Vídeo e mais comentários sobre a entrevista acerca dos ciclistas atropelados na SC-401


Conteúdo exibido originalmente no Jornal do Almoço, da RBS TV SC,  em 6 de fevereiro de 2012. Assista aqui à reportagem no site.

Revi agora o vídeo com a matéria da RBS TV SC. Não podia deixar de comentar mais três aspectos citados nele, que demonstram um certo desconhecimento e, ainda mais, a tentativa de eximir-se de suas próprias responsabilidades.

O superintendente do IPUF e também secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano falou no valor de R$4 milhões para a implantação de ciclovias este ano na cidade. Este valor está bem aquém daquele previsto para ser investido. A maior parte da verba foi acertada em dezembro e virá dos cofres da União, incluindo aí o investimento na ciclovia da Av. Ver Osni Ortiga, na Lagoa da Conceição. Esse valor de R$4 milhões refere-se às obras na R. Bocaiúva e R. Almirante Lamego e faz parte da Rota 2 da Microrrede Cicloviária do Centro, conforme documento assinado por ele, datado de janeiro de 2010.

A Microrrede Cicloviária do Centro planeja promover a circulação maciça e segura de ciclistas na capital catarinense e faz parte da contrapartida da prefeitura para a implantação do sistema de bicicletas de aluguel, em licitação. Essa microrrede foi bastante elogiada recentemente e deve ser um dos melhores projetos para se melhorar a mobilidade urbana no centro da cidade.

Recentemente, um dos trechos dessa rota foi orçado e o valor ficou em torno de R$4 milhões, abrangendo uma bonita revitalização das ruas Bocaiúva e Almirante Lamego.

As demais rotas ainda não foram orçadas. Elas mesclam ciclovias, ciclofaixas, passeios compartilhados, pseudociclofaixas e ciclorrotas sem sinalização horizontal aparente, com trânsito compartilhado.

Em relação aos puxadinhos, além da óbvia dificuldade em se fiscalizar um território vasto com tão poucos fiscais, ocorre, na ilha, com anuência e assinaturas do representante do IPUF e da SMDU, um processo intrincado. Quando um lote é desmembrado, para venda separada ou, em especial, para a construção de um loteamento, ocorre cessão de partes desse terreno para a prefeitura. Isso é necessário para que possam ocorrer melhorias viárias, instalação de parques, praças, postos policiais, de bombeiros e de saúde, além de escolas para atender à nova população prevista para chegar junto com o loteamento. Acontece que, em alguns casos, esse desmembramento é tratado como condomínio, em que não há cessão de terreno público, ou esta é mínima. Isso gera, além da ausência de equipamentos públicos, problemas viários imensos em torno dos novos empreendimentos, que contam com ruas de dimensões menores. Essa não cessão de terreno é vantajosa à construtora, uma vez que dispõe de um terreno maior para si (e não para todos), possibilitando mais construções e, conseqüentemente, maior lucro.

Além disso, nas novas ruas abertas, além de obras paliativas como o Elevado do Trevo da Seta e o Elevado Carl Hoepcke (Rita Maria), a lei foi completamente ignorada. O secretário fez-se de ouvidos moucos e visão turva com o Art. 7º da Lei Complementar Nº 78/2001. Em 11 anos, apenas uma vez esse artigo foi cumprido.

Por fim, para tirar a dúvida de muitos, incluindo as do superintendente, o Art. 105 do Código de Trânsito Brasileiro fala que são equipamentos de uso obrigatório do ciclista “campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo”. Essa sinalização vem com a bicicleta, e são refletores, de iluminação passiva (nada de piscas ou lanterna, esses são itens opcionais) que em nada contribuiriam para culpabilizar os ciclistas Emílio Delfino Carvalho de Souza e Nicolas Paolo Zanella, atingidos em pela luz do dia!

Saiba mais:

Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço

Atualizado em 26 de março de 2012, às 18h31.

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Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

14 Responses to Vídeo e mais comentários sobre a entrevista acerca dos ciclistas atropelados na SC-401

  1. Manuel Rebollo says:

    Quando é que a gente vai ter jornalismo de verdade? Perguntas que eu queria respondidas com esse vídeo:
    1. Qual o nome e a idade do motorista que causou o acidente?
    2. Onde foi, exatamente?
    Em vez disso eu encontrei a Laine abrindo a matéria como uma professora de educação física abre uma aula de academia e repórteres reptindo lições de moral que todo mundo já sabe mas que ninguém vai respeitar enquanto não houver fiscalização.

    • Lucas Collovini, não sei a idade, na SC-401 entre os bairros Itacorubi e João Paulo, sentido Norte, próximo a uma baia de ônibus.
      Eu acho que eles ficaram realmente surpresos com as respostas dos superintendentes. Em entrevista anterior, um secretário estadual não respondeu às perguntas sobre educação, deixando ambos visivelmente constrangidos e indignados.

  2. Fábio Silva says:

    ciclista na contramão??? dito por um inspetor da PRF!!!!

  3. Pingback: Mais um ciclista morre na SC-401 « Bicicletada Floripa

  4. Peters says:

    Tá, o cara da PRF passou um orientação errada.
    Mas o mais importante de se saber é se o IPUF e a PRF respondem pelo Deinfra e PMRv-SC. Estas duas são as autoridades com jurisdição sobre a via SC 401. Estão todos unidos para eximir-se da responsabilidade pela segurança dos mais vulneráveis no trânsito?

  5. Peters says:

    Tem mais.
    Acostamento é uma parte da via onde é proibida a circulação de veículos, exceto bicicleta.
    Se o cara atropela, mata e deixa ferido, atingindo as vítimas por trás e no acostamento, diz que dormiu no volante e aparentava embriaguez conforme as testemunhas e declarações, não tem aí todos os elementos do dolo eventual? E o delegado ainda enquadra como crime culposo? Que chance esse motorista deu às vítimas de se salvarem? Quem circula pelo acostamento em alta velocidade assume o risco de matar!

    • Realmente, Peters, é estranho. O IPUF e a PMRvF realmente não têm jurisdição sobre a via, mas tiveram declarações próximas ao Deinfra.
      Não entendi também o enquadramento como homicídio culposo, mas parece que foi feito um termo de constatação de embriaguez (o que praticamente confirma o dolo), de tal forma que creio que o caso seja re-enquadrado.

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  8. Arthur says:

    Só complementando seu ultimo parágrafo: um retrovisor esquerdo também de nada adiantaria, pois na velocidade que um carro trafega, vc apenas iria saber q seria atingido.

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