Porto Alegre e as bicicletas


Um dos painéis do Fórum Mundial da Bicicleta, realizado em 24 de fevereiro, na capital gaúcha, abordou “Porto Alegre e as Bicicletas – Problemas e Soluções”, contando com a presença de Régulo Ferrari, técnico da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Na platéia, o diretor-presidente da EPTC e também secretário municipal de Mobilidade Urbana, Vanderlei Luis Cappellari. Com uma certa infelicidade, o que os participantes puderam observar é que há mais problemas do que soluções a caminho.

As discussões do primeiro Plano Diretor Cicloviário (PDC) de Porto Alegre datam de 1981. Consultores afirmaram, entretanto, que um PDC era desnecessário, alegando haver legislação federal e municipal (neste caso, o próprio Plano Diretor Municipal) suficiente. Reforçavam, entretanto, que seria interessante um instrumento, tal qual o PDC, para ocasionar pressão política para a implementação de ciclovias.

A estratégia utilizada para as primeiras ciclovias do município acabou sendo a de iniciar por locais onde houvesse menor interferência no deslocamento dos modais motorizados.

Desencontros

A ciclovia da Av. Beira-Rio não saiu pela falta de conexão entre diferentes órgãos. A EPTC fez o calçadão, largo, com mais de 10m. A ciclovia, ao lado, seria feita por uma empresa de saneamento básico. Ao final do prazo, a empresa buscou a EPTC, tentando ver se haveria algum projeto para eles executarem. Desconhecendo o fato, afirmou que não. A realidade hoje não conta com essa ciclovia permanente. E projetos continuam desconhecidos.

O ar que tu respiras

Porto Alegre é a segunda capital do país, apenas após São Paulo (SP), em pior qualidade do ar. Como o município não conta com indústrias importantes no que tange ao lançamento de poluentes no ar, visto que sua economia é movida principalmente por serviços e comércios, grande parte dessa poluição vem do escapamento de automóveis.

Pesquisas para o futuro e realidade do presente

Em 2003, foi realizada em Porto Alegre uma ampla pesquisa da Origem-Destino (OD). Quatro anos depois, foram divulgados os dados de contagens e entrevistas, inclusive com ciclistas, sobre mobilidade na cidade. Entretanto, isso não foi suficiente para a implementação de novas ciclovias. E parece que nem o recente atropelamento coletivo de ciclistas da Massa Crítica fez-se alterar substancialmente a situação. Em média, pouco mais de 100m de ciclovias são implantados por ano em Porto Alegre. Número pífio que coloca a cidade em situação ridícula quando se trata de mobilidade sustentável.

Atualmente, a capital gaúcha conta com menos de 8km de ciclovias ditas permanentes e cerca de 15km voltadas para o lazer de domingo, sendo que parte destas últimas também foi desativada devido à falta de material humano para conter os estacionamentos irregulares de moradores sobre a pista ciclável. Moradores estes que, diga-se de passagem, não foram consultados sobre a implantação da ciclofaixa para o lazer.

São estas as ciclovias ditas permanentes:

2,0 km –> Diário de Notícias
1,2 km –> Ipanema
4,6 km –> Restinga

Total: enxutos 7,8 km.

Para completar, Régulo afirmou que “a metologia rodoviarista não deve ser aplicada à cidade”. Esse método funciona sob demanda e não serve para zonas urbanas onde a carência de ciclistas pode indicar, acima de tudo, uma demanda fortemten reprimida de potenciais usuários da bicicleta.

Fabiano Faga Pacheco
(Colaborou Juliana Diehl)

Saiba mais:

Saiba mais sobre o Plano Cicloviário de Porto Alegre – 25/2/2008

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Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

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