos agrupam-se para a foto, ainda sorridentes, antes de subirem o Morro da Lagoa.

O grupo ganhou o Pantanal e passou pelo Saco dos Limões até a ciclovia da Beira-mar Sul, esta que poderia bem ser um pântano. Dificuldades em acessar e … em sair, devido às obras da via para a Ressacada. Antes de sairmos de lá e nos encontrarmos com dezenas, talvez centenas, de alviazuis fanáticos, a guerreira Dama da Noite cai duas vezes. Ops, cai não, aproxima-se demasiadamente do solo. “Eu nunca caí, guri”, confessa-nos ela, após procurar apetrechos da bike em meio a lama. O segundo tombo foi mais grave, caindo de nádegas nas rochas. “Tem coisa bem melhor pra gente cair em cima”, não desanima.

Nem o guardinha orientando os carros para a casa avaiana – “Vocês que pedalam em grupo têm que se orientar melhor…” -, desanimou os cavaleiros noturnos, que seguiam em seus objetivos, cruzando o Rio Tavares, Porto e Canto da Lagoa, recebendo incentivos de bons motoristas (afinal, o bom motorista é amigo do ciclista) e de outro grupo de pedalantes que retornava de sua jornada.

Agrupam-se eles, pausa para foto e a escarpa aparece à frente. Era chegada a hora de escalá-la. Passam-se minutos que mais parecem horas para alguns… Ninguém desiste. Em frente, todos. Ganham o cume. “Nossa, eu nunca subi tão bem”, exclamou um Caio vibrante, exaltando a verdade contida no treinamento à Lance Armstrong.

Pedreira vencida, era hora da descida – com cautela para segurar a ansiedade. Descida terminada, a partida se aproximava. E pouco a pouco os valentes guerreiros despediam-se de mais uma jornada onde ir de bike e estar de bike faz a diferença.

Abraços,
Fabiano

Ponha o prazer entre as pernas:
Venha pedalar!

Saiba mais:

Habemus lama – Relato do pedal por Fábio Almeida.
Pedalando após o carnaval – Chamada para a pedalada, com percurso e instruções.

Cow Parade Cycle Tour – Percurso Centro-Leste

Não posso dizer que foi um bom dia, mas não foi também de todo ruim.

Após passar um dia descansando do primeiro percurso do Cow Parade Cycle Tour, voltei às ruas no sábado, 06 de fevereiro, na intenção de continuar a ver as esculturas de vacas expostas em diversos lugares de São Paulo. Minha intenção era, no dia seguinte, fazer o percurso Sul, o mais difícil ao meu ver.

O percurso centro-leste era fácil e eu não precisaria ficar mais que 7km distante de casa. Envolvia três trechos mais tensos, passando por avenidas e todo o resto do percurso  era composto por ruas calmas ou onde há forte inserção de ciclistas.

Saí de casa tarde, por volta das 9h30 e segui em direção ao Shopping Anália Franco. Passei a R. da Mooca, segui pela R. Acre e R. Água Rasa antes de adentrar a Av. Reg. Feijó. Esta última avenida não é o sonho de todo ciclista, apesar de eu ter visto outras duas pessoas em bicicleta passando por lá. Fiquei contente pelo fato de o shopping dispor de bicicletário, com 15 vagas. O paraciclo utilizado não é o mais indicado, a magrela fica presa apenas por uma roda e divide um espaço cercado com motos. Mas há segurança tomando conta de ambos os tipos de veículos e o lugar é coberto.

Bicicletário no Shopping Anália Franco.

Perguntei à uma funcionária do estabelecimento onde havia uma vaca. Disse-me que não fazia a menor idéia e que seria melhor eu perguntar pra um segurança ou recepcionista. Falei-lhe que era provável até que eu encontrasse o bovino primeiro. Dito e feito: a 50m dela havia uma vaca!

Pujança – esse era o seu nome – mostrava a Av. Paulista com alguns de seus símbolos, como o Parque Trianon e o Museu de Arte de São Paulo (MASP). Mostrava, curiosamente, uma imagem de Santos Dumont e uma do 14-Bis a sobrevoar os ceús paulistanos. As árvores do parque dão um colorido especial ao cinza predominante na paisagem. Um detalhe que reparei é que os veículos que trafegavam pela imagem tinham sentido único (a avenida real é bidirecional), querendo fugir aos olhos de quem os observava. Outro detalhe é um destaque da marca do banco patrocinador em meio à obra, do lado mais verde da pintura.

A Av. Paulista e o 14-Bis cabem na vaca Pujança.

De lá segui por ruas relativamente calmas do Tatuapé até a estação de metrô de mesmo nome. Em diversas ruas, como a R. Itapura, fui mais rápido que diversos automóveis. O trânsito na região da Mooca e Tatuapé ainda não está saturado, mas as perspectivas da região não são boas. A Mooca tem recebido diversos empreendimentos imobiliários que atraem novos moradores e aumenta o fluxo de automóveis nas ruas do bairro e locais adjacentes. O asfalto da região, que sempre foi bem preservado está em péssimo estado. O asfaltamento de ruas que antes eram de paralelepípedo impermeabilizou áreas do solo que hoje sofrem com inundações. A piora no trânsito do bairro ficou notável durante o último ano.

Fui pela R. Tijuco Preto até a R. Tuiuti e desci da bicicleta para percorrer, na contramão do fluxo dos carros, dois quarteirões. Acabei por encontrar a obra da Cow Parade dentro da estação de metrô, após as catracas. Falei com os funcionários, deixei minha bicicleta perto deles e tirei as fotos. Que Vaca, Brother! mostrava o animal de pontacabeça, decorado com motivos de surfe, onda e mar. Eu posso dizer que me diverti ao tirar as fotos – e também às pessoas que passavam. Ainda não entendi o porquê de a vaca estar de pontacabeça. Minha imaginação pueril me faz acreditar que ela tomou um caixote ao surfar…

A vaca e o ciclista brincam de pega-tartaruga, brincadeira do tempo do onça.

Pouco tempo depois, aconteceu o acidente.

Peguei a R. Tuiuti até a R. Padre Adelino para entrar na Radial Leste (Av. Alcântara Machado) ao lado da Subprefeitura da Mooca. Pensava em parar em casa para almoçar antes de continuar, mas resolvi seguir adiante. Poucos metros depois de entrar na Radial, a pochete que levava em minha cintura se abriu e prendeu em meio à minha roda traseira. Resultado: uma queda bem quando aquele semáforo não sincronizado tinha acabado de abrir. A mulher que dirigia o carro na pista em que eu estava reduziu a velocidade, esperou eu me levantar e à bike e perguntou se eu estava bem e se necessitava de ajuda. Falei que estava tudo bem e liberei-a a seguir seu caminho enquanto me arrumava e verificava as avarias. Meu freio dianteiro estava pouco confiável, minha buzina tinha caído, uma parte do meu pedal esquerdo (o lado em que caí) quebrara-se. Eu estava bem, não havia sangue, apenas uma dor forte no abdômen (onde depois se formou uma marca roxa, e depoir negra) e uma dificuldade muito grande em movimentar a perna esquerda. Um homem das ruas apareceu e tirou a minha pochete da roda traseira com uma certa facilidade. Ele me falou que fora ciclista em Minas Gerais. Depois, o papo ficou meio estranho e sem pé nem cabeça. Ele me chamou para ir perto de onde ele se alojava (?), eu insisti para seguiria ao meu caminho. Dei R$0,80 em moedas que haviam na pochete para ele e segui ao centro.

Fui pedalando devagar até a Praça da Sé. Como a pochete se abriu novamente ainda na Radial, eu a coloquei entre o pescoço e o braço. Na Sé, telefonei para minha família falando que sofrera um acidente, mas que estava bem e iria continuar a tentar fotografar as vacas. Depois, parei uns minutos para vislumbrar o espetáculo que acontecia em celebração antecipada ao ano novo chinês (entramos no ano do tigre).

Enquanto o ciclista procurava pelas vacas, os chineses imitavam um dragão para comemorar o ano do tigre.

Deixei minha bicicleta presa numa árvore próxima aos policiais militares e desci, mancando, a escada rolante que levava ao Metrô Sé. A Vaca de Presépio estava lá, felizmente antes das catracas. Ela tem uma tonalidade geral azulada, com inúmeros pontos brancos que lembram a Estrela de Belém. O abdômen dela é recortado e, dentro dele, há um presépio com a cena bíblica de Jesus na manjedoura feita com materias reciclados. De todas as obras vistas até então, esta foi a única que se utilizava de materias comuns para se fazer arte. Destaque para a lata de leite condensado que se transformou em uma vaquinha (hmmm, uma vaquinha dentro de outra vaca…). Foi aí também que encontrei o André e sua família, que leram as postagens anteriores e me identificaram. Ele, sua esposa e filho foram os primeiros a verem todas as obras da Cow Parade e ganharam uma sandália do evento como prêmio.

Detalhe do presépio na Praça da Sé.

Da Sé segui para a Av. Brigadeiro Luís Antônio, onde, logo no começo, antes de enfrentar a subida temida dos corredores da São Silvestre, encontrei a Vaca de Sampa. Esta obra me deixou a pensar. Metade dela é um branco com contornos de desenhos em preto. As extremidade são vermelhas. A primeira parte, além de me lembrar o cinza predominante na cidade, têm retratados uma caveira, que me traz à cabeça a enorme quantidade de pessoas mortas no trânsito, mas também me faz alusão à Revolução Constitucionalista de 1932, além de uma antena e televisão, que me mostraria a influência da mídia sobre nossas vidas, para o bem ou para o mal, para o ódio e a paixão, sentidos ambíguos que o paulistano têm por sua cidade natal. O vermelho, acredito eu, seria uma referência ao coração, mas a primeira coisa que me veio à cabeça foi o sangue das vítimas de trânsito. Sinistro!

Vaca de Sampa aprende que São Paulo terá que se acostumar às bicicletas.

Voltei a Av. Brigadeiro Luís Antônio, virei a R. Jaceguai e passei que R. Major Diogo, R. Santo Antonio e R. Martinho Prado antes de chegar à R. Avanhandava. Eu mal podia acreditar em meus olhos. Eu já conhecia aquela rua por descrição. Um dia, o Milton Della Giustina, presidente da ONG ViaCiclo, me falou que havia uma rua em São Paulo onde um cara, que, com esperteza e visão de futuro, conseguira ampliar seu negócio de restaurantes e comprara todos os demais na mesma rua. Posteriormente, elaborou um projeto de acessibilidade, deixando a rua na altura do meio-fio, facilitando a circulação de pedestres e cadeirantes, e com dinheiro do próprio bolso, acertou com a prefeitura a implantação desse projeto. Eu pensava que esse lugar ficasse na Vila Madalena, recanto boêmio paulistano, mas não. Conversando com os funcionários do restaurante, tive certeza de que era ali mesmo.

Rua arborizada onde os pedestres têm a clara preferência.

Essa rua contrastava enormemente com as ruas ao redor. Limpa, arborizada, agradável, faixas de pedestre no mesmo nível da calçada. Para melhorar, a minha sugestão é apenas instalar os pisos de direção para quem apresenta alguma deficiência visual.

Havia duas vacas lá, muito bem trabalhadas e que simplesmente se harmonizavam muito bem com o ambiente: Joséphine au Trambone e Stéphania en Provence. A primeira mostrava o bovino sentado em uma mala com adesivos de vários países. Ela usava jóias e adornos de aparência indiana e tocava um trombone vermelho.

Joséphine au Trambone se mistura muito bem ao seu ambiente.

A outra obra mostra o bovino carregando diversos itens campesinos, como flores, cabaça, vinho, frutos. Tudo isso em cestas de vime dispostas em ambos os lados do animal.

Nem parece que essa vaca circula pela cidade. (está bem, ok, ela é imóvel…)

Peguei a R. Martins Fontes e subi a R. Martinho Prado, encontrando-me com uma seqüência de placas horrível que proibia a passagem de pedestres, ciclistas, caminhões e ônibus. Contornei a Praça Franklin Roosevelt, onde vi inúmeros ciclistas na contramão, assim como eu estava. Por fim, estava à minha frente o acesso à Av. Amaral Gurgel.

Cruzei a R. da Consolação, que também tem semáforos dessincronizados aos pedestres, obrigando-me a parar no canteiro central. Mais dois rapazes ficaram esperando lá comigo. Foi inevitável ouvir o que eles falavam. Referiam-se à suas vidas sexuais, mas não havia nenhuma mulher na jogada. Apenas homens e homens que se vestiam como mulheres.

Segui em frente e encontrei a Passa a Mão Nela, toda convidativa ao toque. Pinturas infantis lembravam uma profusão de mãos a recobrir a vaca toda, chamando muita atenção das crianças. Lá encontrei Margareth, que me perguntou se eu era amigo do Willian Cruz, do + Vá de bike! +, em cujo casamento estive a pedalar. Apesar dela ser veterana de Bicicletadas, parece que ainda não havíamos nos encontrado.

As crianças adoravam passar a mão na vaquinha Passa a Mão Nela.

As próximas duas vacas tinham inspiração nos The Beatles. Yellow Cow-Marine, baseado em “Yellow Submarine” (a propósito, uma das músicas das quais menos gosto dos The Beatles, mas que se salva por ser trilha sonora de desenho animado) mostrava um submarino amarelo navegando pelo mar. Não gostei da localização dessa escultura, uma vez que um dos lados não era possível ser apreciado (apesar de ser idêntico ao outro, como em diversas das vacas).

Repare nas algas gigantes em ambos os lados do submarino amarelo.

Na rua paralela, estava Cow in Sky with Diamonds, com artes que me fizeram recordar cenas do filme “Across the Universe”, contado através de músicas dos The Beatles. Há inúmeras referências ao céu, com discos voadores, astronautas, a Terra a girar. Mas não dá para não ter a impressão de se estar no meio do filme ou de lembrar a versão popular sobre a origem da música “Lucy in the Sky with Diamonds”, que faria uma apologia à droga alucinógena LSD. Obviamente, a versão oficial é outra. Há vários elementos jogados na obra numa aparente confusão, o que não é ruim, se for essa a intenção do artista, o que acredito que seja. Outro ponto que merece destaque é a localização da escultura, uma vez que, para tirar uma foto com ela no lado com a placa informativa, o fotógrafo tem que ir para a rua.

Uma profusão de cores e elementos se misturam em Cow in the Sky with Diamonds.

Cruzei a rua e lá encontrei a Cowfeína, que faz menção ao principal produto de exportação brasileiro no início do século passado. Vale falar que, no mapa oficial, as localizações desta obra e da anterior estão imprecisas. Um automóvel estacionou bem ao lado da escultura, impedindo uma boa visualização dela. Além da xícara mostrando a bebida aquecida, um colar de ramos de cafeeiro envolvia o pescoço da vaca, que estava pontuada de grãos de café.

Cowfeína homenageia o principal produto de exportação brasileiro do começo do século XIX. Café chegava de trem até o Porto de Santos.

Segui pela Av. Duque de Caxias, Av. Rio Branco, R. Antônio de Godoy, Av. Cásper Líbero e, finalmente, Av. Senador Queirós na contramão.

Imaginava eu que a próxima escultura fosse estar no Mercado Municipal. E parece que estava até vários dias atrás. Lá, reencontrei o André e sua família e escutei algumas pessoas com câmera fotográfica à mão a indagar sobre as esculturas da Cow Parade. Mas acontece que não havia nada lá. O André até subiu na passarela do mercado para ter uma visão panorâmica, mas nada. Eu aproveitei para almoçar uma salada de frutas. Depois, pedi informações no Terminal Parque Dom Pedro II e descobri que havia um lugar ali do lado chamado Terminal Mercado. Subi as passarelas amarelas em espiral que dão no terminal, depois desci uma rampa para guardar minha bicicleta no bicicletário. Havia dezenas de lugares para de se deixar a bicicleta em paraciclos do tipo ‘U’ invertido, os mais recomendados. Mancando, subi de elevador.

Bicicletário adequado no Terminal Mercado.

A escultura estava após a catraca e novamente pedir para entrar apenas para fotografar. Para mim, muitos mistérios rondam esta vaca. Não sei o que significa, por exemplo, o número 77 estampado nela nem por que ela é majoritariamente vermelha.

“É vermelho, mano! Vermelho! Olha só! Igual eu!”

Segui a Av. do Estado pela contramão na calçada até a ponte da Av. Mercúrio, onde me direcionei ao lado certo da primeira via. Nesse primeiro caminho, comecei com a calçada larga, poucas pessoas a se abrigar lá perto, até a calçada ficar quase intransitável com cerca de 50cm de largura. Passei ao lado do Rio Tamanduateí, bem poluído, mas com odor tolerável. Pena que esse marco dos primórdios da história paulistana não esteja preservado. É mais um rio morto a cruzar a selva de pedra.

Tamanduateí, o “rio de muitas voltas”, perde a vida continuamente no centro de São Paulo.

Na Av. do Estado, começou a chover. Parei um pouco no Museu dos Transportes Gaetano Ferolla, onde planejava fazer a parte cultural do dia. Como me machucara e reduzira a minha velocidade, não aproveitaria muita coisa (era 16h50), então peguei apenas algumas informações. A chuva começava a apertar e eu estava a 1km da próxima vaquinha (e há 3km de casa). Eu conhecia a região e sabia que ali era local de inundação. Segui rápido entre os carros até o Metrô e Terminal Tietê. Felizmente, estava tudo congestionado e eu não tive nenhum problema ao cruzar o Vd. Cruzeiro do Sul.

Lá estava a Cow Sambista, toda adornada com motivos carnavalescos. Fi-la de porta-bandeira sem flâmula e, mestre-sala, cai na folia! Finalizara o dia com todas as obras previstas fotografadas!

Ciclista cai com a vaca na folia após completar o percurso do dia.

Na volta, evitei a chuva e fui de metrô.

Veja mais fotos do percurso centro-leste da Cow Parade.

Fabiano Faga Pacheco

Links atualizados em 30 de novembro de 2012, às 17h43.

Cow Parade Cycle Tour – Percurso Oeste

Antes de seguir para o percurso que faria de bicicleta olhando e fotografando as esculturas da Cow Parade, recebi a notícia: eu iria fazê-lo sozinho. Meu colega de aventuras ficara, na véspera, preso no trânsito vindo de Itu para São Paulo. Fê-lo de carro e chegou cansado tarde demais em casa. Tivesse feito de bike, teria chegado apenas cansado! 😛

Pois bem, segui para o percurso oeste pré-definido. Comecei pegando a Radial Leste e, para minha surpresa, ela estava completamente parada já no local onde a adentrei. Costumo pegar a pista externa e o semáforo para pedestres nesse ponto (não há entrada para veículos na pista externa lá) é completamente desregulado. Costumo esperar duas viradas de semáforo, a primeira da qual passo três pistas (umas 9 faixas de rolamento), só para começar a pedalar na Radial. Desta vez, não tive problemas com isso. Como a pista estava parada, entrei prontamente.

Segui para a Praça da Sé e, depois, para a Praça do Ciclista. Uma coisa que me impressionou foi a quantidade de ônibus parados. Mais da metade dos que vi não andavam. Li depois que houve uma paralisação parcial na Zona Sul, mas foi na Zona Leste, próximo ao Terminal Parque Dom Pedro II onde as filas de ônibus mais me chamaram a atenção. A Av. Paulista, bem como as demais ruas, estava lenta para os automóveis, mas rápida às centenas de milhares de pessoas que passavam por lá à pé no começo da manhã.

Viaduto na R. do Paraíso para acesso à Av. Paulista completamente congestionado.

A primeira obra do dia foi a Soja e MUUUito Mais. Por incrível que pareça ela era que estava próxima à Praça do Ciclista, e não a Cicowvia. Ela mostra um bovino esverdeado bebendo um suco de caixinha de canudinho.  Em seu abdomên, várias frutas eram visíveis por trás de uma barreira transparente.  Todos detalhes causavam  a sensação de estarmos em meio a um recanto da natureza dentro da selva de pedra, de algo bem natural mesmo. Não achei que o nome tivesse muito a ver com o que a obra representava, bem como ele e os desenhos na caixa de suco me parecem constituir um apelo mercadológico enorme à AdeS, que patrocinou a obra. Ok, eu confesso que adoro os sucos AdeS, mas creio que não precisava de tanto para divulgar a marca, ainda mais da maneira forçada como foi. O suco combina com elementos naturais, mas, da maneira como ficou, fica até distorcida a proposta de arte de rua da Cow Parade.

A vaca Soja e MUUUito Mais já tem grande visibilidade por estar na Av. Paulista.

Como não estava de carro, passei a R. da Consolação e entrei com facilidade pela Av. Dr. Arnaldo. Até o acesso à Rodovia Castelo Branco, era mais uma das ruas tomadas por automóveis parados, com a desvantagem de ter uns bons buracos no asfalto. Fiz um desvio na R. Oscar Freire e não encontrei nada. Depois que fui checar descobri por quê. A 18 Cowlates era uma das vacas em manutenção naquele dia. Peguei a Paulo VI e Sumaré e entrei pela Av. Dr Arnaldo novamente. Como bom conhecedor da cidade que não sou, peguei o sentido errado e só percebi várias quadras depois já na Av. Rebouças. Recomecei, então.

Peguei a R. Heitor Penteado até as imediações do Metrô Vila Madalena. Lá perto estava a Kowlômetros, toda ornamentada. Estradas sem fim percorrem todo o corpo da vaca, e nelas se vêem alguns carrinhos e várias árvores. Detalhe para a idéia de simulação de túneis nos cascos. Ah, como nós ciclistas, que somos sempre obrigados a dividir o terreno com bons e maus motoristas, gostamos da idéia de deixar os carros embaixo da terra, deixando a superfície livre para árvores e pessoas respirarem um ar não poluído. De uma maneira geral, fiquei satisfeito com essa vaca (mas claro que ficaria mais ainda se os Kowlômetros fossem percorridos de bicicleta; passariam-me a sensação de liberdade que experimentamos ao pedalar pelas estradas sem fim em meio à natureza, procurando contemplação e autoconhecimento).

A Kowlômetros fica num posto de combustível…

Lá no posto onde a Kowlômetros estava perguntei sobre a outra obra que estava próxima. Ela ficava a um quarteirão dali, mas ninguém a tinha visto. Fui até o UseBike da Vila Madalena e nem a atendente de lá sabia onde aquela estava. O endereço que tinha não mentia: a escultura teria que estar na praça diante da qual estava o bicicletário. O que eu não imaginava é que ela estaria debaixo da praça! Ela estava num dos corredores da estação do metrô.

Era a Vaca Telúrica, representando o bovino deitado na relva. Havia um espaço onde as pessoas poderiam descansar, sentando num espaço destinado a isso no dorso da escultura. Depois de um tempo, fiquei a pensar em qual seria a origem do nome. Telúrico, na astronomia, é relacionado à Terra e usado para designar, por exemplo, planetas rochosos, com grande densidade, assim como a Terra, em contrapartida aos gigantes gasosos como Júpiter, a estrela que não vingou. Da mesma maneira que é se relaciona com o nosso planeta, relaciona-se também com a terra, o solo. Isso explicaria o porquê de a vaca estar deitada e também as figuras que adornavam as “paredes” da “cadeirinha”. Pesquisando na internet, místicos divulgam a existência de uma radiação telúrica, que teria origem nas águas subterrâneas e das quais teríamos que entendê-la para fugir de seus efeitos nocivos à nossa saúde. Se fosse esse o motivo do nome, as pinturas poderiam indicar o quanto teríamos que entender sobre o nosso planeta cada vez mais doente por inconseqüência nossa.

O origem do nome da Vaca Telúrica ainda é um mistério, mas de onde veio esse capacete não.

Ali no UseBike, a atendente me falou que saiu uma reportagem no Metro sobre a Cow Parade. Mostrou-me-a e, para a minha surpresa, era justamente a vaca ciclista que ilustrava a matéria.

A próxima escultura avistada era uma das mais esperadas do dia: a Cowgestionamento. Estava toda protegida, provavelmente porque o pessoal interagia até demais com ela. Estava repleta de fusquinhas de brinquedo. Provavelmente, aliás, não cabia mais nenhum sequer ali. Isso acontece tanto em São Paulo quanto em Florianópolis. Não há como manter o atual volume de vendas de  automóveis simplesmente porque não há mais espaço disponível para eles nas ruas e não há como abrir vias indefinidamente num planeta finito.

Um detalhe curioso é que foi um rapaz de bicicleta quem tirou minha foto ao lado da escultura, após uma pessoa de maior idade ter-se enfezado por não conseguir manipular câmera.

A Cowgestionamento observa os formadores de engarrafamento a entupir as vias.

Dali, peguei a R. Aurélia e a R. Guaicurus até o Terminal Lapa. Fiquei parado em quase todos os semáforos da R. Aurélia, que não estão sincronizados para os ciclistas. O lado bom é que os automóveis também não adquirem grande velocidade nessa via. Desmontei da bicicleta para poder entrar no terminal e fui até onde estava exposta a Cowmarim, uma vaca com… corcova! Não, não era um dromedário ou algum outro camelídio. Do dorso da Cowmarim sai um espelho, no qual os passageiros podem se ajeitar enquanto esperam pelo ônibus.

Aposto que o espelho dessa vaca esperava refletir uma imagem mais bonita.

Em vez de fazer o caminho pré-programado e subir para o Planalto Paulista, sugeriram-me margeá-lo para chegar ao Bourbon Shopping pela R. Faustolo em vez de subir para descer novamente. Pois bem, foi o que fiz. Peguei duas quadras pela contramão  para chegar à Av. Francisco Matarazzo. Vi como é ruim cruzar a R. Turiassu com a Av. Pompéia, pela falta de sinaleiras luminosas.

No shopping, deixei a bicicleta no UseBike dentro do estacionamento. Subi três andares até visualizar a Vaca Bumba, a mais enfeitada dentre as vistas naquele dia. Vários detalhes numa profusão de cores. Imaginando os dias seguidos de chuva que a metrópole tem enfrentado, até que fiquei contente por ela estar abrigada das avarias que o clima pode proporcionar. E triste ao mesmo tempo por não estar visível para quem está na rua simplesmente a caminhar.

Três rapazes olham a fêmea pronta para o Carnaval, imaginando-a ser mais uma vaca. Dessa vez, eles acertaram.

Cruzei o Vd. Pompéia e entrei na Av. Mq. de São Vicente. Era incrível como, naquelas ruas nos arredores do Estádio Palestra Itália não faltavam áreas verdes, inclusive palmeiras. Olhava para baixo e asfalto brilhava, olhava acima o Sol à pino. Até veio a calhar encontrar a Leite de Pedra, localizada à beira da sarjeta. Já tinham me avisado que parecia que a vaquinha estava voltada para os motoristas verem e realmente está. A placa dela está bem de frente à sarjeta. Resolver essa questão é fácil, basta apenas girá-la 180º que resolve boa parte desse mau posicionamento. Metade das minhas fotos foram feitas na rua, algumas na segunda faixa da pista.

A Leite de Pedra fez-me lembrar Baco, deus romano do vinho – e de outras coisinhas mais… hmmm -, com sua pintura em alusão ao suco fermentado da uva. Outra coisa ruim quanto ao fato de ela estar voltada a quem estar de carro é essa associação perigosa entre bebida e direção.

Um brinde com garrafinha de água ao protetor dos parreirais. De bicicleta não tem Lei Seca, mas preste atenção na sarjeta!

Peguei a Av. Sumaré e parei numa feirinha para tomar suco de laranja. Durante todo o dia eu bebi muita água, inclusive de torneira (quase toda a água encanada de São Paulo, inclusive a da descarga da privada, é potável). Ingeri bastante líquido para evitar a desidratação. Lembrava da sensação que tive durante uma pré-insolação ao subir a Serra Geral catarinense e sabia que, se a tivesse novamente, começaria a perder gradativamente a coordanação motora, correndo riscos em meio ao trânsito.

Enfim, cheguei à vedete do dia, a vaca mais almejada pelos ciclistas, a Cicowvia. Por mais incrível que possa parecer, ela não pedalava uma bicicleta. Numa das patas traseiras, uma caramanhola. Na cabeça, um capacete. Nas aurículas, fones de ouvido ligados a um MP4 player ou similar preso na pata dianteira. Ela simbolizaria tanto uma vaca andando de bicicleta quanto de patins ou até mesmo de skate. O único indicativo de ser um bovino pedalante era uma tatuagem de bicicleta na nádega esquerda. Convenhamos de que é um bom indicativo… Um alerta que esta vaca lembra-me  fazer é justamente quanto ao uso de fones de ouvido. Não se deve pedalar com som muito alto ou atendendo ao telefone celular. Tanto uma quanto outra ação distraem o ciclista quanto aos indicativos sonoros do trânsito.

Quem vai mais rápido: a vaca ciclista ou o cara fantasiado de ciclista?

Como estava com disposição, enfrentei a subida da R. Bartori para chegar à R. Cayowaá e depois as ladeiras desta rua para encontrar o local indicado no mapa para visitar a próxima obra. Para a minha surpresa, não havia nenhuma vaca lá. Esta vaca, bem como aquela localizada no meio da Av. Pompéia, estão colocadas erroneamente no mapa oficial da Cow Parade. Encontrei-as pela localização precisa do número da rua. Antes de procurar pela Cayowaá segui à Pompéia. Começou a chover forte, uma chuva que avistei desde a Cicowvia e que parecia ser rápida, e logo parei num restaurante natural para comer um açaí na tigela, que seria o meu almoço. A chuva parou antes de eu finalizá-lo. Ainda bem! Estava quase atrasado para chegar ao Museu do Futebol às 16h. Descobri lá o erro na posição da vaca da Pompéia e pedalei umas quadras morro abaixo, os quais subi posteriormente.

À minha frente, uma ode à São Paulo acolhedora. A Vaca Tatoo mostrava o coração a pulsar em São Paulo, relação de amor e ódio à metrópole multicultural expressa no “couro” mamífero.

O coração pulsa no coração do paulistano. Ainda mais se ele estiver de bicicleta!

Voltei à R. Cayowaá e desci-la. Próximo à Turiassu, muito perto de onde eu já havia passado, estava a Princesa da Primavera, vaca rosada com motivos florais e inúmeras borboletas, sem esquecer dos corações que enrubrecem os namorados após gélidos invernos. Há alguns danos na pintura e na decoração dessa vaca. Observados por policiais de, pelo menos, cinco viaturas estacionados num posto de gasolina, três rapazes  lá de Francisco Morato ou Franco da Rocha puxaram conversa comigo sobre a vaca. Depois de um tempo, pedi para um deles me fotografar. Depois disso, segui meu caminho enquanto eles voltavam a fazer malabarismos no semáforo fechado.

Será que os garanhões daqueles policiais gostaram da vaca? (Observação: como o irmão do Fabiano achou a legenda muito homossexual, é bom frisar que os policiais estão à cavalo e são estes os garanhões!)

Pegando a Av. Sumaré novamente encontrei a Vá Carbono e a chuva. Demorei o dia inteiro para perceber que eu deveria tê-la pronunciado VACArbono. Coitadinha, ela estava bem escondida em meio ao estacionamento do posto de gasolina. Mal havia espaço para fotografá-la direito. As patas tinham tons marrons lembrando os troncos de árvores, que cresciam e mostravam a copa no corpo bovino. Acima disso, colorações azuis-claras davam a dimensão do céu. As árvores nutrem-se e expandem-se consumindo o carbono que lançamos diariamente na atmosfera. Nas cidades, o principal emissor de carbono é o ineficiente transporte motorizado. O incrível é que uma alimentação vegetariana, como as das vacas (herbívoras), emite também menos gases-estufa do que uma alimentação carnívora, que consome as vacas (literalmente…).

Comparação de eficiências. O que emite menos carbono: um ciclista, uma vaca ou um automóvel?

A chuva começou a apertar. Segui a sugestão de chegar ao Pacaembu por dentro, evitando grandes vias e, principalmente, morros. Durante poucos minutos, molhei-me um tanto. Passei ao lado de uma voçoroca, onde  se via claramente o deslizamento de terra. Tive também a primeira das duas aquaplanagens do dia. Foi perigoso e… legal.

Cheguei ao Museu do Futebol, no Estádio Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu), e abriguei-me lá da chuva. Estacionei meu veículo no bicicletário e peguei o ingresso gratuito para visitar as atrações. Fui direto para as alas onde menos tempo passara da última vez. Não tive sorte: acabou a eletricidade em quatro oportunidades. Mesmo assim vi o s campos virtuais de futebol, aliás, melhores que o da Campus Party, e tirei a tradicional foto após o gol.

O ciclista marcou um gol, mas não foi de bicicleta.

Bicicletário. Há espaço para bicicleta no Museu do Futebol.

Ao sair do Museu, as boas notícias: parava de chover e ainda estava claro. Fui em direção à Praça Vilaboim encontrar-me com a última vaca do dia, Pegue Sua MUUUchila e Vá Surfar. Ok, o nome foi um pouco forçado, mas achei a idéia dessa escultura bem legal e ajuda, indiretamente, a promover a loja de roupas e acessórios de surfe que a patrocina (Rusty) sem descaracterizar tanto a arte urbana quanto a Soja e Muuuito Mais. Ficou instigante, ao mesmo tempo em que não ficou por demais mercadológico.

Eu gostei da localização desta escultura também, apesar de a plaquinha dela estar virada para a rua. Mesmo com o trânsito intenso do horário do rush, o movimento de automóveis não era tão intenso por ali. Havia uma pracinha dali há apenas uma faixa de rolamento, o que facilitava na hora de tirar foto sem se pôr em perigo. Do lado virada à Praça Vilaboim, é difícil fotografá-la, devido às barras de ferro que circundam os jardins, mas isso não é um grande impedimento. De uma maneira geral, ela se integrou muito bem à paisagem.

Há duas bicicletas atrás dessa vaca. Será que ela vai usar uma para ir até a praia? Se ela for, eu vou junto! Só não vale fazer pneu vegano no meio da Serra do Mar. Até porque ela vai comer todas as folhas do pneu…

Peguei a R. Sergipe antes de seguir pela R. da Consolação. Chegando no Vd. Jacareí, uma perua branca (ECP 3674 cf.) foi o veículo que mais perto passou de mim em minha vida. Pena que ela estava indo em direção à Zona Leste. Margeei a Praça da Sé e peguei a Av. Rangel Pestana. Minha intenção era ir na R. Piratininga e pegar a Radial Leste junto à R. dos Trilhos e segui daí para casa. Mas acabei passando a entrada e, quando vi, já estava na R. Bresser. Acontece que é muito mais sossegado ir por esta rua; eu não imaginava que ambas se cruzavam. No Vd. Bresser, vários carros buzinavam e quatro passaram a alta velocidade perto de mim. Resolvi ir mais ao meio da pista. Um carro buzinou, acenei que não iria dar passagem (nem dava, iria ser outro louco passando rápido rente a mim para ficar no sinal fechado à frente). Ele mudou de pista (como é difícil, não?), acelerou e parou no semáforo. Sei que saí antes dele, ele ficou parado num semáforo mais à frente e eu segui em frente, chegando pouco depois em casa.

O que mais me entristece é que é provável que eu tenha estudado com alguns desses motoristas ou caronas. Se acontecer um grave acidente, não quero nem imaginar a cara do motorista.

Veja mais (e melhores) fotos do percurso oeste da Cow Parade.

Fabiano Faga Pacheco

Saiba mais:

Cow Parade – site oficial do evento.

Veja também:

Curtomentário Cow Parade SP – Cicowvia
Curtomentário Cow Parade SP – Cowgestionamento

Notícias relacionadas:

(XIV) Interplanetária – “Pequenos” problemas técnicos: o pneu vegano e a Estrada de Manutenção

Links atualizados em 30 de novembro de 2012, às 15h36.

Cow Parade, o Circuito das Vacas

No dia de seu aniversário, a cidade de São Paulo se viu tomada por dois seres distintos, nas quais as pessoas  ditas “normais” não costumam prestar muita atenção. Próximo ao Estilingão à Ponte Estaiada Octávio Frias de Oliveira, famosa por ter sido construída para ligar um congestionamento a outro, nenhum carro trasladava-se ao outro lado do agonizante Rio Pinheiros. As pistas estavam fechadas para a passagem de cerca de 6500 ciclistas, estes seres corajosos que insistem em não se fechar para o mundo, em não se autopunir trancafiando-se em veículos cerrados. Estes cavaleiros em bicicletas puderam, durante algumas horas, serem plenamente notados, constituindo uma massa crítica de alegria contagiante, ganhando o respeito e a admiração de todos os que os viam. Até mesmo dos motoristas que, cotidianamente, não percebem a existência de milhares de ciclousuários espalhados pela cidade dia-trás-dia.

Apesar de animais de carga serem proibidos de circularem pelo centro expandido paulistano, dezenas de vacas ali se instalaram e prometem lá ficar até final de março. As esculturas de mais de 70 bovinos foram às ruas para mais uma edição da Cow Parade. As vacas, feitas em fibra de vidro, despertaram logo no início curiosidade nas pessoas que se deslocavam pelas ruas e calçadas da metrópole. A Cow Parade é um dos maiores eventos de arte de rua do mundo, apesar de críticas quanto à qualidade das obras expostas e do apelo mercadológico de algumas das esculturas, que dariam mais atenção aos anseios propagandísticos do patrocinador (cada vaca tem o apoio de uma empresa) do que à estética ou ao poder de reflexão e interação que a arte é capaz de gerar nas pessoas.

E o quê esses eventos têm em comum? Nossa idéia é conhecer de perto cada uma das esculturas e, para isso, será utilizado o veículo mais eficiente energeticamente já inventado: a bicicleta. Analizando a localização das vacas, a relação entre obra e empresa patrocinadora, o próprio tema de cada uma delas, podemos fazer uma crítica fortemente embasada e formular uma opinião pela construção e desconstrução de nossos próprios conceitos.

Faremos o Cow Parade Cycle Tour em quatro dias, um para cada um dos percursos abaixo:

Oeste
Centro-Leste (incluindo Zona Norte)
Centro-Sul
Sul

Confira o mapa oficial de localização das vacas da Cow Parade São Paulo e sobreponha aos mapas dos caminhos sugeridos para ter uma noção das rotas.

Após cada vaquejada, ir-se-á a algum ponto cultural ou de lazer. Estão previstas passagens pelo Museu do Futebol, Museu dos Transportes, Parque do Ibirapuera e Jardim Zoológico. Nem sempre as rota indicam os melhores caminhos para todas as pessoas, são apenas sugestões pessoais para os deslocamentos, de acordo com o previsto para cada dia. Há também que se considerar que, com as chuvas que castigam São Paulo há mais de 40 dias seguidos, volta e meia as obras voltam ao galpão para retoques e retificação de avarias. Através do Twitter (@cowparadebrasil), a organização tem informado sobre quais vacas não estarão às ruas paulistanas.

A primeira boiada será fotografada já nesta quinta-feira, seguindo o percurso oeste, aproveitando que, às quintas-feiras, o Museu do Futebol tem entrada franca.

Para saber quando sairemos para os demais percursos, acompanhe o nosso Twitter (@bicicletanarua), ou veja na barra ao lado as novidades postadas lá.

Fabiano Faga Pacheco

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