Torcedor vem de bicicleta do México para assistir a sua sétima Copa

Elias de Souza foi às Copas desde 1986. Foto: Rubem Berta / O Globo.

Elias de Souza foi às Copas desde 1986. Foto: Rubem Berta / O Globo.

Elias de Souza Aguiar, de 48 anos, é sul-matogrossense e faz shows pelo mundo em cima da bicicleta

Do alto de uma bicicleta de 3,3m, Elias de Souza Aguiar, brasileiro de Corumbá fala em espanhol a frase “Pátria não é onde nasce, mas o que sente no coração” na Avenida Beira-Mar, em Fortaleza, em frente ao hotel da seleção mexicana, neste domingo. Ele veste a camisa verde do país que escolheu para chamar de pátria em 1986. E conta como chegou até sua sétima Copa do Mundo.

Ele tinha 14 anos quando começou a produzir bicicletas “malucas”. Não tinha dinheiro para ter carro. O jeito era ter bicicleta”. Com uma de suas invenções deixou o Brasil para viajar ao México onde for torcer pela seleção brasileira. Foram 12 mil quilômetros percorridos. No país que viria a ser adotado por ele, conheceu a mulher que viria a ser esposa.

“A convidei para subir na bicicleta. Ela caiu, quebrou a perna, e cuidei dela por duas semanas. Foi amor à primeira queda”, brincou. Com ela viajou à Copa da Itália para torcer pelo Brasil (o México não se classificou) e na Itália “fabricou” Elias, o filho de 23 anos que o acompanha nas suas viagens. Há quatro anos se separou. “Ela se cansou de viajar. Eu não”. Hoje ele viaja fazendo números circenses.

Cercado de torcedores mexicanos, ele se destaca. Não era para menos com sua bicicleta. “Venho para minha sétima Copa do Mundo. Vim torcer pelo México, meu país”. Desde 1986 só não foi ao Japão, em 2002. Na viagem ao Brasil, que começou em fevereiro de 2013, percorreu 2,5 mil quilômetros até o Panamá escoltado pelo filho em uma caminhonete. Lá teve de mudar os planos. “A aduana apreendeu tudo que uso nos meus shows. Não deixou eu passar. Então viemos só com a bicicleta de avião até Recife. Mas vamos pegar de volta”.

Elias de Souza Aguiar, sua bicicleta e outros torcedores receberam o México em Fortaleza. Foto: Igor Resende / ESPN.

Elias de Souza Aguiar, sua bicicleta e outros torcedores receberam o México em Fortaleza. Foto: Igor Resende / ESPN.

Elias e o filho chegaram a Recife a tempo de assistir ao primeiro jogo do México em Natal, sexta-feira. Depois foram a Fortaleza, mas não sabem se conseguirão ver o jogo no Castelão. Não conseguiram ingressos ainda. Depois voltam a Recife para a partida contra a Croácia, dia 23.

O brasileiro-mexicano sustenta sua viagem vendendo pulseiras artesanais a R$ 2. Produziu 20 mil para vir ao Brasil e vendeu, de acordo com suas contas, 8 mil até agora. “É uma ajuda. Nos shows ganhamos um pouquinho mais. Mas sempre contamos com nossos fãs”, conta.

Depois de voltar ao Panamá, onde pretendem pegar de voltar a caminhonete e outras parafernálias de seu show, vendido no facebook como “Super Bike: Show de Bicicletas Más Grandes del Mundo”, a intenção é voltar ao Brasil para ficar um tempo. O destino é Matelândia, no interior do Paraná, onde Elias tem parentes. Fará seus shows pelo interior do Brasil. “Mas sempre com o México no coração”.

Bruno Winckler

Fonte:  Texto originalmente publicado no portal IG, em 15 de junho de 2014, às 13h59.

Saiba Mais:

O Globo – Em sua sétima Copa, torcedor faz de bicicleta gigante o seu ganha-pão: a reportagem de Rubem Berta, o mesmo autor da foto no início desta postagem, aborda como o brasileiro tem conseguido se manter na estrada por 1,5 ano, além dos seus planos para os próximos anos.

ESPN – Bicicleta gigante, muita festa e jogadores na janela dos quartos: México chega a Fortaleza: a matéria de Igor Resende.

Veja também:

Em 2010, Elias foi também destaque em matérias da imprensa brasileira. Confira abaixo a nota publicada no Globo Esporte em 15 de junho de 2010.

Na sua sexta Copa, brasileiro desfila de bicicleta por Joanesburgo

Sem hotel, Elias Aguiar dorme de favor e passa frio nos postos de gasolina

Foto: Zé Gonzalez / Globo Esporte.

O brasileiro Elias de Souza Aguiar, de 44 anos, desfila diariamente por Joanesburgo com uma bicicleta especial que ele mesmo construiu. Paulista da cidade de Lins, o torcedor mora no México e está na sua sexta Copa do Mundo. Elias não tem reserva de hotel na cidade e dorme de favor em postos de combustível, sofrendo com frio da madrugada. Ele viajou de avião do México até a África do Sul, com a bicicleta desmontada, fazendo uma escala na Alemanha (Foto: Zé Gonzalez / Globo Esporte).

 

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Anotações do Fórum Mundial da Bicicleta 2014

Após vários pedidos de compartilhamento de informação derivado de nossas anotações das palestras do Fórum Mundial da Bicicleta, cuja terceira edição ocorreu em fevereiro deste ano em Curitiba, digitalizamos as anotações do nosso editor para quem quiser relembrar, saber sobre apresentações que não pôde estar presente ou simplesmente ter um gostinho de como foi um dos melhores encontros do ciclismo urbano e cicloativismo que aconteceu em território brasileiro.

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(Veja em PDF)

Bonde Sul rumo ao Fórum Mundial da Bicicleta

Curitiba sediará, durante os dias 13 e 16 de fevereiro de 2013, a terceira edição do Fórum Mundial da Bicicleta, contando com a participação de figuras conhecidas no meio cicloativista mundial, como a cartunista Mona Caron ou o fundador do que se tornou o “Critical Mass”, em português traduzido mais comumente como “Bicicletada”.

Será muito bom voltar a ter Curitiba como centro do cicloativismo nacional mais uma vez. Entre 2008 e 2010, a cidade sediou o Encontro Nacional de Bicicletadas do Brasil. Por sinal, um resquício desse encontro estará presente no Fórum deste ano: a descida da Serra da Graciosa, circuito de cicloturismo de nível fácil que ocorrerá na segunda-feira, dia 17 de fevereiro.

Além disso, como é comum em eventos fora do país, e mesmo já ocorreu no Brasil durante a Semana Internacional da Bicicleta em Florianópolis (2008), o arquiteto Antonio Miranda, conhecido no Brasil por seus projetos cicloviários, realizará no dia 12 uma Oficina de Planejamento Cicloviário.

A partir deste sábado (8/2), ciclistas de diversos locais sairão de Florianópolis de bicicleta rumo a Curitiba para poder participar do Fórum. Além de moradores da capital catarinense, ciclistas de São Paulo devem fazer o roteiro. Alguns deles, inclusive, com renome no cicloativismo nacional. Mais uma vez, desconhece-se a participação de algum funcionário público da área da mobilidade, da saúde, do empreendedorismo ou do lazer a participar do Fórum, para tornar práticos os ensinamentos nas cidades catarinenses.

O roteiro deve passar o máximo possível longe das rodovias, utilizando-se das estradas secundárias ou mesmo de terra – a exemplo da Estrada do Café entre Biguaçu e Tijucas.

Mapa - Viagem FMB 2014

Poesia – Dê um rolê

Pedi minhas contas, viajei e caí no mundão
Vou ver o mundo tendo o mundo como anfitrião
Florestas, rios, cidades e litorais
Pessoas, sentimentos, tradições e rituais
Colocarei meus pés em trilhas, pedras, manguezais
Fazendo o elo entre meus filhos e meus ancestrais
Serei sincero com o meu verdadeiro ser
Quero servir, quero ensinar, eu vim pra aprender

Tainah Lunge

CONEXÃO SUL 2013

Relatos

Dia 1 – Florianópolis à Cachoeira do Amâncio
Dia 2 – Cachoeira do Amâncio a Nova Trento
Dia 3 – Nova Trento

Fotos

Camila Claudino de Oliveira

Fabiano Faga Pacheco / Bicicleta na Rua
Dia 1:FacebookIpernity
Dia 2:FacebookIpernity
Dia 3:FacebookIpernity

João Ricardo Lazaro

Patricia Dousseau

Veja também:Renas Barreto

Hoje as lágrimas lubrificam as correntes
Poesia – Bicicletar é o verbo
Poesia – Descoberta
Poesia – Culto à caixa
Poesia – Peabiru

(Conexão Sul 2013) Dia 3 – Nova Trento

Ao contrário dos dias anteriores, a manhã acordou agradável. Não chovia e mesmo o rio Alto Braço que nos passava próximo não foi capaz de umedecer o ambiente como acontecera nos últimos dias.

O seu Valdo acordara antes de nós e fora trabalhar. “Cortar eucalipto exótico para a prefeitura”, dissera. O grupo não amanheceu ao mesmo tempo. Enquanto eu acordava de sopetão com a claridade, alguns se banhavam no rio. Eram 7h30 e eu não estava atrasado.

Desta vez, dormira bem sobre a relva fofa na qual minha barraca se apoiara. Após ver muitos rostos se erguendo e o café coletivo sonolento que se aproximava, fui também aproveitar o rio. Correnteza leve, poucas pedras lisas. Uma delícia! Não sei bem quanto tempo lá fiquei, mas sei que foram ótimos momentos. Esticar o braço e, preguiçosamente, vencer a fraca corrente d’água entre as margens, uma, duas, três, quatro vezes… é algo que não tem preço.

Naquele ponto, o visual próximo ao Alto Braço permanece conservado, ao contrário de outras margens que servem de pasto ou que serviram à construção de pequenas centrais hidroelétricas (PCH).

Assim como na noite anterior, a refeição foi farta. Inúmeras fatias de pão para cada um, queijos, goiabada, melado, geléia, doce-de-leite, banana e granola complementavam o café coado na hora. Nosso amigo da Unioeste, do Paraná, Luigi, inventou  uma porção especial e riquíssima em nutrientes: fatia de pão com doce-de-leite (ou geléia, ou melado) recoberta de granola. Uma mistura, que, no final, deu bastante certo, embora “descoberta” ao final do café-da-manhã.

A roda de alongamento foi no pomar. A pedalada do dia foi dedicada a uma ciclista que não pôde estar presente desde o primeiro dia de viagem. A Raíza Padilha fora atropelada no Saco dos Limões há algumas semanas. Estava ela se preparando para a sua primeira cicloviagem, infelizmente abortada por um motorista fujão e uma prefeitura omissa. Raíza quebrou o braço esquerdo  e poderia perder um rim quando do começo de nossa jornada. A prefeitura, assim como no acidente fatal de Lylyan Karlisnki Gomes, nada fez. Continua até hoje pregando a política do abandono ciclístico e do “salve-se quem puder”, o antiplanejamento.

Alongamentos com posições de yôga e axé, seguido por palavras de despedida. Meus colegas, 26 jovens ciclistas, subiriam a Estrada do Padre, enquanto eu retornaria para Nova Trento. Optei por ficar na cidade, conhecendo-a e fotografando-a, após meu câmbio dianteiro sofrer seu problema constante de não cambiar as marchas. Testar a subida dura da escarpa nessas condições parecia-me um desafio além da técnica, em que a ausência de um instrumento (a bicicleta) adequado poderiam deixar-me na mão, entre o nada e o lugar algum.

Nesta manhã entre os meus amigos, percebi o quanto o jovens têm preconceito sobre as opiniões dos mais velhos. Diversas pessoas chamaram-me a atenção por estar de sunga, envolto numa toalha, durante o café da manhã, que foi acompanhado pela dona Juventina. Pré-julgaram que as pessoas de maior idade de lá dos confins de Nova Trento são mais conservadoras. Mas no dia anterior mesmo, o próprio seu Valdo levou um ciclista de sunga para a varanda de sua residência, aos olhos da esposa. As pessoas de lá desses confins, ou “cus do Judas”, para usar uma expressão tipicamente lusitana, têm hábitos normais. Nessa região, os mais velhos um dia caçaram. Há poucas décadas, não havia luz elétrica. Água encanada ainda hoje vem dos rios e regatos da região. O seu Valdo, que fora vereador de Nova Trento eleito em 1992, comentara a noite anterior toda sobre dois períodos políticos distintos da cidade, cobrando modernização e melhor gestão de recursos públicos. Inclusive, falou sobre o ímpeto dos jovens em fazer coisas novas e dinamizar as ações da máquina estatal.

Causo da serpente

No café-da-manhã, foi recontada uma histórica tão incomum que só poderia ter acontecido com biólogos. No dia anterior, no grupo dianteiro, o Ismael encontrou uma cobra já morta na estrada. Faceiro, girou-a pela cauda e lançou-a na direção do Renato. Ao ser atingido, Renato viu a serpente caída, com o dorso na terra. A primeira coisa que ele disse:

– É um macho!

Eu despedi-me deles ainda no pomar, já vestido para pedalar. Espero realmente que eles curtam o dia, as paisagens, o descanso em cada sombra aproveitada da íngreme subida.

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Esperei-os sair e fui desmontar a minha barraca. Vi um grupo que ficou para trás, a menos de 100m da largada do novo dia, arrumando corrente e pneus. Vi o seu Valdo passando de carro pela sua residência minutos depois de a galera sair, com os colegas ainda desafiando o pneu.

Tão logo terminei e montei minha bike, o Valdo chegou à sua casa para a parada do almoço. Dona Juventina insistia para que eu ficasse e almoçasse com eles. Meio receoso, mas já tendo passado das 11h30, aceitei. Pode-se dizer que, neste dia, saímos tarde, mas eu acredito que meus colegas iniciaram o pedalar em um bom horário. Aproveitaram a manhã de uma forma saudável, com os benefícios – incluindo fluviais – que o lugar proporcionava. O caminho não era o meio de se chegar a algum lugar, mas sim a sua finalidade, de modo que apenas trasladá-lo sem fruí-lo destoaria do nosso objetivo ciclístico.

A refeição típica contou com cerca de 10 pessoas, a maioria funcionários da prefeitura que trabalhavam em obras pela região. A um conjunto variado de carnes, sobrava-me arroz, feijão, maionese e uma salada folhosa. Dona Juventina não se conformava no meu ovolactovegetarianismo e esquentou ovos para mim e para o Valdo.

Despedi-me da galera novatrentina. O seu Valdo agora aguarda o envio de umas mudas e sementes de plantas nativas e espera aproveitar os seus açaís, obtendo rendimentos com a polpa.

Segui no sentido contrário todo o percurso rural do dia anterior, cerca de 18km. Passei pela igreja onde, às vésperas, foi-nos dificultado abrigo. Passei por uma única placa de trânsito, indicando velocidade máxima de 40km/h, lembrando-me de que, pelo corte de eucaliptos, eram esperadas diversas carretas trafegando em altas velocidades, descendo pela Estrada do Padre, colocando em risco meus colegas. Passei pelas marcas na estrada que, na véspera, demarcaram os caminhos das bifurcações aos últimos. A “bica da capela” na estrada parecia com água menos refrescante que o dia anterior. O morro que na véspera nos fez tremer as espinhas, não parecia tão difícil desta vez. Mudando a marcha da bicicleta na mão, subi com facilidade, quase me arrependendo de não ter seguido com meus amigos pela escarpa para Vidal Ramos.

Observei os vales, os riachos, as duas PCHs da região, de São Sebastião e de São Valentim. Até um teiú, lagarto de belo porte, me foi possível apreciar. É incrível essa sensação de proximidade com o micro e com o macro que a bicicleta te proporciona. Poder facilmente parar e observar-sentir o ambiente ao seu redor, sem prejuízo ao seu dia, ao seu caminho ou ao seu objetivo. Em condições normais, nenhuma pessoa observaria a serpente do dia anterior ou notaria o lagarto à beira da estrada. Simplesmente passariam, assim como passariam também as suas vidas. Ao observar o réptil, novamente desejei uma enorme fruição aos meus amigos, para que eles não apenas passem pelo dia, subindo as montanhas, mas que também o vivam com grande intensidade.

Próximo a Lageado e seu patrimônio histórico, estradas em reformas, demonstrando os trabalhadores novatrentinos na labuta. O calçamento com lajotas começou em São Roque. Meio imperdoável, simplesmente deixamos de observar um belo oratório centenário, datado de 1896.

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Assim como São João Batista tem seus postes pintados com cores francesas, os tons margueritas (verde, branco e vermelho) são onipresentes em Nova Trento. Tudo denota a colonização italiana da cidade.

Interessante é o trânsito de Nova Trento, que, mesmo com apenas 12.179 habitantes, já tem alguns binários e ruas de mão única implementados. Infelizmente, da forma como encontrei, denota que essas mudanças no trânsito não levaram em consideração a circulação de bicicletas. E olha que o ciclismo no município está crescendo e vem sendo promovido. No dia 15 de novembro, por exemplo, estava prevista uma edição do Pedala Trento, um tour por cidades da região com parada do sítio do Elizeu, situado bem próximo de onde repousamos, na Pitanga, cerca de 20km do centro da cidade.

É importante as cidades catarinenses saberem que a implantação de binários deve, obrigatoriamente, prever a inclusão das bicicletas. Frequentemente, os binários olvidam-se da dimensão humana. Em Florianópolis, querem fazer binários circulares de 4km, sem ciclovia ou ciclofaixa. Haverá, certamente, ciclistas pedalando no contrafluxo em meio ao fluxo motorizado, que, quando não engarrafado, será mais veloz – e, portanto, potencialmente mais fatal. Antes de ir ao santuário de Madre Paulina, relaxei na praça onde pousa o busto do Coronel Henrique Carlos Boiteux. Sob a copa de uma árvore, retomei as energias. Pude observar como era a acessibilidade no local. Existem pisos podotáteis corretamente dispostos, mas ainda carecem rampas com inclinação adequada e bem posicionadas. Algumas esquinas contam com meio fio bastante elevado e, onde poderiam haver rampas para usufruto das praças, simplesmente existe um canto. É um aspecto que pode melhorar ainda muito em Nova Trento, município que já oferece algumas faixas de pedestres elevadas. Uma forma de demonstrar o respeito aos pedestres no mar de lajota e paralelepípedos das ruas.

Na praça, olhei-me os pés. Meus tênis estavam em um estado lastimável. Sola descolando, proteção nula contra chuvas ou poças d’água. Aproveitei a cicloviagem para utilizá-los pela última vez numa aventura digna. Agora, estavam naquele estado, em seus últimos quilômetros.

Interessante também é o uso da praça pelos cidadãos. Apesar de bem cuidada, mesmo sem água na fonte esculturalmente ornamentada, os moradores não parece aproveitar tanto a praça quanto o fazem os moradores da vizinha São João Batista. Em meu período de descanso, interrompi apenas um casal de namorados (ou ficantes, sabe-se lá), que queriam o escurinho de uma sombra para consagrar a paixão.

Passei por algumas casas antigas, onde funcionam residências, mercados e lotéricas e, cruzando a praça onde a Igreja Matriz São Vigílio se ergue, rumei à rodoviária. Eram 16h30 e o último ônibus do dia para Florianópolis seria às 17h50.

Apressei-me para percorrer os 5km de ida até o Santuário em Vígolo. No percurso, diversas capelas, oratórios, centro de encontros e congregações chamam a atenção. São mais de 30 locais religiosos em toda a cidade, com destaques aos santuários de Santa Paulina e Nossa Senhora do Bom Socorro. Além do turismo religioso, destaca-se o enoturismo. As belíssimas partes rurais ainda não são adequadamente aproveitadas e podem criar um belo conjunto de roteiros cicloturísticos com variados graus de dificuldade.

Um local de descanso, com mirante para rio no meio da cidade, deve servir de repouso para os peregrinos que, em épocas sacras, inudam a cidade. No caminho ao santuário, existe uma pérgola muito bem cuidada, faltando, entretanto, rampas para pessoas com deficiência.

A rodovia SC-411, que leva ao distrito de Vígolo, permite altas velocidades, mas não tem acostamento. Num dia de semana, foi tranquilo pedalar por ali. Lombadas garantem uma velocidade reduzida em alguns trechos, mas, em outros, os temidos tachões fazem com que motoristas expremam os ciclistas numa beirada que não existe. Quase fui expremido junto a esses tachões. A paciência do povo de lá, que me esperou e ultrapassou educadamente, certaria não encontra correspondência na vida corrida da capital.

Vários símbolos da religiosidade fazem-se presentes em Vígolo. A história de Santa Paulina é contada com afrescos, painéis e imagens diversas. Sua casa paterna virou um símbolo bem agradável de mirar.

Às segundas-feiras, o teleférico que leva peregrinos ao alto da basílica não funciona. O parque da Colina Madre Paulina também se encontra fechado. Mas visitantes podem deixar suas fitas, oferendas e mensagens pelas graças alcançadas em diversos pequenos altares, árvores ou em grandes painéis.

A basílica é linda. Vi que pode ser acessada de bondinho, por uma escadaria ou ainda por uma rampa só para pedestres. Fiquei curioso para subir essa rampa de bicicleta. É possível que um outro caminho até a basílica, mais ao sul, possa ser feito pedalando ou de carro. Já estava saindo quando o vi e não pude checar.

Nesse santuário, uma imagem singela chamou-me tanta atenção quanto à enorme basílica de tetos côncavos, lembrando as vestes que recobrem as faces e pescoços de uma freira – ainda estão fortes em mim as cenas do filme francês “A Religiosa”. A Súplica da Árvore rogava: “Sou o ramo da beleza e a flor da bondade. Se me amas como mereço, defendas-me contra os insensatos”. Uma oração ecologista, levada muito a sério mesmo pelos biólogos menos crentes.

Cheguei adiantado na rodoviária. Com o calor q sentia nos últimos dias, experimentei um sorvete diet de chá de maçã com canela, fabricado pela Superfrut, empresa de Lages. Queria experimentar algo que fosse mais refrescante, mais frutoso, mais aguado. Não dei muita sorte. Infelizmente, o produto não tem nada de maçã, exceto o aroma, sendo bastante artificial. É triste ver isso – e a idéia de um sorvete de chá de maçã ou camomila ou erva cidreira é interessantíssima – quando pesquisas da UFSC buscam aproveitar frutos nativos e que precisam de proteção agroflorestal para a produção de sorvetes. O butiá, do geograficamente restrito Butia catarinensis, é um deles. Como diriam os tuiteiros: #ficaadica.

Paguei R$17,34 de passagem para Florianópolis pela Reunidas. E mais R$8,00 de excesso de bagagem para levarem a minha bicicleta, mal acomodada num dos bagageiros. Felizmente não houve nada com ela, mas não deixa de ser estranho o alto valor extra cobrado (mais de 50% da passagem) para a magrela ser levada de forma tão ruim.

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Se não fosse o último ônibus e se minha bicicleta não tivesse ficado cada vez pior ao longo do dia, a ponto de perder também a marcha dianteira mais pesada, eu pensaria em retornar pedalando para Florianópolis. O caminho não é tão longo assim, e os mais aventureiros podem tranquilamente ir da capital a Nova Trento em um dia e retornar. São apenas 65km. Mas a cidade também pode se qualificar melhor para o turismo por bicicleta. Não vi paraciclos adequados, apenas entorta-aros, no comércio da cidade. Os binários também pode ser repensados. Vale a pena implantar ciclofaixa no contrafluxo em algunas ruas, como na rua que leva ao acesso da SC-411, sentido Vígolo.

Cheguei em Florianópolis próximo a Morfeu, o deus grego do sonho, mas bem. Coxas torneadas, bicicleta podre, mas inteiro e esperando pela próxima. Não me lamento por não ter ido a Vidal Ramos. Muito embora aguardo, ansioso, notícias de lá do cume das escarpas.

E, claro, notícias de Piracicaba, onde a Raíza deve estar hoje e para quem este dia de pedaladas foi inteiramente dedicado.

Frase do Dia: A cobra tem língua bífida. Logo, as fêmeas devem ser muito felizes.

Distância percorrida no dia: 32,5km
Total acumulado: ~155km

Percurso pedalado: veja mapa

Fabiano Faga Pacheco

Joinville, 16 de novembro de 2013, às 1h24.

CONEXÃO SUL 2013

Relatos

Dia 1 – Florianópolis à Cachoeira do Amâncio
Dia 2 – Cachoeira do Amâncio a Nova Trento
Dia 3 – Nova Trento

Fotos

Camila Claudino de Oliveira

Fabiano Faga Pacheco / Bicicleta na Rua
Dia 1: Facebook      Ipernity
Dia 2: Facebook     Ipernity
Dia 3: Facebook     Ipernity

João Ricardo Lazaro

Patricia Dousseau

(Conexão Sul 2013) Dia 2 – Cachoeira do Amâncio a Nova Trento

A chuva que caía fina no final da madrugada nos mostrava que, mais uma vez, a previsão do tempo mostrou-se equivocada. Seria o segundo dia de pedalada ao sol conforme os mais requisitados sites de meteorologia do Brasil e de Santa Catarina. Entretanto, os pingos batendo nas barracas indicava-nos o contrário. A chuva seguia fina, quase parando, no horário de levantar.

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(Conexão Sul 2013) Dia 1 – Florianópolis à Cachoeira do Amâncio

O dia começou pregando peças.

Chovia forte às 6h30. Obnubliava na Grande Florianópolis, nuvens pesadas e cinzas.

A saída foi atrasada em cerca de meia hora. Encontraram-se sob a ponte Pedro Ivo 25 molhados ciclistas. A alegria, surpreendentemente, abria as emoções em cada rosto, contrariando o tempo fechado, sisudo.

Numa das mais novas praças de Florianópolis, onde antes erguia-se o condenado edifício que servira de sede à Federação Catarinense de Remo, esporte que ainda sobrevive ao lado daquele rincão, o alongamento unia cada pessoa, conhecida ou desconhecida. Estavam lá por um motivo: fazer uma das melhores viagens de suas vidas. O lugar é desconhecido, a provinciana Vidal Ramos, não muito distante dali. Apenas 200km por estradas vicinais, que poderiam ser feitos em um único dia.

Mas não era essa a intenção. O caminho, e não o destino, era o fim. Pelo caminho aproveitaríamos as interações existentes, as sombras, os rios, as subidas e as descidas. Mas, principalmente, nos aproveitaríamos. Conhecer-nos-íamos  cada vez mais, sob os olhares daqueles que conosco estavam.

O caminho era um tanto curto, mas não estávamos lá pela velocidade, para chegar antes. Desses 25, quase ninguém usava roupas de ciclista. Eu era outlier-mor. Não por não querer trajar-me com algodão, mas simplesmente pq as roupas de ciclismo são confortáveis para um dia inteiro sobre a magrela. Simplesmente porque, com ela, me sinto bem. E a maioria sentia-se bem com roupas leves, muitas de algodão, alguns até de chinelos. Bicicletas simples convivendo com camelos um tanto mais custosos. Não era isso que nos diferenciava. A simples presença da bicicleta já era, por si só, motivo suficiente para nos unir, uma união inquebrável, inrupta, incapaz de ser segregada por esses fatores materiais.

Mas estávamos lá, sob a ponte, às 9h30, aguardando a chuva parar para nos alongar. A roda incluiu pessoas diferentes e até seres vivos diferentes: as poucas árvores lá presentes, que nos serviam de choupana contra Sol e chuva e de parceira de abraços, sendo até mesmo componentes da roda.

Uma pessoa ficou: apenas nos daria a força inicial. Fúria era ele. Apelido de quem enfrentou a fúria climática divina apenas para mandar um “até logo”.

Florianópolis tem cachoeiras feitas especificamente para os ciclistas se refrescarem. Elas ficam na passarela sob a ponte e só funcionam quando está chovendo e logo depois. Ao lado delas, obras de arte marginal formam um mosaico de diferentes significados, conotações, realidades e qualificações técnicas e gráficas.

Fomos pelo Estreito, passando ao largo de onde a Velha Senhora, Ponte Hercílio Luz, aguarda os materiais ficarem prontos para montarem as estruturas que se lhe podem salvar. O canteiro de obras guarda esperanças nos corações de muitos desterrenses, que esperam ver Dama de Ferro de volta à ativa, após aposentadoria compulsória de três décadas.

Onde a Ciclofaixa de Domingo, transforma-se em trifaixa, o som de uma música demoníaca atraía-nos. Eram guitarras, instrumentos eletrônicos e um som batido e ritmo que ecoavam de um palco recém-montado. Era como se o som estivesse sendo passado. Para nossa surpresa, constituía-se na Marcha para Jesus.

Em frente, na antiga geral do Barreiros, bairro de São José, a primeira pessoa a nos fotografar. Rosana da Rosa deve compartilhar nossas fotos pelo Facebook (tomara). Perguntou se fazíamos isso com frequência. Existe todo ano, na época do EREB, o Encontro Regional dos Estudantes de Biologia da Região Sul. Ao menos tem sido assim desde 2010. Ilha do Mel e Maquiné foram os últimos destinos. Rosana, de bike, e nós, seguimos.

Pegamos a marginal da BR-101, sendo muito bem recebidos. Diversas foram as buzinadas de apoio. Era impressionante a fila indiana de 23 bicicletas a trafegarem, lotadas as cestas, alforjes, sacos de dormir, isolantes e barracas.

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Pouco antes do Centro de Biguaçu, furou um pneu mariliesco. Um momento interessante para começar uma das brincadeiras do dia. Com ela, descobrimos que “fomos na feira e compramos maçã, pêra, amendoim, limão, melancia, goiaba, morango, abacate, chocolate, jabuticaba, jenipapo, gengibre, paçoca, capuchinha, alface, hortelã, couve, pepino, cenoura, tomate, banana, ovo, uva, batata, wasabi, feijão, melão, beterraba, agrião, cebola, abacaxi, brócolis, jiló, mandioca e Spirogyra”. Ainda não sei o nome da garota com quem travo esse desafio botânico de memória (esqueçam o ‘ovo’ ao interpretar o ‘botânico’).

Ficamos um bom tempo travados no início da Estrada do Café, na parte inicial de Três Riachos. Almoçamos no Restaurante da Gorete, em promoção exclusiva para nós. Também foi lá que encontramos um grupo de cinco ciclistas que haviam se atrasado. Éramos, agora, 29 pessoas em bicicleta. A parada no mercado abasteceu e reabasteceu todos com mantimentos.

Mas também nos atrasou. Seguíamos por Sorocaba de Dentro até o desvio para a Cachoeira do Amâncio, destino de nosso acampamento. Mas aí já eram 17h. De fato, pouco aproveitou-se o potencial da cachoeira. Cumpriu-se a promessa de se nadar pelado, eles e elas. Não fiquei de fora. Poucas pessoas de fato aproveitaram o dia de hoje para olhar a cachoeira. Apenas 5. De onde estão nossas barracas, não é possível observar todo o potencial de uma cachoeira. Mas a piscina natural, com corda para se lançar à água, não deve em nada para o aproveitamento do lugar.

Causo: Senhora Cidade Alerta

Num dos desvios no distrito de Sorocaba, paramos para perguntar o caminho para uma senhora da região. Moradora há 30 anos do lugar, disse que havia muito tempo não iria para a cachoeira do Amâncio. E que, qualquer problema que acontecia na região se dava por ali. Não chegou a especificar nada de especial. Recomendou que não deixássemos nossas bikes na estrada de terra e que a levássemos conosco. Lembrou que um adolescente falecera na cachoeira no ano anterior. Enfim, tentou, de todas as maneiras, desqualificar o lugar, um ponto turístico próximo ao seu lar. Lembrou-me muito a reação da minha avó após ver o programa “Cidade Alerta”. Num período do dia, ela fica contente e alegre. Após assistir à televisão, fala só de desgraças e situações negativas, empesteando o ar com maus fluídos.

Para mim, ficou evidente: a melhor vista é da Cachoeira em si. Já o melhor local para se ficar, nos pontos mais fundos da piscina natural à nossa frente, situada numa das primeiras trilhas de acesso à cachoeira.

Esta parece estar mais vazia do que o usual. Denota que, mesmo com a chuva, já esteve recentemente com maior vazão, mas não muito mais. Vi um filete de água sair de seu caminho e umedecer a rocha semisseca na qual eu pisava, indicando um pequeno aumento em sua vazão. Ao lado dela, um pequeno descampado guarda lixo. Muitas garrafas de cerveja, refrigerante e até de aguardente denotam a atitude não sustentável de maus visitantes. Ao lado delas, dois pequenos montes de tijolos demonstram que é usual o uso do fogo próximo à água.

As rochas demonstram que o local já foi de maior envergadura. Rochas hoje nuas moldadas pela ação da água com o tempo estão expostas, complementando o paredão por onde escoem as águas. Não me recordo de nenhuma pequena usina hidroelétrica (PCH) na região para explicar o fenômeno.

Muitos insetos puderam provar de nosso sangue. Mutucas, mosquitos e, como não poderia deixar de ser em um local com água corrente, borrachudos. Muitos. Demais até. Pego a me imaginar em como é aqui no verão.

A piscina natural cujas águas ouço fluir agora, próxima à barraca, tem solo de rochas polidas, de variados tamanhos, ou ainda com partes cobertas por terra ou areia. Em comparação ao caminho aquático para se ver a cachoeira, é um alívio para os pés. Existem vários acessos à essa piscina, incluindo pelo ar, por uma corda presa a árvore. Foi dessa piscina, um poção, que pegamos água para beber, fazer sopa, esquentar comida e lavar roupas e utensílios de cozinhar.

A noite foi seguida por rodas de conversas ao lado de uma fogueira improvisada, a cerca de um metro da porta da minha barraca. As melodias de Caetano Veloso foram as mais cantadas hoje. Os sons de violão e flauta embalavam-nos harmonicamente, enquanto a sopa era aquecida. Uma canequinha para cada um. O chá de manjericão, erva baleeira e junco combina com o clima de descanso que se sucedeu. O céu, que abriu durante quase todo o dia desde que nos viu alegres sob a ponte, enche-se de nuvens agora também. A lua e a umidade não nos permitem mais ver as estrelas, mas criam um clima propício para que todos possam, serenamente, dormir.

Frase do dia: Gelol no c* do outro é refresco.

Distância percorrida: 55km.

Fabiano Faga Pacheco

Cachoeira do Amâncio, Biguaçu, 9 de novembro de 2013, às 22h47.

CONEXÃO SUL 2013

Relatos

Dia 1 – Florianópolis à Cachoeira do Amâncio
Dia 2 – Cachoeira do Amâncio a Nova Trento
Dia 3 – Nova Trento

Fotos

Camila Claudino de Oliveira

Fabiano Faga Pacheco / Bicicleta na Rua
Dia 1: Facebook       Ipernity
Dia 2: Facebook       Ipernity
Dia 3: Facebook       Ipernity

João Ricardo Lazaro

Patricia Dousseau

Rumo a Vidal Ramos

O editor deste site está indo para Vidal Ramos, no interior de Santa Catarina, à borda das escarpas da Serra Geral.

Estará num grupo heterogêneo de dezenas de pessoas, muitas sem roupas especiais de ciclismo. O percurso será feito em 4 ou 5 dias, o máximo possível por estradas vicinais, saindo de Florianópolis!

Quem encontrar o grupo e se identificar ou quem nos ver e mandar uma foto para bicicletanarua@gmail.com ganha uma menção especial aqui no site! 😉

#Partiu

Casal conta suas aventuras durante pedalada por 19 países

Camilo Teixeira e Renata Mazer relatam as aventuras vividas ao atravessar 19 países pedalando.

Um ousado casal de Florianópolis se aventurou em uma viagem nos continentes europeu e asiático. Para conhecer de perto a cultura desses locais, optaram por fazer a expedição de bike e partiram de Florianópolis com destino à Paris.

Pedalaram por 12 mil quilômetros e conheceram 19 países. Tomaram um avião para retornar ao Brasil no fim do mês de abril, mas não pousaram diretamente em Santa Catarina. Preferiram descer em Recife, cidade nordestina de Pernambuco, de onde seguiram nas magrelas em direção à Ilha. Foram mais 5 mil quilômetros!!!

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O auditório do Centro de Ciências Humanas e da Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina (FAED/UDESC) fica na Avenida Madre Benvenuta nº 2007, no Itacorubi.

Conexão Montréal #1 – Primeiras Experiências

Meu nome é Viviane, sou uma estudante de mestrado em Educação na UFSC e estou fazendo sanduíche de pesquisa em Montréal na UdeM, Québec, Canadá. Conversei muito com o Fabiano, fundador deste espaço e cicloativista de Florianópolis, sobre como a cidade aqui é receptiva para bicicletas. Como estou no meu período de adaptação, não sei fazer outra coisa que não seja comparar a cidade de onde eu vim com esta onde estou aproveitando a deixa do diálogo e a vontade de trocar experiências, eu e o anfitrião do “Bicicleta na Rua” decidimos abrir um espaço educativo para contar nossas vivências com a bicicleta em várias cidades no mundo. Ele com as suas andanças pela Europa, e eu, aqui, no Canadá.

A minha amiga que me recebeu aqui tem uma speed Peugeot dos anos 60, ela tem muito amor pela bici porque foi da mãe dela. Mas, mesmo assim, ela me emprestou para eu ver um apartamento num bairro vizinho. Foi muito bom, para começar porque nunca andei de speed e a coluna fica bem retinha e a respiração, por consequência, fica bem sincronizada com o movimento do pedal.

No caminho, já na saída peguei a ciclovia e fui direto. Em cada cruzamento, tem um semáforo; na Rue Boyer tem um sinal para pedestres e outro para bicicletas. Outras ruas, sem ciclovia, geralmente têm um sinal só para todos. Todo mundo para no sinal, não tem nenhum danadinho que atravessa fora do verde. Me contaram que se você atravessa no vermelho e a polícia vê, você é multado. Uma infração para pedestres e ciclistas custa 37 dólares canadenses (uma grana preta).

Continuando o relato, passei por um túnel para chegar a Avenida que eu procurava e mesmo sem ciclopista, tinha bastante espaço para mim. Num canto, os carros estacionados e quase um metro da marcação da pista, tranquilidade total. Photo1065Na cidade, nem todos ciclistas usam capacetes ou equipamentos de segurança. Mas eu tava bem devagar, apesar da potência da máquina emprestada.

Cheguei no lugar, e na frente da casa tinha um pequeno pique preto com símbolos de bicis, tipo, estacione aqui.

São os sinalizadores do sistema de estacionamento de carros na rua. Para vocês verem, o mesmo espaço é compartilhado, só que de bike você não paga nada, é só achar um espaço livre. É bem comum ver pequenos bicicletários nas calçadas próximas aos caminhos exclusivos das bicicletas, digo assim pois, tem as ciclovias, ciclofaixas, ciclopistas, etc. Neste dia, eu fiz uns 3km e não senti medo de nenhum carro ou de transitar por aqui de bicicleta, daí, decidi: quero ter uma speed também.

(Vídeo) Teaser de “Além da Vida ‘Inteligente'”

Mateus Pacheco apresenta a rotina solitária do homem que cruza a Patagônia Argentina de bicicleta e transforma-se após cada pedala.

Veja também:

Documentário “Ciclovida” será exibido na UFSC

(Vídeo) Em São Paulo, ex-terra da garoa

Continuam as pedaladas por terras sulinas

Sabáticos pedais pela Grande Florianópolis

Sábado chega e, com ele, a vontade acumulada durante a semana pode ser extravasada!

Confira abaixo roteiros para quem quer curtir seu sábado sobre duas rodas.

Santo Amaro, São Pedro e Águas Mornas

O Duas Rodas volta a programar este que é um dos mais agradáveis roteiros de um dia pela Grande Florianópolis. O percurso tem muitas subidas e belíssimos visuais, feitos no ritmo da parceria. São 60km de estradas de chão, com aclive acumulado de 1.275m. Quase não existe ponto de apoio, por isso o lembrete em se levar o lanche.

Por que fazê-lo? “Pela satisfação de passar horas pedalando em estradas de pouco movimento, cruzando pequenas propriedades rurais e áreas de mata nativa”, segundo Clécio Marquetti.

Encontro em Florianópolis: 7h no trapiche da Beira-Mar para saída em comboio de carros às 7h20.
Encontro para o pedal: Pesque e Pague do Alceu, na BR-282, em Santo Amaro da Imperatriz.
Duração: cerca de 5h e 30min

Rumo à Neve!

Os Coiotes da Bike convidam para dois dias de pedaladas que prometem rejuvenescer a alma. Quem quiser ir, tem que correr, porque as inscrições acabaram de ultrapassar o laço!

Florianopolis 2013-07-26 Coiotes da Bike

E domingo ainda tem mais!

Amigos da Bike-SC, Bike Anjo Floripa e Ciclofaixa de Domingo!

Oficina para Elas

As mulheres que querem aprender um pouco mais sobre mecânica de bicicleta e discutir um pouco sobre cicloviagem terão uma oportunidade única neste final de semana.

Na Praça Santos Dumont, vai acontecer uma oficina voltada para elas para aprender a consertar coisas básicas nas bicicletas, como um pneu furado e um freio ou uma marcha desregulados. A oficina será ministrada por Lucas Caio Siqueira.

O Vá de magrELA vai acontecer no dia 13 de julho, às 13h30, e é aberto a qualquer pessoa interessada.

Florianopolis 2013-07-13 Va de magrEla

Veja também:

Formiga promove uma introdução ao cicloturismo

Casal de cicloturistas que dava a volta ao mundo falece no trânsito da Tailândia

Os artistas ingleses Peter Root e Mary Thompson, ambos de 34 anos, morreram em um acidente de trânsito nos arredores de Bancoc, na Tailândia, depois de terem pedalado por mais de 23 países.

O casal estava fazendo uma viagem de volta ao mundo de bicicleta e já havia cruzado a Europa, a Ásia Central e a China. O acidente aconteceu na quarta-feira passada, a cerca de 100 km à leste da capital Bancoc.

Thompson e Root morreram ao colidir frontalmente com uma picape em Chachoengsao, de acordo com a imprensa local.

A Embaixada do Reino Unido na Tailândia foi procurada pela BBC Brasil para maiores detalhes do caso, mas não deu entrevista até a tarde desta segunda-feira. A representação afirmou apenas que “todos os esforços estão sendo feitos para ajudar as famílias das vítimas”.

Two on Four Wheels - Foto: Divulgação / Tree Hugger.

Root era morador da ilha de Jersey e cresceu em Guernsey. Thompson era de Bristol. Ambos se conheceram há 14 anos na faculdade Falmounth College of Arts – onde estudavam arte.

A dupla tinha um blog, uma página no Twitter e postava vídeos no Vímeo (site de compartilhamento de vídeos) narrando a aventura que começou em julho de 2011. Eles já haviam pedalado mais de 25 mil quilômetros.

A última publicação na internet foi feita há sete dias e mostrava imagens da passagem do casal pelo Camboja em janeiro.

Amigos da comunidade Lonely Planet publicaram comentários no fórum homenageando os ciclistas.

“Se você alguma vez teve a chance de encontrar pelo caminho essas duas pessoas adoráveis, você deve ter sido arrebatado pela generosidade, entusiasmo e jeito de tocar banjo de Peter e ter sido tocado pela natureza gentil, senso de humor e lindo sorriso de Mary”, escreveu o também ciclista Chris Roach.

Mortes no trânsito

Conhecida por seu trânsito caótico, a Tailândia tem uma frota de mais de 25, 6 milhões de veículos e registra cerca de 12,5 mil mortes no trânsito a cada ano, segundo dados da Organização Mundial de Saúde.

São comuns os casos de turistas acidentados, pois é popular o aluguel de vespas e motocicletas para pessoas sem experiência. Além disso, ruas superlotadas com má sinalização e a presença de tuk-tuks, os triciclos coletivos, aumentam os riscos.

Tragicamente, Peter Root comentou em seu blog dias antes de morrer que estava satisfeito com o trânsito na Tailândia, pois era menos barulhento que nas nações vizinhas. “Bom estar em um país onde há menos ação de buzinas”, escreveu ele.

Fonte: BBC Brasil, em 18 de fevereeiro de 2012, às 16h35.

Crítica do livro “Uma viagem de bicicleta por Santa Catarina”

Minha explicação para quem me questionava, era curta e simples: “estou conhecendo o Estado com minhas próprias pernas!”

Claro que meus motivos iam muito além: eu tinha um quê político comigo, subversivo, era um fora-de-esquema no silêncio de minhas pedaladas. Tinha um quê muito pessoal também, de autoconhecimento físico e psíquico. Motivos estes que superavam a simples busca por paisagens bonitas ao meu redor ou então a busca por uma vida “mais saudável”.

Com este fascinante relato, Luã Olsen sintetisa sua travessia de 32 dias por 36 cidades catarinenses no verão de 2012 à bordo de sua bicicleta Helga, colecionando histórias em um tom de descoberta que é característicos em cicloturistas.

“Uma volta de bicicleta por Santa Catarina” apresenta-se como um diário de viagem muito bem elaborado, rico em detalhes que nos mostra pela sua experiência a possiblidade, os percalços e os prazeres de viajar de bicicleta por Santa Catarina, com suas costumeiras ondulações serranas.

Uma volta de bicicleta por SC - Fregolão

Pode ser dividido em duas partes. Em “O Vale Europeu”, percorreu as travessias entre os diversos municípios carimbando um “passaporte” para receber o certificado de travessia, junto com mais dois colegas de viagem. E na segunda parte, denominada de “Sozinho na Estrada”, cruzou o Estado de norte a sul no ímpeto de fazer a travessia da Serra do Rio do Rastro.

Creio que com esta viagem Luã atingiu seus objetivos de reconhecimento de Santa Catarina e seus objetivos de autoconhecimento físico e psíquico, exceto um: o de compartilhar com todos suas ricas experiências com os que tiverem interesse de conhecer sua saga.

Este objetivo final foi conquistado com a publicação desse livreto de bolso, que pode ser uma ótima dica para quem mais queira se aventurar pelos caminhos catarinenes ter uma boa ideia e estar preparado psicologicamente para o que quer que seja.

Mario Sergio Fregolão

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