Minhas Idéias

Acredito que com a entrevista abaixo pode-se entender bastante sobre aquilo que penso e, em última análise, sobre quem sou eu.

A acadêmica de Comunicação Social da USP Drielle Alarcon enviou-me para o seu Trabalho de Conclusão de Curso sobre a relação entre ciclismo e internet uma série de questionamentos. As minhas respostas vocês vêem a seguir.

1. Faz quanto tempo que você adotou a bicicleta como meio de transporte? Quais foram seus principais motivos?

Eu adotei a bicicleta como meio de transporte desde que me mudei para Florianópolis, aos 17 anos. Queria tê-la adotado antes, em 2002, quando ainda estava no ensino médio, mas meus pais me “enrolaram” em me prover uma bicicleta boa, além de terem bastante medo do trânsito. Depois acabei não podendo realizar atividades físicas, devido a uma apendicite. Quando me mudei para Florianópolis, que é onde resido atualmente, em 2005, pode-se dizer que até o local onde resido foi escolhido para facilitar minha ida à faculdade sobre duas rodas. Ganhei uma bicicleta (que teve de ser trocada 2 meses depois por não ser muito boa) e ia pra faculdade com ela em cerca de metade dos dias. Nos demais dias ia de ônibus ou até mesmo caminhando.

Eu – acredito – tenho uma tendência a ver a cidade de uma maneira não muito convencional. Talvez por isso optei por cursar Ciências Biológicas. Em 2002, queria usar a bike para não depender dos horários dos ônibus, além de achar legal chegar de bike pro colégio. Em 2005, os motivos eram meio diferentes. Devido à cirurgia para a retirada do apêndice e ao período de inatividade que se seguiu, fiquei pré-obeso. Indo de bike pra facul, forçava-me a fazer exercícios físicos (e emagreci de monte!). Ano passado, 2007, voltei a morar em São Paulo durante 1 semestre. Eu estava com labirintite (síndrome vestibular) e parecia (a todos, incluindo aos médicos) melhor se eu tivesse minha família por perto – em Floripa eu moro sozinho e seria difícil conseguir auxílio fácil. Voltei pra São Paulo, mas deixei a minha bicicleta em Florianópolis. Após ter melhorado, acabei por ganhar uma nova bicicleta, já em dezembro. Foi aí que participei da Bicicletada São Paulo e voltei a fazer várias coisas de bike nessa capital. E é claro que, apesar de gostar de andar de bicicleta, adorei quando foi possível a integração com o metrô. Eu costumo levar a minha bicicleta nas cidades nas quais vou. Ela já esteve em Curitiba, Floripa, São Paulo e Uberlândia. E eu também preciso levar bagagem, então o acesso ao metrô me facilitou bastante nessas ocasiões.

2. Com que freqüência você costuma utilizar a bicicleta (ex: duas vezes por semana, etc)? Com qual finalidade (ex: ir até o trabalho, etc)?

Eu posso usar a bicicleta quase todos os dias. As exceções são em dias de chuva ou de doença (e alguma eventual preguiça). A maior parte do meu percurso é residência <-> faculdade, mas eu posso ir a qualquer lugar com ela. Percursos mais longos (acima de 15km em Floripa) eu opto por usar, às vezes, o transporte público (coisa que aconteceu 6x esse ano) e por vezes utilizo uma motocicleta. Eu uso a bicicleta desde para fazer deslocamentos urbanos até para passear pela cidade, inclusive indo à balada e a bailes. Amanhã vou à praia de bike (uns 30km de ida).

Em São Paulo, recomecei a usar a bike em meus deslocamentos em 2007, como falei antes. Em geral, ia, de vez em quando, entre a Mooca, Vila Mariana e Praça do Ciclista/Jardins. Como trabalhava com dança neste período, não ia ao trabalho de bicicleta, usava ônibus e metrô. Em julho, quando passei minhas férias em São Paulo, levei minha bicicleta comigo e variava os dias entre usar o transporte público e a bicicleta (metade dos dias num modal e metade no outro; como era normal voltar depois das 24h, quase não usei a integração com o metrô). Ia a passeios (Lokobikers [+], gente da Bicicletada, a própria Bicicletada, Night Bikers) e também até vários outros lugares, inclusive a um baile da academia de dança na qual eu trabalhara.

Atualmente, se eu morasse em São Paulo e estivesse na USP, iria pra lá de bicicleta também. Os percursos de ônibus não são bons pra esse trecho e eu demoraria quase o mesmo tempo (acho até que demoraria menos de bicicleta). Em 2007, fiz umas matérias na USP, mas era horrível chegar e sair de lá (e permanecer também, mas eu tinha uma bicicleta bem ruim – era tão “boa” que investi apenas na troca dos freios pra descer por lá dentro; os originais não freiavam nem se eu estivesse num plano nem a 2km/h… – para percorrer os trechos lá). Sem contar que, andando de bicicleta conheci bastante São Paulo, sua vida cultural, suas histórias e apreciei bem mais os locais por onde sempre passava quando estava de carona num carro, sem saber como chegar e sem ter tempo de observar.

Apenas para concluir, em Uberlândia levei a minha bicicleta para poder me deslocar na cidade durante um congresso lá realizado. Pude ficar hospedado num lugar barato a 6km do evento e chegava lá rapidinho, sem contar que visitei o centro da cidade e fazia compras (alimentação, necessidades básicas) de bicicleta, além de ir a parques e locais históricos. A maior dificuldade foi levar minha mala até onde ia ficar (da rodoviária ao alojamento) e o caminho contrário, mas na cidade o deslocamento foi ótimo!

3. Você sente que a sua opção pela bicicleta mudou a forma como você vê e se relaciona com a própria cidade?

Com certeza. Vou usar como base São Paulo, que acredito que seja o foco da pesquisa e onde foi bastante evidente as diferenças entre antes de pedalar e depois de pedalar. Eu posso dizer que antes via São Paulo rapidamente e via a cidade através de grandes linhas para chegar onde eu queria (considere também que eu usava bastante o transporte público). Eu sabia que usando o metrô eu chegava onde queria, mas não via o caminho. Eu sabia que, pegando tal ônibus e descendo em tal ponto, chegava em determinado lugar. Ainda se o percurso era curto eu ficava de olho, mas se era mais longo, eu me dispunha a ler. Eu mal olhava a Praça da Sé, apenas passava por ela. De carro, eu, como carona, quase não prestava atenção no caminho que fazia. Eram tantas curvas…

De bicicleta eu comecei a enxergar a cidade como uma rede. Conhecia as ruas e o que havia nelas. Prestava mais atenção em praças, prédios históricos, pontes (e viadutos e elevados), córregos que ainda sobrevivem na cidade, pontos de ônibus. Passei também a não depender de tanta gente para me locomover. De carro, tem-se, costumeiramente, grandes congestionamento (tanto que a CET nem tem divulgado os picos constantemente) e, assim, depende-se do outro (mesmo ninguém abrindo mão de seu veículo). De ônibus, dependo dos horários dos ônibus e da velocidade de sua locomoção (que diminui bastante com bastantes carros nas vias). Com o metrô é mais tranqüilo; às vezes, demoro uns vagões a entrar e à noite há escassez de metrôs, em especial na linha 2-Verde.

Antes eu não reparava muito no trânsito também e em quantos automóveis havia apenas 1 pessoa dentro. Aliás, o fato de ter congestionamento, além de que eu não precisaria, na maior parte das vezes, transportar 2 pessoas, foi uma opção para meus pais terem me fornecido uma motocicleta, e não um carro. [Ela foi necessária porque, por vezes, eu preciso estar num local para fazer coleta de campo bem no comecinho da manhã. Se eu não conseguir carona, uso o transporte público – trajeto de ida de 35km – e, mesmo pegando o primeiro ônibus do dia, não consigo chegar a tempo…]

4. Você acredita que a cidade e o trânsito de São Paulo são receptivos ou hostis ao ciclista urbano? Por quê?

Incrivelmente, a cidade é bem menos hostil que muitas outras, inclusive cidades com bastantes ciclistas, como Rio de Janeiro e Praia Grande-SP. São Paulo está quase sempre congestionada! Felizmente – e eu posso dizer que participei disso – os ciclistas têm obtido bastantes conquistas e vários movimentos, entre eles a Bicicletada, têm contribuído para exercer uma pressão por melhorias ciclísticas. Infelizmente, as mudanças efetivas necessárias passam por uma grande questão cultural, que tende a se alterar, mas demanda cerca de uma geração. O que se deve fazer é conscientizar as pessoas para o uso da bicicleta, suas preferências em relação ao trânsito, legislação e, ainda mais, deve-se conscientizar as pessoas que suas ações por trás do volante podem trazer riscos a outros e que ela deve, independentemente de tudo, respeitar à vida e, conseqüentemente, ao outro. Assim, não seria necessária a demanda por tantas ciclovias, as pessoas e os ciclistas poderiam conviver em paz em uma cidade onde cabem todos.

5. Você tem ou já teve algum tipo de medo ao utilizar a bicicleta como meio de transporte na cidade? Quais?

Na verdade, as pessoas que não a utilizam têm muito mais medo que eu. Quando eu pedalo, eu estou numa situação que oferece, sim, riscos, em geral externos a mim. Podem acontecer inúmeras coisas: eu posso atropelar um gatinho e cair da bike, um carro podem atingir minha roda traseira, alguém pode pegar um tapete de um carro e me atingir nas costas (coisa que já aconteceu com o autor do blog Apocalipse Motorizado), ou pode cair um avião ou um meteoro bem onde eu estou. Alguns desses riscos eu posso evitar e a maioria eu evito praticando um ciclismo seguro (dicas no blog +Vá de Bike+): eu sempre uso de capacete (incrivelmente, tenho um medo quando estou sem ele, rs), mantenho minhas bicicletas revisadas, em São Paulo costumo sair de colete refletor, farol e piscas (em Floripa só uso em percursos mais longos ou à noite), utilizo a rua, não fico espremido perto da calçada (exceto quando ultrapasso os carros), sinalizo os meus movimentos. Com isso, diminui muito os riscos de acidentes. Claro que sempre pode existir aquele motorista bêbado transgressor da Lei Seca e dos direitos à vida, mas isso eu não posso controlar. Se eu fosse me preocupar com esses casos, eu não faria nada na vida.

6. Você usa ou já usou a Internet para procurar informações sobre o ciclismo urbano? Quais sites, comunidades ou fóruns você usa ou usou?

Eu usei e continuo usando. As minhas principais referências estão citadas em meu blog Bicicleta na Rua. Eu comecei a procurar notícias disso a partir de março deste ano, quando entrei no grupo de e-mails da Bicicletada São Paulo (clique nos links e envie um e-mail em branco para participar dos grupos de e-mails) . A partir de lá, procurei algumas referências à Bicicletada e facilmente cheguei nos blogs dos quais mais gosto: Apocalipsse Motorizado, CicloBR e +Vá de Bike+, além do site da Bicicletada, que ainda estava hospedada em um provedor antigo. A partir do grupo de e-mails, fui conhecendo mais sites bem legais, além de vários blogs (muitos dos quais nasceram nesse período). Em Florianópolis, conheci o site da ViaCiclo e também os grupos de e-mails ‘Bicicleta’ (no Yahoo e no Lists, ambos têm um caráter mais local) e da ViaCiclo. Acabei por fundar o grupo de e-mails da Bicicletada Floripa por não ter meio eletrônico similar de comunicação e articulação da Bicicletada (o que se usava antigamente não se servia aos novos propósitos de discussão, apenas de divulgação).

Bom, como falei antes, as principais referências estão no meu blog. Eu acompanho com especial carinho os blogs de São Paulo e Santa Catarina, além daqueles listados em “Aproveite e Veja”. Apenas as referências internacionais estão incompletas (tem o site das “ghost bikes“, o “World Car Free Network“, uma mídia francesa no estilo no bom CMI – Centro de Mídia Independente…)

7. As informações que você encontrou na internet foram úteis? Você precisou pesquisar em outros lugares?

Elas foram, de uma maneira geral, bastante úteis sim. Na internet, você pode encontrar bastante material oficial, encontrei até o livro “Apocalipse Motorizado” em formato .pdf. Lá tem manuais, legislação, relatos, informações, notícias, reportagens. Com a lista de e-mails, fica mais fácil você saber quais informações da mídia são parciais e quais são tendenciosas. Claro que tem até informações tendenciosas ao ciclismo. Em Florianópolis, encontrei uma situação em que não havia blogs sobre ciclismo urbano (na verdade, até tinha, o Ciclonômade, mas o autor do blog hoje vive em San Francisco, EUA) e apenas dois sites oficiais. Aliás, a Bicicletada Floripa, apesar dos seis anos, quase não teve edições antes de reavivá-la em abril deste ano. Aqui tem bastante ciclista, mas pouco cicloativista: muitas das pessoas que participam das discussões em grupos de e-mail e orkut usam o carro para ir até a esquina, e a bike somente para lazer, não vendo os benefícios que isso pode lhe trazer. Com isso, o ciclista urbano não tinha informações muito confiáveis sobre a região. E as informações que saem na mídia costumam ser incompletas. São feitas por gente que não pedala, em outras palavras (rs). [Mas tudo bem, muitas vezes aqueles que fazem ciclovias são engenheiros que nunca pedalaram e, assim, não sabem as necessidades dos ciclistas- tsc] . Assim sendo, por muitas vezes saber a notícia e estar presente em várias das situações e ações relativas ao ciclismo urbano, vi-me na necessidade de criar um blog para isso. O Ciclonômade foi-se em maio, mas em outubro veio o Morro Abaixo (que não é específico de ciclismo urbano, mas também fala sobre ele), em novembro o Bicicleta na Rua e está por vir o Sobre Ruas. Como antigo veículo de comunicação sobre todos os tipos de ciclismo antes dispúnhamos apenas o site da ViaCiclo, que tem as suas limitações justamente por ela ser uma ONG, e do site oficial da Bicicletada, onde, apesar de eu poder escrever muita coisa lá, optou-se por manter a imparcialidade e divulgação de eventos e notícias.

8. Você conheceu outros ciclistas através da Internet ou de encontros combinados pela rede?

Eu pedalava sozinho até 2006, quando conheci pessoalmente, o pessoal do Mountain Bike Floripa, através da comunidade deles no orkut. Apesar de ter tido um pequeno contato com integrantes da Bicicletada paulistana em setembro de 2007, apenas participei de uma Bicicletada após falar com o então moderador da comunidade “bicicletada são paulo“, que me avisou da Bicicletada. Aí então passei a acompanhar a comunidade e depois o grupo de e-mails. Além da Bicicletada, são realizados outros passeios pelo grupo, e eu participei de alguns assim quando estive em São Paulo. Ainda em Sampa, conheci alguns grupos que pedalam, como os Lokobikers [+] e os Night Bikers através do Passeios em São Paulo. Em Florianópolis, além de marcamos pedais pelos grupos de e-mails da Bicicletada Floripa, combinamos também através do Duas Rodas, que eu conheci através do site da ViaCiclo e também vendo o grupo passar por mim uma vez. Tenho participado também de pedaladas oficiais, como a do Dia Mundial Sem Carro. Fora isso, mantenho contato fora da rede. Conheci projetos ciclísticos de gente que não tem acessado a internet regularmente através de palestras e cursos. De maneira geral, conheci bastante (mas bastante mesmo) gente primeiramente através da internet e depois num pedalzinho.

9. Qual a importância que você vê em movimentos como a bicicletada (Critical Mass) ou a peladada (World Naked Bike Ride) realizadas em São Paulo?

Vejo-os como muito importantes. Agora que a Bicicletada Floripa foi reavivada, toda palestra oficial fala da importância dela (inclusive de gente do Ipuf – Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis). Quando não falam, dizem que é porque esqueceram mesmo de citar, mas que têm vontade de participar de uma. Elas são importantes, por um lado porque o ciclista aparece na mídia e, através dela, pode-se gerar uma discussão sobre ele. Mais ainda, as pessoas percebem que os ciclistas existem e que eles fazem parte do trânsito. Exemplo de como reparam na gente: estava eu na Bicicletada São Paulo de julho empurrando a minha bicicleta na calçada (afinal, calçada é lugar de pedestre) e uma pessoa me abordou e falou: “Te vi pelado na [av.] Paulista” (eu não estive no WNBR). Segundos depois, ouvi de um carro parado no congestionamento alguma frase relacionada ao evento. Ou seja, as pessoas passaram a prestar mais atenção na gente. Até novas obras cicloviárias são inauguradas em dias propícios para o aparecimento de ciclistas (em geral, num final-de-semana não chuvoso) para eles apreciarem a cidade e gerarem quórum – afinal, a mídia tem aparecido e feito matérias e o político também se beneficia da mídia (tanto as grandes redes, como as alternativas, como blogs). Com isso, o ciclista chama ainda mais atenção e mais obras cicloviárias são realizadas. Sem contar aquela sensação de estar fazer o  ecologicamente certo…

São esses movimentos que permitem não apenas maior divulgação das causas ciclísticas, mas que tornam a cidade mais humana. Entendendo-se a fundo os princípios da Bicicletada, vê-se que se as pessoas respeitassem umas às outras (incluindo-se aí não apenas o trânsito, mas até muito mais do que até eu costumo imaginar – tem gente que coloca até o capitalismo no meio) e à vida (natureza, meios biológicos – bióticos e físico-químicos), o mundo seria melhor. Eu acredito nisso. E acredito que, se quisermos continuar existindo como espécie, temos que superar as adversidades juntos. Não é um indivíduo que evolui, é uma espécie ou uma população de uma espécie. Precisamos evoluir (inclusive em nossas atitudes) se quisermos todos existir. Se não for os efeitos do aquecimento global, alguma hora o planeta Terra vai deixar de existir. Mas ele não está sendo suficiente nem para nos suportar atualmente. E ainda estamos acabando com aquilo que pode nos fazer viver mais e melhor (ar puro e água reciclados pela natureza, espécies com potencial biomédico, a grandiosa sensação de relaxamento em meio ao mato).

10. Você já participou de algum destes movimentos? Como foi esta experiência?

Apenas um aviso: Bicicletada, Massa Crítica e Critical Mass escrevem-se com letra maiúscula. Peladada, bicicletada pelada são minúsculos. World Naked Bike Ride é maiúsculo. A tradução deste ao português você pode optar entre maiúsculo e minúsculo.

Participei. Segue a seqüência.

Bicicletada São Paulo – dezembro de 2007

Sexta de Bike (da Bicicletada São Paulo) – dezembro de 2007

Bicicletada Floripa – abril/maio/junho de 2008

Bicicletada São Paulo/Bicicletada Curitiba – julho de 2008

Bicicletada Floripa – setembro/outubro de 2008

Foram experiências fantásticas. Aprendi bastante com elas. Pude ensinar bastante também, após muito estudo e reciclagem contínua. Vi a Bicicletada São Paulo antes e depois do “boom” e percebi as diferenças de pedalar quando você tem mais e menos gente. Aqui em Florianópolis ainda somos uma família, mas, com esperanças de crescimento, percebo algumas das dificuldades que enfrentaremos, além das resistências que já sofremos. Posso dizer também que aprendi bastante através dor grupos de e-mail, através da troca de experiências que, em um encontro mensal, não conseguimos compartilhar.

11. Qual a importância que você vê em intervenções na cidade, como a criação da praça do ciclista ou a pintura de bicicletas no asfalto da Avenida Doutor Arnaldo?

O “Ciclista” da praça do Ciclista também é grafado maiúsculo. Praça é facultativo.

São intervenções bastante úteis. Quanto á educação no trânsito, que vem junto com a tão sonhada mudança de mentalidade da população, as pinturas na via são mais efetivas que quase qualquer outra alternativa que o poder público pode tomar. Devemos lembrar que não é viável a construção de ciclovias em vários locais e nem mesmo ela é desejada. O importante é que, não importe onde tivermos, sejamos respeitados (veja o Manifesto dos Invisíveis). A bicicleta pintada na via é uma forma de o motorista perceber que lá passam ciclistas e também de evitar buzinadas. Imagina a cena: o ciclista está andando na rua e o motorista buzina pra ele. Logo depois, o ciclista aponta para o chão e lá está pintada uma bicicleta, sinalizando que lá é lugar de bicicleta também. E as bicicletas no chão estão espalhadas por toda a cidade. de São Paulo Tem mais quilômetros de bicicletas pintadas seguidamente em ruas (formando uma espécie de “ciclofaixa cidadã”) do que de ciclovias propriamente ditas. Na metade do ano, eram mais de 40km de ciclofaixas sinalizadas pela população e 0km de ciclovias inaugurados. As bicicletas na via também podem ser úteis na instalação de futuras ciclovias e ciclofaixas, pois assim os engenheiros podem fazer uma rota melhor, uma vez que os anseios ciclistas estão, literalmente, impressos no asfalto. A praça do Ciclista eu vejo como uma atividade de caráter mais simbólico, nem tanto prática. Mesmo assim, foi um passo importante para o cicloativismo paulistano.

12. Você acredita que as iniciativas do governo (liberação do uso de bicicletas no metrô e trem, criação de novos bicicletários e ciclovias) possuem alguma relação com os movimentos e manifestações do ciclista urbano? Qual?

Na verdade, eu tenho certeza. Esses movimentos, aliados à deficiência do transporte público e ao uso irracional do automóvel, promovem uma cultura da bicicleta. As pessoas vêem a bicicleta como alternativa plausível na cidade. Muitas começaram a pedalar por causa da Bicicletada (isso acontece aqui mesmo em Floripa, na última edição daqui, 2 pessoas tinham recém-comprado bicicleta após o resultado do Desafio Intermodal, do qual elas participaram e a bicicleta triunfou sobre os demais modais – aliás, isso não foi divulgado na imprensa local, mesmo ocorrendo quase simultaneamente em São Paulo, que teve repercussão no Estado e na Folha, pelo menos). Elas se sentem seguras pedalando em um grupo e, ao mesmo, tempo, aprendem técnicas de pedalar e começam a enxergar a cidade de uma maneira diferente, que não é possível a quem usa o automóvel. Bom, de uma outra forma, a Bicicletada promove, com o acréscimo de ciclistas urbanos, a demanda por recursos, obras e atividades de educação no trânsito. Como têm muitos ciclistas concentrados, que “casualmente” se encontraram para pedalar e realizar as demais atividades, há uma pressão (exercida também através da divulgação em blogs) para a implementação de iniciativas no âmbito político. Os verdadeiros ciclistas urbanos de São Paulo (aqueles que utilizam a bicicleta como meio de transporte em seu cotidiano) são relativamente unidos e estão cada vez mais próximos. Eles (nós) mandam e-mails para empresas e agências para a instalação de paraciclos e bicicletários. Eles denunciam as empresas de ônibus cujos motoristas foram agressivos com ciclistas. Faz-se denúncias à CET sobre irregularidades na infra-estrutura e infrações de trânsito.

O legal é que a Bicicletada não apenas cobra, ela faz. Contribui para a educação no trânsito e realiza intervenções na cidade. Com isso, gera a demanda para a boa vontade política na realização de obras visando à construção conjunta de uma cidade mais humana.

Anúncios

6 Responses to Minhas Idéias

  1. clarice says:

    essas fotus tinhan q ser melhores
    elas estão sem graça colocam ai fotos de velhinhos pelados ai

  2. Alícia says:

    Olá
    Sou repórter do Diário Catarinense e estou fazendo uma matéria sobre o perfil dos usuários de bicicleta. Podemos conversar? Estou no e-mail informado acima. Agradeço a atenção!
    Um abraço

  3. O site abaixo
    https://bicicletanarua.wordpress.com/2009/03/12/manual-do-ciclista-de-florianopolis/ está com a seguinte mensagem:
    “O arquivo está danificado e não pôde ser restaurado”.
    Se puderes disponibilizar o Manual num atalho para uma daquelas páginas de armazenamento e transferência de arquivos melhor. Att, Fabrício (um dos autores do Manual).

  4. Mozart says:

    Prezado,
    Com o fim do domínio geocities, informo que o novo endereço do site umaspedalada (link no “Veja também”) é http://www.lauxen.net

    Abção e parabéns pelo site. Boas pedaladas 🙂

  5. Danielle says:

    Oi, td bem?
    Acompanho o site e pedalo umas duas ou três vezes por semana para o trabalho. gosto muito de pedalar na rua. vc sabe onde arrumo aqueles adesivos de carro que tem o símbolo de distância de 1,5 m de ciclista? queria colar no meu e no carro dos amigos todos. fazer campanha, educar os motoristas. já procurei e não achei. obgd
    Danielle

    • Olá, Danielle!
      Aqui em Florianópolis, você pode encontrar adesivos oficiais para carros e vidros no Instituto de Planejamento Urbano, na Diretoria de Licitações. Algumas pessoas vendem outros modelos (amarelos) na Bicicletada, e você pode perguntar por eles na página do Facebook da Bicicletada de sua cidade.

      Att,
      BnR

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: