Recursos para ciclovias em Florianópolis são usados para outros fins

Conteúdo Especial - Bicicleta na RuaApenas na segunda gestão de Dario Berger, quase R$ 15 milhões que iriam para obras cicloviárias foram usados para outras funções

Foi publicado no Diário Oficial de Florianópolis, no dia 19 de julho, o Decreto nº 11.878, que realoca recursos do orçamento para obras em Florianópolis. E alguns desses recursos dizem respeito ao interesse dos ciclistas do município.

Para a “construção e reforma de calçadas e ciclovias”, por exemplo, foram anulados recursos da importância de R$ 600 mil. Não estão especificados os locais diretamente afetados.

Já é a terceira vez que recursos são retirados para projetos e obras cicloviárias em 2013. Em março deste ano, o Decreto nº 11.310 já havia anulado R$ 500 mil e, em junho, o Decreto nº 11.639havia realocado R$ 6 mil de “divulgação e campanha educativa para o uso da bicicleta” e outros R$ 4 mil de “Micro-Rede Cicloviária” para outras ações. Em compensação, em fevereiro, foram destinados R$ 160 mil reais em recursos próprios para as obras da ciclovia da R. Ver. Osni Ortiga, na Lagoa da Conceição, atualmente em construção.

Não é a primeira vez que o município anula orçamento para obras em passeios e ciclovias. Em 2010, o então prefeito Dario Elias Berger (PMDB), por meio do Decreto nº 8.241, destinou R$ 2 milhões inicialmente previstos para ciclovias para a Operação Tapete Preto/Cinza, projeto de asfaltamento e pavimentação de ruas. Para piorar, nenhuma das obras em novas ruas cumpriu a Lei Complementar Municipal nº 78, que afirma:

Art. 7º Nas novas vias públicas deverá ser implantado sistema cicloviário, conforme estudo prévio de viabilidade física e sócio-econômica, sendo considerado no mínimo a implantação de faixa compartilhada devidamente sinalizada. […]

Art. 8° Os projetos e os serviços de reforma para alargamento, estreitamento e retificação do sistema viário existente a data desta Lei, contemplarão a implantação de sistema cicloviário conforme estudo prévio de viabilidade física e sócio-econômica, sendo considerado no mínimo a implantação de faixa-compartilhada devidamente sinalizada.

Se a mudança de recursos de ciclovias para o Tapete Preto foi algo bastante comum, há casos mais graves. Em 2007, foram retirados R$ 420 mil de projetos de ciclovias e calçadas para a realização do Carnaval do ano seguinte, por exemplo. Outros casos são igualmente emblemáticos. Em 2011, R$ 1 milhão da revitalização das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego, nos bairros Agronômica e Centro, nas quais estavam previstas ciclofaixas, foram alocados no projeto da Rodovia Baldicero Filomeno, no Ribeirão da Ilha. Acontece que, durante a execução das obras, houve mudanças profundas na revitalização desta última e a ciclovia prevista não foi feita, transformando-se num suposto passeio compartilhado sem sinalização, que acabou virando local irregular de estacionamento de automóveis.

A importância de determinados projetos para a administração municipal ficou evidente na realocação de recursos. Em 2011, um decreto destinou recursos de ciclovias para a construção do elevado do Trevo da Seta. Além disso, no mesmo ano, outros R$ 2 milhões da revitalização da Rodovia João Gualberto Soares, tão esperada desde 2008 pelos moradores do Rio Vermelho, acabaram indo para a construção do elevado do Rita Maria.

Trocando em miúdos, a política municipal de mobilidade urbana, expressa pela vontade do prefeito em exercício, desqualificou projetos cicloviários em prol de projetos que visavam ao estímulo do uso do automóvel particular. Não à toa os congestionamentos se agravaram neste mesmo período.

Um levantamento exclusivo mostra como os decretos do chefe do poder executivo municipal realocaram recursos que dizem respeito à política cicloviária municipal a partir de 2007. Estão contabilizados os gastos previstos para “Construção e Reforma de Calçadas e Ciclovias”, “Construção e Recuperação de Calçadas, Praça, Jardins e Ciclovias”, além de recursos destinados à microrrede cicloviária, ao Plano Cicloviário de Florianópolis e a “Divulgação e Campanha Educativa para o uso da Bicicleta”. Também estão contabilizados projetos que envolvem a construção de ciclovias e ciclofaixas, como o caso das revitalizações das ruas Bocaiúva, Frei Caneca, Trompowsky, Almirante Lamego, Ver. Osni Ortiga e Rod. João Gualberto Soares. Não estão contados recursos para a R. Dep. Antônio Edu Vieira, nem a projetos que inicialmente previam ciclovias mas que acabaram sem tê-las, como ocorreu com as rodovias Baldicero Filomeno e Haroldo Soares Glavan. Foi tomado o cuidado para não incluir alguns projetos que se mostraram exclusivos de recapeamento. Confira abaixo os valores

2007

Decreto nº 4.703 – destina R$ 100.000,00
Decreto nº 4.879 – destina R$ 500.000,00
Decreto nº 5.056 – destina R$ 2.600.000,00, sendo R$ 1 milhão do Ministério das Cidades
Decreto nº 5.363 – anula R$ 420.000,00
Decreto nº 5.414 – anula R$ 70.000,00
Decreto nº 5.437 – anula R$ 70.000,00

Total:
Destinados R$ 3,2 milhões
Anulados R$ 560 mil
Saldo R$ 2 milhões e 640 mil

2008

Decreto nº 5.557 – destina R$ 200.000,00 e anula R$ 200.000,00
Decreto nº 5.612 – anula R$ 400.000,00 em recursos da CAF (Cooperação Andina de Fomento)
Decreto nº 5.677 – anula R$ 44.900,00 para ciclovia em Coqueiros
Decreto nº 5.740 – destina R$ 350.000,00
Decreto nº 5.959 – destina R$ 500.000,00
Decreto nº 6.056 – destina R$ 500.000,00
Decreto nº 6.156 – destina R$ 60.000,00 para o continente
Decreto nº 6.230 – destina R$ 40.000,00
Decreto nº 6.311 – anula R$ 20.000,00 para ciclovia na Vargem Grande
Decreto nº 6.339 – anula R$ 320.000,00
Decreto nº 6.388 – anula R$ 79.000,00
Decreto nº 6.389 – anula R$ 40.000,00 do Plano Cicloviário de Florianópolis

Total:
Destinados
R$ 1,65 milhão
Anulados R$ 1 milhão e 103,9 mil
Saldo R$ 546,1 mil

2009

Decreto nº 6.468 – anula R$ 80.000,00 de ciclovia na orla continental
Decreto nº 6.551 – destina R$ 635.000,00 e anula R$ 135.000,00
Decreto nº 7.055 – destina R$ 270.000,00
Decreto nº 7.144 – anula R$ 13.000,00 do Plano Cicloviário de Florianópolis
Decreto nº 7.158 – anula R$ 13.500,00
Decreto nº 7.445 – anula R$ 300.000,00
Decreto nº 7.494 – anula R$ 1.400.000,00
Decreto nº 7.555 – anula R$ 200.000,00
Decreto nº 7.563 – anula R$ 65.000,00
Decreto nº 7.590 – destina R$ 200.000,00
Decreto nº 7.593 – anula R$ 1.000.000,00 de convênio com o BADESC
Decreto nº 7.626 – anula R$ 1.500,00 do Plano Cicloviário de Florianópolis
Decreto nº 7.684 – anula R$ 125.000,00, sendo R$ 95 mil de ciclovia na orla continental
Decreto nº 7.786 – destina R$ 500.000,00 de convênio com o BADESC
Decreto nº 7.827 – anula R$ 240.000,00
Decreto nº 7.967 – anula R$ 1.400.000,00 de convênio com o Governo do Estado

Total:
Destinados
R$ 1,605 milhão
Anulados R$ 4,973 milhões
Saldo R$ 3 milhões e 368 mil negativos

2010

Decreto nº 8.006 – anula R$ 700.000,00
Decreto nº 8.107 – anula R$ 900.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego
Decreto nº 8.119 – anula R$ 200.000,00 da ciclovia da Osni Ortiga
Decreto nº 8.226 – destina R$ 60.000,00, e anula R$ 19.990,00 de ciclovia na orla continental
Decreto nº 8.241 – anula R$ 1.000.000,00, e outros R$ 500.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego e R$ 500.000,00 da Trompowsky, de convênio com o BADESC
Decreto nº 8.459 – anula R$ 100.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego e R$300.000,00 da Trompowsky
Decreto nº 8.514 – anula R$ 2.000.000,00
Decreto nº 8.520 – anula R$ 50.000,00 da avenida Trompowsky
Decreto nº 8.523 – anula R$ 200.000,00 da ciclovia da Osni Ortiga
Decreto nº 8.527 – anula R$ 100.000,00 da ciclovia da Osni Ortiga e R$ 500.000,00 da João Gualberto Soares
Decreto nº 8.612 – anula R$ 6.800,00
Decreto nº 8.637 – anula R$ 54.000,00 da microrrede cicloviária e R$ 5.000,00 de campanha educativa

Total:
Destinados R$ 60 mil
Anulados R$ 7 milhões e 76,79 mil
Saldo R$ 7 milhões e 16,79 mil negativos

2011

Decreto nº 8.699 – anula R$ 1.000.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego, de convênio com o BADESC
Decreto nº 8.769 – anula R$ 200.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego, de convênio com o Governo do Estado
Decreto nº 8.796 – anula R$ 90.000,00
Decreto nº 8.838 – anula R$ 2.000.000,00 da João Gualberto Soares, de convênio com o BADESC
Decreto nº 8.850 – destina R$ 115.000,00, e anula R$ 5.000,00 de ciclovia na orla continental
Decreto nº 9.355 – anula R$ 36.000,00

Total:
Destinados R$ 115 mil
Anulados R$ 2 milhões e 331 mil
Saldo R$ 2 milhões e 216 mil negativos

2012

Decreto nº 9.836 – anula R$ 200.000,00
Decreto nº 10.022 – anula R$ 150.000,00 da ciclovia da Osni Ortiga
Decreto nº 10.035 – anula R$ 25.000,00 da microrrede cicloviária e R$ 1.000,00 de campanha educativa
Decreto nº 10.097 – anula R$ 120.000,00
Decreto nº 10.171 – anula R$ 333.450,00 da João Gualberto Soares, de convênio com a CASAN
Decreto nº 10.339 – anula R$ 800.000,00
Decreto nº 10.382 – anula R$ 450.000,00
Decreto nº 10.478 – destina R$ 1.750.000,00 para a ciclovia da Osni Ortiga, por meio dos Convênios Nº 8071/2012 e Nº 9604/2012
Decreto nº 10.526 – anula R$ 24.000,00
Decreto nº 10.624 – anula R$ 500.000,00
Decreto nº 10.628 – anula R$ 380.000,00, e outros R$ 350.000,00 das ruas Frei Caneca, Bocaiúva e Almirante Lamego
Decreto nº 10.651 – anula R$ 350.000,00 da ciclovia da Osni Ortiga e R$ 250.000,00 da Trompowsky

Total:
Destinados R$ 1,75 milhão
Anulados R$ 3 milhões 933,45 mil
Saldo R$ 2 milhões e 183,45 mil negativos

No total, desde 2007, ao menos R$ 9.490.000,00 foram incluídos por decreto em projetos cicloviários e R$20.138.140,00 foram anulados para essa finalidade. Ou seja, ao todo, mais de R$ 10,5 milhões previstos para obras que englobavam melhoramento em ciclovias e passeios saíram de suas previsões no orçamento municipal com destino a outras ações nos últimos seis anos e meio. O período mais crítico foi durante a segunda gestão de Dario Berger. Entre 2009 e 2012, R$ 3.530.000,00 do orçamento entravam para projetos cicloviários, enquanto outros R$ 18.314.240,00 foram retirados. Apenas nesses quatro anos, quase R$ 14,8 milhões deixaram de ser investidos em ciclovias.

A maior parte desse trânsito de dinheiro ocorreu em orçamentos relativos à Secretaria Municipal de Obras, o que mostra o caráter fundamental que esse órgão teve – ou deveria ter tido – para a construção de pistas cicláveis em Florianópolis. Outros órgãos tiveram bem menos destaque na realocação de recursos, como foi o caso da Secretaria Municipal do Continente e do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), sendo que este último teve apenas verbas cortadas, nenhuma acrescida.

É importante notar como essa maneira de gestão retirou o caráter fundamental do planejamento urbano, que foi notadamente sabotado ao longo da gestão de Dario Berger. A ausência de recursos para se planejar pode ter sido de fundamental importância para a não-destinação de verbas para obras fundamentais de mobilidade urbana por bicicleta.

Os decretos são uma forma de o chefe do poder executivo deliberar sobre questões que são de sua alçada. E a mudança na aplicação de recursos lhe foi respaldada pela legislação municipal, com a aprovação pela Câmara de Vereadores de dispositivos que autorizam essa realocação de recursos pelo prefeito.

As formas pelas quais ocorreram o sumiço de verbas em torno da bicicleta, nos últimos anos, entretanto, demonstram justamente que a cidade viveu no improviso, completamente sentida pela ausência do planejar. Obras discutidas nas comunidades que poderiam ter saído em questão de meses passaram anos sem se fazer serem notadas, justamente por dispositivos legais como esses.

Os dados referentes a esse levantamento não levam em consideração o total de recursos previstos quando da formulação do orçamento municipal e tampouco quanto ao que foi de fato efetivamente aplicado, mas demonstram como as modificações no orçamento feitas pelo prefeito afetaram negativamente a segurança de ciclistas e pedestres ao longo dos últimos anos em nossa cidade.

Com os mais de R$ 10 milhões retirados do orçamento, a cidade poderia não estar hoje defasada em 40km de pistas cicláveis, número que só se fez aumentar nesse período.

Agora, com novo governo, resta ainda saber se a demanda reprimida de ciclistas, que gira em torno de 70% a 74% da população florianopolitana, vai ver novamente o desvio sistemático de recursos que iriam para a segurança do pedalar sendo utilizados para outras finalidades.

Guarda Municipal está multando veículos estacionados sobre as novas ciclofaixas de Florianópolis

A matéria abaixo foi originalmente publicada na versão on line do Jornal Notícias do Dia, em 27 de dezembro de 2012, às 16h31. Consta também do jornal impresso, edição de Florianópolis, no dia 28 de dezembro (págs. 5 e 24). Você também pode lê-la matéria no site do ND aqui. A versão abaixo é um misto de ambas.

 Motoristas estacionam e circulam em locais exclusivos para os ciclistas

Invasão nas ciclofaixas. Ciclistas precisam desviar de carros e caminhões na via que deveria ser livre para o fluxo de bicicletas.

Quem usa a bicicleta como meio de transporte em Florianópolis precisa estar sempre atento aos veículos que circulam pelas avenidas e a falta de cuidado e distância necessária dos motoristas. Porém em alguns pontos, mesmo havendo ciclofaixa, quem pedala não está seguro e precisa muitas vezes desviar de carros caminhões e até disputar espaço no local que deveria ser exclusivo a ciclistas com motociclistas.

Andando pelo Centro da Capital em poucos minutos é possível observar o desrespeito em diversas ruas. As vias com muitos prédios e estabelecimentos comerciais são as mais desafiadoras aos ciclistas. Na rua Frei Caneca, a equipe do Notícias do Dia flagrou um caminhão estacionado em cima da ciclofaixa.

O motorista Jó Nakao, que é funcionário de uma transportadora, estava dentro do veículo e com o pisca alerta ligado. “Precisamos fazer carga e descarga e mudanças, mas aqui é impossível estacionar. Se fico do outro lado os ônibus quase batem na gente e nos prédios ou não tem espaço para caminhão ou não deixam entrar, infelizmente é nossa única opção”, justificou.

José Carlos Ferreira Júnior, entregador de compras, desvia de caminhão estacionado em espaço exclusivo para bicicletas. Foto: Débora Klempous / ND.

José Carlos Ferreira Júnior, entregador de compras, desvia de caminhão estacionado em espaço exclusivo para bicicletas. Foto: Débora Klempous / ND.

Cerca de 500 metros à frente, outro flagrante. Um carro de uma empresa prestadora de serviços estacionado em frente a outro prédio, em cima da ciclofaixa. As justificativas são as mesmas: falta de local para carga e descarga ou o famoso “é só um minutinho”.

Porém, de acordo com a subcomandante da guarda municipal Maryanne Mattos, não há desculpa que justifique a infração. Segundo ela estar dentro do veículo com pisca alerta ligado e sair logo que é alertado não impede o registro da infração e aplicação da multa, que é de R$ 127,69. Para os veículos de carga, quando não há local livre para estacionamento, é possível pedir autorização ao IPUF (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) para estacionar em data e horário específico.

Ciclistas pedem mais fiscalização e consciência dos motoristas

Rosana Klotz Glienke é moradora do Centro e há poucos meses deixou de usar a bicicleta como meio de transporte por causa da insegurança. Ela costumava levava as filhas para escola de bicicleta, mas agora só usa para passeio. Ontem ela seguia com as filhas Sandy e Giulia e a amiga Jessica, pela ciclofaixa, mas estava indo em direção à Beira-mar, onde não precisam desviar de carros, ônibus nem caminhões. O marido dela ia trabalhar diariamente de bicicleta, mas desistiu depois de quase ser atropelado por duas vezes. “O medo nos fez mudar de hábito e infelizmente voltamos para o carro. Precisa fiscalização e multa, mas principalmente consciência das pessoas. Com o desrespeito que há, hoje andamos só para curtir e passear”.

José Carlos Ferreira Junior trabalha como entregador de compras de um supermercado da região Central e, enquanto se deslocava até a casa de um cliente na rua Duarte Schutel, Centro, precisou desviar três vezes de carros e caminhões parados sobre a ciclofaixa. Ele conta que por sorte nunca se acidentou, mas já viu outros colegas machucados e até a bicicleta precisou ser trocada por acidentes provocados pela falta de respeito de motoristas à faixa destinada aos ciclistas.

A empresa instalou até uma buzina no guidão da bicicleta para chamar a atenção quando necessário. “É complicado, tem muita entrada e saída de veículos transversais à faixa. Não sei adianta, mas talvez colocar mais sinalização e fiscalizar mais poderia ajudar. Mas percebo que quando a polícia vem os motoristas saem mas logo voltam”, lamentou.

Segundo Maryanne em apenas um período do dia fazendo ronda no Centro da Capital os guardas flagram mais de dez infrações deste tipo, a maioria em locais de comércio e no período da noite em ruas onde há bares. “A gente pede pra retirar e multa, e os motoristas reclamam dizendo que é falta de bom senso porque já estão retirando o veículo. Mas eles é que não tiveram bom senso na hora de parar ali”, afirmou.

Saiba Mais:
De acordo com o inciso VIII do artigo 181 do Código de Trânsito Brasileiro, estacionar veículo no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovia ou ciclofaixa, bem como nas ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de canalização, gramados ou jardim público é infração grave. A penalidade é multa de R$127,68 e cinco pontos na CNH. A medida administrativa que deve ser aplicada é a remoção do veículo.

Letícia Mathias

Trabalhadores em Bicicletada

Vai acontecer nesta sexta-feira, 27 de abril, com concentração na pista de skate da Trindade a partir das 18h e saída em torno das 20h, mais uma edição da Bicicletada de Florianópolis!

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A Bicicletada ocorrerá em percurso decidido na hora pelos participantes e a pedalada será em ritmo leve, propício para a família. E mais uma vez ela será temática, antecipando o Dia do Trabalhador, mostrando que ciclista também contribui – e muito! – para a economia!

Arte: Tina Merz

Novos e velhos problemas

O mês de abril veio e trouxe com ele tristes novidades para os ciclistas da cidade. Se o recapeamento da Rua Frei Caneca foi verificado na última edição da Bicicletada, a ciclofaixa que existia por ali sumiu e está para ser feita com dimensões ainda menores!

Enquanto o Projeto Rotas Inteligentes, em sua Rota 43, prevê a ciclofaixa com 1,80m e, seguindo lei municipal, pintada na cor vermelha, deixando ainda pista para circulação de ônibus à direita com 3,10m de largura, o que está para sair está invertendo a largura da pista para ônibus com a de automóveis, além de diminuir a ciclofaixa e não pintá-la de vermelho.

De modo semelhante, a ciclofaixa da Cachoeira do Bom Jesus não foi refeita após mais de 6 meses do recapeamento da Av. Luiz Boiteux Piazza, que se seguiu à implantação do esgotamento sanitário.

Outros dois fatos marcaram um abril de reclamações ciclísticas: a ausência de bicicletário no Centro Administrativo estadual, no bairro Saco Grande, e a piora considerável na capa asfáltica da ciclofaixa da Fazenda do Rio Tavares, que foi inaugurada há dois anos e ainda hoje apresenta postes no caminho dos ciclistas.

Buraco na ciclofaixa da Fazenda do Rio Tavares, próximo ao terminal de ônibus TIRIO. Foto: Thaís Suzana Schadech.

Aluguel de bicicletas de Florianópolis deve ficar pronto em novembro de 2012

A reportagem abaixo foi originalmente publicada na versão on line do Jornal Notícias do Dia, edição de Florianópolis, em 28 de setembro de 2011. Você também pode também ler a matéria no site do ND aqui . As pequenas correções foram feitas direto no texto.

Florianópolis terá serviço de aluguel de bicicletas em novembro de 2012

Projeto será semelhante ao do Rio de Janeiro conhecido como Samba.

Seguindo o exemplo de cidades como Paris, Barcelona e Rio de Janeiro, a Capital de Santa Catarina passará a oferecer aluguel de bicicletas na região central da cidade e nos bairros Agronômica, Trindade, Itacorubi e Córrego Grande. O Floribike terá 111 estações e 1.395 bicicletas. A expectativa é de que o serviço passe a operar em novembro de 2012.

O primeiro passo para implantação foi dado nessa quinta-feira com o anúncio do projeto e da audiência pública que definirá o conteúdo do edital de licitação. De acordo com a diretora de planejamento do Ipuf, Vera Lúcia Gonçalves da Silva, serão necessários seis meses para definir o edital, habilitar as empresas canditadas e anunciar a vencedora. Depois disso, são mais oito meses para implantação.

A diretora de planejamento explica que o Floribike funcionará por concessão, ou seja, a prefeitura cederá o espaço público para instalação das estações e a empresa vencedora arcará com os custos dos equipamentos. Os pontos de aluguel de bicicletas já foram definidos, no entanto, ainda não se sabe qual tecnologia será utilizada e qual será o valor do aluguel.

No entanto, Vera Lúcia lembra que o Floribike será semelhante ao sistema de aluguel de bicicletas do Rio de Janeiro, implantado em 2008 e conhecido como Samba (Solução Alternativa para Mobilidade por Bicicleta de Aluguel). Nele, o usuário ganha os primeiros trinta minutos de uso e partir daí paga R$ 10 pela diária, R$ 30 pela semana e R$ 350 para o ano inteiro. Na maioria dos casos, o pagamento é feito com cartão de crédito.

Meta é desafogar o trânsito

Entre os benefícios do aluguel de bicicletas para a mobilidade urbana de Florianópolis está a diminuição do uso do carro e do ônibus em pequenas distâncias (em um raio de 5km). “A pessoa usa o veículo para as longas distâncias, como do Norte ao Centro ou do Sul ao Centro, e na região central se descola de bicicleta”, comenta Vera Lúcia.

O Floribike foi dividido em dois núcleos: o central e o universitário. O primeiro terá 66 estações e 830 bicicletas e inclui pontos como o Ticen (Terminal de Integração do Centro) e ruas e avenidas como Beira-mar, Bocaíuva, Almirante Lamego, Othon Gama D’eça, Mauro Ramos, Rio Branco, Paulo Fontes e Felipe Schimidt.

Já o núcleo universitário, que engloba os bairros Itacorubi, Córrego Grande e Trindade, terá 45 estações com 565 unidades e inclui ruas e avenidas como Gov. Irineu Bornhausen, Lauro Linhares, Titri (Terminal de Integração da Trindade), rodovia Ademar Gonzaga e avenida Madre Benvenuta (Udesc).

Pontos de aluguel de bicicletas

Núcleo central (66 estações com 830 bicicletas)

– Av. Beiramar (trapiche) – 2 estações de 15 unidades.
– Rua Bocaiúva/Almirante Lamego – 2 estações de 15 unidades.
– Av. Prof.Othon Gama D’eça – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Beira-mar – 2 estações de 15 unidades.
– Rua Bocaiúva – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Trompowsky– 1 estação de 15 unidades.
– Rua Bocaiúva (entorno do Shopping Beiramar) – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Mauro Ramos – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Rio Branco – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Beiramar (Entre a Avenida Rio Branco e a Rua Des. Arno Hoeschl) – 1 estação de 15 unidades.
– Rua Desembargador Arno Hoeschl – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Rio Branco – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Rio Branco (próximo ao Angeloni) – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Prof. Othon Gama D’eça – 2 estações de 10 unidades.
– Avenida Rio Branco (1° Regimento da Polícia Militar) – 1 estação de 15 unidades.
– Rua Santo Inácio de Loyola – 1 estação de 15 unidades.
– Largo Benjamin Constant – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Hercílio Luz– 1 estação de 15 unidades.
– Av. Mauro Ramos – 2 estações de 10 unidades.
– Rua Adolfo Konder– 1 estação de 15 unidades.
– Av. Paulo Fontes (Encontro com a Rua Hoepcke) – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Paulo Fontes (Rodoviária Rita Maria) – 3 estações de 25 unidades.
– Rua Padre Roma – 1 estação de 15 unidades.
– Rua Felipe Schmidt (Largo Fagundes) – 2 estações de 15 unidades.
– Av. Osmar Cunha – 1 estação de 15 unidades.
– Rua Deodoro – 2 estações de 10 unidades.
– Largo da Catedral – 2 estações de 15 unidades.
– Rua Marechal Guilherme – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Hercílio Luz – 2 estações de 10 unidades.
– Praça Getúlio Vargas – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Hercílio Luz – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Mauro Ramos (Instituto Federal de Educação) – 2 estações de 15 unidades.
– Av. Paulo Fontes (Acesso ao Ticen) – 3 estações de 15 unidades.
– Rodovia Governador Gustavo Richard – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Paulo Fontes – 2 estações de 10 unidades.
– Rua Procurador Abelardo Gomes – 2 estações de 10 unidades.
– Terminal Urbano de Florianópolis – 2 estações de 15 unidades.
– Praça Tancredo Neves – 2 estações de 15 unidades.
– Av. Hercílio Luz (Instituto Estadual de Educação) – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Mauro Ramos (Instituto Estadual de Educação) – 2 estações de 10 unidades.

Núcleo universitário (45 estações com 565 unidades)

– Av. Beira-mar (Praça Governador Celso Ramos) – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Beira-mar (Praça República da Grécia) – 1 estação de 15 unidades.
– Rua Rui Barbosa – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Gov. Irineu Bornhausen – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Gov. Irineu Bornhausen (Teatro do CIC) – 2 estações de 10 unidades.
– Rua Lauro Linhares – 1 estação de 15 unidades.
– Titri – 2 estações de 15 unidades.
– Rodovia Admar Gonzaga – 2 estações de 10 unidades.
– Rua Willian Richard Schisler Filho – 1 estação de 15 unidades.
– Rodovia Admar Gonzaga – 2 estações de 10 unidades.
– Av. Madre Benvenuta (Udesc) – 3 estações de 15 unidades.
– Rodovia Amaro Antônio Vieira – 1 estação de 15 unidades.
– Av. Henrique da Silva Fontes – 2 estações de 15 unidades.
– Av. Madre Benvenuta – 2 estações de 10 unidades.
– Rodovia Admar Gonzaga (Celesc) – 2 estações de 10 unidades.
– Rua Lauro Linhares (Esquina com a Av. Madre Benvenuta) – 1 estação de 15 unidades.
– Rodovia Ademar Gonzaga (Entre a Rua Vera Linhares de Andrade e Avenida Buriti) – 1 estação de 15 unidades.
– Rua Lauro Linhares (Praça Santos Dumont) – 2 estações de 10 unidades.
– Rua Delfino Conti – 2 estações de 15 unidades.
– Av. Henrique as Silva Fontes – 2 estações de 15 unidades.
– Rua João Pio Duarte da Silva (Parque Ecológico Córrego Grande) – 2 estações de 10 unidades.
– Rua João Pio Duarte da Silva (Encontro com a Rua Mto. Aldo Krieger) – 2 estações de 10 unidades.
– Rua Cap. Romualdo de Barros – 2 estações de 10 unidades.
– Rua João Pio Duarte da Silva – 2 estações de 10 unidades.
– Praça Edison P. do Nascimento – 2 estações de 10 unidades.
– Rua Dep. Antonio Edu Vieira (Eletrosul) – 1 estação de 15 unidades.

Aline Rebequi

Saiba mais:

Florianópolis espera contar com bicicletas públicas em 2012

Veja também:

(Bicicultura) Jornal Bom Dia – Sorocaba terá mais ciclovias
(Bicicultura) Serttel aborda a iniciativa das bicicletas públicas

Novas ciclovias em Florianópolis

A reportagem abaixo já é meio antiga. Ela é da edição de junho de 2008 do jornal universitário Zero. A matéria pode ser vista também em .pdf aqui ou aqui.

Zero junho 2008

Florianópolis ganha novas ciclovias

Embora promova maior segurança para ciclistas e motoristas, transtorno provocado pelas obras gera discussões

O projeto Florianópolis – cidade amiga da bicicleta, lançado em 2007 pela prefeitura municipal, está provocando divergências. O pacote de obras prevê a construção de oito ciclovias em pontos distintos da cidade, totalizando 18.360 metros de extensão, quase o dobro da área existente hoje. Todas as obras já estão em execução e o transtorno causado é inevitável: bloqueio temporário das vias e congestionamento.

Alguns moradores e motoristas que circulam pelas áreas beneficiadas com as ciclovias não aprovam os problemas decorrentes. “Me diga, para que esse transtorno todo? Eu não vou abdicar do meu direito de sair de carro para ir a qualquer lugar! Suar numa bicicleta para ir ao trabalho… Nem morto!”, disse um motorista de um Renault Clio prata sobre a faixa exclusiva para ciclistas em construção na rua Delminda Silveira, no bairro Agronômica.

A opinião do condutor ilustra bem um dos obstáculos enfrentados pelo projeto: a resistência que muitas pessoas têm em relação ao uso da bicicleta como meio de transporte urbano e diário. Para tentar amenizar essa situação, a prefeitura já iniciou a distribuição de panfletos, nas regiões próximas às obras, para orientar e alertar motoristas, ciclistas e pedestres sobre os benefícios do uso da bicicleta para o trânsito, meio-ambiente e a própria saúde dos condutores.

Mas não são apenas as pessoas que não utilizam as ciclovias que têm queixas sobre as obras. Vários ciclistas reclamam que elas estão sendo construídas em locais errados, como Antônio Carlos Silveira, morador da região do Campeche, que terá acesso por uma ciclovia construída em todo o percurso da avenida Pequeno Príncipe. “Para chegar em casa, eu tenho que pegar a Gramal (rua que cruza a Pequeno Príncipe). Lá os carros andam em alta velocidade, mesmo com as lombadas, além de a rua ser estreita, fazendo com que os carros passem muito próximos da guia, por isso é grande o risco pra quem quer pedalar por lá”, conta Silveira.

O pacote do IPUF prevê 18.360 metros de vias para bicicletas

A arquiteta do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), Vera Lúcia Gonçalves, explica que em algumas ruas, como a Gramal, é impossível construir faixas exclusivas devido ao espaço. Os critérios avaliados para decidir que vias receberão as ciclovias consideram basicamente o fluxo de pessoas e de veículos motorizados que circulam pelo trecho diariamente, a velocidade média registrada e o espaço disponível para a adaptação, que muitas vezes é insuficiente para a execução da obra.

Apesar de não agradar a todos, Milton Della Giustina, presidente da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (Via Ciclo) e ex-ciclista profissional, acredita que as ciclovias em construção são o primeiro passo para a massificação do uso da bicicleta e o começo de uma conscientização da população sobre o que é o trânsito. “Os motoristas têm que entender que quanto mais espaço deixarem para os ciclistas, mais espaço sobrará para eles, e isso também diminuirá o trânsito”, diz Giustina, que também destaca a bicicleta como meio de transporte ecologicamente correto e mais saudável.

Movimentos sociais

A construção das faixas exclusivas é apenas parte de um projeto que objetiva criar uma malha cicloviária consistente, eficiente e segura. Para atingir essa meta são necessárias medidas que vão muito além das obras da prefeitura. Convencer as pessoas de que andar de bicicleta é viável requer uma série de alterações no ambiente urbano: infra-estrutura adequada, maior segurança no trânsito e conscientização dos condutores de veículos automotores – que devem entender que os ciclistas têm o mesmo direito de utilização das vias e são beneficiados pelas leis de trânsito.

Na capital de Santa Catarina, a ausência de ciclovias em ruas de grande movimento obriga motoristas e ciclistas a disputarem espaço no trânsito. Apenas a construção de faixas exclusivas para bicicletas não resolve o problema. Foto: Thiago Prado Neris.

Na capital de Santa Catarina, a ausência de ciclovias em ruas de grande movimento obriga motoristas e ciclistas a disputarem espaço no trânsito. Apenas a construção de faixas exclusivas para bicicletas não resolve o problema. Foto: Thiago Prado Neris.

Para tentar resolver esses problemas, surgiram movimentos sociais para pressionar a sociedade e a administração pública a favor de um transporte que facilite a mobilidade e o acesso aos mais diversos locais respeitando as necessidades dos moradores e a conservação ambiental. Em Florianópolis, grupos de moradores participam das discussões sobre o Plano Diretor que definirá as diretrizes para o crescimento urbano da capital.

Um dos mais ativos é formado pelos representantes dos bairros que compõem a Bacia do Itacorubi: Itacorubi, Trindade, Santa Mônica, Córrego Grande e Pantanal. Em documento encaminhado à administração municipal pelas lideranças das comunidades – em média, 30 pessoas -, fica clara a preferência às bicicletas como meio de transporte mais acessível e cômodo para a região.

Um Plano Diretor que priorize a bicicleta e o transporte público também pode reduzir os gastos com obras de duplicação de vias e construção de elevados, muito mais altos do que os recursos que seriam destinados à adaptação de uma região às ciclofaixas, cujo custo fica em média em R$ 100 mil por quilômetro em vias já existentes, e em torno de R$ 150 mil em terreno nu. É possível construir dez quilômetros de ciclovias com o valor gasto em um de capeamento asfáltico.

Outra proposta do grupo é o movimento Estaciona e Pega Ônibus (Epô). A idéia é que os terminais de ônibus sejam interligados com bolsões de estacionamento em lugares estratégicos, como o desativado Terminal de Integração do Saco dos Limões (TISAC) e o mal aproveitado estacionamento do Centro de Integração e Cultura (CIC). Os bolsões próximos aos terminais seriam um incentivo aos condutores de carros e motocicletas para que parem seus veículos e peguem um ônibus para percorrer as distâncias mais longas.

Os bolsões de estacionamento já existem em países como a Holanda e a Inglaterra, que adotaram medidas para priorizar o uso da bicicleta e do transporte público. No Brasil, Curitiba também executou o projeto e é a campeã brasileira de quilometragem exclusiva para os ciclistas: 122 quilômetros. Além disso, a prefeitura de Curitiba planeja implantar um sistema de aluguel de bicicletas, como o que já é utilizado em Paris, por exemplo.

Cauê Azevedo

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