Poesia – Peabiru


Aprendi que rias
são braços de mar
que parecem rios.

Por um deles, em tempo
distante, seguiu o hispano
Cabeza de Vaca.

Depois adentrou a mata
em caminhos que os índios
diziam peabiru.

Se foi a ria do Itapocu
ou a ria, mais ao norte,
do Três Barras, pouco importa.

Importa que adiante foi,
descobrindo, passo a passo,
a terra com sua gente.

Por onde andou, até
o Paraguai e além,
buscou a paz
de índios e brancos.

Plantou e colheu.
Mas tal qual rias
não são rios, perdeu
no embate das forças
que, à revelia dos povos,
governam o mundo.

Deixou, no entanto,
a lição: há sempre caminhos
por onde se chega
à riqueza maior
de cada nação, seja ela
letrada ou não:
o respeito sem fronteiras;
a vida acima de tudo.

Alcides Buss

Retirado daqui.

Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

4 Responses to Poesia – Peabiru

  1. priscila souza disse:

    excelente poesia.

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