Cow Parade Cycle Tour – Percurso Oeste


Antes de seguir para o percurso que faria de bicicleta olhando e fotografando as esculturas da Cow Parade, recebi a notícia: eu iria fazê-lo sozinho. Meu colega de aventuras ficara, na véspera, preso no trânsito vindo de Itu para São Paulo. Fê-lo de carro e chegou cansado tarde demais em casa. Tivesse feito de bike, teria chegado apenas cansado! 😛

Pois bem, segui para o percurso oeste pré-definido. Comecei pegando a Radial Leste e, para minha surpresa, ela estava completamente parada já no local onde a adentrei. Costumo pegar a pista externa e o semáforo para pedestres nesse ponto (não há entrada para veículos na pista externa lá) é completamente desregulado. Costumo esperar duas viradas de semáforo, a primeira da qual passo três pistas (umas 9 faixas de rolamento), só para começar a pedalar na Radial. Desta vez, não tive problemas com isso. Como a pista estava parada, entrei prontamente.

Segui para a Praça da Sé e, depois, para a Praça do Ciclista. Uma coisa que me impressionou foi a quantidade de ônibus parados. Mais da metade dos que vi não andavam. Li depois que houve uma paralisação parcial na Zona Sul, mas foi na Zona Leste, próximo ao Terminal Parque Dom Pedro II onde as filas de ônibus mais me chamaram a atenção. A Av. Paulista, bem como as demais ruas, estava lenta para os automóveis, mas rápida às centenas de milhares de pessoas que passavam por lá à pé no começo da manhã.

Viaduto na R. do Paraíso para acesso à Av. Paulista completamente congestionado.

A primeira obra do dia foi a Soja e MUUUito Mais. Por incrível que pareça ela era que estava próxima à Praça do Ciclista, e não a Cicowvia. Ela mostra um bovino esverdeado bebendo um suco de caixinha de canudinho.  Em seu abdomên, várias frutas eram visíveis por trás de uma barreira transparente.  Todos detalhes causavam  a sensação de estarmos em meio a um recanto da natureza dentro da selva de pedra, de algo bem natural mesmo. Não achei que o nome tivesse muito a ver com o que a obra representava, bem como ele e os desenhos na caixa de suco me parecem constituir um apelo mercadológico enorme à AdeS, que patrocinou a obra. Ok, eu confesso que adoro os sucos AdeS, mas creio que não precisava de tanto para divulgar a marca, ainda mais da maneira forçada como foi. O suco combina com elementos naturais, mas, da maneira como ficou, fica até distorcida a proposta de arte de rua da Cow Parade.

A vaca Soja e MUUUito Mais já tem grande visibilidade por estar na Av. Paulista.

Como não estava de carro, passei a R. da Consolação e entrei com facilidade pela Av. Dr. Arnaldo. Até o acesso à Rodovia Castelo Branco, era mais uma das ruas tomadas por automóveis parados, com a desvantagem de ter uns bons buracos no asfalto. Fiz um desvio na R. Oscar Freire e não encontrei nada. Depois que fui checar descobri por quê. A 18 Cowlates era uma das vacas em manutenção naquele dia. Peguei a Paulo VI e Sumaré e entrei pela Av. Dr Arnaldo novamente. Como bom conhecedor da cidade que não sou, peguei o sentido errado e só percebi várias quadras depois já na Av. Rebouças. Recomecei, então.

Peguei a R. Heitor Penteado até as imediações do Metrô Vila Madalena. Lá perto estava a Kowlômetros, toda ornamentada. Estradas sem fim percorrem todo o corpo da vaca, e nelas se vêem alguns carrinhos e várias árvores. Detalhe para a idéia de simulação de túneis nos cascos. Ah, como nós ciclistas, que somos sempre obrigados a dividir o terreno com bons e maus motoristas, gostamos da idéia de deixar os carros embaixo da terra, deixando a superfície livre para árvores e pessoas respirarem um ar não poluído. De uma maneira geral, fiquei satisfeito com essa vaca (mas claro que ficaria mais ainda se os Kowlômetros fossem percorridos de bicicleta; passariam-me a sensação de liberdade que experimentamos ao pedalar pelas estradas sem fim em meio à natureza, procurando contemplação e autoconhecimento).

A Kowlômetros fica num posto de combustível…

Lá no posto onde a Kowlômetros estava perguntei sobre a outra obra que estava próxima. Ela ficava a um quarteirão dali, mas ninguém a tinha visto. Fui até o UseBike da Vila Madalena e nem a atendente de lá sabia onde aquela estava. O endereço que tinha não mentia: a escultura teria que estar na praça diante da qual estava o bicicletário. O que eu não imaginava é que ela estaria debaixo da praça! Ela estava num dos corredores da estação do metrô.

Era a Vaca Telúrica, representando o bovino deitado na relva. Havia um espaço onde as pessoas poderiam descansar, sentando num espaço destinado a isso no dorso da escultura. Depois de um tempo, fiquei a pensar em qual seria a origem do nome. Telúrico, na astronomia, é relacionado à Terra e usado para designar, por exemplo, planetas rochosos, com grande densidade, assim como a Terra, em contrapartida aos gigantes gasosos como Júpiter, a estrela que não vingou. Da mesma maneira que é se relaciona com o nosso planeta, relaciona-se também com a terra, o solo. Isso explicaria o porquê de a vaca estar deitada e também as figuras que adornavam as “paredes” da “cadeirinha”. Pesquisando na internet, místicos divulgam a existência de uma radiação telúrica, que teria origem nas águas subterrâneas e das quais teríamos que entendê-la para fugir de seus efeitos nocivos à nossa saúde. Se fosse esse o motivo do nome, as pinturas poderiam indicar o quanto teríamos que entender sobre o nosso planeta cada vez mais doente por inconseqüência nossa.

O origem do nome da Vaca Telúrica ainda é um mistério, mas de onde veio esse capacete não.

Ali no UseBike, a atendente me falou que saiu uma reportagem no Metro sobre a Cow Parade. Mostrou-me-a e, para a minha surpresa, era justamente a vaca ciclista que ilustrava a matéria.

A próxima escultura avistada era uma das mais esperadas do dia: a Cowgestionamento. Estava toda protegida, provavelmente porque o pessoal interagia até demais com ela. Estava repleta de fusquinhas de brinquedo. Provavelmente, aliás, não cabia mais nenhum sequer ali. Isso acontece tanto em São Paulo quanto em Florianópolis. Não há como manter o atual volume de vendas de  automóveis simplesmente porque não há mais espaço disponível para eles nas ruas e não há como abrir vias indefinidamente num planeta finito.

Um detalhe curioso é que foi um rapaz de bicicleta quem tirou minha foto ao lado da escultura, após uma pessoa de maior idade ter-se enfezado por não conseguir manipular câmera.

A Cowgestionamento observa os formadores de engarrafamento a entupir as vias.

Dali, peguei a R. Aurélia e a R. Guaicurus até o Terminal Lapa. Fiquei parado em quase todos os semáforos da R. Aurélia, que não estão sincronizados para os ciclistas. O lado bom é que os automóveis também não adquirem grande velocidade nessa via. Desmontei da bicicleta para poder entrar no terminal e fui até onde estava exposta a Cowmarim, uma vaca com… corcova! Não, não era um dromedário ou algum outro camelídio. Do dorso da Cowmarim sai um espelho, no qual os passageiros podem se ajeitar enquanto esperam pelo ônibus.

Aposto que o espelho dessa vaca esperava refletir uma imagem mais bonita.

Em vez de fazer o caminho pré-programado e subir para o Planalto Paulista, sugeriram-me margeá-lo para chegar ao Bourbon Shopping pela R. Faustolo em vez de subir para descer novamente. Pois bem, foi o que fiz. Peguei duas quadras pela contramão  para chegar à Av. Francisco Matarazzo. Vi como é ruim cruzar a R. Turiassu com a Av. Pompéia, pela falta de sinaleiras luminosas.

No shopping, deixei a bicicleta no UseBike dentro do estacionamento. Subi três andares até visualizar a Vaca Bumba, a mais enfeitada dentre as vistas naquele dia. Vários detalhes numa profusão de cores. Imaginando os dias seguidos de chuva que a metrópole tem enfrentado, até que fiquei contente por ela estar abrigada das avarias que o clima pode proporcionar. E triste ao mesmo tempo por não estar visível para quem está na rua simplesmente a caminhar.

Três rapazes olham a fêmea pronta para o Carnaval, imaginando-a ser mais uma vaca. Dessa vez, eles acertaram.

Cruzei o Vd. Pompéia e entrei na Av. Mq. de São Vicente. Era incrível como, naquelas ruas nos arredores do Estádio Palestra Itália não faltavam áreas verdes, inclusive palmeiras. Olhava para baixo e asfalto brilhava, olhava acima o Sol à pino. Até veio a calhar encontrar a Leite de Pedra, localizada à beira da sarjeta. Já tinham me avisado que parecia que a vaquinha estava voltada para os motoristas verem e realmente está. A placa dela está bem de frente à sarjeta. Resolver essa questão é fácil, basta apenas girá-la 180º que resolve boa parte desse mau posicionamento. Metade das minhas fotos foram feitas na rua, algumas na segunda faixa da pista.

A Leite de Pedra fez-me lembrar Baco, deus romano do vinho – e de outras coisinhas mais… hmmm -, com sua pintura em alusão ao suco fermentado da uva. Outra coisa ruim quanto ao fato de ela estar voltada a quem estar de carro é essa associação perigosa entre bebida e direção.

Um brinde com garrafinha de água ao protetor dos parreirais. De bicicleta não tem Lei Seca, mas preste atenção na sarjeta!

Peguei a Av. Sumaré e parei numa feirinha para tomar suco de laranja. Durante todo o dia eu bebi muita água, inclusive de torneira (quase toda a água encanada de São Paulo, inclusive a da descarga da privada, é potável). Ingeri bastante líquido para evitar a desidratação. Lembrava da sensação que tive durante uma pré-insolação ao subir a Serra Geral catarinense e sabia que, se a tivesse novamente, começaria a perder gradativamente a coordanação motora, correndo riscos em meio ao trânsito.

Enfim, cheguei à vedete do dia, a vaca mais almejada pelos ciclistas, a Cicowvia. Por mais incrível que possa parecer, ela não pedalava uma bicicleta. Numa das patas traseiras, uma caramanhola. Na cabeça, um capacete. Nas aurículas, fones de ouvido ligados a um MP4 player ou similar preso na pata dianteira. Ela simbolizaria tanto uma vaca andando de bicicleta quanto de patins ou até mesmo de skate. O único indicativo de ser um bovino pedalante era uma tatuagem de bicicleta na nádega esquerda. Convenhamos de que é um bom indicativo… Um alerta que esta vaca lembra-me  fazer é justamente quanto ao uso de fones de ouvido. Não se deve pedalar com som muito alto ou atendendo ao telefone celular. Tanto uma quanto outra ação distraem o ciclista quanto aos indicativos sonoros do trânsito.

Quem vai mais rápido: a vaca ciclista ou o cara fantasiado de ciclista?

Como estava com disposição, enfrentei a subida da R. Bartori para chegar à R. Cayowaá e depois as ladeiras desta rua para encontrar o local indicado no mapa para visitar a próxima obra. Para a minha surpresa, não havia nenhuma vaca lá. Esta vaca, bem como aquela localizada no meio da Av. Pompéia, estão colocadas erroneamente no mapa oficial da Cow Parade. Encontrei-as pela localização precisa do número da rua. Antes de procurar pela Cayowaá segui à Pompéia. Começou a chover forte, uma chuva que avistei desde a Cicowvia e que parecia ser rápida, e logo parei num restaurante natural para comer um açaí na tigela, que seria o meu almoço. A chuva parou antes de eu finalizá-lo. Ainda bem! Estava quase atrasado para chegar ao Museu do Futebol às 16h. Descobri lá o erro na posição da vaca da Pompéia e pedalei umas quadras morro abaixo, os quais subi posteriormente.

À minha frente, uma ode à São Paulo acolhedora. A Vaca Tatoo mostrava o coração a pulsar em São Paulo, relação de amor e ódio à metrópole multicultural expressa no “couro” mamífero.

O coração pulsa no coração do paulistano. Ainda mais se ele estiver de bicicleta!

Voltei à R. Cayowaá e desci-la. Próximo à Turiassu, muito perto de onde eu já havia passado, estava a Princesa da Primavera, vaca rosada com motivos florais e inúmeras borboletas, sem esquecer dos corações que enrubrecem os namorados após gélidos invernos. Há alguns danos na pintura e na decoração dessa vaca. Observados por policiais de, pelo menos, cinco viaturas estacionados num posto de gasolina, três rapazes  lá de Francisco Morato ou Franco da Rocha puxaram conversa comigo sobre a vaca. Depois de um tempo, pedi para um deles me fotografar. Depois disso, segui meu caminho enquanto eles voltavam a fazer malabarismos no semáforo fechado.

Será que os garanhões daqueles policiais gostaram da vaca? (Observação: como o irmão do Fabiano achou a legenda muito homossexual, é bom frisar que os policiais estão à cavalo e são estes os garanhões!)

Pegando a Av. Sumaré novamente encontrei a Vá Carbono e a chuva. Demorei o dia inteiro para perceber que eu deveria tê-la pronunciado VACArbono. Coitadinha, ela estava bem escondida em meio ao estacionamento do posto de gasolina. Mal havia espaço para fotografá-la direito. As patas tinham tons marrons lembrando os troncos de árvores, que cresciam e mostravam a copa no corpo bovino. Acima disso, colorações azuis-claras davam a dimensão do céu. As árvores nutrem-se e expandem-se consumindo o carbono que lançamos diariamente na atmosfera. Nas cidades, o principal emissor de carbono é o ineficiente transporte motorizado. O incrível é que uma alimentação vegetariana, como as das vacas (herbívoras), emite também menos gases-estufa do que uma alimentação carnívora, que consome as vacas (literalmente…).

Comparação de eficiências. O que emite menos carbono: um ciclista, uma vaca ou um automóvel?

A chuva começou a apertar. Segui a sugestão de chegar ao Pacaembu por dentro, evitando grandes vias e, principalmente, morros. Durante poucos minutos, molhei-me um tanto. Passei ao lado de uma voçoroca, onde  se via claramente o deslizamento de terra. Tive também a primeira das duas aquaplanagens do dia. Foi perigoso e… legal.

Cheguei ao Museu do Futebol, no Estádio Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu), e abriguei-me lá da chuva. Estacionei meu veículo no bicicletário e peguei o ingresso gratuito para visitar as atrações. Fui direto para as alas onde menos tempo passara da última vez. Não tive sorte: acabou a eletricidade em quatro oportunidades. Mesmo assim vi o s campos virtuais de futebol, aliás, melhores que o da Campus Party, e tirei a tradicional foto após o gol.

O ciclista marcou um gol, mas não foi de bicicleta.

Bicicletário. Há espaço para bicicleta no Museu do Futebol.

Ao sair do Museu, as boas notícias: parava de chover e ainda estava claro. Fui em direção à Praça Vilaboim encontrar-me com a última vaca do dia, Pegue Sua MUUUchila e Vá Surfar. Ok, o nome foi um pouco forçado, mas achei a idéia dessa escultura bem legal e ajuda, indiretamente, a promover a loja de roupas e acessórios de surfe que a patrocina (Rusty) sem descaracterizar tanto a arte urbana quanto a Soja e Muuuito Mais. Ficou instigante, ao mesmo tempo em que não ficou por demais mercadológico.

Eu gostei da localização desta escultura também, apesar de a plaquinha dela estar virada para a rua. Mesmo com o trânsito intenso do horário do rush, o movimento de automóveis não era tão intenso por ali. Havia uma pracinha dali há apenas uma faixa de rolamento, o que facilitava na hora de tirar foto sem se pôr em perigo. Do lado virada à Praça Vilaboim, é difícil fotografá-la, devido às barras de ferro que circundam os jardins, mas isso não é um grande impedimento. De uma maneira geral, ela se integrou muito bem à paisagem.

Há duas bicicletas atrás dessa vaca. Será que ela vai usar uma para ir até a praia? Se ela for, eu vou junto! Só não vale fazer pneu vegano no meio da Serra do Mar. Até porque ela vai comer todas as folhas do pneu…

Peguei a R. Sergipe antes de seguir pela R. da Consolação. Chegando no Vd. Jacareí, uma perua branca (ECP 3674 cf.) foi o veículo que mais perto passou de mim em minha vida. Pena que ela estava indo em direção à Zona Leste. Margeei a Praça da Sé e peguei a Av. Rangel Pestana. Minha intenção era ir na R. Piratininga e pegar a Radial Leste junto à R. dos Trilhos e segui daí para casa. Mas acabei passando a entrada e, quando vi, já estava na R. Bresser. Acontece que é muito mais sossegado ir por esta rua; eu não imaginava que ambas se cruzavam. No Vd. Bresser, vários carros buzinavam e quatro passaram a alta velocidade perto de mim. Resolvi ir mais ao meio da pista. Um carro buzinou, acenei que não iria dar passagem (nem dava, iria ser outro louco passando rápido rente a mim para ficar no sinal fechado à frente). Ele mudou de pista (como é difícil, não?), acelerou e parou no semáforo. Sei que saí antes dele, ele ficou parado num semáforo mais à frente e eu segui em frente, chegando pouco depois em casa.

O que mais me entristece é que é provável que eu tenha estudado com alguns desses motoristas ou caronas. Se acontecer um grave acidente, não quero nem imaginar a cara do motorista.

Veja mais (e melhores) fotos do percurso oeste da Cow Parade.

Fabiano Faga Pacheco

Saiba mais:

Cow Parade – site oficial do evento.

Veja também:

Curtomentário Cow Parade SP – Cicowvia
Curtomentário Cow Parade SP – Cowgestionamento

Notícias relacionadas:

(XIV) Interplanetária – “Pequenos” problemas técnicos: o pneu vegano e a Estrada de Manutenção

Links atualizados em 30 de novembro de 2012, às 15h36.

Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

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