Ciclistas tiram a roupa em Porto Alegre em protesto contra a violência no trânsito


Manifestação marca um ano do atropelamento de 17 pessoas durante a Massa Crítica.

Centenas de ciclistas reuniram-se neste sábado, 25 de fevereiro, em Porto Alegre, para manifestarem seus sentimentos, desejos e expressões ocasionados pelo atropelamento de 17 ciclistas da Massa Crítica local, há exato um ano.

Os ciclistas sairam, em sua maioria, da Usina do Gasômetro, seguindo para o Largo Zumbi dos Palmares antes de chegarem ao local em que o motorista Ricardo Neis jogou o seu carro contra o grupo, que pedia menos violência no trânsito.

Neste local, à Rua José do Patrocínio, velas foram acesas e, mesmo sob forte chuva, os ciclistas ficaram reunidos para ouvir canções tais como “Bestafera“, “Moral” e “Invasão das bicicletas”, do músico de Curitiba Ademir Antunes, mais conhecido como Plá.

Num momento de comoção, várias pessoas foram ao microfone para falar de seus sentimentos acerca do ocorrido. Um dos jovens atingidos contou que até hoje tem que lidar com os efeitos psicológicos advindos do atropelamento. Reinou a indignação com a demora no andamento do processo. A prefeitura municipal de Porto Alegre também foi alvo de críticas por não ter realizado estudos para a implantação de um sistema cicloviário integrado na cidade. Apesar de largas avenidas, Porto Alegre possui hoje menos de 8km de faixas para os ciclistas.

Pelados na chuva

A chuva de hoje fez alguns se recordarem da chuva que caiu há um ano, lavando do asfalto o sangue derramado dos inocentes. A mesma chuva que lava a alma e permite que purificados sigamos em frente.

Depois de uma hora no local do incidente, 126 ciclistas fizeram a primeira Pedalada Pelada de Porto Alegre. De cueca, sutiã, bermuda de ciclismo ou mesmo vestidos, os lemas “as bare as you dare” (tão nu quanto você ousar) e “nus, é assim que nos sentimos no trânsito” ditaram o clima, com a expressão da insegurança estampada nos corpos de cerca de 80% dos ciclistas.

Entre gritos de “Você aí parado! Vem pedalar pelado!” e “Mais bicicletas, menos roupas”, os ciclistas ocuparam as ruas do centro, ocasionando perplexidade entre os motoristas, pedestres e usuários de ônibus, que viam a inusitada manifestação com ares de curiosidade e ludicidade.

Não houve escolta da Empresa Pública da Transporte e Circulação (EPTC) e, a duas quadras do final da pedalada, no Largo Zumbi dos Palmares, a Brigada Militar tomou conhecimento, mobilizando rapidamente outras 3 viaturas e algumas motos.

Não se teve registro de incidentes maiores.

Saiba mais:

De alma lavada

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Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

5 Responses to Ciclistas tiram a roupa em Porto Alegre em protesto contra a violência no trânsito

  1. Hummmmmm…….assim começa……e aqui em Floripa?
    Quando será que teremos a Bicicletada Pelada?

    Como “nús” sentimos no trânsito?
    “Pelados” de segurança, pelo extremo mal e mau uso do espaço público com motorizados!!!

  2. edio martins says:

    Mas bah tchê!!! aproveita que esta quente para fazer um pedal dos pelados….já pensou o Pereira de cuacas gritando Huli Huli .

    • Não precisei pensar… bastou presenciar!
      hahahahaha

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