Uma Beira-Mar Norte melhor


A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, edição de Florianópolis, no bíduo 17 e 18 de setembro de 2011 (pág. 4). Você pode também ver a matéria no site do ND aqui.

 (veja em PDF)

A Beira-mar dos sonhos

Parque. Projeto de 20 anos tem resistência para sair do papel

 Se a revitalização da avenida Beira-mar Norte, inaugurada em março, deu novos ares a um dos principais cartões-postais da Capital, imagine a execução do projeto acima? Moderno? Sim. A ideia é transformar a área de beleza privilegiada no Centro da cidade em parque urbano para práticas esportivas e de lazer. Recente? Não. Foi criado em 1993 pela arquiteta Vera Lúcia Gonçalves da Silva, do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis), hoje diretora de Planejamento do órgão. O desafio, passados quase 20 anos, é tirá-lo do papel. Prova de que nem sempre falta planejamento, mas sim execução do que foi planejado.

“A Beira-mar era e continua sendo o ponto mais confortável da cidade para lazer. O projeto era uma antecipação do que mais tarde seria necessário em função do aterro natural da região provocado pelo movimento da maré”, afirma Vera Lúcia. “A intenção era criar faixa de areia suficiente para instalar equipamentos como marina, atracadouro público e privado, quadras de esportes de praia, biblioteca, espaço para feiras e apresentações”, lembra.

“É um sonho que infelizmente não conseguirei realizar no meu governo”, diz o prefeito da Capital, Dário Berger. Segundo ele, projeto dessa natureza pode demandar até quatro anos para obtenção de licenças. Embora não exista orçamento, estima-se que o custo para execução extrapole a capacidade financeira da prefeitura, mas esse não é o maior problema, na avaliação de Berger.

“De dinheiro, após o projeto aprovado, nós corremos atrás. Lamentavelmente ainda há muito preconceito na cidade, fruto do próprio desconhecimento das pessoas”, avalia. “Nós precisamos fazer algo diferente, porque a cidade cresceu, mas ainda não estamos institucionalmente e psicologicamente preparados para um projeto como esse”, relata o prefeito, referindo-se ao que chama de resistência de pessoas e instituições públicas para grandes mudanças na Capital. “A sociedade precisa conhecer o projeto e participar das discussões”, defende Vera Lúcia.

Ilha da Cultura

Para criar a Ilha da Cultura será necessário um grande aterro entre o Beiramar Shopping e o Koxixo’s. Na ilha, haveria um centro de informações turísticas, um farol com visualização em 360° da paisagem local e biblioteca, pontos de atracação de pequenas embarcações, quiosques e restaurantes. O desenho prevê também concha acústica de costas para o Continente. “Assim, o público poderia contemplar o pôr do sol durante uma apresentação”, explica a arquiteta Vera Lúcia.

Ilha da Cultura. Para criá-la é necessário um aterro entre o Beiramar Shopping e o Koxixo’s. Nela haveria centro de informações turísticas, biblioteca, pontos de atracação.

Marina

A proposta é construir uma marina no local onde há um trapiche. Segundo a arquiteta Vera Lúcia, são dois “braços”: um público – porque não se pode impedir o acesso das pessoas – e outro particular. Em um dos braços, poderia ser instalado um restaurante, bar ou café, como opção gastronômica a quem frequentasse o local.

Marina. A proposta é construí-la onde há o trapiche. Segundo a arquiteta Vera Lúcia, são dois “braços”: um público e outro particular.

Esporte e feiras tradicionais

Três quadras para a prática de esportes de praia, como vôlei e futebol, por exemplo. À esquerda, há uma espécie de marco em um terreno circular. Ali poderiam seriam realizadas feiras tradicionais de artesanato e cultura açoriana. À Beira-mar, um pequeno trapiche. A intenção é aproximar a população da água.

Esporte e feiras. Ao centro da imagem, três quadras para esportes de praia. À esquerda, há um marco em um terreno circular para feiras.

Segurança

Em 1993, quando o projeto foi desenvolvido, a Beira-mar Norte ainda tinha característica de Via Expressa, por isso foram colocadas quatro passarelas em toda a extensão da avenida. Hoje, com a instalação de semáforos e faixas de pedestre, a própria arquiteta Vera Lúcia acredita que as passarelas não sejam mais necessárias.

Programa de equipamentos

Aquário Municipal
Concha Acústica
Restaurantes
Quiosques/bares
Trapiches
Plataforma de pesca
Farol da Ilha/Biblioteca
Quadras de esporte
Posto Policial
Coreto
Área para prática de skate
Área coberta para roller (patins)
Play Ground
Ciclovia
Área para Administração do Parque
Área de Estar
Jardins
Área para instalação de equipamentos de feiras (artesanato, antiguidades, etc)

O projeto

* O Parque Urbano da Beira-mar Norte, projeto desenvolvido em 1993, ocuparia uma área de 382 mil metros quadrados e prevê 287 mil metros quadrados de aterro.

* O desenho do aterro já previa a quarta ligação entre Ilha e Continente pela Beira-mar Norte, conforme previsto no Plano Diretor.

* A arborização em toda a extensão é outra marca do projeto.

* Uma das alternativas para a viabilização seria uma PPP (parceria público-privada). Em troca de executar as obras, a iniciativa privada teria a concessão por prazo determinado para explorar atividades comerciais no local.

Maiara Gonçalves

Veja também:

Uma beira-mar sul melhor

Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

2 Responses to Uma Beira-Mar Norte melhor

  1. Pingback: Uma beira-mar sul melhor « Bicicleta na Rua

    • luiza disse:

      para mim deve fazer um parque para todos

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