Da rodoviária ao Gasômetro sem ser atropelado


Desembarquei pouco depois das 7h na rodoviária de Porto Alegre. Minha bicicleta veio junto, transportada num dos bagageiros da empresa Eucatur. Dirigi-me direto à Usina do Gasômetro, à beira do rio Guaíba. A idéia de ir pedalando pela movimentada Av. Mauá (e depois Av. Pres. João Goulart, vulgo Beira-Rio) foi logo abortada, devido às 4 faixas de alta velocidade. Optei por ir pelo centro da cidade, sem ser atropelado, num percurso de praticamente igual distância, com a vantagem de conhecer parte do patrimônio arquitetônico porto-alegrense.

Dividi a faixa de ônibus no contrafluxo da R. Voluntários da Pátria, divindindo com os pedestres, posteriormente, o calçadão da Praça Quinze de Novembro e da R. dos Andradas, terminando na área militar da R. Sete de Setembro antes de observar a estrutura típica do Gasômetro.

Porto Alegre conta com patrulha de bicicleta, com suas magrelas amarelas a vigiar a Praça Quinze de Novembro. Apesar disso, o uso desse veículo parece ser, de certa maneira, ignorado, com seguidas pessoas recomendando ruas pela contramão (inclusive da patrulha). As regras de trânsito relativas à bicicleta permanecem, de certa forma, ignoradas, apesar da reação da mídia ao atropelamento de ciclistas na Massa Crítica de um ano atrás.

A presença recente do Carnaval ainda se fazia sentir pelas ruas da cidade pelo leve teor ureico do centro. Apesar disso, as ruas estavam limpas, com os principais detritos sendo folhas e galhos das árvores.

Passando por meio de praças, deparei-me, em frente ao gasômetro, com uma travessia de pedestres que é uma afronta ao bom senso de caminhar. A Av. Pres. João Goulart conta com acionamento de botão para pedestres. Até aí, tudo bem, se não fosse a impossiblidade de atravessar ambas as pistas da avenida, e os parcos quase 15s que são conferidos aos pedestres para realizar meia travessia. Grades conduzem o pedestre a outro ponto do canteiro central para acionar outro botão para se ter outros quase 15s para se atravessar as outras duas faixas que a avenida comporta nesse ponto.

Seguindo por esse caminho, dá para se ficar pensando: por que não se faz um parque linear à beira do Guaíba, com calçadão e ciclovia, proporcionando mais vida àquele trecho.

Para a surpresa geral, apesar da deficiência de acesso a pedestres e ciclistas, a partir do Gasômetro, indo ao sul e ao leste, margeando o rio, rumo à sua foz, existe uma ampla área verde, ocupando àrea de transbordo natural do rio, com ampla pista de caminhada com cerca de 10m de largura (isso mesmo, 10m!), que, mesmo às 8h da manhã, encontrava-se tomada por pessoas, além de um ou outro ciclista. O treinamento matinal de militares da polícia e do Exército naquele trecho torna-o seguro, possibilitando que mais pessoas ocupem a área, trazendo vitalidade àquele trecho que, há 20 anos, era repudiado pela população local.

Estou agora no Gasômetro e o Fórum Mundial da Bicicleta começa a ser montado. Estão cá do meu lado paraciclos, trazidos pelos próprios organizadores, que serão montados para serem usados pelos participantes. Uma exposição de bicicletas também está sendo ajeitada.

Fabiano Faga Pacheco

Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

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