Começarão as obras da ciclovia na Lagoa da Conceição!

Passeio ciclístico acontecerá após assinatura da ordem de serviço da primeira fase da obra, que deve terminar em 120 dias.

Primeira fase do projeto está licitada. Foto: Arquivo/PMF.

Primeira fase do projeto está licitada. Foto: Arquivo/PMF.

Neste sábado, dia 29 de junho, a Secretaria Municipal de Obras pretende dar início à primeira fase da ciclovia da Rua Vereador Osni Ortiga, uma das principais vias de acesso à Lagoa da Conceição. De posse da licença ambiental e agora com a autorização do Patrimônio da União, a obra, orçada em R$ 4,5 milhões, começa a virar realidade. Esta fase de implantação dos trabalhos deve levar aproximadamente 120 dias para conclusão.

O projeto contempla 2,8 quilômetros de ciclovia e passeio, que serão feitos no lado direito da rua no sentido Lagoa – Rio Tavares. A ciclovia terá 2,40 metros de largura e o passeio, dois metros. Eles serão separados da pista para carros por um canteiro de 0,60 metro. As vias vão iniciar a 630 metros da Avenida das Rendeiras, no ponto em que a Rua Osni Ortiga começa a margear a Lagoa da Conceição, e seguirão até o entroncamento da Rua Laurindo Januário da Silveira, no Porto da Lagoa. As pistas das vias serão de blocos de concreto tipo paver.

Ciclovia será construída por quase 3km na Rua Vereador Osni Ortiga. Foto: Edu Cavalcanti / Agencia RBS.

Ciclovia será construída por quase 3km na Rua Vereador Osni Ortiga. Foto: Edu Cavalcanti / Agencia RBS.

Na avaliação do secretário de Obras João Amin, “esta primeira fase das obras da ciclovia – muro e aterro – começa a se materializar com o apoio do deputado estadual Edison Andrino, que através de emenda junto ao governo do Estado conseguiu recursos iniciais da ordem de mais de um milhão de reais.” Ainda segundo Amin, “já contratamos um Programa de Monitoramento Ambiental para assegurar que a região não sofra danos e a segunda fase da ciclovia entra agora em processo de licitação”.

Ciclovia é uma antiga reivindicação de moradores do Porto da Lagoa. Foto: Marco Santiago / ND.

Ciclovia é uma antiga reivindicação de moradores do Porto da Lagoa. Foto: Marco Santiago / ND.

Vanessa Trindade, moradora da Osni Ortiga e ciclista, considera o início das obras muito importante. “Tenho bicicleta em casa, mas não ando porque acho perigoso. A ciclovia é um desejo antigo dos moradores”, comemora.

Pedestres e ciclistas, moradores da região, planejam se reunir em um ato, que inclui caminhada pela Rua Vereador Osni Ortiga, começando às 15h e, em seguida, acompanhar a assinatura da ordem de serviço, prevista para as 15h30. Como é uma promessa antiga que está sendo cumprida, a intenção é demonstrar apoio e exigir que a ciclovia seja adequada.

Moradores usam a Turma da Mônica para mostrar como deve ficar ciclovia na Lagoa da Conceição. Imagem: Movimento Ciclovia na Lagoa Já.

Moradores usam a Turma da Mônica para mostrar como deve ficar ciclovia na Lagoa da Conceição. Imagem: Movimento Ciclovia na Lagoa Já.

O biólogo Daniel Araújo faz parte da organização do ato e é um dos criadores do “Movimento Ciclovia na Lagoa já” em parceria com a Associação de Moradores do Porto da Lagoa (Ampola). Ele conta que a construção desta ciclovia, acompanhada de passeio, é imprescindível para a segurança: “Nesta via os motorizados transitam em alta velocidade, causando risco de morte aos usuários e afastando as pessoas, a ciclovia vai proporcionar mais mobilidade urbana, com segurança, e atrair usuários, trazendo mais saúde para a cidade”.

Florianopolis 2013-06-29 Lagoa da Conceicao

Fontes: Prefeitura Municipal de Florianópolis (20 de junho de 2013), Jornal Notícias do Dia (28 de junho de 2013, 20h22) e Diário Catarinense (28 de junho de 2013, 19h24).

Saiba mais:

Quatro meses
Prefeitura de Florianópolis mente sobre construção de ciclovia na Lagoa da Conceição e moradores e ciclistas protestam
O desafio de se pedalar no Porto da Lagoa

Massas Críticas catarinenses

Fim do mês chega e, como em todas as últimas sextas-feiras, traz junto as manifestações de ciclistas às ruas. E, pelo segundo mês seguido, em quatro cidades de Santa Catarina.

Brusque

Brusque 2013-06-26

Florianópolis

Florianopolis 2013-06-28Arte: Tavinha Primm

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Joinville

Joinville 2013-06-28

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São José

Sao Jose 2013-06-28

Opinião: Com a suspensão do Floribike, Florianópolis perde credibilidade

bicicleta_na_rua3-joel pacheco

A recente suspensão do processo licitatório do Floribike, anunciada na última sexta-feira, 21 de junho, sem maiores esclarecimentos, arranha a imagem de Florianópolis. Consultores internacionais consideravam a forma como foi conduzida a licitação para as bicicletas coletivas de Florianópolis, um dos melhores exemplos da América Latina.

O processo licitatório do Floribike, desde o seu início, em 2011, envolveu os técnicos da prefeitura e ciclistas representativos de diversos extratos da sociedade. Da definição dos pontos de aluguel de bicicleta até as características mínimas do sistema, tudo foi tratado junto aos técnicos, às claras da sociedade, conforme mostram as reportagens que foram publicadas aqui mesmo no Bicicleta na Rua.

A suspensão, sem a divulgação clara ou sequer oficial das razões que levaram a este ato e sem contar com os demais agentes envolvidos na licitação, dá margens a diversas interpretações e põem à prova a capacidade dos agentes públicos envolvidos, de forma a rapidamente agirem e viabilizarem as bicicletas coletivas na capital catarinense.

Se, por um lado, processos licitatórios ou de concessão em outras cidades brasileiras envolveram freqüentemente dúvidas quanto à sua idoneidade e uma participação popular baixíssima, por outro a morosidade acima da média perceptível no Floribike já chegou até a afastar empresas com credibilidade internacional que pretendiam investir na cidade.

Não se pode ignorar que a capacidade de Florianópolis em lidar com os seus habitantes e com as suas demandas está à prova. Esperam os seus moradores que as dificuldades sejam rapidamente sanadas. E esperam os potenciais ciclousuários que o sistema de bicicletas públicas, que poderia estar funcionando em março de 2012, não tarde a aparecer pelas ruas catarinenses.

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Licitação das bicicletas coletivas de Florianópolis é suspensa

Após ter sido prorrogada a abertura dos envelopes para o processo de licitação do Floribike, o sistema de bicicletas coletivas de Florianópolis, a licitação de concessão para a exploração do serviço na capital catarinense foi suspenso.

A abertura dos envelopes nesta fase estava prevista inicialmente para acontecer no dia 09 de maio deste ano. Entretanto, devido a atrasos na disponibilização do edital no site da Prefeitura Municipal de Florianópolis, teve que ser adiada para o dia 24 de junho.

Na sexta-feira (21/06), entretanto, último dia útil anterior à entrega dos envelopes a prefeitura resolveu suspender a licitação do Floribike, sem apresentar, para isso, maiores motivos. Especula-se que um erro interno quanto ao número do processo tenha sido a razão pela sua suspensão.

Veja abaixo a nota oficial da Prefeitura Municipal de Florianópolis:

COMUNICADO

O Diretor de Licitações e Contrato, no uso de suas atribuições legais, vem por intermédio deste, informar as empresas interessadas o que segue:

Fica suspensa sine die a sessão designada para dia 24 de junho de 2013 às 14:30 horas, referente a Concorrência Pública nº 153/SMAP/DLC/2013.

Florianópolis, 21 de junho de 2013

JARRIE ALBANI LEIRIA
Diretor de Licitações e Contratos

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Artigo: Anonymous afirma que não é contra os partidos

anonymous fuel br 2013-06-20

Sobre a situação atual da Anonymous e o Brasil
– Uma reflexão crítica da FUEL-BR –

Saudações, irmãos e irmãs!

Este texto é um pouco extenso, mas é essencial para que todos compreendam o que acontece atualmente em nosso país e porque precisamos do apoio de vocês.

Infelizmente, ao contrário do que propõe nosso ideal, “unidos como um e divididos por zero” tem sido uma realidade apenas em discurso. Muitos grupos estão fragmentados, muitas células ainda parecem competir por atenção do público ou para ter o maior número de curtidas. Isso não é apenas triste, isso é incoerente.

Quando decidimos compor a FUEL, foi numa perspectiva de aprofundar as pessoas na Ideia Anonymous e praticar um enfrentamento político e econômico que fuja do senso comum. Não acreditamos em quaisquer propostas rasas de “Fora Dilma” ou “Fora Alckmin”. Primeiro, porque o grande problema é o sistema corporativo por trás das figuras dos governantes. Você tira um, entra outro. E continua o jogo, a despeito de nossos esforços. E segundo, talvez mais importante, porque isso tem aberto margem para que muitos grupos peguem carona por trás de nossas máscaras em busca de interesses particulares.

Anonymous é apartidária. Isso não significa que somos contra os partidos, nem que devemos praticar medidas opressoras e ditatoriais como vaiar grupos e quebrar bandeiras, como tem ocorrido no país. Essa medida é injusta, e até ingrata. O Brasil pode estar acordando agora enquanto país, mas esses grupos já estavam em luta muito antes. Alguns deles, talvez, tenham sido indispensáveis no processo de construção da mobilização que vemos hoje.

Apartidário significa que não pertencemos a nenhum desses grupos, mas devemos estar unidos nesse momento, por um objetivo comum, que é reformar ou revolucionar toda a política desse país. Pensem, por favor, para além do raciocínio ingênuo. Não é por não levantar bandeiras que outros grupos não estão ali. É preciso ter foco, ou nosso discurso se torna vazio e reacionário, completamente oposto a toda a mobilização que vivemos.

Leia mais sobre o Brasil nas Ruas

Algumas mídias Anonymous eventualmente veiculam conteúdos machistas, racistas, homofóbicos e até mesmo fascistas. Isso é inadmissível. Essas pessoas não compreenderam a Ideia e não são nossos irmãos, pois aquele que se coloca ao lado do opressor não pode estar ao lado do oprimido.

É chegado o tempo de escolher de que lado estamos. Se estamos do lado do povo, estamos juntos. Independente de etnia, de sexo, de crença, de orientação política, de gênero ou orientação sexual ou qualquer caraterística individual que seja. Porque é essa diversidade que compõe o povo.

Mas aquele que oprime um irmão não está com o povo. Aquele que busca reconhecimento pessoal dentro desse tipo de situação não é Anonymous.

Nosso comprometimento não é com crescimento a todo custo. Se você é um opressor, você não é Anonymous. Pedimos que olhe no espelho e antes de lutar contra a injustiça que você sofre, mude de postura quanto à injustiça que você pratica. E só assim estaremos juntos de fato. Só assim seremos um.

Convidamos para o diálogo todos aqueles que nesse momento coordenam projetos Anonymous ou se colocam a organizar manifestações, para podermos dialogar e buscar consensos.

O trabalho da FUEL não é o de direcionar, tampouco liderar ninguém. Todas as mensagens que recebemos perguntado “e agora, contra o que iremos lutar?” são respondidas com a mesma pergunta. Nossa proposta é a de formação livre. O povo está nas ruas, mas precisa entender sua política.

Aos poucos, publicaremos conteúdos sobre política, sobre o governo, sobre economia, sobre consumo, sobre cidadania. Esperamos que todos ajudem a compartilhar essas informações e se dediquem mais a estudar. Cyberativismo não se faz compartilhando qualquer coisa e enchendo tudo de hashtags. Cyberativismo inclui dominar o assunto pelo qual se luta. E se você não quer ser massa de manobra da mídia, não seja massa de manobra de ninguém, porque líderes em potencial, querendo manipular pessoas, estão em todas as esferas, e isso inclui, infelizmente, a Anonymous.

Iniciamos um trabalho de autovigilância da Anonymous, primeiramente pela União, como diz nosso nome. Em segundo lugar, pela emancipação, para que todos formem a própria opinião e sejam seus próprios líderes. E por fim pela liberdade, que será nossa conquista final, a partir da qual nascerá uma nova sociedade.

Por isso estamos incomodando. Por isso fomos atacados e nosso grupo está fora do ar. Por isso algumas pessoas com “grandes” páginas estão iniciando um processo de mentiras. Pedimos paciência a todos enquanto nos organizamos fora do Facebook. Esse espaço é excelente para divulgações, mas horrível para organização. E convidamos a todos para esse processo de amadurecimento, porque estamos sendo vigiados e podemos sair do ar a qualquer momento. E se dependermos do Facebook, nossa mobilização será fraca e vulnerável, mais do que já é.

Aqueles que estão conosco, por favor, ajudem a compartilhar. Em breve, novas notas.

Publicamos para quem não tem preguiça de ler e se informar. Parabéns se você chegou até aqui. Pessoas que querem informação rápida e rasa estão na contramão da revolução que vivemos.

Curtam nossa página e mantenham-se próximos, os que concordarem com essa perspectiva. Faremos versões para comunicação com Anonymous e outros movimentos sociais no exterior em breve. E em poucos dias começaremos a compor nossa biblioteca digital livre.

União, Emancipação e Libertação!
Nós somos Anonymous.
Nós somos FUEL.

==============================

Se quiser ler o Manifesto FUEL-BR:
http://migre.me/f4wQE
Se quiser saber mais sobre a Anonymous:
http://migre.me/f4slb
Fan page AnonFUEL:
https://www.facebook.com/AnonymousFUEL

Artigo: Diferentes visões das manifestações no Brasil e Convocação por um Novo Brasil Plural e Internacionalista

O Brasil está passando por um grande desafio de dimensão nunca vista antes, a respeito disso, quero dar minha visão a respeito dos acontecimentos, interpretando as diferentes visões principais atuantes e como todas têm suas positividades e limitações, sendo o desafio maior o diálogo com as outras visões e a busca por soluções integradas que possam mudar o país para muito melhor (se isso não ocorrer, a tendência é que com a estagnação política, econômica e social piore cada vez mais):

OBS: Esse texto é fruto do aspecto urgente da situação, portanto não há tempo para revisões maiores, nem há abertura para se ter medo de se expor. Se eu não considerasse que poderia trazer vários elementos ricos para reflexão e ação não teria perdido meu tempo fazendo. Não tenho necessidade de ter meu nome citado como autor e dou liberdade para que o texto seja compartilhado com o maior número de pessoas possível.

Esse texto não é para gente BURRA (aproveitando o meme), não no sentido puramente instrucional, mas mais profundo; não servirá para quem não deseja mudanças e não tenta compreender o que está acontecendo de maneira mais ampla. Muito menos para pessoas que não aceitam outros pontos de vista que sejam dissonantes dos seus.

Notem que tentei mostrar as visões de acordo com suas respectivas formas de linguagem e tentando criticá-las através de suas principais motivações (espero ter conseguido de forma razoável). Também admito que posso errar em vários pontos ou que as possibilidades possam ser diferentes das apontadas pois tenho apenas o meu ponto de vista, que sempre será limitado pelas minhas vivências, mas espero adicionar mais elementos à discussão e estimular muitas pessoas a pensarem em novas formas de pensar na questão e em formas de agir em relação a isso.

Você pode ler esse texto de diversas maneiras, de forma a economizar seu precioso tempo sem ler o que já sabe e/ou se informar apenas de acordo com o que for mais relevante no momento. Aqui coloco as possibilidades de que tipo de leitor você é no momento e que direcionamentos você pode fazer:

A – Você é de esquerda e não quer que ocorra um neofacismo. Vocês são essenciais para uma mudança positiva, mas talvez sejam os que precisam ler todos os tópicos para poderem realizar ações estratégicas mais efetivas. Dêem especial atenção às visões pós-modernas e às críticas à esquerda.

Guia numérico dos trechos: 2, 3, 4, 5, 6, 9, 10, 11, 12, 14, 15, 16, 17, 18.

B – Você é de direita e não quer que ocorra um neocomunismo ou neofacismo. Considero que vocês são a maior parte das pessoas no Brasil atual, tendo grande potencial para mudanças positivas, assim como para negativas. Alguns tópicos são essencialmente importantes, como sua relação com a visão pós-moderna, a visão da esquerda e da direita mais conservadora.

Guia numérico dos trechos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 9, 10, 11, 13, 14, 16, 17, 18.

C – Você não se identifica com nenhum dos lados e acredita que a modernidade está em crise e está ocorrendo uma grande mudança que caracteriza os tempos pós-modernos. Vocês podem estar certos nessa visão otimista, mas viram apenas a luz no fim do túnel, o problema é que para não nos asfixiarmos dentro desse túnel precisaremos andar bastante! Sugiro que leiam a visão da esquerda, as relações dos pós-modernos com as outras visões e as críticas aos pós-modernos, para assim poderem tomar ações a respeito das manifestações. As recompensas das mudanças não cairão do céu, pois essas dependem de ações pessoais e coletivas para ocorrerem!

Guia numérico dos trechos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 14, 16, 17, 18.

D – Você não tem idéias políticas teóricas bem formadas, mas acredita em grandes mudanças no país, sendo possível uma transformação do sistema atual. Se você tem real intento em ajudar nesse momento histórico e urgente do país, terá que ler todo o texto e mesmo que não entenda todos os conceitos, tente pegar a idéia geral.

E – Você quer ter uma compreensão maior de toda a minha visão dessa questão (talvez tenha escolhido por uma das letras anteriores e então decidiu se aprofundar e adquirir mais elementos para reflexão e ação). Leia tudo e tente se informar mais sobre os temas colocados, consultando as referências e conhecendo os livros que citei.

F – Você se considera conservador e considera que ditaduras podem funcionar. Nesse caso, pense numa característica SUA que poderia vir a ser reprimida ou não aceita em uma ditadura… você poderia vir a ser preso, morto, talvez perder amigos ou familiares. Uma ditadura pode ocorrer sobre novas roupagens e com novos tipos de repressões, nunca se pode duvidar que você possa ter uma característica que pode ser considerada inaceitável por uma ditadura futura… coloque-se no lugar de outras pessoas também, você deveria lembrar que é apenas mais um indivíduo da espécie humana, todos os outros são iguais a você e seus irmãos nesse quesito. Você está dentro de um mundo com vários outros seres vivos (humanos ou não) que dependem de você e os quais você também depende. Leia os trechos 3 e 9.

1 – A visão atual da maioria da esquerda: A esquerda em geral acredita que os movimentos devem manter o foco nas tarifas, no passe livre e talvez no transporte público como um todo, uma vez que os movimentos começaram a partir das reinvindicações em São Paulo, organizadas através do MPL – Movimento Passe Livre. A importância do foco em uma única pauta está relacionada à necessidade de ganhos reais, trazendo sucesso para as manifestações. Múltiplas pautas nas manifestações poderiam levar a uma diluição das manifestações e perda total de efetividade dessas, uma vez que nenhum objetivo seria focado o suficiente para ser realizado. Muitas reivindicações da mesma forma têm sido genéricas demais para que se visualize um objetivo a ser conseguido através da manifestação. A Esquerda também tem expressado a todos o perigo do nacionalismo vinculado ao antipartidarismo nos movimentos, que aliados à possibilidade de um golpe de estado no país, possivelmente com impeachment da Dilma e ascensão de partidos de direita e conservadores, poderá ocorrer uma espécie de neofascismo no país. Essa análise de conjuntura pode ser considerada muito alarmista, mas a meu ver pode estar bastante próxima da realidade, mesmo que a um prazo muito maior que o considerado. Se o país se mantiver em estagnação, cada vez mais serão pensadas medidas extremas com visões conservadoras para conter a liberdade dos habitantes e manter o controle em prol das superelites.

2 – O perigo de um neofascismo: Algumas providências atuais corroboram a tese de um possível golpe de estado, como a PEC 33, que une o legislativo ao executivo, a aprovação das manifestações pelas mídias de massa(um aspecto muito curioso que merece maior atenção), introduzindo ideais de nacionalismo ao movimento. O apartidarismo poderia ter se originado do aspecto inicial das manifestações, já que o MPL é apartidário, mas o aspecto das manifestações tomou um caráter antipartidário, que é contra os partidos, o que seria congruente com governos ditatoriais. Porém boa parte do crescimento do movimento foi com a indignação contra a repressão violenta de policiais nas manifestações, portanto é contraditório que muitos apoiem os militares e suas repressões anteriores. Hoje, porém, podemos perceber que meios de reprimir muito mais sutis existem (e sempre existiram), através de idéias, leis, valores… ditaduras podem continuar existindo com força grandiosa, mesmo que com novas roupagens e meios de ação. Além disso, contextos hostis que incitem o medo nas pessoas facilitam a aceitação de repressões; para muitos a situação atual do Brasil tem se tornado bastante hostil.

3 – A visão e ações da direita conservadora: A direita mais conservadora provavelmente é a que tem incitado o nacionalismo extremo, criou as propostas da PEC 33 e a 37, tem articulado retrocessos nos direitos humanos, nas relações com o meio ambiente e em outras áreas, mas se poderia também esperar que uma esquerda conservadora poderia fazer o mesmo. Esses retrocessos podem ajudar a propiciar o ambiente hostil que incita o medo e facilita a aceitação de ideologias repressivas. Nesse ponto, não se pode duvidar que os setores mais conservadores tenham simpatia por ditaduras. Boa parte dessa direita são as superelites do país, incluindo políticos. Apesar da posição conservadora, essa não corresponde à sua visão real, pois possuem ampla visão a respeito das outras visões e podem ser capazes de manipular diferentes grupos do país; seu objetivo é manter a exploração e domínio mental aos níveis maiores possíveis, se aproveitando disso para manter seu senso de superioridade e desejo de poder. Pode-se então considerar que a direita conservadora de classe baixa, média e mesmo alta, é em grande parte dominada por essas superelites e funciona como marionete para atender aos interesses dessa em troca de migalhas (em relação à real quantia econômica pertencente a essas superelites). Eles se sentem superiores assim como seus chefes, mas não são por eles assim considerados, podendo ser substituídos a qualquer momento.

4 – A visão atual da direita moderna: A direita moderna também pode ter motivações relacionadas tanto ao impeachment da Dilma quanto à expulsão de vários deputados e senadores. Ela tem incentivado o nacionalismo pois ele foi muitas vezes importante para a competição econômica global. Como o país está atravancado em vários aspectos estruturais, o que tem trazido uma perda de competitividade perante os países desenvolvidos e outros BRIC’s (sendo que a China está se tornando uma superpotência), se evoca por mudanças na forma de se gerir a política. Essa ala também não simpatiza com a ditadura (nesse caso muitas vezes interpretado como a possibilidade de um neocomunismo), pois acredita na conquista da democracia como um dos maiores marcos da humanidade, que facilita também o livre-mercado e a liberdade de consumo, mas condições desconhecidas e hostis podem vir a transformar integrantes da direita moderna em direita conservadora, pelo medo de conservar o que seria essencial para a nação manter seu desenvolvimento.

5 – A visão atual dos pós-modernos: Os pós-modernos ou pós-críticos (que se recusam a se denominarem por direita ou esquerda) estão mais otimistas em perceber o fortalecimento de manifestações através da internet, trazendo às ruas visões das mais variadas possíveis; diferentes tribos em catarse, nas ruas em relativa harmonia e reivindicando por mudanças. Muitos deles consideram que as mídias hoje possuem opiniões mais diversificadas e a internet, que é a mídia com maior potencial de desmassificação de opiniões, poderá trazer mudanças na política, nos direitos humanos e em todos os setores da sociedade. Portanto, os movimentos possuem uma diversidade de pautas que podem todas serem atingidas desde que sejam harmônicas entre si. O apartidarismo seria importante como forma de negar a forma arcaica de se fazer política, principalmente no caso dos partidos eleitorais, pois são meios de massificar opiniões e subjugá-las a visões estáticas. Os partidos ainda têm o problema de seguirem interesses econômicos, políticos e sociais próprios, visando o bem do partido muitas vezes em detrimento do bem da comunidade, cidade, região, estado, país, mundo…

6 – Relação entre direita moderna e pós-modernos: Nesse sentido a direita moderna tem concordado e possivelmente todos deveriam concordar, mas a direita muitas vezes fortalece esse discurso para poder evitar que o movimento, que surgiu a partir de organizações de esquerda, tenha propagandas dos partidos de esquerda. Assim, podemos perceber uma relação de interposição entre a visão da direita moderna e dos pós-modernos, assim como a visão pós-moderna possui elementos de convergência com o pensamento da esquerda. O problema é que a esquerda não tem conseguido distinguir a visão pós-moderna da visão da direita, juntando as duas em uma só e prejudicando sua análise de conjuntura das manifestações, o que traz um pessimismo grande demais e perigoso para um possível sucesso dela própria.

7 – Críticas ao otimismo pós-moderno: As visões otimistas dos pós-modernos, por sua vez, deixam de perceber as relações de poder existentes na política atual, ou dão menor importância a esses dois poderes originários da visão moderna e que são ainda existentes no país e no mundo com grande vivacidade, podendo não vir a se extinguirem, pois envolvem aspectos primordiais que continuarão existindo – a direita e a esquerda. Já direita e esquerda parecem não ter entendido a possibilidade de diferentes visões que não caiam na dicotomia que elas próprias sustentam. Para entender melhor as críticas que coloquei e colocarei aos pós-modernos, sugiro o livro “Depois da Teoria: Um olhar sobre os Estudos Culturais e o pós-modernismo”, que é de um professor de Teoria Cultural.

8 – Relação entre esquerda e pós-modernos: O país passa sim por tentativas de golpe de estado, principalmente por parte da direita mais conservadora, embora a natureza do que virá não precise necessariamente ser de posição de direita. Ao mesmo tempo, a esquerda percebe isso e busca focar os movimentos apenas através do transporte, o que se torna impossível dada a indignação massificada e relacionada aos mais diversos setores (e suas políticas de administração) do país, falta a ela a visão mais diversificadora dos pós-críticos, em uma sociedade que não se resume a uma dicotomia direita-esquerda e com a ascensão da internet como uma das principais mídias que informam a população e que é consideravelmente desmassificada. Já aos pós-críticos, falta o senso realista de contar com a importância de mídias de massa, como a televisão, que ainda possui relativa predominância, e de considerar que existem pistas que podem sim indicar um golpe de estado, através de poderes que são bastante materiais e muito importantes, como leis, ações governamentais e medidas econômicas. Mudanças culturais benéficas para toda a população podem não ser o suficiente para evitar um golpe se não houver ação por parte da população em vários setores, além das manifestações e internet. As manifestações devem clamar por ações e, a partir disso, lutas por medidas de mudança devem ser feitas pelas pessoas,

Indo além das manifestações, que podem ser revigoradas pelo sucesso de algumas causas, um aspecto alimentando o outro em retroalimentação positiva. As pautas porém precisam tratar tanto causas urgentes e de retorno de pequeno prazo quanto medidas que proporcionem mudanças estruturais profundas nas instituições do país, que tragam retorno de médio a longo prazo.

9 – A conclusão irônica: Todos estão na realidade querendo maior participação nas decisões políticas, através de democracia direta, e as manifestações organizadas demonstram isso, menos os setores conservadores que estão querendo desvirtuar o movimento e estão conseguindo com sucesso. O irônico é que, apesar de cada visão colocar como primordial uma causa para esse fenômeno das manifestações, essa explosão que ocorreu é fruto tanto do acaso quanto da indignação da direita moderna com as repressões, da realidade tecnológica propiciada pela internet e Facebook e das lutas organizadas por melhores condições da esquerda moderna. Por fim o aspecto exponencial das manifestações, com possibilidade de grandes mudanças, que aqui coloco, foi incitado por dois agentes diametralmente opostos em seu objetivo: a direita conservadora e agentes internacionais de libertação e atualização. A direita conservadora tem levado e pode levar ainda mais a respostas que a beneficiam, apesar da maioria das visões atuais serem contra repressões e atualmente abominar a possibilidade de uma ditadura. Já os agentes internacionais são as exigências por reestruturações institucionais que estão colocadas para todos os países da atualidade, inspirações internacionais por transformação, vindos de grupos internacionais que atuam pela internet, como o Anonymous e Zeitgeist (entre muitos outros), grandes acontecimentos de libertação que tem ocorrido no mundo com ajuda da internet, como a independência do Egito, além de diversos autores bem intencionados de diferentes países que têm tentado realizar leituras abrangentes da realidade envolvendo diferentes teorias; esses agentes clamam por (e instrumentalizam para) novas formas de se fazer política nos países e mudanças em todas as instituições e outros aspectos da sociedade. Não podemos dizer que sabemos que as mudanças devem ocorrer, mas não sabemos como fazer. Devemos utilizar a criatividade e se utilizar de todos os instrumentos já disponíveis, eles são mais que o suficiente para se criar mudanças. Para isso a comunicação com diversas pessoas e a harmonização de conflitos intelectuais precisa ocorrer e se tornar hábito.

10 – A inspiração que pode vir de fora: Movimentos globais que são principalmente conhecidos pela internet, como o Anonymous e Zeitgeist, buscam libertação dos mais diversos países do sistema opressor e arcaico atual, instigando as pessoas a participarem das manifestações e até conduzindo uma parcela da população do Brasil no momento. O movimento Anonymous, que se inspira no filme “V de vingança” e no personagem criado, com sua agora tão conhecida máscara, acredita na transformação radical da sociedade através da destruição das velhas instituições. O aspecto internacional do movimento é importante, pois trata como iguais todos os habitantes humanos do planeta (também considerando a importância do ambiente e dos outros seres vivos). Os ideais propostos podem ser de grande importância para o momento do Brasil atual. Poderia-se discutir se é necessário uma destruição radical das instituições como são hoje ou se podemos realizar reformas que conservem o nome e a função primordial dessas, mas transformando a forma como elas funcionam, o que me parece mais razoável.

11 – O dilema do estrangeiro altruísta ou a farsa da direita conservadora: O movimento Anonymous brasileiro, apesar de seus ideais bastante nobres (próximos aos do Zeitgeist), elencou 5 causas que seriam as mais importantes no momento para se focar nas manifestações, para que não sejam manifestações caóticas que não poderão atingir objetivo algum em razão do número muito grande de objetivos. Essas causas porém apenas trazem reformas simplórias para momento atual, ou são reivindicações muito genéricas, que não podem necessariamente trazer mudanças mais concretas por não haver objetivo definido palpável. Eles ainda consideraram que essas causas seriam de desejo de todos que querem mudanças, porém desconsiderou as decisões da esquerda a respeito das manifestações. O movimento ainda tem dado importância ao nacionalismo brasileiro e o apartidarismo, como forma de valorizar o país, o que pode ser perigoso dadas as situações atuais, vindo a fortalecer a possibilidade do golpe de estado, com considerável aprovação da população. Podemos presumir que o movimento funciona como um agente externo de inspiração, mas que não possui conhecimento profundo do contexto histórico brasileiro nem das necessidades específicas do país. Isso poderia ainda ser justificado pela possibilidade do movimento brasileiro ter sido cooptado pela direita conservadora, trazendo pautas que estão descaracterizando as manifestações.

12 – Crítica à rigidez da esquerda e sua teoria crítica: A esquerda, ao considerar importante que as manifestações foquem em sua causa primeira, a tarifa de ônibus, perdem de utilizar o potencial exponencial das manifestações atuais para reivindicarem por reformas políticas de maior escala, que seriam de grande valia tanto para a esquerda, quanto para a direita mais liberal e os pós-modernos. Talvez ela cogite essa possibilidade, mas sua rigidez ideológica em querer uma sociedade com uma forma radicalmente diferente de economia e política a impede muitas vezes de pensar em mudanças de médio prazo (ainda bem radicais) que não fossem completamente condizentes com seu modelo teórico, mas que poderiam trazer mudanças congruentes com suas ideologias em longo prazo. Com isso, a esquerda está contribuindo com a possibilidade que tanto abomina; uma ditadura da direita, pois quer diminuir a explosão do movimento para ser capaz de controlá-lo, provocando assim sucessivas evoluções, quando justamente é o momento propício para uma revolução no país (porém esta não seria igual à idealizada por muitos grupos de esquerda, por exemplo através da ditadura do proletariado, revoltas violentas que acabariam por subjugar os outros a suas ideologias). Mas a esquerda deveria lembrar que seu desejo em comum é (ou deveria ser) a qualidade de vida mais ampla e justa para todos os seres humanos do planeta (e já é momento de pensar nisso para todos os outros seres vivos também).

13 – A crítica à direita moderna e seu contentamento com as visões clássicas modernas: A direita moderna, da mesma forma lida com a mesma dificuldade; muitas vezes desconhece as possibilidades de democracia direta e tem medo de que as exigências sociais e ambientais colocadas pela população atravanquem o desenvolvimento do país, colocando barreiras para o livre-mercado. Porém, o livre-mercado é a principal ideologia da qual a direita precisará se desfazer (nesse sentido, o livro “23 coisas que o capitalismo não contou para você” de um economista capitalista, e “Governação inteligente para o século XXI: a via intermediária entre Ocidente e Oriente” de um investidor e filantropo alemão e norte-americano são livros que mostram como o capitalismo na verdade tem tido graves problemas e crises em razão do livre-mercado). Assim, da mesma forma, a direita moderna tem contribuído para a possibilidade de engessamento do desenvolvimento do país (mesmo que em vez de um golpe de estado apenas sejam trocados todos os políticos e algumas leis sejam feitas, o país ainda não terá condições de lidar com seus problemas e os vindouros). – livros citados estão nas referências.

14 – Necessidades e possibilidades para o Brasil – Um Novo Brasil Plural e Internacionalista: O que o país precisa (aliás, todos os países estão precisando atualmente e alguns já estão o fazendo) é de reformas em suas instituições, começando pela política: como funciona o executivo, o legislativo e o judiciário. As eleições representativas não são as melhores formas de criar governos para os habitantes desse país (nem para o povo, nem para os grandes empresários, talvez apenas para as superelites que não pensam além de seu umbigo, incluindo a maior parte dos políticos atuais). As decisões atualmente são tão complexas e envolvem tantos aspectos que os antigos governantes não são mais aptos para tomarem as principais decisões, na realidade, o número de governantes deve ser aumentado e sua estrutura de relações diferenciada. Deve haver maior relacionamento com a população, principalmente com os grupos mais atingidos por tal decisão. Essas novas formas de se fazer política podem ser realizadas através da criação de representantes desses grupos, eleitos pelos participantes desse, cuja formação principal precisam ser de uma variedade de especialistas no tema, ativistas de grupos relacionados a esse e de atingidos pelo tema em questão. Esses representantes devem trazer as pautas e posições de cada grupo para a resolução das principais questões que envolvam diferentes grupos. Essa forma de democracia direta é apenas um bom exemplo de como poderia ser feito, e ela poderia se articular com a democracia indireta como a conhecemos desde que essa perdesse ainda assim boa parte de seu poder atual. Essas novas formas de democracia podem se articular com novas ferramentas que podem ser feitas para envolver a população através da internet, por votações online, por exemplo, que poderiam auxiliar na escolha dos participantes de cada grupo temático. Essas mudanças deveriam passar por todos os poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário, mas me parece que no Legislativo seria o mais essencial e urgente no momento. As nações no futuro poderão se extinguir, pois a tendência é que ocorra maior regionalização, com independências de regiões e estados e formação de nações próprias, até o ponto das separações políticas como as conhecemos atualmente sejam dissolvidas, com novas denominações e delimitações sendo priorizadas. (nesse sentido, o livro “A Terceira Onda”, além dos dois citados no trecho 13, trazem conclusões semelhantes). As regiões se articularão com macrorregiões através das novas formas de democracia, da mesma forma as macrorregiões poderão se articular entre si buscando soluções globais para problemas do planeta. Representantes indiretos poderão apenas realizar o que foi decidido democraticamente de forma mais direta por um grupo maior de pessoas, que por sua vez tenham sido elegidos por terem forte envolvimento com o tema. Assim, questões locais poderão ser resolvidas por parcelas diretamente representativas da população, enquanto problemas de ordem macrorregional ou global serão discutidos por instituições regulamentadoras maiores, mas que ainda dependerão das menores intensamente.

15 – O ideal é utópico, mas as mudanças que o tornem mais próximo são possíveis, porém nunca se adequarão perfeitamente ao ideal pré-estabelecido; flexibilidade como essencial para a sobrevivência da esquerda: Enquanto a direita terá de abrir mão do livre-mercado, a esquerda, por sua vez terá que abrir mão de visões mais utópicas de socialismo, como o comunismo, a ditadura do proletariado e o fim da propriedade privada (embora haja muitas possibilidades de coletivização parcial de meios de produção, através de grandes cooperativas), mas deverá perceber a possibilidade de transformar o capitalismo tradicional em híbridos entre capitalismo e socialismo libertário (como as vertentes de anarquismo social e marxismo libertário). Esses híbridos podem trazer modelos inteiramente novos de política e economia, cada um desses com aplicações diferentes que podem funcionar em um local e em outro não; dadas as diferenças ambientais, culturais e de relações com outros locais. Nesse sentido, o movimento autônomo, ou autonomismo, deve vir a influenciar as diferentes vertentes de esquerda.

16 – Aliando teorias pós-críticas às críticas (da esquerda) para verdadeiras mudanças: Os pós-modernos possuem facilidade em se adaptar às novidades híbridas que poderão (ou deveriam) ocorrer em todas as instituições e formas de política. O que falta em boa parte deles é relacionar o que pode vir de novo com o que já está colocado; não se pode fazer mudanças a partir do nada e mesmo novas possibilidades precisarão ser testadas e ajustadas. A negação da dicotomia direita-esquerda pode ser benéfica mas também maléfica, pois no jogo de relações da sociedade atual ainda possui essa dicotomia de forma predominante, principalmente na área da política. Além disso, o foco deles tem sido geralmente em áreas diferentes da política e relações de poder duros, pensando sempre nas formas sutis (conhecimento, cultura, sexualidade, entre outros), mas não nas relações estruturais mais materiais. A visão pós-moderna pode ter muito a contribuir para a atualidade, mas assim como as outras possui o perigo dos excessos e de se considerar mais importante que as outras visões, quem a segue deve seguir o princípio por ela própria estipulado de que teorias são apenas visões da realidade e não podem constituir a realidade inteira e as visões estão sempre se construindo, mudando, recriando. Outro problema está no enfoque das diversas partes, onde se toma uma atitude celebratória da diversidade, mas sem muitas vezes relacionar as partes, levando a uma fragmentação extrema, quando só uma visão mais sistêmica pode trazer soluções para muitos dos problemas mais amplos atuais, nesse sentido, é necessário a todos adquirir maior consciência ecológica e sistêmica (uma das lições que devemos aprender com o Oriente, enquanto eles aprendem, ou já aprenderam, com a análise e categorização). – novamente os três livros já citados se complementam para trazer essa crítica aos pós-modernos

17 – A verdadeira luta: é por um Brasil que seja mais atualizado e adquira a capacidade de se auto-atualizar no mundo de hoje, que possa se desenvolver melhor tanto em termos econômicos, políticos e tecnológicos, quanto em termos sociais, culturais e ambientais, podendo trazer maior distribuição de renda, direitos de minorias respeitados e maior qualidade de vida da população em geral, sabendo ainda se posicionar perante outros países, criando relações de verdadeira cooperação, em vez de apenas relações mercantis, assim como realizando protecionismos na medida do necessário, contribuindo assim para uma sociedade global mais harmônica e ecológica. De um lado da luta podemos colocar a esquerda moderna, a direita liberal, os pós-modernos e os agentes internacionais de mudança e libertação. Do outro lado estão os conservadores de direita (ou de esquerda, talvez mesmo de centro) e por trás dos planos de repressão estão as superelites nacionais e internacionais que buscam manter seu poder supremo. Essa luta é um ponto de inflexão no país, precisamos passar por esse processo de avanço drástico que nos está proporcionado, num processo de expansão de consciência, adotando nesse sentido o paradigma sistêmico, sem deixar de analisar as coisas, mas pensando em diferentes fatores e pontos de vista e relacionando-os, conseguindo assim soluções que envolvem todos eles e sejam mais amplas e efetivas. Se não fizermos isso, poderemos ser subjugados em uma ditadura no país, processo que pode vir a ocorrer em outros países, pois uma vez a decepção extravasada para outros países poderia vir a estimular retrocessos ao redor de todo mundo. Convoco a todos, das mais diferentes visões a lutar por um Novo Brasil Plural e Internacionalista!

18 – Referências: Minha visão atual veio através de uma maneira muito variada e esquisita de relacionar conhecimentos (assim como é a forma de se adquirir visões de cada pessoa dentro desse contexto atual das manifestações).

Considero como referências: as leituras de opiniões divergentes no facebook, conversas com pessoas de opiniões divergentes, notícias as mais variadas possíveis e por fim, o mais respeitável, mas não necessariamente mais importante; livros que tentam compreender o espírito de nosso tempo:
– “A Terceira Onda” de Alvin Toffler
– “O futuro do poder” de Joseph Ney
– “23 coisas que não contaram pra você sobre o capitalismo” de Ha-Joon Chang
– “Governação inteligente para o Século XXI: uma via intermediária entre Ocidente e Oriente” de Nicolas Berggruen
– “Depois da teoria: Um olhar sobre os Estudos Culturais e o pós-modernismo” de Terry Eagleton

Por A.M.B.*

* A.M.B. é bacharelando pela Universidade Federal de Santa Catarina e também estudante de Relações Internacionais.

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Catarinenses às ruas: Nota do Movimento Passe Livre Florianópolis

  1. O Movimento Passe Livre, com apoio da Frente de Luta pelo Transporte, convoca para a próxima terça-feira, 25 de junho, um ato em caráter de ultimato à prefeitura do Sr. César Souza Júnior (PSD) pela Redução Imediata das Tarifas do Transporte Coletivo, seguindo o exemplo de 50 cidades do país, entre elas 14 capitais.

  2. Reivindicamos também o estabelecimento de uma agenda de curto e médio prazo visando o barateamento sistemático das tarifas, rumo a Tarifa Zero no transporte público, instituindo um grupo de trabalho de caráter deliberativo, nos moldes do que foi estabelecido no Distrito Federal, envolvendo também os municípios da região metropolitana.

  3. O MPL reafirma que nenhum Edital de Licitação que a prefeitura venha a lançar que mantenha o REGIME DE CONCESSÃO para exploração do transporte por empresas privadas, resolverá o dilema que envolve o acesso amplo à cidade.

  4. Esclarecemos que as manifestações organizadas pelo MPL e pela Frente não comportam qualquer atitude de intolerância, sendo pautadas pelo espírito democrático e de respeito a todas as organizações políticas, sejam elas partidárias ou não.

  5. Reconhecemos a queixa legítima de manifestantes que não se sentem representados pelo sistema político eleitoral, mas não aceitamos qualquer retrocesso nas conquistas democráticas. Foi na Ditadura Militar que os partidos foram proibidos. Partidos e movimentos sociais são parte do processo democrático e só foram possíveis em um regime de abertura, graças à luta contra a Ditadura Militar.

  6. Chamamos a responsabilidade da Prefeitura de Florianópolis em abrir o diálogo e apresentar soluções concretas ao movimento que hoje toma as ruas da cidade.

Florianópolis, 21 de Junho de 2013.

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Link original

Vídeo da primeira manifestação de Florianópolis

Confira abaixo alguns dos momentos da primeira manifestação por uma nova lógica do transporte público em Florianópolis.

A edição é da nossa parceira ciclista Michelle Franzoni, do Blog da Mimis.

Saiba mais sobre as manifestações em Florianópolis aqui.

Catarinenses às ruas: ciclistas usam do bom humor nas redes sociais

A manifestação desta quinta-feira em Florianópolis, que tem como um dos motes predominantes a Tarifa Zero para o transporte coletivo, vai contar com a participação de ciclistas da cidade, quase também almejam um debate sobre a mobilidade urbana e as formas de se acessar a cidade.

Aproveitando as vantagens de se pedalar perante o uso indiscriminado do transporte motorizado individual, circularam pelas redes sociais alguns cartazes bastante curiosos, como o de baixo, que alude ao fato de que de bicicleta já se tem passe livre, já que não se paga para se deslocar. O Movimento Passe Livre é um dos principais apoiadores da manifestação desta quinta-feira, dia 20.

De bike sem tarifa

Sobre lembrete de baixo: o amanhã já é já já! 😉

MPL Bike 2013-06-20

http://tarifazero.org/

Hoje vai ser maior: Catarinenses às ruas

Está marcada para hoje, 20 de maio, o segundo Ato Por um Transporte Público de Qualidade, manifestação que pretende levar milhares de pessoas às ruas de Florianópolis.

Diversos fatores estarão em pauta e ecoarão pelas ruas da região central da capital catarinense. O principal deles: o direito à cidade, principalmente na forma de uma outra lógica de se lidar com o transporte na cidade.

Confirme sua presença no Facebook

Vários coletivos também estarão presentes nessa manifestação. Notadamente, a Marcha das Vagabundas Florianópolis (versão local para a Marcha das Vadias) far-se-á presente, apresentando também. Esse coletivo tem se empenhado ultimamente contrário ao Estatuto do Nascituro, por prever restrições às mulheres sobre as decisões em seu próprio corpo.

Quanto aos ciclistas, participantes da Bicicletada Floripa estarão lá também. Saindo da pista de skate da Trindade a partir das 17h, devem estar na porção dianteira do percurso da manifestação. Além das melhorias no transporte coletivo, empunharão também bandeiras da integração intermodal, à destinação de pistas cicláveis nos espaços públicos e ao estímulo ao pedalar.

A manifestação, sem líderes, é uma chamada do Movimento Passe Livre e da Frente de Luta Pelo Transporte Público. Ao contrário do que diz a grande mídia, não é em si um ato contra a corrupção nem contra os gastos da Copa do Mundo o mote da manifestação de hoje em Florianópolis. Segundo seus participantes, “é óbvio que ninguém é a favor da corrupção”, apenas não é um dos focos da passeata desta quinta-feira.

Escola Bike Anjo Floripa 16/06

O Bike Anjo Floripa convida a todos os interessados para mais uma EBA – Escola Bike Anjo neste domingo.

“Quer aprender a pedalar, aperfeiçoar, tirar dúvidas e obter dicas importantes sobre bicicleta?

É hoje das 12 as 18 horas no Parque de Coqueiros em Florianópolis, venha e traga seus amigos e sua família, aproveite um dia no parque.”

Florianopolis 2013-06-16 Bike Anjo v.1

Escola promove passeio ciclístico em prol de parque no Pântano do Sul

Neste sábado, estudantes e moradores dos bairros Armação, Açores e Pântano do Sul, de Florianópolis, irão participar de uma série de ações em prol da Semana do Meio Ambiente.

Dois projetos que beneficiariam a população do Sul da Ilha são objeto de estudos e de atenção por parte das associações de moradores e, também das crianças, da Escola Básica Municipal Dilma Lúcia dos Santos. Na sua proposta de promoção da cidadania, a EBM Dilma, como é popularmente conhecida, elegeu dois projetos locais para serem foco durante esta atividade em sua semana ambiental.

No Projeto do Entorno Escolar, uma forma de integração da escola na comunidade em que está inserida, está previsto um “coração gigante” às 13h30 deste sábado, 15 de junho.

Às 14h, inicia-se a caminhada e a pedalada, aberta ao público. Uma boa pedida para os ciclista da cidade, já que hoje não está efetivamente programada a Bicicletada da Lagoa da Conceição.

Por fim, outro “coração gigante”, desta vez pelo Parque Natural do Pântano do Sul está previsto para às 16h. A proposta para a implantação deste parque é uma das mais estudadas e bem estruturadas que chegou ao Ministério do Meio Ambiente, em Brasília. Entretanto, para a sua formalização se faz necessária a anuência do governador do Estado de Santa Catarina, algo que ainda não veio. Apoio dos moradores do entorno, como se vê em mais esta ação, não faltará como motivação ao chefe do Poder Executivo para ele também colaborar para o meio ambiente de Florianópolis.

Falta, entretanto, apenas a caneta.

Florianopolis 2013-06-15 Pantano do Sul

A EBM Dilma fica na SC-406, Rodovia “Seu Chico” Francisco Thomaz dos Santos) nº 6005, na Armação.

Namoro

Excelente esquete do banco Itaú feito para este Dia dos Namorados, com o casal Felipe Alfieri e Isabela Marques, do blogue Dele e Dela.

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