Massas Críticas catarinenses – julho de 2015

Julho finda trazendo consigo o frio que teimou em não aparecer no inverno. Mas acalentou sensações mistas de esperança e desconfiança no coração dos ciclistas.

O Floribike prolonga mais um pouco seu fardo de ser o sistema de compartilhamento de bicicletas mais enrolado do mundo. Já são 8 anos do projeto à sua não execução. Mas não deve sê-lo por muito mais tempo. O adiamento, desta vez, foi pouco: para 25 de agosto é a abertura dos envelopes das empresas concorrentes!

Mas as mentiras continuam a permear a administração municipal de Florianópolis.

Neste mês anunciaram, neste mês anunciaram… que foi feita ciclovia na Rua Dante da Pata, nos Ingleses.
Na realidade, na realidade… mesmo com espaço, só há linha branca nas laterais, onde carros ficam a estacionar.

Neste mês anunciaram, neste mês anunciaram… que ciclovia na Rua Padre Rorh, em Santo Antônio de Lisboa há.
Mas omitiram, mas omitiram… que ciclofaixa não é ciclovia e que a Secretaria de Obras optou por um projeto pior e mais caro. Ao contrário da lei, pior para ciclistas e pior para pedestres.

Neste mês anunciaram, neste mês anunciaram… que na revitalização da Av. Ivo Silveira haveria travessia elevada nas ortogonais à via, para facilitar ciclistas, pedestres e cadeirantes.
Mas mentiram, mas mentiram… porque isso lá não haverá!
E omitiram, e omitiram… que vão criar problemas de desenho urbano para poder com asfalto gastar.
(e danem-se pedestres e ciclistas, porque, embora a avenida vá ficar melhor do que hoje, poderia ser ainda mais!)

Neste mês anunciaram, neste mês anunciaram… projetos para a revitalização das avenidas Jorge Lacerda e Waldemar Vieira. E, neles, ciclovia há.
Mas, como era de se esperar,
aos perfis viários analisar,
facilmente se há de notar
que muito se poderia melhorar.

Com as vias daquela largura
aos carros alta velocidade.
E aos ciclistas a amargura
de pista ciclável de tal finura
que se pensa que a mobilidade
é destituída de acessibilidade.

Um projeto melhor se poderia vislumbrar
se com duas rodas ou sola de pé
in loco se observasse
E na cidade reparasse.
Da mobilidade o foco no tripé
daria às ruas um novo olhar, um novo andar.

Ciclistas, pedestres, o coletivo
Será que ainda é difícil pensar nisso?

O lado bom é que ainda há esperança. E elas surgiram num vulto que não se omite. Melhorias à frente frente ao que já existe. Ciclovias recuperadas antes que tardias. E projetos de lei que visam a facilitar a vida do oprimido que não se cansa de pedalar.

Confira abaixo quando e onde os oprimidos catarinenses vão se unir para força adquirir.

Blumenau

Saída às 20h em frente à Prefeitura, na Praça Victor Konder.

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Brusque

Brusque 2015-07-31

Florianópolis

Concentração na pista de skate da Trindade. Saída às 20h.

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Joinville

Joinville 2015
Manifesto de Joinville

Na última terça feira (20), um jornalista alegou em sua coluna que Joinville tem “excesso de ciclovias”.

Nos próximos dez dias estará acontecendo o Festival de Dança em Joinville, um evento que rendeu apelido de “cidade da dança” ao município. Outros apelidos surgiram na história de Joinville, “cidade da bicicleta”, por exemplo, puro marketing usado para vender a cidade com “ar europeizado”, mas sabemos que nada disso corresponde com a realidade. 

Sabemos da precária infraestrutura de Joinville, não só para ciclistas, mas para pedestres, cadeirantes, deficientes visuais e para quem utiliza o transporte coletivo.

O Massa Crítica de Joinville acontece toda última sexta-feira do mês, é um evento que reuni ciclistas de toda a cidade, para promover a cultura do uso da bike, bem como, chamar a atenção para os problemas da mobilidade urbana, especialmente, a infraestrutura cicloviária. 

Pensando nisso, o Massa Crítica deste mês fará uma homenagem à “cidade da dança” e da “bicicleta”, com o número “A dança da bicicleta”.

Participe! Pegue sua zica e venha pedalar por uma cidade melhor!

A “cidade da bicicleta”, nunca foi a “cidade dos ciclistas”!

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Poesia – Bicicleta Fantasma

“Esta poesia é dedicada a todos os ciclistas mortos por atropelamento nesse país e, em especial, ao nosso companheiro ciclístico Egon Koerner Júnior, que falecei atropelado por um motorista bêbado quando participava de uma prova de superação – Audax na cidade de Curitiba.” 

BICICLETA FANTASMA

Cabisbaixa às margens da estrada, subjugada, punida, ignorada, batida pelo tempo.
Sou bicicleta fantasma, minha morte faz te lembrar
Que hoje sou bicicleta sem alma; muitas outras eu tento salvar.
Dividida, atônita, aturdida, pressa ao teu passado; sofro só de vê-los passar sem um corpo a me pedalar.
Sou bicicleta branca, fantasma, sabe lá o nome que querem me dar,
Sou calada, amordaçada, indefesa e não posso falar.

Sou bicicleta sem alma, minha morte faz te lembrar
Ninguém sabe agora és morta.
Nem disso eu posso falar.
Amordaçam minhas rodas, não posso gritar.
Entre amarras e presilhas, meu corpo minhas rodas estão livres mas não posso tu levar.
Sou bicicleta morta, o significado de estar morta só eu posso lhes mostrar.

Sou uma velha, desprezada, reciclada, remontada sabe lá, o nome que querem me dar,
Mas sou bicicleta morta e da morte te fazer lembrar.
Sou menina, sou menino, não importa! Sou simplesmente bicicleta morta.

Fui roubada, ultrajada para outro me usar, mas sou bicicleta morta e pro meu lugar devo voltar.
Vejo amigos, vejo estranhos, vejo a vida me rondar.
Vejo as lágrimas da amada que se curva a chorar.
Vejo luas, tempestades, vejo o inverno passar.
Vejo flores de saudades, lembranças a me acalentar.
Represento vida e morte daqueles que vejo passar.

Sou bicicleta morta, e morta estou,
Sou bicicleta branca, e branca estou,
Sou fantasma sem alma, sabe lá o nome que ainda terei
Fantasma sem alma; morta está… e branca me tornei.
Tu que me fizeste fantasma, branca sem alma, de ti sempre lembrarei.

Nicolau Marques Júnior
[Florianópolis, 2014]

Poesia – Dê um rolê

Pedi minhas contas, viajei e caí no mundão
Vou ver o mundo tendo o mundo como anfitrião
Florestas, rios, cidades e litorais
Pessoas, sentimentos, tradições e rituais
Colocarei meus pés em trilhas, pedras, manguezais
Fazendo o elo entre meus filhos e meus ancestrais
Serei sincero com o meu verdadeiro ser
Quero servir, quero ensinar, eu vim pra aprender

Tainah Lunge

CONEXÃO SUL 2013

Relatos

Dia 1 – Florianópolis à Cachoeira do Amâncio
Dia 2 – Cachoeira do Amâncio a Nova Trento
Dia 3 – Nova Trento

Fotos

Camila Claudino de Oliveira

Fabiano Faga Pacheco / Bicicleta na Rua
Dia 1:FacebookIpernity
Dia 2:FacebookIpernity
Dia 3:FacebookIpernity

João Ricardo Lazaro

Patricia Dousseau

Veja também:Renas Barreto

Hoje as lágrimas lubrificam as correntes
Poesia – Bicicletar é o verbo
Poesia – Descoberta
Poesia – Culto à caixa
Poesia – Peabiru

Poesia – Bicicletar é o verbo

Uma nova onda está surgindo
E não pode mais parar
Todo mundo aderindo
Pra mãe natureza ajudar
Purificar a atmosfera
Tornar melhor nossa terra
Vamos todos pedalar.

Bicicleta é o transporte
De quase todo lugar
Na reta e nas subidas
Nas montanhas e além mar
Serve pro corpo e mente
Torna o sangue mais quente
Vamos todos pedalar.

Jovens, crianças, idosos
Correndo ou devagar
Saem felizes com suas bikes
Alegres a passear
Fazer amigos então
Uns a outros dando as mãos
Vamos todos pedalar.

Tem bike de todo tipo
Se começa vai viciar
É uma linda paixão
Que você tem que abraçar
Te leva a vários lugares
Vais respirar novos ares
Vamos todos pedalar.

Tem muitas competições
Nas estradas a trilhar
Os ciclistas se esforçam
Pelo primeiro lugar
É muito bonito de ver
Bikes coloridas a correr
Vamos todos pedalar.

As mulheres também são feras
Querem sua garra mostrar
Se vestem com muita elegância
De acordo com o lugar
Tem Elas no Pedal
Nas roças de sisal
Vamos todos pedalar.

Grandes viagens são feitas
Nas montanhas e beira mar
Com sua mochilas nas costas
Por esse mundão a trilhar
São os guerreiros ciclistas
Que ganham sem medo as pistas
Vamos todos pedalar.

Seja no deserto de sal
Na Bolivia ou no Pará
Nas trilhas de lama e pedras
Por esse mundo a acampar
Andando em duas rodas
Em linhas retas ou tortas
Vamos todos pedalar.

Tem também os apetrechos
Pra nossa vida salvar
Luvas e capacetes
Óculos pra proteger nosso olhar
Apetrechos obrigatórios
Tem bússolas e tem relógios
Vamos todos pedalar.

É muito gostoso esse esporte
Se você começa vai amar
Brisa fresca no seu rosto
Cabelos no vento a despentear
O cheiro verde do alecrim
A rosa vermelha carmim
Vamos todos pedalar.

Termino aqui meu cordel
Não tenho mais o que falar
O verbo meu bem no momento
É o verbo bicicletar
Eu bicicleto daqui
Você bicicleta dalí
Vamos todos pedalar.

Vamos formar as equipes
Sair por aí a trilhar
Incentivar as pessoas
A natureza preservar
Ela feliz agradece
Nosso coração enriquece
Vamos todos pedalar.

Tenho 63 anos de vida
Só tenho que me alegrar
Tenho uma grande equipe
Que aprendi a amar
TRILHAR SAÚDE E AVENTURA
É adrenalina pura
Vamos todos pedalar.

Minha cidade é guerreira
No sertão ela está
Minha amada Santa Luz
Eu amo esse lugar
Sou Marlene A poetisa
Sou vento, sou fogo, sou brisa
Vamos todos pedalar.

Cordel de Marlene Araújo, “A Poetisa”

Retirado do Vá de Bike.

Veja também:Renas Barreto

Hoje as lágrimas lubrificam as correntes
Poesia – Descoberta
Poesia – Culto à caixa
Poesia – Peabiru

Hoje as lágrimas lubrificam as correntes

Na minha cabeça tem duas rodas e dois pedais
e o tudo ao meu redor está girando

Um frear de rodas grandes
uma caixa gigante verde e uma flor ao lado, caída

Tem lágrimas pelos corredores
e tem um coração parado na esquina…

Simplesmente muito entristecida.
A vida é muito linda e ao mesmo tempo muito frágil.

Tainah Lunge

Título por Thaís Suzana Schadech

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Poesia – Descoberta
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Poesia – Peabiru

Poesia – Descoberta

Renas Barreto

“Descobri o esconderijo da alegria
No dia em que segui o sol.”

Renas Barreto

(Via Facebook)

Veja também:

Poesia – Culto à caixa
Poesia – Peabiru

Poesia – Culto à caixa

Soneto do culto aos carros

“Situação não poderia haver pior”

Um dia desses vi em fila estacionadas
De algum pedestre a ocupar o nobre espaço
Tão grandes caixas de borracha, vidro e aço
Em tom vermelhas, brancas, pretas, prateadas

E lá no fundo é grande o esforço que eu faço
De compreender como tais caixas são amadas
Mais que pessoas, que estão capacitadas
De dar um beijo, um olhar ou um abraço

E se uma delas precisar de área maior
Pode ocupar-se o local das bicicletas
Que são os donos de suas caixas cultuadores

Situação não poderia haver pior
Ter que abrir mão de poucos metros aos atletas
Pois suas caixas são de fato seus amores

Krishna Simpson

Retirado do Jornal Ponte Velha, de 09 de setembro de 2009.
Cena fotografada na ciclofaixa e calçada da Rua Bocaiúva, em Florianópolis, SC, em 29 de setembro de 2010, às 22h00.

Poesia – Peabiru

Aprendi que rias
são braços de mar
que parecem rios.

Por um deles, em tempo
distante, seguiu o hispano
Cabeza de Vaca.

Depois adentrou a mata
em caminhos que os índios
diziam peabiru.

Se foi a ria do Itapocu
ou a ria, mais ao norte,
do Três Barras, pouco importa.

Importa que adiante foi,
descobrindo, passo a passo,
a terra com sua gente.

Por onde andou, até
o Paraguai e além,
buscou a paz
de índios e brancos.

Plantou e colheu.
Mas tal qual rias
não são rios, perdeu
no embate das forças
que, à revelia dos povos,
governam o mundo.

Deixou, no entanto,
a lição: há sempre caminhos
por onde se chega
à riqueza maior
de cada nação, seja ela
letrada ou não:
o respeito sem fronteiras;
a vida acima de tudo.

Alcides Buss

Retirado daqui.

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