Milhares de pessoas apoiaram a passagem da Pedalada Pelada pelas ruas de Florianópolis


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Texto: Fabiano Faga Pacheco. Fotos: Caniggia.

A passagem dos ciclistas pelas ruas de Florianópolis rendeu grande apoio da população em geral, que acompanhou, das sacadas, janelas e mesas de bares, a passagem dos cerca de 100 ciclistas que participaram da segunda edição catarinense do World Naked Bike Ride ou “Passeio Ciclístico Sem Roupa”, também chamado de Pedalada Pelada ou Peladada.

Apesar das chuvas fortes que caíram ao longo de todo o dia, chegando, inclusive, a ser anunciado que o evento seria adiado, desde o começo da concentração, às 18h, os ciclistas compareceram ao ponto de encontro, na pista de skate da Trindade. Camisetas e bermudas eram logo retiradas para dar espaço a frases como:

Gaste calorias, não gasolina

Sinto-me assim todo dia

Respeito ao corpo e ao pedal

+ Amor – Pudor

Só assim você me vê!

Sua pressa vale 1 vida?

[Bicicleta] não polui

Às 20h, os ciclistas sairam e foram pela Av. Madre Benvenuta, passando pela bicicleta-fantasma em homenagem ao ciclista falecido José Lentz Neto. Na volta, passaram também pelo Shopping Iguatemi, onde fizeram uma série de protestos, aos gritos de “Ô Iguatemi, cadê a ciclovia?”, em referência à pista ciclável que deveria ter sido construída na Av. Madre Benvenuta há 6 anos.

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Durante todo o percurso, que passou pelos bairros Santa Mônica, Itacorubi, Trindade, Agronômica e Centro, a pedalada chamou a atenção. Sob olhares curiosos e aplausos, os ciclistas convidavam os moradores a participarem. “Você aí parado, vem pedalar pelado!”, entoavam em coro.

A nudez, presente em dezenas de corpos a girar os pedais, não continha nenhum apelo à sexualização presente na sociedade brasileira. Segundo os participantes, o estar pelado representava uma metáfora de como os ciclistas se sentiam cotidianamente no trânsito: frágeis, sem proteção, contando apenas com seus corpos na batalha desigual em que se transformou o trânsito nas cidades de grande e médio porte de Santa Catarina.

Tanto em áreas residenciais quanto comerciais, diversas câmeras e celulares eram vistos nas mãos. Meninas, mulheres, homens, jovens, pessoas mais velhas, foram comuns os manifestos de apoios, os braços erguidos, os olás nas faces ou nas pontas dos dedos.

As bicicletas erguidas em meio à R. Altamiro Guimarães, esquima do Beiramar Shopping, sob os olhares atentos dos bares do entorno, consistiram no momento apoteótico desta edição do World Naked Bike.

A Polícia Militar, que acompanhou de longo todo o evento, não encontrou problemas com a Pedalada Pelada. A utilização das ciclofaixas da Agronômica, Bocaiúva, Almirante Lamego e Duarte Schutel, estas duas últimas recém-construídas, merece destaque, bem como a passagem pela histórica Travessa Ratclif. O retorno até o local da concentração utilizou-se de uma faixa da marginal da Av. Beira-Mar Norte, chamando muita atenção dos motoristas, que buzinavam constantemente em demonstração de apoio.

Bicicletário do CIC

A passagem pelo Centro Integrado de Cultura (CIC) rendeu pedidos de “Bicicletário! Bicicletário!”. Os poucos paraciclos disponíves estão em um local considerado ruim e inseguro, além de ter um modelo inadequado “entorta-roda”.

TITRI

O ponto negativo da Pedalada Pelada ocorreu devido a um não-ciclista. Na saída do Terminal de Integração Trindade (TITRI), um dos vigias terceirizados agrediu uma moça que pedalava, antes de tacar o cassetete em outro participante e declamar palavras de baixo calão, agredindo verbalmente e fisicamente outros participantes. Nenhuma das palavras foi dirigida nem à bicicleta e tampouco à nudez, consistindo em ato impróprio num serviço público por motivo fútil. Quatro participantes devem registrar a ocorrência nesta terça-feira, além de comunicarem, na segunda-feira, a Secretaria Municipal de Transportes, Mobilidade e Terminais e a Companhia Operadora dos Terminais de Integração (COTISA). De acordo com o procedimento padrão, o funcionário, citado por moradores da Trindade como o mesmo que agride os mendigos da região, deve ser afastado do convívio público por dois meses, passar por curso de reciclagem e, em caso de nova infração, deixar de prestar o serviço nos terminais de transporte coletivo.

Percurso

Os ciclistas pegaram a Av. Madre Benvenuta (bairros Trindade, Santa Mônica, Itacorubi) e retornaram por ela até a R. Prof. Henrique da Silva Fontes, adentrando a R. Santa Mônica, R. Pedro Lessa (Santa Mônica), dando volta no Shopping Iguatemi, retornando à  Av. Madre Benvenuta e passando por R. Lauro Linhares (Trindade), R. Delminda Silveira, R. Rui Barbosa, R. Frei Caneca, R. Heitor Luz (Agronômica), R. Bocaiúva, R. Almirante Lamego, R. Duarte Schutel, R. Hoepcke, R. Conselheiro Mafra, R. Francisco Tolentino, R. Deodoro, R. felipe Schmidt, Praça XV de Novembro, R. João Pinto, Trav. Ratclif, R. Tiradentes, Praça XV de Novembro, R. dos Ilhéus, R. Visconde de Outro Preto, Praça Getúlio Vargas, Av. rio Branco, R. Almirante Alvim, R. Vitor Konder, R. Altamiro Guimarães, Av. Jornalista Rubens de Arruda Ramos, Av. Mauro Ramos, R. Germano Wendhausen, R. Altamiro Guimarães, com o levante de bicicletas, Av. Jornalista Rubens de Arruda Ramos (Centro), R. Comandante Constantino Nicolau Spyrides, R. Delminda Silveira, R. Antônio Carlos Ferreira, Av. Governador Irineu Bornhausen (Agronômica), Av. Prof. Henrique da Silva Fontes, TITRI, R. Iracema Nunes da Silva,  R. Prof. Milton Roque Ramos Krieger, R. Lauro Linhares e Av. Madre Benvenuta (Trindade), totalizando cerca de 25km.

Obstáculos ao pedal

Foi grande o número de pneus furados nesta edição da Pedalada Pelada. No total, foram cinco câmaras trocadas durante o evento, quase todas nos primeiros cinco quilômetros. Os participantes aguardaram até que todas estivessem trocadas para prosseguir. Ao chegar em casa, outras pessoas também relataram problemas com pneus vazios. A situação do espaço público após as chuvas e as garrafas jogadas às ruas são apontados como os principais fatores para tantos obstáculos ao pedalar.

Mandalas

Mania surgida em Curitiba e disseminada em São Paulo, as mandalas, quando ciclistas ficam girando em torno de uma rotatória, parece ter chegado em Florianópolis para ficar. Uma das cenas mais impactantes para quem acompanhava dos prédios foi a mandala feita no cruzamento da R. Lauro Linhares com a Av. Madre Benvenuta. A mandala durou cerca de 40s.

Saiba mais:

A Pedalada Pelada e a lei

Veja também:

Confira como foi a primeira edição da Pedalada Pelada de Florianópolis:

Pedalada Pelada leva bom humor às ruas de Florianópolis na busca por respeito no trânsito
Fotos da Pedalada Pelada de Florianópolis
Charge – Pedalada Pelada
Divulgação da Pedalada Pelada no Jornal Notícias do Dia
Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (III)
Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (II)
Divulgação da Pedalada Pelada no Diário Catarinense (I)
Ciclistas realizam a primeira edição da Pedalada Pelada em Florianópolis

Veja também como foi a primeira Pedalada Pelada de Porto Alegre:

Ciclistas tiram a roupa em Porto Alegre em protesto contra a violência no trânsito

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Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

4 Responses to Milhares de pessoas apoiaram a passagem da Pedalada Pelada pelas ruas de Florianópolis

  1. Valeu Bicicleta na Rua !!!
    Confesso que quis escrever algo hoje, mas o absurdo ocorrido em SAMPA….não permitiu!

  2. Excelente..

  3. Fernando says:

    Parabéns a bela manifestação ocorrida. Que os 100 ciclistas deste ano se tornem 150 em 2014 e sigam crescendo. Assim como o minuto de silencio feito pelo Japão em homenagem a tragedia passada, acho que poderiam ter feito uma homenagem ao ciclistas mortos,batizando a mandala, muito bem fotografada, de roda da paz.

  4. Pingback: Imagens da Pedalada Pelada de Florianópolis 2013 | Bicicleta na Rua

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