Rodas entre o asfalto e a areia

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Bicicletada Floripa de janeiro teve irreverência e críticas à ausência de ciclovias e à implantação de bicicletários inadequados

A tradicional Massa Crítica de Florianópolis contou com mais de 50 ciclistas em sua primeira edição de 2013. Fazendo alusão às férias e ao mar, cumpriu a promessa e foi à praia!

Arte: Fabricio Sousa

No caminho até à próxima praia do Campeche, ciclistas fantasiados, de sunga, chinelos ou bermudão, não se eximiram em realizar críticas à ausência de espaço reservado à circulação de ciclistas e apoio da população.

Na primeira Bicicletada de 2013, ciclistas de Florianópolis pedalam observando o pôr do Sol.

Na primeira Bicicletada de 2013, ciclistas de Florianópolis pedalam observando o pôr do Sol. Foto: Fabiano Faga Pacheco

Pelo caminho até o sul da Ilha, uma volta no parque da Costeira do Pirajubaé deixou crianças e adolescentes perplexos.

Passagem de ciclistas por parque da Costeira impressionou os mais jovens.

Passagem de ciclistas por parque da Costeira impressionou os mais jovens. Foto: Fabiano Faga Pacheco

Uma ciclovia fora prometida no Rio Tavares e deve começar a ser construída logo após a temporada de verão, ou seja, daqui uma quinzena. Apesar da promessa, por decisão judicial, já deveria existir ao menos uma ciclofaixa no local desde junho, e uma ciclovia deveria ter ficado pronta no começo deste mês.

No Rio Tavares, a principal via do bairro, a rodovia SC-405, foi ampliada, sem considerar, entretanto as travessias para pedestres nem a circulação de bicicletas. Na época apontada como grande parte da solução para os congestionamentos diários no local, a ampliação acabou, ao contrário, trazendo mais problemas de mobilidade na bacia do Campeche, com o aumento do número de automóveis, mas não de ônibus, circulando por ela. Em menos de um ano, a faixa adicional já se tornou insuficiente para a demanda de veículos motorizados individuais que trafegam por ela. Ao mesmo tempo, triplicou-se o número de acidentes com ciclistas e pedestres.

Não faltaram bicicletas ornamentadas motivos florais.

Não faltaram bicicletas ornamentadas motivos florais. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Ocupando uma das faixas da via no sentido Centro-Sul, os ciclistas viram-se obrigados a ficarem em meio ao trânsito, atrás de uma fila de automóveis que insistia em parar. Os gritos de “Cadê a ciclovia!?” entoados foram logo aplaudidos por moradores da região, bem como por diversos motoristas que os viam passar.

Com acostamento intermitente, ciclistas aguardam atrás dos automóveis a sua vez de se deslocar.

Com acostamento intermitente, ciclistas aguardam atrás dos automóveis a sua vez de se deslocar. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

A passagem pela Av. Pequeno Príncipe, o principal acesso ao Campeche, também rendeu boas críticas às condições precárias que a falta de manutenção da ciclofaixa acarretou, resultando em cada vez mais buracos e amontoados de areia.

O banho de mar, compartilhado por cerca de 15 ciclistas nas águas incomumente tranquilas da praia, antecedeu um protesto rápido contra os paraciclos instalados ao final da praia.

Parte dos ciclistas na praia do Campeche.

Parte dos ciclistas na praia do Campeche. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Revitalizada há poucos meses, o acesso à praia não contou pista ciclável, conforme determina a Lei Municipal 78/2001, e teve 22 paraciclos entorta-rodas instalados. O modelo municipal, considerado adequado pelos ciclistas, pode ser encontrado aqui.

Bicicletas ao chão em protesto contra bicicletário inadequado instalado no Campeche.

Bicicletas ao chão em protesto contra bicicletário inadequado instalado no Campeche. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

No dia seguinte, durante o evento “Prefeitura nos Bairros”, o secretário de Obras e vice-prefeito João Amin (PP) afirmou que irá rever esses paraciclos e instalar um modelo mais adequado.

Saiba mais sobre a Bicicletada Floripa de janeiro

Fotos:

Eduardo Xavier
Fabiano Faga Pacheco
(também no Facebook)
Fabricio Sousa
Stefano Maccarini

Vídeos:

Daniel de Araújo Costa
Fabiano Faga Pacheco

Alvo emudecimento – Crônica

A crônica abaixo, de autoria de Marco Vasques, foi originalmente publicada no periódico Notícias do Dia, versão impressa, edição de Florianópolis, na segunda-feira, 18 de junho de 2012, na página 3 do caderno Plural. Pode ser lida também neste link.

Crônica - Marco Vasques ND 2012-06-18 SC-401, SC-402 e o silêncio branco

(Veja em PDF)

SC-401, SC-402 e o silêncio branco

 Voz e o corpo, mudos, pronúncia do silêncio. A morte é mesmo um emudecimento que fala. Um desenho preto sobre outro desenho preto. Algo se perde e se aloca em algum espaço, sobre outra camada: multiplicação da epiderme. As mortes se acumulam assim: escuro que é clarão, clareira. Quase fogueira. Início de dor e memória, ausência, medo e autorretrato. A vida? Vela em permanente luz até que o silêncio nos toque.

Quem, quando criança, não atirou uma pedra certeira num pássaro? Era a ave cair ao chão e o silêncio alcançava os ouvidos. Ficávamos mudos de cantos. Em que lugar andarão os cantos e as vozes de nossos mortos? Sabemos de pais que morderam a escuridão de seus filhos. Plantaram canto e voz à beira do asfalto. Um atropelamento, um monte de ferro agride a carne. Depois a ausência, a fratura. E os mil silêncios se acumulam: um lugar a menos na mesa, um sorriso perdido no porta-retratos, cama e guarda-roupas inertes e um timbre a menos nos dias.

Arte: César Nogueira.

Quem nunca viu umas cruzes solitárias à beira do asfalto? Certo dia, vimos cinco cruzes cravadas numa curva. Três minúsculas e duas maiores. A solidão e o silêncio da cena gritavam: somos túmulos vivos. Há um silêncio branco que liga a SC-401 à SC-402. No início da primeira, uma bicicleta branca, de criança, desenha lágrimas nas nuvens; na segunda, outra bicicleta, de adulto, igualmente pintada de cor branca, abriga uma garça e sua exuberância triste.

Esses silêncios brancos das bicicletas, sem suas pedaladas, sem seus movimentos, sem colorido, sem um rosto apanhado pelo vento, emolduradas pelo azul-céu dos dias de verão, são aterradores e imponentes.  O percurso por essas rodovias faz lembrar os versos do W. H. Auden – “Já não me importam as estrelas: fique o céu todo apagado./ Empacotem e embrulhem a lua; seja o sol desmantelado./ Esvaziem os oceanos, do mundo sejam as florestas varridas./ Porque agora, para mim, nada resta de bom nesta vida.”

E o que resta na ossatura daquelas paisagens? O grito-silêncio que a imagem provoca, o silêncio vermelho, o branco sobreposto ao branco e a difícil arte de carregar as vozes na memória da pele. As bicicletas? Continuam ali, na SC- 401 e na SC-402, com a sua brancura voando, estática, ao longo do asfalto. Estão vivas céu afora arranhando todas as estações do ano e espalhando sua ferrugem nos olhares. As bicicletas brancas, que foram utilizadas em manifestações pacifistas e ecológicas na Europa, estão ali e são túmulos sangrando o asfalto negro de nossas rodovias. São partituras dos sonoros silêncios brancos.

Bicicletada Floripa de janeiro vai à praia!

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Arte: Fabricio SousaArte: Fabricio Sousa

O que é a Bicicletada?

É um evento que ocorre tradicionalmente na última sexta-feira do mês em muitas cidades pelo mundo, onde ciclistas, skatistas, patinadores e outras pessoas com veículos movidos à propulsão humana, ocupam seu espaço nas ruas. Os principais objetivos são divulgar a bicicleta como um meio de transporte, criar condições favoráveis para o uso deste veículo e tornar mais ecológicos e sustentáveis os sistemas de transporte de pessoas, principalmente no meio urbano.

Venha participar nessa sexta-feira 25/01. Concentração às 18h, saída às 19h. Ritmo de passeio, acessível à todas condições físicas! Percurso decidido na hora entre os participantes!

O tema sera “praia” (venham de chinelo, canga, chapéu, tragam a prancha,o guarda-sol, a térmica, biquini, snorkel, pé de pato, boinha no braço, hypoglos na cara… =P ) tragam APITOS, enfeitem suas BIKES, não esqueçam suas LUZES.. e vamos pedalar pelo nosso direito de ir e vir em segurança!!

PS: Vamos passar o chapéu para os custos das copias dos panfletos que distribuíremos durante a Bicicletada! Traga moedinhas!

(Via divulgação)

Crítica do livro “Uma viagem de bicicleta por Santa Catarina”

Minha explicação para quem me questionava, era curta e simples: “estou conhecendo o Estado com minhas próprias pernas!”

Claro que meus motivos iam muito além: eu tinha um quê político comigo, subversivo, era um fora-de-esquema no silêncio de minhas pedaladas. Tinha um quê muito pessoal também, de autoconhecimento físico e psíquico. Motivos estes que superavam a simples busca por paisagens bonitas ao meu redor ou então a busca por uma vida “mais saudável”.

Com este fascinante relato, Luã Olsen sintetisa sua travessia de 32 dias por 36 cidades catarinenses no verão de 2012 à bordo de sua bicicleta Helga, colecionando histórias em um tom de descoberta que é característicos em cicloturistas.

“Uma volta de bicicleta por Santa Catarina” apresenta-se como um diário de viagem muito bem elaborado, rico em detalhes que nos mostra pela sua experiência a possiblidade, os percalços e os prazeres de viajar de bicicleta por Santa Catarina, com suas costumeiras ondulações serranas.

Uma volta de bicicleta por SC - Fregolão

Pode ser dividido em duas partes. Em “O Vale Europeu”, percorreu as travessias entre os diversos municípios carimbando um “passaporte” para receber o certificado de travessia, junto com mais dois colegas de viagem. E na segunda parte, denominada de “Sozinho na Estrada”, cruzou o Estado de norte a sul no ímpeto de fazer a travessia da Serra do Rio do Rastro.

Creio que com esta viagem Luã atingiu seus objetivos de reconhecimento de Santa Catarina e seus objetivos de autoconhecimento físico e psíquico, exceto um: o de compartilhar com todos suas ricas experiências com os que tiverem interesse de conhecer sua saga.

Este objetivo final foi conquistado com a publicação desse livreto de bolso, que pode ser uma ótima dica para quem mais queira se aventurar pelos caminhos catarinenes ter uma boa ideia e estar preparado psicologicamente para o que quer que seja.

Mario Sergio Fregolão

Livro “Uma volta de bicicleta por Santa Catarina”

Uma Volta de Bicicleta por Santa Catarina

Acaba de ser lançado, de forma independente, o livro “Uma volta de bicicleta por Santa Catarina” (Florianópolis, 2013, 94 p.). O relatode Luã Olsen aborda a viagem que o autor fez no verão de 2012 pelo seu Estado, com as próprias pernas, passando por 36 cidades, num total de 1780 km. Nessa aventura, que durou 32 dias, pedalou pelo interior de Santa catarina com sua companheira de estrada, a Helga.

Escrito em “quatro noites regadas a café”, o livreto de bolso não gerará lucro ao seu autor. O dinheiro arrecadado será totalmente destinado a uma nova viagem de bicicleta. Com destino a Buenor Aires, na Argentina, cruzando o litoral uruguaio, na nova empreitada será desenvolvido um projeto de documentação relacionado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina.

“Uma volta de bicicleta por Santa Catarina” foi escrita e confeccionada por Luã Olsen, com capa de Franciele Dal Prá. Sua publicação foi apoiada pela Speck e pela gráfica Nova Trio. A tiragem está restrira a apenas 500 exemplares, vendidos ao custo de R$ 10,00.

Para adquiri-lo, entre em contato com o Luã ou procure nas seguintes lojas de Florianópolis:

– Bike Dream (Beira-Mar Norte)
– Della Bikes Floripa (Trindade)
– Valdir Bike (Córrego Grande)
– Capitão Malagueta (Shopping Beiramar – térreo)
– Mundo Verde (Shopping Iguatemi – térreo)

(Vídeo) Ghost Bikes: uma experiência multimídia

Confira abaixo a narrativa multimídia que contou um pouco sobre a história de como surgiram as primeiras ghost bikes, ou bicicletas-fantasmas, no mundo e no Brasil, com foco em Florianópolis, Santa Catarina. A autoria é de Marina Lisboa Empinotti, graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Saiba mais:

Narrativa multimídia sobre “ghost bikes” será apresentada nesta quinta-feira
(Vídeo) Prévia do documentário “Ghost Bikes”

Notícia relacionada:

Bicicleta-fantasma de Jurerê também chegou a ser furtada e recuperada

Veja também:

(Vídeo) Bicicletas-fantasmas em Florianópolis – As homenagens aos ciclistas mortos no trânsito foi tema do programa Conexão TVCOM.
Morte no Santa Mônica poderia ter sido evitada. Ghost bike será instalada hoje. – “Sem ciclovias, sem uma vida”, conteúdo do Diário Catarinense.
Bicicletada Floripa de agosto homenageia ciclista morto em local que deveria ter ciclovia há 6 anos –  A omissão municipal fez sua vítima no bairro Santa Mônica.
“Espero que a ghost bike em homenagem a ele tenha sido a última”, diz nora de ciclista atropelado em ciclofaixa em Canasvieiras – O desejo da família de Hector Galeano não se realizou.
Florianópolis foi a primeira cidade da América do Sul a ter duas bicicletas-fantasmas instaladas em apenas um final de semana – A ghost bike de Hector Cesar Galeano foi a segunda do final de semana.
Mais de duzentas pessoas comparecem à homenagem a ciclista morto na SC-401, neste sábado – Cobertura do Bicicleta na Rua sobre a bicicleta-fantasma na SC-401 em homenagem a Emílio Delfino Carvalho de Souza.
Florianópolis terá duas Bicicletadas neste fim de semana – Divulgação oficial da Mobilização por mais segurança e menos mortes na Ilha de Santa Catarina.
Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias – Nota sobre o acidente com Hector Cesar Galeano.
Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – Relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.
Bicicletas-fantasmas em Florianópolis para o mundo saber – As primeiras ghost bikes da Grande Florianópolis são divulgadas para o mundo. A cidade foi a terceira do Brasil a contar com essa homenagem.

Artigo: uma reflexão crítica sobre as ciclofaixas de lazer de Florianópolis

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Diretrizes para o sucesso de vias temporárias visando à sua implantação futura de modo permanente

Recentemente, o periódico Diário Catarinense publicou interessante matéria sobre o aumento da quantidade de infraestrutura cicloviária em Florianópolis mediante a implantação de ciclofaixas de lazer, a exemplo da Ciclofaixa São Paulo e do Circuito Ciclofaixa, de Curitiba.

Pela reportagem, em um ano o tamanho da infraestrutura cicloviária da cidade aumentaria 70%, com a inclusão de 30km de ciclofaixas que funcionariam apenas aos domingos.

Origem das Ciclofaixas de Lazer

A idéia de se criar ciclofaixas provisórias é tipicamente brasileira. Surgiu em agosto de 2009, na cidade de São Paulo, então firmemente pressionada pela morte de ciclistas e por estudo de André Pasqualini que demonstrou que a cidade não possuía nenhum quilômetro de ciclovia utilizável na cidade. Numa cidade tomada por congestionamentos diários e cujo secretário de transportes solenemente ignorava a presença de ciclistas, em vez de construir uma ciclovia permanente, optaram por uma solução mais simples: fechar ruas ao tráfego automotor por uma manhã de domingo, quando o fluxo de veículos é menor. Encampada pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, a ciclofaixa paulistana de lazer ligava parques em meio a uma região aplainada.

Foi, de fato, um sucesso! A demanda reprimida por ciclovias era tão grande que houve mais de 9.000 ciclistas circulando em seu primeiro domingo de funcionamento, superando em 4.000 as expectativas.

As ciclofaixas de domingo foram copiadas por outras cidades. Além de Curitiba, Campinas e Ribeirão Preto também aderiram à iniciativa.

Problemas surgidos

Sobre Curitiba, temos um artigo exclusivo sobre sua polêmica. A iniciativa foi do Secretário Municipal de Esporte, Lazer e Juventide, Marcello Richa, filho do então governador do Paraná. De forma tímida, sem consulta a entidades de ciclistas ou mesmo grupos de pesquisadores cicloviários, pintou do lado esquerdo das vias 4km de ciclofaixas que funcionariam apenas um domingo por mês.

O intervalo entre cada Circuito Ciclofaixa, o fato de se localizar num lado da via onde normalmente não ocorre tráfego de ciclistas, a exígua extensão e o não cumprimento dos acordos de sua ampliação tornaram o Circuito Ciclofaixa extremamente vexatório.

Em Campinas, a ciclofaixa de lazer deixou de operar, muito embora reuniões estejam sendo feitas na nova administração para que ela possa voltar a ser operada.

Assim como São Paulo, a cidade de Ribeirão Preto conta com o apoio de um banco privado que possibilita uma série de atratividades aos usuários. Além de fiscais da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) realizarem um bom trabalho de redimensionamento de trânsito, agentes coletam dados e realizam entrevistas (eu mesmo já participei de uma), fotos dos ciclistas são orgulhosamente exibidas em site próprio, oficinas realizam ajustes nas bicicletas dos participantes e mesmo parques que há muito estavam no papel foram inaugurados já sendo contemplados com as novas ciclofaixas. Enfim, os ciclistas têm a seu dispôr um caminho seguro e atrativos em seus destinos.

Falácia de números

Hoje, a coordenação da Ciclofaixa São Paulo é da Secretaria de Transportes. Mas do percurso original nenhum deles foi efetivado e mesmo a integração com a única ciclovia próxima inaugurada desde 2009 – a ciclovia da Marginal Pinheiros – continua pobre, com poucos avanços.

Entretanto, o município de São Paulo contabiliza as ciclofaixas de lazer em seus números “oficiais”. Nenhum urbanista sério diria hoje que São Paulo tem 230km de pistas cicláveis ao se referir à mobilidade urbana por bicicleta. Os números são bem menores, de em torno de 50km. Ao contrário do que diz a reportagem – e fontes falsas da Prefeitura de São Paulo -, 230km é a meta da cidade para 2016. Mas quase todo o cronograma envolve ciclovias em parques – além das ciclofaixas de lazer. Para o ciclista urbano que pedala em seu cotidiano, poucos avanços seriam percebidos e mesmo poucos dos novos trechos estão devidademente interconectados.

São Paulo coloca em sua conta as ciclorrotas (pinturas no asfalto, indicando a presença de ciclista, uma outra solução de fácil implantação), as vias dentro de parques e as ciclofaixas de lazer em dobro. Mesmo ida e volta sendo lado a lado no canteiro central, a prefeitura conta ambos os lados de forma separada.

Por isso, em nenhum estudo acadêmico os dados da prefeitura são contabilizados quando se trata de mobilidade urbana.

Esse artifício, de que Porto Alegre e Campinas também se utilizaram, não deve ser repetido em Florianópolis. Ciclofaixa de lazer não é de deslocamento, via de regra. Inclusive, pode ser prejudicial a quem se utiliza da bicicleta no dia a dia. A pintura no asfalto na faixa da esquerda faz com que muitos motoristas, nos demais dias da semana, lancem seus veículos contra os ciclistas que trafegam corretamente à direita, dizendo ser ali espaço dele, do motorista. Diversos casos assim foram relatados em São Paulo.

Ciclorrecreovias

A opção da ciclofaixa de domingo de Florianópolis deve levar em conta os atrativos para o uso da bicicleta e a possibilidade de efetivação diária do trecho. Nesse sentido vale a pena recordar os exemplos de Bogotá. Ambas as situações ocorreram e a bicicleta virou febre. Pistas para caminhada, corrida e pedalada, seguido por incentivos, como aulas de ginásticas ao ar livre, atendimentos de saúde básicos, como medição de pressão, programas de acompanhamento de saúde, a exemplo de pessoas que queriam perder massa, piqueniques nas áreas adjacentes: tudo isso contribuiu para o sucesso do programa da cidade. Diversas cidades adotaram o mesmo modelo, com destaque atualmente para Santiago, no Chile, e seu programa CicloRecreoVías.

No Brasil, as iniciativas ainda são tímidas. Destaques nacionais são o fechamento do Eixão, em Brasília, e de parte da Beira-Rio, em Porto Alegre. Em Santa Catarina, Joinville chegou a fechar a Av. Hermann August Lepper em 2009 e Florianópolis e Biguaçu contaram com Ciclovias de Domingo. Este último projeto, encabeçado pela Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), que também está contribuindo atualmente, mantém pouca semelhança com as novas ciclofaixas de lazer de Florianópolis, pré-denominadas Ciclofaixa de Domingo. Veja aqui um levantamento de iniciativas semelhantes no Brasil.

As ciclofaixas de lazer de Florianópolis estão começando de forma parcialmente correta. Há um pensamento importante nos atrativos. Pensa-se desde já em incluir um roteiro histórico-cultural pelo centro do município, em ligar parques, como o de Coqueiros, da Luz e do Córrego Grande, em propiciar condições para a realização de atividades ao ar livre e de saúde, focando na prevenção de doenças, bem como em feiras de artesanato e/ou similares, aproveitando também espaços como campos de futebol, praças e pistas de skate. Isso sem contar na música, simbolizada em rodas de samba e em projetos como a Sounds in da City, além das oficinas dos Bike Anjos para quem quiser dicas ou aprender a pedalar em meio ao trânsito.

Com isso, mesmo que as praias da região central e continental de Florianópolis permaneçam impróprias para banho, incentivos não devem faltar para quem quiser se aproveitar das ciclofaixas de lazer. Fora o trabalho árduo em coordenar essas diversas atividades, faltam ainda, entretanto, duas questões importantes: estacionamentos de bicicleta e ciclovias “de verdade”.

Do lazer ao cotidiano

São Paulo pecou em não efetivar parte de sua Ciclofaixa de Lazer para os demais dias da semana. Após mais de três anos, mais de 100.000 pessoas percorrem as ciclofaixas das zonas sul e oeste todo domingo. O estímulo ao uso da bicicleta foi-lhes dado. Mas a passagem de se pedalar por lazer para o trabalho encontra seus obstáculos.

Após uma queda em 2011, o número de acidentes fatais com ciclistas subiu em São Paulo. Também não era para menos: em cerca de 10 anos, aumentou 300% o número de pessoas que se locomovem de bicicleta em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas a infraestrutura paulistana permaneceu praticamente inalterada, apenas maquiada, enquanto o Rio investiu fortemente em infraestrutura, pesquisa e educação no trânsito.

Faz-se necessário, assim, que Florianópolis pense sua ciclofaixa de lazer de modo a que vários de seus trechos sejam transformados, de fato, em ciclovias para o ano inteiro. Aproveitar trechos de projetos que já existam, como é o caso de Coqueiros e da Av. Madre Benvenuta, e interligá-los à malha cicloviária já existente é imperial.

É fundamental também a pesquisa de coleta de dados. Ela deve ser fundamental para embasar tanto a efetivação das futuras pistas cicláveis quanto para que sejam feitas correções de traçado ou de atrativos. Como disse Guillhermo Peñalosa, no Fórum Internacional de Mobilidade nas Cidades, realizado em Florianópolis em 2011, precisamos pegar números que mostrem o antes e o depois, verificar a eficácia da ciclofaixa de lazer para o aumento do número de ciclistas e aí sim tomar a decisão de implementar de vez uma ciclovia ou ciclofaixa permanente.

Fundo Municipal de Trânsito

Parte das promessas do prefeito eleito Cesar Souza Júnior, a destinação de 20% do futuro Fundo Municipal de Trânsito para a construção de ciclovias não poderá ser usada para as ciclofaixas de lazer se não forem seguidas estas recomendações.

A criação de um fundo para gerir a mobilidade faz parte da Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei Federal 12.587/2012). A destinação desses 20%, hoje estimados em cerca de R$8 milhões por ano, para a implantação de pistas cicláveis voltadas exclusivamente ao lazer não se insere dentro da lei federal.

Entretanto, se for parte de um processo para a consolidação da infraestrutura cicloviária urbana, envolvendo desde o início pesquisas de contagem volumétrica e entrevistas com usuário de bicicleta, esse recurso poderá ser parcialmente utilizado para essa destinação.

Os 74% dos habitantes que compõem a demanda reprimida no que tange ao uso da bicicleta apenas esperam que, ao contrário de São Paulo, essa efetivação não demore mais que 3 anos.

Fabiano Faga Pacheco

Florianópolis entra na moda das ciclofaixas de lazer

DC 2013-01-10 p.6 Ciclofaixas de Lazer

A reportagem abaixo foi publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense, em 10 de janeiro de 2013. Você pode lê-la também no site do DC aqui ou aqui. Veja em PDF. Pequenos erros já foram corrigidos ao longo do texto.

PEDALADAS INICIAIS

Meta é mais 30km de ciclovias em um ano

Plano da Secretaria de Desenvolvimento Urbano representa um aumento de 70% da atual malha.

Se depender da vontade dos técnicos da prefeitura, Florianópolis deve chegar em janeiro de 2014 com 30km a mais de ciclovias, um aumento de 70% em relação à atual malha cicloviária de 43km da Capital. A meta foi estipulada pelo prefeito Cesar Souza Junior (PSD) e pelo secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Dalmo Vieira Filho.

Segundo o secretário, a equipe de técnicos da pasta deve começar nos próximos dias a detalhar os projetos de criação das chamadas ciclofaixas de lazer, que reservam trechos de ruas e avenidas para o ciclismo em determinados horários e dias da semana, e das ciclovias fixas que serão reformuladas ou construídas nos próximos anos.

– Já fizemos várias reuniões para discutir o assunto, e creio que não teremos dificuldades em criar as ciclofaixas. Nossa maior preocupação é garantir segurança e infraestrutura de qualidade para os ciclistas, estimulando mais gente a pedalar. Acidentes não poderão acontecer – afirma o novo secretário.

Pelos planos da prefeitura, serão criadas ciclofaixas no Continente, no Centro, na Trindade e nas regiões do Saco da Lama e de Cacupé. Entre as ciclovias, a prioridade total é o trecho da chamada Bacia do Itacorubi, que atenderia à demanda de alunos da Udesc e da UFSC que usam a bicicleta como meio de transporte.

Antes de concluir os projetos, Dalmo diz que pretende conversar com entidades e associações que atuam na área, pedindo conselhos e ideias de melhorias às propostas.

– Já temos vários projetos que estão sendo desenvolvidos no Ipuf, mas precisamos conversar com essas entidades antes de começar nossas ações. Temos pessoas pensando em como deve ficar o trânsito, para evitar reclamações dos motoristas, por exemplo. Tudo precisa ser muito bem pensado e planejado – explica Dalmo.

DC 2013-01-10 Ciclofaixas de Lazer fig.1 (Veja em PDF)

Para o integrante do grupo de ciclistas Bike Anjo Fabrício Sousa, qualquer medida que atenda à demanda reprimida na cidade é bem-vinda, ainda que considere haver demora em executar projetos relativamente simples e baratos.

– Claro que o ideal é haver mais ciclovias com separação dos carros, mas a colocação de ciclofaixas de lazer já é uma ação a se comemorar. Floripa tem todo o jeito para isso, o próprio turismo seria beneficiado com mais ciclovias – afirma.

Militante questiona ciclofaixa de lazer

O presidente da ViaCiclo, principal entidade de ciclousuários do município, Daniel de Araújo Costa, diz que a criação de ciclofaixas de lazer não é a solução ideal para ajudar a melhorar os gargalos de mobilidade urbana da Capital catarinense.

– É uma coisa meio estranha, para funcionar só aos domingos. Você acaba sem a opção de se deslocar de bicicleta como um meio de transporte no seu dia a dia. A ciclofaixa não deve servir só com fins de entretenimento, é preciso termos mais ciclovias de transporte urbano – argumenta.

Larissa Guerra

Saiba mais:

A polêmica da ciclofaixa de Curitiba
São Paulo amplia sua ciclofaixa de lazer
Campinas inaugurará ciclofaixa de lazer para os domingos e feriados

Veja também:

Charge – Na inauguração da ciclofaixa de lazer…
Setembro, mês da mobilidade

Modelo de estacionamento de bicicletas de Florianópolis

Desde o começo do Projeto Rotas Inteligentes, que visa a proporcionar condições seguras para o tráfego de bicicletas em Florianópolis, foi lançado um guia para a implantação de estacionamentos de bicicleta, abrangendo tanto bicicletários como paraciclos, na região central da cidade.

Entretanto, é interessante que o modelo pode ser utilizado por quaisquer estabelecimentos e o guia abaixo, junto com os manuais da Associação Transporte Ativo, auxilia os interessados que almejam implantar um bicicletário decente ou aqueles que, por força de lei, têm que reservar espaços para as bicicletas, como é o caso de terminais de transporte coletivo, shopping centers, supermercados, prédios públicos das esferas municipal, estadual e federal e estabelecimentos comerciais com mais de 100m² de área construída.

O modelo adotado, que vem sendo considerado o padrão do município, é considerado adequado pela União de Ciclistas do Brasil (UCB) e pela Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo).

Confira abaixo a versão de janeiro de 2011 do guia “Estacionamento de Bicicletas”, feito pelo Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF).

Estacionamento de bicicletas IPUF

Estacionamento de Bicicletas

As promessas de Cesar Souza Júnior para a mobilidade por bicicleta

No dia 25 de outubro, uma quinta-feira, pela noite, no Hotel Maria do Mar, no bairro João Paulo, em Florianópolis, o prefeito eleito e seu vice assumiram 23 compromissos com os ciclistas da capital catarinense, envolvendo ampliação de ciclovias e bicicletários, além de educação e fiscalização no trânsito e implantação de um sistema de bicicletas coletivas.

Além desses compromissos, o atual prefeito também assinou a Carta de Compromisso com a Mobilidade, proposta pela Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo).

Confira abaixo, na íntegra, o “Termo de Compromisso com os Ciclistas” assinado por Cesar Souza Júnior (PSD) e João Amin (PP), que fez parte do projeto “Promoção da Mobilidade Ciclística nas Eleições Municipais 2012”, encabeçado pela ViaCiclo, pela Bicicletada Floripa e pelo Bicicleta na Rua, com apoio do Bike Anjo Floripa.

ViaCiclo - logoBike Anjo - logobicicleta_na_rua3-joel pachecoBicicletada Floripa - logo v.1

TERMO DE COMPROMISSO COM OS CICLISTAS DE FLORIANÓPOLIS

Considerando que:

a) a mobilidade urbana é um dos principais problemas que assolam os moradores da Grande Florianópolis;

b) 74% da população do município de Florianópolis gostaria de se utilizar mais da bicicleta em seu cotidiano;

c) as principais causas dessa demanda reprimida são: a ausência de ciclovias e ciclofaixas, o desrespeito dos motoristas no trânsito, a ausência de fiscalização do estacionamento irregular de veículos sobre ciclofaixas e a ausência de bicicletários;

d) há anos existe um convênio de cooperação técnico-científica entre as cidades de Florianópolis e Stuttgart (Alemanha);

e) o município tenta obter qualificação para se tornar Reserva da Biosfera Urbana;

f)  desde 2001 existe a intenção de requalificação do espaço viário com base no Projeto Rotas Inteligentes;

g) a Lei Complementar Municipal Nº 078, Art. 7º, § 2°, afirma que “nos casos em que a implantação da via implicar na construção de pontes, viadutos e abertura de túneis, tais obras também serão dotadas de sistemas cicloviários integrados ao projeto”;

h) o município formou técnicos qualificados para tratar do desenvolvimento do modal ciclístico ao longo dos últimos anos;

i) a bicicleta foi considerada a forma de deslocamento mais eficiente e sustentável em todas as edições do Desafio Intermodal realizadas em Florianópolis;

j) desde 2004, os estudos indicam a necessidade de uma estrutura no organograma da cidade para tratar da bicicleta como meio de transporte;

k) a estrutura cicloviária da cidade encontra-se defasada em ao menos quatro dezenas de quilômetros de pistas cicláveis seguras;

l) 70,3% das população desconhece a legislação referente à circulação de bicicletas.

Eu, Cesar Souza Júnior, candidato a prefeito pela coligação “Por uma Cidade mais Humana” (PP / PSC / DEM / PSDC / PSB / PSDB / PSD), assumo, caso seja eleito, os seguintes compromissos com os usuários de bicicleta:

AMPLIAÇÃO DE CICLOVIAS

1) Criar uma Coordenadoria ligada diretamente ao prefeito, ou órgão equivalente, que trate das formas de mobilidade alternativa em Florianópolis, aí incluindo o deslocamento por bicicleta, visando a proporcionar maior agilidade na execução das demandas ciclísticas, dotada com quadro técnico qualificado;

2) Criar o Fundo Municipal de Trânsito, destinando 20% de seu recurso para a construção de ciclovias;

3) Ampliar consideravelmente a malha cicloviária do município, com a construção de pistas cicláveis decentes, nos moldes recomendados pela ANTT e instituições internacionais, incluindo ciclovias, ciclofaixas, passeios compartilhados e ciclorrotas;

4) Ter como meta criar, já nos primeiros 18 meses de mandato, 40km de pistas cicláveis, seguindo os projetos conceituais e/ou executivos hoje existentes dentro dos quadros da prefeitura;

5) Fortalecer o papel de pesquisa e planejamento do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), de modo a obter e avaliar dados da circulação de bicicletas e da construção de novas pistas cicláveis;

6) Manter formas de diálogo entre os técnicos e a comunidade, de maneira a facilitar a recepção de demandas relativas à bicicleta;

7) Interligar as ciclovias e ciclofaixas já existentes;

8) Adequar os projetos de obras de arte viárias, tais como pontes, túneis, elevados e viadutos, à LCM 78/2001, para neles inserir a mobilidade por bicicleta;

9) Adequar e arrumar a infraestrutura cicloviária já existente que apresente problemas de execução, manutenção e/ou finalização;

10) Buscar, junto aos governos estadual e federal, soluções conjuntas para a implantação de pistas cicláveis do tipo “ciclovia” nas rodovias estaduais e federal que cortam o município;

FISCALIZAÇÃO

11) Aplicar medidas mais rígidas de fiscalização do estacionamento irregular de veículos automotores sobre as pistas cicláveis;

EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO

12) Criar campanhas permanentes de difusão da legislação de trânsito referente à circulação de bicicletas aos condutores de veículos motorizados e aos ciclistas;

13) Apoiar iniciativas de ensino às crianças das regras de convivência no trânsito, a exemplo da distribuição do livreto “Se Essa Rua Fosse Minha…”;

14) Apoiar iniciativas como as do Bike Anjo, de auxílio aos cidadãos que almejam a aprender a pedalar em meio do trânsito;

15) Atualizar, distribuir e disseminar o Manual do Ciclista de Florianópolis (LCM 106/2002, Anexo I);

16) Fiscalizar a qualificação do profissional condutor de veículo de transporte coletivo, visando a evitar conflitos entre ônibus e ciclistas, por meio de cursos práticos como os ministrados no município de São Paulo (Pasqualini, 2009);

BICICLETÁRIOS

17) Fiscalizar o cumprimento da implantação de bicicletários em locais públicos, como comércios, centro de compras e prédios públicos, conforme LCM 78/2001 e LCM 155/2005;

18) Difundir o modelo municipal de estacionamento de bicicleta, adotando como padrão aquele oriundo de estudos do IPUF e considerado adequado pela Associação de Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo) e pela União de Ciclistas do Brasil (UCB), evitando a proliferação dos modelos chamados “entorta-aro”.

19) Finalizar a implantação de bicicletários seguros nos terminais urbanos de transporte coletivo já existentes, e implantá-los nos terminais que poderão ser criados, em caso de transporte marítimo, por exemplo;

BICICLETAS COLETIVAS

20) Efetivar a implantação do sistema de aluguel de bicicletas em Florianópolis (Floribike) e a sua ampliação;

OUTROS

21) Cumprir e fazer cumprir a legislação em vigor (Leis Municipais 155/2005, 078/2001; Lei Estadual 10.728/1998; Lei Estadual 15.168/2010 – Mobilidade Não-Motorizada; Lei Federal 9.503/97 – Código de Trânsito Brasileiro; Lei Federal 12.587/2012 – Lei da Mobilidade Urbana);

22) Implantar o Portal do Ciclista, conforme projeto já existente nos quadros técnicos do município

23) Incluir, na licitação do transporte coletivo, o traslado de bicicletas em ônibus, por racks, conforme manifestação do Ministério Público de Santa Catarina e da Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta de Florianópolis.

CESAR SOUZA JÚNIOR

Saiba mais:

Conheça a legislação que rege a mobilidade por bicicleta em Florianópolis.

Veja também:

Se essa rua fosse minha…
Manual do Ciclista de Florianópolis

Guarda Municipal está multando veículos estacionados sobre as novas ciclofaixas de Florianópolis

A matéria abaixo foi originalmente publicada na versão on line do Jornal Notícias do Dia, em 27 de dezembro de 2012, às 16h31. Consta também do jornal impresso, edição de Florianópolis, no dia 28 de dezembro (págs. 5 e 24). Você também pode lê-la matéria no site do ND aqui. A versão abaixo é um misto de ambas.

 Motoristas estacionam e circulam em locais exclusivos para os ciclistas

Invasão nas ciclofaixas. Ciclistas precisam desviar de carros e caminhões na via que deveria ser livre para o fluxo de bicicletas.

Quem usa a bicicleta como meio de transporte em Florianópolis precisa estar sempre atento aos veículos que circulam pelas avenidas e a falta de cuidado e distância necessária dos motoristas. Porém em alguns pontos, mesmo havendo ciclofaixa, quem pedala não está seguro e precisa muitas vezes desviar de carros caminhões e até disputar espaço no local que deveria ser exclusivo a ciclistas com motociclistas.

Andando pelo Centro da Capital em poucos minutos é possível observar o desrespeito em diversas ruas. As vias com muitos prédios e estabelecimentos comerciais são as mais desafiadoras aos ciclistas. Na rua Frei Caneca, a equipe do Notícias do Dia flagrou um caminhão estacionado em cima da ciclofaixa.

O motorista Jó Nakao, que é funcionário de uma transportadora, estava dentro do veículo e com o pisca alerta ligado. “Precisamos fazer carga e descarga e mudanças, mas aqui é impossível estacionar. Se fico do outro lado os ônibus quase batem na gente e nos prédios ou não tem espaço para caminhão ou não deixam entrar, infelizmente é nossa única opção”, justificou.

José Carlos Ferreira Júnior, entregador de compras, desvia de caminhão estacionado em espaço exclusivo para bicicletas. Foto: Débora Klempous / ND.

José Carlos Ferreira Júnior, entregador de compras, desvia de caminhão estacionado em espaço exclusivo para bicicletas. Foto: Débora Klempous / ND.

Cerca de 500 metros à frente, outro flagrante. Um carro de uma empresa prestadora de serviços estacionado em frente a outro prédio, em cima da ciclofaixa. As justificativas são as mesmas: falta de local para carga e descarga ou o famoso “é só um minutinho”.

Porém, de acordo com a subcomandante da guarda municipal Maryanne Mattos, não há desculpa que justifique a infração. Segundo ela estar dentro do veículo com pisca alerta ligado e sair logo que é alertado não impede o registro da infração e aplicação da multa, que é de R$ 127,69. Para os veículos de carga, quando não há local livre para estacionamento, é possível pedir autorização ao IPUF (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) para estacionar em data e horário específico.

Ciclistas pedem mais fiscalização e consciência dos motoristas

Rosana Klotz Glienke é moradora do Centro e há poucos meses deixou de usar a bicicleta como meio de transporte por causa da insegurança. Ela costumava levava as filhas para escola de bicicleta, mas agora só usa para passeio. Ontem ela seguia com as filhas Sandy e Giulia e a amiga Jessica, pela ciclofaixa, mas estava indo em direção à Beira-mar, onde não precisam desviar de carros, ônibus nem caminhões. O marido dela ia trabalhar diariamente de bicicleta, mas desistiu depois de quase ser atropelado por duas vezes. “O medo nos fez mudar de hábito e infelizmente voltamos para o carro. Precisa fiscalização e multa, mas principalmente consciência das pessoas. Com o desrespeito que há, hoje andamos só para curtir e passear”.

José Carlos Ferreira Junior trabalha como entregador de compras de um supermercado da região Central e, enquanto se deslocava até a casa de um cliente na rua Duarte Schutel, Centro, precisou desviar três vezes de carros e caminhões parados sobre a ciclofaixa. Ele conta que por sorte nunca se acidentou, mas já viu outros colegas machucados e até a bicicleta precisou ser trocada por acidentes provocados pela falta de respeito de motoristas à faixa destinada aos ciclistas.

A empresa instalou até uma buzina no guidão da bicicleta para chamar a atenção quando necessário. “É complicado, tem muita entrada e saída de veículos transversais à faixa. Não sei adianta, mas talvez colocar mais sinalização e fiscalizar mais poderia ajudar. Mas percebo que quando a polícia vem os motoristas saem mas logo voltam”, lamentou.

Segundo Maryanne em apenas um período do dia fazendo ronda no Centro da Capital os guardas flagram mais de dez infrações deste tipo, a maioria em locais de comércio e no período da noite em ruas onde há bares. “A gente pede pra retirar e multa, e os motoristas reclamam dizendo que é falta de bom senso porque já estão retirando o veículo. Mas eles é que não tiveram bom senso na hora de parar ali”, afirmou.

Saiba Mais:
De acordo com o inciso VIII do artigo 181 do Código de Trânsito Brasileiro, estacionar veículo no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovia ou ciclofaixa, bem como nas ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de canalização, gramados ou jardim público é infração grave. A penalidade é multa de R$127,68 e cinco pontos na CNH. A medida administrativa que deve ser aplicada é a remoção do veículo.

Letícia Mathias

Floribike: encaminhamento do edital homenageou os 10 anos da Bicicletada em Florianópolis

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Agora três empresas estão na disputa.

O edital de qualificação para o sistema de bicicletas coletivas de Florianópolis, pré-denominado Floribike, foi oficialmente encaminhado pela Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) para a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável (SMCTDES) no dia 29 de outubro de 2012, uma segunda-feira. Foi o primeiro dia útil após a Bicicletada Floripa de outubro, realizada na última sexta-feira daquele mês, dia 26. Esta data marcou a edição comemorativa dos dez anos da Massa Crítica em Florianópolis.

Em discussão desde meados de 2011, as bicicletas coletivas de Florianópolis dependem apenas da publicação desse edital para ter seguimento. O documento determina as características que devem constar para que o aluguel de bicicletas na cidade ocorra, bem como dá providências para a classificação das empresas interessadas em implantar o sistema.

Desde julho o documento se encontrava na Pró-Bici para análise técnica. “Foram feitas mais de quatro dezenas de correções para se adequar o edital à legislação”, ponderou Fabiano Faga Pacheco, secretário da Pró-Bici. As alterações foram apresentadas durante a reunião ordinária da Comissão de 24 de outubro e, logo após, encaminhadas por sua coordenadora técnica, a arquiteta e urbanista Vera Lúcia Gonçalves da Silva.

Um mês depois, o edital foi encaminhado à Secretaria Municipal de Administração e Previdência e dependia apenas de uma assinatura do então prefeito, Dário Berger (PMDB), para ser publicado no Diário Oficial do Município, fato que acabou por não ocorrer.

Empresa espanhola ganha direito de concorrer

O edital depende, ainda hoje, apenas da assinatura do prefeito eleito, Cesar Souza Júnior (PSD), para ser lançado. Durante sabatina no segundo turno da campanha eleitoral, ele afirmou ser completamente favorável à implantação do aluguel de bicicletas, constando como uma das promessas de seu “Termo de Compromisso com os Ciclistas”, assinado junto à Bicicletada Floripa, Bike Anjo Floripa, ViaCiclo e Bicicleta na Rua. Seu vice-prefeito, João Amin (PP), inclusive esteve na audiência pública sobre o tema.

Mas agora, não serão mais apenas duas empresas que concorrem para obterem o direito de implantar as bicicletas coletivas. Após análise de recurso, a Comissão Permanente de Licitações habilitou a empresa espanhola Movement Barcelona, responsável, dentre outros, pelo sistema Bicing, de Barcelona. A empresa havia sido desclassificada por critérios burocráticos, como não tradução de atestados de capacidade técnica e de certidão de débitos. Ela se junta à CompartiBike e à Serttel.

Confira abaixo a nota completa no Diário Oficial.

Diario Oficial de Florianopolis 2012-08-31

SECRETARIA MUNICIPAL DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO SUSTENTÁVEL

RESULTADO DO PROCESSO LICITATÓRIO DE PRÉ-QUALIFICAÇÃO Nº. 147/SMAP/DLC/2012.
O Município de Florianópolis, por intermédio da Comissão Permanente de Licitações para Cadastro e Habilitação, após análise do recurso interposto pela empresa MOVEMENT BARCELONA 2005 S2, torna público aos interessados:

EMPRESAS PRÉ-QUALIFICADAS:

– M2 SOLUÇÕES EM ENGENHARIA LTDA.;
– SERTTEL LTDA.;
– MOVEMENT BARCELONA 2005 S2.

Florianópolis, em 27 de agosto de 2012.
A Comissão.

Saiba mais:

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Ata da Audiência Pública do Sistema de Bicicletas Públicas de Florianópolis (Floribike)
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