(Bicicultura) Serttel aborda a iniciativa das bicicletas públicas


A tarde de sexta-feira, 03 de dezembro, contou com a presença de Ângelo Leite, presidente da Serttel, empresa que detém as concessões do sistema de bicicletas públicas nas cidades de Rio de Janeiro, Blumenau e João Pessoa. Nestas três cidades, os usuários cadastrados desfrutam das bicicletas do SAMBA – Solução Alternativa para Mobilidade por Bicicletas de Aluguel.

Ângelo afirmou que não é possível viabilizar economicamente o sistema de bicicletas públicas apenas com o dinheiro dos usuários do sistema, pois, se os custos de operacionalização fossem repassados os ciclistas, o valor da tarifa seria tão elevado que acabaria por inviabilizar o próprio sistema.

Ângelo Leite fala do sistema de bicicletas públicas implantado no Rio de Janeiro, Blumenau e João Pessoa.

As bicicletas do SAMBA são liberadas através do celular e isso deve-se a dois motivos. O primeiro é financeiro: diminui-se o custo de instalação das estações nas quais as bicicletas poderão ser retiradas. A utilização de cartão encarece muito o custo de cada estação. Já o sistema de liberação pelo celular permite que a implantação de cada estação seja feita com 1/4 do valor de uma estação européia. O segundo motivo é a relação do consumidor com o celular: o aparelho é de uso pessoal, cada pessoa tem o seu, é difícil alguém passar o aparelho para os outros, como pode acontecer com o cartão. Mesmo assim, o sistema pode funcionar com o uso de cartões, que podem, inclusive, ser integrado ao sistema de transporte público dos municípios, ou ainda serem deixados em hotéis e liberaram as bicicletas para que os turistas possam utilizar com maior facilidade e comodidade as bicicletas públicas. A tecnologia para isso a empresa já tem desenvolvida.

Rio de Janeiro

As primeiras bicicletas públicas da Serttel começaram a ser implementado no Rio de Janeiro em caráter experimental em dezembro de 2008 e liberadas para todos no começo do ano seguinte. Começou tímido, com baixa procura, mas, com o aumento no número de estações, o número de usuários foi aumentando exponencialmente.

O SAMBA na Cidade Maravilhosa conta com cerca de mil usuários habituais e mais mil eventuais, totalizando cerca de 3000 viagens por mês, número expressivo quando se observa que, antes de abril deste ano, seram totalizadas entre 500 e 700 viagens mensais. Por lá, há ciclistas que utilizam as bicicletas públicas 90 vezes num mês!

Houve ainda expressivo aumento no número de usuários, destaca Ângelo, através de uma parceria com o jornal O Globo, no qual seus assinantes pagam apenas R$2,00 por mês ante o preço normal de R$20,oo. Hoje, eles somam 30% dos cadastrados no SAMBA.

Para o futuro, a empresa espera colocar nas ruas mais 2600 bicicletas até 2016, implantando 60 novas estações – todas funcionam com energia solar – por ano.

Blumenau

O SAMBA implantado na cidade catarinense apresenta um baixo uso frente à expectativa. Há cerca de 300 usuários cadastrados. Ângelo avaliou que isso ocorreu devido à implantação em locais inadequados e afirmou que o sistema na cidade deverá ser re-estruturado.

João Pessoa

Ao contrário de Blumenau, as bicicletas de João Pessoa tiveram um sucesso inesperado. Inauguradas em março deste ano, hoje já contam com mais de 500 pessoas cadastradas. Foram implantadas apenas quatro estações na orla da praia, voltadas ao lazer da população.

O caso de Florianópolis

Foi divulgada a implantação do sistema de bicicletas públicas de Florianópolis, o Floripa Bike, que deveria entrar em funcionamento em 22 de setembro de 2010. Mas isso não aconteceu. A cidade iria ser a segunda em que a Serttel instalaria as suas bicicletas, chegou a fazer todo um projeto, o IPUF projetou a instalação física e definiu locais em que a cidade deveria receber o sistema, em três fases de implantação.

Na hora da viabilização do projeto, as conversas entre a empresa e a prefeitura não avançaram. Opinou-se utilizar o dinheiro arrecadado com a Zona Azul, o sistema de estacionamento rotativo nas ruas da cidade, para financiar a manutenção das bicicletas públicas. Recebeu-se a negativa. Tentou-se falar com o banco que administra a folha de pagamento da cidade, que poderia se interessar pela imagem positiva que isso iria lhe proporcionar. Mais uma negativa. Sendo assim, teria-se que viabilizar o sistema apenas com as tarifas dos usuários, o que resultaria num projeto de alto risco que a empresa preferiu não assumir.

Fabiano Faga Pacheco

Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

11 Responses to (Bicicultura) Serttel aborda a iniciativa das bicicletas públicas

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  2. Alessandro disse:

    Creio que a visão da Serttel esteja um pouco limitada quanto ao uso do celular.
    Vejo que seja de grande importância a implantação do cartão. Se o custo é alto para a colocação do equipamento, que seja subsidiada pela prefeitura ou por exploração de publicidade por exemplo, alguma solução criativa para arcar com este custo.
    A resposta do Sr. Angelo é que é caro colocar as estações com cartão, mas veja como é caro para quem tem que usa o celular, se por exemplo cada vez que tiver que acionar a estação o usuário pague pela ligação R$ 0,50. Contando duas viagens por dia, e que seja um trabalhador que use a bike 20 dias ao mes em média, o coitado já estará pagando R$ 20,00 por mês para usar a bike fora a taxa semestral. Se paga R$ 50,00 de taxa semestral, somando o gasto com o celular, o total do ano será de R$ 340,00, sendo que o sistema de aluguel só arrecada R$ 100,00. Para mim isso é falho…

    Também tem a questão que a compra só pode ser feita com o cartão de crédito, imaginem a parcela potencial de usuários que não tem cartão de crédito e nem celular para se tornarem usuários do sistema…

    E quanto a questão de que o celular oferece a segurança de que se tornará algo mais pessoal para se ter acesso ao sistema de aluguel, eu tenho a visão de que se a pessoa tiver o interesse de emprestar um cartão para outra pessoa utilizar a bike, ela estará dando a oportunidade de mais pessoas experimentarem o sistema e até ocorrer na maioria dos casos a necessidade de adiquirir o seu próprio cartão, é um test-bike… faltou visão?
    Eu quero é ver tudo funcionando bem, quero o sucesso destes sistemas espalhados por várias cidades, mas ainda necessita de ajustes e novas idéias…

  3. Alessandro disse:

    Tive a oportunidade de utilizar o sistema por 3 meses em 2009 na cidade de Blumenau. Vejo que la o que falta é ampliar a quantidade de estações. As que existem eu considero que já estejam em locais adequados. Sendo uma próxima de um terminal urbano, o que ajuda na integração de modal, outra em frente a uma importante faculdade, outra próxima a um shopping e mais uma próxima ao centro administrativo da cidade. Colocando mais estações, sendo impotante uma junto ao terminal da Fonte, outra mais próxima do centro na rua XV de Novembro nas proximidades da catedral, outra na rodoviária e mais espalhadas por outros pontos…
    Em fim, falta é quantidade, as que existem estão bem posicionadas.
    Querem mais usuários? Novamente toco na questão do uso do celular, e vejo como a solução mais interessante a integração com o cartão do sistema Siga, que é o cartão do Tranporte de ônibus. As pessoas compram estes cartões em um ponto de venda, quem tem dificuldade de acessar a internet conseguiria comprar os cartões com facilidade e ainda usaria dois modais importantes, a bike e o ônibus.
    Boa Sorte para a Serttel.

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