Após protestos, prefeitura de Florianópolis reinaugurará novos paraciclos no Campeche

Nesta quinta-feira, 28 de fevereiro, às 11h, a prefeitura de Florianópolis irá inaugurar os novos estacionamentos de bicicleta ao final da Avenida Pequeno Príncipe, no Campeche.

Instalados em uma praça próxima à entrada principal da praia, os modelos antigos de estacionamento de bicicleta causaram manifestações negativas por parte dos ciclistas. Em janeiro deste ano, por exemplo, em um protesto da Bicicletada Floripa, os ciclistas posicionaram suas bicicletas no chão, atrás dos paraciclos, como forma de chamar atenção para a falta de condições de uso da estrutura.

Bicicletas ao chão em protesto contra bicicletário inadequado instalado no Campeche.

Bicicletário no Campeche foi alvo de protestos em janeiro. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

No dia seguinte, enquanto centenas de pessoas manifestavam sua indignação pelas redes sociais, a atual gestão da prefeitura tomava conhecimento dos problemas e se comprometia a solucioná-los.

No dia 19 de fevereiro, uma reunião na Secretaria Municipal de Obras, contando com a presença da Associação de Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), do Floripa Quer Mais, do Movimento Ciclovia na Lagoa Já, de participantes da Massa Crítica local e da Pedrita, definiu a mudança dos modelos de estacionamentos de bicicleta.

Como um importante marco político, ficou estabelecido que todos os estacionamentos instalados pelo poder municipal adotarão o modelo estudado pelo Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), de preferência de 1,5 polegada, de forma a aumentar a sua durabilidade.

Novos paraciclos do Campeche sendo implantados. Foto: Daniel de Araújo Costa.

Novos paraciclos do Campeche sendo implantados. Foto: Daniel de Araújo Costa.

Poesia – Descoberta

Renas Barreto

“Descobri o esconderijo da alegria
No dia em que segui o sol.”

Renas Barreto

(Via Facebook)

Veja também:

Poesia – Culto à caixa
Poesia – Peabiru

Protesto contra a diminuição do preço da vida humana

Sexta-feira é um dia especial. Neste dia 22 de fevereiro, provavelmente haverá a maior quantidade de ciclistas nas ruas brasileiras pedalando ao mesmo tempo por um objetivo comum: podere, fazer isso novamente!

A Massa Crítica, também conhecida nos países lusófonos como Bicicletada, terá espaço em dezenas de cidades. Assim o é em todas as últimas sextas-feiras de cada mês, tanto no Brasil quanto no exterior.

Impulsionados pelo 2º Fórum Mundial da Bicicleta e a presença da artista Mona Caron, Porto Alegre deve obter o recorde de maior Bicicletada do Brasil.

Confira como foi a Massa Crítica durante o 1º Fórum Mundial da Bicicleta

Florianopolis 2013-02-22

Arte: Josué

Em Florianópolis, não será diferente. Mesmo com dezenas de ciclistas em Porto Alegre, a capital catarinense juntar-se-á aos protestos por boicote à gasolina de uma forma diferenciada: estimulando as pessoas a utilizarem as magrelas.

A pedalada, que costuma ter efeitos mais permanentes do que os pagamentos com moedas de um centavo, sairá às 19h da pista de skate da Trindade e é altamente recomendada para famílias e pessoas que querem voltar a sentir aquela prazerosa sensação que apenas uma bicicleta pode proporcionar!

Casal de cicloturistas que dava a volta ao mundo falece no trânsito da Tailândia

Os artistas ingleses Peter Root e Mary Thompson, ambos de 34 anos, morreram em um acidente de trânsito nos arredores de Bancoc, na Tailândia, depois de terem pedalado por mais de 23 países.

O casal estava fazendo uma viagem de volta ao mundo de bicicleta e já havia cruzado a Europa, a Ásia Central e a China. O acidente aconteceu na quarta-feira passada, a cerca de 100 km à leste da capital Bancoc.

Thompson e Root morreram ao colidir frontalmente com uma picape em Chachoengsao, de acordo com a imprensa local.

A Embaixada do Reino Unido na Tailândia foi procurada pela BBC Brasil para maiores detalhes do caso, mas não deu entrevista até a tarde desta segunda-feira. A representação afirmou apenas que “todos os esforços estão sendo feitos para ajudar as famílias das vítimas”.

Two on Four Wheels - Foto: Divulgação / Tree Hugger.

Root era morador da ilha de Jersey e cresceu em Guernsey. Thompson era de Bristol. Ambos se conheceram há 14 anos na faculdade Falmounth College of Arts – onde estudavam arte.

A dupla tinha um blog, uma página no Twitter e postava vídeos no Vímeo (site de compartilhamento de vídeos) narrando a aventura que começou em julho de 2011. Eles já haviam pedalado mais de 25 mil quilômetros.

A última publicação na internet foi feita há sete dias e mostrava imagens da passagem do casal pelo Camboja em janeiro.

Amigos da comunidade Lonely Planet publicaram comentários no fórum homenageando os ciclistas.

“Se você alguma vez teve a chance de encontrar pelo caminho essas duas pessoas adoráveis, você deve ter sido arrebatado pela generosidade, entusiasmo e jeito de tocar banjo de Peter e ter sido tocado pela natureza gentil, senso de humor e lindo sorriso de Mary”, escreveu o também ciclista Chris Roach.

Mortes no trânsito

Conhecida por seu trânsito caótico, a Tailândia tem uma frota de mais de 25, 6 milhões de veículos e registra cerca de 12,5 mil mortes no trânsito a cada ano, segundo dados da Organização Mundial de Saúde.

São comuns os casos de turistas acidentados, pois é popular o aluguel de vespas e motocicletas para pessoas sem experiência. Além disso, ruas superlotadas com má sinalização e a presença de tuk-tuks, os triciclos coletivos, aumentam os riscos.

Tragicamente, Peter Root comentou em seu blog dias antes de morrer que estava satisfeito com o trânsito na Tailândia, pois era menos barulhento que nas nações vizinhas. “Bom estar em um país onde há menos ação de buzinas”, escreveu ele.

Fonte: BBC Brasil, em 18 de fevereeiro de 2012, às 16h35.

Charge – Lei Seca no Carnaval

A charge abaixo foi publicada no Jornal Notícias do Dia, edição da Grande Florianópolis, no bíduo 9 e 10 de fevereiro de 2013. A autoria dela é de Luiz Mendes.

charge - Mendes ND 2013-02-09.10 Lei Seca no Carnaval

Neste Carnaval, não se esqueça:

Se dirigir, não beba!
Se beber, não dirija!

Veja também:

Charge – Armandinho na Pedalada Pelada
Charge – Pedalando com segurança na SC-401
Charge – Ponte Hercílio Luz: Um dia ela cansa de esperar
Charge – Ano novo, problema velho
Charge – Na inauguração da ciclofaixa de lazer…
Charge – Dia Mundial Sem Carro
Charge – Semana Mundial Sem Carros
Charge – Acessibilidade

Charge – Fins do mundo

(Charges) Atropelamento da Massa Crítica de Porto Alegre

(Charges) Ciclista Noel

Charge – A Faixa de Gaza é mais segura que a faixa de pedestres

Charge – É só não usar como um selvagem!

Charge – Na Ressacada, só de bicicleta

Charge – Não chegue antes na escola, filho!

Charge – Assim caminha o transporte em Florianópolis

Charge – A Ilha tá afundando

(Vídeo) Bicicleta é fio condutor de propostas econômicas no Equador

Candidato à reeleição nas próximas eleições equatorianas, o atual presidente, o economista Rafael Vicente Correa Delgado, tem recorrido constantemente à bicicleta em seus discursos e vídeos.

Segundo seu blogue econômico, intitulado “Economía en Bicicleta”, a economia social se faz percorrendo o país em uma bicicleta.

E é nessa toada que segue uma de suas peças publicitárias, que pode ser conferida abaixo:

Lembranças de um ano atrás

Há um ano começavam e terminavam as minhas férias.

O corpo já me pedia descanso. O ano praticamente sem parar o cansara. Vi uma trilha para fazer com amigos no domingo, nos Ingleses. Pensei em ir de bike, mas o pouco sono e a chuva da véspera fizeram-me repensar a opção. Deixei a moto de lado e fui de ônibus. Gostava de pegar ônibus para fazer trilhas. Nos terminais, já reencontrava conhecidos e íamos papeando até o ínicio da trilha. Mas naquele domingo foi diferente. Ninguém no terminal central, nem o ônibus. Não me lembrava de os horários serem tão espaçados, mesmo numa linha que leva à praia em pleno domingo aberto de verão.

Sentado junto à janela direita do ônibus, peguei um jornal para ler – um informativo já meio antigo alusivo ao aniversário de Palhoça. Mas por volta das 10h uma concentração de ciclistas chamou-me a atenção pela janela do ônibus. Em menos de um minuto vi ambulância, bombeiros, duas bicicletas retorcidas largadas à grama, inúmeros ciclistas com camiseta da IronMind, um jovem ensangüentado sobre uma maca no asfalto.

A primeira coisa que se passou pela minha cabeça foi uma repetição do acidente com Rodrigo Machado Lucianetti, que treinava triatlo pela IronMind quando foi atropelado na SC-402, em Jurerê. As camisetas vermelhas dos ciclistas da equipe me induziram a isso. Domingo pela manhã era dia de treino.

Liguei ao Milton Carlos Della Giustina, na treinava com sua bicicleta pela BR-101 naquele momento. Telefonei ao Daniel de Araújo Costa, presidente da ViaCiclo, e à Lúcia Mendonça, diretora de Operações da Secretaria de Transportes, Mobilidade e Terminais. As primeiras notícias que me chegaram não eram animadoras, mas davam esperanças. Acidentes com dois ciclistas, um com maior gravidade, mas sem óbito.

Fui fazer a trilha, relaxando a cabeça. Voltei ao mundo real ainda antes de chegar em casa, quando as notícias já não escondiam o fato de que o sangue de uma daquelas pessoas não iria mais pulsar. Não eram da IronMind, o que não melhorava em nada a situação.

O estudante de Medicina da UFSC, então no terceiro semestre, Emílio Delfino Carvalho de Souza não resistiu. Seu colega Nicolas Paolo Zanella sobreviveu.

Os fatos que surgiram nos dias seguintes, com relatos de quem presenciou a cena, deram contornos ainda mais dramáticos.

Protestos na SC-401 mobilizaram mais de 200 pessoas.

O resto já se sabe: mais de duzentas pessoas fizeram um protesto pelo fim da violência no trânsito e uma bicicleta-fantasma (ghost bike) foi instalada no local.

Nicolas Zanella, irmão de uma caloura minha que se encontrava em viagem de intercâmcio, hoje se encontra melhor, já tendo voltado a pedalar, participando, inclusive, da instalação da terceira bicicleta-fantasma na SC-401 em 2012, no Cacupé.

Bicicleta-fantasma homenageia ciclista morto por motorista embriagado na SC-401.

Bicicleta-fantasma homenageia ciclista morto por motorista embriagado na SC-401.

A essa ponto, minhas férias já haviam definitivamente acabado.

Fabiano Faga Pacheco

Saiba mais:

Um ano e nada mudou  – um balanço sobre as promessas feitas logo após o acidente e a realidade um ano depois.
Florianópolis foi a primeira cidade da América do Sul a ter duas bicicletas-fantasmas instaladas em apenas um final de semana –  A ghost bike de Hector Cesar Galeano foi a segunda do final de semana.
Florianópolis terá duas Bicicletadas neste fim de semana – Divulgação oficial da  Mobilização por mais segurança e menos mortes na Ilha de Santa Catarina.
Mais de duzentas pessoas comparecem à homenagem a ciclista morto na SC-401, neste sábado – Cobertura do Bicicleta na Rua sobre a bicicleta-fantasma na SC-401 em homenagem a Emílio Delfino Carvalho de Souza.
“Os ferimentos do meu filho não foram leves”, diz mãe de ciclista atingido na SC-401 – Desabafo da mãe de Nicolas Paolo Zanella, o outro ciclista atropelado na SC-401.
Notas sobre a reunião pelo fim da impunidade no trânsito – Sociedade civil, mobilizada, divulga novas informações sobre o acidente.
(Vídeo) Acidente na SC-401 no RBS Notícias – Conteúdo da RBS TV SC.
Acorda Floripa! – Depoimento do triatleta André Puhlmann, que estava pedalando próximo ao local do acidente.
Vídeo e mais comentários sobre a entrevista acerca dos ciclistas atropelados na SC-401 – Conteúdo comentado do Jornal do Almoço.
Charge – Pedalando com segurança na SC-401 – Autoria de César Nogueira.
Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço – Primeira parte dos comentários sobre o vídeo do Jornal do Almoço.
Mais um ciclista morre na SC-401  – Divulgação do acidente de Emílio Delfino no Jornal Notícias do Dia.

Veja também:

SC-401, a Rodovia da Morte para ciclistas – Reportagem do Jornal Notícias do Dia revela a preocupação com a circulação de bicicleta na rodovia estadual mais movimentada de Santa Catarina.
Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias – Nota sobre o acidente com Hector Cesar Galeano.
A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a rodovia e a mobilidade.
SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão – A liberação consentida da Polícia Militar Rodoviária para automóveis usarem o acostamento coloca em risco a vida de ciclistas.
Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – Relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.
A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados – Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes como os deste fim-de-semana aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.
Bicicletas-fantasmas em Florianópolis para o mundo saber – As primeiras ghost bikes da Grande Florianópolis são divulgadas para o mundo. A cidade foi a terceira cidade brasileira a contar com essa homenagem.

Um ano sem Emílio

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Homenagem ao Emílio Delfino Carvalho de Souza, morto em 05/fev/2012, vítima da imprudência e descaso pela vida alheia por parte de um motorista e das condições inseguras de nossas vias, a cargo dos nossos administradores públicos e políticos, que permitem fartamente acontecimentos desse gênero.

O encontro será na pista de skate em frente ao shopping Iguatemi. Em seguida iremos de bike até o local do acidente, sito a Rodovia SC-401 na subida do morro, logo após o acesso ao bairro João Paulo.

Ao chegar, fazer uma oração e colocar flores ao pé da ghost bike. Silenciosamente e em homenagem.

Precisamos da ajuda de vocês para que isso aconteça.

Recomenda-se o uso dos acessórios de iluminação para bicicletas.

As pessoas que forem de carro poderão acompanhar as bicicletas onde ocorrer circulação compartilhada, ou estacionar próximo do destino e seguir a pé.

Saiba mais:

Um ano e nada mudou

Um ano e nada mudou

Um ano após o atropelamento de dois ciclistas na SC-401, no qual faleceu o estudante de Medicina Emílio Delfino Carvalho de Souza, muito pouca coisa se modificou de fato em Florianópolis para permitir maior segurança aos ciclistas que transitam na principal rodovia estadual catarinense.

Apesar do endurecimento da Lei Seca, por parte do governo federal, e da maior fiscalização da Polícia Militar Rodoviária, ambas atitudes dignas de eloqüentes elogios, o tráfego de bicicletas nas rodovias que cortam o território urbano catarinense ainda não teve a atenção que merece.

Apenas no ano passado, três ciclistas morreram na SC-401, número superior a qualquer outro desde a vigência da Lei Seca, no segundo semestre de 2008. Durante o ano de 2012, a SC-401 chegou a ficar mais de 100 dias sem acidentes fatais, fato pelo qual a morte de ciclistas se torna ainda mais preocupante.

Uma dessas mortes, inclusive, ocorreu em local onde os técnicos do Departamento de Infraestrutura (DEINFRA) acataram a instalação de uma ciclofaixa. Projetada desde 1991, a ciclovia da SC-401 até hoje não saiu do papel em nenhum de seus 19,6km.

E nem parece ter havido articulação para sair.

Fala-se apenas na implantação de ciclovias quando algum trecho de rodovia está para ser duplicado ou implantado. Sem as obras para carros, as obras para bicicletas não saem. Em Florianópolis, é o caso da Transavaiana e da SC-403. Mas igualmente não é o caso do acesso ao ParqTec Alfa, Tecnópolis.

Nenhum ciclista até hoje obteve acesso aos projetos de pistas cicláveis na Transavaiana nem da SC-403. E os temores se justificam: basta olhar a ineficiência técnica da ciclofaixa da SC-401. E o aumento dos acidentes com ciclistas e pedestres na SC-405, no Rio Tavares. Nenhum acesso, nenhuma conversa, sequer passou por consulta da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo) ou mesmo pela coordenação de projetos cicloviários da prefeitura de Florianópolis.

Temem os ciclistas que virem a trafegar por essas rodovias, inseridas dentro da urbe.

A promessa que não saiu

Além da não-discussão de ciclovias decentes na SC-401, há que se salientar o não-cumprimento de uma das promessas feitas pelo então superintendente do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) e braço direito do então prefeito municipal, Dário Elias Berger (PMDB). Em uma entrevista ao Jornal do Almoço por conta do ocorrido, por sinal bastante criticada, o gestor máximo do órgão de planejamento anunciou o investimento do município de R$4 milhões de reais na construção de ciclovias na cidade para o ano de 2012. Conforme demonstrado aqui no blogue, esse investimento referia-se à requalificação do espaço público das ruas Bocaiúva e Almirante Lamego.

Sabem quantos desses R$ 4 milhões foram empenhados? Zero. Absolutamente nada. O projeto de requalificação sequer teve seu projeto executivo feito e as ciclofaixas que surgiram nos últimos meses nada tiveram a ver com a construção de ciclovias, mas sim com a repavimentação pré-eleição que botou asfalto em diversas ruas das cidades.

Outras obras cicloviárias nem chegaram a ter um começo, como o caso da ciclovia da R. Ver. Osni Ortiga, na Lagoa da Conceição, ou tiveram apenas um tímido início, como a da Rod. João Gualberto Soares, iniciada após 6 seis anos no Rio Vermelho.

É com extrema infelicidade que se constata que algumas figuras públicas queriam apenas aparecer perante à tragédia anunciada que custou a vida de um jovem universitário, ciclista, morador de Santa Catarina.

Saiba mais:

Mais de duzentas pessoas comparecem à homenagem a ciclista morto na SC-401, neste sábado – Cobertura do Bicicleta na Rua sobre a bicicleta-fantasma na SC-401 em homenagem a Emílio Delfino Carvalho de Souza.
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Notas sobre a reunião pelo fim da impunidade no trânsito – Sociedade civil, mobilizada, divulga novas informações sobre o acidente.
A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a rodovia e a mobilidade.
SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão – A liberação consentida da Polícia Militar Rodoviária para automóveis usarem o acostamento coloca em risco a vida de ciclistas.
A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados – Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes na SC-401 aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.

Veja também:

Charge – Pedalando com segurança na SC-401

Prefeitura no Bairro recebe demandas de ciclistas

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No último sábado de janeiro, a Prefeitura Municipal de Florianópolis recebeu mais de 300 reivindicações de seus cidadãos. Pela quarta vez em 2013, a “Prefeitura no Bairro” aproximou políticos e moradores na tentativa de aprimorar a gestão pública e conhecer mais de perto os anseios de quem habita a capital catarinense.

Em duas das versões anteriores, em Canasvieiras e no Campeche, já tinha havido reivindicações por parte de pessoas que andam de bicicleta. Dessa vez, no bairro Pantanal, eu fui lá levar diversas demandas dos mais variados segmentos ciclísticos para serem apreciados pelos secretários, vereadores e pelo chefe do Executivo. De bicicleta, pouco após às 10h30, cheguei à tenda montada no terreno da Eletrosul.

Prefeitura no Bairro recebeu demandas por ciclovias em Florianópolis.

Prefeitura no Bairro recebeu demandas por ciclovias em Florianópolis.

Confira abaixo um resumo com as conversas.

Secretaria do Continente

O atual secretário João Batista Nunes (PSDB) reconheceu-me logo de chegada. Propus-lhe um planejamento de curto, médio e longo prazo para a melhoria das condições ciclísticas nos bairros não-ilhéus.

A curto prazo, pode-se realizar a instalação de bicicletários adequados em parques e prédios públicos, além de se realizar os acessos à única ciclovia urbana da região, a Av. Poeta Zininho (Beira-mar do Estreito). Por incrível que pareça, a obra, inaugurada no último aniversário da cidade após anos de construção, não contempla os acessos à ciclovia em seu começo nem em seu final.

Para médio prazo, a retirada da gaveta de projetos como a revitalização da orla de Coqueiros, por sinal uma das promessas de campanha do ex-prefeito Dário Berger (PMDB), e o aproveitamento dos estudos cicloviários feitos por técnicos holandeses possibilita uma ampliação importante da malha cicloviária em uma região densamente ocupada.

Por fim, o sistema de bicicletas coletivas de Florianópolis (Floribike) pode sofrer sua primeira ampliação agregando a porção continental e a definição de pontos de aluguel de bicicletas por lá é uma medida de longo prazo que pode, desde já, tomar forma.

O secretário afirmou que no final de fevereiro pretende se reunir com o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) e com ciclistas para alavancar a questão.

Secretaria de Obras

O secretário de Obras e vice-prefeito João Amin (PP) recebeu de braços abertos para poder falar sobre diversos problemas que hoje afligem os ciclistas de Florianópolis.

Primeiramente, entreguei cópia de um ofício da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo) solicitando a retirada das tachas laterais da R. Dep. Antonio Edu Vieira, a principal rua do Pantanal. Instaladas após o asfaltamento da via, esses refletores instalados na linha branca próxima ao meio-fio são desnecessários, não cumprindo função para o tráfego automotor, mas prejudicando enormemente o fluxo de ciclistas. Em determinados locais, os ciclistas chegam a perder 40cm de uma faixa onde poderiam transitar, tendo que conduzirem suas bicicletas mais para o meio da rua, colocando-se em risco maior e prejudicando, também, o fluxo de automóveis. Na véspera mesmo, minha caramanhola caíra da bicicleta por causa da trepidação que essas tachas ocasionam.

Tratando ainda do Pantanal, solicitei uma revisão do projeto de pseudoduplicação da R. Dep. Antonio Edu Vieira, que certamente mais afetar negativamente o tráfego de ciclistas e pedestres.

Tachas prejudicam o trânsito de bicicletas no bairro Pantanal.

Tachas prejudicam o trânsito de bicicletas no bairro Pantanal.

Sobre o bicicletário do Campeche, cujos paraciclos são sofríveis, a resposta foi rápida: “Vamos arrumá-los!”, falou. Um dos técnicos da Obras ao seu lado, afirmou que eles não haviam encontrado um modelo para o Brasil, tendo tido bastante dificuldade em definir um estacionamento de bicicletas melhor. Falei-lhe sobre o modelo padrão de Florianópolis, no qual chega a caber mais bicicletas, no mesmo espaço ocupado pelos paraciclos atuais, e com um custo aproximadamente igual.

Paraciclo no Campeche é considerado inadequado pelos ciclistas.

Paraciclo no Campeche é considerado inadequado pelos ciclistas.

A reformulação da Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) também foi motivo de conversa, visto que é quase certa a presença alguém da secretaria de Obras nela.

O secretário pediu ajuda para a resolução dos problemas com as ciclofaixas na região central, dispôs-se a receber-me e a um grupo variado de ciclistas em sua secretaria e afirmou que em finais de fevereiro vai tratar com o IPUF sobre os projetos que já existem lá para poderem ser implantados em Florianópolis.

A legislação municipal, que prevê a implantação de pista ciclável em todas as novas ruas de Florianópolis, foi tema de debate também. Desrespeitada veementemente pelo governo anterior, e Lei Complementar Nº 78/2001 foi sancionada pela mãe do atual vice-prefeito, Angela Amin.

Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano

Por uma questão de viagem do titular Dalmo Vieira Filho, Rodolfo Matte ocupou-se em ouvir os moradores pela SMDU e por suas divisões e autarquias, incluindo a Secretaria Executiva de Serviços Públicos (SESP), a Fundação de Meio Ambiente (FLORAM) e o IPUF.

Levei-lhe ao conhecimento este artigo sobre as ciclofaixas de lazer, contendo diretrizes para que a implantação do projeto tenha sucesso.

Relembrei também um pedido de ciclistas que fora prometido ser cumprido até outubro do ano passado: a instalação de placas de advertência para a manutenção da distância de 1,5m do ciclista nas pistas com mais de uma faixa de rolamento por sentido.

Falamos brevemente sobre a Pró-Bici, situada dentro do IPUF, que pode contribuir enormemente para a ampliação decente das pistas cicláveis em Florianópolis.

Câmara de Vereadores

O vereador Celso Sandrini (PMDB) é um dos apoiadores do processo de revitalização da Caieira da Barra do Sul e da Taperinha, em projeto que prevê a implantação de ciclovias, calçadas e áreas verdes. Afirmou que a comunidade está ansiosa pelo projeto. Disse ainda que as pessoas de seu gabinete estão em férias e que após fevereiro vai agendar reunião no IPUF para essa revitalização e para a implantação da Casa Açoriana.

Prefeitura Municipal

Fui o penúltimo a conversar com o prefeito Cesar Souza Júnior (PSD). Levei-lhe o convite de campanha do Bike Anjo Floripa de pedalar na cidade com integrantes do grupo, ao que disse com honestidade a uma assessora: “Tou devendo isso. Foi compromisso da campanha ainda. Anota aí! Estou precisando mesmo pedalar um pouquinho.”

Prefeito conversa com a comunidade. Ao fundo, ciclista em conversa com o secretário de Obras e vice-prefeito, com técnicos atentos. Foto: Martinho Ghizzo / PMF.

Prefeito conversa com a comunidade. Ao fundo, ciclista em conversa com o secretário de Obras e vice-prefeito, com técnicos atentos. Foto: Martinho Ghizzo / PMF.

Sobre o edital do Floribike, que estava em sua mesa pronto para publicação, afirmou que estava encaminhando para a área jurídica tudo o que havia sobre editais e licitação. Por sinal, poucos dias depois, uma reunião foi agendada pela administração municipal para dar encaminhamento ao projeto.

Por fim, sobre a necessária atualização da Pró-Bici, disse-lhe que uma proposta de composição deve chegar em suas mãos em março, permitindo agilidade nos processos que envolvem a circulação de bicicletas

Fabiano Faga Pacheco

Saiba mais:

Prefeitura no Bairro recebe grande público no Pantanal

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