O incerto destino do Museu da Bicicleta


A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense em 30 de setembro de 2010 (pág. 3 do caderno de “Variedades”). Você pode ver a matéria no site do DC aqui.

PATRIMÔNIO

Sobre rodas não há destino

Fundação Cultural de Joinville, o proprietário do acervo, ciclistas e vereadores iniciam discussão sobre o futuro do Museu da Bicicleta

Fechado desde março desse ano, quando o teto do setor de cargas da Estação da Memória desabou, o Museu da Bicicleta tem seu futuro debatido pela Fundação Cultural de Joinville (FCJ) e o dono das bicicletas, Valter F. Bustos. O assunto foi discutido na terça-feira, no Plenarinho da Câmara de Vereadores, em Joinville.

Areunião, convocada por vereadores, teve a participação do movimento Pedala Joinville e de Valter. O encontro abriu a discussão para a situação e nada ficou definido quanto à reabertura ou fechamento definitivo do espaço.

O acervo veio para Joinville trazido por Bustos para fazer parte de um museu. À época não foi pensada a regularização ou definição de regras para o funcionamento, conforme normas que definem o que é de fato um museu. De acordo com a gerente de patrimônio da fundação, Elizabete Tamanini, esse é o principal problema.

 

Colecionador Valter Bustos é o verdadeiro proprietário do acervo do museu. Foto: Diego Redel (nov/2005).

– As bicicletas não são do município, não fazem parte de um acervo público. São objetos particulares de um colecionador e, dessa maneira, o poder público não tem como gerir esses bens – afirma ela.

Para a FCJ, do ponto de vista jurídico é perigoso fazer um investimento em cima de bens particulares.

– Destinar um prédio público, dinheiro para a implantação e pagar o colecionador para cuidar de tudo é arriscado porque caso ele mude de ideia, perdemos o investimento todo – explica Silvestre Ferreira, presidente da fundação.

Silvestre destaca que esse é apenas um exemplo de como as coisas poderiam ficar sem haver nada regulamentado.

– Não estou dizendo que isso aconteceria, mas é a amostra de como não podemos investir dinheiro público em algo de terceiros – reforça.

Para o colecionador, o impasse será resolvido com a criação da Associação de Bicicletas Antigas de Joinville (Abajo). Segundo ele, a regulamentação da associação está na Câmara para ser votada e com essa criação o acervo será da nova instituição.

– Vou doar as bicicletas para a instituição da qual farei parte e assim as bicicletas não serão mais particulares – diz Bustos.

Silvestre afirma que só criar a instituição não resolve a questão. A associação deve ter “qualidade de natureza técnica e jurídica” para administrar um museu.

– Não estou pré-julgando ou analisando o projeto, mas é preciso verificar se estará dentro das normas para gestão de museu.

Queda do teto provocou fechamento do museu, há sete meses. Foto: Salmo Duarte (mar/2010).

Segundo Elizabete, ou o acervo se torna público, ou a FCJ ajuda Bustos a gerir a coleção. No ano passado foi feita uma oferta de compra das bicicletas, rejeitada por Valter. A Fundação criou então uma comissão para analisar o problema. A primeira ação do grupo é inventariar as bicicletas do acervo e definir de onde elas vêm.

– Muitas pessoas doaram bicicletas para o museu acreditando que era uma instituição pública – afirma Elizabete.

Com o fechamento do museu, o cargo comissionado de coordenador de transportes e da indústria, que era de Valter, perdeu a validade. Ele foi exonerado.

– Se abrirmos o precedente de investir dinheiro e disponibilizar local público para um colecionador, teremos de atender a todos os 20 colecionadores de Joinville que também possuem peças históricas e que gostariam de administrar seus acervos, por exemplo – destaca Elizabete.

“Destinar um prédio público, dinheiro para a implantação e pagar o colecionador para cuidar de tudo é arriscado porque caso ele mude de ideia, perdemos o investimento todo.
Silvestre Ferreira, presidente da Fundação Cultural de Joinville

“As bicicletas não são do município, não fazem parte de um acervo público. São objetos particulares de um colecionador e, dessa maneira, o poder público não tem como gerir esses bens.”
Elizabete Tamanini, gerente de patrimônio da FCJ

“Vou doar as bicicletas para a instituição da qual farei parte e assim as bicicletas não serão mais particulares.
Valter F. Bustos, colecionador e dono das bicicletas

Saiba mais
Enquanto não é definido se o acervo será transformado em museu e voltará a ter espaço público, as 123 bicicletas de Valter Bustos estão em salas na FCJ. Os objetos, apesar de serem do colecionador, estão guardados lá devido a um contrato de comodato para a salvaguarda das peças.

Gabriela Zimmermann
Joinville

Saiba mais:

Museu da Bicicleta – Reportagem do Jornal Notícias do Dia sobre a situação do museu antes do seu fechamento.

Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

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