Bicicleta roubada no bairro Santa Mônica é recuperada

O Jornal Notícias do Dia, edição online da Grande Florianópolis, publicou matéria sobre a prisão de um ladrão após cometer dois furtos na mesma manhã. Um dos objetos recuperados trata-se de uma bicicleta Caloi. A matéria, publicada no dia 3 de abril de 2017, às 8h54, pode ser encontrada aqui.

Homem é preso por furto duas vezes no mesmo dia em Florianópolis

Intervalo entre as duas ocorrências foi de apenas quatro horas na manhã deste domingo

Um homem de 29 anos foi preso duas vezes neste domingo (2) em Florianópolis. De acordo com a Polícia Militar, o intervalo entre as ocorrências foi de apenas quatro horas, durante a manhã.

A primeira ocorrência aconteceu às 7h15, quando a polícia desconfiou da atitude do homem que estava na avenida Beira-Mar Norte com uma bicicleta e uma caixa de ferramentas. Ao ser abordado, ele confessou que a bicicleta havia sido roubada no bairro Santa Mônica, enquanto que as ferramentas foram furtadas no Rio Tavares.

A polícia deu voz de prisão ao suspeito e ele foi encaminhado para a delegacia, para os procedimentos legais. No entanto, em rondas, a guarnição localizou novamente o criminoso andando no bairro Santa Mônica, por volta das 11h. Ele estava com uma lavadora de alta pressão dentro de um saco de lixo e, durante a nova abordagem, confessou que havia acabado de roubar o objeto de uma loja.

Os policiais conseguiram contato com os donos do estabelecimento, que confirmaram a versão do suspeito. Ele foi encaminhado novamente para a delegacia e, desta vez, ficou detido.

O homem confessou o roubo da bicicleta, das ferramentas e também de uma lavadora de alta pressão. Foto: Polícia Militar/Divulgação/ND.

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Descanse bem, Detinha!

Após vários anos no cicloativismo e já fazendo parte da União de Ciclistas do Brasil, começo a ouvir uma voz dissonante, de um dos centros  não tão conhecidos pelos cicoativistas mais antigos. Vinha de Vitória, no Espírito Santo, aquela voz feminina, uma voz batalhadora, de quem lutava com imenso ímpeto pela mudança de uma situação que gerava – e gera – riscos à vida de quem usa as duas rodas.

Detinha, sempre que possível, queria mais – e fazia mais! Participou do CUC – Ciclistas Urbanos Capixabas, do Bike Anjo e, inclusive, na própria União de Ciclistas do Brasil.

Mas durante muito tempo o seu rosto permaneceu como uma incógnita para mim. Vitória e Florianópolis têm mais em comum do que o fato de serem capitais em ilhas. Ambas são politicamente carentes de planos de estado, aqueles que atravessam governos. Ao menos, de plano de estados que privilegiem a mobilidade humana. Sempre é preciso que a sociedade relembre os políticos para quem eles devem governar e de quem eles devem se lembrar ao planejar uma cidade. Frequentemente, planeja-se para o congestionamento, para as doenças respiratórias, para carros e mais carros.

Não é disso que uma cidade saudável precisa! Eu sei disso e Detinha sabia disso!

Enfim nos encontramos na terceira edição do Bicicultura, ocorrido em maio deste 2016 em São Paulo. A voz ganhou um rosto. A admiração já existia.

Quis o destino que fosse justamente no Festival da Cultura da Bicicleta a única vez que eu me encontrasse pessoalmente com uma das mais atuantes ativistas da bicicleta do país.

Na quinta-feira, 30 de junho, logo após palestrar sobre mobilidade urbana na 6ª Conferência das Cidades, Detinha foi atingida por uma porta recém-aberta, caindo no chão e batendo a cabeça. Entrou em coma após o traumatismo craniano, vindo a falecer horas depois.

Quis o destino que, nas circunstâncias de sua morte, Detinha fosse reconhecida pelo que era e pelo que lutava: uma MULHER que buscava o melhor para a cidade, através de políticas de mobilidade voltada aos pedestres e aos ciclistas. Essa mulher não parava de agir! E foi necessária uma desatenção irresponsável para que ela repousasse.

As batalhas pela sobrevivência aqui em terra continuam. E você lutou bravamente! Queremos nós que tua – a minha, a nossa – luta tenha ajudado a sensibilizar o coração de quem tem o poder de mudança em larga escala. De quem pode salvar vidas ao investir no ser humano e no meio ambiente.

Descanse bem, Detinha!

E obrigado por ter existido.

Detinha Son

Fabiano Faga Pacheco

Bicicleta é tema de debate na Semana do Meio Ambiente da UFSC

Nesta terça-feira, 7 de junho, ocorrerá uma mesa-redonda com a temática “Ciclovias em Florianópolis”, como parte das atividades da Semana de Meio Ambiente da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. As palestras acontecerão a partir das 18h no auditório do Centro Sócioeconômico (CSE).

O debate, mediado pelo Prof. Arnoldo Debatin, contará com a Profa. Dora Orth, engenheira civil do Observatório de Mobilidade da UFSC, que falará sobre a rede cicloviária da Universidade, com a arquiteta Ingrid Etges Zandomeneco, do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), que comentará sobre a rede cicloviária do município, e com o ciclista Audálio Marcos Vieira Jr., do site parceiro Pedala Floripa, que finalizará com a palestra “Ciclovias: boas para você e para o nosso meio ambiente“.

A atividade é gratuita e inscrições podem ser feitas através deste link.

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“Bikes vs Carros” terá exibição gratuita na Virada da Saúde

Como parte das atividades da Virada da Saúde, será re-exibido em Florianópolis o filme “Bike vs Carros”, filmado em cidades como Los Angeles, São Paulo, Amsterdam, Toronto e Copenhagen, mostrando as facilidades e dificuldades com que as gestões públicas tratam da circulação ativa sobre duas rodas, mostrando exemplos positivos e negativos sob a óptica de ciclistas, taxistas, urbanistas e gestores urbanos.

A atividade ocorrerá na Rua Francisca Luiza Vieira nº 53, Lagoa da Conceição, com exibição do filme às 17h30 e roda de conversas com Rafaella Della Giustina, ao final.

Exibição do filme “Bikes vs Carros”

Local: O Sítio
R. Francisca Luiza Vieira nº 53, Lagoa da Conceição.
Data: 30 de abril

  • 17h30 – exibição do filme Bike VS Carro
  • 19h00 – Roda de conversa com ciclistas convidados. Mediadora Rafaella Della Giustina
  • 20h00 – Encerramento

Horário do evento: das 17 às 21h.
Evento gratuito!

Vagas limitadas: faça sua inscrição pelo site ou pelo tel dO Sitio: http://ositio.com.br/

Haverá bicicletário (para quem quiser vir de bike) e estacionamento exclusivo no local.

Florianopolis 2016-04-30 Bike vs Carros

Curitiba: onde estão os 300 km de ciclovias de Gustavo Fruet?

São Paulo está cumprindo a promessa de 400km de ciclovias em 4 anos.
Curitiba parece distante dos seus 300km prometidos.
Em Florianópolis, os 40km prometidos nos primeiros 18 meses não saíram. E os 100km em 4 anos estão a virar piada eleitoral.

Confira o texto sobre Curitiba escrito pelo agora doutor Odir.

as bicicletas

curitiba é uma cidade pela qual tenho apreço: onde moram meus pais. visito-a desde a infância. em 2010 eu achava melhor pedalar em curitiba do que em são paulo, e hoje, cada vez que venho, menos seguro sinto-me ao pedalar por curitiba. e sempre lembro que gustavo fruet, seu prefeito,prometeu em campanha 300 km de ciclovias e foi tomar posse pedalando. mas onde estão pelos menos 100 km de ciclovias novos?

adesivos e tornozeleiras refletivas distribuidos pela prefeitura de curitiba. bons mimos, mas onde estão as novas ciclovias? adesivos e tornozeleiras refletivas distribuídos pela prefeitura de curitiba. bons mimos, mas onde estão as novas ciclovias?

Não sejamos injustos:  áreas calmas foram instaladas em Curitiba, áreas com limite máximo de 40 km/h para os motorizados. Também antigas ciclovias e calçadas compartilhadas forma requalificadas, reformadas.

Mas onde estão os 300 km novos, 300 km de ciclovias prometidos em campanha?

Ver o post original 907 mais palavras

Obras sobre bicicleta serão lançadas na Feira do Livro de Florianópolis

A Feira do Livro de Florianópolis, que está em sua 30ª edição, está em seus últimos dias. Mas até esta terça-feira, 22 de setembro, dois livros com temática que envolvam o universo da bicicleta serão exibidos em lançamentos e sessões de autógrafos para quem estiver nas tendas da feira, no Largo da Alfândega.

A Bicicleta no Brasil 2015

A Bicicleta no Brasil - Feira do Livro

Fabiano Faga Pacheco tem 28 anos, em dez dos quais se viu envolvido com o mundo do ciclismo como parte intrínseca para melhoria da mobilidade urbana e da qualidade de vida das pessoas. É conselheiro da União de Ciclistas do Brasil e membro da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), tendo sido secretário da Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici). Com curso em nível de pós-graduação em Mobilidade Urbana Sustentável, tem participado de projetos de pesquisa, audiências e reuniões para retomada da cultura ciclística do ilhéu e colaborado com o site “Bicicleta na Rua”.

Em “A Bicicleta no Brasil 2015”, Fabiano Faga Pacheco escreve o capítulo referente à capital catarinense, apresentando um panorama histórico sobre o cicloativismo local e as políticas públicas voltadas ao uso da bicicleta no município, num texto com contornos de crônica emoldurado por gráficos das informações mais relevantes.

De Bike, o Sul da França é outra História

De bike, o sul nda França é outra história - Feira do Livro

Isabel Leal Caruso professora de Educação Física e Personal Trainer, formada na UDESC – CEFID em 2013. Viajou por 16 países no mundo e 14 ilhas no Caribe. Foi atleta de Judô e Triathlon obtendo títulos regionais e estaduais. No Jiujitsu, foi diversas vezes campeã estadual em SC e SP, Campeã Sul-Americana, Vice-Campeã Europeia e terceira colocada no campeonato Mundial. Hoje, praticante de Corrida de Aventura, pedala regularmente como forma de treino e também usa a bicicleta como meio de transporte em SP.

Na verdade, a viagem pelo sul da França começou em Barcelona, nordeste da Espanha, onde compraram as bicicletas e, de trem, partiram em direção à fronteira. Daí o casal iniciou a pedalada na cidade francesa de Narbonne, a poucos quilômetros do Mediterrâneo.

Ocupado há dois mil anos pelos romanos, o litoral ainda mostra fortalezas, muralhas, aquedutos e pontes espalhados ao longo de uma paisagem de vinhedos, plantações de oliveiras, vilas e pequenas aldeias medievais. Como além de praticante de corridas de aventura Isabel trabalha como personal trainer, ela conta que se surpreendeu com a geografia suave, que permite a prática do ciclismo e viagens a pessoas comuns, sem grande preparação física.

Além das numerosas ciclovias e da segurança, mesmo quando tiveram que pedalar em rodovias comuns, eles contataram, por meio de aplicativos da internet, inúmeros anfitriões franceses que os hospedaram gratuitamente. Pois foi nessas ocasiões que eles conheceram ciclistas que realizaram grandes viagens, seja do Alasca à Bolívia, como através da Cordilheira dos Andes e também na Austrália, Tailândia e Camboja, além de na maior parte da Europa. No Brasil, Isabel entrevistou importantes membros de associações de ciclistas urbanos que lutam pela divulgação e pela segurança desse meio de transporte e lazer em São Paulo, Balneário Camboriú, Curitiba e Florianópolis.

Nous sommes Charlie Hebdo

Nós temos opções perante a diferença.

Podemos dialogar com ela.

Podemos integrar as opiniões contrárias.

Podemos buscar um consenso.

Podemos, em casos inconciliáveis, respeitar a existência da diferença.

E respeitar a existência do outro.

O que se viu na França nesta quinta-feira, 7 de janeiro, foi uma das mais cruéis demonstrações de ódio que pode ocorrer.

Foi uma exemplificação do desejo pela não existência do outro.

Como se o outro não pudesse existir, com suas opiniões divergentes.

As sátiras de Charlie Hebdo não poupavam nada. Valores ocidentais, cristãos, islâmicos. Nada.

Mas era ela uma publicação que manifestava idéias de uma minoria, assim como este blogue quando surgiu.

Particularmente, não acredito em limites para o humor.

Uma piada pode ter graça ou não tê-la.

Os cartuns de Charlie tinham muita graça para uns e muito pouca graça para outros.

Mas Charlie, com sua arma-caneta, não tirava o direito dos outros em existir.

O atentado de hoje não teve graça alguma – ao menos, para ninguém que preze pela existência da vida alheia, com sua variedade de formas, crenças e pensamentos.

Os tiros de hoje não tiveram graça.

Pensando bem, talvez haja sim um limite para o humor: que ele não tire a preciosidade da vida.

Visto sob esta ótica, o humor de Charlie Hebdo era superior ao não-humor das balas na carne humana que hoje atravessaram os ares de sua redação;

O atentado não é suficiente para calar a voz de quem diferente pensa.

Pode amedrontar, mas não emudecer.

O efeito, provavelmente, será ainda o contrário do esperado: mais canetas cortarão o ar em desenhos repletos de opiniões.

A mera caneta de Charlie é mais poderosa do que as armas que lhe tentaram calar.

Porque, metaforicamente, nesta quinta-feira, todos somos Charlie Hedbo.

charlie hebdo

Saiba mais no Le Monde:

Attentat contre « Charlie Hebdo » : Charb, Cabu, Wolinski et les autres, assassinés dans leur rédaction

2014

O ano que recém-finda foi, de certa maneira, muito especial para mim.

Infelizmente, pouco do que foi feito foi divulgado por aqui. Este foi, à exceção de 2009, quando estreamos em novembro, o ano em que menos publicamos neste site.

Certamente não foi por falta de notícias, embora a inação da Prefeitura de Florianópolis e do Governo do Estado de Santa Catarina tenham dado uma força.

Começamos fevereiro comigo, o editor, eleito para a União de Ciclistas do Brasil, no cargo de Conselheiro Fiscal, durante a terceira edição do Fórum Mundial da Bicicleta, em Curitiba. Desde 2010 membro da UCB, nunca vira uma diretoria mais ativa do que esta atual. Formalizamos parcerias importantes, como com a Aliança Bike, participamos da Brasil Cycle Fair e da Shimano Fest, fomos a Brasília (a UCB, não eu) discutir projetos de lei, mas, talvez a ação mais importante que fizemos foi a Carta de Compromisso com a Mobilidade Ciclística. Candidatos à presidência, ao Senado, à Câmara de Deputados e às Assembléias Estaduais assinaram em concordância com as 14 propostas discutidas por ciclistas de todo o Brasil. Três candidatos ao posto máximo do Executivo brasileiro assinaram: Eduardo Jorge, Marina Silva e Luciana Genro. Eu mesmo tive a oportunidade de falar pessoalmente com Eduardo Campos e Marina e com a coordenação de Reforma Urbana da campanha de Dilma Rousseff. Se esta não assinou a Carta, lançou-nos um compromisso, englobando completamente 8 de nossas propostas, além de outras 4 de forma parcial. Infelizmente, a redução de IPI para bicicletas não foi contemplada, mas esperamos, com as outras demandas, possibilitar a melhoria da qualidade de vida de nossas cidades.

Graças à UCB – e com apoio da Aliança Bike, Bike Anjo e Rede Bicicleta para Todos e patrocínio do Itaú -, terei um capítulo de livro publicado. O livro “Realidade da Bicicleta no Brasil” deverá ser lançado em fevereiro em São Paulo e em Brasília. Talvez isso ajude a alavancar a versão brasileira de “Pedaling Revolution”, que tinha previsão de lançamento durante a mesma edição do Fórum Mundial da Bicicleta no qual fomos eleitos para a UCB… Sonhar nunca é demais!

Enquanto isso, um outo motivo leva-me a não atualizar tanto quanto possível o Bicicleta na Rua, embora continue lendo notícias sobre bicicleta todo santo dia. É um motivo que muito me alegra e do qual, de certa forma, o envolvimento com o ativismo em prol da bicicleta estava me provocando distanciamento. Após cerca de três dezenas de livros e uma centena de artigos lidos, finalmente minha monografia se encaminha para ser término. Será um trabalho interessante sobre a história ictiológica do Estado de Santa Catarina, com dados que estavam esquecidos pela nova geração de pesquisadores que adveio das universidades do sudeste do país. As cerca de 500 páginas escritas à mão denotam o minucioso trabalho de pesquisa que tenho empreendido nos últimos meses. E tomara que seu resultado recompense as notícias que cá deixamos de veicular.

Apesar disso tudo, como se pôde perceber, não deixei a bicicleta de lado. Pelo contrário: o afastamento com as questões municipais desterrenses me trouxeram de volta o prazer de pedalar. Pela primeira vez desde 2008, usei mais a bicicleta do que a motocicleta. Em 2014, finalmente cumpri a promessa dos últimos Réveillons!!! E pedalei em Florianópolis, pedalei em Balneário Camboriú, pedalei em Curitiba e pedalei em São Paulo. É incrível o esforço destas últimas cidades nestas novas gestões. Ao contrário do alcaide de Floripa, os prefeitos de Balneário, Curitiba e Sampa têm me deixado boquiabertos. De maneira geral, as ciclovias e ciclofaixas implementadas nessas cidades são de qualidade razoável a boa e – o principal – funcionais! Hoje, em São Paulo, nos meus maiores deslocamentos eu conto com ciclofaixa em metade do meu caminho, tornando o meu pedalar uma atividade realmente desestressante. A ciclofaixa na Avenida Atlântica, em Balneário Camboriú. realmente me facilitou enormemente os deslocamentos na cidade, além de embelezar a orla. Como foram mostrados pelos estudos divulgados, ambas estão com um bom uso – as ciclofaixas da megalópole paulistana aumentaram em 50% a circulação de ciclistas – inclusive eu!

Em Florianópolis, entretanto, nosso trabalho não tem sido politicamente reconhecido. Os motivos são velhos conhecidos e passam apenas raspando pela falta de vontade política. Apenas nos últimos meses, cerca de 9 operações contra corrupção foram deflagradas pela Polícia Federal em Santa Catarina. Temos 14 dos 23 vereadores indiciados. E olha que as artimanhas que impedem a implantação de ciclovias nem foram ainda alvos… Basta ver mais alguns dos contratos para sinalização vertical de trânsito, retroativo a, pelo menos, 4 anos, para encontrar mais um rombo da ordem de dezenas de milhões de reais aos cofres públicos. Basta ver os contratos de consultoria para projetos de planejamento urbano, referente a 2012, incluindo a Microrrede Cicloviária central, para encontrar outro da ordem de centena de milhar. Se averiguarem a terceirização da menor Ciclofaixa de Domingo do país, encontrarão outro de dezenas de milhar.

O jeitinho da péssima gestão – e infelizmente o prefeito atual de Florianópolis peca enormemente de inabilidade de gestão -, aliado ao populismo, à falta de incentivo aos funcionários de carreira e à própria falta de vontade e de coragem política, são fatores que explicam as desordens que impedem ciclovias novas na Ilha da Magia e no continente lindeiro. Da promessa de 40km concluídos em julho deste ano, foram entregues menos de 1okm de pistas cicláveis pela administração municipal. Teve efeito a recusa de um Diretor de Obras em pedir verbas federais para a cerca de 30km em abril de 2013. Florianópolis ganhou outrossim o posto de Campeã Mundial de Enrolação para Implantação de Sistema de Compartilhamento de Bicicletas (EISCoBi). Os primeiros estudos datam de 2007. O edital está pronto praticamente desde o final de 2013, mas até agora não houve a vontade de relançá-lo.

Como se pode perceber, praticamente todas as notícias de 2014 foram o que chamamos de notícias “requentadas”, aquelas que já haviam sido divulgadas antes, com algum ou nenhum fato novo. Infelizmente, a notícia que acaba de sair na imprensa não é “requentada”: mais um ciclista veio a falecer na ciclofaixa (!) da rodovia (!) SC-401, obra do Governo do Estado de Santa Catarina que o Departamento de Estado de Infraestrutura (DEINFRA/SC) insiste em dizer que “está dentro das normas”, segundo seu presidente Paulo Meller afirmou em 2012. Que Estado que “governa para as pessoas” podem achar “normal” mais de um ciclista falecer ao trafegar numa obra que deveria protegê-lo??? Nenhum em sã consciência. Por sinal, a ciclofaixa na rodovia foi utilizada como antiexemplo do que deve ser feito num dos capítulos do livro “Brasil Não-Motorizado”, lançado em 2013. Espero que mais esta morte demonstre, de uma vez por todas, que a obra está completamente fora das normas e que o Ministério Público tome ações no sentido de nos preservar a vida.

Infelizmente, não foi só em obras horrendas (além da ciclofaixa da SC-401, temos as cicloporcarias da SC-403 e da SC-405 em obras) que o governo estadual deixou de governar para as pessoas. Na ALESC, a Assembléia catarinense, o deputado estadual Aldo Schneider (PMDB), líder do governo simplesmente PERDEU o projeto de lei que criava o Sistema Cicloviário Catarinense, que foi discutido por diversas entidades em setembro e outubro de 2013. O projeto será, por questão regimental, arquivado, mas pediremos desarquivamento e o substitutivo já no início da nova legislatura.

No meio de tantas notícias não tão boas, ao menos uma  ótima abre-nos boas perspectivas para o futuro da Região Metropolitana da Grande Florianópolis. Além da recriação do conceito de “Região Metropolitana”, no qual a Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo) fez contribuições em diversas reuniões oficiais, os resultados preliminares do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PLAMUS) foram animadores para quem realmente pensa a mobilidade urbana. Foram levantados contingentes dos esquecidos: das pessoas que circulam sem fazer barulho sobre bicicleta ou enfurnadas no transporte coletivo. Verificou-se que quase metade das pessoas que atravessam as pontes que ligam Ilha da Magia e continente lindeiro o fazem em transporte coletivo, sendo responsável por apenas 3% do espaço ocupado. Um total descalabro da gestão dos transportes evidenciado pelos números. Além disso, os resultados do PLAMUS – o mais abrangente estudo de mobilidade integrada feito em 4 décadas – também deixam evidentes o aumento no número de usuários da bicicleta entre 2011 e 2014.

Foi um ano, de fato, muito interessante para os conceitos que freqüentemente venho reformulando sobre uma cidade com qualidade de vida. Além dos exemplos nacionais citados, neste ano empreendi mais uma viagem para fora do país. Os conhecimentos obtidos lá fora, que pretendo divulgar aqui quando acabar meu terceiro livro (lá para fevereiro), focaram em 2014 nos países-irmãos de cultura latina e ibérica. As realidades das diferentes regiões da Espanha e de Portugal, percorridas majoritariamente a pé com um enfoque em cultura, arquitetura, urbanismo e mobilidade urbana, evidenciam semelhanças e diferenças com o que ocorre no Brasil e fizeram-me enxergar novos horizontes. Na bagagem, foram pouco mais de 70 livros e livretos, metade já lidos, que me fizeram crescer um tanto mais como ser humano.

Quanto mais eu conheço lá fora (agora são cerca de 50 cidades em 7 países percorridos a pé), mais eu posso falar sobre Santa Catarina. E se em 2014 eu pouco relatei cá, foi também o ano em que eu mais dei palestras sobre a temática de mobilidade urbana. Falei em Balneário Camboriú como parte do Bike Anjo Floripa. Falei como ViaCiclo e UCB na Brasil Cycle Fair e na Semana de Engenharia da UFSC. Falei em hang outs, falei em reuniões presenciais e virtuais, o que me veio bem a calhar num ano no qual eu mal parei na cidade em que habito.

E é como habitante desta cidade que eu quero melhorias. Melhorias de gestão em primeiro lugar. Quero mais ciclovias e mais arborização. Quero um aquário municipal ou estadual, que seja também objeto de pesquisas. Quero a aprovação do Sistema Cicloviário Catarinense. Quero o Floribike funcionando. Quero que o Plano Setorial de Mobilidade Urbana seja feito realmente de forma participativa. Eu quero finalmente me formar e partir para o mestrado. Quero ver parte do meu projeto cicloviário para São José implementado. Quero que a Viação Catarinense volte atrás nos seus procedimentos e permita bicicletas em todos os seus veículos que tiverem condições para o traslado. Quero começar a praticar beach tennis. Quero pedalar mais nas ciclovias paulistanas. Quero continuar com saúde. Quero um amor maior. Quero divulgar por aqui apenas boas notícias.

Parte de meus desejos – a parte egoísta deles – depende apenas de mim. Mas parte importante e fundamental deles está alicerçada à vontade e competência de outras pessoas. E são justamente esses os desejos que mais gente vai beneficiar – e por muito mais tempo!

Feliz 2015!

Fabiano Faga Pacheco

Nota de pesar: Jorge Carlos Schaeffer

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“Raça medonha do pedal,
 
É com pesar que comunico o falecimento do nosso amigo e integrante do grupo Duas Rodas, Jorge Carlos Schaeffer (Carioca), por problemas de saúde, aos 64 anos, na última quinta-feira, doa 09/10, na sua cidade natal de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.
 
Ultimamente, não vinha pedalando com o grupo. Seus pedais eram diurnos, mas nos acompanhou durante anos! Tinha como característica pedalar em marchas pesadas e ritmo forte. Com estilo próprio, de ciclista experiente e discreto, colaborou muito para com o grupo por sua amizade e bom humor. Sempre com bom papo e histórias de vida. Deixa saudades. Mas está em bom lugar, com certeza.Vá em paz, amigo!!
Obrigado pelos momentos de amizade e parceria. Fique com Deus.

Att,
Alexandre Souza”

Novo ano para novos hábitos

Virada do ano em Florianópolis, com vista da Av. Beira-Mar Norte e seus 17 min de fogos.

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Agradecimentos especiais à galera da Festa da Bicicleta, responsáveis pela bela mensagem na camiseta – Vinícius Leyser da Rosa, Mario Sergio Fregolão, Marcella Olinto, Naiara Lima, Rafaela Claudia Sotuyo e Luciano Trevisol.

Veja também:

Os desejos

Novidades ciclísticas #4

Rota Márcia Prado não terá descida oficial em 2013 – A já tradicional pedalada de descida de São Paulo a Santos pela antiga estrada da DERSA não será realizada este ano pelo Instituto CicloBR. Batizada em homenagem a uma amiga nossa, falecida três dias após sinalizar a estrada que, em 2008, fora arbitrariamente bloqueada para ciclistas, a oficialização da Rota Cicloturística Márcia Prado precisa ser finalizada. O CicloBR focará suas atividades para que a descida possa ser feita no ano todo. O link contém dicas para quem pretende mesmo assim percorrer de bicicleta o trecho, sozinho ou em grupo.

Caminhão atropela mulher e criança na zona Norte de Joinville – Automóvel atropelou duas pessoas na Rua Ponte Serrada, no Jardim Iririú, na quarta-feira (27). A mulher, de 30 anos, ficou gravemente ferida.

Programação do Seminário de Mobilidade Ciclística de Camboriú e Balneário

Inscrições gratuitas em www.acbc.com.br/seminario

Folder SICBCMC - Inteiro - Corel - Md

Saiba mais…

Aplicativo para pedalar em Florianópolis

No final de 2012, foi dada a idéia do Projeto Floripa in Bike (ou Bike in Floripa). Este projeto consiste na execução de um aplicativo para smartphones no qual constariam as estações de aluguel de bicicleta e das ciclovias da cidade.
Continue lendo…

Entrevista com Carme Miralles-Guasch

Na passagem da professora Dra. Maria Carme Miralles-Guasch por Florianópolis, na qual ela ministrará a disciplina condensada “Mobilidade Urbana Sustentável”, pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGG) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a repórter Carolina Dantas, do Diário Catarinense, lançou questões para a pesquisadora, cujas respostas você confere a seguir.

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No Dia dos Pais, Ciclofaixa de Domingo terá escolinha para crianças

Saiu no site da Prefeitura Municipal de Florianópolis em 9 de agosto de 2013:

Novidade na Ciclofaixa de Domingo

A Prefeitura Municipal de Florianópolis entra na terceira semana do Projeto Ciclofaixa de Domingo, que acontece das 08h às 17h, no trecho entre a Praia do Itaguaçu e a Beira Mar do Estreito. Desde a última edição, o aterro do Continente está destinado ao lazer comunitário.

Neste domingo, a novidade será a “Escolinha Bike”, oferecida para que as crianças possam aprender não só a pedalar, como também ter as primeiras noções de segurança e educação no trânsito.

No local, haverá ciclistas orientando as crianças e supervisores do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, coordenados pela Arqª. Vera Lúcia Gonçalves da Silva, para dar informações. A escolinha funcionará das 08h30 às 12h.

Escolinha Bike funcionará das 08h30 às 12h. Foto: Joel Pacheco.

Escolinha Bike funcionará das 08h30 às 12h. Foto: Joel Pacheco.

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