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Um dia sem carro

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Charge – Dia Mundial Sem Carro

Charge – Semana Mundial Sem Carros

A pé pela ponte

Acontece neste sábado em Florianópolis a II Caminhada Jane Jacobs, cujo tema desta edição é a travessia Ilha-Continente. Segundo os idealizadores, “fala-se muito sobre a conexão para o transporte coletivo e para os carros” e lançam a seguinte reflexão: “você já passou por debaixo da ponte a pé?”

A caminhada sairá do Terminal de Integração do Centro (TICEN) às 15h, em direção ao Parque de Coqueiros.

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Caminhada Jane Jacobs 2013-07-06

(Mobilidade nas Cidades) Caminhar e pedalar salvam vidas

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O médico da UNIMED e pesquisador da UDESC Tales de Carvalho fez uma compilação de diversos estudos dos últimos anos para fazer um paralelo entre a saúde e a mobilidade urbana. E foi categórico:

– Ser regularmente ativo salva vidas!

Para ele, formas de mobilidade que incluam o caminhar e o pedalar devem ser incentivadas. E mesmo quem usa o transporte coletivo não fica de fora dos benefícios. Afinal, quem pega o ônibus também acaba tendo que caminhar.

E não precisa ser adepto da academia ou ter boa forma física: um estudo de 2001 detectou que 40min diários eram suficientes para reduzir em 31% a mortalidade de cardiopatas. Além disso, outro estudo detectou que, a partir de 50min/dia de atividade física, ocorre regressão de lesóes coronarianas em pacientes aterioscleróticos.

Os benefícios à saúde pública ficam evidentes. A cada US$ 5.000,00 gastos em programas de reabilitação cardíaca (prevenção) economiza-se US$126.000,00 em cirurgia de angioplastia, por exemplo. Sem contar os benefícios físicos e emocionais gerados pela primeira frente ao quadro de recuperação lenta da operação invasiva.

Tales também mostrou outro estudo, de 2002, que compara os benefícios da atividade física entre pessoas cardíacas e não-cardíacas. Em ambos os grupos, quanto mais ativas fossem as pessoas, menor o risco de morte, tanto para cardíacos quanto para pessoas normais. Inclusive, o estudo demonstrou que o risco de morte é maior para pessoas não-cardíacas sedentárias do que para cardíacos ativos.

Sobre o Floribike, sistema de aluguel de bicicletas que está em licitação em Florianópolis, o médico vê como uma oportuniade excelente de gerar impactos positivos na saúde física e mental dos moradores, além de contribuir para a redução dos poluentes no ar.

Tales de Carvalho falou dos benefícios da inserção da atividade física intrínseca aos deslocamentos. Foto: Fabricio Sousa.

Tales de Carvalho falou dos benefícios da inserção da atividade física intrínseca aos deslocamentos. Foto: Fabricio Sousa.

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Começa amanhã o 3º Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana

(Mobilidade nas Cidades) As lições do Fórum

O artigo abaixo foram originalmente publicadas na edição impressa do periódico Diário Catarinense, em 29 de abril de 2011 (pág. 3 do caderno Variedades). Você pode lê-lo no site do DC aqui.

Diário Catarinense

CONTEXTO

Escutai os gringos

Escrevo e envio este texto na terça-feira à noite, depois do primeiro dia do Fórum Internacional sobre Mobilidade Urbana. Na quarta, haveria outra rodada de palestras, encerrando o evento.

Alguns dos maiores pesquisadores mundiais do assunto estavam no Teatro Pedro Ivo, expondo suas ideias cosmopolitas para uma plateia de pouco mais de cem pessoas sem “nenhum vereador ou prefeito da Grande Florianópolis”, como notou, no Jornal do Almoço, o repórter Rafael Faraco.

As falas foram inspiradoras. Não pretendo resumir um conteúdo tão complexo. Quero apenas lembrar alguns pontos para arrancar disso uma reflexão.

O inglês Rodney Tolley dirige o projeto Walk21. Sua defesa do ato de caminhar, longe de ser ingênua, é uma lufada de bom senso. Andar, lembra, não se trata apenas da ida de “a” para “b”, mas da exploração do que há pelo caminho. Ignorada no último século, a caminhada como séria opção de mobilidade urbana vive um renascimento, merecendo conferências pelo planeta e programas especiais em cidades como Londres, Nova York, Copenhague, Barcelona. Não é o caso de criar andarilhos, mas de incentivar caminhadas em distâncias razoáveis para colocar mais pessoas nas ruas, gerando ambientes gregários, saudáveis e seguros. As cidades engajadas fazem um grande levantamento de informações úteis para os pedestres, proíbem os carros em algumas vias aos domingos e assim por diante.

O holandês Ton Daggers falou das famosamente bem-sucedidas experiências do seu país com as bicicletas – inclusive as elétricas, cada vez mais difundidas por lá e aliás já disponíveis por aqui. Na Holanda, terra de 18 milhões de bikes para 16 milhões de habitantes, há cada vez mais cyclo routes, as rodovias para as bicicletas, muitas vezes paralelas às autoestradas. Há dois anos dirigi rapidamente por Amsterdã e, diante de estacionamentos de R$ 350/dia e olhares nativos de desprezo, percebi o que é o carro para eles. A hierarquia se inverte: pedestres e ciclistas, felizmente, mandam no território.

O alemão Niklas Sieber explorou a questão dos transportes coletivos – custos, novidades, prós e contras, ótimas e péssimas experiências de mobilidade em cidades diversas. Um dos termos do momento sobre o assunto é “ transporte multimodal”, a articulação entre diversos meios de locomoção. Pela manhã, na palestra de abertura do Fórum o colombiano Gil Peñalosa deixou um frase ecoando pelo ambiente: “Cada cidade encontra uma razão para dizer que não vai mudar”. Alheio a desculpas assim, ele e seu irmão Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá, revolucionaram o transporte por aquelas bandas.

Nisso voltamos aos nossos políticos. Pois é, eles não estavam no evento. Devem considerar as ideias dos estudiosos muito ripongas para a nossa realidade. Lamento que pensem assim, mas compreendo por que isso acontece. Que estímulo tem um prefeito para ser arrojado em termos de mobilidade urbana e por exemplo taxar a circulação de automóveis pelo centro, se o apedrejaríamos por isso? A cultura local não ajuda. No Brasil, o ônibus é visto como um veículo para estudantes e semifracassados em geral. Ignora-se que na Europa um chefe de grande empresa vá trabalhar de metrô ou bicicleta pública.

Fui ao Fórum de ônibus, mas até hoje deixei bem menos o carro na garagem do que podia. Sou um egoísta idiota – e aposto que, nesse quesito, a maioria dos leitores desse texto também é. Fica então o convite para admitirmos que hábitos de vida inteira possam ser justamente os mais errados. Vamos lá: www.walk21.com.

Thiago Momm

Saiba mais:

(Mobilidade nas Cidades) Cities-for-Mobility opina e dá sugestões de como melhorar a mobilidade urbana de Florianópolis

(Mobilidade nas Cidades) Para melhorar a cidade

Florianópolis espera contar com bicicletas públicas em 2012

(Bicicultura) Palestra do prefeito de Sorocaba dá um show de gestão pública

“A gente sabe que a melhor cidade para a gente viver é uma cidade bem planejada”.

Essas foram das primeiras palestras proferidas por Vitor Lippi, prefeito de Sorocaba, cidade de 600 mil habitantes a 85km de São Paulo, cuja economia é baseada nas indútrias metal-mecânica e automobilística, mas que, mesmo assim, tem sido considerada um exemplo da inserção e valorização da bicicleta nas cidades.

“Uma secretaria só não muda uma cidade”, afirmou o prefeito. “Mas todas juntas sim”. A intersetorialidade foi fundamental para que todo o governo se mobilizasse e tomasse atitudes conjuntas para beneficiar a população como um todo. Não são apenas os órgãos ligados ao trânsito que são responsáveis pela execução de políticas públicas ligadas à bicicleta. Os órgãos de saúde, educação, meio ambiente e até de finanças trabalham unidos para que a cidade seja um espaço educador e promotor da saúde. Ou, nas palavras do prefeito, para que Sorocaba não siga o estigma da ampla maioria das cidades que “crescem perdendo qualidade de vida”.

Saúde & Bicicleta

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sedentarismo atinge mais de 50% da população que vive nas cidades. Como resultado disso, mais de 40% da população está acima do peso, sendo 10% dela obesa. Na capital paulista, o sedentarismo atinge níveis alarmantes, com quase 70% dos habitantes da metrópole não realizando atividades físicas freqüentemente.

Dentre as doenças mais comuns em adultos, a hipertensão (40% de prevalência) e a diabetes (9%) estão diretamente relacionados a casos de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, amputações, insuficiência renal e doenças vasculares, que oneram a saúde pública. Dos casos de hipertensão e diabetes, 70% estão relacionados ao estilo de vida das pessoas. Assim, a única solução eficiente é a adoção de um estilo saudável de vida. Ou seja, realizar atividades físicas, ter hábitos alimentados saudáveis e combater o tabagismo.

Deve o poder público atuar eficientemente na promoção da saúde da população, e é aí que as ciclovias  e o caminhar se inserem.

Os benefícios da caminhada

Trinta minutos de caminhada por dia promove:

– Controle da pressão arterial;
– Controle da diabetes;
– Redução do risco de infarto e AVCs;
– Redução na velocidade da osteoporose;
– Redução dos riscos de câncer (30% nos cânceres de intestino e de mama);
– Melhora a imunidade;
– Reduz estresse, ansiedade, depressão;
– Melhora a autoestima do idoso;
– Melhora o humor, a disposição, o bem-estar e a qualidade de vida.

A depressão é considerada pela OMS a doença deste século. E isto se deve ao isolamento social e à frustração provocada pelo consumismo induzido.

As cidades devem combater o sedentarismo, transformando espaços ociosos em espaços promotores da saúde, com a criação de parques, pistas de caminhada, ciclovias, melhoramento de calçadas e áreas de esportes e de lazer.

A herança sorocabana

Sorocaba tem hoje 65km de ciclovias e o projeto da cidade tem como meta chegar aos 100km até 2012. Ela possui até um Plano Diretor de Ciclovias, no qual constam ciclovias na maioria das avenidas e a interligação entre bairros e regiões. Com isso, está à frente de praticamente todos os outros municípios, preparando-se para um futuro em que as pessoas estejam em primeiro lugar para o usufruto da cidade com saúde e real qualidade de vida.

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