Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias


Os manuais internacionais e até mesmo os brasileiros expressam bem que em locais onde a velocidade máxima permitida for superior a 50km/h, a pista ciclável deve ser segregada da via por meio de barreiras físicas contínuas.

As explicações para isso estão, em parte, relacionadas a pesquisas sobre índice de letalidade em acidentes. A 30km/h as chances de uma pessoa sobreviver a um acidente variam de 85% e 95%. Já entre 60km/h e 80km/h, esses índices variam de 30% a 15% apenas.

Mas, ao contrário do que recomendam as normas técnicas nacionais e internacionais, observamos a implantação inadequada de algumas vias ciclísticas em plena capital catarinense, Estado eleito pela quinta vez o melhor destino turístico do Brasil, razão pela qual fica incompreensível o desprezo no tratamento de sua infraestrutura cicloviária.

Na recém-inagurada ciclofaixa da rodovia SC-401, observamos, além de irregularidades legais no que diz respeito ao tratamento de pistas cicláveis nas chamadas “obras de arte” (leia-se: pontes e viadutos), um total desconhecimento de como inserir a bicicleta numa rodovia. O projeto de duplicação da pista, feito pela empresa SOTEPA – Sociedade Técnica de Estudos, Projetos e Assessoria, contém falhas, no mínimo, grosseiras e que, indiscutivelmente, contribuiu para que um ciclista perdesse a vida apenas duas semanas depois da inauguração da obra.

Morador de Canasvieiras, Hector Cesar Galeano, de 54 anos, nascido na Argentina, foi vítima de sua escolha pelo uso da bicicleta, da negligência e falta de contingente da Polícia Militar Rodoviária Estadual em coibir abusos e da execução de um projeto de engenharia pífio que não permitiu a segurança de um ciclista em casos, infelizmente tão comuns, de embriaguez ao volante.

Clique sobre a imagem para ver a matéria do Jornal Notícias do Dia de 5 de janeiro deste ano (pág. 4) ou aqui para ler o conteúdo on line Diário Catarinense.

Infelizmente, a Rodovia das Mortes vai continuar fazendo de ciclistas suas vítimas por ainda mais algum tempo.

Fazenda do Rio Tavares

Recentemente, as ciclofaixas da Fazenda do Rio Tavares e do Campeche têm sido alvos de constantes críticas quanto à atuação da Polícia Militar Rodoviária Estadual, em especial durante as operações de reversão de faixas.

Infelizmente, a presença constante de policiais não inibe situações como a presenciada no vídeo abaixo:

O celta branco não se envergonhou em se utilizar do mísero acostamento, cuja largura também é incompatível com a velocidade da via, outrossim não seguindo padrões tanto nacionais quanto internacionais, e da pequena ciclofaixa, inaugurada oficialmente em 23 de março de 2010, mas que, quase dois anos depois, ainda não foi completada e apresenta inúmeros postes no caminho.

Indignante.

Atualizado em 13 de fevereiro de 2012, às 23h46.

Veja também:

Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.

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Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

6 Responses to Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias

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