Amobici promove sua primeira BiciFesta em Florianópolis

Criada em abril deste ano, a AMoBici – Associação Mobilidade por Bicicleta e Modos Sustentáveis promoverá neste domingo, dia de 6 de agosto de 2017, sua primeira atividade ao ar livre, com a realização da 1ª BiciFesta. O evento irá ocorrer no bolsão oeste da Av. Poeta Zininho, a Beira-Mar do Estreito, entre 13h e 17h.

:: Confirme sua presença pelo Facebook!

Para os ciclistas, será uma oportunidade extra de aproveitar a Ciclofaixa de Domingo no vizinho bairro Coqueiros e ainda desfrutar de um espaço com músicas e várias atividades voltadas aos amantes dos pedais.

Naquele espaço ainda subutilizado pela população e com uma das melhores vistas da Baía Norte, poder-se-á encontrar desde uma feira live de peças novas, seminovas e usadas até uma oficina comunitária para aprender a fazer pequenos reparos na sua bicicleta. Para as crianças, uma minicidade montada proporcionará o ambiente prefeito para a Escolinha de Bike. Para os fãs do desporto, a galera do Bike Polo estará na área jogando e ensinando essa modalidade. E se você não tem bicicleta, tudo bem! Poderá alugar uma lá mesmo ou então dispor dos serviços do Ciclotáxi Desterro!

Motivos não faltam para você não comparecer!

Veja abaixo o release divulgado:

Quer conhecer a nova associação de ciclistas da cidade? Vem pra BiciFesta!
Tem uma bike precisando de um trato? Vem pra BiciFesta!
Seu filho quer treinar pedal em um lugar seguro? Vem pra BiciFesta!

A BiciFesta foi preparada com carinho pela Amobici, a nova associação de ciclistas de Florianópolis.

Atrações confirmadas (e GRATUITAS):
+ Ciclotaxi Desterro
+ Oficina comunitária Guerrilla Bike
+ Escolinha de Bike
+ Bike Polo

Também vai rolar:
+ Aluguel de bicicletas e centopéia
+ Feira livre de peças

E o que mais?
Multirão de associação à Amobici, com a camiseta exclusiva + anuidade por R$ 40.

Imperdível, né? Vai lá!

Local: Estacionamento da Av Claudio A. Barbosa 24 (beira mar do estreito) https://goo.gl/maps/CtTJMkEPByP2

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Conexão Montréal #4 – Bicicletada em Montréal

Sei que já faz um tempo a última Bicicletada, mas tenho que contar. Acabei de viver uma experiência muito bizarra na cidade, eu não imaginava que ia ser assim, foi realmente surpreendente. Toda última sexta-feira do mês, tem Bicicletada, ou “Masse Critique”. Para quem tem facebook dá para ver o evento aqui.

Saí do trabalho e peguei a Saint Urbain direto até a Maisonneuve, ambas têm ciclovia, foi easy. Peguei somente um pedaço do caminho sem, mas foi de boa. Estava bem frio, confesso, uns 7ºC. Cheguei na praça tinha 10 gatos pingados. De um lado os anglofónos e de outro os francófonos. Daí, já fui trocando ideia com a galera que fala francês porque eu falo muito mal inglês. Mas ninguém foi muito simpático, hábito comum no norte do mundo. Logo, saímos. Ninguém explicou nada e eu segui o fluxo. Eu perguntei para as pessoas como funcionava e me olharam com uma cara estranha “tipo, que pergunta é esta?!?”. Bom, eu segui pedalando e pensando que se houvesse um cara que nem o Fabiano deste lado de cá, eu não teria ficado no vácuo. Hehehe! Mas daí eu perguntei vocês puxam algum grito em inglês ou francês? E um senhor me respondeu “faz o que você quiser!”. Wow! Muito legal, pensei em ficar quieta e pedalar. Daqui a pouco, tinha um cara de fixa (eu vi uma 3 fixas durante a Bicicletada) que gritava um monte de coisa em inglês. Eu não entendia nada. Este cara puxou alguns gritos e também o caminho, ele parecia legal, mas não consegui trocar ideia com ele por causa da língua.

O mais engraçado foi quando o povo passou o primeiro farol vermelho bem na frente da polícia. Tipo, pensei, agora vou ser multada, sei lá. Mas nem rolou nada. Só que nós fizemos isso direto, andamos na contramão e passamos farol vermelho, andamos no meio do trânsito, no meio de pedestres atravessando na faixa. O oposto da impressão que eu tinha tido sobre a educação do trânsito na cidade, até as pessoas respeitam sinal vermelho, ficam paradas até a luz verde acender, independente da presença dos carros.

Manifestante qui pose.

Manifestante qui pose.

Aqui, eu vi a face anárquica da Massa Crítica. Bom, mas éramos poucos uns 30 no máximo. Depois eu vi na página do evento uma galera reclamando disso, que podia ser mais assim, ou mais assado. Sei lá! Cada um com os seus problemas é um lema do lado de cá do mundo.

Eu me apresentei para uma mina na hora que eu cheguei. E no meio do pedal ela me perguntou, e aí, que tá achando? Eu falei para ela que estava super anárquico para mim. Falei também que a gente gritava mais, e todo mundo junto, que somos mais certinhos no trânsito, paramos no sinal vermelho, não subimos na calçada e nem andamos na contramão.

 Aí ela me ensinou os gritos daqui “à qui la rue? la rue à nous!”, que quer dizer, “de quem é a rua? a rua é nossa!”. “Velo-rution!”. Eu escutava “happy friday!” ou “bon vendredi!”, aproveite a sexta. Também ouvi “vem pedalar! é bom para saúde”. “Le velo est bon pour la libido!”. E eu cantei os nossos para ela e traduzi alguns.

A gente gritou bastante depois, mas eu confesso que fiquei com medo da polícia. Só me imaginava presa ou multada. Mas não deu nada. A Bicicletada corria por várias ruas, se meteu no meio do trânsito, entre os carros e fazia muito barulho com gritos, sinetas, buzinas…. mas a impressão que eu tinha é que realmente, não tinha um porquê. Eu sei que o trânsito sempre pode ser melhor. Acho que dou mais valor para o que a gente em Floripa tem feito, todo mês tem um porquê para manifestar enorme. A gente se esforça e se organiza. Aqui a galera é certinha e tá de saco cheio, também é um bom motivo para tocar o foda-se e fechar a semana com um “happy friday!”. Bom, não preciso ter uma opinião fixa, porque estou aqui só de passagem.

Conexão Montréal #3 – Comprando uma bici

A cidade de Montréal é um ótimo lugar para ciclistas, com 600 km em rede de vias para bikes. Montréal é a segunda cidade no mundo mais receptiva para bicicletas. Só perde em transporte ativo para Portland, isto quer dizer que apesar dos diversos investimentos anuais em ciclovias, ciclofaixas, bicicletários, conexões com outros meios de transporte (como metrô e trem), etc. a cidade americana ainda ganha em estrutura.

Estava cansada de ver todo mundo pedalando para todo canto e também de ter que pegar o metrô sempre. Era hora de comprar uma bicicleta. Como vocês sabem eu não sou rica para comprar uma bicicleta nova, que são um pouco mais baratas (sem fazer conversão) aqui do que no Brasil. Então, a minha opção era comprar uma bicicleta usada. Fui em diversas lojas, mas não achava nada direcionado para a minha relação custo benefício.

Foi aí que descobri os dois sites mais usados de vendas de garagem online: Craigslist e o Kijiji. Em ambos, você encontra qualquer coisa. Isso é um tanto complicado, por isso no Kijiji, deve-se ativar o sistema de busca para detalhar a pesquisa e achar o que você realmente está precisando. No Craiglist a coisa é muito mais simples, você entra e aparecem todas categorias possíveis, daí, você seleciona a sua e abre a lista diária de anúncios. Alguns têm fotos e diretrizes geográficas do proprietário. A maioria tem um número de telefone para você ligar ou a possibilidade de responder o anunciante por e-mail. O complicado destes sites é que você pode tomar vários bolos. Eu fiquei no Mile End meia hora esperando o proprietário. Dois dias depois,  vi a bici e nem tava tão boa quanto na foto.

ariel, minha bikeFoi o meu companheiro que acabou encontrando a bike exata para mim, ela é vermelha, uma speed feminina tchecoslovaca, o proprietário morava perto da minha casa e custava $150 dólares canadenses. Nos encontramos duas vezes, a primeira foi para ver a bicicleta, nos encontramos na esquina da Maisonneuve que é uma grande avenida que corta todo o centro e tem ciclovia, foi nela que peguei a bici para dar uma volta. Na manhã seguinte, fechamos negócio. O cara me deu algumas dicas sobre roubos de bicis, me ensinou a trocar de velocidade e me disse onde ficava a bicicletaria mais perto donde a gente estava.

Cadeado U-lock

E agora, pasmem! O cadeado custou a metade da do valor da bicicleta. Os cadeados aqui vêm ficando cada vez mais especiais por causa dos roubos. Eu comprei um do tipo Ulock com uma corda de aço porque provavelmente, minha bici vai dormir sempre na rua. Estes sites são muito interessantes, mas todo mundo se lembra daquela história de uma garota que achou sua própria bicicleta a venda no Craiglist? Esta história aconteceu aqui no Canadá, em Vancouver.

Conexão Montréal #2 – Rolê de Bixi

Logo na chegada ao Canadá, a gente é meio que obrigado a fazer as coisas tradicionais relacionadas a Québec e ao país. Coisa de turista, mas muito legal mesmo assim. Então, minha amiga, uma brasileira que vive aqui há dois anos, me convidou para irmos de bixi no Parc e depois comermos uma “poutine” tradicional do Québec. Já estava há duas semanas sem pedalar então já alimPonto de chegada e partidaentava uma certa fissura. A bixi é um sistema de compartilhamento de bicicletas públicas e existe no mundo inteiro. Esta concepção foi uma ideia de diminuir o uso de automóveis na cidade, melhorando a qualidade de vida e incentivando a prática corporal (prometo explicar isso melhor num outro post). Desde 2008, o serviço é oferecido e sustentado pela energia solar e tem sua comunicação por rede de internet sem fio.

Esta amiga que já vive em Montréal há um tempo é super animada para dar um pedal. Mas não a imagino nunca trocando um pneu e sujando a mão de graxa, porque ela é uma fina! As bixis são perfeitas para ela. Estão espalhadas em pequenos terminais por toda a cidade. No caso dela e de tantas outras pessoas que  alugam anualmente ou por toda a temporada quente, até o inverno, é muito prático e fácil, pois você ganha um cartão específico para retirá-la. A partir de dezembro, o serviço das bixis e todas ciclofaixas e ciclovias são fechadas por causa da neve e viram estacionamentos de carros.

O preço como vocês podem ver é legal. Por um dia é um pouco caro, CAD $ 7, ou ainda dá para usar por 3 dias a 15 dólares canadenses. O melhor negócio é fazer o plano de $82,50 por ano ou $37 por mês, isto é, somente entre a primavera e o outono. Bom, inserimos o cartão de crédito no guichê ao lado do bicicletário de bixis, para usar 24h o serviço, mas ficam retidos $250 do seu crédito durante 3 dias por garantia de perda ou roubo da bixi. Depois de terminada a transação, a máquina imprimiu um código que ao ser digitado na trava da bixi a libera.

BixisAntes de retirar a bicicleta de aluguel,  regulei seu banco na altura do meu osso do quadril e vi se os pneus estavam calibrados. Daí, foi só pedalar até o destino. Se a jornada for muito longa, temos que trocar de bixi pois o trânsito com ela só fica válido durante 45min, não foi o nosso caso. Pedalamos só por ciclovia do bairro Petite Italie até o Parc La Fontaine, 5km num caminho super seguro e que, mesmo com as paradas para as fotos, durou 30min. No caminho, uma pequena subidinha, mas as suas 3 velocidades (“vitesses”) deram conta do recado para a gente chegar sem transpirar.Aviso

A própria bixi é super educativa, pois é cheia de avisos, tais como, “Siga no sentido da circulação e mantenha à direita”; “Não esqueça: as calçadas são reservadas para os pedestres”. No Parc tinha um outro terminal de bixis e foi só prender a bixi de acordo com o aviso “Importante: No retorno, assegure-se que a luz verde se acenda depois de ter trancado a bicicleta no ponto de parada”. Todos estes avisos estão em inglês e francês, as duas línguas oficiais daqui. Existem rumores que o serviço das bixis aqui vai ser totalmente privado, pois agora é ainda uma parte pública. A verdade é que saiu daqui para o mundo e hoje está presente em várias cidades. Depois de todo o passeio, estava morrendo de fome e pronta para atacar, ops, quis dizer, abastecer!

Conexão Montréal #1 – Primeiras Experiências

Meu nome é Viviane, sou uma estudante de mestrado em Educação na UFSC e estou fazendo sanduíche de pesquisa em Montréal na UdeM, Québec, Canadá. Conversei muito com o Fabiano, fundador deste espaço e cicloativista de Florianópolis, sobre como a cidade aqui é receptiva para bicicletas. Como estou no meu período de adaptação, não sei fazer outra coisa que não seja comparar a cidade de onde eu vim com esta onde estou aproveitando a deixa do diálogo e a vontade de trocar experiências, eu e o anfitrião do “Bicicleta na Rua” decidimos abrir um espaço educativo para contar nossas vivências com a bicicleta em várias cidades no mundo. Ele com as suas andanças pela Europa, e eu, aqui, no Canadá.

A minha amiga que me recebeu aqui tem uma speed Peugeot dos anos 60, ela tem muito amor pela bici porque foi da mãe dela. Mas, mesmo assim, ela me emprestou para eu ver um apartamento num bairro vizinho. Foi muito bom, para começar porque nunca andei de speed e a coluna fica bem retinha e a respiração, por consequência, fica bem sincronizada com o movimento do pedal.

No caminho, já na saída peguei a ciclovia e fui direto. Em cada cruzamento, tem um semáforo; na Rue Boyer tem um sinal para pedestres e outro para bicicletas. Outras ruas, sem ciclovia, geralmente têm um sinal só para todos. Todo mundo para no sinal, não tem nenhum danadinho que atravessa fora do verde. Me contaram que se você atravessa no vermelho e a polícia vê, você é multado. Uma infração para pedestres e ciclistas custa 37 dólares canadenses (uma grana preta).

Continuando o relato, passei por um túnel para chegar a Avenida que eu procurava e mesmo sem ciclopista, tinha bastante espaço para mim. Num canto, os carros estacionados e quase um metro da marcação da pista, tranquilidade total. Photo1065Na cidade, nem todos ciclistas usam capacetes ou equipamentos de segurança. Mas eu tava bem devagar, apesar da potência da máquina emprestada.

Cheguei no lugar, e na frente da casa tinha um pequeno pique preto com símbolos de bicis, tipo, estacione aqui.

São os sinalizadores do sistema de estacionamento de carros na rua. Para vocês verem, o mesmo espaço é compartilhado, só que de bike você não paga nada, é só achar um espaço livre. É bem comum ver pequenos bicicletários nas calçadas próximas aos caminhos exclusivos das bicicletas, digo assim pois, tem as ciclovias, ciclofaixas, ciclopistas, etc. Neste dia, eu fiz uns 3km e não senti medo de nenhum carro ou de transitar por aqui de bicicleta, daí, decidi: quero ter uma speed também.

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