Bicicletada Floripa de março uniu ciclistas de vários grupos e matizes


Em muitas das cidades em que ocorre, a Bicicletada costuma ser uma confraternização de diversos grupos de ciclistas, com diferentes afinidades e objetivos. Em Florianópolis, excetuando-se em situações excepcionais, como em pedais unificados ou nas tristes ocasiões de instalação de bicicletas-fantasmas, essa união de que se move sobre duas rodas não costuma ocorrer.

Não costumava. Desde o começo do ano, a Bicicletada Floripa tem sido constituída por uma profusão de pedalantes com características bastante distintas entre si. E em março essa situação ficou bastante evidente.

Teve ciclista de grupo de pedal noturno, cicloativista de carteirinha, cicloturista. Teve bicicleta fixa, moutain bike, speed, bmx, urbana e até mesmo bicicleta de supermercado! Teve ciclista hipster, bike polista, bike anjo. Teve ciclista de associação e cicloanarquista. Teve até ciclista que se fez de Bob Marley!

Teve ciclista dos Ingleses, do continente e do Morro das Pedras. Teve ciclista mecânico e cicloempreendedor. Teve ciclista que estava desde o começo e ciclista que entrou no caminho. Teve alegria e teve diversão.

Marcada para iniciar às 19h, a Bicicletada Floripa saiu com mais de duas horas de atraso. Mas foi por um bom motivo. As gêmeas Josi e Josi, que haviam chegado na capital catarinense havia apenas duas semanas, iriam inaugurar as suas bicicletas. Compradas numa grande rede de supermercados, estavam em condições impróprias para uso. Coube ao coletivo Guerrilla Bike mostrar por que os caras que promovem oficinas comunitárias são feras no uso das biciferramentas.

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Sem lideranças – e como poderia haver com essa junção da ciclodiversidade? -, a definição do caminho foi demorada, mas ajeitada. No final da noite, eles teriam passado pela Av. Madre Benvenuta, Rodovia Admar Gonzaga, R. João Pio Duarte Silva e Av. Dep. Antônio Edu Vieira.

Sim, o trajeto era curto. Mas a noite também se aproximava para o fim, assim como certamente será o uso das magrela atuais das Josis. Se a noite permitisse, seguir-se-ia até o Pomar dos Ciclistas, na Via Expressa Sul.

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Mas nem tudo são flores. Assim como nenhuma Bicicletada é igual à outra, nesta estariam reservadas algumas surpresas. E nem se fala das surpresas negativas com maus motoristas, como um que tentou jogar o carro contra ciclistas na frente da FIESC, advindo de uma via coletora, ou ainda o absurdo que o Fiat negro de placa MIJ 4939 fez próximo ao Parque Ecológico do Córrego Grande, quase atingindo um veículo ao andar na contramão.

Situação comum neste ano, a Bicicletada Floripa tomou as ruas. Ao menos quarenta ciclistas, em algum momento, estiveram pedalando nesta edição da Massa Crítica. Enquanto um anjo passava orientações para uma das Josis e Bob Marley fazia sair um som de sua magrela, as ruas eram completamente tomadas. Por vezes, abria-se espaço para a passagem de motociclistas e de motoqueiros. Em um trecho carente de transporte coletivo, apenas duas vez se fez necessário abrir espaço para a passagem de veículos, sendo apenas um ônibus a passar.

Se as ruas são como vasos sanguíneos, as artérias de Florianópolis estão entupidas. A angiogênese não vai ser solução se a cidade não repensar seu modelo de transporte. Abertura de novas vias serão novos caminhos para as gorduras que poluem esse organismo vivo. Não há hematose que dê conta de tamanha saturação de CO2!

Já passava das 23h quando a chuva começou a apertar. Faltavam ainda cerca de dois quilômetros para o pomar. Não houve jeito e a decisão foi por se abrigar. E pela primeira vez em sua história a Bicicletada acabou… em um posto de gasolina! Um posto tão amigo dos ciclistas que as bombas de ar comprimido só funcionam mediante pagamento. Não que isso fosse um problema. Entre o octano e o álcool, a opção pelo etanol do estabelecimento ao lado fez com que mal se percebesse a benção aguada de São Pedro, que acabou por fazer com que mais ciclistas ainda partilhassem desse momento sublime que é a Massa Crítica.

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Sobre bicicletanarua
Ciclista urbano paulistano residente em Florianópolis.

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