Mais de duzentas pessoas comparecem à homenagem a ciclista morto na SC-401, neste sábado

Texto: Fabiano Faga Pacheco. Fotos: Fabricio Sousa.

Cento e noventa e dois ciclistas e cerca de 30 pessoas a pé participaram, na manhã deste sábado, da implantação da quarta bicicleta-fantasma (ghost bike) na Grande Florianópolis. Foi uma homenagem ao ciclista Emílio Delfino Carvalho de Souza, 21 anos, que morreu atropelado por um motorista embriagado na manhã do último domingo, 5 de fevereiro, na SC-401, no bairro João Paulo, em Florianópolis.

A partir das 9h, ciclistas começaram a chegar na pista de skate da Trindade, onde um café-da-manhã coletivo, com frutas, foi servido. Pouco depois das 10h, os ciclistas tomaram a ciclovia da Av. Beira-Mar Norte, passando pelas Av. Madre Benvenuta e Rod. Admar Gonzaga antes de começarem a subir a SC-401. Uma das duas faixas de rolamento do local foi fechada, a fim de garantir a segurança dos ciclistas num trecho onde o acostamento é inexistente.

O excesso de veículos ocasionou lentidão no local para o tráfego motorizado. Mesmo assim, diversos acenos e buzinas de apoios foram ofertados por quem estava em automóvel. Não se ouviu nenhuma manifestação de raiva.

Ciclistas, estudantes de Medicina – colegas de Emílio – e alunos de Kung Fu, amigos de Nicolas Paolo Zanella, o outro ciclista envolvido no acidente, levaram cartazes, protestando contra a violência no trânsito, exigindo respeito ao ciclista e pedindo maior fiscalização da Lei Seca.

Ao chegarem ao local do acidente, foi feito um flash mob de cerca de quatro minutos: os ciclistas deitaram no asfalto, num ato de memória e respeito aos ciclistas mortos no asfalto. Foi pintada uma estrela negra no asfalto, imediatamente abaixo do local onde o ciclista bateu a cabeça do chão. Além disso, uma bicicleta inteiramente branca, chamada bicicleta-fantasma (ghost bike) foi afixada a um poste de luz, a cerca de 5m de altura, de forma a chamar atenção na paisagem, relembrando os motoristas de que devem tomar atenção redobrada com os ciclistas. A sua colocação foi feita de forma a não atrapalhar a visão dos usuários e motoristas do transporte coletivo, já que ali há uma baia de ônibus.

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Martha Batista de Lima, mãe de Nicolas, levou flores ao local. Um vaso foi pendurado no selim da bicicleta-fantasma e outro foi colocado na terra, diante dela.

Os ciclistas fizeram duas orações e, com ajuda da Polícia Militar Rodoviária, que fechou ambas as pistas, tomaram a SC-401 em sentido contrário, retornando à concentração.

Saiba mais:

“Os ferimentos do meu filho não foram leves”, diz mãe de ciclista atingido na SC-401 – desabafo da mãe de Nicolas Paolo Zanella, o outro ciclista atropelado na SC-401.
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Notas sobre a reunião pelo fim da impunidade no trânsito – Sociedade civil, mobilizada, divulga novas informações sobre o acidente.
(Vídeo) Acidente na SC-401 no RBS Notícias – Conteúdo da RBS TV SC.
Acorda Floripa! – Depoimento do triatleta André Puhlmann, que estava pedalando próximo ao local do acidente.
Vídeo e mais comentários sobre a entrevista acerca dos ciclistas atropelados na SC-401 – Conteúdo comentado do Jornal do Almoço.
Mais um ciclista morre na SC-401  – Divulgação do último acidente no Jornal Notícias do Dia.
Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias – Nota sobre o acidente com Hector Cesar Galeano.
SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão – A liberação consentida da Polícia Militar Rodoviária para automóveis usarem o acostamento coloca em risco a vida de ciclistas.
Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – Relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.
A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados – Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes como os deste fim-de-semana aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.
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Charge – Pedalando com segurança na SC-401
Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço – Primeira parte dos comentários sobre o vídeo do Jornal do Almoço.

Notícias sobre a Bicicletada deste sábado

Na mobilização por mais segurança e menos mortes na Ilha de SC, os ciclistas de Florianópolis irão realizar, neste sábado, uma Bicicletada rumo à SC-401, no bairro João Paulo, onde o ciclista Emílio Delfino Carvalho de Souza foi morto e o ciclista Nicolas Paolo Zanella, ferido, por um motorista alcoolizado no último domingo, dia 5 de fevereiro.

A concentração da manifestação começará a partir das 9h, na pista de skate em frente ao Shopping Iguatemi, no bairro Trindade. A saída para a pedalada começará às 10h, com previsão de chegada para instalação da estrela negra (estrella negra) e da bicicleta-fanstama (ghost bike) no local do acidente, às 10h30min.

A bicicleta-fantasma em homenagem a Emílio Delfino foi pintada nesta sexta-feira. Foto: João Paulo Neri Garibaldi.

Marcas de sangue e pedaços tanto do automóvel quanto das bicicletas ainda eram encontrados no local na noite desta sexta-feira. A marca de onde Emílio bateu a cabeça após rolar por sobre o automóvel está a cerca de 4,5m da pista de rolamento, em frente a uma baia de ônibus.

A Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo) protocolou um ofício pedindo escolta para segurança dos ciclistas à Polícia Militar Rodoviária e Polícia Militar. O documento, abaixo, também é de conhecimento da Câmara Municipal. O Direto do Campo e o bar Samaritano, ao lado da pista de skate, disponibilizarão frutas e café-da-manhã a custos bastante reduzidos para quem chegar cedo no local. Além deles, a loja Della Bikes, os centros acadêmicos dos cursos de Ciências Biológicas (CABio) e Medicina (CALIMED) e o Grupo de Estudos e Educação Ambiental (GEABio) da Universidade Federal de Santa Catarina também contribuíramo nos preparativos e na logística.

Em caso de chuva, o evento permanece confirmado!

O percurso pode ser feito também a pé (recomenda-se ir a partir do final da ciclovia da Av. da Saudade). Se chegar cedo ao local (a partir das 8h), quem não tiver uma bicicleta pode arrumar alguma.

Confirmaram presença também ciclistas dos grupos Duas Rodas MTB Floripa, Pedal do Della e do projeto Novos Horizontes, parceiro da Associação Catarinense para Integração dos Cegos, que fará sua tradicional pedalada saindo às 8h30min e seguirá, posteriormente, para a Bicicletada.

Levem água e protetor solar! Quem puder auxiliar com escadas, vai dar uma grande contribuição.

Os atletas da IronMind, que estarão em uma competição em Navegantes e não poderão se fazer presentes, irão competir com uma faixa negra no braço como uma forma de protesto contra a violência no trânsito.

Obs.: quem for domingo e sair da região central, poderá sair em grupo do mesmo lugar às 8h, com destino a Canasvieiras.

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“Os ferimentos do meu filho não foram leves”, diz mãe de ciclista atingido na SC-401

“Depois de ler esta notícia não pude parar de pensar em uma resposta, mas noticia é assim mesmo, pega um pouco daqui e outro dali e publica.

Sou mãe de “A outra vítima, Nicolas Zanella, 25, [que] foi encaminhado com ferimentos leves para o Hospital Regional de São José”. Os ferimentos leves são várias fraturas no pé esquerdo, fratura na fíbula, cortes profundos na panturillha, parcial ruptura do tendão do calcâneo, corte diversos em várias partes da perna esquerda, duas cirurgias para colocação de pinos e placas nos maléolos, enfim prognóstico médico inicial: dois meses sem tocar o pé no chão, seis meses para voltar a pisar o chão. Resultado: mais cirurgias corretivas das partes moles, fisioterapia e diversas consultas e retornos ao hospital.

SEM contar que meu filho estava selecionado no concurso do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Santa Catarina – Formação de Soldados e preparando-se para o Curso de Formação de Oficiais – CFO. Entre outras atividades que ficará impedido, está o Kung Fu. Assim, peço que retifique o “ferimentos leves” e coloque bastante machucado fisicamente e totalmente abalado com a morte de Emílio, que não temos como mensurar, pois ainda não sabemos como medir a dor da perda de um amigo querido.

Martha Batista de Lima – Mãe”

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Bicicletadas em Florianópolis em homenagem aos ciclistas mortos no trânsito – Manifestações movimentarão a SC-401 neste sábado e domingo.
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Bicicletadas em Florianópolis em homenagem aos ciclistas mortos no trânsito

Manifestações serão em homenagem aos ciclistas Hector Galeano e Emílio Delfino Carvalho de Souza, mortos no trânsito por motoristas embriagados.

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MOBILIZAÇÃO POR MAIS SEGURANÇA E MENOS MORTES NA ILHA DE SC! 


Saiba mais:

SC-401, a Rodovia da Morte para ciclistas – Reportagem do Jornal Notícias do Dia revela a preocupação com a circulação de bicicleta na rodovia estadual mais movimentada de Santa Catarina.
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Ciclofaixa na SC-401: Deinfra diz que está dentro das normas. Ciclistas protestam.

Desde a semana anterior à inauguração da duplicação da rodovia SC-401, trecho entre o trevo de Jurerê e Canasvieiras, tenho ouvido constantes reclamações de todo tipo de ciclista e cidadão possível quanto à ciclofaixa.

Moradores da região contam que fizeram o recuo dos terrenos e esperavam uma obra decente, tal qual uma ciclovia. Ciclistas esportistas, em especial atletas que competem no triatlo, reclamam da impossibilidade de ultrapassagem segura e do perigo constante que é tocarem os tachões que dividem a ciclofaixa do acostamento.

Ciclistas cotidianos, por sua vez, reclamam da falta de critérios. Para as pistas, foram mantidas a distância de 3,5m para cada faixa de rolamento. O acostamento, diminuto, ficou com 1,5m e a ciclofaixa unidirecional, com outros 1,5m.

Os problemas, apontados pelos próprios ciclistas estão nas pontes e no elevado próximo à comunidade de Vargem Pequena, além do próprio tipo de via ciclística. As recomendações para vias cujas velocidades sejam superiores a 50km/h é a construção de ciclovia, segregada espacialmente por uma barreira física da pista de rolamento de veículos automotores. O tratamento dado também no elevado foi considerado pífio e completamente inadequado.

É interessante que nos últimos três anos, Florianópolis sediu três grandes eventos sobre mobilidade, com profissionais renomados mundialmente: Semana Internacional da Bicicleta (2009), Fórum Internacional sobre Mobilidade nas Cidades (2010) e Fórum das Américas sobre Mobilidade nas Cidades (2011). Em nenhum deles houve a presença de profissionais do DEINFRA. Daí resulta o desconhecimento técnico desse órgão em lidar com a mobilidade urbana como um todo, de forma integrada.

Guillermo Peñalosa, da 8-80 Cities, afirmou que devemos pensar a cidade para todas as pessoas, sejam elas de 8 ou até de 80 anos. Se você deixar o seu filho ou o seu pai sair à rua, com o modal possível a eles, sem se preocupar com a questão da violência no trânsito, então você terá uma cidade acessível. Deve-se planejar a cidade dessa maneira, afinal!

Infelizmente, não é esse o caso da ciclofaixa da SC-401. Não dá para se considerar seguro um trecho como aquele. No Brasil mesmo, temos o exemplo de Praia Grande, que modificou a forma de as bicicletas transitarem em ambas as marginais da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-55), tornando muito mais seguro e eficiente tanto a mobilidade por bicicleta quanto pelo automóvel.

Nas oficinas técnicas da Semana Internacional da Bicicleta, o renomado arquiteto brasileiro Antonio Carlos de Mattos Miranda propôs uma solução à Via Expressa (BR-282) para o tráfego de ciclistas, com ciclovia abaixo do nível das pistas, de forma a evitar que ciclistas sejam atingidos por qualquer saída de pista de um ébrio motorista.

Recentemente, o presidente do Departamento Estadual de Infraestrutura (DEINFRA), Paulo Roberto Meller, afirmou que a ciclofaixa da SC-401 estava dentro das normas. Hoje, disse ainda que se alguém falar que estava fora da norma, que lhe provasse e afirmou ainda haver um grupo criando polêmica sobre a rodovia.

De fato, há um grupo criando uma polêmica: o grupo dos que viram uma via ciclística mal projetada, o grupo dos arquitetos e engenheiros que pensam a cidade como um todo, o grupo dos especialistas estrangeiros, não entendendo como, após tantas horas dedicadas a passar instruções num país terceiromundista, vêm uma obra ser finalizada da maneira como foi e, por fim, o grupo dos ciclistas que se viram PREJUDICADOS por uma ciclofaixa que não atende aos verdadeiros fins da mobilidade urbana por bicicleta.

Visando a ilustrar toda essa situação, os florianopolitanos não puderam deixar de se manifestar sobre a irônica situação em que se depararam:

Por hora, sem uma percepção detalhada de toda a obra, mas com o projeto executivo em mãos, o Bicicleta na Rua aponta já o primeiro erro do projeto, elaborado pela empresa SOTEPA – Sociedade Técnica de Estudos, Projetos e Assessoria. A pista é tratada nominalmente como ciclovia, mesmo sendo oficialmente uma ciclofaixa. A diferença entre ambos encontra-se em leis tanto federais, quanto estaduais e municipais. Mais uma prova de que os ciclistas foram relegados a escanteio. Mais uma vez.

Atualizado em 13 de fevereiro de 2012, às 23h45.

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Motorista embriagado que matou ciclista no Jurerê vai a júri popular – Moacir Pereira divulga o andamento do processo do triatleta Rodrigo Machado Lucianetti.
Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias – Desrespeito às normas técnicas de segurança no trânsito põem em risco a vida de usuários da bicicleta.
A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a rodovia e a mobilidade.
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Veja também:

Charge – Pedalando com segurança na SC-401

Charge – Pedalando com segurança na SC-401


A charge acima foi publicada no Jornal Notícias do Dia, edição da Grande Florianópolis, no dia 6 de fevereiro de 2012. A autoria dela é de César Nogueira.

Uma homenagem crítica ao acidente que vitimou Emílio Delfino Carvalho de Souza e feriu Nicolas Paolo Zanella na rodovia SC-401, em Florianópolis, em 5 de fevereiro.

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A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a rodovia e a mobilidade.
SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão – A liberação consentida da Polícia Militar Rodoviária para automóveis usarem o acostamento coloca em risco a vida de ciclistas.
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Charge – A Faixa de Gaza é mais segura que a faixa de pedestres

Charge – É só não usar como um selvagem!

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Charge – Não chegue antes na escola, filho!

Charge – Assim caminha o transporte em Florianópolis

Charge – A Ilha tá afundando

SC-401, a Rodovia da Morte para ciclistas

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, edição de Florianópolis, no dia 07 de fevereiro de 2012 (pág. 3). Você também pode ler a matéria no site do ND aqui. Veja em PDF: {capa} e {pág. 3}.

  

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Violência assusta

SC-401 teve duas mortes de ciclista só este ano, e número preocupa a PM Rodoviária 

Rodovia da morte para ciclistas

SC-401. Em 37 dias de 2012, número de ciclistas mortos já é igual ao total dos últimos três anos.

A soma de mortes envolvendo ciclistas na SC-401, neste ano, já é igual ao total registrado nos últimos três anos. Em apenas 37 dias de 2012, duas pessoas morreram e uma ficou ferida na rodovia. Nos 19,5 quilômetros, do Itacorubi ao Norte da Ilha, apenas 6.5 mil metros têm faixa destinada às bicicletas. Ainda assim, o uso é compartilhado com pedestres e veículos que aguardam reparos. O Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura) não prevê a construção de mais ciclovias na estrada.

Segundo o relações públicas da PMRv (Polícia Militar Rodoviária), major Fábio José Martins, o número de acidentes envolvendo ciclistas preocupa. “A quantidade de pessoas com bicicletas cresceu muito, mas há poucas ciclovias. Vamos começar a trabalhar essa questão”, prometeu.

No último domingo, às 9h30min, Emilio D. C. de Souza trafegava pelo km 18,2, trecho sem ciclovia, da SC-401 quando foi atingido por um automóvel. Ele chegou a ser levado para o Hospital Celso Ramos, mas morreu no começo da tarde. Outro ciclista ficou ferido no acidente. O motorista do veículo Forde Fiesta, Lucas Collovini, 29 anos, se recusou a fazer o teste de bafômetro e a ceder sangue para a realização do exame, que comprovaria a embriaguez. Como ele prestou socorro às vítimas, foi liberado. Collovini se limitou a informar que dormiu ao volante.

O presidente do Deinfra, Paulo Meller, acredita que o acidente foi uma fatalidade. “Não temos projetos para fazer ciclovia naquele ponto. Esse caso foi um acidente. Ele saiu da pista. A ciclofaixa não evitaria o acidente”, justificou Meller. Em relação ao trecho recém-duplicado da SC-401, onde ciclistas e pedestres têm que dividir espaço com carros quebrados, Meller garante que o projeto é adequado. “Está dentro das normas”, defendeu.

Denúncia. Gilbert de Oliveira, 36 anos, disse que se os ciclistas andam no acostamento são jogados para a pista pelos motoristas dos carros que saem das lojas existentes ao longo da SC-401. Foto: Alexandro Albornoz / ND.

“Os motoristas não têm paciência”

O motorista Gilbert de Oliveira, 36 anos, utiliza a bicicleta sempre que pode. Mas ele reclama que falta respeito dos condutores. “Quando você está no acostamento, os carros que saem das lojas ao longo da via ficam empurrando a gente para a pista. Os motoristas não têm paciência com quem está de bicicleta”, reclamou.

Para o major Fábio José Martins, a velocidade permitida na SC-401 é incompatível à realidade da Capital. “É uma rodovia acima da média urbana. Os ciclistas têm que evitar esse local, principalmente o trecho sem ciclovia”, avisou o policial rodoviário.

Flagrante. Rapaz se arrisca ao cruzar SC-401, justamente onde há uma passarela para pedestres. Foto: Alexandro Albornoz / ND. 

Pedestres também correm risco

Os pedestres também correm risco diário ao utilizar a SC-401. Porém, em alguns casos, são eles que colocam em risco a vida dos usuários da estrada. Ontem, a reportagem do Notícias do Dia flagrou uma pessoa atravessando a pista sob uma passarela. Números do setor de estatística da Polícia Rodoviária Militar revelam que cinco pedestres morreram na via no ano passado. Outras 15 pessoas ficaram feridas. Neste ano, não houve mortes.

O trecho recém-duplicado da rodovia, inaugurado em dezembro, tem 8,4 quilômetros de faixa destinada a pedestres e ciclistas e uma passagem subterrânea. Ainda há o elevado da Vargem Pequena. Durante a temporada, 68 mil veículos trafegam diariamente pela SC-401.

Everton Palaoro

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A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a rodovia e a mobilidade.
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A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados – Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes como os deste fim-de-semana aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.

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(Vídeo) Acidente na SC-401 no RBS Notícias – Conteúdo da RBS TV SC.
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Notas sobre a reunião pelo fim da impunidade no trânsito

– A reunião lotou o Café dos Esportes. Faltou cadeira, demonstrando o interesse da população no tema.

– Alexandre, atleta da IronMind, passou por ambos os ciclistas instantes antes. Os ciclistas estavam na grama, circulando após o guard rail. Foram atingidos na grama, a 4,5m! O ciclista falecido, Emílio Delfino Carvalho de Souza voou sobre o carro, parando próximo a Alexandre.

– O motorista Lucas Collovini estaria com pulseirinha de balada e com forte cheiro etílico

– Há apenas 4 bafômetros em Florianópolis. Um ciclista que treinava no domingo, ao passar na saída de uma balada (a Pacha), viu policiais militares controlando o trânsito, ajudando os motoristas, alguns visivelmente alterados, a saírem das noitadas.

– A juíza Ana Luísa Schmidt Ramos estava de plantão no dia do acidente do Rodrigo Lucianetti. Foi a primeira noite da Lei Seca na cidade. Ela, à época, não pedalava. Começou a usar a bicicleta há um ano e meio. No dia, morreram duas pessoas (um motociclista foi o outro). Ela, desde o princípio, considerou o caso como homicídio doloso.

– Os advogados do motorista Thiago Luiz Stabile queriam que os ciclistas Lucianetti e Marcelo Godoy realizassem exames de sangue. Achavam que uma barrinha de cereal fosse maconha… Obviamente, ambos não estavam drogados, ao contrário de Thiago, que se encontrava alcoolizado.

– Uma das declarações mais comoventes veio de João Paulo Garibaldi, aluno da nona fase da Medicina, que afirmou que estavam todos consternados e manifestou a solidariedade e disposição do Centro Acadêmico Livre de Medicina (CALIMED) em colaborar no que for possível.

– Declarações da Polícia Militar Rodoviária quando de ligações de ciclistas que, no acostamento, observaram veículos cujos motoristas aparentam estar embriagados têm sido desencorajadoras, ocasionando inação deste órgão e ineficácia na aplicação da Lei Seca, além de impunidade no trânsito.

Encaminhamentos:

– Exigir que as autoescolas obrigatoriamente passem a ministrar conteúdos da legislação referente à circulação de bicicletas. Pedir a obrigatoriedade de uma questão referente à bicicleta no exame do DETRAN.

– Pedir a marcação da data do júri popular do motorista que atropelou Rodrigo Lucianetti.

– Marcar reunião no Ministério Público e outros órgãos.

– Exigir mais bafômetros para o Estado e efetiva fiscalização nas rodovias estaduais, com o cumprimento da Lei Seca já.

– Triatletas participarão da competição no sábado com faixas pretas no braço, uma vez que não poderão comparecer à Bicicletada.

– Próxima reunião no Café dos Esportes na terça-feira que vem, às 19h, para marcar uma megamanifestação em prol da vida no trânsito, possivelmente o Pedal do Silêncio.

(Vídeo) Errata do Jornal do Almoço: ciclista deve andar na mão

Conteúdo exibido originalmente no Jornal do Almoço, da RBS TV SC,  em 7 de fevereiro de 2012. Assista aqui à reportagem no site.

Saiba mais:

Vídeo e mais comentários sobre a entrevista acerca dos ciclistas atropelados na SC-401 – Conteúdo comentado do Jornal do Almoço.
Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço – Primeira parte dos comentários sobre o vídeo do Jornal do Almoço.
Mais um ciclista morre na SC-401  – Divulgação do Jornal Notícias do Dia.

Veja também:

A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a SC-401 e a mobilidade.

(Vídeo) Acidente na SC-401 no RBS Notícias

Conteúdo exibido originalmente no RBS Notícias, da RBS TV SC,  em 6 de fevereiro de 2012. Assista aqui à reportagem no site.

Matéria sobre o atropelamento de Nicolas Paolo Zanella e Emílio Delfino Carvalho de Souza, na SC-401, em Florianópolis.

Saiba mais:

Acorda Floripa! – Depoimento do triatleta André Puhlmann, que estava pedalando próximo ao local do acidente.
Vídeo e mais comentários sobre a entrevista acerca dos ciclistas atropelados na SC-401 – Conteúdo comentado do Jornal do Almoço.
Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço – Primeira parte dos comentários sobre o vídeo do Jornal do Almoço.
Mais um ciclista morre na SC-401  – Divulgação do Jornal Notícias do Dia.

Veja também:

Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – Relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região. O falecimento anterior ocorreu em janeiro em ciclofaixa recém-inaugurada na mesma SC-401.
Motorista embriagado que matou ciclista no Jurerê vai a júri popular – Moacir Pereira divulga o andamento do processo do triatleta Rodrigo Machado Lucianetti.
A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a SC-401 e a mobilidade.
A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados – Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes como os deste fim-de-semana aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.

Vídeo e mais comentários sobre a entrevista acerca dos ciclistas atropelados na SC-401

Conteúdo exibido originalmente no Jornal do Almoço, da RBS TV SC,  em 6 de fevereiro de 2012. Assista aqui à reportagem no site.

Revi agora o vídeo com a matéria da RBS TV SC. Não podia deixar de comentar mais três aspectos citados nele, que demonstram um certo desconhecimento e, ainda mais, a tentativa de eximir-se de suas próprias responsabilidades.

O superintendente do IPUF e também secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano falou no valor de R$4 milhões para a implantação de ciclovias este ano na cidade. Este valor está bem aquém daquele previsto para ser investido. A maior parte da verba foi acertada em dezembro e virá dos cofres da União, incluindo aí o investimento na ciclovia da Av. Ver Osni Ortiga, na Lagoa da Conceição. Esse valor de R$4 milhões refere-se às obras na R. Bocaiúva e R. Almirante Lamego e faz parte da Rota 2 da Microrrede Cicloviária do Centro, conforme documento assinado por ele, datado de janeiro de 2010.

A Microrrede Cicloviária do Centro planeja promover a circulação maciça e segura de ciclistas na capital catarinense e faz parte da contrapartida da prefeitura para a implantação do sistema de bicicletas de aluguel, em licitação. Essa microrrede foi bastante elogiada recentemente e deve ser um dos melhores projetos para se melhorar a mobilidade urbana no centro da cidade.

Recentemente, um dos trechos dessa rota foi orçado e o valor ficou em torno de R$4 milhões, abrangendo uma bonita revitalização das ruas Bocaiúva e Almirante Lamego.

As demais rotas ainda não foram orçadas. Elas mesclam ciclovias, ciclofaixas, passeios compartilhados, pseudociclofaixas e ciclorrotas sem sinalização horizontal aparente, com trânsito compartilhado.

Em relação aos puxadinhos, além da óbvia dificuldade em se fiscalizar um território vasto com tão poucos fiscais, ocorre, na ilha, com anuência e assinaturas do representante do IPUF e da SMDU, um processo intrincado. Quando um lote é desmembrado, para venda separada ou, em especial, para a construção de um loteamento, ocorre cessão de partes desse terreno para a prefeitura. Isso é necessário para que possam ocorrer melhorias viárias, instalação de parques, praças, postos policiais, de bombeiros e de saúde, além de escolas para atender à nova população prevista para chegar junto com o loteamento. Acontece que, em alguns casos, esse desmembramento é tratado como condomínio, em que não há cessão de terreno público, ou esta é mínima. Isso gera, além da ausência de equipamentos públicos, problemas viários imensos em torno dos novos empreendimentos, que contam com ruas de dimensões menores. Essa não cessão de terreno é vantajosa à construtora, uma vez que dispõe de um terreno maior para si (e não para todos), possibilitando mais construções e, conseqüentemente, maior lucro.

Além disso, nas novas ruas abertas, além de obras paliativas como o Elevado do Trevo da Seta e o Elevado Carl Hoepcke (Rita Maria), a lei foi completamente ignorada. O secretário fez-se de ouvidos moucos e visão turva com o Art. 7º da Lei Complementar Nº 78/2001. Em 11 anos, apenas uma vez esse artigo foi cumprido.

Por fim, para tirar a dúvida de muitos, incluindo as do superintendente, o Art. 105 do Código de Trânsito Brasileiro fala que são equipamentos de uso obrigatório do ciclista “campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo”. Essa sinalização vem com a bicicleta, e são refletores, de iluminação passiva (nada de piscas ou lanterna, esses são itens opcionais) que em nada contribuiriam para culpabilizar os ciclistas Emílio Delfino Carvalho de Souza e Nicolas Paolo Zanella, atingidos em pela luz do dia!

Saiba mais:

Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço

Atualizado em 26 de março de 2012, às 18h31.

Floripa discute impunidade no trânsito

Nesta terça-feira, dia 7 de fevereiro, às 19h, no Café dos Esportes, anexo à Della Bikes, na R. Juvêncio Costa nº 269, a IronMind, equipe pela qual treinava Rodrigo Machado Lucianetti, morto por um motorista embriago em agosto de 2008 na SC-402, em Jurerê, e homenageado com a primeira ghost bike (bicicleta-fantasma) de Florianópolis, vai acontecer reunião para se tratar de ações contra a impunidade no trânsito e a responsabilização por sinistros.

No acidente que aconteceu ontem na SC-401, que vitimou Emílio Delfino Carvalho de Souza, estudante de Medicina de 21 anos, e que feriu seu amigo Nicolas Paolo Zanela, um dos integrantes da equipe não foi vitimado por detalhes.

O motorista do Fiesta que o atropelou afirmou ter dormido ao volante e já foi liberado. Não se tem notícia de que a polícia, que retirou o motorista da cena do acidente para evitar um linchamento, tenha lavrado um termo de constatação de embriguez.

O corpo de Emílio será enviado a Jacareí, onde reside sua família.

Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço

Estou agora ouvindo entrevistas no Jornal do Almoço (RBS TV SC Florianópolis), com o superintendente do IPUF, engenheiro José Carlos Rauen (PMDB), e com Leandro Andrade, da superintendência da Polícia Militar Rodoviária Federal. Foi um show de horrores e de desaprendizado, o que me leva a escrever aqui com a maior rapidez possível.

Demonstrou, infelizmente, o descaso desses órgãos perante os ciclistas.

Rauen falou que, no mês que vem, estará aberto o edital de qualificação para as bicicletas públicas de Florianópolis e que o perímetro urbano da cidade tem cerca de 20km de ciclovias. Em 2010, a zona urbana da cidade possuía cerca de 40km de ciclovias e PERDEU duas delas, a da Rod. Baldicero Filomeno (sim, está no zoneamento do perímetro urbano) e a da Cachoeira do Bom Jesus. A primeira foi paga e não seguiu o projeto executivo. Ou seja, fizeram como queriam e não como os técnicos e a comunidade almejava. A segunda não foi repintada até hoje depois da instalação dos canos que servirão ao saneamento básico da região.

É também, no mínimo, curioso falar sobre o aluguel de bicicletas públicas da cidade. Saibam que estava nas mãos dele, para simples encaminhamento, o edital de pré-qualificação das empresas. Ficou com ele, para encaminhamento (=uma assinatura), do dia 15 de dezembro até o final de janeiro. Isso pq a elaboração completa desse edital deveria durar apenas 15 dias!!! E só ele atrasou 45 dias! Apenas ele e ninguém mais. Desde a primeira semana de janeiro, o Bicicleta na Rua tentou falar com Rauen, sem sucesso. Agora, sem o aval – desnecessário, diga-se – dele, o edital vai ser publicado pela Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável.

Leandro, por sua vez, cometeu erros grotescos pelo desconhecimento da lei pela qual deve zelar. Afirmou que, numa rodovia, o ciclista deve trafegar pelo acostamento, de preferência no sentido contrário ao do fluxo de automóveis. O ciclista NÃO deve trafegar pela contramão, isso NÃO evita acidentes e, pelo contrário, aumenta a gravidade e a morbidade de qualquer sinistro de trânsito. Foi uma atitude de deseducação muito grande esse comentário dele! Por sinal não foi a primeira, visto que ano passado o mesmo comentário obrigou uma retificação do periódico Diário Catarinense sobre o tema. NÃO andem pela contramão! Atentem pelas suas vidas!

Para piorar, o superintendente do IPUF eximiu os motoristas e os planejadores urbanos de culpa, ao falar que o ciclista também tem que se cuidar. Afinal, quem manda ser um guerreiro sustentável numa cidade em que o ciclista não tem vez!

Decepcionante!

Veja também:

Por que não pedalar na contramão? – Dicas preciosas do parceiro Vá de Bike!

Rio Tavares ganhará ciclovia! Projeto executivo será elaborado neste mês.

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição on line do periódico Diário Catarinense em 02 de fevereiro de 2012 (às 22h06). Você pode vê-la no site do DC aqui.

Trânsito na Capital

Semáforos na SC-405, em Florianópolis, começam a funcionar no domingo

Controle será feito manualmente pelos policiais

A segunda rodovia mais movimentada de Santa Catarina e a primeira com pista reversível poderá ficar mais segura este ano. Nesta semana, o secretário de Infraestrutura do Estado, Valdir Cobalchini, anunciou que irá resolver dois entraves da terceira pista da SC-405, no Sul da Ilha, em Florianópolis, até o final de 2012. A previsão é de que as obras iniciem logo após a temporada de verão.

O Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) também promete ligar os semáforos de reversão da pista até domingo. Os problemas encontrados ao longo do trecho de 2,4 quilômetros da rodovia foram enumerados há 20 dias em uma reportagem do DC.

Segundo Cobalchini, o projeto de execução será elaborado neste mês e prevê a construção de uma ciclovia e calçada com 2,5 metros de largura do lado direito da terceira pista (no sentido praia-Centro) com uma extensão de 2,4 quilômetros.

A medida irá solucionar o conflito existente entre pedestres e veículos e pode aumentar a segurança dos moradores que circulam a pé e de bicicleta. O segundo problema, que o secretário promete resolver este ano, é a distância de 400 metros entre as faixas de pedestre. Ele garante que serão construídas faixas com lombadas ao longo da via.

O novo modelo é uma espécie de lombada que fica acima do nível normal da rua sinalizada com pintura em solo que permite a travessia mais segura de pedestres já que os veículos precisam diminuir a velocidade ao passar por elas.

O secretário de Infraestrutura diz que depois do Carnaval irá se reunir com os engenheiros responsáveis pelo projeto para definir quantas serão construídas e onde elas estarão posicionadas na pista.

— Estas medidas são emergenciais, os outros problemas tentaremos resolver ao longo do ano junto à Polícia Rodoviária Estadual — diz.

Cobalchini se refere à falta de retornos na rodovia e a possibilidade de diminuir a velocidade permitida de 60km/h para 40km/h. Para estes, não há previsão de início das obras.

A previsão é de que as obras iniciem logo após a temporada de verão. Foto: Fernando Salazar / Especial / Agencia RBS.

As melhorias atendem à reivindicação dos moradores que formaram a Comissão Pró-Segurança da SC-405. Entre os pedidos estão as faixas com lombadas, a redução da velocidade na via e os retornos.

— Na segunda-feira, vamos percorrer todo o trecho da rodovia para ajudar a definir qual espaço que será destinado aos pedestres e aos ciclistas. Esperamos que os demais problemas ganhem soluções — diz Anselmo Döll, integrante da comissão.

Outro problema que ganhou um prazo para solução é o funcionamento dos cinco semáforos (que indicam o sentido do fluxo de veículos). Eles permanecem desligados desde o dia da inauguração, em dezembro do ano passado. De acordo com o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), a empresa responsável pelo serviço deve instalar as baterias nos aparelhos até domingo, quando eles passam a funcionar. Hoje, a reversão do tráfego é feita manualmente por quatro policiais rodoviários estaduais

A SC-405 é considerada pelos moradores da região como “rodovia perigo”. O trecho está sem acostamento, sem calçadas, sem ciclovia e sem retorno. O fluxo de veículos atinge até 40 mil/dia na temporada de verão em uma localidade que concentra mais de 4 mil moradores e um intenso movimento de comércio.

Os sete nós da SC-405

1 – Pedestres em conflito com os veículos

Solução para 2012: hoje há uma faixa de pedestre a cada 400 metros. Com a distância muitos pedestres se arriscam atravessando a rodovia em meio aos veículos. Por isso, serão instaladas faixas com lombadas. Com elas, os motoristas se obrigam a diminuir a velocidade e os pedestres cruzam a via com mais segurança.

2 – Na teoria é rodovia, na prática é uma avenida

Solução para 2012: para o trecho se tornar mais humanizado e seguro a rodovia precisa receber calçadas e ciclovias. Elas deverão ser concluídas ainda este ano.

3 – Semáforos sem bateria e sem controle remoto

Solução prevista para domingo, 5: os cinco pórticos com semáforos ainda não funcionam. Mas o Deinfra promete que eles voltam a funcionar no domingo.

4 – Sem possibilidade de retorno ao longo do trecho

Solução prevista, mas sem prazo: o secretário de Infraestrutura diz que a intenção é fazer um retorno no meio do trecho, mas ainda não sabe informar como e quando ele será feito.

5 – Falta de espaço

Sem solução prevista: o Departamento Estadual de Infraestrutura afirma que para a melhoria do fluxo de veículos na região o ideal é duplicar a rodovia. Para isso, seria necessário desapropriar 70% do comércio local o governo, até o momento, não tem intenção de iniciar esta desapropriação.

6 – Sem horário fixo para reversão

Sem solução prevista: o projeto da pista reversível previa que a mudança do sentido ocorreria duas vezes ao dia, sempre às 6h e às 15h.

Mas, como o fluxo durante a temporada de verão é variável, até março não há um horário fixo. Quatro policiais militares continuam no local para orientar o trânsito.

7 – Uma obra provisória

Sem solução prevista: a terceira pista da SC -405 sozinha não elimina os congestionamentos na região. Ela ainda depende da duplicação dos 11km da SC-401 Sul (Diomício Freitas). O edital deve ser lançado até fevereiro e a entrega das obras é para o final de 2014.

Aline Rebequi

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