Massas Críticas catarinenses


O primeiro ano do novo velho governo estadual catarinense começa sem uma clara sinalização de que realmente fará uma “Política para as Pessoas” nas questões que tratam sobre a mobilidade das pessoas. Apesar de mudanças importantes em dois órgãos-chaves – a Secretaria de Estado de Infraestrutura e o Departamento Estadual de Infraestrutura/DEINFRA -, ainda não fica claro como será a política pública no que se refere aos meios de transporte ativos e coletivos, tampouco se haverá estímulo ao transporte intermunicipal sobre trilhos.

São dúvidas persistentes para um governo de continuidade. E ganha ainda maior dimensão quando se percebe que foi o deputado estadual líder do governo quem perdeu o projeto de lei que criava o sistema cicloviário estadual. Apesar das recentes ciclofaixas inauguradas ou em construção (caso das SC-401, 403 e 405), todas com qualidade duvidosa, nenhuma outra ação se viu em 4 anos do atual governo estadual que pudesse melhorar as condições de circulação por quem se utiliza da bicicleta para transporte, lazer ou esporte. É hora de mudar essa postura e governar para todos os catarinenses! Subsídios para isso já existem para a Grande Florianópolis, com os resultados do Plano de Mobilidade Sustentável (PLAMUS). Não são apenas as medidas de curtíssimo prazo, como uma faixa reversível no acesso à Ilha de Santa Catarina, que têm que ser tomadas, sob o risco de falha ainda mais grave na gestão de mobilidade. O investimento na segurança de pedestres e de ciclistas em rodovias que hoje são, funcionalmente, avenidas não pode ser procrastinado.

Em termos municipais, chegamos a mais das metades das gestões dos governos municipais. Alguns tiveram melhorias significativas, em especial onde a participação popular colaborou com os trabalhos dos órgãos técnicos e com a tomada da decisão política. Entretanto, em outros casos, refutou-se a participação dos cidadãos.

Especialmente grave é a situação de Florianópolis. Suas duas comissões que contavam com a participação de parcelas da sociedade civil foram efetivamente colocadas no limbo. Reconhecidas como promissoras em nível nacional, e com seus membros capazes de influenciar na adoção de boas políticas públicas, tanto a Floripa Acessível quando a Pró-Bici foram relegadas ao último plano da gestão municipal, que tanto pregava uma “Cidade para as Pessoas” durante sua campanha eleitoral. As conseqüências disso são perceptíveis, com o lançamento de ciclovias apenas em grandes obras, quase desvinculadas ao projeto cicloviário municipal denominado Rotas Inteligentes. Florianópolis não tem sabido aliar o hoje com o futuro em seus projetos urbanísticos. Os projetos demoram muito até serem efetivamente colocados em prática – quando o são! Um bom projeto pode demorar anos até sua conclusão, sem que isso, entretanto, prejudique os projetos mais iminentes, algo que não tem acontecido em Florianópolis, infelizmente.

Nessa esteira, após mais de um ano de notícias requentadas sobre ações não concretizadas pela prefeitura municipal, fevereiro trouxe como novidade a implantação de ciclovia definitiva no bairro continental de Coqueiros. Essa iniciativa, da qual o Bicicleta na Rua é forte apoiador, deveria vir em conjunto com a Pró-Bici, uma das idealizadoras do projeto Ciclofaixa de Domingo. Por sinal, a ciclovia em Coqueiros vai ao encontro deste artigo, na qual se defende as ciclofaixas de lazer como uma forma de implantação de pistas cicláveis de forma definitiva.

Em Florianópolis, a omissão e a demora na realização de ações efetivas poderá ser observada – literalmente – em março, durante a quarta edição local do World Naked Bike Ride (ou Pedalada Pelada). Em outras cidades, notadamente em Itajaí, ciclistas promovem protestos pedindo ciclovias.

E, enquanto, não são atendidos os pedidos dos ciclistas, maior fica o estoque de combustível para a realização das Bicicletadas/Massas Críticas no Estado.

Confira abaixo as Bicicletadas de fevereiro:

Brusque

Brusque 2015-02-27

Florianópolis

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Florianopolis 2015-02-27

Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

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