Projeto Viva a Cidade mostra raridades ciclísticas

No último sábado, 27 de julho de 2013, ocorreu em Florianópolis a primeira edição do projeto Viva a Cidade.

Nessa parceria entre a prefeitura da cidade, a Câmara de Dirigentes Lojistas e os comerciantes, as mesas, as araras, os mostruários, enfim, os produtos vão às ruas, excedendo o limite das vitrines. Ruas são fechadas e a população é convidada a aproveitar aquele espaço da cidade.

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Paixão pelas bicicletas antigas

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, edição de Florianópolis, no dia 18 de junho de 2012, no caderno Plural (pág.8). Veja em PDF: {contracapa} e {pág. 8}.


Bicicletas são a paixão de Hélio Becker

Palhoça. Peças em exposição no ViaCatarina. Foto: Marco Santiago / ND.

Perfil.

Amor incondicional pelas bikes

Paixão. Além da coleção de bicicletas antigas, Hélio Becker tem uma área onde coleciona toda sorte de objetos. Foto: Marco Santiago / ND.

FLORIANÓPOLIS – O galpão onde Hélio Becker trabalha e guarda suas ferramentas tem mais de 30 bicicletas, mas muitas outras estão espalhadas pelo terreno, protegidas ou ao ar livre, limpas ou tomadas pela ferrugem. Somadas às que ficam em exposição até o dia 24 no shopping ViaCatarina, em Palhoça, devidamente restauradas, são mais de cem as unidades que esse advogado de 52 anos garimpou para dar asas a um hobby que pode não ser barato, mas que lhe dá grande prazer.

Recuperar bicicletas e andar com elas pela avenida das Torres, no Real Park, em São José, só se compara, em sua rotina meticulosa de ourives de bikes sem uso, à busca de peças para dar sobrevida a esses veículos que, não raro, são abandonados em terrenos baldios ou ferros velhos. O começo foi com uma bicicleta ganha de um amigo que ele remontou para pedalar na região.

Becker tem um blog (http://bicicletasantigashb.com/), viaja, lê e usa a internet para trocar informações com outros colecionadores e comprar bikes inteiras ou em pedaços, sem se importar com a distância em que se encontra o objeto de sua curiosidade. Nessa peregrinação, já comprou bicicletas em Blumenau, São Paulo e no interior de Minas Gerais. Foi lá que encontrou uma Philips de 1910, verdadeira raridade, que faz companhia a uma Phoenix inglesa de 1968.

Nesse mètier, o advogado – ele é consultor jurídico na Assembleia Legislativa do Estado – se concentra na marca, no ano, na pintura, nos frisos, nos desenhos e adesivos das bicicletas que arrebanha. Uma vez recuperadas, eles ficam em sua casa ou vão para exposições. Entre as 25 que estão na fila da reforma, há modelos como Caloi, Monark, Oxford, Wanderer e a italiana Bianchi, uma das melhores do mundo.

Uma lição de vida

Habituado a levar mais de dois meses para recuperar cada unidade, Hélio Becker chega a encomendar peças no exterior para não deixar seus veículos de duas rodas sem chance de restauro. Foi o que aconteceu com um porta-corrente que veio da Itália, diretamente da Bianchi Milano, e vai ajudar a recompor uma bicicleta de 1930 adquirida em Blumenau. “Gosto de restaurar, ver o resultado”, diz. “Quanto mais difícil, mais interessante é”.

Ele explica a relação tão próxima com as bikes. “Elas nos dão uma lição: quando param, caem; se andam, adquirem equilíbrio; quando pedem força, estão subindo; quando não pedem, estão descendo. Assim é a nossa vida”.

No pedal desde a infância

Além do galpão e da casa onde mora, Hélio Becker tem uma área onde, além da churrasqueira para reunir família e amigos, guarda toda sorte de objetos. Ali podem ser vistos rádios a pilha, lampiões, velhos telefones e máquinas fotográficas, ferros de passar que eram alimentados com brasa, moedor de pimenta, uma antiga TV Philco, projetor de slides e operador de telégrafo. E mais, há um Fusca 1968 totalmente original, um Gurgel e um antigo Ford coberto com lona.

Voltando ao compartimento das ferramentas, pode-se ver pneus de 80 anos em bom estado, guidões, aros, pedais, porta-correntes, quadros, para-lamas e até um farol português da década de 1910 que iluminava o caminho a partir de uma vela de cera. Acostumado a andar de bicicleta desde a infância, em Santo Amaro da Imperatriz, Becker também curte a admiração dos outros pelo seu trabalho. “No shopping, como elas parecem ter acabado de sair da loja, as pessoas ficam horas olhando a exposição”, afirma.

Paulo Clóvis Schmitz

Veja também:

Exposição “Caloi 110 Anos” na Vila Olímpia – impressão das bicicletas expostas da centenária fabricante, em 2010.

Bicicletas antigas em exposição em São Paulo – impressão da exposição “A História da Bicicleta – Um Passeio por 10 Modelos Clássicos”, em 2009.

Exposição “Caloi 110 Anos” na Vila Olímpia

Segue até esta quarta-feira, 15 de setembro, a exposição de bicicletas antigas pertencentes à mostra “Caloi 110 Anos”, realizada no primeiro piso do Shopping Vila Olímpia desde o começo do mês, das 10h às 22h. O shopping fica na Rua Olimpíadas nº360, na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo.

Várias das bicicletas que lá se encontram já apareceram aqui neste blogue, por conta de uma exposição no ano passado ocorrida no antigo prédio dos Correios. Mesmo assim, há novidades: a Campioníssima Colorado saiu e deu lugar a mais um modelo de celerífero, o precursor das atuais bicicletas, à Caloi Pulman, modelo dos anos 1960s, à charmosa Berlineta e à Caloi Team Speed, com o quadro de carbono da Equipe Caloi de Ciclismo.

A Berlineta foi a primeira bicicleta dobrável brasileira.

O quadro de carbono utilizado pela Equipe Caloi de Ciclismo, além de ser leve, possui um belo design.

Além dos dois modelos de celerífero, está na mostra o biciclo inglês, além de modelos clássicos da Caloi, como a Fiorentina, a 3 Marchas e a Special Preta.

Variação de celerífero com apoio recuado para as mãos.

Para os aficcionados em velocidade, além do novo quadro de carbono, uma Caloi 10 e uma Eddy-Merckx fazem-se presentes. Aqueles que se amarram em BMX vão delirar com a Caloi Cross, bem como a geração dos anos 1980s vai relembrar bons momentos ao rever a Fórmula C3.

A Caloi Fórmula C3 tinha câmbio de três marchas no cubo traseiro acionado por uma alavanca no quadro, uma novidade para a época. Foi, também, prêmio de uma promoção do acholatado em pó Nescau.

Para os pais que querem ensinar aos filhos as primeiras pedaladas, a exposição conta em seu interior com um circuito e bicicletas disponíveis para os pequenos adquirirem as suas primeiras lembranças sobre duas rodas.

Bicicletas estão disponíveis para as crianças brincarem e se exercitarem numa minipista coberta anexa à exposição.

Acompanha também a exposição uma seqüência de campanhas publicitárias da Caloi, elaboradas por José Estevão Cocco entre a década de 1970 e 1980, além de uma seção com fotos do início de existência da empresa.

Um dos pôsteres de antiga campanha da Caloi. E eu pensando: “Liberte-se! A bicicleta dá-lhe asas para ‘voar’ e seguir aonde quiser.”

O Shopping Vila Olímpia, que foi palco de manifestação cicloativista próximo à sua inauguração, em dezembro do ano passado, por não possuir bicicletário, como exigia a lei, conta hoje com 15 vagas gratuitas para ciclistas. Apesar de o modelo de paraciclo não ser dos melhores – é o famoso “entorta-roda” -, o bicicletário fica em um local seguro, no subsolo, próximo ao vallet.

Bicicleta do Bike Tour SP repousa no paraciclo do Shopping Vila Olímpia.

Emoção pessoal

Notando o meu entusiasmo com a exposição, fui agraciado com umas voltinhas na primeira bicicleta Caloi 10 edição 2008 produzida em comemoração aos 110 anos da Caloi! Foram feitas apenas 110 dessas bikes e tive a oportunidade de pedalar uma!!! Detalhe: esta bicicleta não se encontra exposta na mostra!

Caloi 10, Edição Limitada número 001, na qual tive a oportunidade de dar umas voltinhas.

Caloi 10, Edição Limitada número 001, na qual tive a oportunidade de dar umas voltinhas.

Sobre a sensação de se pedalar uma… O que dizer de uma das bicicletas que marcou toda uma geração de ciclistas velocistas?

Veja mais fotos da exposição aqui.

Fabiano Faga Pacheco

Veja também:

Bicicletas antigas em exposição em São Paulo – matéria sobre a exposição “A História da Bicicleta – Um Passeio por 10 Modelos Clássicos”, que ocorreu em São Paulo em 2009. As fotos dessa mostra podem ser acessadas aqui.

Links atualizados em 30 de novembro de 2012, às 8h39.

Bicicletas antigas em exposição em São Paulo

Passei estes dias pela exposição “A História da Bicicleta – Um Passeio por 10 Modelos Clássicos”, que está em cartaz em São Paulo, no antigo prédio dos Correios (Av. São João s/nº, próximo à estação São Bento do Metrô), até dia 13 de novembro, das 9h às 17h.

Como o próprio título explica, estão à mostra dez modelos de bicicletas e biciclos. O mais antigo é uma réplica de celerífero. Idealizado em 1790, não era propriamente uma bicicleta. Não tinha pedais e as pessoas tinham que colocar o pé no solo a todo momento para fazê-lo andar.

O celerífero, de 1790, idealizado pelo Conde Sivrac, consistia em duas rodas unidas por uma ponte de madeira.

O biciclo inglês, que já apareceu em diversos desenhos antigos, também está lá na mostra. Com uma roda dianteira extremamente grande, provocou diversos acidentes sérios, apesar de ser um modelo bem popular.

Biciclo inglês, de 1870, foi o primeiro veículo em que se podia de fato pedalar.

As demais oito bicicletas em exposição são da Caloi. Apresentam desde a Caloi Special Preta, o primeiro modelo totalmente brasileiro, fabricado em 1945, ao final da II Guerra Mundial, até  a Caloi Cross e a Fórmula C3, passando pela Fiorentina, 3 Marchas, Campeoníssima e as famosas Caloi 10 e Eddy Merckx.

Caloi Fiorentina, o primeiro modelo de bicicleta aro 26. Atrás dela, Caloi Special Preta, a primeira bicicleta 100% nacional.

Caloi Eddy Merckx, a bicicleta que mais me fascinou na exposição, era voltada ao ciclismo de velocidade. Eddy Merckx e Lance Armstrong já pedalaram uma.

Percebe-se a evolução das marchas, do câmbio, das rodas (da madeira ao pneumático), dos materiais empregados, das soldas (infelizmente não muito bem trabalhadas nos modelos mais recentes).

A Caloi Cross Extra Light, bicicleta voltada ao BMX, tinha soldas pouco trabalhadas.

Na mostra, encontra-se também uma exposição filatélica, com selos sobre bicicleta da coleção de Ney Jorge.

Mostra filatélica acompanha a exposição de bicicletas.

Mais fotos aqui.

Enfim, valeu a pena ter dado uma passada por lá. E antes que eu me esqueça, uma informação importante: a entrada é gratuita!

PS: não há bicicletário ou paraciclo no prédio dos Correios. A quem for de bicicleta, recomendo deixá-la no bicicletário do UseBike no Metrô Anhangabaú.

Fabiano Faga Pacheco

Links atualizados em 1° de dezembro de 2012, às 3h44.

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