Pedalada Pelada leva bom humor às ruas de Florianópolis na busca por respeito no trânsito


Mais de 150 ciclistas participaram na capital catarinense do World Naked Bike Ride.

Texto: Fabiano Faga Pacheco. Fotos: Caniggia.

A primeira edição da Pedalada Pelada ou Peladada, versão brasileira do World Naked Bike Ride (ou Passeio Ciclístico Mundial Sem Roupa, em tradução livre), que aconteceu em dezenas de cidades do mundo nesta quarta-feira, 10 de março, levou centenas de pessoas às ruas de Florianópolis. Entre as principais reivindicações dos ciclistas, estão o respeito pela bicicleta como componente do trânsito e a implantação de ciclovias seguras em Florianópolis.

A concentração começou por voltas das 18h, na pista de skate da Trindade. Aos poucos os ciclistas foram chegando. Até o horário da saída, muitos despiram suas vestes e ficaram em roupa de baixo. Rapazes sem camisa ou apenas de cueca ou sunga foi uma cena nem um pouco incomum na primeira edição da Pedalada Pelada de Florianópolis. Tintas foram disponibilizadas e os ciclistas pintaram em seus próprios corpos frases como:

Queime calorias, não gasolina

Só assim você me vê

Minha insegurança = minha nudez

Sou frágil. Respeite!

Emissão Zero

Assim você me mata [de carro]

Cerca de 300 pessoas, entre ciclistas, curiosos e jornalistas apareceram na concentração. Às 19h30, ao menos 165 ciclistas seguiram pelo trajeto, que incluiu bairros da Bacia do Itacorubi e Centro. Após percorrerem Santa Mônica, Itacorubi e Córrego Grande, os ciclistas foram recepcionados com entusiasmo na UFSC, onde ocorria o festival musical Grito Rock. No caminho pela Trindade, Agronômica e Centro, houve interação com os moradores, motoristas, frequentadores de bares e usuários que esperavam pelo transporte coletivo, que acenavam manifestando maciço apoio aos ciclistas.

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Frases como “Mais bicicletas, menos carros” e “Você aí parado, vem pedalar pelado!” deram o tom das cantorias. Mais de 95% dos ciclistas estava menos vestido do que quando chegou à concentração, vários com bundas e/ou seios de fora, sendo que uns 10% em algum momento ficaram completamente nus, simbolizando a fragilidade do ciclista, que conta apenas com o próprio corpo, desprovido de lataria e de air bags.

Henrique Aguiar levou o filho João Guilherme para a pedalada pelada. Para ele, o evento superou suas expectativas. Acha importante desde já mostrar ao filho que a bicicleta é um meio de transporte na cidade e que o ciclista merece ser respeitado.

O percurso teve cerca de 25km, percorridos em duas horas.

Trajeto

O trajeto cíclico passou por Av. Madre Benvenuta (Santa Mônica), Rod. Admar Gonzaga (Itacorubi), R. Vera Linhares de Andrade, R. João Pio Duarte Silva (Córrego Grande), R. Delfino Conti (UFSC), R. Lauro Linhares (Trindade), R. Delminda Silveira, R. Rui Barbosa, R. Frei Caneca (Agronômica), Av. Mauro Ramos, R. Germano Wendhausen, R. Altamiro Guimarães, R. Bocaiúva. Av. Prof. Othon Gama D’Eça, Av. Pref. Osmar Cunha, R. Jerônimo Coelho, R. Felipe Schmidt, R. Arcipreste Paiva, R. Conselheiro Mafra, R. dos Ilhéus, R. Anita Garibaldi, Av. Hercílio Luz, Av. Mauro Ramos. Av. Jornalista Rubens de Arruda Ramos/Beira-Mar Norte (Centro), R. Cmte. Constantino Nicolau Spyrides, R. Delminda Silveira (Agronômica), R. Lauro Linhares, Av. Madre Benvenuta e Av. Prof. Henrique da Silva Fontes (Trindade) e R. Pedro Lessa (Santa Mônica).

Obras não saem do papel

As promessas para os ciclistas acumulam-se, sem, entretanto, observar-se a sua execução. A ciclovia da Lagoa da Conceição, na R. Ver. Osni Ortiga, obteve, semana passada, a licença ambiental prévia para a sua execução, após quase 3 anos de espera. O dinheiro foi assegurado em dezembro de 2011 e virá do Ministério das Cidades.

Prometida na última campanha eleitoral, a ciclovia de Coqueiros, objeto, inclusive, de estudos internacionais, não tem previsão alguma de sair do papel. A mesma coisa se pode afirmar da outra promessa de campanha, a ciclovia circum-universitária, margeando a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dentro da UFSC, estudos estão sendo feitos pela AH8 Projetos Cicloviários para estruturas cicloviárias no próprio campus da universidade.

Encontra-se a 3 semanas parada na Diretoria de Licitações e Contratos da Secretaria Municipal de Administração e Previdência o edital de licitação das bicicletas públicas de Florianópolis.Após o descaso do superintendente do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), José Carlos Rauen (PMDB), que atrasou em 45 dias o processo licitatório, o Floribike sairá pela Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável.

As três passarelas para pedestres que não foram feitas quando do aterro das baías norte e sul também ficarão para depois. A prefeitura não obteve verbas totalizando R$6 milhões de reais por não possuir projetos técnicos dessas obras. O pior dos casos vem da passarela do Rita Maria. Com a inauguração do novo elevado no local, o Carl Hoepcke, cuja construção não incluiu acessos a pedestres e ciclistas, estes agoram correm muito mais perigo na travessia de pistas. No começo do mês, frequentadores de clubes de remo fizeram manifestos que não serão atendidos pelo governo municipal.

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Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

7 Responses to Pedalada Pelada leva bom humor às ruas de Florianópolis na busca por respeito no trânsito

  1. Muito Bom, Bicicleta na Rua…..
    A primeira Pedalada Pelada de Floripa foi um “SHOWCESSO”…
    Durante a pedalada fui informado de uma contagem com 218 ciclistas!!!
    De qualquer forma foi muito bom, espero qua a Sociedade perceba (assim como o apoio maciço que recebemos das pessoas nas rua e dentro dos carros) e que todos comecem a agir com Bom Senso.

    A rua é de todos …….

    Cicloabraços e um agradecimento especial a todos que participaram, dando um show de PAZ nas ruas!!!!!

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