A mobilidade na Ilha


O conteúdo abaixo foi publicado no editorial da edição impressa do periódico Diário Catarinense de 17 de setembro de 2011 (pág. 10). Você pode lê-lo no site do DC aqui ou em pdf aqui. Mas não poderia deixar de republicá-lo aqui.

Editorial

SC-401 e mobilidade

O Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) anunciou, ontem, que a duplicação da SC-401 entre o trevo de Jurerê e o de Canasvieiras estará concluída em dezembro próximo, antes da abertura da temporada de verão. O presidente do órgão, Paulo Meller, ao detalhar as obras em andamento, garantiu que tudo está seguindo conforme o planejado. Em média, 42 mil veículos trafegam, diariamente, por esta rodovia estadual, que dá acesso aos balneários do Norte da Ilha de Santa Catarina. Essas praias, outrora tranquilas e preservadas, se transformaram em bairros movimentados e densamente povoados. No verão, o volume de tráfego salta para quase 60 mil veículos por dia.

Os números bastam para conferir urgência às obras em andamento. Com efeito, a duplicação da SC-401, reivindicação velha de muitos anos, tem crucial importância não apenas para os moradores daquela área da Ilha-Capital, mas para a cidade inteira, cujo trânsito hoje sofre congestionamentos em cadeia. Florianópolis ostenta o título de campeão nacional da falta de mobilidade, e de vice-campeã mundial desta estressante “modalidade”, perdendo apenas para a tumultuada Pukhet, na Tailândia. Não raro, as filas de veículos que se originam na SC-401 nos horários de pico se estendem até a área continental da cidade.

Entretanto, convém anotar que, urgente e impositiva, a duplicação da SC-401, cujos prazos anunciados pelo poder público serão cobrados pela sociedade, é mais uma medida com “prazo de validade”. Para que a qualidade de vida na região seja preservada e ampliada, não bastam providências tradicionais e pontuais, como duplicações de estradas, viadutos, pontes, túneis, cuja capacidade, mais dia, menos dia, também será superada pela demanda.

É fundamental que a sociedade mude de mentalidade, e que os poderes públicos adotem modelos de planejamento e gerenciamento que levem em conta esta mudança de paradigma, estimulando o transporte público de qualidade e o uso de meios alternativos de locomoção, como a bicicleta.

Saiba mais:

Setembro, mês da mobilidade

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Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

10 Responses to A mobilidade na Ilha

  1. gilvas says:

    e é claro que a duplicação da sc-401 não vai resolver problemas crônicos, como a falta de acostamentos em diversos pontos, o que torna a estrada uma passagem de alto risco para ciclistas. o mesmo vale para a nova ponte que estão planejando entre ilha e continente, que vai apenas colocar um novo curativo sobre uma ferida que não vai ser curada por medidas paliativas. a mentalidade é que tem de mudar!

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