SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão


A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, edição de Florianópolis, em 18 de janeiro de 2011 (pág. 3). Você pode também ler a matéria em .pdf: {capa} {pág.3}.

Risco do trânsito no acostamento

SC-401. Liberação para automóveis tira espaço de pedestres e ciclistas

Devido ao grande fluxo de automóveis na temporada, o acostamento da SC-401 foi liberado ao tráfego. Ciclistas e pedestres ficaram sem espaço. Apesar do Código de Trânsito proteger o ciclista, a polícia diz que a prioridade é o veículo.

SC-401. Liberação do acostamento da rodovia obriga ciclistas a trafegar em meio aos veículos.

FLORIANÓPOLIS – Utilizar bicicleta como meio de transporte na Capital nunca foi fácil, pois muitas ciclovias não são interligadas e grande parte dos motoristas não respeita os ciclistas. Com o início da temporada, a situação piorou. Além da quantidade de veículos ter aumentado e da postura das pessoas ter se tornado mais descompromissado, o acostamento do trecho não duplicado da SC-401, usado como alternativa por quem pedala na estrada, que liga o Norte da Ilha e o Centro, foi liberado para o trânsito nos horários em que o movimento se intensifica.

O analista de sistemas Audálio Vieira Júnior, de 37 anos, é um dos ciclistas que passam pelo local diariamente. Morador dos Ingleses, ele sai de casa toda manhã às 6h40 e chega ao trabalho, no Itacorubi, às 7h40, tendo 20 minutos para guardar a bike, apelidada de guerreira, e tomar um banho no vestiário antes do expediente. Às 17h, ele faz o caminho inverso.

A rotina, desenvolvida devido à insatisfação com o transporte público e à necessidade de praticar exercício físico, já dura dois anos e não é quebrada nem por chuva ou frio. A alteração na SC-401 não o fez desistir de usar a bicicleta para ir trabalhar, mas o deixou apreensivo. “O acostamento não é seguro, mas é o que existe. Sem isso, ficamos muito mais expostos a acidentes”, reclama. Segundo o Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura), a construção de ciclovias ao longo de toda a SC-401 está prevista no projeto de duplicação da via. No entanto, como o governador Raimundo Colombo suspendeu todo os planos estaduais por 120 dias para revê-los, pode haver modificações no projeto.

Hoje, a Capital tem cerca de 40 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. O vice-prefeito e secretário Municipal de Transportes, João Batista Nunes, diz que a intenção é aumentar esse número para 80 quilômetros até 2013.

Acostamento livre para carros até março

De acordo com o sargento da Polícia Rodoviária Estadual Rafael Nicoleit, a situação não deve mudar até o fim da temporada. “O pessoal precisa entender a questão da fluidez do trânsito. Não podemos privilegiar poucos ciclistas em detrimento de milhares que se locomovem com carros”, afirma.

Não podemos privilegiar poucos ciclistas em detrimento de milhares que se locomovem com carros
Rafael Nicoleit,

sargento da Polícia Rodoviária Estadual

O presidente da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis, Daniel de Araújo Costa, rebate. “Eles estão privilegiando pessoas que andam sozinhas de carro em detrimento de um monte de pedestres e ciclistas que circulam naquela região.”

Audálio Júnior. Trajeto perigoso. Foto: Fernando Mendes/ND.

Ciclovias e ciclofaixas
Hoje, a Capital tem cerca de 40 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. A prefeitura pretende aumentar este número para 80 quilômetros até 2013.

Anita Martins

Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

25 Responses to SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão

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  2. Peters disse:

    É bem assustador passar por ali (até de carro!), ante as situações de alto risco que se presencia, em razão da falta de uma distância segura dos transeuntes e da alta velocidade dos veículos motorizados. Notoriamente, há desrespeito à prioridade à defesa da vida nas ações de trânsito.

    A autoridade responsável parece esquecer o fundamento das regras de circulação no Brasil:

    CTB Art. 1º …
    § 1º Considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas, …
    § 2º O trânsito, em condições seguras, é um direito de todos
    e dever dos órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito,
    a estes cabendo, no âmbito das respectivas competências, adotar as medidas destinadas a assegurar esse direito.

    § 3º Os órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito respondem, no âmbito das respectivas competências, objetivamente, por danos causados aos cidadãos em virtude de ação, omissão ou erro na execução e manutenção de programas, projetos e serviços que garantam o exercício do direito do trânsito seguro.

    § 5º Os órgãos e entidades de trânsito pertencentes ao Sistema Nacional de Trânsito darão prioridade em suas ações à defesa da vida, nela incluída a preservação da saúde e do meio-ambiente.

  3. Biker disse:

    Pois é Fabiano, o pior é constatar que, mesmo sem a liberação do acostamento como pista de rolamento, o trânsito fluiria sem problemas. Atualmente o acostamento tem sido utilizado por aqueles que desejam ultrapassar pela direita, imprimindo uma alta velocidade, normalmente maior do que a permitida (80 km por hora)

  4. 2º Sgt PM Rafael Nicoleit disse:

    Prezados,

    Importante salientar que toda matéria jornalística tem no fundo o interesse de potencializar o sensacionalismo, bem como publicar o que convém ao lucro da empresa.

    Desta forma, a foto de divulgação da matéria não foi tirada de forma espontânea, sendo esta tirada num momento que a reportagem ali gerou uma lentidão devido a curiosidade típica da humanidade.

    O fotografo muito perspicaz aproveitou a lentidão de momento, lentidão esta provocada pela entrevista e olhadas pelos curiosos que ali passavam. Pura verdade, até porque estava tranqüilo e sem qualquer alteração, assim como aquele cidadão de bicicleta foi o primeiro e único a passar naquele dia durante o policiamento realizado.

    Durante o período da execução do policiamento no local, nota-se um número pífio de usuário que utilizam aquele trajeto a pé ou bicicleta, ou seja, não enche uma mão, sinceramente.

    Outra, o local é sinalizado, com utilização de cones e placa de orientação para todos os usuários.

    Mais uma! O trânsito no local não funciona naquela localidade sem a presença do Estado, isto através da Polícia Militar Rodoviária. Sem a presença no local dos Patrulheiros Rodoviário o cenário seria caótico, o que numa reação em cadeia iria transbordar em todo sistema viário parte norte da Ilha de Santa Catarina.

    Temos que ser honesto e técnico para tentarmos amenizar os problemas nessa epóca onde a demanda de veículos é constante.

    Importante também, assim não esquecendo que o problema tem solução seria a duplicação daquele trecho aliado ao uso do transporte coletivo, sendo este mais atrativos para as pessoas e da própria bicicleta numa ciclovia exclusiva.

    Portanto, objetivo não priorizar o veículo, carro, mas sim todos os usuários, seja ele numa motocicleta, ônibus e caminhão, assim evitando fila indesejáveis, caso contrário não ficaria ali sob o sol e chuva.

    Estamos ali para ajudar, orientar, bem como agindo a luz da lei. O Agente de Autoridade de Trânsito tem autonomia para intervir em determinadas situações a fim de evitar lentidão e baixa fluidez no trânsito, de tal forma que pode proibir um acesso a determinada via, autorizar momentaneamente a parada em locais proibidos a fim de facilitar o trânsito naquele local de atuação do Policial.

    Assim, o mesmo não poderá em hipótese alguma sob qualquer pretexto, aí sim, como diz: ‘’prevaricar’’ ‘’fazer vista grossa’’ quanto da autorização o condutor a não utilizar o cinto de segurança, a dirigir falando no celular, sem habilitação entre outras, neste caso não tem qualquer autonomia.

    Abraços,

    Rafael Nicoleit – 2º Sgt PM

    • Clécio disse:

      Sei das razões para o Sgt Rafael escrever o que escreveu, mas aposto que ele não anda de bicicleta e não enxerga com os olhos de quem andam, senão ele mesmo relataria o fato de uma forma um pouco diferente, outro detalhe é que fica dificil multar o ciclista. Obrigado.

    • Felipe disse:

      Sargento falou, falou, falou e não falou nada.

      Essa matéria é sobre os ciclistas e não sobre o que faz a policia rodoviaria.

  5. Peters disse:

    Ilustríssimo 2º Sgt PM Rafael Nicoleit,

    Confiamos na integridade da PMRv-SC e seus integrantes, assim como dos demais órgãos de trânsito e segurança.

    Entretanto, não se pode deixar de apontar os equívocos em que a instituição incorre ao tomar decisões como a ora questionada – liberação da zona reservada à parada de emergência de veículos e à circulação de pedestres e ciclistas para a circulação de veículos motorizados, à velocidade máxima autorizada para a via.

    A situação da foto não é forjada. Aquele ciclista circula naquela via todos os dias, e eventualmente relata a seus colegas de modalidade de transporte a terrível experiência que vive todos os dias ao optar pelo uso da bicicleta, ante a insegurança introduzida com a modificação.

    Ao invés de ter o seu direito de transitar com segurança, garantido por lei, assegurado pela autoridade, conforme § 2º do artigo 1º do CTB, já transcrito, vê-se diminuído como cidadão, ao assistir instituições respeitáveis insinuarem que sua vida tem menos valor do que o tempo de espera eventual de outro cidadão que optou pelo uso do carro.

    Não tenho procuração do ciclista da reportagem para falar em seu nome. Mas, passando por ali de carro, como motorista, presenciei, ninguém me disse, vi com meus olhos, uma situação que considerei assustadora: veículos, tipo de passeio e vans, usando o acostamento autorizado para pista, como forma de ganhar mais velocidade do que os veículos na pista normal, passarem em alta velocidade, a 50 cm, se tanto, de um ciclista e de um pedestre (afastados centenas de metros um do outro).

    Não interessa que sejam 5 pedestres usuários do acostamento. A obrigação da sociedade é garantir que eles andem em segurança. Não podemos empurrá-los para andar no mato. Quer dizer que se um cadeirante precisar passar por ali não terá esse direito? Só porque é uma única pessoa em face de dezenas motorizadas? Além disso, o trânsito de pedestres e pessoas em bicicleta na área da Vargem Pequena não é nada pequena, é considerável.

    As pessoas que vão de carro OPTARAM por ir de carro. Elas próprias são o congestionamento. Elas já desfrutam de um veículo que ocupa um espaço enorme estaticamente e mais ainda dinamicamente.

    A liberação do acostamento também constitui um ensinamento ERRADO das funções dessa área da via. Como se poderá coibir o tráfego pelo acostamento, qualquer que seja, como infração gravíssima que é, se na primeira oportunidade se libera a circulação por ele? Isso se transforma na legitimação da atitude daqueles motoristas – do tipo “espertinhos” – que circulam por ali independentemente da autorização pertinente. Está-se ensinando que a infração é grave, mas não é tanto assim, e que se não tiver ninguém olhando poderá ser o melhor a fazer.

    Se se concluir que é imprescindível liberar o acostamento, então, pelo menos, que se adote um limite de velocidade compatível, de 30 km/h.

    Sabemos que a classe motorizada – da qual também fazemos parte em alguns momentos – pode ser muito barulhenta e, essa sim, sensacionalista – é capaz de exercer enorme pressão. Mas não se pode dar ouvidos à multidão sedenta de sangue.

    Contamos, com todo respeito, que as autoridades de trânsito de Santa Catarina e do Brasil passem a olhar TAMBÉM pela segurança dos demais cidadãos que, por necessidade ou por opção, transitam a pé ou em veículos de propulsão humana. Atualmente há um viés muito forte em favor dos carros a presidir as decisões nesse setor, que precisa ser modificado.

    Note-se que as pessoas a pé ou em bicicleta NÃO atrapalham o trânsito. Se algum motorista precisa eventualmente aguardar alguns segundos ou minutos até se “desembaraçar”, logo que o fizer com segurança terá toda a liberdade que a via lhe oferecer. Por outro lado, esse mesmo motorista talvez necessite aguardar bem mais por causa de seus congêneres acorrendo simultaneamento ao mesmo trajeto.

    Esperamos que a delicada situação vivida por pessoas não motorizadas (que no final das contas são TODAS) seja capaz de sensibilizar as autoridades para uma significativa parcela da população que merece até incentivos, ao invés de desqualificação.

  6. Biker disse:

    Prezado Peters,

    Sou o ciclista da reportagem e gostaria de lhe agradecer por tudo o que disse, pois era isto que gostaria de responder ao sargento que comentou neste blog.

    Você tem minha procuração sim! 🙂
    Abraços, Biker

  7. Biker disse:

    Leiam a matéria do DC publicada hoje (Estudo aponta os locais mais perigosos nas rodovias catarinenses – Trecho não duplicado da SC-401 é onde mais ocorre acidentes em SC) no seguinte link: http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&local=18&section=Geral&newsID=a3206003.htm
    Pelo visto, a própria PMRv chegou a conclusão, através de registros de acidentes, que este trecho da SC-401 cujo acostamento está sendo liberado é o recordista.
    O pior é manter esta liberação, mesmo tendo conhecimento deste fato. Provavelmente contribuirá com o aumento deste recorde.

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