Massas Críticas catarinenses

Março chegou com um alvoroço carnavalesco. Sem pudor, mas temendo por sua vida, os ciclistas pedalaram pelados, mostrando as fragilidades de seus corpos às pessoas e pedindo proteção. As autoridades olharam e viram passar. E só.

Atitudes de omissão como essas é que alimentam a permanências das Massas Críticas em Santa Catarina. A depender das autoridades muitas delas ainda vão ocorrer em território barriga-verde.

Nota: prefeito da Capital, Cesar Souza Júnior (PSD) anunciou um Plano de Metas para 2014, que engloba a construção de 20km de ciclovias e ampliação das ciclofaixas de lazer na cidade. Só faltou contar que não realocou recursos para isso. No ano de 2013, as metas eram mais ousadas: 30km até o final do ano. Cerca de 10% disso foi construído, no bairro da Tapera. Pouco mais de 8km estão em fases de projetos na Caieira da Barra do Sul e José Mendes e o trecho da R. Ver. Osni Ortiga teve sua fase 2 lançada, sem a conclusão do aterro na Lagoa da Conceição da fase 1.

Com essa meta de 20km, a prefeitura praticamente detona o Termo de Compromisso com os Ciclistas, firmado às vésperas das Eleições de 2012. O acordado com os cidadãos era a conclusão de 40km de pistas cicláveis decentes até o final de junho de 2014. Os méritos dessa desconquista são compartilhados também com o superintendente do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, arquiteto Dalmo Vieira Filho.

Enquanto isso, perdemos ciclistas no Estado, com destaque para o garoto João Vitor, atropelado por um motorista bêbado no Travessão do Rio Vermelho, numa via em que os habitantes pedem ciclovia desde 2009.

Blumenau

Blumenau 2014-03-28Arte: Yasna Muñoz Catalán

:: Confirme sua presença pelo Facebook

Brusque

Brusque 2014-03-28

Florianópolis

Florianopolis 2014-03=28

:: Confirme sua presença pelo Facebook

Massas Críticas carnavalescas catarinenses

Fevereiro chegou em ritmo de Carnaval. Mas foi sem agitação que o ano passou na maioria das cidades catarinenses, para sincero desespero de seus ciclistas. Na administração pública, parece que as coisas só começam mesmo após o período sabático do Carnaval, mesmo num ano enxuto por Copa do Mundo e eleições.

Se Santa Catarina, em especial Florianópolis, deu show no Fórum Mundial da Bicicleta, em Curitiba, na cidade mesmo não se observou mudanças estruturais e planejamento estratégico para este 2014. Um mês perdido, como tantos outros. Mas com vidas perdidas também, como ocorreu em São José.

Enquanto os gestores se afastam da vida nas cidades, Santa Catarina e seus municípios continuam dando maus exemplos. E, ao contrário dos especialistas de fora que levantaram questões e debates em Curitiba, por aqui pouca coisa se apreende, e muito menos ainda se faz.

Que março comece com ventos melhores. No cenário atual, tem tudo para isso.

E é justamente essa inatividade grandiosa do Poder Público que continua a alimentar as Massas Críticas.

Confira se a sua cidade contará com uma Bicicletada e participe!

Blumenau

Blumenau 2014-02-28Arte: Fran Schmitz

Brusque

Brusque 2014-02-28

Chapecó

Chapeco geral v2

:: Confirme sua presença no site da ABX Ciclistas

Florianópolis

Florianopolis 2014-02-28 CarnavalArte: Lucas Seara Medeiros

Massas Críticas catarinenses 2014

O ano de 2014 começou da mesma forma que 2013, mas com menos esperança. De fato, quanto a ações e efetividade, é como se muitos prefeitos catarinenses não tenham assumido ainda os seus mandatos. Afora as manifestações de junho e julho nas ruas, em diversas cidades do Estado os ciclistas externaram o seu descontentamento com as condições desumanas do trânsito. Muito pouco foi feito. Criciúma ganhou seus primeiros quilômetros de ciclofaixas, enquanto que Florianópolis e Jaraguá do Sul viram crescer um pouco a sua malha cicloviária, nem sempre da melhor maneira possível – ou da mais efetiva, ou da mais eficaz.

Muitos ciclistas, infelizmente, tombaram em 2013. Ou melhor, foram tombados! Florianópolis, Blumenau, Joinville, Brusque, Jaraguá do Sul, Balneário Piçarras, Barra Velha e tantas outras cidades tiveram no ano passado o sangue de um ciclista derramado em suas estatísticas. Uma cidade civilizada – uma cidade humana! -, cuja mobilidade urbana exerce a sua função de traslado de pessoas, tem que ter esse índice igual a zero. Zero mortes e nem uma a mais! Porque uma cidade boa para se locomover é aquela em que o indivíduo possa fazer a sua opção de modal sem temer pela sua segurança, sem a preocupação de não retornar à casa e à família. Sob este ponto de vista, é triste ver que essas cidades citadas falharam, enormemente, em promover a mobilidade ciclística. Falharam elas e, em muitos lugares, falharam também Santa Catarina (mortes em rodovias estaduais) e o Brasil (rodovias federais). Uma falha que custa, todos os anos, muito à coletividade e que não tem um valor que se possa precificar nos corações  e lembranças que sobre a terra ficaram, saudosos.

O que mais gera receio, entretanto, é ver muito pouca coisa realmente sendo feita para melhorar a vida “das pessoas”. É ausência de projetos bons e falta de vontade em ir atrás deles. É o colapso do trânsito sendo gestado *ou não) agora pelos administradores.

O povo, sofrido, pede, portanto, mais. E, como tem feito nos últimos onze anos e meio, vão às ruas. Até porque o Brasil não acordou apenas em 2013. Os ciclistas, ao menos, estão nessa sina há muito mais tempo!

Veja, portanto, com atraso admite-se, a relação de Bicicletadas que estavam previstas para ocorrer na última sexta-feira do mês de janeiro em solo barriga-verde.

Blumenau

Este slideshow necessita de JavaScript.

Artes: Yasna Muñoz Catalán

Os ciclistas de Blumenau têm um motivo extra para protestar. A Rua Fritz Spernau, popularmente conhecida como Rua da Coca-Cola, um importante eixo entre os bairros Itoupava Norte e Fortaleza ainda não teve a sua ciclofaixa implantada, quase quatro meses após o término das obras carrocráticas de sua revitalização.

Brusque

Brusque 2014-01-31

Notícia triste é que um participante da Bicicletada Brusque fora atropelado na quinta-feira, 30 de janeiro, véspera da pedalada. Ele encontra-se hospitalizado.

Chapecó

Chapeco geral v2

Com concentração a partir das 18h30 na praça da Catedral, a Bicicletada de Chapecó assumiu seu protagonismo em prol da cidadania e seguiu até o Centro de Convenções, onde haveria a audiência pública final para a aprovação do Plano Diretor do município.

:: Confirme sua presença pelo site da ABX Ciclistas

Florianópolis

A Massa Crítica da Capital teve como tema o verão. Saída às 19h da pista de skate da Trindade. Concentração a partir das 18h.

:: Confirme sua presença pelo Facebook

Joinville

Joinville realiza a sua Massa Crítica com relativa regularidade, embora não tenha sido possível obter com precisão se em janeiro seria realizada a pedalada na maior cidade catarinense.

Mas o município mal comemorou a lei que cria a Semana Municipal da Bicicleta e já houve um incidente muito mais grave envolvendo os ciclistas joinvillenses. Apesar de a legislação federal pregar a intermodalidade, e embora fosse consenso entre os demais usuários do ônibus envolvido, um ciclista foi agredido por policiais na cidade após adentrar o coletivo com a sua bicicleta. A entrada do ciclista no ônibus aconteceu logo após um protesto contra o aumento da tarifa do transporte público, em pleno mês de janeiro.

A Bicicletada Joinville lançou uma Nota Oficial de repúdio sobre o ocorrido. O atual prefeito de Joinville, o empresário Udo Döhler (PMDB), cancelou a licitação do transporte na cidade. Nas audiências públicas, a intermodalidade foi levantada por diversos cidadãos, que foram solenemente ignorados pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (IPPUJ).

Massas Críticas catarinenses

Novembro vem e carrega consigo um ano inteito de desgoverno. Avanços mínimos perante os retrocessos. Vidas a menos sem a menor preocupação dos governantes.

No Estado de Santa Catarina, dinheiro para investimento tem. Mas a preocupação é por jogá-lo pelo ralo, em mais um elevado na SC-401. Para projetos cicloviários decentes, absolutamente nenhum tostão na mesma rodovia, conhecida como a Rodovia da Morte dos Ciclistas, com sete falecimentos em seus 20km desde a vigência da Lei Seca.

Com o fim do ano, as promessas de campanha vão sendo, uma a uma, paulatinamente quebradas.

Continue lendo…

Conexão Montréal #4 – Bicicletada em Montréal

Sei que já faz um tempo a última Bicicletada, mas tenho que contar. Acabei de viver uma experiência muito bizarra na cidade, eu não imaginava que ia ser assim, foi realmente surpreendente. Toda última sexta-feira do mês, tem Bicicletada, ou “Masse Critique”. Para quem tem facebook dá para ver o evento aqui.

Saí do trabalho e peguei a Saint Urbain direto até a Maisonneuve, ambas têm ciclovia, foi easy. Peguei somente um pedaço do caminho sem, mas foi de boa. Estava bem frio, confesso, uns 7ºC. Cheguei na praça tinha 10 gatos pingados. De um lado os anglofónos e de outro os francófonos. Daí, já fui trocando ideia com a galera que fala francês porque eu falo muito mal inglês. Mas ninguém foi muito simpático, hábito comum no norte do mundo. Logo, saímos. Ninguém explicou nada e eu segui o fluxo. Eu perguntei para as pessoas como funcionava e me olharam com uma cara estranha “tipo, que pergunta é esta?!?”. Bom, eu segui pedalando e pensando que se houvesse um cara que nem o Fabiano deste lado de cá, eu não teria ficado no vácuo. Hehehe! Mas daí eu perguntei vocês puxam algum grito em inglês ou francês? E um senhor me respondeu “faz o que você quiser!”. Wow! Muito legal, pensei em ficar quieta e pedalar. Daqui a pouco, tinha um cara de fixa (eu vi uma 3 fixas durante a Bicicletada) que gritava um monte de coisa em inglês. Eu não entendia nada. Este cara puxou alguns gritos e também o caminho, ele parecia legal, mas não consegui trocar ideia com ele por causa da língua.

O mais engraçado foi quando o povo passou o primeiro farol vermelho bem na frente da polícia. Tipo, pensei, agora vou ser multada, sei lá. Mas nem rolou nada. Só que nós fizemos isso direto, andamos na contramão e passamos farol vermelho, andamos no meio do trânsito, no meio de pedestres atravessando na faixa. O oposto da impressão que eu tinha tido sobre a educação do trânsito na cidade, até as pessoas respeitam sinal vermelho, ficam paradas até a luz verde acender, independente da presença dos carros.

Manifestante qui pose.

Manifestante qui pose.

Aqui, eu vi a face anárquica da Massa Crítica. Bom, mas éramos poucos uns 30 no máximo. Depois eu vi na página do evento uma galera reclamando disso, que podia ser mais assim, ou mais assado. Sei lá! Cada um com os seus problemas é um lema do lado de cá do mundo.

Eu me apresentei para uma mina na hora que eu cheguei. E no meio do pedal ela me perguntou, e aí, que tá achando? Eu falei para ela que estava super anárquico para mim. Falei também que a gente gritava mais, e todo mundo junto, que somos mais certinhos no trânsito, paramos no sinal vermelho, não subimos na calçada e nem andamos na contramão.

 Aí ela me ensinou os gritos daqui “à qui la rue? la rue à nous!”, que quer dizer, “de quem é a rua? a rua é nossa!”. “Velo-rution!”. Eu escutava “happy friday!” ou “bon vendredi!”, aproveite a sexta. Também ouvi “vem pedalar! é bom para saúde”. “Le velo est bon pour la libido!”. E eu cantei os nossos para ela e traduzi alguns.

A gente gritou bastante depois, mas eu confesso que fiquei com medo da polícia. Só me imaginava presa ou multada. Mas não deu nada. A Bicicletada corria por várias ruas, se meteu no meio do trânsito, entre os carros e fazia muito barulho com gritos, sinetas, buzinas…. mas a impressão que eu tinha é que realmente, não tinha um porquê. Eu sei que o trânsito sempre pode ser melhor. Acho que dou mais valor para o que a gente em Floripa tem feito, todo mês tem um porquê para manifestar enorme. A gente se esforça e se organiza. Aqui a galera é certinha e tá de saco cheio, também é um bom motivo para tocar o foda-se e fechar a semana com um “happy friday!”. Bom, não preciso ter uma opinião fixa, porque estou aqui só de passagem.

Lagoa da Conceição: prazo encerrado; obra não.

A sensação de abandono esquenta o sangue dos ciclistas de Florianópolis cada vez mais nos últimos meses. Após mais um atropelamento, obras sem contemplação de ciclovia ou ciclofaixa, mudanças de fluxo sem considerar o tráfego cicloviário, agora foram paralisadas também as obras numa das ciclovias mais aguardadas do Estado de Santa Catarina: a da R. Ver. Osni Ortiga, na turística e mágica Lagoa da Conceição.

Por isso, a expectativa para a Bicicletada da Lagoa é de protesto, nessa retomada das ações de rua do Movimento Ciclovia na Lagoa Já. A pedalada da Critical Mass manezinha é esperada para este sábado, em novo horário, às 10h da manhã, saindo da Praça Bento Silvério, no centrinho.

:: Confirme sua presença pelo Facebook

- As obras da tão prometida e esperada ciclovia da Osni Ortiga iniciaram, mas avançam em ritmo muito lento! A primeira de três etapas, iniciada em julho e que deveria durar 120 dias, expirou agora e não está nem na metade de ser concluída. Vamos nos deixar enrolar por mais uma obra de duração eterna, sem previsão de conclusão das etapas adicionais? – indagam os ciclistas e moradores da Lagoa.

Obras de ciclovia que deveriam durar quatro meses estão paradas. Foto: Eduardo Green Short.

Obras de ciclovia que deveriam durar quatro meses estão paradas. Foto: Eduardo Green Short.

Com esse atraso, fica cada vez mais difícil a nova gestão da Prefeitura de Florianópolis cumprir a promessa de campanha de construir, até junho do ano que vem, 40km de pistas cicláveis decentes no município.

Massas Críticas catarinenses

Outubro finda. Com ele, um misto sentimento de esperança e desamparo fortalecessem-se nos vibrantes corações dos ciclistas catarinenses, esses cidadãos.

O ano aproxima-se do fim e deixa para trás um rastro seleto de oportunidades perdidas e de pequenos avanços conquistados.

Enrique Peñalosa esteve por aqui. E mostrou com competência algumas de nossas maiores incompetências. Incompetência de ação, de gestão, de planejamento, mas, principalmente, incompetência pela inação.

Inação ao não fazer e inação ao não se ouvir e, por isso, não se conhecer.

Continue lendo…

11 anos de Bicicletada Floripa

Nesta seta-feira, 25 de outubro de 2013, haverá mais uma edição da tradicional Massa Crítica de Florianópolis.

O movimento rizomático de promoção ao uso da bicicleta como meio de transporte completou neste mês 11 anos de existência e, por isso, vem com uma programação especial.

A partir das 18h, haverá oficina de manutenção de bicicleta na concentração, na pista de skate da Trindade, em frente ao shopping Iguatemi.

Edição comemorativa e à fantasia, tendo em vista a proximidade bruxólica do Dia do Saci na Ilha da Magia, a pedalada, que terá início às 19h, é recomendada a pessoas de qualquer idade e qualquer porte físico. Vale, inclusive, estar fantasiado de skatista e patinador – ou mesmo sem fantasia! O que importa de fato é participar!

Confirme sua presença no Facebook

Florianopolis 2013-10-25Arte: Vinícius Leyser da Rosa

Prefeitura de Florianópolis define novas diretrizes para a Pró-Bici

O primeiro decreto assinado pelo vice-prefeito eleito de Florianópolis e prefeito em exercício, João Antônio Heinzen Amin Helou (PP), beneficiou as discussões em prol da mobilidade ciclística da cidade.

Na manhã desta terça-feira, 1° de outubro de 2013, João Amin, por meio do Decreto n°12.177, atualizou a Comissão Municipal de Mobilidade Urbana por Bicicleta (Pró-Bici), que estava desde o começo do ano sem vários dos membros das diversas entidades da prefeitura.

Consolidação da Pró-Bici foi o primeito decreto assinado por João Amin. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

Consolidação da Pró-Bici foi o primeito decreto assinado por João Amin. Foto: Fabiano Faga Pacheco.

A Pró-BIci é uma comissão mista entre a sociedade civil e os técnicos do município, servindo como canal de diálogo perante o Poder Público. Com a nova formação, passam a fazer parte dela representantes do coletivo Bike Anjo Floripa e da União de Ciclistas do Brasil, além de entidades ligadas à mobilidade de pessoas com deficiência (Floripa Acessível), à patinação (Federação Catarinense de Hóquei e Patinação) e ao skatismo (Associação de Skate da Grande Florianópolis).

Pelo lado da Prefeitura, passam a ter cadeira as secretarias de Educação e de Ciência Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável, além das fundações de Esportes (FME), de Meio Ambiente (FLORAM) e Franklin Cascaes (FCFFC). As secretarias de Mobilidade Urbana e de Obras, além da Guarda Municipal e do Instituto de Planejamento Urbano (IPUF) já faziam parte da Pró-Bici.

Com a assinatura, a prefeitura cumpre o item 6 do Termo de Compromisso com os Ciclistas, na qual os candidatos se comprometiam a:

6) Manter formas de diálogo entre os técnicos e a comunidade, de maneira a facilitar a recepção de demandas relativas à bicicleta

Compareceram à assinatura, além da sociedade civil, os vereadores Edinho Lemos (PSDB), Roberto Katumi (PSB) e assessor do vereador Pedro de Assis Silvestre, o Pedrão (PP), os secretários da Casa Civil, Eron Giordani, e de Administração e Previdência, Gustavo Miroski, o procurador geral do município, Julio Cesar Marcellino Jr, o gerente de Emprego e Renda da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável, Maikon da Costa, e o diretor técnico do IPUF, Dácio Medeiros.

Mais de 20 pessoas, entre membros da comunidade e do poder público, estiveram presentes na assinatura do decreto da Pró-Bici. Foto: Henrique Gualberto Brüggemann.

Mais de 20 pessoas, entre membros da comunidade e do poder público, estiveram presentes na assinatura do decreto da Pró-Bici. Foto: Henrique Gualberto Brüggemann.

Bicicletada das Pontes

Estilingao

“Em comemoração do Dia Mundial Sem Carro, gostaríamos de convidar a todos os que usam nossa cidade a uma reflexão e que se juntem a nós num ato de repudio contra a CET e DERSA sobre as pontes em SP, além de separar os moradores ainda servem apenas a um tipo de modo de locomoção os MOTORIZADOS.

Nós ciclistas nos unimos com os pedestres e cadeirante de SP e região e amanhã vamos parar a PONTE DAS BANDEIRAS na Zona Norte de SP, simbolicamente, pois a ponte possui uma grande avenida onde a velocidade máxima é mais que assassina. Onde uma praça linda não dá acesso às pessoas contemplarem sua beleza, onde ciclistas não podem passar em segurança. Onde algumas faculdades e espaços de feira não podem ser acessadoss a não ser por quem está motorizado…

Para isso temos dois eventos para você aderir virtualmente, porém, as ações praticas ser darão num só local:
A PONTE DAS BANDEIRAS.”

:: Confirme sua presença pelo Facebook aqui e aqui

Sao Paulo 2013-09-20 Pontes

Público do Donna Fashion Iguatemi ovaciona Bicicletada

Conteúdo Especial - Bicicleta na RuaCiclistas pediam seriedade no cumprimento de TAC que prevê que shopping construa de 1,25 km de ciclovia na Av. Madre Benvenuta, em Florianópolis

A Bicicletada Floripa desfilou ao redor da passarela da moda. Um ano após a morte do ciclista José Lentz Neto, a tradicional manifestação de rua ocupou calmamente os espaços internos de um dos principais shoppings da cidade.

Continue lendo…

Massas Críticas catarinenses

Agosto chega ao fim. Um mês de gostos e desgostos.

Num mesmo fim-de-semana, o presidente da ViaCiclo é atropelado, o prefeito de Florianópolis sente medo ao pedalar e um ciclista morre num lugar que deveria ter ciclovia há tanto tempo quanto durou a vida do garoto.

Ergueu-se bicicletas-fantasmas, em Florianópolis e em Jaraguá do Sul. Dois monumentos em rodovias administradas pelo Governo Estadual.

Fica-se no tempo das promessas. Com mais R$ 1 milhão talvez a serem empenhados este ano, a capital catarinense vê-se ainda numa ausência de obras estruturantes e focadas no planejamento urbano real, participativo e verdadeiro. O capital a ser investido ainda é inferior ao montante retirado do orçamento anual para obras cicloviárias. O tempo urge e, com mais um guerreiro em bicicleta, foi implacável.

Continue lendo…

Massas Críticas catarinenses

Julho chega com neve e frio em Santa Catarina.

Ainda assim, não é o vento e muito menos o frio que andam atormentando a vida dos ciclistas catarinenses.

O desrespeito oficial e não oficial parecem ser a regra neste Estado dito desenvolvido.

Rodovias são feitas, e ampliadas, e duplicadas, em desacordo com a lei, à revelia da circulação de ciclistas.

Ruas são revitalizadas e o dinheiro das ciclovias vão para o asfalto impermeável.

Enquanto isso, Lylyans tombam no betume duro.

E, pela parte oficial, do Estado e das prefeituras, ninguém se manifesta. Nenhum tomador de decisão realmente age.

A inércia dos congestionamentos transmuta-se na inércia da verdadeira vontade política.

O sofrimento dos ciclistas parece mesmo estar longe do fim.

Será que os postes que afixam ghost bikes irão se findar antes que as ciclovias permanentes tenham início, meio e fim?

Continue lendo…

Bicicletada conferirá obras de ciclovia na Lagoa da Conceição

Excepcionalmente neste mês de julho, a Bicicletada Floripa da Lagoa da Conceição ocorrerá no terceiro sábado do mês. E o clima é de festa e – por que não? – de certo ato cívico. Afinal de contas, no começo do mês foram autorizadas as obras da primeira parte da revitalização da R. Ver. Osni Ortiga, no Porto da Lagoa.

Para acompanhar o andamento das obras, que já dispõe de metade dos recursos para a sua finalização, neste sábado teremos a edição de junho da Massa Crítica da Lagoa. A ideia é fazer uma verificação periódica dos trabalhos de aterro e enrocamento, vislumbrando de perto a realização de tão almejado sonho.

:: Confirme sua presença no Facebook

A luta pela ciclovia da Lagoa da Conceição completou 16 anos em 2013. O trecho em obras, entretanto, vai terminar a 630m da Av. das Rendeiras.

Florianopolis 2013-07-20 Lagoa da ConceicaoArte: Gabriel Borghi Sincro

Após a Bicicletada, teremos o PedaLua, evento gratuito da empresa de cicloturismo Caminhos do Sertão, com destino à Barra da Lagoa. A saída será do ponto de encontro – e término – da Bicicletada, a Praça Bento Silvério, no centrinho da Lagoa da Conceição.

:: Confirme sua presença no PedaLua no Facebook

Saiba mais:

Verificação pessoal na Lagoa

Ciclistas pretendem avaliar efeito de ciclovia na Lagoa da Conceição

Começarão as obras da ciclovia na Lagoa da Conceição!

Contexto político na época das primeiras Bicicletadas no Brasil

Nas recentes discussões para tornar mais atuante a União de Ciclistas do Brasil (UCB), Thiago Benicchio, que durante anos movimentou o site Apocalipse Motorizado, referência magnânima do cicloativismo brasileiro, compartilhou um artigo escrito por Felipe Côrrea para o Passa Palavra, no qual ele realiza uma análise crítica sobre a articulação de um movimento que pretendia ser a nova esquerda, mostrando as contradições de uma manifestação com traços internacionais, marcada sobretudo pelas conduções contra o capitalismo, perante os traços característicos das diversas comunidades.

Entretanto, é interessante encontrar em “Balanço crítico acerca da Ação Global dos Povos no Brasil”, artigo escrito em 6 partes, a referência a um movimento que até hoje ocupa as ruas de dezenas de cidades pelo Brasil e que teve um amplo crescimento após o auge da Ação Global dos Povos (AGP).

Confira abaixo alguns trechos selecionados e que podem contribuir para um melhor entendimento do início do movimento cicloativista brasileiro, em especial a Massa Crítica/Bicicletada [grifos e itálicos nossos]:

A Ação Global dos Povos (AGP) nasceu no início de 1998 e constituía uma “rede global de movimentos sociais de base originalmente criada para combater o livre comércio”. Não era uma “organização formal, mas uma rede de comunicação e coordenação de lutas em escala global baseada apenas em princípios comuns”.

Dentre seus princípios, pode-se destacar os seguintes: “1. A AGP é um instrumento de coordenação. Ela não é uma organização. Os seus principais objetivos são: (i) Inspirar o maior número possível de pessoas, movimentos e organizações a agir contra a dominação das empresas através da desobediência civil não-violenta e de ações construtivas voltadas para os povos. (ii) Oferecer um instrumento para coordenação e apoio mútuo a nível mundial para aqueles que resistem ao domínio das empresas e ao paradigma de desenvolvimento capitalista. (iii) Dar maior projeção internacional às lutas contra a liberalização econômica e o capitalismo mundial. 2. A filosofia organizacional da AGP é baseada na descentralização e na autonomia. Por isso, estruturas centrais são mínimas. 3. A AGP não possui membros. 4. [...] Nenhuma organização ou pessoa representa a AGP, nem a AGP representa qualquer organização ou pessoa.” [Manifesto da Ação Global dos Povos]

[...]

No Brasil, a idéia da AGP chegou depois das manifestações de 1999 [o J18, durante reunião do G7 em Colônia, na Alemanha, e o N30, durante encontro da Organização Mundial do Comércio em Seatle, nos Estados Unidos], organizando-se pela primeira vez no estado de São Paulo em 2000, primeiro na Baixada Santista e na capital, no Primeiro de Maio, que poderia ser considerado como um ensaio do que seria o S26 (26/09/2000), marco da consolidação do movimento em solo brasileiro [em setembro, mais de 100 cidades do mundo protestaram contra os encontros do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial em Praga, na República Tcheca].

[...]

O ano de 2002 foi marcado pela realização do 1º Carnaval Revolução, em Belo Horizonte, em fevereiro, e pelos protestos contra o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Fortaleza, durante o mês de março, com 5 mil pessoas nas ruas e com desdobramentos em São Paulo e Belo Horizonte. Um ano depois do A20, 2 mil manifestantes protestam novamente em São Paulo, entregando uma carta gigante, endereçada ao ministro da Fazenda, no Banco Central, com o dizer “ALCA nem fodendo” e assistindo a um documentário sobre o ato do ano anterior. Nesse contexto, realiza-se em São Paulo, no mês de agosto, a primeira Bicicletada, reunindo “ciclo-ativistas”. Ao final do ano, em 31 de outubro, 2 mil pessoas protestam em São Paulo contra a ALCA com um tour pelo centro da cidade e, no dia seguinte, 500 pessoas ocupam a Praça da República numa festa de rua contra a ALCA. Com o aniversário de um ano da revolta argentina de 2001 realiza-se, em São Paulo, como forma de solidariedade, teatro de rua, panfletagem e 15 ativistas ocupam o Consulado da Argentina, realizando um “panelaço” — ocorrem também protestos em Salvador.

Em fevereiro de 2003, 30 cidades brasileiras mobilizam-se contra a iminente Guerra do Iraque; em março, acontece o 2º Carnaval Revolução, em Belo Horizonte; em 7 de maio, ativistas ligados aos meios de comunicação ocupam a ANATEL em cinco capitais, pregando contra o fechamento de rádios livres. O ano também é marcado, entre os fins de agosto e início de setembro, por protestos de estudantes em Salvador contra o aumento no preço dos transportes, por uma mobilização contra a ALCA e por um encontro de rádios livres em Campinas, durante o mês de novembro.

[...]

No entanto, na construção do movimento havia um problema. As demandas culturais e identitárias deixavam pouco espaço para as questões políticas. O perfil dos “ativistas” — jovens, na maioria dos setores médios da sociedade, ligados à contracultura, muitos vegetarianos, estudantes de universidades públicas, escolas particulares alternativas etc. — facilitava a criação dessa cultura militante e de uma identidade coletiva que se refletiam em um determinado estilo de vida. Os assuntos de interesse, no que ia para além da política, aproximavam os ativistas, a idade, a classe de origem, o local de estudo, tudo isso naturalmente criava um perfil do movimento no país

[...]

Outro fator que se evidenciou em detrimento do político, priorizando o individual, foi a substituição do conteúdo pela forma. Prática bastante evidente hoje em dia, persuadiu parte significativa dos ativistas do movimento que, utilizando a máxima do “fazer da sua vida algo próximo de seus ideais” — um princípio bastante razoável, é verdade — passavam no campo pessoal à forma do “politicamente correto”, na mesma medida em que se afastavam do conteúdo político. Explico.

É uma característica relativamente comum incorporar elementos do âmbito pessoal, em vez de levá-los para fora, para o campo da mudança social. Exemplos disso são infindáveis, mas só para exemplificar, posso citar: passar a chamar os negros de afro-americanos e acreditar que o problema do racismo está resolvido; utilizar linguagem inclusiva e pensar que o problema de gênero está solucionado; consumir alimentos sem agrotóxicos e acreditar que o problema do agronegócio está resolvido etc. É fato que, também inconscientemente — nunca ouvi ninguém falar “vou priorizar o individual em detrimento do político” ou defender essa posição abertamente –, isso “simplesmente aconteceu”, tornou-se verdade prática sem uma reflexão teórica que lhe desse sustentação. Puxados por aquilo que na realidade é mais simples, ou seja, uma mudança no comportamento individual, os ativistas afastavam-se das atividades no campo social, evidentemente mais complexas, visto que elas implicavam conviver com o diferente, discutir, ter argumentos, persuadir — em suma, tudo o que implica a luta.

Durante o crescimento da AGP no Brasil evidenciaram-se diversos fatos nesse sentido. A cultura do “politicamente correto” era promovida, incentivando-se, ainda que tacitamente: utilizar linguagem inclusiva, ler somente mídia alternativa, ser vegetariano ou vegano, andar de bicicleta, optar pela vida coletiva (morar com amigos etc.), ter relacionamento aberto e/ou bissexual, não consumir produtos de grandes marcas ou de marcas que produziam em sweatshops, utilizar software livre, evitar os debates mais acirrados na forma etc. O ativista tinha de ser uma pessoa quase perfeita, sem todos os vícios da sociedade presente e buscar não se “contaminar” com tudo de errado que nela havia — fato que não deixava de herdar da contracultura certo costume de um vigiar o comportamento do outro. Apesar disso, nossa geração realizou poucas lutas contra a opressão de gênero, a grande imprensa, os matadouros, a discriminação sexual, a exploração dos trabalhadores da indústria automobilística, das corporações e dos sweatshops etc. Há diversos exemplos, mas quero insistir num ponto central: com o passar do tempo, o comportamento individual foi substituindo a política coletiva e a mudança do indivíduo passou constantemente a sobrepor a luta — a busca pelo modelo do “ativista perfeito e coerente” afastava-os da realidade e complicava ainda mais a interação com pessoas “normais”, diferentes portanto.

[...]

A teoria nos dá elementos importantes em termos históricos e conjunturais. Ela pode servir também para se conceber objetivos e caminhos a seguir, os quais, certamente, são mais estimulados por uma noção ideológica que teórica. A prática, por outro lado, verifica na realidade se as hipóteses formuladas pela teoria possuem lastro real e oferecem ótimas experiências para que se renove e se aprimore a teoria.

Portanto, uma nova esquerda não pode abrir mão de teoria e prática. As quais, por meio de uma interação dialética, fortalecem-se mutuamente, fazendo com que haja um aprimoramento mútuo. Com boa teoria se aprimora a prática e com boa prática se aprimora a teoria. Ambas devem caminhar juntas, num esforço de desenvolvimento e melhoria permanente.

Se por um lado há uma “urgência das ruas”, é inegável que grande parte das teorias da velha esquerda precisam ser renovadas. Teremos de “podar os velhos ramos”. Há uma urgência das ruas, mas também há urgências fora delas. E devemos reconhecer a “insuficiência das ruas”, quando essa prática não vem ancorada em um processo mais amplo de acúmulo real de forças e de um aprimoramento teórico, capazes de impulsionar amplamente as lutas e as transformações sociais.

Não se pode pregar a prática em detrimento da teoria ou vice-versa. Ambas devem usufruir da dialética entre uma e outra para um acúmulo de forças no sentido de modificar a realidade.

Alguns temas tratados nesta série de artigos, escritos entre julho e setembro de 2011, certamente permanecem atuais e devem servir para as manifestações de 2013 também refletirem sobre seu papel, suas ações e suas metodologias no contexto de hoje.

Interessante apenas notar que, a despeito haver certos resquícios da AGP na Massa Crítica de hoje, a exemplo de listas de e-mails na plataforma libertária (não no sentido liberal usado atualmente) RiseUp, a decisão feita de maneira horizontal, o coletivo sem líderes e não representando ninguém, algumas de suas contradições também se manifestaram, notadamente em São Paulo, em que ações agressivas individuais, sem serem coibidas pelos demais, para não ferir a arbitrariedade em um movimento sem lideranças, tomaram caminhos contrários aos ideais coletivos anteriormente propagados.

Em Florianópolis, local da segunda mais antiga Bicicletada do Brasil, contudo, as Massas Críticas vieram já ao encontro de uma estrutura cicloativista que já havia passado de sua fase embrionária, adquirindo características da AGP apenas após a retomada da Bicicletada Floripa, a partir de abril de 2008, com a importação do modelo que estava dando certo em São Paulo à época.

Desta forma, é importante os ciclistas de Florianópolis fazerem leituras críticas das potencialidades e limitações de suas ações, enxergando o que pode dar certo e não se utilizando de instrumentos que lhes façam desviar de seus focos, empreendendo esforços para o amplo diálogo entre os seus diversos atores de forma que a teoria e a prática caminhem juntas e em níveis saudáveis.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 3.051 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: