A farra legal


Elemento cultural trazido por açorianos e modificado ao longo das gerações em Santa Catarina, a Farra do Boi foi proibida em todo território nacional a partir de 1998. A perseguição e a violência ao touro, praticada por quem acredita estar, com isso, metaforicamente expulsando os demônios do corpo e se livrando dos pecados cometidos, embora ilegais, ainda são comuns no litoral catarinense, incluindo em sua capital, Florianópolis.

O mesmo ódio que exala dos olhos dos farristas emana da impaciência diária de certos motoristas. Em vez de um touro, ciclistas e pedestres fazem-se de alvo. O não compartilhamento das ruas, seja pela total insapiência da lei, seja pela pressa de um dia mal planejado, deixa as suas vítimas. Motociclistas, ciclistas e pedestres, atingidos em cheio pela arma metálica, na penitência cotidiana da rotina, quedam-se sem voz, emudecem sem poder explicitar as verdades das ruas, os reais acontecimentos. As suas vidas, tiradas sem nenhum lamento, numa cruel e satânica resposta a um objetivo maior: a pressa, o ego, o eu, o não-nós. Anti(auto)vida prestando-se mais que a convivência. Nos erros do passado, o pseudoperdão para mais erros no futuro.

Basta! Basta da Farra do Boi! Basta da Farra das Ruas!

Uma nova farra é proposta para substitui-las. Uma farra de convivência, uma farra de carinho, uma farra de sentimentos, uma Farra Legal!

A Massa Crítica/Bicicletada Floripa vem a março com uma proposta de expandir o entusiasmo a uma reflexão cultural. A repensar os valores da modificação da açoriana Farra do Boi e da tão autêntica Farra das Ruas. Duas farras emblemáticas. Duas farras que deixam jorrar o fúnebre gosto da morte de inocentes.

Bem diferente da Boicicletada, a farra das bicicletas, a alegria contagiante das ruas.

Entre nesta nova onda, venha farrear de maneira legal!

Florianopolis 2013-03-29 BoicicletadaArte: Naiara Lima, sobre imagem de Taylor Simpson

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Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

6 Responses to A farra legal

  1. João Passos says:

    Nossa Senhora, uma pessoa que escreve um texto desses jamais poderia entrar em um veículo motorizaro ou então é um total hipócrita! Defendo o repeito no trânsito e mais importante ainda, a valorização da vida. Creio na utópica possibilidade de harmonia e respeito entre motoristas, ciclistas e pedestres. Agora, toda forma de radicalismo é tapada, unilateral e contribui ditetamente para o desbalanço de uma sociedade pluralizada e culturalmente desequilibrada como a nossa. Na minha opinião, se você quiser ser respeitado pelo o que gosta, deveria começar respeitando o gosto dos outros!

    • Obrigado pela compreensão, embora a correlação entre suas premissas não tenha sido compreendida. Sugiro fortemente a releitura do texto e a sua relação com os fatos do presente, para aí sim poder verificar a infelicidade da ausência de hipocrisia no texto, bem como também a ausência de radicalismo. Sim, ausência deste. Verifique a expressão “certos motoristas” contida no texto. Acreditar na não existência destes e no impacto que eles geram para a não harmonia no trânsito, isso sim seria hipocrisia.Aí está o radicalismo, e não na exposição desses fatos no texto. Assim, quero compreender na ausência de compreensão e me fazer concordar contigo que, exceção à parte inicial, em que ocorre ataques a esse texto, todo o resto se refere unicamente à violência nas ruas, algo que foi explicitado no texto, em especial em seu caráter motorizado radical. Em minha opinião, se você quiser ser respeitado pelo que gosta, deveria começar respetiadno o gosto dos outros também. Se você está em automóvel, deveria – e por lei – respeitar e proteger o ciclista e o pedestre. Qualquer radicalismo emanado daí resulta em tragédias como as que temos visto por Florianópolis, São Paulo e por todo o Brasil. Obrigado pela visita.

      • João Passos says:

        Vamos por partes…. Começando da parte final da sua resposta:

        No trecho que você escreveu “Se você está em automóvel, deveria – e por lei – respeitar e proteger o ciclista e o pedestre.” parece que você está, tachativamente me rotulando de motorista monstro, simplesmente por não concordar integralmente com seu texto. Saiba que sou a favor da proteção a vida, independentemente se for pedestre, ciclista, motociclista ou motorista e muito menos temo a lei, pois sou extremamente a favor dela. Sou uma das poucas pessoas nesta cidade que pára o automóvel na faixa de pedestre para o mesmo atravessar e ainda brigo com o motorista de trás se ele buzinar para mim! Entendeu o que é ser a favor da vida?

        A parte que não concordo do texto original é a generalização de que “Em vez de um touro, ciclistas e pedestres fazem-se de alvo.” O texto dá a entender que motoristas perseguem pedestres e ciclistas a bel prazer como os farristas perseguem o boi… Um pouco radical ao meu ver. Impudência ao volante existe e isto é claro para todos. Baste ver o resultado dos feriados nas estradas, porém acredito que esta não seja a melhor comparação para ilustrar os fatos.

        Para finalizar, seu texto termina com “Qualquer radicalismo emanado daí resulta em tragédias (…)” sinceramente, não sei de onde se originou este comentário se durante todo meu texto fui equilibrado e falei de harmonia no trânsito e respeito mútuo como solução dos problemas… Agora é minha vez de fortemente sugerir a você a releitura do meu texto.
        Obrigado.

      • Não sei de onde realmente tiraste o ataque pessoal no meu comentário. Sequer fiz menção à forma de você, como leitor, se deslocar. O “você” na frase citada constitui-se figura de linguagem chamada metonímia. O “você” pode ser muito bem João Passos como qualquer outro ser humano.
        Para a outra frase destacada, novamente reitero a citação da escrita de “certos motoristas”. Não generalizei, ao contrário restringi. Não são todos os que são a favor da Farra do Boi. São muitos poucos. Mas eles existem. Assim como existem – e são poucos – os motoristas que olham para os demais nas ruas sem se importar com a condicionante da vida alheia.
        Por fim, a parte do radicalismo refere-se justamente à parte ao parágrafo anterior do meu comentário. Qualquer radicalismo emanado de quem não respeita as leis, atacando ciclistas e pedestres quase a esmo – algo bárbaro, mas que certas pessoas, protegidas pelos arcabouços legais, fazem -, resulta em tragédias.
        Reitero novamente, à luz dessas explicações, a necessidade de releitura, com calma, dos textos para melhor compreensão.

  2. Max says:

    Qual o trajeto ?

    • O trajeto é definido na hora pelos participantes.

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