SC-401, a Rodovia da Morte para ciclistas

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, edição de Florianópolis, no dia 07 de fevereiro de 2012 (pág. 3). Você também pode ler a matéria no site do ND aqui. Veja em PDF: {capa} e {pág. 3}.

  

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Violência assusta

SC-401 teve duas mortes de ciclista só este ano, e número preocupa a PM Rodoviária 

Rodovia da morte para ciclistas

SC-401. Em 37 dias de 2012, número de ciclistas mortos já é igual ao total dos últimos três anos.

A soma de mortes envolvendo ciclistas na SC-401, neste ano, já é igual ao total registrado nos últimos três anos. Em apenas 37 dias de 2012, duas pessoas morreram e uma ficou ferida na rodovia. Nos 19,5 quilômetros, do Itacorubi ao Norte da Ilha, apenas 6.5 mil metros têm faixa destinada às bicicletas. Ainda assim, o uso é compartilhado com pedestres e veículos que aguardam reparos. O Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura) não prevê a construção de mais ciclovias na estrada.

Segundo o relações públicas da PMRv (Polícia Militar Rodoviária), major Fábio José Martins, o número de acidentes envolvendo ciclistas preocupa. “A quantidade de pessoas com bicicletas cresceu muito, mas há poucas ciclovias. Vamos começar a trabalhar essa questão”, prometeu.

No último domingo, às 9h30min, Emilio D. C. de Souza trafegava pelo km 18,2, trecho sem ciclovia, da SC-401 quando foi atingido por um automóvel. Ele chegou a ser levado para o Hospital Celso Ramos, mas morreu no começo da tarde. Outro ciclista ficou ferido no acidente. O motorista do veículo Forde Fiesta, Lucas Collovini, 29 anos, se recusou a fazer o teste de bafômetro e a ceder sangue para a realização do exame, que comprovaria a embriaguez. Como ele prestou socorro às vítimas, foi liberado. Collovini se limitou a informar que dormiu ao volante.

O presidente do Deinfra, Paulo Meller, acredita que o acidente foi uma fatalidade. “Não temos projetos para fazer ciclovia naquele ponto. Esse caso foi um acidente. Ele saiu da pista. A ciclofaixa não evitaria o acidente”, justificou Meller. Em relação ao trecho recém-duplicado da SC-401, onde ciclistas e pedestres têm que dividir espaço com carros quebrados, Meller garante que o projeto é adequado. “Está dentro das normas”, defendeu.

Denúncia. Gilbert de Oliveira, 36 anos, disse que se os ciclistas andam no acostamento são jogados para a pista pelos motoristas dos carros que saem das lojas existentes ao longo da SC-401. Foto: Alexandro Albornoz / ND.

“Os motoristas não têm paciência”

O motorista Gilbert de Oliveira, 36 anos, utiliza a bicicleta sempre que pode. Mas ele reclama que falta respeito dos condutores. “Quando você está no acostamento, os carros que saem das lojas ao longo da via ficam empurrando a gente para a pista. Os motoristas não têm paciência com quem está de bicicleta”, reclamou.

Para o major Fábio José Martins, a velocidade permitida na SC-401 é incompatível à realidade da Capital. “É uma rodovia acima da média urbana. Os ciclistas têm que evitar esse local, principalmente o trecho sem ciclovia”, avisou o policial rodoviário.

Flagrante. Rapaz se arrisca ao cruzar SC-401, justamente onde há uma passarela para pedestres. Foto: Alexandro Albornoz / ND. 

Pedestres também correm risco

Os pedestres também correm risco diário ao utilizar a SC-401. Porém, em alguns casos, são eles que colocam em risco a vida dos usuários da estrada. Ontem, a reportagem do Notícias do Dia flagrou uma pessoa atravessando a pista sob uma passarela. Números do setor de estatística da Polícia Rodoviária Militar revelam que cinco pedestres morreram na via no ano passado. Outras 15 pessoas ficaram feridas. Neste ano, não houve mortes.

O trecho recém-duplicado da rodovia, inaugurado em dezembro, tem 8,4 quilômetros de faixa destinada a pedestres e ciclistas e uma passagem subterrânea. Ainda há o elevado da Vargem Pequena. Durante a temporada, 68 mil veículos trafegam diariamente pela SC-401.

Everton Palaoro

Saiba mais:

A mobilidade na Ilha – Editorial do Diário Catarinense fala sobre a rodovia e a mobilidade.
SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão – A liberação consentida da Polícia Militar Rodoviária para automóveis usarem o acostamento coloca em risco a vida de ciclistas.
Ciclistas mortos na Grande Florianópolis após a vigência da Lei Seca – Relação, infelizmente já desatualizada, dos ciclistas que morreram atropelados na região.
A rodovia das mortes – Quando ciclistas são assassinados – Conteúdo do Bicicleta na Rua já previa, em 2009, que mais acidentes como os deste fim-de-semana aconteceriam se não houvesse um redirecionamento dos investimentos e das prioridades.

Veja também:

(Vídeo) Acidente na SC-401 no RBS Notícias – Conteúdo da RBS TV SC.
Acorda Floripa! – Depoimento do triatleta André Puhlmann, que estava pedalando próximo ao local do acidente.
Vídeo e mais comentários sobre a entrevista acerca dos ciclistas atropelados na SC-401 – Conteúdo comentado do Jornal do Almoço.
Comentários e impressões sobre a entrevista sobre o acidente com ciclistas no Jornal do Almoço – Primeira parte dos comentários sobre o vídeo do Jornal do Almoço.
Mais um ciclista morre na SC-401  – Divulgação do último acidente no Jornal Notícias do Dia.
Motorista embriagado que matou ciclista no Jurerê vai a júri popular – Moacir Pereira divulga o andamento do processo do triatleta Rodrigo Machado Lucianetti.

Rio Tavares: comissão de moradores e ciclistas reúne-se nesta segunda

A reunião entre moradores e técnicos do DEINFRA e da Secretaria de Estado de Infraestrutura que ocorreu no dia 4 de janeiro deu origem a duas comissões para solucionar os conflitos na reigão.

A comissão de moradores e ciclistas tem como componentes representantes das associações de moradores do Rio Tavares, Fazenda do Rio Tavares, Cachoeira do Rio Tavares e Porto da Lagoa, além de ciclistas da Bicicletada Floripa, da ONG ViaCiclo e da comissão municipal Pró-Bici. A reunião deles vai ocorrer nesta segunda-feira, 9 de janeiro, às 20h, no Conselho Comunitário da Fazenda do Rio Tavares, próximo ao Terminal de Integração do Rio Tavares (TIRIO). Em reunião anterior que contava com esses mesmos membros foi elaborado um documento, já encaminhado à Secretaria de Estado de Infraestrutura, com assinatura de cerca de 450 moradores, com as solicitações abaixo:

 – Quatro retornos ao longo da Comunidade da Cachoeira do Rio Tavares [onde ocorreu a obra de ampliação da SC-405]
– As marquises dos pontos de ônibus

– Calçadas e acostamento adequados para que todos possam ter acesso
– Ciclovia
– Lombada eletrônica
– Sinalização

A reunião entre os técnicos ainda não possui data marcada, bem como não há previsão de nova reunião envolvendo os técnicos e a comunidade.

Saiba mais:

Nova pista no Rio Tavares trouxe riscos a ciclistas e pedestres em Florianópolis
Rio Tavares: Calçadas e ciclovias, só depois do verão
Reunião para discutir ciclovia na SC-405
(Vídeo) Ciclistas protestam na inauguração da SC-405 no Rio Tavares, em Florianópolis
Rio Tavares: ciclistas protestam por ciclovia
Rio Tavares: pedestres protestam. Deinfra diz que prioridade é para os carros.
Ciclistas de Florianópolis, Itapema e Porto Alegre inconformados
Rio Tavares: obras começam sem ciclovia

Veja também:

Bicicletada dupla em Florianópolis – Em prol dos ciclousuários do Rio Tavares
Pesquisa sobre mobilidade urbana mostra que Santa Catarina está longe de enfrentar o problema com seriedade
Setembro, mês da mobilidade

SC-401 oferece ainda mais riscos aos ciclistas neste verão

A reportagem abaixo foi originalmente publicada no Jornal Notícias do Dia, edição de Florianópolis, em 18 de janeiro de 2011 (pág. 3). Você pode também ler a matéria em .pdf: {capa} {pág.3}.

Risco do trânsito no acostamento

SC-401. Liberação para automóveis tira espaço de pedestres e ciclistas

Devido ao grande fluxo de automóveis na temporada, o acostamento da SC-401 foi liberado ao tráfego. Ciclistas e pedestres ficaram sem espaço. Apesar do Código de Trânsito proteger o ciclista, a polícia diz que a prioridade é o veículo.

SC-401. Liberação do acostamento da rodovia obriga ciclistas a trafegar em meio aos veículos.

FLORIANÓPOLIS – Utilizar bicicleta como meio de transporte na Capital nunca foi fácil, pois muitas ciclovias não são interligadas e grande parte dos motoristas não respeita os ciclistas. Com o início da temporada, a situação piorou. Além da quantidade de veículos ter aumentado e da postura das pessoas ter se tornado mais descompromissado, o acostamento do trecho não duplicado da SC-401, usado como alternativa por quem pedala na estrada, que liga o Norte da Ilha e o Centro, foi liberado para o trânsito nos horários em que o movimento se intensifica.

O analista de sistemas Audálio Vieira Júnior, de 37 anos, é um dos ciclistas que passam pelo local diariamente. Morador dos Ingleses, ele sai de casa toda manhã às 6h40 e chega ao trabalho, no Itacorubi, às 7h40, tendo 20 minutos para guardar a bike, apelidada de guerreira, e tomar um banho no vestiário antes do expediente. Às 17h, ele faz o caminho inverso.

A rotina, desenvolvida devido à insatisfação com o transporte público e à necessidade de praticar exercício físico, já dura dois anos e não é quebrada nem por chuva ou frio. A alteração na SC-401 não o fez desistir de usar a bicicleta para ir trabalhar, mas o deixou apreensivo. “O acostamento não é seguro, mas é o que existe. Sem isso, ficamos muito mais expostos a acidentes”, reclama. Segundo o Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura), a construção de ciclovias ao longo de toda a SC-401 está prevista no projeto de duplicação da via. No entanto, como o governador Raimundo Colombo suspendeu todo os planos estaduais por 120 dias para revê-los, pode haver modificações no projeto.

Hoje, a Capital tem cerca de 40 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. O vice-prefeito e secretário Municipal de Transportes, João Batista Nunes, diz que a intenção é aumentar esse número para 80 quilômetros até 2013.

Acostamento livre para carros até março

De acordo com o sargento da Polícia Rodoviária Estadual Rafael Nicoleit, a situação não deve mudar até o fim da temporada. “O pessoal precisa entender a questão da fluidez do trânsito. Não podemos privilegiar poucos ciclistas em detrimento de milhares que se locomovem com carros”, afirma.

Não podemos privilegiar poucos ciclistas em detrimento de milhares que se locomovem com carros
Rafael Nicoleit,

sargento da Polícia Rodoviária Estadual

O presidente da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis, Daniel de Araújo Costa, rebate. “Eles estão privilegiando pessoas que andam sozinhas de carro em detrimento de um monte de pedestres e ciclistas que circulam naquela região.”

Audálio Júnior. Trajeto perigoso. Foto: Fernando Mendes/ND.

Ciclovias e ciclofaixas
Hoje, a Capital tem cerca de 40 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. A prefeitura pretende aumentar este número para 80 quilômetros até 2013.

Anita Martins

Governador Celso Ramos (SC): estrada boa para que tráfego?

Repare bem na imagem abaixo. Ela mostra um trecho da rodovia SC-410 no município catarinense de Governador Celso Ramos (antigamente chamado Ganchos).

O asfalto desta estrada foi recentemente recuperado, mas a reportagem que ela ilustrava dava conta do aumento de 500% no número de fatalidades em 1 ano. As principais causas seriam a grande quantidade de curvas acentuadas e, claro, a imprudência dos motoristas.

Mas um detalhe chama mais atenção. A legenda dizia: “Recuperada, SC-410 oferece boas condições de tráfego, mas há motoristas abusando da velocidade”.

Agora a indagação: ela oferece boas condições de tráfego a quem??? Ela possui acostamento, calçadas, espaço seguro para ciclistas transitarem? A imagem acima responde a esses questionamentos. E ela não é favorável a quem transita a pé ou de bicicleta.

Ela não tem fornece estrutura para os modos mais elementares e eficientes de deslocamento. Ao mesmo tempo, não oferece situação de tráfego sequer aos automóveis no caso de um acidente, pela ausência de acostamento.

As melhorias feitas na dita via mostram bem em como o Estado de Santa Catarina está defasado em se tratando de mobilidade urbana. Enquanto lá fora, investe-se em estruturas para ciclistas e pedestres, inclusive fechando-se ruas inteiras aos automóveis, por aqui ainda são tímidas as ações em prol de uma verdadeira mobilidade sustentável.

A contradição é que, enquanto se investiu no asfaltamento da rodovia, se oneraram os cofres públicos com a falta de segurança da mesma via, contabilizada pelo incremento no número de acidentes e de mortes. Contradição ainda maior percebe-se ao analisar os dados: aqueles que deveriam ser os maiores beneficiados pelo asfalto novo, os motoristas, foram, também, as maiores vítimas e inteiramente responsáveis pelo crescimento das fatalidades.

PS: cabe salientar que a Lei Estadual Nº 10.728/1998, que proíbe a execução de novas obras sem a instalação de adequada infraestrutura ciclística, foi desrespeitada.

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