Dia Mundial Sem Carro em Joinville


A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense em 23 de setembro de 2011 (pág. 33). Você pode ler a matéria no site do DC aqui ou aqui ou lê-la em PDF.

PAZ E SOSSEGO

Oportunidade para passear a pé

No Dia Mundial sem Carro, pedestres e artistas tomaram conta de espaços normalmente ocupados por veículos em Joinville

O tempo fresco e seco animou quem saiu de casa sem automóvel. O Dia Mundial sem Carro foi comemorado ontem, em Joinville, com seis ruas fechadas e pedestres e artistas tomando conta de todos os espaços. Eles puderam caminhar sem preocupações e com segurança das 5h até as 19h. A exceção ficou apenas com os ônibus, táxis e veículos oficiais, que puderam transitar pelos locais restritos.

A iniciativa não pegou ninguém de surpresa. Mas causou espanto em quem estava acostumado com muito barulho. Os ruídos foram somente de crianças brincando na Praça Nereu Ramos, música para os eventos de lazer e as canções tocadas pela banda do 62º Batalhão de Infantaria, que passeou pela ruas, entretendo ouvidos cansados de buzinadas, freadas bruscas e vaivém de carros. Alunos e funcionários da Escola do Teatro Bolshoi fizeram performances de dança e teatro, mostrando situações cotidianas do trânsito.

Alunos da Escola do Teatro Bolshoi apresentaram suas performances por ruas e praças centrais da cidade. Foto: Pena Filho.

Ivailton Moreira, 39 anos, passa pelo Centro quase todo dia. De bicicleta, aproveitou para dar umas voltas pelas calçadas e curtir o sossego.

Florisbela Dias Soares, 73 anos, e Elias Soares, 82 anos, aproveitaram para caminhar tranquilamente pelas calçadas. Logo de manhã, pegaram o ônibus no Bairro Costa e Silva e desembarcaram num Centro “meio vazio”. Florisbela comemorou poder andar à vontade, com segurança, junto com o marido. Passearam, viram as atrações, tomaram sorvete. Sem pressa, sem preocupações e com tempo para andar por ruas, calçadas e todos os outros espaços disponíveis, o casal pôde curtir um dia sem os atropelos dos carros e a impaciência dos motoristas.

Quem está acostumado aos problemas do trânsito engarrafado até surpreendeu-se com a cena do Centro.

– Hoje está muito vazio – disse o taxista Rogério Reinert, 33 anos.

A única tristeza dele foi que a falta de carros não incrementou o número de corridas no táxi. Durante toda a manhã, só saiu do ponto uma vez para trabalhar. Ainda assim, gostou de ter um dia de paz no trânsito.

Mas o taxista sabe que é difícil deixar o carro em casa. Um exemplo é o locutor Josias da Costa, 29 anos, morador de Araquari. Mesmo com o fechamento das vias, ele conseguiu chegar de moto à Rua do Príncipe, ao lado da Praça Nereu Ramos. Josias é contra obrigar a não andar de carro.

– Se morasse perto do Centro, viria a pé. Não dá para obrigar a andar de ônibus, com 30 pessoas sentadas e 60 em pé, inclusive mães com crianças de colo. Isso não é transporte adequado – desabafou.

Anúncios

Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: