15 razões para pedalar pelado em Florianópolis em 2015

Neste sábado, 14 de março, Florianópolis terá a sua quarta edição do World Naked Bike Ride (Passeio Ciclístico Mundial Sem Roupas). A concentração terá início às 16h, com início da pedalada previsto para cerca de 18h. O roteiro será definido na hora pelos participantes, em ritmo leve e sonoro pelas ruas dos bairros da porção central da capital catarinense.

Conhecido popularmente no país como Pedalada Pelada ou Peladada, o WNBR tem como lema “as bare as you dare” ou “tão nu quanto você ousar”. O idéia é chamar a atenção das pessoas para a fragilidade do corpo humano, conscientizando motoristas a terem mais cuidado com a vida humana alheia no trânsito. A ausência de vestimentas refletiria a falta de proteção do ciclista, que não se vê envolvido por uma proteção metálica, como a carroceria de um automóvel, no caso de algum incidente de trânsito. No Brasil, a ampla maioria dos acidentes que têm a bicicleta como um dos veículos envolvidos não tem o ciclista como culpado.

Seguindo esse pensamento, durante o WNBR, quanto menos roupas o ciclista estiver usando, mais inseguro ele se sente com o transito da cidade. Na prática, como é normal em outras cidades do Brasil, a maioria acaba pedalando com roupas de baixo. Em Florianópolis, são muito mais as pessoas tiram tudo do que aquelas que não tiram nada.

Como é facilmente perceptível, um dos principais objetivos da Pedalada Pelada é chamar a atenção e levar à reflexão tanto de motoristas quanto do poder público, colaborando para que, assim, pedalar pela cidade seja mais seguro e agradável ao ciclousuário.

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Florianopolis 2015-03-14 WNBR

Se você ainda tem alguma dúvida quanto a participar ou não do evento, fornecemos abaixo 15 razões para você não deixar de participar da Pedalada Pelada em 2015:

1. Você pode!

Este artigo mostra claramente, com base na legislação, que nem toda nudez será castigada. Não há obscenidade e muito menos indicativo de promiscuidade ou ofensa alheia em se mostrar o corpo como ele é, sem conotação erótica ou sexual. Inclusive, em diversas cidades, pais levam seus filhos para mostrar como um evento desses realmente é: uma forma de protesto bem humorada e bem evidente, que não apela a baixarias e nem prejudica a autoestima ads pessoas, tão denegrida pelos padrões de beleza ditados pela indústria da moda. É, antes de tudo, um exercício de cidadania e de percepção e respeito às diferenças.

2. É um evento mundial

Como o próprio nome diz, o Passeio Ciclístico Mundial sem Roupas não ocorre só no Brasil. A data oficial para o Hemisfério Sul é o segundo sábado de março, embora, por alguma razão desconhecida, em 2015 ela tenha caído na primeira semana do mês em diversas cidades do mundo. O Brasil, entretanto, permaneceu fiel e, além de Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro também terão sua edição da Pedalada Pelada neste sábado. Além dessas três cidades, houve também Peladada em Porto Alegre. Lá, o WNBR tem ocorrido no dia em que houve o atropelamento coletivo de ciclistas durante a Massa Crítica, em 25 de fevereiro.

3. A Peladada em Florianópolis não é problemática

Florianópolis e Porto Alegre realizam suas edições do WNBR pelo quarto ano consecutivo. No país, estão atrás apenas de São Paulo, que teve sua primeira edição em 2008. Em Santa Catarina, nunca houve um problema devido aos ciclistas – tirando a agressão de funcionário do TITRI contra os ciclistas em 2013. A Polícia Militar freqüentemente acompanha de longe a manifestação, que vira uma grande festa nas ruas, com grande interação do público das ruas e nas sacadas dos prédios. Reiterando, NUNCA houve um problema provocado pelos ciclistas durante as Peladadas de Florianópolis.

No Brasil, houve, por duas ocasiões, ciclistas presos em São Paulo, na primeira e na terceira edição. Nenhum deles hoje tem ficha criminal por ter pedalado pelado. Já os atos de violência da polícia militar paulista foram abundantemente noticiados, não contribuindo em nada para sua reputação já combalida.

4. Você não precisa pedalar pelado!

Apesar do nome, o lema “tão nu quanto você ousar, tão nu quanto você se sentir” apenas provoca o participante a revelar como ele realmente se sente no trânsito do dia a dia. A nudez não é obrigatória, mas opcional. Boa parte das pessoas troca peças de roupa por mensagens ou desenhos no corpo, feitos com tinta.

5. A Av. Madre Benvenuta ainda está sem ciclovia!

Após 9 anos da elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a ciclovia da Av. Madre Benvenuta está finalmente com as obras iniciadas. Caso estivesse ficado pronta antes, poderia ter evitado a morte de José Lentz Neto, que faleceu em seu último dia de trabalho quando voltava da UDESC. Durante todo esse tempo, o Shopping Iguatemi procrastinou enquanto pôde a execução da obra – chegou a enviar ao Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis um projeto que beirou ao ridículo em agosto de 2013. Agora, graças à atuação do Ministério Público Federal a do próprio IPUF, a ciclovia começa a ser feita. Entretanto, não se pode comemorar antes da hora: a cidade tem um histórico de atrasos e imperfeições na execução de infraestrutura cicloviária.

6. A Rodovia SC-401 tem uma ciclofaixa!

Um grande exemplo de que não se pode comemorar de forma antecipada uma obra cicloviária em Florianópolis é a SC-401. Apesar de nos projetos técnicos de execução aparecer a alcunha “ciclovia” na mais perigosa e mortal rodovia de Florianópolis, o que foi feito lá, na realidade, foi uma ciclofaixa. Desde que ela foi construída, há três anos, 3 ciclistas já perderam a vida… na própria ciclofaixa! Apesar de uma ciclovia ter sido prevista nesta rodovia desde 1991, ela até agora permanece um exemplo da desmoralização do Estado de Santa Catarina, que, oficialmente, ainda alega que a estrutura “está dentro das normas”. O caso virou um case negativo no livro “Brasil Não Motorizado”.

7. O Floribike não saiu!

Florianópolis é a cidade do mundo (do mundo!) que mais enrola para implantar o seu sistema de bicicletas compartilhadas. O primeiro projeto da cidade data de 2007! Em 2013, quando finalmente foi lançado o último edital, entre tropeços, a licitação deu vazia. Anunciado durante o Fórum Mundial da Bicicleta para março de 2014, o novo edital, pronto ainda em 2013 (com pequenas modificações posteriores), até hoje não foi lançado. A prefeitura até chegou a anunciar que lançaria um edital que desvirtuaria todo o planejamento de mobilidade ciclística da cidade. Ao que parece, voltou atrás e é provável que tenhamos novidades sobre isso nesta próxima semana.

8. A ciclovia da R. Ver. Osni Ortiga ainda não está pronta!

O sonho há muito almejado de ciclovia na Lagoa da Conceição está mais perto do que nunca de acontecer! Mas caminha a passos de tartaruga! Na primeira vez que houve uma manifestação pedindo a construção da obra corria o ano de 1997. Em 2009, chegou-se a se anunciar que a obra ficaria pronta em 6 meses (prazo pouco factível). Há quase 18 anos, portanto, a comunidade da região aguarda a construção da ciclovia. Após adiar por alguns anos, o projeto técnico-executivo, razoavelmente fraco, foi concluído no final de 2012. Em julho de 2013, iniciou-se a primeira etapa da obra, envolvendo aterro e enrocamento, com prazo de conclusão de 4 meses. Após 20 meses, em janeiro deste ano, finalmente parece que essa etapa da obra teve fim. Serão, ao todo, de 3 a 4 etapas para a conclusão da ciclovia da Lagoa!

9. Caieira da Barra do Sul não tem nem projeto!

A ciclovia do extremo sul, nos bairros de Caieira e Tapera da Barra do Sul, foi objeto de reuniões, passeios ciclísticos e intervenções educativas no ano de 2012. Os moradores reclamavam da velocidade dos carros e ônibus e temiam pela segurança de seus filhos, em especial aos usuários de skate. Entretanto, até hoje não foi feito nem o projeto conceitual. A ciclovia da Caieira da Barra do Sul tende a ser mais uma das obras cicloviárias que vão se arrastar por décadas até ficar pronta, exceto em caso de real vontade política. A ciclovia é, junto com a Casa Açoriana, uma das obras mais importantes para a região.

10. Microrrede Centro repousa no esquecimento

Projetada ao menos desde 2008, com a colaboração de um dos mais renomados arquitetos brasileiros, a rede cicloviária do bairro Centro teve algumas de suas rotas construídas nos últimos anos. Apesar de ainda não seguir todas as normas municipais, ganharam ciclofaixas as ruas Bocaiúva, Almirante Lamego, Duarte Schuttel, Heitor Luz, Trompowsky, Dom Joaquim e Hercílio Luz. No entanto, as últimas ciclofaixas no Centro foram construídas pela gestão anterior – e inauguradas por ciclistas durante a Bicicletada Floripa de dezembro de 2012. Na atual gestão, houve até recusa em se buscar recursos junto ao Ministério das Cidades! Nem a “Reunião do Milhão” ajudou à Microrrede Centro a surgir no horizonte.

11. “Reunião do Milhão” não teve efeito algum

Em 26 de agosto de 2013, após pedalar com ciclistas, o prefeito anunciou que investiria R$ 1 milhão ainda naquele ano na mobilidade ciclística. Dentre as decisões tiradas numa reunião ampliada da Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici), estavam a destinação da verba, principalmente, para reforçar a Microrrede Centro, além de intervenções na passarela da Ponte Pedro Ivo Campos e no Campeche. Além de não ter sido aplicado, o prefeito ainda anulou recursos destinados aos ciclistas previstos no orçamento daquele mesmo ano!

12. Pró-Bici melou

Criada para estreitar laços entre ciclistas e técnicos de carreira, a Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici) desandou. Tendo que ser atualizada, mesmo com o decreto pronto em março, apenas em outubro de 2013 ela foi melhor redefinida. Esse decreto foi aprovado com muito (muito!) esforço, trazendo um benefício em termos administrativos e burocráticos enormes. Com certa surpresa, um dos responsáveis pelo seu atraso foi o arquiteto e então superintendente do IPUF, Prof. Dalmo Vieira Filho, o mesmo que levou problemas jurídicos pela não participação popular ao Plano Diretor Participativo de Florianópolis. Sendo, por efeito do decreto, presidente dessa comissão, ele nunca fez questão de chamar as reuniões, que, pelo regimento interno, teriam que ser, no mínimo, mensais. Agora, o novo superintendente do órgão tem que assumir essa função, mas até agora não o fez e, antes de ser superintendente, ainda impediu o secretário da Pró-Bici de realizar a sua função.

13. Também pelos 20%

Promessa de campanha, 20% do Fundo Municipal do Trânsito, criado pelo prefeito para centralizar verbas de multas e recursos afins, seria utilizado em prol da bicicleta. Para surpresa, o FMT foi criado sem esse dispositivo e, até hoje, não foi enviado pelo alcaide o projeto de lei que destina os recursos para as ciclovias. Assim, ao menos durante metade da sua gestão, uma promessa que poderia ajudar milhares de florianopolitanos simplesmente ainda sequer começou a tramitar pela Câmara de Vereadores. Para piorar, investigação da Polícia Federal que resultou no afastamento do então presidente da Câmara descobriu que verbas dos radares de trânsito tinham destinação imprópria: corrupção.

14. Carta Sem Compromisso

Durante as eleições, o prefeito eleito assinou o Termo de Compromisso com os Ciclistas, feito pela ViaCiclo, Bike Anjo Floripa, Bicicletada Floripa e Bicicleta na Rua. Até agora, praticamente nenhuma promessa foi cumprida, incluindo a única que previa uma data. A construção de 40km de ciclovias nos primeiros 18 meses foi simplesmente ignorada, tendo sido construído cerca de um quarto disso, apenas – e de forma pontual. Para o Movimento Floripa Te Quero Bem, formado pela RBS, Instituto Guga Kuerten, Instituto Comunitário Grande Florianópolis (Icom) e Instituto Vilson Groh, o prefeito prometeu 40km em 4 anos de governo. Eleito, entretanto, no Plano de Metas consta apenas 20km até 2016. Ou seja, metade do que era para ser feito em 18 meses deverá ficar pronto em quase o triplo do tempo.

15. Desplanejamento cicloviário reina

Durante todo o mandato atual, hoje um desplanejamento enorme em termos de mobilidade urbana na cidade, com projetos pontuais desconectados da realidade e da necessidade da cidade! O teleférico e o projeto de canaletas para Bus Rapit Transit (BRT) são exemplos perfeitos dessa ausência de gestão e vontade. Em vez de tirar uma pista para automóveis, o BRT vai circular onde hoje existe a melhor ciclovia da cidade, a da Av. Beira-Mar Norte, que vai ficar onde hoje existe o passeio, que vai ficar onde hoje fica o mar! Há apenas 4 anos, o passeio da Beira-Mar foi revitalizado, ao custo de R$ 9 milhões, contando com nova pavimentação, arborização, mobiliário urbano e pérgolas, além de melhorias no enrocamento do aterro! Um dos itens principais do Termo de Compromisso com os Ciclistas, a criação de uma diretoria para tratar da bicicleta, pouco avançou. Prevista em trabalhos acadêmicos do  Projeto Pedala Floripa, do Grupo CicloBrasil, situado na UDESC, como fundamental desde 2004, a Diretoria de Mobilidade Ativa chegou a ser encaminhada ao prefeito através da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável para ser parte constituinte da Secretaria de Mobilidade Urbana. Após ser desidratada por assessores do prefeito, a Diretoria foi simplesmente ignorada nas reformas administrativas posteriores. Sem ela, e com os projetos do IPUF sendo historicamente ignorados pela Secretaria de Obras, com a Secretaria de Mobilidade Urbana sendo meramente espectadora, não se pode planejar obras cicloviárias a médio e longo prazo com eficiência e racionalidade. Tampouco se pode vislumbrar a existência de obras não pontuais, mas sim conectadas por um eixo orientador das reais demandas da cidade e da sociedade.

Como se pode ver, existem sim motivos para você pedalar pelado neste sábado.

Público do Donna Fashion Iguatemi ovaciona Bicicletada

Conteúdo Especial - Bicicleta na RuaCiclistas pediam seriedade no cumprimento de TAC que prevê que shopping construa de 1,25 km de ciclovia na Av. Madre Benvenuta, em Florianópolis

A Bicicletada Floripa desfilou ao redor da passarela da moda. Um ano após a morte do ciclista José Lentz Neto, a tradicional manifestação de rua ocupou calmamente os espaços internos de um dos principais shoppings da cidade.

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“O Shopping Iguatemi está matando ciclistas”, afirma vereador

O debate em torno da ciclovia da Av. Madre Benvenuta, no bairro Santa Mônica, em Florianópolis, teve um novo capítulo na nesta segunda-feira, 9 de julho.

No plenário da Câmara de Vereadores, o vereador Pedro de Assis Silvestre, o Pedrão (PP), foi categórico ao afirmar que o empreendimento estava vitimando ciclistas. Pedrão fez uma alusão a José Lentz Neto, que faleceu ano passado no local onde já deveria haver uma ciclovia construída pelo shopping, acertado por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta.

O debate mobilizou também os vereadores Lino Fernando Bragança Peres (PT) e Marcelo Fernando de Oliveira, o Marcelo da Intendência (PDT). Lino Peres sugeriu a realização de um balanço no Ministério Público Federal, talvez até uma audiência pública com a procuradora do caso, Analúcia Hartmann.

Confira abaixo o discurso da sessão ordinária:

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A construção de uma ciclovia na Av. Madre Benvenuta, no bairro Santa Mônica, em Florianópolis, foi tema de debate na Câmara de Vereadores na última quarta-feira, 10 de julho.

Desde a construção do atual Shopping Iguatemi, em 2006, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre os proprietários e a prefeitura definiu, dentre outras coisas, que ficaria por conta do empreendimento a construção de uma pista ciclável do tipo “ciclovia” num trecho de 1250 metros da avenida. Entretanto, ao longo dos últimos 7 anos, apenas 250m de ciclofaixa unidirecional foram construídos.

O empreendedor, por sua vez, sistematicamente nega-se a construir a ciclovia na avenida, desconsiderando completamente o trabalho dos técnicos do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF), feito pelo engenheiro Lírio José Legnani e pela urbanista Vera Lúcia Gonçalves da Silva, que previa ciclovia ao longo da avenida, e não pelas ruas internas do bairro.

Em 2010, os (ir)responsáveis pela Prefeitura, além de afirmarem que a ciclofaixa construída era uma ciclovia, chegaram até a afirmar que o trabalho de seus técnicos seria muito caro para o empreendedor, numa situação obscura de advogarem contra os interesses da cidade e a favor do empreendimento.

Por causa dessa conduta, que resultou inclusive na morte de um ciclista na avenida em 2012, o vereador Pedro de Assis Silvestre, o Pedrão (PP) fez um requerimento, aprovado pelos demais membros do legislativo, para pedir cópia do TAC ao Ministério Público Federal para poder cobrar a execução dos 1.000 m restantes.

Votação de requerimento sobre ciclovia na Av. Madre Benvenuta na Câmara de Vereadores. Foto: Pedro de Assis Silvestre (Pedrão).

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Bicicleta-fantasma será reinstalada nesta sexta-feira na Avenida Madre Benvenuta

A bicicleta-fanstama (ghost bike) que fora furtada no último domingo da Avenidade Madre Benvenuta, no bairro Santa Mônica, em Florianópolis, será recolocada no mesmo lugar em que estava afixada na noite desta sexta-feira, 09 de novembro. A bicicleta, pintada de branco, indicava o local onde faleceu o funcionário público José Lentz Neto, 59 anos, atingido por uma moto enquanto trafegava de bicicleta no dia 31 de agosto deste ano.

A bicicleta-fantasma foi devolvida pela própria mulher que a pegou. A.*, ao ter conhecimento da simbologia dela, devolveu-a na delegacia de polícia da Lagoa da Conceição no dia seguinte. Segundo o B.O. que registrou, ela teve ajuda dos funcionários de um posto de gasolina situado próximo ao poste no qual se erguia a bicicleta para retirá-la e arrumar um de seus pneus, que se encontrava retorcido.

Daniel de Araújo Costa, presidente da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), reouve a bicicleta-fantasma furtada no Santa Mônica.

Na recolocação da ghost bike erão repassadas informações completas e inéditas sobre o furto. A.* foi convidada pelos ciclistas a estar presente no momento, expondo a situação, mas não deve estar presente. Segundo seu chefe, ela se encontra ainda visivelmente abalada pelo ocorrido.

Os ciclistas irão se concentrar em frente à UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina), a poucos metros de nde houve o acidente, e sairão de lá às 19h. Após a recolocação e o minuto de silêncio, haverá uma pedalada pela Bacia do Itacorubi, em ritmo leve e acessível a qualquer pessoa.

(*) O nome foi suprimido para proteção

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Mulher devolve bicicleta-fantasma em Florianópolis – No dia seguinte, a ghost bike furtada foi devolvida.
Ghost bike ganha vida – Bicicleta-fantasma furtada foi avistada sendo pedalada na Lagoa da Conceição.
Mulher furta bicicleta-fantasma da Av. Madre Benvenuta – A ghost bike do Santa Mônica sumiu numa tarde de domingo.
Morte no Santa Mônica poderia ter sido evitada. Ghost bike será instalada hoje. – “Sem ciclovias, sem uma vida”, conteúdo do Diário Catarinense.
Bicicletada Floripa de agosto homenageia ciclista morto em local que deveria ter ciclovia há 6 anos –  A omissão municipal fez sua vítima no bairro Santa Mônica.

Veja também:

(Vídeo) Prévia do documentário “Ghost Bikes” – As bicicletas brancas serão tema de trabalho de conclusão de curso de Jornalismo da UFSC.
(Vídeo) Bicicletas-fantasmas em Florianópolis – As homenagens aos ciclistas mortos no trânsito foi tema do programa Conexão TVCOM.

Mulher devolve bicicleta-fantasma em Florianópolis

A matéria abaixo foi originalmente publicada no G1, em 05 de novembro de 2012, às 17h19, e pode ser vista também neste link.

Após ser fotografada pedalando, mulher devolve ‘bicicleta fantasma’

Bicicleta era homenagem e estava presa em poste na Av. Madre Benvenuta. Mulher foi flagrada pedalando nesta segunda (5), no Canto da Lagoa.

Mulher é flagrada pedalando ‘bicicleta fantasma’ no Canto da Lagoa. Foto: Diogo Honorato.

Uma mulher foi flagrada pedalando uma bicicleta pintada de branco, apelidada de ‘bicicleta fantasma’ pelos ciclistas da Capital, na Rua Laurindo Januário da Silveira, a geral do Canto da Lagoa, em Florianópolis, próximo ao meio-dia desta segunda (5). A cena chama atenção pois uma bicicleta com as mesmas características foi furtada na Avenida Madre Benvenuta neste domingo (4).

De acordo com informações da Polícia Civil da Lagoa da Conceição, a pessoa que furtou entregou a bicicleta na delegacia no início da tarde. A bicicleta está apreendida e será devolvida para a associação. O fato de a bicicleta estar sendo utilizada minimiza o medo que representantes da Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis tinha sobre o destino que seria dado a ela.

“Estávamos discutindo sobre o que ocorreu. No final das contas, penso que se ela estava usando, mesmo, eu não me importo pelo furto. Nós podemos arranjar alguma bicicleta inútil de fato e colocar lá, outra vez. O importante, mesmo não é a matéria, o “corpo” da bike, mas o espírito, o intuito da homenagem ao seu Lentz”, explica Tainah Lunge, uma das participantes do Movimento Bicicletada Floripa.

A foto é de Diogo Honorato, que mora próximo ao local e que tinha ido em casa durante o horário de almoço. A bicicleta estava presa um poste em homenagem a José Lentz Neto, falecido no local no dia 31 de agosto de 2012. Segundo testemunhas, após o furto neste domingo (4), uma mulher foi vista pedalando a bicicleta em direção ao bairro Lagoa da Conceição, no Leste de Florianópolis.

João Lentz Neto, 60 anos, foi atropelado por um motociclista, no bairro Santa Mônica. Ele chegou a ser socorrido pela ambulância do Samu, mas não resistiu aos ferimentos. O homem era servidor da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) há 42 anos e estava prestes a se aposentar. Ele atuava como técnico-universitário na central de documentação da pró-reitoria.

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Ghost bike ganha vida

A bicicleta-fantasma (ghost bike), que foi retirada da Av. Madre Benvenuta, no Santa Mônica, em Florianópolis, foi avistada nesta segunda-feira sendo utilizada por uma mulher na Rua Laurindo Januário da Silveira, na Lagoa da Conceição, por volta das 12h15.

Mulher pedala a bicicleta-fantasma na Lagoa da Conceição. Foto: Diogo Honorato.

A bicicleta, afixada num poste próximo a onde faleceu José Lentz Neto, há dois meses atrás, fora furtada neste domingo.

Nota-se que a mulher, que, segundo informações recebidas, ainda não tem conhecido completo da simbologia por trás da bicicleta e seria moradora do local, ao menos está fazendo uso da magrela. Tal fato minimiza os temores dos cicloativistas acerca da destinação que seria dada a ela.

Na tarde desta segunda-feira, a Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis faria um Boletim de Ocorrência (B.O.) avisando à Polícia Militar do furto da ghost bike.

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Mulher furta bicicleta-fantasma da Av. Madre Benvenuta

A bicicleta-fantasma (ghost bike) afixada na Av. Madre Benvenuta, em homenagem a José Lentz Neto, falecido em 31 de agosto deste ano, foi furtada na tarde deste domingo, 04 de novembro.

Uma mulher foi vista com uma bicicleta pintada inteiramente de branco, incluindo as rodas, subindo o Morro da Lagoa, em direção ao cartão-postal catarinense, pouco tempo depois.

Poste na qual estava afixada a bicicleta-fantasma na Av. Madre Benvenuta, na tarde deste domingo. Foto: Vinícius Faccio.

A bicicleta não tem apresenta valor comercial. Pede-se para que qualquer um que tenha notícias do paradeiro da bicicleta-fantasma que avise a Polícia Militar (190) ou a Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo), por meio de seu site:

www.viaciclo.org.br

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Morte no Santa Mônica poderia ter sido evitada. Ghost bike será instalada hoje.

A reportagem abaixo foi publicada na edição impressa do periódico Diário Catarinense, de quarta-feira, 05 de setembro de 2012. Você pode lê-la também no site do DC aqui ou no do Hora de Santa Catarina aqui. Veja em PDF.

PROTESTO EM BRANCO

Representante dos usuários de ciclovias da Grande Florianópolis, Daniel Costa conclui a pintura da bicicleta que será colocada no local onde morreu um ciclista, na Capital. Foto: Daniel Conzi.

MOBILIDADE URBANA

Sem ciclovias, sem uma vida

Enquanto IPUF e incorporadora não chegam a um acordo para criar faixa, ciclista sofre acidente fatal no último dia de trabalho.

A morte de um ciclista na Avenida Madre Benvenuta, em Florianópolis, na última sexta-feira, aconteceu em um local onde deveria existir uma ciclovia, conforme o Termo de Ajustamento de Conduta assinado pela incoporadora que construiu o Shopping Iguatemi.

Devido a esse acidente, a sexta bicicleta fantasma será instalada em Florianópolis nesta quarta-feira, às 19h30min. Criado em 2003, nos Estados Unidos, o movimento se espalhou pelo mundo, colocando bicicletas brancas onde ciclistas sofrem acidentes fatais.

O homenagem será em memória a José Lentz Neto, ciclista que foi atropelado a poucos metros da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), onde foi servidor por 42 anos. Aos 60 anos, Lentz voltava para casa depois de seu último dia de trabalho. Tinha acabado de se aposentar. Ele era técnico-administrativo de Desenvolvimento e trabalhava na Central de Documentação. Segundo a filha Amanda, que estuda na Udesc, ele fez uma cirurgia de redução de estômago há alguns anos e começou a andar de bicicleta em busca de qualidade de vida.

José ia de bicicleta para a Udesc. Foto: Arquivo pessoal.

A discussão entre ciclovia e ciclofaixa

Daniel de Araújo Costa, presidente da Associação de Ciclousuários da Grande Florianópolis (Viaciclo), participou da organização de uma bicicletada, que será realizada antes após a colocação da bicicleta fantasma.

Chamada de Ride of Silence, passeio do silêncio, em tradução literal, o protesto tem o objetivo de cobrar a construção da ciclovia (com meio-fio para proteção dos ciclistas) na Madre Benvenuta, como proposto quando o Shopping Iguatemi foi construído. A incorporadora Pronta, maior acionista do shopping, assinou um Termo de Ajustamento de Conduta se comprometendo a construir ciclovia e ciclofaixa. Segundo o advogado da Pronta, Alexandre Araújo, o problema é que o termo de compromisso prevê a construção de ciclofaixa (com pintura indicando trânsito de bicicletas), e o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf) entendeu que no local seria construída uma ciclovia.

— É um local onde o metro quadrado é muito caro. Para fazer uma ciclovia seria preciso desapropriar terrenos, alterar calçadas, é uma obra de milhões e não é o que nos comprometemos a fazer — disse Alexandre.

Daniel de Araújo Costa, da ViaCiclo, pintou de branco a bicicleta fantasma que será instalada hoje, na Capital, em homenagem a José Lentz Neto. Foto: Daniel Conzi.

Processo vem desde 2006

O shopping foi inaugurado em 2006, desde então o processo sobre a ciclovia tramita na Justiça Federal. Enquanto isso, acidentes no local somam-se às estatísticas.

Segundo o Ipuf, o acordo feito com o Shopping Iguatemi, em audiência pública realizada em 2008, quando o processo corria na Justiça, é que o projeto realizado seria elaborado pelo Ipuf e pago pelo shopping. Conforme o instituto, mesmo sem alterações no trânsito da Madre Benvenuta, 400 metros de ciclovia já poderiam ter sido feitos, incluindo o trecho vizinho da Udesc, onde ocorreu o acidente fatal, e o trecho que foi feito, na Avenida Beira-Mar.

Conforme o instituto, existem fatores no projeto do Ipuf que encarecem o projeto, como iluminação e canteiros, mas o trecho de 300 metros entre a Udesc e o posto Petrobras já poderia ter ciclovia, não é necessária nenhuma modificação no trânsito para essa parte da obra. Desde o início de 2012, segundo a Polícia Rodoviária Militar, no Estado foram registrados 90 acidentes envolvendo ciclistas, 20 fatais.

Opinião DC

A implantação da ciclovia na Av.Madre Benvenuta , se foi prometida, precisa ser executada. Segundo acordo firmado com a municipalidade, a ciclovia seria de responsabilidade do shopping Iguatemi. Mas uma questão semântica (ciclovia ou ciclofaixa), com argumentos técnicos , está transformando a celeuma, na verdade, num jogo de empurra que envolve o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF). A burocracia lerda pode ser tão letal quanto o trânsito violento. O poder público e o setor privado precisam se unir para parar de contabilizar mortos.

Roberta Ávila

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“Espero que a ghost bike em homenagem a ele tenha sido a última”, diz nora de ciclista atropelado em ciclofaixa em Canasvieiras – O desejo da família de Hector Galeano não se realizou.
Florianópolis foi a primeira cidade da América do Sul a ter duas bicicletas-fantasmas instaladas em apenas um final de semana – A ghost bike de Hector Cesar Galeano foi a segunda do final de semana.
Mais de duzentas pessoas comparecem à homenagem a ciclista morto na SC-401, neste sábado – Cobertura do Bicicleta na Rua sobre a bicicleta-fantasma na SC-401 em homenagem a Emílio Delfino Carvalho de Souza.
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Dois exemplos de por que devem ser feitas ciclovias em vez de ciclofaixas nas rodovias – Nota sobre o acidente com Hector Cesar Galeano
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Bicicletas-fantasmas em Florianópolis para o mundo saber – As primeiras ghost bikes da Grande Florianópolis são divulgadas para o mundo. A cidade foi a terceira cidade brasileira a contar com essa homenagem.

Bicicletada Floripa de agosto homenageia ciclista morto em local que deveria ter ciclovia há 6 anos

José Lentz Neto começou a usar a bicicleta por motivos de saúde. Acima de seu peso ideal, seu médico recomendou a prática de atividades físicas pouco após ele ser submetido a uma delicada operação. Como tantas outras pessoas, optou pela magrela. Servidor da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), José preparava-se para as últimas horas antes da tão sonhada aposentadoria.

A cerca de 300m da UDESC, numa sexta-feira ensolarada pelo meio-dia a omissão do poder público e a imperícia de um motociclista tiraram-lhe a vida aos 60 anos. José Lentz Neto encontrava-se no sentido correto do fluxo, na Av. Madre Benvenuta, no Santa Mônica, em direção à Trindade, quando ocorreu o sinistro.

Este poderia ser um caso isolado, se não fosse o quinto caso de ciclista morto na Grande Florianópolis desde o começo do ano, o terceiro na capital catarinense, sendo o primeiro fora das rodovias federais e estaduais que cortam a região. A sua morte foi mais um caso da omissão do poder público para lidar com a mobilidade por bicicleta e com a frágil relação dos ciclistas para com os demais veículos. No dia seguinte, outro ciclista, Cloves Irineu Caetano seria vitimado por um ônibus próximo ao Terminal de Integração de Canasvieiras (TICAN).

A ciclovia que não estava ali

Desde 2006, quando foi inaugurado o Shopping Iguatemi, que recortou cinco vezes a ciclovia da Av. Beira-Mar Norte, com a instalação de semáforos para ciclistas que não permitem o pedalar contínuo, tamanha a preferência ofertada aos automóveis, há dinheiro para a construção de ciclovia na Av. Madre Benvenuta. São R$2 milhões destinados pelo shopping por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

Após o shopping ter contratado uma consultoria que afirmou ser possível fazer “ciclovia” na região com apenas R$90 mil, algo completamente fora dos padrões nacionais e da própria legislação municipal, houve contestação de dois dos projetos de ciclovia, planejados pelo Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) e por urbanistas formados pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sendo que o parecer de um professor da mesma instituição levou a uma intervenção do Ministério Público Federal (MPF), que paralisou a implementação de uma ciclovia que estavasendo projetada conjuntamente pelo IPUF e a Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis (ViaCiclo).

Nesse meio tempo, surgiram iniciativas isoladas, que visavam à construção de ciclovia bidirecional no canteiro central, sem a arborização, mas, para tanto, seria necessária redução das faixas de rolamento de automóveis em 40cm de cada lado da via. Faltou a vontade política em encontrar soluções para enfrentar realmente os problemas da mobilidade urbana.

Numa região que possui 5,9% dos deslocamentos feitos mediante bicicleta, o maior percentual dentre as ruas da cidade, segundo o estudo “Diagnóstico cicloviário de Florianópolis”, feito pelo IPUF, e um impasse pela construção de uma ciclovia que ligaria os principais campus universitários da cidade, a morte de José Lentz Neto poderia ter sido evitada.

Flash Mob

A mesma sexta-feira que tombou mais um ciclista, uniu dezenas de outros na Bicicletada. Embora estupefatos pela inesperada notícia, avisada durante a concentração, 65 ciclistas dirigiram-se ao local. Ocupando uma das faixas da Av. Madre Benvenuta, os ciclistas e suas bicicletas deitaram sobre o asfalto em uma homenagem. Em silêncio, chamaram a atenção dos motoristas que passavam para o fato de que a bicicleta é um veículo e, componente frágil do trânsito, merece ser respeitada.

Houve apoio generalizado pelos que passavam por ambos os lados da via, que não se registraram pontos de engarrafamento.

Ciclistas deitam sobre o asfatlo no local do acidente. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

A Bicicletada continuou seu percurso pela Rod. Admar Gonzaga (Itacorubi), R. Veras Linhares de Andrade, R. João Pio Duarte Silva (Córrego Grande), R. Delfino Conti, R. Lauro Linhares (Trindade), R. Delminda Silveira, R. Dr. Carlos Corrêa, Av. Gov. Irineu Bornhausen (Agronômica), Av. Prof. Henrique da Silva Fontes, R. Pres. Gama Rosa, R. Lauro Linhares e Av. Madre Benvenuta (Trindade), terminando o percurso pouco antes das 21h.

A alegria e a irreverência chamavam a atenção dos motoristas e dos transeuntes com gritos de “Pra não infartar, tem que pedalar” e, como desejos gerais, “Mais bicicletas! Menos Carros!” e “Cadê a Ciclovia!? Cadê a Ciclovia!?”

Fotos:
Fabiano Faga Pacheco
João Paulo Tudeschini

Fabiano Faga Pacheco

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