Novidades para os pedestres de Joinville

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do jornal A Notícia em 18 de novembro de 2011 (pág. 10). Você pode ver a matéria no site do AN aqui ou no DC aqui.

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Ajuda para travessia


TRÂNSITO

Mais ajuda para os pedestres

Em fase de testes, faixas elevadas obrigam motoristas a reduzir velocidade.

Na hora de atravessar as ruas do Centro de Joinville levando um carrinho com 12 rodas e duas preciosidades, a professora Fabiana Castegnaro costuma ficar do lado oposto ao fluxo enquanto alguém faz sinal para os carros pararem. “Do contrário, é muito difícil fazê-los respeitar os pedestres”, diz.

Agora, com a instalação da “lombofaixa” – faixa de pedestre elevada – na rua 15 de Novembro, Fabiana se sente mais segura para atravessar a rua com as gêmeas Helena e Isabella, de seis meses. Instalado há cerca de dois meses, o novo recurso auxilia o pedestre na travessia e está em teste.

“Para passar pelas “lombofaixas” sem prejudicar o veículo, o motorista tem que trafegar a pelo menos 20 quilômetros por hora. Além de funcionar como obstáculo, toda a regulamentação aplicada às faixas de pedestre comuns valem para a ela”, diz o gerente de mobilidade e acessibilidade do Ippuj, Gilson Perozin.

Com a “lombofaixa”, Fabiana acha mais tranquilo atravessar a rua com as filhas gêmeas no carrinho. Foto: Diorgenes Pandini.

Segundo ele, outro objetivo das faixas elevadas é a acessibilidade, já que elas são feitas no mesmo nível das calçadas. As próximas ruas a receber as “lombofaixas” serão a Pernambuco e a Braço do Norte, ambas na travessia com a Visconde Taunay.

“Na 15 foi um teste e está funcionando bem, mas todos os lugares receberão um estudo para verificar se é possível instalá-las ou é melhor colocar outros obstáculos”, avisa Roberta Schiessl, presidente do Ippuj. A avaliação é a mesma usada na instalação de lombadas comuns.

Outra novidade que deve agradar os pedestres é o passeio elevado – uma rua mais alta, que imita um calçadão, mas com a possibilidade de passagem de carros e pedestres. O novo recurso foi implantado em dois pontos da rua Visconde de Taunay e também na rua Jacob Eisenhut.

Novos prédios em Joinville deverão ter bicicletário

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do jornal A Notícia em 30 de abril de 2011 (pág. 8). Você pode ver a matéria no site do periódico aqui ou a versão on line aqui. As respostas para a enquete “O que você acha da nova lei que obriga estacionamentos a reservarem vagas para bicicletas?” podem ser conferidas aqui.

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Agora é lei ter bicicletário em prédio comercial


ESTACIONAMENTO

Mais espaço para a sua zica

Nova lei impõe que prédios em construção devem ter bicicletário. Medida vale para prédios comerciais, de serviços e de uso institucional.

Se você costuma pedalar e quase nunca encontra lugar para guardar sua bike com segurança em Joinville, esta realidade vai mudar: desde segunda-feira, parte dos projetos de alvará de construção que for levada à Prefeitura deve reservar espaço para bicicletários.

A medida foi imposta como lei complementar e vale para prédios comerciais, de serviços e de uso institucional. Ou seja: lojas, escritórios, clínicas, restaurantes e escolas devem ser obrigados a permitir que os ciclistas guardem suas bikes em locais próprios, com uso de cadeados e correntes.

Mas a nova lei só se aplica aos projetos encaminhados ao poder público a partir desta semana. Assim, quem tem a obra pronta ou em construção não vai precisar fazer mudanças. Os novos projetos terão de garantir espaços para os bicicletários que variam conforme o número de vagas para carros.

Se houver dez vagas de estacionamento para carros, por exemplo, o responsável pela obra terá de reservar a área de uma vaga, ou 12 m², para as bicicletas. A lei complementar prevê que, quanto maior a quantidade de vagas para carros, maior a área do bicicletário.

Como as mudanças da lei só vão ser percebidas daqui a algum tempo, o pedreiro Francisco Chaves, 43 anos, deve continuar pensando duas vezes antes de sair de casa em duas rodas. “Dependendo do compromisso, deixo a bicicleta em casa. Tem dias que é difícil achar lugar na rua”, reclama.

Francisco Chaves vai aos compromissos de bicicleta, mas às vezes não acha vaga. Foto: Claudia Baartsch.

Quando está trabalhando, ele prefere cadear a Monark nos arredores da obra. “Daí não tem perigo de alguém levar embora.” O risco de roubo é outra preocupação entre aqueles que andam de zica e não têm onde deixá-la.

Reportagem de “AN” em 2010 mostrou que Joinville é campeã em números absolutos de furtos e roubos de bicicletas no Estado.

 (veja em PDF)

Saiba mais

A lei não determina o modelo nem o material que deve ser usado para a instalação dos bicicletários. Apenas exige que as construções possibilitem aos usuários a utilização de dispositivo de segurança como cadeados, correntes e correias.

Veja também:

O perfil dos deslocamentos em Joinville
Joinville, a cidade das bicicletas, está sem ciclovias
Joinville fechará avenida para atividades de lazer

O perfil dos deslocamentos em Joinville

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do jornal A Notícia em 14 de julho de 2010 (pág. 4). Você pode ver as matérias no site do periódico nos links: {1} {2} {3} {4} {5} {6}.

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Como e para onde Joinville se movimenta

MOBILIDADE URBANA

Depois do carro, joinvilense vai a pé e de bike

Pesquisa apresentada ontem pelo Ippuj mostra como os joinvilenses se deslocam pela cidade todos os dias.

Do Paranaguamirim, na zona Sul, ao Iririú, na zona Norte, a famosa “zica” e o bom e velho tênis têm sido grandes aliados dos joinvilenses quando eles precisam se locomover pela cidade. É assim, a pé ou de bicicleta, que 34,24% da população têm se movimentado com frequência, número muito próximo dos 34,55% que ainda usam automóvel.

O dado integra a pesquisa de Origem-Destino, apresentada pela primeira vez, ontem, pelo Instituto de Planejamento Urbano de Joinville (Ippuj). O documento retrata, de uma forma ampla, os hábitos de ir e vir dos joinvilenses. Além de destacar como a população se locomove, as estatísticas reforçam realidades que já eram captadas de alguma forma pelos técnicos do instituto.

É o caso, por exemplo, dos microdeslocamentos – ou os deslocamentos dentro dos bairros. A pesquisa apontou que o Centro foi o destino de apenas 9,01% das pessoas que se locomoveram no dia anterior à coleta de dados. Isso significa que grande parte dos joinvilenses não ultrapassa as fronteiras da própria região com tanta frequência.

“Temos, nessa estatística, as crianças que vão para a escola perto de casa, a dona de casa que vai na padaria e o empregado que trabalha perto de onde mora”, aponta o diretor executivo do Ippuj, Vladimir Constante. Segundo ele, essa realidade já era prevista e foi se consolidando ao longo dos anos. Isso porque, de acordo com o arquiteto, o planejamento da cidade partiu para a diversificação do uso dos espaços. “Pelo zoneamento em vigor hoje, temos uma cidade que não é centralizada. Não existe mais o residencial e o comercial, de forma separada”, aponta Constante.

Pesquisa apontou que o Centro foi o destino de apenas 9,01% das pessoas que se locomoveram no dia anterior à coleta de dados. Foto: Fabrizio Motta.

E é justamente por conta dos pequenos centros desenvolvidos ao redor dos bairros que os meios de transporte não motorizados assumem um papel cada vez mais importante no cotidiano da cidade. Pelo menos é nisso que acreditam os técnicos do Ippuj. De acordo com o diretor, as curtas distâncias percorridas pelo joinvilense favorecem esse tipo de locomoção, apontando novas necessidades nos planos para a infraestrutura da cidade.

“É uma forma, também, de resgatarmos uma dívida com esses 34,24% de pessoas que andam a pé ou de bicicleta. Eu não oferecia infraestrutura para esse tipo de deslocamento até um tempo atrás. Agora, temos um dado concreto de que é preciso, também, pensar nessas pessoas”, diz Constante.

De zica…

Alexsandro da Cruz, morador do Paranaguamirim, sai todos os dias em direção ao Costa e Silva (cerca de 16 quilômetros), onde trabalha. Quando volta, sempre aproveita o comércio do “Panágua”. Ele resolve tudo perto do lugar onde mora: padaria, loja, supermercado, farmácia e a lotérica facilitam a vida da família.

Para ir de um ponto a outro, a bicicleta é sua grande aliada. “Gasto cinco minutos para vir da minha casa até a casa lotérica. É muito rápido e é bem mais prático do que vir a pé”, diz. Apesar dos benefícios, ele reconhece que falta segurança “Não tem ciclovia da minha casa até aqui (rua Monsenhor Gercino). Seria bom que tivesse.”

…ou a pé

A dona de casa Teresa Maria dos Passos conhece bem a rua Monsenhor Gercino, na zona Sul da cidade, onde estão concentrados os principais pontos de comércio e serviço do Paranaguamirim.

Como mora muito perto dali, cinco minutos de caminhada são suficientes para conseguir fazer compras ou pagar as contas da casa. “Só vou para o Centro quando preciso pagar contas. Daí, vamos de carro”, conta.

Adepta da caminhada, ela já se acostomou com o problema crônico da falta de infraestrutura nas calçadas. “Tem trechos aqui (rua Monsenhor Gercino) que são mais difíceis, mas ainda assim acho melhor andar a pé”.

Mudar a infraestrutura é um grande desafio

A pesquisa apresentada ontem pode modificar, a curto prazo, os planos previstos para as diferentes regiões da cidade. Prever pavimentação nas ruas, por exemplo, e ignorar que elas precisam de calçadas e ciclovias, seria contrariar o que diz a pesquisa.

“Muita gente anda a pé e essa é a grande necessidade. Querem um viaduto que pode custar milhões, mas esse mesmo recurso pode ser aplicado em quilômetros de ciclovia e de calçadas”, diz o gerente Marcel Virmond Vieira.

Transitar pela cidade em horário de pico é uma boa forma de ver o problema. Na rua Prefeito Wittich Freitag, perto do binário do Iririú, os carros e pedestres andam com relativo conforto, mas essa tranquilidade não é compartilhada pelos ciclistas.

Pedro Marcelo que o diga. Ele mora no Iririú e anda de bicicleta por todo o bairro. Já passou por muito sufoco. “É sempre muito apertado. Prefiro andar de bicicleta. A pé tem lugar que não dá. E, de ônibus, pode demorar muito”.

De bicicleta, Pedro Marcelo divide o espaço nas ruas do Iririú com caminhões, carros e motocicletas.

De bicicleta, Pedro Marcelo divide o espaço nas ruas do Iririú com caminhões, carros e motocicletas.

Mais humanização no trânsito dos bairros

Para o gerente de mobilidade do Ippuj, Marcel Virmond Vieira, os dados sobre como o joinvilense se locomove apontam para uma necessidade urgente: priorizar o homem em relação ao carro. Somado, o número de pessoas que se locomovem a pé (23,11%) ou de bicicleta (11,3%) é praticamente igual ao de motoristas que circulam de automóvel (34,55%).

“Esse dado vem ao encontro da nossa visão de que é preciso olhar para a cidade de uma forma mais humana. As pessoas reclamam do trânsito, dos problemas de congestionamento, mas esquecem que também faltam passeios e ciclovias para o pedestre e o ciclista”, destaca Marcel.

Segundo ele, as informações sobre a micromobilidade também despertaram a atenção dos técnicos e revelam um número acima do esperado. “Em muitos casos, os deslocamentos nos pequenos centrinhos nos bairros passam os 50%. Precisamos fazer uma espécie de revisão das metas de infraestrutura”, argumenta.

(veja em .pdf)

Amanda Miranda

Saiba mais:

Joinville, a cidade das bicicletas, está sem ciclovias – Outrora conhecida como “cidade das bicicletas”, o município catarinense ainda possui poucas infraestruturas adequadas aos ciclistas urbanos.

Veja também:

Joinville fechará avenida para atividades de lazer – A avenida à beira-rio de Joinville é contemplada com o Projeto Joinville em Movimento e é fechada aos domingos para atividades lúdicas.

Morre no México cicloturista Valdo

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição on-line do jornal A Notícia em 02 de março de 2010. Você pode ler a matéria no site do periódico aqui.

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Familiares e amigos lamentam morte de ciclista de Joinville no México

Valdo queria dar a volta ao mundo de bicicleta.

Familiares de Valdecir João Vieira, mais conhecido como Valdo, receberam nesta segunda-feira a notícia de que o aposentado de 65 anos havia morrido no México. Valdo saiu de Joinville em março do ano passado para dar a volta ao mundo de bicicleta. Ele teria sido encontrado morto, dentro de uma barraca, dia 24 de fevereiro. A suspeita é de que a morte tenha sido por causas naturais.

A família foi comunicada por uma mensagem no site onde o ciclista contava as experiências da viagem: http://valdonabike.com. Uma missa será celebrada nesta quarta-feira, às 19 horas, na Paróquia Santo Antônio, na zona Norte. Os parentes ainda não sabem se terão condições de financiar o translado do corpo para Joinville.

A família foi comunicada por uma mensagem no site onde o ciclista contava as experiências da viagem. Foto: Arquivo pessoal.

Saiba mais:

Valdo da bike faleceu no México – informações do site Onde Pedalar.
Valdo na Bike – relato no Maglia Rosa.
Em plena paz, Seu Valdo desencarna fazendo o que mais gostava – relato no Caminhos do Sertão.

Joinville fechará avenida para atividades de lazer

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do jornal A Notícia em 06 de novembro de 2009 (pág. 12). Você pode ler a matéria no site do periódico aqui.

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Um pedaço de rua para o lazer

AN 2009-11-06 fig.1 - ccapa

LAZER

Um convite ao lazer

Avenida Hermann August Lepper será fechada todos os domingos e feriados para criar um espaço de esporte e lazer.

A avenida Hermann August Lepper, a beira-rio, no Centro de Joinville, vai virar um espaço de lazer e esportes a partir deste domingo. Um projeto que envolve desde secretarias municipais até associações e empresas esportivas quer levar adeptos de caminhadas e corridas, ciclistas, skatistas ou apenas joinvilenses dispostos a conviver e se divertir por um dia à sombra das figueiras, às margens do rio Cachoeira.

O projeto se chama “Joinville em Movimento” e está sendo divulgado em cartazes pendurados em postes da própria Hermann August Lepper. A primeira experiência, neste domingo, vai servir como piloto. O sonho, no futuro, é transformar a beira-rio numa espécie de Times Square – a rua mais famosa de Nova York – joinvilense.

Os idealizadores aproveitaram a Corrida Rústica de Joinville, que larga do mesmo local, no domingo, para dar início ao projeto. Nesta primeira edição do Joinville em Movimento, o trânsito será interditado num trecho de 1,5 km entre a ponte no cruzamento da Hermann August Lepper com a Dona Francisca até a ligação com a outra beira-rio, a José Vieira. Agentes da Conurb vão orientar os motoristas.

Avenida Hermann August Lepper será fechada todos os domingos e feriados para criar um espaço de esporte e lazer

Avenida Hermann August Lepper será fechada todos os domingos e feriados para criar um espaço de esporte e lazer.

Cerca de 60 funcionários da Fundação Municipal de Esportes, Lazer e Eventos (Felej) e pessoas da Associação de Corredores de Rua (Corville) darão dicas para quem quiser caminhar, andar de bicicleta ou praticar outros esportes no trecho.

O projeto irá ocorrer aos domingos e feriados, sempre das 7 às 13 horas, até o fim de semana antes do Natal. Por enquanto, não haverá infraestrutura montada no local. A rua será fechada apenas. Em janeiro, a proposta deve ser retomada. O horário foi escolhido por ter movimento reduzido de carros.

Futuramente, a ideia é levar outras iniciativas para a beira-rio como exposições artísticas, feiras de artesanato, de livros usados, espaços para relaxamento, dicas e atendimentos de saúde, brincadeiras, quadras para esportes de rua, obstáculos para esportes radicais (skates e bikes), por exemplo. Se a iniciativa ganhar adeptos, o objetivo é fechar os 5,3 km das duas beira-rios, desde a avenida Procópio Gomes até a rótula da José Vieira aos domingos e feriados.

A iniciativa atende a um dos itens do plano de governo atual, de fechar ruas para a prática de esportes e lazer. Além de Felej e Corville, o projeto envolve Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura, Secretaria Regional do Centro, 42K Assessoria Esportiva, Companhia da Corrida e outros parceiros. A falta de um parque para a cidade e de mais áreas para lazer e esportes está entre as razões da iniciativa, segundo os próprios idealizadores.

Rogério Kreidlow

AN 2009-11-06 - Projeto Joinville em Movimento(veja em .pdf)

Saiba mais:

Por mais áreas para o lazer, verde e vida – Opinião da jornalista Raquel Schiavini sobre o assunto.

Veja também:

Joinville, a cidade das bicicletas, está sem ciclovias – Outrora conhecida como “cidade das bicicletas”, o município catarinense ainda possui poucas infraestruturas adequadas aos ciclistas urbanos.

Joinville, a cidade das bicicletas, está sem ciclovias

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na edição impressa do jornal A Notícia em 05 de novembro de 2009 (pág. 10). Você pode ver as matérias no site do periódico nos links: {1} {2} {3} {4}.

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Pedaladas de alto risco

Foto: Rogerio Silva

CICLOVIAS

Projeto tem. Falta é dinheiro

Para quem usa a bicicleta como principal meio de transporte em Joinville, atravessar a cidade é um desafio. Não há ciclovias em ruas que ligam a zona Sul à zona Norte, como as avenidas Procópio Gomes, Santos Dumont e a rua Florianópolis, situação que obriga os ciclistas a disputar espaço com os automóveis.

Observando este problema, o leitor Alexandre de Oliveira questionou se existe previsão para a construção de ciclovias nessas ruas. “A Notícia” buscou respostas e constatou que, mesmo nos casos em que o projeto já foi elaborado pelo Instituto de Planejamento e Pesquisa para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (Ippuj), os recursos ainda não estão garantidos, não há previsão para o começo das obras e até a Copa e as Olimpíadas, que serão realizadas no Brasil, podem ser um empecilho.

O projeto do Eixo Norte-Sul, também conhecido como binário Procópio Gomes-Urussanga, já foi encaminhado para o Ministério das Cidades, que está reavaliando as propostas pois pretende priorizar as cidades que vão sediar os jogos da Copa do Mundo e das Olimpíadas. E ainda não há previsão para a avenida Procópio Gomes ganhar ciclofaixa e faixas exclusivas para ônibus, conforme prevê o projeto.

Para a avenida Santos Dumont, também há projeto para dar continuidade à ciclovia, que já existe no trecho do novo trevo de acesso às universidades. Porém, segundo o diretor executivo do Ippuj, Vladmir Constante, é necessário aguardar a liberação de recursos para a obra, que requer desapropriações.

Já a rua Florianópolis é a que está mais distante da sonhada ciclovia.

— Não há projeto, mas já existe uma diretriz que estipula que as próximas intervenções na via serão acompanhadas da construção de uma faixa para ciclistas e construção de calçadas seguras —, afirma Constante.

Está longe da meta de 180 km em 4 anos

A Cidade das Bicicletas ainda está longe de fazer jus ao título quando o assunto é infraestrutura. Estima-se que em Joinville exista uma bicicleta para cada dois dos 500 mil habitantes, por isso a intenção do Ippuj em 2010 é duplicar o número de ciclovias (vias exclusivas para bicicletas, separada da rua e da calçada) e ciclofaixas (faixa para bicicletas isolada apenas pela sinalização) em bom estado, que hoje foram uma rede com 71 km. Para isso, está prevista a construção e reforma de outros 70 km de faixas para os ciclistas, contempladas em grande projetos como o dos parques da cidade, a ser realizado com recursos do Fonplata.

— No total, está prevista a construção de 21 km de novas ciclovias e outros 12 km de ciclofaixas que já existem serão reformados —, explica o diretor executivo do Ippuj, Vladmir Constante.

O objetivo é interligar os parques da cidade com as faixas exclusivas para bicicletas, formando um circuito entre essas áreas de lazer.

Na avenida Santos Dumont, ciclistas dividem espaço com os veículos.

Na avenida Santos Dumont, ciclistas dividem espaço com os veículos.

As ruas Rui Barbosa, Piratuba, Marquês de Olinda e Tenente Antônio João estão entre as que ganharão mais ciclovias, completando os trechos que já possuem faixas para os ciclistas. Já Beira-rio, Baltazar Buschle e Helmuth Fallgater terão as ciclovias reformadas. E existe ainda um projeto de implantar uma ciclovia entre a Estação Ferrovária e a Arena Joinville, ao longo do ramal ferroviário que hoje corta a cidade e será desativado após a conclusão das obras do contorno ferroviário.

Além disso, também já existem projetos no Ippuj para a implantação de ciclovias e ciclofaixas nas ruas 15 de Novembro (em trecho da Blumenau ao terminal, no Centro, e também no Vila Nova), Almirante Jaceguay, rua dos Suíços, Miguel Castanheira, Tuiuti e Júpter, obras a serem realizadas com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES).

Se as obras em 2010 seguirem o ritmo deste ano, os projetos não sairão do papel e o prefeito Carlito Merss estará ainda mais distante da meta que traçou, de construir 180 km de faixas para as bicicletas em quatro anos. Isso porque de fevereiro para cá, foram construídos apenas 4 km de novas ciclovias e ciclofaixas. Outros 4 km de ciclovias e ciclofaixas na rua 15 de Outubro, no Rio Bonito, em Pirabeiraba, devem ser finalizados ainda em 2009.

— A secretaria regional já iniciou as obras no acostamento para a pavimentação e implantação de 2,5 km de ciclovias e outros 1,5 km de ciclofaixas —, informa Constante.

Do nada a lugar nenhum

OPINIÃO AMANDA MIRANDA, REPÓRTER DE GERAL

Eu queria ser mais ciclista do que efetivamente sou, mas mergulhar no trânsito caótico de Joinville é um risco que não pretendo assumir. Sem ciclovia, não há segurança. Mesmo os ciclistas mais responsáveis, equipados com capacete, lanterna e espelho, são peças frágeis no meio de tantos carros, ônibus e caminhões.

Quando fiz o teste do ciclista em Joinville, percebi na pele o quanto é urgente – e aparentemente simples – a resolução desse problema. Mas não adianta pensar de forma isolada: hoje, as ciclovias e ciclofaixas começam do nada e terminam em lugar algum.

É preciso que nossos urbanistas projetem malhas cicloviárias, para que os usuários da “zica” consigam fazer seu trajeto de forma 100% segura, sem quebras e sem riscos. Só depois disso poderemos usar com direito o slogan de cidade das bicicletas.

Veja também:

Mais ciclovias em Blumenau
Novas ciclovias em Florianópolis

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