Fórum Mundial da Bicicleta: soluções inteligentes passam longe de Porto Alegre

O texto abaixo foi publicado na edição impressa do periódico Zero Hora, em 24 de fevereiro de 2012 (pág. 13).

É o 1º Fórum Mundial da Bicicleta!

Realiza-se desde ontem, na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, o 1º Fórum Mundial da Bicicleta. A ideia partiu de um grupo de cidadãos e cidadãs de Porto Alegre que utilizam a bicicleta no dia a dia como meio de transporte.

A data escolhida não é ocasional: amanhã, dia 25 de fevereiro, um ano se completa do atropelamento coletivo ocorrido na Rua José do Patrocínio. Mas, além de marcar essa data, o Fórum Mundial da Bicicleta se pretende propositivo na busca de ideias e soluções para tornar as cidades mais humanas.

Durante os painéis, passeios, oficinas, shows, a bicicleta estará contemplada em suas mais variadas dimensões: mobilidade urbana, educação para a paz no trânsito, democracia direta, sustentabilidade, cooperação, solidariedade, cycle chic, mecânica básica, a bicicleta na economia, esporte, cicloturismo e por aí vai.

Mas há algo igualmente relevante e transformador que marcou toda a organização deste encontro internacional: a horizontalidade e a ausência de “donos” do evento. Com efeito, as assembleias nas quais a organização do evento ocorreu foram realizadas todas as segundas-feiras, abertas para quem quisesse participar. Só não soube das reuniões quem não acompanha o mundo da bicicleta de Porto Alegre. Quem participava, e de alguma forma se dispusesse a ajudar, se tornava um organizador.

Naturalmente, como o grupo sempre foi muito numeroso, o fórum conta com o trabalho voluntário de designers, programadores, assessores de imprensa e muitos outros profissionais que colaboraram para colocar de pé um evento tão singular e importante.

Singular também foi a forma como os recursos foram arrecadados: através de um vídeo coletivo postado no site catarse.me foi possível, através da colaboração financeira de muitos internautas e algumas entidades, pagar passagens aéreass e outros custos necessários ao evento. A meta de R$3,5 mil foi rapidamente alcançada e superada.

Mas um evento desta importância só ocorre quando se legitima socialmente. Neste caso, muito provavelmente a legitimação desta iniciativa é a perda da qualidade de vida nas grande cidades, e com Porto Alegre não é diferente. Além da poluição, a quantidade de horas perdidas dentro dos automóveis em razão dos congestionamentos – o automóvel é uma espécie de “caixa” que isola o motorista do contato real com a cidade e com as outras pessoas.

Desde o atropelamento coletivo na Cidade Baixa, notícia que alcançou os quatro cantos do planeta, incrivelmente a quantidade de ciclistas se locomovendo pelas ruas de Porto Alegre aumentou. E nem isso foi capaz de sensibilizar os gestores municipais.

A política implementada pela atual gestão municipal revela a cultura carrocêntrica doa atuais ocupantes do paço municipal. Com efeito, a ciclovia da Ipirangaestá sendo construída sobre o canteiro para não “atrapalhar o trânsito”. Poucas pessoas sabem que os ciclistas precisarão mudar cinco vezes de lado até chegar à PUC, o que fere um dos princípios básicos de toda ciclovia: a directibilidade. Mais que uma ciclovia que corre o risco de servir apenas para lazer.

Pior: o Plano Diretor Cicloviário Integrado – Lei Complementar Municipal 626/2009 – que prevê a destinação de 20% das multas de trânsito para a construção de ciclovias nunca foi cumprido. Enquanto isso, o prefeito vibra com os estacionamentos subterrâneos que serão construídos – o que aumentará o fluxo de veículos no centro da cidade – e acredita que duplicar algumas ruas vai resolver o problema da mobilidade urbana. Definitivamente, estamos na contramão da História e das soluções inteligentes para melhorar a vida das pessoas nas grandes cidades e torná-las mais humanas.

Por Marcelo Sgarbossa*

* Marcelo Sgarbossa é advogado e ciclista urbano, diretor do Laboratório de Políticas Públicas e Sociais – Lappus, um dos organizadores do 1º Fórum Mundial da Bicicleta

Ouça a música do Plá em memória ao atropelamento coletivo de Porto Alegre

O músico e compositor Ademir Antunes, mais conhecido como Plá, radicado em Curitiba, compôs uma canção que faz alusão ao atropelamento coletivo de ciclistas durante a Massa Crítica de Porto Alegre em 25 de fevereiro de 20111. Ouça abaixo a música e acompanhe a sua transcrição.

Bestafera

Cuidado, minha gente
Que pedala em POA.
Aqui tem um “Bestafera”
Que pode nos atropelar.

Com uma cara insana
E uma arma em suas mãos,
Atropela os ciclistas
Com a pior das intenção.

E ele estudou Leis.
Até tirou CNH.
O Ricardo Neis
tem licença pra matar. [bis]

Aqui em Porto Alegre
Ou em qualquer lugar,
Quando a vida vale menos
Que a pressa de chegar,
A bicicleta e as pessoas
Perdem vidas e a vez
Diante de “bestas feras”
Tipo o Ricardo Neis.
Diante de “bestasferas”
Tipo o Ricardo Neis.

Ciclistas tiram a roupa em Porto Alegre em protesto contra a violência no trânsito

Manifestação marca um ano do atropelamento de 17 pessoas durante a Massa Crítica.

Centenas de ciclistas reuniram-se neste sábado, 25 de fevereiro, em Porto Alegre, para manifestarem seus sentimentos, desejos e expressões ocasionados pelo atropelamento de 17 ciclistas da Massa Crítica local, há exato um ano.

Os ciclistas sairam, em sua maioria, da Usina do Gasômetro, seguindo para o Largo Zumbi dos Palmares antes de chegarem ao local em que o motorista Ricardo Neis jogou o seu carro contra o grupo, que pedia menos violência no trânsito.

Neste local, à Rua José do Patrocínio, velas foram acesas e, mesmo sob forte chuva, os ciclistas ficaram reunidos para ouvir canções tais como “Bestafera“, “Moral” e “Invasão das bicicletas”, do músico de Curitiba Ademir Antunes, mais conhecido como Plá.

Num momento de comoção, várias pessoas foram ao microfone para falar de seus sentimentos acerca do ocorrido. Um dos jovens atingidos contou que até hoje tem que lidar com os efeitos psicológicos advindos do atropelamento. Reinou a indignação com a demora no andamento do processo. A prefeitura municipal de Porto Alegre também foi alvo de críticas por não ter realizado estudos para a implantação de um sistema cicloviário integrado na cidade. Apesar de largas avenidas, Porto Alegre possui hoje menos de 8km de faixas para os ciclistas.

Pelados na chuva

A chuva de hoje fez alguns se recordarem da chuva que caiu há um ano, lavando do asfalto o sangue derramado dos inocentes. A mesma chuva que lava a alma e permite que purificados sigamos em frente.

Depois de uma hora no local do incidente, 126 ciclistas fizeram a primeira Pedalada Pelada de Porto Alegre. De cueca, sutiã, bermuda de ciclismo ou mesmo vestidos, os lemas “as bare as you dare” (tão nu quanto você ousar) e “nus, é assim que nos sentimos no trânsito” ditaram o clima, com a expressão da insegurança estampada nos corpos de cerca de 80% dos ciclistas.

Entre gritos de “Você aí parado! Vem pedalar pelado!” e “Mais bicicletas, menos roupas”, os ciclistas ocuparam as ruas do centro, ocasionando perplexidade entre os motoristas, pedestres e usuários de ônibus, que viam a inusitada manifestação com ares de curiosidade e ludicidade.

Não houve escolta da Empresa Pública da Transporte e Circulação (EPTC) e, a duas quadras do final da pedalada, no Largo Zumbi dos Palmares, a Brigada Militar tomou conhecimento, mobilizando rapidamente outras 3 viaturas e algumas motos.

Não se teve registro de incidentes maiores.

Saiba mais:

De alma lavada

Com recorde de participantes, Massa Crítica leva mais de mil ciclistas às ruas de Porto Alegre

Passava das 19h. Um mar de ciclistas tomou conta do Largo Zumbi dos Palmares. Quem passava de carro por lá não pôde deixar de notar a aglomeração, que a cada minuto que passava se tornava ainda maior. Alguns poucos fantasiados, vários com uma placa vermelha na bicicleta com os dizeres “Bicicletas! Use em caso de mudanças climáticas”, pessoas de todas as idades e bicicletas estavam lá para a maior manifestação do cicloativismo portoalegrense até o presente momento.

A Massa Crítica POA, como a Bicicletada (Critical Mass) é chamada na cidade, mobilizou a população da cidade. Mesmo contando com pessoas de outros países, como Venezuela, Países Baixos e Estados Unidos, e de dezenas de cidades do Brasil, a população porto-alegrense constituía a maioria dos participantes da pedalada que agitou a capital gaúcha na noite desta sexta-feira, 24 de fevereiro.

Apenas na saída, 883 pessoas, tanto de bicicleta quanto de skate e patins, foram contadas, número que superou os 1200 na metade do percurso, quando mais pessoas foram aderindo. A cada quarteirão, novas bicicletas juntavam-se ao grupo.

Na Rua José do Patrocínio, onde 17 ciclistas foram atropelados por um motorista há quase 1 ano, um flash mob: os ciclistas deitaram no asfalto, ocupando alguns quarteirões numa homenagem aos colegas.

Eram favoráveis aos ciclistas as manifestações da ampla maioria dos pedestres, nas calçadas e janelas dos apartamentos, e dos motoristas, bloqueados por fiscais de trânsito da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), que, em bicicletas, forneceram suporte e proteção aos participantes durante a pedalada.

Foi essa a condição que a cicloturista Hilde de Leeuw, dos Países Baixos, encontrou em sua primeira Massa Crítica. Natural de um país dotado da cultura da bicicleta, nunca antes pôde-se ver em uma manifestação tão grandiosa. Já americano Chris Carlsson, um dos idealizados da Critical Mass, que distribuiu as plaquinhas citadas acima, já teve outras oportunidades de ver tanta gente pedalando por uma causa em San Francisco, na Califórnia. O diretor da ONG CicloCidade, Thiago Bennichio, acostumado a algumas das maiores Bicicletadas do Brasil, também só chegou a ver situação semelhante em San Francisco e em São Paulo (SP).

Cruzando túneis, elevados e avenidas, os ciclistas seguiram em direção à Av. Voluntários da Pátria, no Floresta, onde o menino Gustavo Luiz da Silva Rosa, de apenas seis anos, morreu atropelado no último 07 de fevereiro. No local, uma bicicleta-fantasma (ghost bike) permanece instalada. A mãe de Gustavo, vendo a multidão de rodas a girar em compasso à sua frente falou, emocionada: “Que bom que vocês se lembraram da gente!”.

No final, os ciclistas voltaram para a Redenção (Parque Farroupilha), onde Chris Carlsson falou sobre sustentabilidade e mudanças de paradigmas, abordado em seu novo livro: “Nowtopia“.

Depois de tamanha repercussão entre a sociedade civil, como ficou evidente neste Fórum Mundial da Bicicleta, os cidadãos de Porto Alegre anseiam, urgentemente, melhores condições para utilizarem a bicicleta na cidade.

Bike City Tour Porto Alegre

Ao menos, 229 pessoas, de bicicleta, skate ou mesmo correndo, participaram do Bike City Tour, na noite desta quinta-feita, 23 de fevereiro, em Porto Alegre. O percurso começou na Usina do Gasômetro e percorreu diversos pontos da cidade, oferecendo um panorama histórico do desenvolvimento do município. A atual R. dos Andradas era conhecida como Rua da Praia, por ser onde a cidade se encontrava com o rio Guaíba.

Toda a regiao onde hoje estão a Av. Beira-Rio e o gasômetro é área de aterro, inclusive com um interessante valor arqueológico, visto que o lixo e o entulho que estão sob a superficie ajudam a compreender como era a vida da capital gaúcha no século XIX. O Parque Farroupilha, no centro da cidade, também conhecido como Redenção, foi onde ocorreu importante manifestação de escravos, que conseguiu, em 1884, a libertação desses na cidade. Próximo à Redenção, a Av. Independência era local alto onde a burguesia endireirada mantinha sítios.

A Cidade Baixa era próxima ao então porto da cidade, margeando o Arroio Dilúvio, que formava a Ilhota. De habitantes de classe baixa, teve no compositor Lupicínio Rodrigues o seu mais ilustre morador.

O Largo da Matriz, onde também se encontra a Assembléia Legislativa (Palácio Farroupilha) e o Palácio Piratini, é o ponto mais alto do centro de Porto Alegre. A imponente catedral era a porta de entrada da cidade para quem lá aportava. Infelizmente, a vertizalização dela fez com que essa característica fosse perdida enquanto novos arranha-céus eram erguidos.

Por fim, na volta ao Gasômetro, passamos pela misteriosa Rua do Arvoredo, onde, reza a lenda urbana, ocorreram crimes misteriosos, que envolviam a produção de lingüiça de carne humana.

Mistérios, estórias e causos de uma cidadela em formação.

Formiga promove uma introdução ao cicloturismo

Foi disputada a palestra “Introdução ao Cicloturismo”, com Adriano Andrade Formiga. Com a experiência de 16 anos pedalando por locais invisíveis a quem está num automóvel, Formiga dá as suas dicas para quem quer começar nessa fascinante modalidade.

Quadro: prefira os de cromoly (cromo-molibdênio). Alumínio não dura mais que 20 anos, no máximo, para a prática de cicloturismo. Carbono também não é recomendado.

Bagageiro: o quadro deve possuir esferas para o encaixe do bagageiro atrás e à frente. Prefira os feito com nylon, alumínio e duralumínio. Os de plástico, endurecem e quebram no frio. erro enferruja. O cicloturista tem reservas quanto ao uso de bagageiros atrelados. Entre os contratempos, diz que você o puxa em vez de carregá-lo e que são mais pneus a terem chance de serem furados. Em geral, são usados em viagens mais longas, com duração de vários meses a anos.

Freio: você praticamente não o utiliza durante uma cicloviagem. Formiga considera que freio a disco é desnecessário, citando como contratempos a sua massa e a constância de sua manutenção.

Selim: prefira bancos mais largos com molas. Mulheres devem dar preferência a selim com gel e homens, aos modelos vazados. Modelos com os quais o ciclista está mais acostumado também podem ser boas opções. “Cada um sabe a bunda que tem”, diz.

Canote: alumínio.

Guidão: aquele com o qual você se sentir mais adequado. Bar end e guidão circular ajudam a variar posições das mãos, aliviando desconfortos. Guidão de mountain bikes costumam te projetar à frente da bicicleta.

Pedivela: quanto maior, melhor o rendimento.

Sapatilha: ajuda no pedalar, mas ocasiona problemas nas outras atividades envolvidas no cicloturismo, como trilhas e simples caminhadas. Ocasiona, ainda, o problema de se ter que levar um calçado a mais. Tênis e pedaleira são boas pedidas para essa questão.

Roupa: depende da viagem. No verão, ele chega a usar apenas duas bermudas e três camisetas. No inverno, já carregou 55kg, sendo autossuficiente num deserto, situação na qual conseguiu tomar apenas 4 banhos em 32 dias.

Barraca: recomenda a marca de Curitiba Manaslu, que, para 1 a 2 pessoas, tem apenas 2kg.

Fogareiro: MSR. Teste a aprenda a usá-lo antes de viajar.

Ferramentas: além das mais conhecidas, como kit remendo, chaves allen, leve raios extras, chave de raio, pedaços de corrente e extrator de corrente. Como kit de manutenção de corrente, coroa e cassete, querosene, óleo lubrificante e pincel. Passe o querosene com pincel para limpeza, retire com água e passe uma gota de óleo por elo.

Ciclocomputador: para iniciantes é muito legal e útil.

Pneu: varia conforme o tipo de piso de sua viagem. Em geral, Formiga usa um semi-slick 2,0 com banda protetora para evitar furos.

Além disso, ele recomenda sempre usar capacete, o mais vazados possível, óculos-de-sol, que protegem contra mosquito e luvas. Existem modelos de luvas mais aderentes para o frio.

“Quem quer ser cicloturista não pode ter pressa”. Para ele, o caminho, o meio é o que torna a atividade tão agradável.

Alimentação

O cicloturista acostuma-se com a alimentação durante a viagem. Para cerca de um mês, Adriano recomenda massa de miojo, que utiliza pouca água e pouco gás. Durante o dia, capuccino com água de manhã e bolachas e granolas durante a tarde. No deserto, sendo autossuficiente, levava consigo 11L de água.

Quando foi para o Atacama, que é um deserto alto e frio, tomava apenas cerca de 1L por dia. Próximo aos Andes, além de tudo, obteve bastante água de degelo.

Dependendo do local, leva consigo um purificador portátil e clor-in.

Carboidrato em gel pode ser usado como suplemento e sempre deve ser ingerido junto com água, para evitar náuseas e vômitos.

Segundo Formiga, cãibras refletem um estado de desidratação, indicando a falta de sódio e não de potássio. Banana ajuda, mas sozinha não evita a fadiga muscular.

Adversidades

Fã de estradas de chão, que costumam ter paisagens mais bonitas e menor movimento, Formiga evita pedalar a noite, por questão tanto de segurança quanto de aproveitar o visual da paisagem, peculiar a quem viaja de bicicleta. Em caso de adversidade climática, brinca: “Chuva!? Se eu não tenho local para me abrigar, toco o barco!”.

Ele reclama da dificuldade de encontrar, no país, roupa adequada ao cicloturista. Segundo ele, é extremamente mais fácil encontrar fora do Brasil roupas feitas com gore-tex, por exemplo, que alia conforto a proteção contra chuva, por exemplo.

Energia solar na bicicleta

Luís Maccarini fez palestra, nesta quinta-feira, 23 de fevereiro, no Fórum Mundial da Bicicleta, sobre o uso da energia solar. Promete, no sábado, mostrar sua bicicleta acoplada com dispositivos que funcionam com base nessa forma de obtenção de energia.

Maccarini afirma que as casas podem produzir energia solar e ligar sua produção ao sistema operado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Uma casa que produz excesso de energia solar, por exemplo, além da economia na conta, pode repassar essa excesso ao sistema. Isso faz com que a caia a demanda de usinas hidroelétricas em determinados momentos do dia, possibilitando o fechamento de comportas, o que permite aumentar o nível dos reservatórios. Esse aumento pode ser usado em situações críticas, quando há grande demanda de energia do sistema, como é o caso do período noturno, do inverno e, principalmente, de seca e estiagem. É uma forma interessante de contribuir para evitar um colapso energético.

Uma placa fotovoltaíca de 1m² gera cerca de 10kW.h/mês. A título de comparação, 2m² podem garantir o consumo de uma geladeira econômica até o fim de sua vida útil.

No Brasil, a instalação de cada watt gerado por energia solar custa cerca de R$10,00. Num país tropical onde não há incentivos, o custo de instalação é coberto entre 15 e 18 anos.

Maccarini faz uma denúncia grave sobre o uso de gerador a diesel por grandes consumidores. No horário de pico, das 19h às 22h, quando a tarifa é diferenciada e 5,8 vezes mais cara, grandes estabelecimentos, como hospitais e shopping centers, estão queimando óleo diesel, muito mais poluente, para não terem que usar o sistema nacional. “Às 18h59 você começa a perceber que as luzes ficam mais fraquinhas, piscam e, depois, voltam ao normal”, afirma.

Além de todas essas vantagens, a energia solar, por ser repassada direto das unidades produtoras (as casas) à linha de transmissão evita a perda de 15% a 20% da energia, que é dissipada durante os processos de transformação e transmissão das hidroelétricas ao sistema.

O Dopping no Ciclismo Profissional

Marcelo Sgarbossa, ex-ciclista profissional, abordou nesta quinta-feira, 23 de fevereiro, no Fórum Mundial da Bicicleta, em Porto Alegre, sobre o freqüente uso de dopping por ciclistas.

A mais comum substância usada no dopping é a EPO (Eritopoietina). Ela não aumenta a explosão muscular, mas sim a capacidade de captação de oxigênio pelos tecidos. Os tratamentos que envolviam o uso de EPO para melhorar a performance do ciclista demora cerca de um mês para dar os resultados esperados. Além de EPO, envolvia também aspirina, para dar maior fluidez ao sangue, cuja viscosidade a EPO aumenta. Além disso, o tratamento provoca sonolência. “Você chegava ao alojamento e via os atletas parecendo zumbis”, disse Sgarbossa.

O ciclista conta que, durante uma competição, é normal você perder cerca de 7L de líquido por dia, deixando, dessa forma, seu sangue mais concentrado. Essa perda de líquidos, associada ao uso de EPO, já provocou morte de ciclistas por parada cardiorrespiratória no meio de algumas provas.

Quanto à EPO, que estimula a produção de glóbulos vermelhos no nosso sangue, Sgarbossa explica que o hematócrito normal de uma pessoa varia de 40% a 50% de volume de glóbulos vermelhos em relação ao volume de sangue. Acima desse valor, é considerado dopping por uso de EPO.

Dificilmente, hoje em dia, um atleta vai bem nas competições durante o ano todo. Os tratamentos são feitos para que o ciclista esteja no auge durante dois ou três meses durante o ano, na prova de sua preferência. Um rodízio mensal é feito nas equipes de forma que durante todo o ano algum atleta esteja em condições ótimas de competir.

O hormônio do crescimento (growth hormone) também é outra substância utilizada. Provoca aumento nas extremidades do corpo: mãos, pés, nariz, orelha, dedos, braços, pernas, pênis. Possui efeito mesmo após as pessoas pararem naturalmente de crescer.”Você vê um atleta de 23 anos que num ano calçava 41 e, no seguinte, passou a 43″. O crescimento das extremidades provoca deformações no corpo, dando-o uma aparência estranha.

É mais comum na Europa. Na Itália, por exemplo, onde o ciclismo é idolatrado, é comum pais levarem os filhos adolescentes ao médico para ver se algo pode ser feito para que seu filho adquira um biótipo físico típico de um ciclista profissional.

É muito difícil você prevenir novas formas de se dopar um atleta. “Primeiro vem o dopping, depoi a cura”, diz Sgarbossa. A partir do momento em que uma substãncia que melhora o rendimento de um atleta é considerada dopping, são buscadas novas formas de camuflá-la para obter o mesmo rendimento sem que ela seja detectada nos exames, reclama.

Sérgio da Costa Ramos: “Será preciso criar a cultura da ciclovia”

O texto abaixo é de autoria de Sérgio da Costa Ramos e foi publicado na edição impressa do periódico Diário Catarinense de 23 de fevereiro de 2012 (pág. 37). Você pode vê-lo no site do DC aqui ou em PDF aqui. Uma questão, entretanto, merece ser ponderada: novos aterros e pontes não têm embasamento técnico-científico de que contribuam para melhorar a mobilidade urbana com a lacuna que temos hoje de pesquisas atuais sobre a origem e o destino da população metropolitana da Grande Florianópolis. Em Seul, na Coréia do Sul, pontes que trasladavam rodas por sobre o rio foram desmontadas, dando lugar a uma área de lazer, ocasionando, num aparente contrassenso, melhorias na mobilidade urbana e na saúde de sua população. Ademais, o aumento de área para uso exclusivo de veículos particulares faz com que as zonas urbanas da cidade tenham 1/3 de seu território coberto por asfalto, para o deslocamento, o transitório, o meio, em vez das moradias, parques, escolas e hospitais, o seu viver, a sua razão de existir, o seu fim.

Reinventar a roda

Falta pouco.Talvez uns dois anos de boas vendas das 23 montadoras de veículos existentes no país para que alcancemos o verdadeiro labirinto urbano.

Fôssemos uma cidade com planejamento e a tal da “vontade política” – com administrações capazes nos três níveis de poder federativo –, teríamos um rodoanel para retirar o trânsito “expresso” das vias de acesso citadino. E corredores urbanos para o BRT, o ônibus rápido, um serviço de transporte marítimo de massa e pelo menos mais duas pontes e uns três túneis. Um ligando o Centro à universidade, “tatuzando” o Morro do Antão. Outro “furando” o Morro do Padre Doutor e ligando o Itacorubi à Lagoa da Conceição. E um terceiro, submarino, ao lado das pontes, como os túneis que ligam Kowloon a Hong Kong e Nova York a Nova Jersey.

Todo mundo quer mais mobilidade. Eu também quero. Quanto mais ciclovias, melhor. Mas para os ciclistas não serem “tragados” pelo trânsito perverso do bicho-automóvel, esta praga tem que ser domesticada. Com alternativas do transporte coletivo de qualidade e a “alternância” para vias privativas das “duas rodas”.

Será preciso criar a cultura da ciclovia, zelar pelo direito dos ciclistas e dar-lhes, nas novas pistas, um lugar seguro – nada a ver com essas “tachinhas” espalhadas em ruas apertadas, improvisadas ciclovias em meio à lei da selva de um trânsito pesado e desvairado.

Se ainda precisamos conviver com os automóveis, necessitamos de duas coisas: limites e ordenamento na ocupação do solo.

– Com o inchamento da zona continental e a caotização da Ilha – diagnosticou o falecido arquiteto Luiz Felipe da Gama D’Eça –, criou-se um grande desequilíbrio, que estimula os conflitos de uso e a desordem, ampliando o atrito urbano, hoje responsável pela deterioração do sistema viário.

Ao invés da regulação de um plano diretor, o que vimos nos últimos anos foi uma “força-tarefa” na Câmara Municipal modificando zoneamentos e ampliando gabaritos de edifícios. Ou seja: chocando o verdadeiro “ovo da serpente” – que já se traduz num caos anunciado para muito breve.

E o que é que chega (e se multiplica) com a construção de um grande edifício em bairros já mais do que saturados? “Ele”, claro, o automóvel…

Esse “bicho” pode não ser um animal domesticável. Mas existe. Move-se e reage a estímulos externos, governados por este Homo transitus, que nada tem de cordial.

Com uma mão, os governos dos estados têm disputado o “privilégio” de conceder incentivos fiscais a montadoras de veículos. Com a outra, entregam ao automóvel o trânsito já caótico das cidades de pequeno e médio porte – já que as megalópoles há muito se transformaram na Babel da Bíblia.

Florianópolis parece estar vivendo o momento da grande encruzilhada. A hora de enfrentar o automóvel. Para isso, terá que planejar o transporte urbano de massa, construir túneis e vias expressas – fundados num plano diretor com força de lei.

É chegada a hora de “reinventar a roda”. Os engarrafamentos já chegaram à porta das garagens e não há espaço para mais rodas nas ruas.

Floripa, sendo uma ilha, precisa voltar seus olhos para o Mare Nostrum (saúde, Salim Miguel!), se é que deseja continuar exercendo o seu direito legal de ir e vir.

Veja também:

Sérgio da Costa Ramos: “Eu também quero ciclovias”

Notícia sobre a segunda bicicleta-fantasma de Florianópolis

Enquanto pendurávamos a placa na bicicleta-fantasma em homenagem a Hector Cesar Galeano, em Canasvieiras, Florianópolis, um senhor, também de bicicleta, parou para observar. Como ainda acontece nesta Ilha cada vez mais multifacetada, começou a conversar. Disse que havia uma bicicleta igualzinha àquela ao seu sobrinho alguns quilômetros para trás na mesma rodovia.

Isso mesmo! Aquele senhor era tio de Rodrigo Wilmar da Costa, morto por um motorista embriagado no acostamento da SC-401. Aparentemente, sua vontade de pedalar não diminuíra com o acidente, como pôde-se notar pela magrela que o acompanhava naquele sábado pela manhã.

Apontou o lugar exato em que o argentino Hector Galeano foi atingido, logo após uma baia para um ponto de ônibus ainda inexistente. Reclamou da ciclofaixa na SC-401, afirmando que ela não lhe traz maior segurança, afirmando ser necessária uma barreira física contínua que a separe da pista. Em sua visão, os tachões em nada ajudam os ciclistas.

Trouxe, também, notícias vindas do incidente com seu sobrinho. A família recebeu um dinheiro do seguro. Sobre o motorista, que, além de ébrio, conduzia um veículo furtado e com placas clonadas, não soube dizer o que se passara.

Em sua última manhã, Rodrigo recusara uma carona para seguir de bicicleta o percurso que nunca chegaria a completar.

Da rodoviária ao Gasômetro sem ser atropelado

Desembarquei pouco depois das 7h na rodoviária de Porto Alegre. Minha bicicleta veio junto, transportada num dos bagageiros da empresa Eucatur. Dirigi-me direto à Usina do Gasômetro, à beira do rio Guaíba. A idéia de ir pedalando pela movimentada Av. Mauá (e depois Av. Pres. João Goulart, vulgo Beira-Rio) foi logo abortada, devido às 4 faixas de alta velocidade. Optei por ir pelo centro da cidade, sem ser atropelado, num percurso de praticamente igual distância, com a vantagem de conhecer parte do patrimônio arquitetônico porto-alegrense.

Dividi a faixa de ônibus no contrafluxo da R. Voluntários da Pátria, divindindo com os pedestres, posteriormente, o calçadão da Praça Quinze de Novembro e da R. dos Andradas, terminando na área militar da R. Sete de Setembro antes de observar a estrutura típica do Gasômetro.

Porto Alegre conta com patrulha de bicicleta, com suas magrelas amarelas a vigiar a Praça Quinze de Novembro. Apesar disso, o uso desse veículo parece ser, de certa maneira, ignorado, com seguidas pessoas recomendando ruas pela contramão (inclusive da patrulha). As regras de trânsito relativas à bicicleta permanecem, de certa forma, ignoradas, apesar da reação da mídia ao atropelamento de ciclistas na Massa Crítica de um ano atrás.

A presença recente do Carnaval ainda se fazia sentir pelas ruas da cidade pelo leve teor ureico do centro. Apesar disso, as ruas estavam limpas, com os principais detritos sendo folhas e galhos das árvores.

Passando por meio de praças, deparei-me, em frente ao gasômetro, com uma travessia de pedestres que é uma afronta ao bom senso de caminhar. A Av. Pres. João Goulart conta com acionamento de botão para pedestres. Até aí, tudo bem, se não fosse a impossiblidade de atravessar ambas as pistas da avenida, e os parcos quase 15s que são conferidos aos pedestres para realizar meia travessia. Grades conduzem o pedestre a outro ponto do canteiro central para acionar outro botão para se ter outros quase 15s para se atravessar as outras duas faixas que a avenida comporta nesse ponto.

Seguindo por esse caminho, dá para se ficar pensando: por que não se faz um parque linear à beira do Guaíba, com calçadão e ciclovia, proporcionando mais vida àquele trecho.

Para a surpresa geral, apesar da deficiência de acesso a pedestres e ciclistas, a partir do Gasômetro, indo ao sul e ao leste, margeando o rio, rumo à sua foz, existe uma ampla área verde, ocupando àrea de transbordo natural do rio, com ampla pista de caminhada com cerca de 10m de largura (isso mesmo, 10m!), que, mesmo às 8h da manhã, encontrava-se tomada por pessoas, além de um ou outro ciclista. O treinamento matinal de militares da polícia e do Exército naquele trecho torna-o seguro, possibilitando que mais pessoas ocupem a área, trazendo vitalidade àquele trecho que, há 20 anos, era repudiado pela população local.

Estou agora no Gasômetro e o Fórum Mundial da Bicicleta começa a ser montado. Estão cá do meu lado paraciclos, trazidos pelos próprios organizadores, que serão montados para serem usados pelos participantes. Uma exposição de bicicletas também está sendo ajeitada.

Fabiano Faga Pacheco

Catarinenses vão ao Fórum Mundial da Bicicleta, em Porto Alegre

Ano passado, dezesseis ciclistas da Massa Crítica de Porto Alegre foram atropelados por um motorista que passou com seu automóvel por cima da manifestação ciclística pró-vida! Para relembrar a data, ativistas da bicicleta da capital gaúcha organizaram o 1º Fórum Mundial da Bicicleta, que começa nesta quinta-feira, 23 de fevereiro.

Como costuma acontecer em eventos desse tipo, a participação de ciclistas e cicloativistas de Santa Catarina será massiva. Além de integrantes das associações de ciclistas de Blumenau (ABC Ciclovias) e Florianópolis (ViaCiclo), estão a caminho de Porto Alegre, de bicicleta mesmo, representante da empresa de cicloturismo Caminhos do Sertão, da microempresa de produtos relacionado à bicicleta Pedarilhos e do documentário sobre (i)mobilidade urbana Floriparada.

Parte da cobertura do evento, assim como aconteceu no Bicicultura, você encontrará aqui, no Bicicleta na Rua.

A programação completa – e gratuita – do evento, que terá sede na Usina do Gasômetro, você encontra clicando no folder do Fórum.

Esperemos que, além dos ciclistas, técnicos e representantes da população participem de parte das oficinas para que se possa, enfim, dizer que a situação dos ciclistas nas cidades vai melhorar. Sob este ponto de vista, pode-se especular: será este Fórum um marco na mobilidade por bicicleta ou apenas mais um evento cujas possibilidades ficarão restritas ao aprendizado de seus participantes?

Bicicletada de Carnaval animará ciclistas na capital catarinense

Acontece nesta sexta-feira, 24 de fevereiro, a Bicicletada de Florianópolis, o já tradicional evento mensal que reúne ciclistas de todas as tribos da capital catarinense para uma pedalada pela cidade, mostrando que é possível, sim, o compartilhamento da rua entre os mais diversos meios de transporte que a cidade possui.

Aberto à família, aos amigos e a quem quiser comparecer, a Bicicletada começa a se concentrar a partir das 18h, na praça de skate em frente ao Shopping Iguatemi, com saída para a pedalada às 19h, em percurso decidido na hora pelos participantes, em ritmo leve. No meio do percurso, canções toadas pelos participantes tornam lúdica para os iniciantes a sensação de estarem pedalando com relativa tranquilidade pelas ruas de Florianópolis.

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Arte: Nya Lhullier e Marina Sissini

Venha fantasiado para essa festa ciclística!

Obs.: em caso de chuva, a Bicicletada está automaticamente CONFIRMADA.

“Espero que a ghost bike em homenagem a ele tenha sido a última”, diz nora de ciclista atropelado em ciclofaixa em Canasvieiras

“Sou a nora de Hector Cesar Galeano. Venho em meio dessa mensagem agradecer pela homenagem que foi feita no dia 12 para meu sogro. Poucos sabem, mas a família de Hector mora nos Ingleses, em Florianópolis. Ele deixou 2 filhos e um neto que o amavam muito e que sentem imensa falta de seu sorriso e seus abraços sempre cheios de amor. Eu, meu marido e meu filho agradecemos!!!

Segue foto do Hector Galeano junto com o neto.

Espero que a Ghost Bike instalada em homenagem a ele na SC-401 tenha sido a última!

 Raquel Rosa Guimarães “


Relatos da Instalação da Bicicleta-fantasma
Pedala Floripa

Fotos
Audálio Marcos Vieira Júnior
Fabiano Faga Pacheco
Guilherme Peres

Vídeos
Audálio Marcos Vieira Júnior
Guilherme Peres 

Saiba mais:

Florianópolis foi a primeira cidade da América do Sul a ter duas bicicletas-fantasmas instaladas em apenas um final de semana –  A ghost bike de Hector Cesar Galeano foi a segunda do final de semana.
Florianópolis terá duas Bicicletadas neste fim de semana – Divulgação oficial da  Mobilização por mais segurança e menos mortes na Ilha de Santa Catarina.
SC-401, a Rodovia da Morte para ciclistas – Reportagem do Jornal Notícias do Dia revela a preocupação com a circulação de bicicleta na rodovia estadual mais movimentada de Santa Catarina.
Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias – Nota sobre o acidente com Hector Cesar Galeano.
A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a rodovia e a mobilidade.
SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão – A liberação consentida da Polícia Militar Rodoviária para automóveis usarem o acostamento coloca em risco a vida de ciclistas.
Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – Relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.
A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados – Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes como os deste fim-de-semana aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.
Bicicletas-fantasmas em Florianópolis para o mundo saber – As primeiras ghost bikes da Grande Florianópolis são divulgadas para o mundo. A cidade foi a terceira cidade brasileira a contar com essa homenagem.

Veja também:

Mais de duzentas pessoas comparecem à homenagem a ciclista morto na SC-401, neste sábado – Cobertura do Bicicleta na Rua sobre a bicicleta-fantasma na SC-401 em homenagem a Emílio Delfino Carvalho de Souza.
“Os ferimentos do meu filho não foram leves”, diz mãe de ciclista atingido na SC-401 – Desabafo da mãe de Nicolas Paolo Zanella, o outro ciclista atropelado na SC-401.
Notas sobre a reunião pelo fim da impunidade no trânsito – Sociedade civil, mobilizada, divulga novas informações sobre o acidente.
(Vídeo) Acidente na SC-401 no RBS Notícias – Conteúdo da RBS TV SC.
Acorda Floripa! – Depoimento do triatleta André Puhlmann, que estava pedalando próximo ao local do acidente.
Vídeo e mais comentários sobre a entrevista acerca dos ciclistas atropelados na SC-401 – Conteúdo comentado do Jornal do Almoço.
Charge – Pedalando com segurança na SC-401
Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço – Primeira parte dos comentários sobre o vídeo do Jornal do Almoço.
Mais um ciclista morre na SC-401  – Divulgação do último acidente no Jornal Notícias do Dia.
Motorista embriagado que matou ciclista no Jurerê vai a júri popular – Moacir Pereira divulga o andamento do processo do triatleta Rodrigo Machado Lucianetti.

Florianópolis foi a primeira cidade da América do Sul a ter duas bicicletas-fantasmas instaladas em apenas um final de semana

No domingo, outro ciclista foi atropelado.

A instalação da bicicleta-fantasma (ghost bike) no último domingo, dia 12 de fevereiro, em Canasvieiras, em homenagem ao ciclista Hector Cesar Galeano (19/12/1957 – 03/01/2012), morto por um motorista embriagado foi a segunda naquele final de semana na capital catarinense. Na véspera, na mesma rodovia SC-401, outra bicicleta-fantasma relembra o acidente que vitimou Emílio Delfino Carvalho de Souza e feriu Nicolas Paolo Zanella.

Ghost bike em Canasvieiras relembra Hector Cesar Galeano, atropelado por um motorista embriagado no começo do ano. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Cinqüenta e sete ciclistas estiveram presentes nessa homenagem. Moradores do bairro, triatletas e pessoas que usam a bicicleta no dia-a-dia promoveram a homenagem. “Esperamos que as pessoas se conscientizem e que esta seja a última bicicleta-fantasma desta cidade”, falou Audálio Marcos Vieira Júnior.

Mais de cinqüenta ciclistas partem de Canasvieiras. Foto: Guilherme Peres.

A bicicleta-fantasma, toda pintada de branco, foi pendurada num poste na SC-401, a 200m do Trevo de Canasvieiras, sentido centro-bairro, onde Hector foi atingido enquanto pedalava pela ciclofaixa construída com a recente duplicação das pistas da rodovia. No local, também foi pintada no asfalto, no acostamento, uma estrella negra (estrela-negra), simbolizando a vida perdida.

Estrela-negra embranqueia o asfalto da SC-401 em Canasvieiras. Foto: Guilherme Peres.

Inauguração do bicicletário do TICAN

Os ciclistas partiram do Trevo de Canasvieiras e foram rumo ao sul, ocupando a ciclofaixa e o acostamento da região, observando os problemas na obra recém-inaugurada, de forma a serem propositivos e contribuírem para a sua melhoria.

Além da sinalização vertical errônea e deficiente, abrigos de ônibus foram feitos sobre a ciclofaixa e a travessia de algumas das pontes não oferece a menor condição de segurança ao ciclista. A medição com trena indicou que os automóveis não conseguem parar com segurança no acostamento de, no máximo, 1,5m, considerando desnível da pista de rolamento e tachões, obrigando-os a estacionarem sobre a ciclofaixa.

Paradas de ônibus sobre a ciclofaixa obrigam os ciclistas a desviarem de obstáculos. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Os ciclistas passaram sobre o elevado dos Ingleses e, na metade da pedalada, “inauguraram” o novo bicicletário do Terminal de Integração de Canasvieiras, com capacidade para mais 30 bicicletas, com relativa segurança.

Faltou espaço no bicicletário do TICAN. Foto: Guilherme Peres.

Quinta bicicleta-fantasma da Grande Florianópolis

Com mais essas duas, chegam a cinco as bicicletas-fantasmas instaladas na Grande Florianópolis. Destas, 4 foram feitas em homenagem a ciclistas atropelados por motoristas embriagados.

A primeira, na SC-402, em Jurerê, lembra o triatleta Rodrigo Machado Lucianetti, morto em 3 de agosto de 2008. O motorista, Thiago Luiz Stabile, vai a júri popular em sentença publicada mais de três anos após o acidente. Marcelo  Occhialini Godoy, também atropelado, passou por inúmeras cirurgias e ainda sofre com problemas psicológicos decorrentes deste acidente. A boa notícia é que, este ano, deve voltar às atividades físicas.

Bicicleta-fantasma em Jurerê é a única das outras três que está em pé. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Ainda em 2008, em 13 de setembro Rodrigo Wilmar da Costa foi atingido no acostamento na mesma SC-401 onde houve as manifestações da última semana. O motorista, embriagado, com veículo furtado e placas clonadas, foi liberado após pagar fiança de R$2500,00. A bicicleta-fantasma em sua homenagem foi furtada.

Por fim, ainda em 2008, Esaú Roberto de Medeiros foi atropelado por um motociclista às margens da BR-101, em Biguaçu. Sua bicicleta-fantasma, a mesma com a qual pedalava, foi retirada do local por sua família, a pedido do motociclista, visto que Esaú pedalava pela contramão quando foi atingido.

Atropelamento

Por volta das 22h30min do mesmo domingo em que a bicicleta-fantasma de Hector foi erguida, Robson da Silva, 20 anos, foi atropelado na Av. Beira-Mar Norte, próximo à Av. Prof. Othon Gama D’Eça, e foi levado em estado gravíssimo ao Hospital Celso Ramos. Não se tem notícias do seu atual quadro de saúde.

 Fabiano Faga Pacheco

Relatos
Pedala Floripa

Fotos
Audálio Marcos Vieira Júnior
Fabiano Faga Pacheco
Guilherme Peres

Vídeos
Audálio Marcos Vieira Júnior
Guilherme Peres 

Saiba mais:

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(Vídeo) Acidente na SC-401 no RBS Notícias – Conteúdo da RBS TV SC.
Acorda Floripa! – Depoimento do triatleta André Puhlmann, que estava pedalando próximo ao local do acidente com o Emílio.
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Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – Relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.
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Charge – Pedalando com segurança na SC-401
Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço – Primeira parte dos comentários sobre o vídeo do Jornal do Almoço.

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