(Mobilidade nas Cidades) Para melhorar a cidade


A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, edição de Florianópolis, em 25 de abril de 2011 (pág. 7). Você pode também ler a matéria em .pdf aqui.

Mobilidade urbana

Oportunidade para aprender

Fórum vai reunir especialistas de países que já solucionaram o problema

Florianópolis – Cerca de mil pessoas devem participar do Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana, que será realizado em Florianópolis amanhã e quarta-feira, com a presença de especialistas de países como Alemanha, Holanda e Inglaterra. Apesar de sediar o evento, a Capital catarinense terá mais a aprender que a ensinar, segundo avaliação da coordenadora do CicloBrasil, grupo da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) que pesquisa o assunto, Giselle Xavier.

Pata Giselle, que vai liderar o painel “A questão da Mobilidade Urbana nas Cidades Catarinenses”, quem trabalha na área terá a chance de conhecer soluções adotadas em outros lugares e discutir como adaptá-las à realidade local. A Dinamarca, que tem municípios mais montanhosos que Florianópolis, é uma referência. “Lá, além de o transporte público ser eficientíssimo, a bicicleta é usada em larga escala. Nos pontos mais íngremes, há até espécies de elevadores para ajudar os ciclistas”, conta.

Essa qualidade superior da mobilidade urbana em nações mais desenvolvidas é explicada pela história. “Na Holanda, houve uma saturação do trânsito nos anos 70. Hoje, as pessoas se locomovem basicamente com bicicletas e meios de transporte públicos. Mas isso porque aprenderam que eles são mais rápidos”, diz Giselle. No Brasil, e especificamente na Ilha, o aprendizado está ocorrendo agora.

Mudança tem que partir da população, diz especialista

Em Florianópolis, o ponto inicial para a melhoria da mobilidade urbana é fazer mais gente utilizar transporte público e bicicleta, afirma a especialista da Udesc. Mas, ao contrário do que normalmente se diz, Giselle acredita que esse processo deve começar pela população, e não pelo poder público”. O governo responde às pressões dos cidadãos”, explica.

Para que isso aconteça, ela sugere um desafio: “As classes mais altas precisam andar de ônibus, como fazem quando viajam para o exterior”, argumenta. Giselle calcula que, se dois em cada dez homens de classe média-alta passassem a usar o transporte público, o sistema melhoraria em duas semanas. “Essas pessoas têm mais voz, são as formadoras de opinião.”

Paliativo. Por enquanto, a solução para quem precisa enfrentar as constantes filas que se formam na região é a paciência. Foto: Marcelo Bittencourt/ND.

Mas os governantes não ficam isentos de responsabilidade nessa discussão. “Eles precisam entender que é necessário investir com planejamento. Aqui, se faz uma ciclovia aqui e outra ali, sem ligação entre elas. Depois, se pergunta por que a sociedade não usa”, observa.

Anita Martins

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Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

3 Responses to (Mobilidade nas Cidades) Para melhorar a cidade

  1. gilvas says:

    concordo com a giselle xavier. vejo muita gente reclamando do trânsito, mas ninguém quer largar a pretensa comodidade do veículo automotor por uma bicicleta ou pelo transporte coletivo. este último é ruim? é, sim, mas só melhora se a classe média, que tem boca, utilizar e criticar.

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